Diário da Assembleia Geral do ISCF

“Tudo o que se fizer a bem da família, por pequeno que seja é grande”. (Mons. Brás)

A Família no centro das atenções

Encontra aqui os vários artigos do Dr. Juan Ambrósio sobre a Família...

Encontro Mundial das Famílias 2015

O Vaticano apresentou dia 24 de março em conferência de imprensa o 7.º Encontro Mundial da Família, que vai decorrer de 22 a 27 de setembro de 2015 na cidade norte-americana de Filadélfia.

A saúde mental dos portugueses

Alguns dedicam-se obsessivamente aos números e às estatísticas esquecendo que a sociedade é feita de pessoas...

O trabalho, dom e direito

A sociedade portuguesa e internacional, vive uma situação de crise generalizada e de aumento das desigualdades sociais...

Longe vão os tempos

Longe vão os tempos dos preconceitos culturais em que se aceitava que era a mãe que tinha de cuidar dos filhos...

Dar esperança em tempo de crise

Vivemos tempos difíceis. A família, como célula base da sociedade, é imediatamente afetada por esta crise generalizada e que promete perdurar. Neste contexto, exige-se um novo paradigma, uma nova forma de estar e de nos relacionarmos.

5 de abril de 2009

Jovens católicos em festa

Bento XVI escreveu aos jovens de todo o mundo, por ocasião da celebração do próximo Dia Mundial da Juventude, alertando para as “falsas quimeras” do dinheiro, da carreira e do sucesso.
Na mensagem, o Papa convida a não ceder “à lógica do interesse egoísta”, cultivando, pelo contrário, “o amor pelo próximo” e colocando as capacidades humanas e profissionais “ao serviço do bem comum e da verdade”.
O XXIV Dia Mundial da Juventude será celebrado, em 2009, ao nível de cada Diocese, no Domingo de Ramos (5 de Abril). A mensagem papal tem como título “Pusemos a nossa esperança no Deus vivo”. (ler mais)

2 de abril de 2009

Papa João Paulo II muito recordado

A quatro anos da morte de João Paulo II prossegue ininterrupta a peregrinação de fiéis ao seu túmulo colocado dentro das Grutas Vaticanas, debaixo da Basílica de São Pedro.
No dia 2 de abril, aniversário do falecimento, às 18 horas na Basílica Vaticana, Papa Bento XVI celebra uma missa com a participação dos jovens de Roma. A João Paulo II se inspiraram numerosos grupos de espiritualidade, que reúnem fiéis de todas as idades e condições sociais. Um ano atrás, neste dias, foi entregue à Congregação das Causas dos Santos a chamada Positio, a relação que une toda a investigação preliminar sobre o falecido pontífice em vista de um pronunciamento para a beatificação.
Os textos foram recolhidos pela Postulação para a Causa de Beatificação que documentou um milagre que aguarda agora a resposta da Congregação mesma.
H2ONews

Mensagem de Bento XVI para o 46.º Dia Mundial de Oração pelas Vocações

Por ocasião do próximo Dia Mundial de Oração pelas Vocações ao sacerdócio e à vida consagrada, que será celebrado no IV Domingo de Páscoa, dia 3 de Maio de 2009, desejo convidar todo o Povo de Deus a reflectir sobre o tema: A confiança na iniciativa de Deus e a resposta humana. Não cessa de ressoar na Igreja esta exortação de Jesus aos seus discípulos: «Rogai ao Senhor da messe que envie trabalhadores para a sua messe» (Mt 9, 38). Pedi! O premente apelo do Senhor põe em evidência que a oração pelas vocações deve ser contínua e confiante. De facto, só animada pela oração é que a comunidade cristã pode realmente «ter maior fé e esperança na iniciativa divina» (Exort. ap. pós-sinodal Sacramentum caritatis, 26).

(ler mais)

26 de março de 2009

Aborto, a realidade sem disfarce

Em que consiste realmente um aborto? Porquê aumentou vertiginosamente o número de abortos no mundo nos últimos meses? Que interesses existem por detrás desta promoção e o que é que podemos fazer?Com o título “A vitória será da vida” a Fundação EUK Mamie na Espanha apresenta uma nova produção que oferece respostas a algumas destas perguntas. Com um DVD que informa sobre a realidade do aborto, o tema é tratado com um tom positivo e cheio de esperança, à semelhança do tom com que o Servo de Deus, João Paulo II, escreveu a Encíclica "Evangelium vitae". De facto o título foi tomado dos números 25 e 26 deste documento: “A vitória será da vida […] Na realidade, não faltam prenúncios desta vitória.”A responsável pela Televisão H.M., a Irmã Teresa Pérez do “Hogar de la Madre” disse que a ideia de lançar uma nova produção nasceu “ante a inquietante realidade de ameaça contra a vida humana não só em Espanha mas a nível mundial.”
Actualmente debate-se em Espanha a ampliação da lei do aborto, que no caso de ser aprovada será uma das leis abortivas mas radicais e violentas da Europa. Por esta razão, numerosos responsáveis de movimentos a favor da vida e da família quiseram participar no vídeo.Realizou-se mil cópias do DVD para distribuir de forma gratuita; também está disponível no site da Fundação: http://www.hogardelamadre.org/ ou www.eukmamie.org/index.php/television.

H2ONews








25 de março de 2009

A Igreja está na vanguarda do tratamento dos doentes com SIDA

27% das instituições no mundo que cuidam de doentes de Sida são da Igreja. Os governos têm 8%, as ONG detêm 18%, a ONU tem 44%.
Do Director do Projecto de Estudos sobre Prevenção do S.I.D.A. de Harvard:
Afirmações do Papa acerca da distribuição do preservativo tornar a epidemia de S.I.D.A.
Por John – Henry Westen - 19 de Março de 2009 – Edward C. Green, Director do Projecto de Estudos sobre a Prevenção do S.I.D.A. do Centro de Estudos sobre População e Desenvolvimento de Harvard, afirmou que a evidência corrobora as afirmações do Papa ao declarar que a distribuição de preservativos piora o problema do S.I.D.A.
“O Papa está certo”, afirmou Green ao National Review Online na passada Quarta-feira,” ou, melhor dizendo, as nossas melhores conclusões vão ao encontro dos comentários do Papa.”
“Existe”, acrescentou Green, “um paralelo consistente que mostram os nossos estudos, incluindo a “Demographic Health Surveys”, fundada pelos Estados Unidos, entre uma maior disponibilidade e uso depreservativos e uma maior – não menor – incidência de infecções pelo vírus HIV. Isto pode dar-se devido ao fenómeno conhecido por “compensação de risco”, significando que quando a população utiliza uma tecnologia de redução de risco como o preservativo, muitas vezes essa mesma população perde o benefício da redução desse risco ao “compensar”, arriscando-se mais do que faria sem essa tecnologia.
A Página Electrónica do Projecto do S.I.D.A. sobre Green menciona o seu livro “Repensar a Prevenção do S.I.D.A.: Aprendendo com os Sucesso de Países em Desenvolvimento”.
Nele Green revela que “As soluções, na sua maioria médicas, fundadas pelos grandes doadores tiveram pouco impacto em África. Em compensação, mudanças de comportamento relativamente simples e de baixo custo – como insistindo numa crescente monogamia e no adiamento da actividade sexual para os mais novos – têm tido maior sucesso na luta contra a doença e na sua prevenção.”
O texto completo da troca de impressões entre o Papa Bento XVI e o repórter, texto esse que lançou uma tempestade na imprensa mundial, foi divulgado agora pela imprensa do Vaticano.
O Papa foi confrontado com a seguinte questão: “Santo Padre, um dos maiores flagelos de África é o problema da epidemia de S.I.D.A.. A posição da Igreja Católica na luta contra este mal tem sido frequentemente considerada irrealista e ineficaz.”
Bento XVI respondeu: “Eu diria o contrário. Estou convencido de que a presença mais efectiva na frente de batalha contra o HIV/S.I.D.A. são, precisamente, a Igreja Católica e as suas instituições. Penso por exemplo na Comunidade de Santo Egídio, que tanto faz e tão visivelmente na luta contra o S.I.D.A; ou nas Camillianas, só para mencionar algumas das freiras que estão ao serviço dos doentes.
Penso que este problema, o S.I.D.A., não pode ser vencido com slogans de propaganda. Se falta a alma, se os Africanos não se entreajudarem, o flagelo não pode ser resolvido com a distribuição do preservativo; pelo contrário, arriscamo-nos a piorar a situação. A solução só pode advir de um compromisso duplo: primeiro, na humanização da sexualidade, ou por outras palavras, num renovamento espiritual e humano que traga consigo uma nova forma de proceder uns para com os outros. E em segundo lugar, num amor autêntico para com os que sofrem, numa prontidão – mesmo à custa de sacrifício pessoal - para estar presente aos que padecem. São estes os factores que podem trazer o progresso, real e visível.
Assim, eu diria que o nosso esforço deve ser o de renovar a pessoa humana por dentro, o de dar-lhe força espiritual e humana para uma forma de comportamento justa para com o seu corpo e o corpo do outro; e ainda o de ajudá-la a ser capaz de sofrer com os que sofrem e de estar presente nas situações difíceis.
Acredito que é esta a primeira resposta ao problema do S.I.D.A., que é esta a resposta da Igreja e que, deste modo, a sua contribuição é uma grande contribuição. E estamos gratos a todos os que assim contribuem.”

Veja as credenciais impressionantes e a lista de publicações do Dr. Green em http://www.harvardaidsprp.org/faculty-staff/edward-c-green-bio.html

23 de março de 2009

O Voto Católico

Este ano, milhões de católicos em Portugal irão votar em várias eleições.
Esclareça-se e reflicta. O Voto católico é um voto responsável.

Por Rita Modelo

20 de março de 2009

Pobrezas



Quando falamos de pobreza na Dinamarca ou na Etiópia não focamos a mesma realidade.


Na Dinamarca, como, em geral, na União Europeia, aplica-se a convenção que considera pobre o cidadão que aufere um rendimento inferior a 60% da mediana do país. Na Dinamarca e nos países mais prósperos da Europa, é considerado pobre quem dispõe de menos de €900 mensais. Noutros como a Hungria ou a Polónia, o limiar da pobreza desce para os duzentos euros. Portugal situar-se-á pelo meio da escala, por volta dos €400. De acordo com o critério, a população abaixo do limiar de pobreza será de 20%, ao nível da Espanha, Irlanda e Grécia. Esta é a pobreza relativa. As necessidades básicas, os cuidados primários de saúde e de educação estão assegurados, o acesso ao trabalho varia, mas as prestações sociais amenizam a falta ou incapacidade de trabalho.
Nas regiões em desenvolvimento, outro é o critério aplicado: pobre é o que dispõe de menos de 1 a 2 dólares por dia. Em todo o mundo, à volta de um bilião de pessoas estão nessas condições. Ser pobre significa ter a vida continuamente ameaçada pela fome crónica, pela falta de água potável, de condições de higiene e abrigo, de cuidados médicos mínimos para combater as doenças endémicas, assistir crianças e idosos ou prestar socorro nas emergências normais da maternidade. É a pobreza extrema. A estatística distingue desta a pobreza moderada pelo acesso a alguns destes recursos e cuidados mínimos embora de forma limitada. A pobreza extrema diminuiu no mundo para metade nos últimos 25 anos e, na Ásia Oriental, de 58% para 15% em 20 anos. Novas políticas económicas e sociais e o desenvolvimento industrial, contribuíram para essa evolução como, um século antes, na Europa e na América.
Bolsas de pobreza extrema estão espalhadas por todo o mundo, mesmo nos países ricos. São maiores na Ásia e algumas regiões da América Latina e sobretudo na África, o continente cronicamente pobre. As causas são múltiplas: a herança da economia colonial centrada na exploração de matérias-primas controlada pelos mercados dos países industrializados; a forma de exploração da propriedade agrícola e o primitivismo das técnicas de cultivo; governos corruptos e incompetentes, perpetuando-se no poder; revoluções e guerras tribais; doenças endémicas antigas como a malária, a cólera e a varíola, recentes como a Sida; analfabetismo e factores culturais adversos à mudança.
Nesta forma de pobreza a solução escassamente depende dos próprios. A pobreza é estrutural. Os indivíduos e as famílias estão de tal forma limitados em recursos, dependentes social e culturalmente, sujeitos a condições adversas que não podem por si sós enfrentar e resolver os problemas que os afectam. Precisam de intervenção exterior ao seu meio, em muitos casos, de ajuda variada oficial e particular.
A luta contra a pobreza requer uma estratégia integrada de cooperação internacional que promova a intervenção activa e participativa dos destinatários da ajuda, a criação de estruturas locais eficientes, a mudança de processos e comportamentos e a alteração das regras dos mercados para permitir o financiamento de projectos de desenvolvimento a médio e a longo prazo e a alteração do desnivelamento do comércio que desfavorece os países pobres com preços mais baixos nas exportações e mais altos nas importações.
É também necessária a implementação de múltiplas iniciativas locais com o envolvimento das populações em pequenos projectos com resultados quase imediatos na satisfação das necessidades básicas, na alteração da qualidade de vida e dos comportamentos nas áreas da agricultura, da saúde, do abastecimento de água e saneamento básico, da energia, da educação. O uso de fertilizantes e sementes de qualidade multiplicam a produção dos recursos alimentares, os cuidados médicos e sanitários diminuem a incidência das doenças endémicas e aumentam a capacidade de trabalho e bem estar, a educação juntamente com a alfabetização, pode promover a evolução das técnicas, o aproveitamento novo de recursos e a mudança de hábitos comportamentais.
Nos países desenvolvidos, há recursos para evitar a pobreza extrema. Apesar de tudo, ela existe. Atinge nichos de população isolada e marginalizada: idosos, doentes crónicos, mentais, deficientes, crianças abandonadas, sujeitos de dependências várias, inadaptados sociais, que não têm acesso aos esquemas de apoio existentes por ignorância, incapacidade ou até recusa dos formalismos burocráticos exigidos.
Existe uma pobreza endémica de raiz cultural de extractos da população marginalizados que não ultrapassam a dependência da assistência pública ou particular. Há assistidos da Misericórdia que têm várias gerações de dependência. Há jovens educados em lares que voltam ao comportamento criminoso ou à marginalidade social de que tinham sido retirados, em crianças.
Grande parte da população de pobres dependentes crónicos não são integrados pela escola que abandonam prematuramente sem qualificações, não criam hábitos de trabalho regular ou raramente o encontram com as habilitações que possui. A pobreza tende a reproduzir-se no seu meio de cultura.
Há aqueles que estão abaixo do limiar de pobreza, que vivem em condições de degradação do seu nível de vida e até de subsistência. De acordo com um estudo do Bloco de Esquerda do ano passado, são, no distrito do Porto, os idosos de baixa escolaridade, famílias monoparentais, sobretudo quando é a mulher que toma conta dos filhos, jovens com abandono escolar precoce ou desempregados de longa duração. A amostra não será diferente nas outras regiões do país.
A pobreza nos nossos dias não é apenas um fenómeno económico e social. Não deriva exclusivamente de factores estruturais. Nela intervêm factores de ordem pessoal e relacional. Tem muitas causas: a insegurança no trabalho, a instabilidade familiar e a separação de gerações que isola os indivíduos, os degrada psíquica e afectivamente e os torna vulneráveis a mudanças de estatuto económico; a marginalização social causada pelas diversas dependências e também por fenómenos do foro psíquico e da saúde mental; a pobreza moral e espiritual coexistente com situações de riqueza material ligada aos problemas de natureza afectiva e emocional, de sentido da vida e dos valores que lhe dão consistência.
Podemos diminuir os factores e os riscos de pobreza. Não podemos extinguir os casos individuais de pobreza. São uma das consequências e dos riscos da liberdade e da fragilidade humana. O indivíduo toma decisões ou recaem sobre ele consequências de decisões dos outros que o degradam económica e psiquicamente, o marginalizam. Resta-nos estar atento ao ser humano pobre, apoiá-lo na situação de dependência em que se encontra e fazer o possível por ajudá-lo a ultrapassá-la. Infelizmente, muitas vezes mais não podemos fazer que prestar-lhe assistência imediata: dar-lhe de comer, vesti-lo, tratá-lo, acompanhá-lo compassivamente.


Por Octávio Gil Morgadinho
Jornal da Família

18 de março de 2009

Bento XVI chegou a Camarões

16 de março de 2009

A Lei e as Leis


Javeh falou a Moisés e disse “Não te deites com um homem, como se fosse com uma mulher: É uma abominação”. É o que se colhe directamente da leitura do Livro do Levítico, escrito há milhares de anos com as prescrições de Deus a Moisés (cap.18, 22).

É mais que algo de erróneo, é um abomínio, algo de detestável. E sempre assim foi e, por mais voltas que se dê, como se pretendeu dar com o aborto, em torno de cuja problemática se teve a coragem, maldosa, de declarar que não era morte, desde o momento da concepção do feto, o que, agora, já não se desmente, porque aos políticos e seus sequazes já não interessa para colherem votos, pese embora se possa tolerar, como se entende, o homossexualismo é uma forma desviante de convivência.

A convivência íntima pela forma querida pelo autor da Criação é a que se exerce e pratica nos moldes de ajustamento entre um homem e uma mulher, não colhendo outra, como, por exemplo, e ainda, a entre o ser humano e animais (bestialismo).

Diga-se o que se disser, por mais voltas às palavras em que intelectuais, oportunistas políticos e políticos, são férteis para legitimarem situações, agradando a quem convém, jamais se adequará à convivência íntima entre pessoas do mesmo sexo, a noção de casamento. Poderá apelidar-se de união de facto, simplesmente união ou que quer que seja, mas nunca casamento.

O país está a estoirar como um odre fedorento repleto de problemas, que se espera não desagúem no pior e fazer-se uma lei a regulamentar o “casamento” de homossexuais é atentar contra a consciência colectiva, é esquecer que o dito “casamento”, só em meia dúzia de países, de todo o mundo - e são perto de 200 - está previsto, é tornarmo-nos avançados no que não carecemos.

É, mais uma vez, a descida à imitação do que não presta em que somos férteis.

E, a caminho da legalização, vem a eutanásia e do testamento final. Estas medidas visam distrair o povo dos reais problemas, sob a capa de um progressismo vazio, sombrio, doentio, obsessivo, pouco inteligente, sustentado por uma meia dúzia que a história vai esquecer, como tantos outros, a curto tempo.Convém, no meio da crise apregoada, esquecer aquele cidadão, que nunca foi pedinte, antes trabalhador, agora desempregado que estende a mão à caridade, envergonhadamente; convém a erosão de valores porque assim se descansa mais na lassidão de costumes instalada; estão muito gratos, atentos, veneradores e muitíssimo obrigados aqueles a quem interessa; convém tanta coisa que até se tem medo de gritar. Ocorre-nos, como César, invectivou Catilina, dizer “Quousque, tandem, Catilina abuttere patientia nostra“, ou seja e de forma actualista, até quando alguns abusarão da paciência de tantos?


Por Armindo Monteiro

Valores em época de crise


Tem-se falado da ganância dos gestores de produtos financeiros e seus utilizadores que levou uns e outros a riscos desmedidos com as consequências que se conhecem. A ânsia do lucro exagerou a suposta capacidade empreendedora e inovadora de alguns e baixou o limiar de prudência, muitos para aceitar a promessa de lucros extraordinários sem a garantia adequada.
Acreditamos facilmente nas promessas que desejamos. Por isso a “pirâmide” repete-se com pobres e ricos, sejam os vigaristas Ponzi, D. Branca ou Madoff.
A presente crise vai implicar revisão de formas de estar na vida, dos valores que servem de referência às práticas sociais e individuais e submeter à vigilância crítica a racionalidade das práticas financeiras, a fiabilidade dos modelos económicos, a segurança das entidades e instrumentos de regulação e ligar a liberdade de iniciativa à correspondente responsabilidade.

A nossa sociedade tem vistas curtas. Fascinada pelo imediato, aparente e propagandeado, acredita cegamente no que lhe convém e tem alguma superstição pelo rotulado de novo sob aparência técnica e científica.
Concede a primazia aos valores individuais do sucesso, da competição e do triunfo a qualquer preço, favorece a aparência e o luxo, estimula a posse e o consumo, o prazer e a satisfação sem limites do desejo.
A comunicação de massas exibe em espectáculo os modelos do triunfo fácil e da riqueza, os fruidores do ócio e do luxo, a minoria esbanjadora, jovem e saudável, que faz sonhar e esquecer o quotidiano do trabalho modesto e devotado, da vida partilhada, solidária e frugal, da contribuição anónima para que o mundo seja o que é.
As condições actuais levantam suspeitas sobre a validade dessas crenças. A profundidade da crise tornou patente a evolução cíclica da economia, a insegurança das suas previsões e dos seus modelos científicos. Não há prosperidade para sempre. Os altos e baixos dos fluxos financeiros, as oscilações da actividade económica sucedem-se com alguma imprevisibilidade e com eles os rendimentos do trabalho e do investimento, a consequentemente segurança no emprego, a capacidade financeira e o estatuto social dos indivíduos.
Velhos valores voltam a ser chamados à actualidade.
sobriedade nos gastos, a gestão cuidadosa dos bens, tendo em conta o médio e o longo prazo.
poupança qual almofada de apoio para prevenir a incerteza do futuro, as descontinuidades do trabalho, as contingências da vida e alimentar o investimento.
Já sabíamos que os empregos para toda a vida tinham desaparecido.
A crise veio agravar a situação e mostrar que ninguém tem seguro o trabalho, o lugar e o estatuto económico. Cada um precisa prevenir-se para a hipótese do desemprego, para outro trabalho, outro emprego, com outro rendimento. Ninguém pode alienar as suas responsabilidades.
A sociedade não resolve tudo. Cada um tem de controlar as suas dependências num mundo em que as oportunidades estão ligadas aos riscos e a qualidade de vida aos padrões e possibilidades escolhidas entre as acessíveis.
solidariedade. A crise tornou evidente que todos dependemos uns dos outros nos problemas e nas soluções. São precisos acordos para conciliar os interesses de todos e definir as possibilidades de cada um. A globalização obriga a considerar a realidade uns dos outros, as suas carências e exigências, os valores e ambições legítimas, os seus deveres e aspirações. É necessária uma solidariedade concreta, de proximidade mais atenta ao outro que ultrapasse a escala dos indivíduos e mobilize as comunidades. O súbito desemprego, o acumular de dívidas, o colapso de pequenas empresas, o extravio de poupanças cria necessidades inesperadas e constrangimentos que requerem resposta imediata para assegurar a subsistência e equilíbrio psicológico e moral de pessoas e famílias. A percepção comum de ameaça, a tomada de consciência da dependência e da pobreza, a instabilidade e insegurança aproximam e favorecem o sentido da cooperação e a solidariedade contra a competição estéril.
O mito do sucesso fácil, através de estratagemas e malabarismos dos “espertos” está posto em causa. Permanece o valor do trabalho como meio de subsistência, realização da capacidade criadora e participação no bem comum da sociedade. O trabalho é garante de autonomia.
A profissão não pode ser vista apenas na perspectiva de enriquecimento individual. Tem uma função social. E como tal deve ser regulada. Nem todos podem ter a mesma ocupação, mas todos devem ter oportunidade expandir as suas potencialidades e poder de iniciativa e atingir o sucesso correspondente ao investimento, à competência do seu trabalho e às disponibilidades do mercado.
“As pessoas de sucesso são aquelas que fizeram o máximo da série de dons que lhe foram concedidos pela sua cultura ou história, pela sua geração” - declara Malcolm Gla-dwell, autor do livro Outliers:The story ofSuccess
educação é factor básico de valorização pessoal, de promoção social, do potencial de trabalho e emprego e da respectiva independência económica. É hoje o verdadeiro património que nenhuma crise desvaloriza. O investimento na educação é seguro ao nível dos indivíduos e dos países. Exige-o a evolução tecnológica, as condições de produção e o mercado de trabalho. Daí que o potencial económico de um país seja medido pela eficiência do seu ensino e a sua vitalidade avaliada pela capacidade da escola superar as desigualdades e integrar e promover os socialmente marginalizados.
À educação compete a formação do carácter e do sentido moral, o fortalecimento do sentido ético da existência, a preparação para a vida real, ensinando a enfrentar as dificuldades a gerir meios, expectativas e possibilidades.
Deve contribuir para a estruturação dum projecto de vida, exercitar a atitude crítica e a liberdade responsável.
A educação é a formação da pessoa para a convivência, para o respeito e para a colaboração, para a responsabilidade por si e para a partilha das responsabilidades das comunidades em que necessariamente terá de viver.
Uma família estável e estruturada é um valor pessoal e comunitário no plano da realização pessoal e partilha de vida, do desenvolvimento psicológico, da estabilidade afectiva e de saúde espiritual. É também um valor social e económico. Ser mãe solteira ou desfazer um casamento são factores de empobrecimento pela alteração de projecto de vida, pelas consequências económicas e pelas dependências e instabilidade que provoca.
“Os filhos são uma bênção de Deus” - diz o Livro dos Salmos (S 126). Uma família unida no amor é também factor de prosperidade.
As nossas sociedades desenvolvidas precisam de famílias com filhos que garantam o capital mais valioso, o humano, uma população estável. A Europa e nela Portugal tendem a tornar-se sociedades velhas com o predomínio dos não activos na sociedade e a diminuição da capacidade criativa, inovadora e produtiva dos mais novos. A prosperidade das sociedades, o nosso futuro, precisa de filhos, precisa da família.






Por Octávio Gil Morgadinho

13 de março de 2009

Na rota cultural das terras da Beira



O Catálogo da “Casa Museu Mons. Alves Brás” vai ser lançado na tarde do dia 15 de Março, nas diversas cidades de país.
A "Casa Museu Mons. Alves Brás” fica situada no centro de Casegas, bem perto da Serra da Estrela, que serviu de berço e de escola ao Fundador do Jornal da Família, agora restaurada e adaptada para eternizar a memória da sua pessoa, vida e obra, inaugurada e aberta ao público desde 20 de Julho passado.

O Jornal da Família, convida os seus assinantes e leitores a associarem-se ao evento e, quando puderem, a visitar a Casa Museu.
É um lugar e um espaço de muito interesse, fazendo parte de uma rota cultural das terras da Beira, que vale a pena conhecer. Quem tiver curiosidade de perceber como se forjou a alma do Apóstolo das famílias, em Portugal, vá a Casegas, visite a Casa Museu e ali descobrirá o segredo.
A iniciativa é do Instituto Secular das Cooperadoras da Família, que deste modo assinala o 43º aniversário da sua entrada no seio do Pai, e o 1º aniversário do decreto do reconhecimento da heroicidade das suas virtudes, por Bento XVI.
Aliás, o mês de Março é um mês cheio de marcas históricas da vida de Mons. Brás. Ao 43º aniversário da sua partida para o Céu, e do primeiro ano do reconhecimento da heroicidade de suas virtudes, junta-se o 110º do seu nascimento, respectivamente a 13, 15 e 20 de Março, razão que nos dá um novo ensejo para celebrar com acrescida gratidão o homem, que dedicou a maior parte da sua vida e ministério sacerdotal ao serviço das famílias e dos mais pobres.
O contexto social em que o jovem padre Brás iniciava o seu ministério, não era menos exigente, nem menos dramático, do que aquele que nos é dado viver hoje. O contexto social dos anos trinta era de verdadeira crise económica, de decadência religiosa de movimentos migratórios do mundo rural para o urbano e, portanto, de grande fragilidade social.
Lendo, à luz do Evangelho e com visão profética os dramáticos acontecimentos e sua incidência nas famílias, e nos mais pobres, o Pe. Brás soube munir-se das armas pacíficas da oração e da acção concertada e sem lamentações estéreis, para enfrentar toda a espécie de dificuldades, que para ele se convertiam em apaixonantes desafios, na defesa das famílias e das empregadas domésticas.
Por isso deixou obra feita e pode ser considerado um “Mestre” inspirador para quantos anseiam e trabalham hoje, por uma sociedade mais justa, e respeitadora dos direitos humanos.
O Jornal da Família, imbuído do espírito do seu fundador, continua a evidenciar o valor da família fundada no sacramento do Matrimónio, a sua importância social e eclesial, no mundo hodierno.


Por Fátima Castanheira, cf
Jornal da Família

O CAF assinalou 10 anos de funcionamento



No passado dia 30 de Janeiro, o Centro de Aconselhamento Familiar - o CAF Coimbra – comemorou dez anos de funcionamento.
Para assinalar esta data, o Secretariado Diocesano da Pastoral Familiar (SDPF) promoveu uma sessão solene, na Casa Municipal da Cultura, com a presença, entre outras individualidades, do Bispo de Coimbra, D. Albino Mamede Cleto, do Vice-Presidente da Câmara Municipal de Coimbra e vereador da Cultura, Eng. João Rebelo e Dr. Mário Nunes, respectivamente, e do chefe de gabinete do Governador Civil (também em representação da Secretária de Estado Adjunta da Reabilitação). Depois dos discursos de circunstância proferidos pelo presidente do SDPF, Jorge Cotovio, e coordenadora do CAF, Emília Cardoso, que contextualizaram historicamente o Centro e destacaram o papel desempenhado pelos colaboradores do serviço, assistiu-se a uma conferência proferida pela Dra. Ana Cid Gonçalves, secretária-geral da APFN (Associação Portuguesa de Famílias Numerosas), subordinada ao tema “Família, garantia de futuro”.
Nesta oportunidade, e tendo por base excertos do documentário “O Inverno demográfico”, a conferencista apresentou um cenário tendencialmente dramático da situação demográfica a nível mundial e a nível nacional. O casamento tardio, o reduzido número de filhos por casal e a facilitação do divórcio são factores que em nada favorecem a construção de uma sociedade mais justa e “civilizacional”. Segundo a conferencista, só com (muitas) famílias com três ou mais filhos poderá haver reposição da população; caso contrário como está a suceder presentemente em Portugal -, caminhamos para uma s o c i e d a d e suicida. Desta forma, há que promover políticas públicas que promovam a união e coesão da família, pois não precisamos apenas de mais crianças, mas sobretudo de filhos que nasçam em lares de confiança, onde exista estabilidade conjugal. Depois da conferência, fez-se o lançamento do caderno alusivo aos dez anos de funcionamento do CAF, bem como de dois outros projectos associados o “Porto Solidão”, uma valência que procurará atender os casos cada vez mais frequentes de solidão e abandono, e o “CAF-Jovem”, um serviço de aconselhamento mais dirigido aos namorados e casais novos, de modo a prevenir futuros conflitos e rupturas. Nascido de uma feliz parceria entre o SDPF e o Instituto Secular das Cooperadoras da Família (ISCF), o CAF já atendeu mais de 2200 pessoas, (o que corresponde a quase 4000 encontros realizados), continuando a crescer de ano para ano o número de solicitações, embora se mantenham as principais motivações: conflitos conjugais e geracionais. Com um leque alargado de voluntários (assistentes sociais, médicos, juristas, psicólogos, gestores financeiros, sacerdotes, etc.), o CAF Coimbra é coordenado, desde o seu início, pela Dra. Emília Cardoso, do ISCF, também responsável pelos primeiros atendimentos e pela triagem, numa dedicação que se estende pelas 24 horas do dia. O CAF, embora seja uma instituição da Igreja de Coimbra, está ao serviço de todas as famílias, independentemente do seu credo religioso. Os contactos são os seguintes:

Por Jorge Cotovio

Rua Gil Vicente, nº2
3000-202 Coimbra,
Telef. 239 723989, Fax 239 401856,
Tlm 969881159,
Email: cafcoimbra@sapo.pt.

12 de março de 2009

Vocação e dignidade da Mulher...


Revendo e analisando, comparativamente, momentos e acontecimentos do percurso da História, apercebemo-nos de que a humanidade tem registado avanços e retrocessos não poucas vezes, dramáticos e surpreendentes...



Entre os povos antigos, a personalidade humana aparece extremamente diminuída e mutilada. Tem-se uma visão deformada do ser humano em situação de escravo, do designado estrangeiro, das relações pais - filhos e, particularmente, no concernente ao género feminino, em que vemos essas categorias de pessoas reduzidas, muitas vezes, à condição de objectos, meras coisas de que se pode dispor a bel-prazer, de qualquer modo...
Recordamos, por exemplo, como na Grécia antiga a mulher era sempre considerada inferior ao homem. A mulher ateniense mal aparecia em público e tinha pouca importância na vida social. Na família, recebe instrução rudimentar e como mãe de família, manifesta-se completamente sujeita ao marido, sendo por ele considerada apenas, como a primeira entre as escravas e podendo ser, sem formalidade alguma, repudiada...
A poligamia e o divórcio reduzem a mulher à mais triste situação moral e humana na antiguidade pagã.
Com a queda do Império Romano e a adopção do Cristianismo como religião oficial, cabe à Igreja regenerar a Família, a Mulher, elevando o casamento à condição de sacramento integrando as características da unidade, fecundidade e indissolubilidade e dando, finalmente à Mulher, o lugar que, na Família, por direito divino lhe corresponde.
A progressiva estabilidade no casamento, conquista que remonta às ideias cristãs da Idade Média, permitiu que, pela primeira vez na história, a mulher fosse vista legalmente não mais como inferior ao marido, mas como um membro essencial para a família. A instauração do casamento como instituição natural, trouxe benefício não só para a mulher, mas para os filhos que ganharam a protecção de um lar estável com as consequências positivas que dele derivam.
Mas os primeiros passos da humanidade rumo à dignificação da mulher foram registados, com maior nitidez, a partir do século IX, em grande parte, à medida que a sociedade medieval adoptava a prática do casamento monogâmico, que conferia à mulher um novo estatuto no plano das relações sociais: ela passou a ser o módulo essencial para a constituição da família, garantindo-lhe unidade e solidez. De acordo com alguns estudos, as causas da participação política e do crescente prestígio social conquistado pela mulher no decorrer da Idade Média, a partir do século XII, são atribuídas sobretudo ao casamento monogâmico, considerando-o um dos factores decisivos para a intervenção feminina na vida pública e social. Nesse aspecto, a mulher tornou-se, assim, a garantia de funcionamento dos sistemas político ou social, assim como a condição básica da sua estabilidade.

Um sinal dos tempos

A dignidade da mulher e a sua vocação, tem sido objecto constante de reflexão humana e cristã, e tem assumido nos últimos anos, um relevo muito especial. Atestam-no, entre outras coisas, as múltiplas intervenções do Magistério da Igreja, reflectidas em inúmeros documentos do Concílio Vaticano II, de antes e depois. Para além das intervenções dos Papas Pio XII e João XXIII, salientamos a de Paulo VI que, intitulando-a “sinal dos tempos”, declara, entre outras coisas: “No Cristianismo, de facto, mais do que em qualquer outra religião, a mulher tem, desde as origens, um estatuto especial de dignidade, do qual o Novo Testamento nos atesta importantes e relevantes aspectos, ainda pouco conhecidos”.
Celebrámos em 15 de Agosto de 2008, vinte anos da Carta Apostólica Mulieris dignitatem (A dignidade da Mulher) do Papa João Paulo II, a que não podemos deixar de fazer referência, tanto mais que se trata de um primeiro documento pontifício totalmente dedicado à Mulher.
No ponto 1 citando a Mensagem final do Concílio Vaticano II, salienta o Papa: “Mas a hora vem, a hora chegou, em que a vocação da mulher se realiza em plenitude, a hora em que a mulher adquire no mundo uma influência, um alcance, um poder jamais alcançados até agora. Por isso, no momento em que a humanidade conhece uma mudança tão profunda, as mulheres iluminadas e vivificadas com o espírito do Evangelho, são elemento decisivo para que a humanidade não descaia, mas antes avance por caminho certo e seguro”...

Promover o autêntico desenvolvimento

Em 20 de Abril de 2007, a Santa Sé pronunciando-se nas Nações Unidas acerca das prioridades actuais para promover o autêntico desenvolvimento da humanidade, afirma estar certa de que uma dessas prioridades passa pela verdadeira promoção da mulher, através de estratégias que esta instituição se propõe realizar de 2008 a 2013.
O observador permanente da Santa Sé na UNESCO, apresentou como prioridade para essa instituição, "a promoção real da dignidade das mulheres e da sua participação responsável na vida social, em todos os níveis"
O representante da Santa Sé recordou, a propósito, que Bento XVI, na sua mensagem para o dia mundial da Paz, 2007, mostrou a influência que as desigualdades entre homens e mulheres, têm nos conflitos em todo o mundo: “Na origem de frequentes tensões que ameaçam a paz, encontram-se muitas desigualdades entre homem e mulher no exercício dos direitos humanos fundamentais”.
O representante do Papa acrescentou que a insuficiente consideração da condição feminina, provoca também factores de instabilidade na ordem social: “Não se pode cair na ilusão de que a paz está assegurada, enquanto não se superem também estas formas de discriminação que afectam a dignidade pessoal, inscrita pelo Criador em cada ser humano”. Referiu ainda que a Santa Sé reconhece o papel activo da mulher no desenvolvimento social, o seu papel incomparável na formação humana da juventude e no sistema macro - económico; o seu apego aos valores humanos e morais que transmite também às novas gerações, a protecção da vida, a sua atenção pela paz e a solidariedade fraterna, o cuidado pelas pessoas anciãs e enfermas, o cuidado da sua família e filhos, o seu sentido de interioridade.
Graças às mulheres cuja actividade, com frequência humilde e escondida, deve ser apoiada, a família poderá ser promovida como célula fundamental da sociedade, os jovens aprenderão a integrar-se melhor nos tecidos sociais, a paz será procurada mais intensamente, o diálogo e as relações humanas converter-se-ão em factores de fraternidade e solidariedade.
Assim, - temos essa esperança - toda a sociedade beneficiará da vocação, da acção e do génio feminino, fomentando e promovendo na Vida, os princípios e valores cristãos!


por Helena Monteiro

11 de março de 2009

Peditório Nacional da Cáritas

8 de março de 2009

Maternidade e paternidade não dependem do Estado

O I Congresso da Maternidade encerrou em Lisboa sublinhando que a maternidade e a paternidade são valores que vão além das funções do Estado. “A maternidade e paternidade não dependem dos poderes públicos”, afirma o texto de conclusões do Congresso que indica ainda caber ao Estado “o dever de criar as condições necessárias - sociais, económicas e culturais - para que elas se realizem plenamente”. (ler mais)

6 de março de 2009

Encontro Nacional de Jovens orientado pela FNIS

A Federação Nacional de Institutos Seculares (FNIS) vai levar a efeito no dia 7 de Março, no Instituto da Sagrada Família, em Coimbra, um Encontro Nacional de Jovens. O tema "Sem Deus… um mundo inóspito e vazio" pretende dar uma oportunidade aos participantes conhecer a Consagração na Secularidade.
O tema será trabalhado através de uma peça de teatro, feito por dois grupos de jovens. Toda a reflexão será apresentada de um modo muito agradável, juvenil, activo e envolvente.
A manhã será preenchida através de um peddy-papper e a reflexão da tarde com um teatro e filme preparado por dois grupos de jovens: ETC - Escola de Teatro de Coimbra e GATA - Grupo Amador Teatro de Almagreira. Segundo a FNIS não há qualquer valor de inscrição devendo os participantes levar alguma coisa para o almoço que será partilhado.
Miguel Cotrim, in Ecclesia

5 de março de 2009

Descoberto documento que indica que Pio XII ajudou judeus

O Papa Pio XII deu ordem, durante a II Guerra Mundial, para proteger os judeus. A informação foi dada pelo Pe. Peter Gumpel, relator da causa de beatificação, que cita um documento recentemente descoberto.
“O Papa quer salvar o seu filho, incluindo os judeus, e ordenou que os mosteiros ofereçam hospitalidade aos perseguidos”, afirma o documento, tornado público pela Rádio Vaticano. (ler mais)

26 de fevereiro de 2009

Bater no fundo?

Quem todos os dias são bombardeados pelo progressivo adensamento da crise nas suas múltiplas facetas, tem a sensação de que se vai mesmo bater no fundo.
Todo o mundo 'grita' a necessidade de mudança: a família está mal, a escola está mal, os jovens vivem sem referência, verdadeiras marionetes das modas, do afecto, da droga, do vandalismo; a pobreza está aumentar; o desemprego a subir; os bancos a falirem; a natalidade a baixar e o país a envelhecer; a corrupção a aumentar; a dívida externa a crescer; a produção a inflectir, a Europa a reclamar etc... É normal que o comum cidadão diga para si mesmo, vai-se bater no fundo?
Na verdade as coisas complicam-se se, quando se está na iminência de bater no fundo, e se continua, teimosamente, a defender e a aprovar os princípios e as políticas que, gradualmente, foram atirando o país e os cidadãos para este caos.
Face a este panorama, as atitudes podem ser duas: A primeira, e a mais fácil, é aquela de, enraivecidamente, encontrar os 'culpados', acusando, lamentando, maldizendo, questionando, atirando pedras, etc. A segunda, e a mais construtiva, é a que se propõe aprender com os erros, os pessoais e os dos outros, para que panorama idêntico não se volte a repetir.
Esta última postura, é mais pessoal, desafia o sentido de co-responsabilidade. A pessoa assume uma postura cooperante, face ao inevitável, que não significa aceitação de tudo, antes, exige o confronto e a procura do melhor para todos e não apenas para 'mim'. É mais que evidente que se foi longe de mais em muitas situações, os interesses pessoais sobrepuseram-se, sem dúvida, ao bem comum e isso deveria ser penalizado, na proporção.
Evitar que se bata no fundo, diz respeito a cada cidadão e exige sobriedade, transparência, coerência de critérios, pois há contra-valores que não servem a mudança, porque nocivos ao bem comum. Não se sabe se Obama vai conseguir ser fiel ao que prometeu e às elevadíssimas expectativas dos
Americanos e do mundo, mas o que é verdade é que a apresentação de um código de ética governativo, foi uma das suas primeiras medidas para fazer face à crise. Que esta lição sirva a cada cidadão e ao governo português.


por Maria Vieira

«Milagre do Sol» chega ao Cinema

Encontra-se já em fase de pós-produção o filme "O 13.º Dia. Um milagre em Fátima", de Ian e Dominic Higgins, que retrata o fenómeno das aparições de Nossa Senhora em Fátima aos três Pastorinhos. A obra deve estrear ainda em 2009.
Os realizadores independentes Ian e Dominic Higgins apresentam os acontecimentos de Maio a Outubro de 1917 no contexto das perseguições religiosas da I República e da I Guerra Mundial, falando da mensagem de esperança entregue às três crianças.
Na Internet encontra-se já disponível o trailer do filme e o seu sítio oficial: www.the13thday.com

Agência Ecclesia

21 de fevereiro de 2009

Como reconhecer Deus?

Há relativamente pouco tempo, coloquei esta pergunta a um grupo de crentes: "Se Deus lhe aparecesse, dizendo 'aqui estou, sou eu o Deus', como o reconheceria?"As respostas, no meio de imensa perplexidade, foram muito interessantes. Que Deus não pode aparecer directamente. Que ninguém, como diz a Bíblia, pode ver Deus. Que Deus é inobjectivável. Que se manifesta indirectamente: nas pessoas, nos acontecimentos, no esplendor da beleza - aqui, recordei a exclamação de uma sobrinha minha com 11 anos, nos Alpes, numa tarde irradiante de Sol sobre a neve e as montanhas todas à volta: "Parece Deus!" Que, para os cristãos, Jesus é a revelação de Deus. Que a experiência de Deus se dá nas experiências - cume de plenitude. Que lhe pediriam um milagre claro, que se visse e o credenciasse. Ele devia manifestar o seu poder.
Quando se fala de Deus, a questão nuclear é saber de que Deus é que se fala. Que se quer dizer quando se diz Deus?
O mais comum é associar Deus ao poder. Deus deve ser, antes de mais, a omnipotência. Deus deve ser infinitamente bom e poderoso, mas sobretudo poderoso. No entanto, a mística Simone Weil, cujo centenário do nascimento se celebra este ano, preveniu: "A Verdade essencial é que Deus é o Bem. Ele só é a omnipotência por acréscimo." Por isso, "é falsa toda a concepção de Deus incompatível com um movimento de caridade pura". Afinal, a revelação de Cristo é essa: Deus é puro amor. O escândalo: "Eu não vim para ser servido, mas para servir.
"Não se nega a omnipotência divina. O Poder de Deus, porém, não é Dominação e Espectáculo, mas Força infinita criadora. O Deus de Jesus é o Deus - amor, o Deus-origem-infinita-pessoal-criadora. A modernidade, pela secularização, quis herdar a omnipotência divina, postergando a bondade. A crise que está aí hoje visível no universo económico-financeiro é mais funda, pois é uma crise de civilização, cuja raiz é esta herança religiosa.
Neste contexto, referindo-se à Igreja, o teólogo X. Pikaza recria de modo alegórico o passo evangélico da cura da sogra de Pedro. Na alegoria, a sogra de Pedro é a Cúria Romana. Jesus chega e cura-a. E depois, alegoricamente?
A Cúria (sogra), que significa casa, corte do Kyrios ou Senhor, estava doente. A casa de Pedro é o Vaticano, um Estado, e quem manda é a Cúria, como ainda recentemente se mostrou no caso dos lefebreveanos. Não protege o Papa, mas impõe-se a ele. Ela "sofre de inércia, de poder". Jesus cura a Cúria para que, como a sogra de Pedro, se ponha a servir os outros. Que consequências teria a cura da Cúria Romana, que funciona há dez séculos enquanto os Pedros (Papas) vão mudando?
Como Jesus, que, segundo o Evangelho, cura as pessoas diante da casa de Pedro, a Cúria curada veria gente que viria para curar-se. Sobretudo gente mais pobre e perdida (os "endemoninhados", os doentes). Agora também lá vão muitos, mas "vão curar-se ou em busca de prebendas?"
Ainda segundo o Evangelho, Jesus saiu de noite, para rezar e ir ao encontro das pessoas também noutros lugares. Na alegoria, Jesus parte porque não quer ficar fechado na casa de Pedro. Jesus não tem "Cúria". Também Pedro e os funcionários da Cúria têm de sair da sua casa, da Cúria, para ir à procura de Jesus, conhecer o mundo e cuidar dele.
A Igreja está em crise e precisa de conversão. Neste sentido, há 15 dias, a propósito da "falta de vocações", o director do DN, num texto subordinado ao título "Os erros da Igreja", exemplificados nos escândalos dos padres pedófilos, a intransigência quanto aos métodos de planeamento familiar, "declarações absolutamente estúpidas" como as do bispo Williamson a negar o Holocausto, alguns investimentos dúbios no plano dos negócios, escrevia que o resultado é que "a religião vai desconfiando dos seus missionários e o ambiente não aconselha a 'vocação'". E João Marcelino concluía: "Um dia pagaremos bem caro a crescente desagregação desse factor de união ocidental, bem patente sobretudo na Igreja Católica mas que também afecta todo os ramos do cristianismo."


Por Anselmo Borges
Padre e professor de Filosofia
in Diário de Notícias, 21/02/2009

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