Diário da Assembleia Geral do ISCF

“Tudo o que se fizer a bem da família, por pequeno que seja é grande”. (Mons. Brás)

A Família no centro das atenções

Encontra aqui os vários artigos do Dr. Juan Ambrósio sobre a Família...

Encontro Mundial das Famílias 2015

O Vaticano apresentou dia 24 de março em conferência de imprensa o 7.º Encontro Mundial da Família, que vai decorrer de 22 a 27 de setembro de 2015 na cidade norte-americana de Filadélfia.

A saúde mental dos portugueses

Alguns dedicam-se obsessivamente aos números e às estatísticas esquecendo que a sociedade é feita de pessoas...

O trabalho, dom e direito

A sociedade portuguesa e internacional, vive uma situação de crise generalizada e de aumento das desigualdades sociais...

Longe vão os tempos

Longe vão os tempos dos preconceitos culturais em que se aceitava que era a mãe que tinha de cuidar dos filhos...

Dar esperança em tempo de crise

Vivemos tempos difíceis. A família, como célula base da sociedade, é imediatamente afetada por esta crise generalizada e que promete perdurar. Neste contexto, exige-se um novo paradigma, uma nova forma de estar e de nos relacionarmos.

11 de fevereiro de 2009

Católicos devem responder às necessidades dos doentes

A pastoral das saúde pede que as comunidades paroquiais no seu todo se envolvam no cuidado aos doentes. A mensagem da Comissão Episcopal da Pastoral Social, assinada por D. Carlos Azevedo, Presidente da Comissão que tutela a pastoral da saúde, pede uma “viva consciência comunitária atenta aos doentes”. (ler mais)

Bispos preparam Nota Pastoral sobre o casamento

O Conselho Permanente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) analisou esta Terça-feira em Fátima o texto de uma Nota Pastoral sobre o casamento, a ser publicada em breve.
A revelação foi feita aos jornalistas pelo Pe. Manuel Morujão, secretário da CEP, para quem “a Igreja deve manter que a família e o casamento são instituições que não são substituíveis por outro tipo de associação”. (ler mais)

4 de fevereiro de 2009

Génesis e Darwin

200 anos depois do nascimento de Charles Darwin (12 de Fevereiro de 1809) e 150 anos após a sua mais famosa obra, a “Evolução das espécies”, regressa ao Vaticano o debate sobre a relação entre evolução e criação. (ler mais)

Ténue fronteira

A fronteira entre a verdade e a mentira pode parecer ténue, mas um Primeiro-ministro deve resistir à tentação de pisar o risco. Quem se queixa de campanhas negras e de insídias deve ser o primeiro a não facilitar, porque as facilidades pagam-se caras.

O Primeiro-ministro diz-se vítima de uma campanha negra na comunicação social, por causa de alegadas irregularidades na legalização do Freeport em Alcochete.
Não sei se há campanha negra ou não. Certamente, não será na comunicação social, que se tem limitado a publicar os dados recolhidos numa investigação judicial em curso, dados que, até ver, não foram desmentidos.
Mas é curioso que este Primeiro-ministro se queixe da comunicação social, ele que, como ninguém, tem gozado da benevolência e da apatia dos jornalistas.Tem sido assim ao longo dos últimos três anos, sem que se faça uma investigação séria aos gastos em marketing e agências de comunicação que promovem os diversos anúncios das políticas do Governo.Tem sido assim quando a cara do Primeiro-ministro aparece no material distribuído nas cerimónias de inauguração de equipamentos públicos, como aconteceu na semana passada.
E terá sido a contar com essa apatia que o Primeiro-ministro achou que podia vender gato por lebre e chamar a um estudo encomendado pelo Governo a ex-funcionários da OCDE um estudo daquela organização. A OCDE não gostou e fez questão de repor a verdade.
A fronteira entre a verdade e a mentira pode parecer ténue, mas um Primeiro-ministro deve resistir à tentação de pisar o risco. Quem se queixa de campanhas negras e de insídias deve ser o primeiro a não facilitar, porque as facilidades pagam-se caras.
Melhor do que ninguém, o engenheiro Sócrates sabê-lo-á, habituado como está a utilizar as técnicas de propaganda para, subtilmente ou nem tanto, veicular a sua propaganda e a do Governo. É que, para quem tão violentamente se indigna com aquilo a que chama insídia contra si, não deveria ser irrelevante a autoria de um estudo que o seu Governo encomendou.
Ao contrário do que se pensa.

por Raquel Abecasis, in RR online

3 de fevereiro de 2009

Eutanásia não é algo digno do homem

A eutanásia é uma falsa solução ao drama do sofrimento e a verdadeira resposta está no testemunho de amor que ajuda a enfrentar a dor e a agonia de modo humano. Foi o que disse Bento XVI, falando aos fiéis reunidos na Praça São Pedro, antes da oração do Angelus.
O Papa recordou que Jesus morre na cruz por amor e por isso dá significado a todo o sofrimento humano. Nenhuma lágrima, observou o Papa, é perdida diante de Deus. Na sua saudação aos fiéis após a oração do Angelus, Bento XVI disse ainda que neste domingo a Igreja italiana celebrou o Dia pela Vida e marcou encontro com religiosos e religiosas na tarde desta segunda-feira para a celebração na Basílica, a eles dedicada, por ocasião da festa da apresentação de Jesus no Templo.
H2ONews

Estados devem amparar as famílias

Bento XVI voltou a pedir um fundamento ético para a política e a economia. No discurso ao novo embaixador da Hungria junto à Santa Sé, János Balassa, o Papa notou que as políticas estatais também devem salvaguardar o papel fundamental da família na sociedade, que está no centro de toda cultura e de toda nação. O Estado pode sustentar a família, garantindo aos pais o direito de escolher a educação para os filhos graças à presença de institutos de instrução católica. Por fim, o Papa auspiciou que o caminho do diálogo seja privilegiado para enfrentar e resolver todas as questões pendentes nas relações entre Estado e Igreja no país.
H2ONews

CNIS pronta a colaborar com o Governo no combate ao desemprego

O Governo vai criar 400 novos gabinetes de apoio aos desempregados, num esforço apoiado, entre outros, pela Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade (CNIS).
O ministro do Trabalho e da Solidariedade Social, Vieira da Silva, anunciou esta Segunda-feira um pacote legislativo para facilitar o regresso ao mercado de trabalho e dar um apoio mais eficaz aos desempregados. (ler mais)

29 de janeiro de 2009

Família

O Governo aprovou a 15 de Janeiro a «Proposta de Lei que estabelece o regime jurídico aplicável à prevenção da violência doméstica e à protecção e assistência das suas vítimas». Este diploma vem na sequência do III Plano Nacional contra a Violência Doméstica (2007-2010) e de actividades como a intensa e imaginativa Campanha contra a Violência no Namoro lançada em Novembro, com uso de instrumentos técnicos inovadores, como pulseiras electrónicas. Esta é mesmo uma prioridade do Governo!Tais excelentes iniciativas, na sua exuberância e sofisticação, contrastam com o silêncio à volta do aborto. Qualquer que seja a sua causa e circunstâncias, um aborto é sempre uma das maiores violências exercidas sobre a mulher e, sobretudo, sobre o nascituro. O Governo, que a liberalizou, não inclui essa brutalidade nas questões a prevenir na violência familiar. Pelo contrário, promove a sua prática com subsídios e recomendação médica em planeamento familiar. A interrupção da gravidez é um método terapêutico normal em Portugal.Isto mostra o enorme poder da cegueira ideológica. Pessoas boas e bem intencionadas, fortemente preocupadas com a condição feminina, são capazes de aceitar actos infames por causa de dogmas doutrinais. Aquilo que tantos criticavam no fanatismo religioso de épocas passadas regressa agora com outras orientações.O executivo, que não incluiu no seu Programa de Governo de 2005 uma secção sobre os problemas familiares nem lhe tem uma Secretaria de Estado dedicada, vê a família simplesmente como um antro de pancadaria.

por João César das Neves

28 de janeiro de 2009

A violência dos filhos sobre os próprios pais

Agora os dados estatísticas já não estão fechados a sete chaves num qualquer serviço público, como nunca estiveram e a velha pecha com que nos encheram os ouvidos de que éramos um país de brandos costumes, um céu aberto, uma antecipação da pátria celestial, uma terra de anjos , a quem só faltava um par de asas e uma coroa .

Tudo uma farsa, desde logo porque, diz-se, começámos mal, sob o signo da violência quando D. Afonso Henriques – o nosso primeiro rei, esclarecimento dirigido a muito universitário, que há-de tirar uma licença, sem o saber, aprender ou alguém, na Universidade, lho ensinar entrou em confronto físico com a sua mãe, D. Teresa, quando se tomou de amores com o galego Fernão Peres de Trava.

E a história continuou a frutificar com exemplos entre gente “ graúda “ (passe o plebeísmo) como sucedeu entre D. Dinis e seu filho, que chegaram a alinhar exércitos em posição prontos para combate, não fora a intervenção da Santa Rainha Isabel, a excelsa senhora do milagre das rosas, que um conhecido comediante, que ainda ocupa parte dos ecrãs televisivos, quis desmerecer, para não dizer vilipendiar.

E a expulsão dos judeus, detentores de um capital pecuniário e intelectual, que vieram a enriquecer a Holana, a Rússia e actual Turquia (os conhecidos marranos). E a Inquisição, na esteira de Tomás Torquemada, que queimou na fogueira quem professava uma fé diferente da dominante e a perseguição infrene dos jesuítas movida – mas movida – por um dos mais esclarecidos estadistas de toda a nossa História, o Marquês de Pombal.

E que dizer da expulsão das ordenas religiosas por Joaquim António de Aguiar, o “ Matafrades “, com estátua de conceituado jurista à entrada da vetusta cidade de Coimbra, hoje reduzida a alguma ciência e pouco mais, depositado lá para os lados da Conchada.

E o ataque feroz da 1.ª República à Igreja, roubando-lhe bens, escorraçando os seus membros, entre os quais o conhecido bispo D. José Alves Correia da Silva, que depois de encarcerado sobreveio à liberdade, doente, padecendo sofrimentos horrorosos, arrastando-se dolorosa e corajosamente enquanto bispo de Fátima.

E a concentração no Campo do Tarrafal, em Cabo Verde, dos oposicionistas ao regime de Salazar, nas célebres “ frigideiras “ de onde poucos saíram com vida.

E que dizer daqueles que moveram e nunca foram responsabilizados pela Guerra do Ultramar, onde, dizem, morreram 13.000 Militares, a maioria dos quais militares de baixa patente, sobretudo soldados, e de origem forçada às lides de combate, furriéis e alferes milicianos, guerra sem beneficio para ninguém, se é que dela advém algum proveito.
E a responsabilização funciona, aqui, de forma biunívoca, se nos lembrarmos que eram pessoas, de cor diversa da nossa, necessariamente, e em nome incomensuravelmente maior, os que se opunham à presença portuguesa, que, famintos, mal organizados, impreparados, pereceram, por certo, em número esmagadoramente maior nessa guerra, da qual só a custo estão a atingir a verdadeira libertação.

Mas essa violência da guerra nunca apagou a que se exercia, desde antanho, na família e fora dela: a violência do marido sobre a mulher e desta sobre o marido, que tenta, ainda escamotear-se, por conveniência, porque não fornece audiências, porque não vende jornais, revistas, desde sempre praticada, seja por atraso cultural endémico, ausência de civismo, seja por heterogenia de raças, seja por carência de tipo legal penal de previsão e punição, seja por um pacto de silêncio, por não denúncia, a que se vincularam órgãos de informação, esta agora o “ abre-te sésamo, de tudo, mas também muito corresponsáveis até ao 25 de Abril por um dos Estados mais atrasados, não muito distanciadamente, nalguns casos, da Europa medieval.

E quem diz esse tipo de violência fala no abuso sexual de menores, de que o célebre caso do “ ballet rose “, envolvendo políticos do regime de Salazar e jovens raparigas, vítimas de abuso sexual, determinante de processo judicial arquivado nos fundos de um qualquer arquivo de tribunal, é paradigmático e não menos envergonhante, e de algum modo antecessor dos graves desmandos cometidos sobre crianças.

E que dizer da notícia sobre a violência já praticada entre os namorados constando que ambos, numa percentagem de 20%, se agridem corporalmente, interrogando-nos como podem eles enfrentar as dificuldades da vida e, eles próprios, no amanhã, educarem os filhos na paz e tranquilidade, notícia aterradora que informa como a nossa terra caiu na mais profunda desagregação, numa altura, de conhecimento, de enlevo, procura e começo de entrega que desaguou no inimaginável da agressão física.


Mas aquilo que me leva a escrever estas linhas é a violência dos filhos sobre os pais.

Não convém muito difundir aquilo a que os psicólogos chamam de a nova ditadura dos filhos sobre os pais. É mais apelativo fazer alusão à violência, altamente condenável, dos filhos sobre os pais e, particularmente, se indefesos e idosos, do que referir a violência verbal, física e psicológica dos filhos sobre os pais; é mais cómodo uma escola pública silenciar que um desses aspirantes a tirano encerrou a pobre mãe, por horas e dias sucessivos num quarto da casa comum.

Esses tirantes são aqueles que, em pequenos, quantas vezes pontapeiam os pais e os avós, sem uma reprimenda séria, que não passa, claro, pela agressão; são os tirantes que numa cerimónia religiosa se rebolam e fazem “ caretas “ aos avós e os ameaçam de mão em riste.
São esses tiranetes de agora que amanhã deixam brotar todo tipo de grosserias e obscenidades seja perante quem for; são esses tirantes que exercem todo o tipo de chantagem e coacção a que os pobres pais cedem e não divulgam, por medo de represálias.
São esses aprendizes a ditadores que se acoimam à manjedoura familiar pelos anos fora, tudo destruindo na diversão, na droga, no álcool, no sexo, no crime, que atacam as convicções religiosas dos pais e que se mostram incapazes de conviver com a avoenga.

São esses tiranetes que pululam de consultório de psicólogo em psicólogo em que os pais surgem sempre culpados, sem que, por vezes, haja coragem de desmentir e refutar a acusação.

São esses tiranetes que agridem professores e colegas, ante a alienação a quais bens ou valores morais que os pais não lhes transmitem, por incapacidade algumas vezes, por indiferença, ainda, outras.

Ante a dimensão do problema, que já chega longe, que já ultrapassa o receio e o temor familiares, rogando premente ajuda dos pais, já incapazes de lidar com a situação, descrentes dos meios normais de recurso, a psicólogos e psiquiatras, em quem deixaram de crer, completamente esgotados como estão, começa a pensar-se sobre se quem faz as leis não devia lembrar-se da questão e, sem mergulhar a cabeça na areia, as associações de pais não deviam, sem qualquer limite, fornecer ajuda, promover e aconselhar medidas adequadas, entre as quais – e porque não – o recurso a meios de polícia contra aqueles, de quem muito esperavam, os estão tornar profundamente infelizes, doentes, desesperados, fonte de destruição e desagregação da já quase inexistência instituição familiar.

Algumas causas estão já identificadas, ligadas ao consumo excessivo de álcool, à promoção do sexo livre, ao apelo à total rebelião à família, ao facilitismo do divórcio, à ofensa sistemática e desvirtuar de alguns órgãos de informação aos que exercem poderes de autoridade: autoridades de polícia, juízes e professores.

Quando os pais, derrotados, infelizes e em desespero, depois de insultados da maneira mais vil, algumas vezes agredidos e, quantas vezes patrimonialmente espoliados, por filhos já adultos, recorrem a entidades para oficiais atingimos um preocupante estádio de subcultura, de desagregação, de egoísmo sem limites, a um quase apocalipse social, em que o Natal é um tempo de quase – tragédia.


por Armindo Monteiro

19 de janeiro de 2009

A família é o coração da sociedade

O presidente da República Mexicana, país anfitrião do VI Encontro Mundial das Famílias, Felipe Calderón, considera que a família tem um papel central na vida social, e não é questão de religiões.
“Estou convencido de que a família não é somente o coração do México mas também o coração de toda sociedade. É a estrutura que dá sentido à vida econômica, política, social e cultural. É a base sobre a que se constrói a identidade, os princípios e os valores das pessoas a premissa básica para alcançar um desenvolvimento humano sustentável como definira Paulo VI como passo de condições menos humanas ao passo de condições de vida cada vez mais humanas”.
O arcebispo de Cidade do México, o cardeal Norberto Rivera, recorda neste encontro o Papa João Paulo II como iniciador desses encontros familiares mundiais.
“Quando 18 anos atrás o Papa João Paulo II instituiu este tipo de encontros, o fez com a intenção de que se esse evento fosse um lugar adequado para a reflexão e a celebração da realidade familiar, uma realidade que já naqueles tempos começava a enfrentar ameaças que hoje são uma realidade. Uma realidade que sem embargo não deixou de constituir-se em baluarte que apóia tantos e tantos seres humanos que enfrentam cada vez com mais angustia um mundo despersonalizado e com falta de solidariedade”.
Próximo Encontro Mundial das Famílias em Milão
“A família é um fundamento indispensável para a sociedade, e é o lugar em que se aprende a dar valor à vida, à justiça e à paz.” Foi o que disse o Papa Domingo à noite na sua intervenção que conclui o VI Encontro Mundial das Famílias, através de uma vídeo mensagem via satélite com a Cidade do México.Bento XVI falou no fim da missa de enceramento do encontro celebrada pelo legado pontifício, o Cardeal Secretário de Estado, Tarcisio Bertone.Recordou que a família “fundada no matrimónio indissolúvel entre um homem e uma mulher” é um bem insubstituível para as crianças “que têm o direito de vir à vida como fruto do amor dos pais”. Os quais têm a tarefa de ajudar-lhes a crescer de modo integral, um esforço, acrescentou o Papa, “obstruído por um conceito enganador de liberdade”, que exalta os caprichos e os impulsos subjectivos do indivíduo, ao ponto de deixar cada um encerrado na prisão do próprio eu.O próximo encontro mundial das famílias, anunciou Bento XVI, será em Milão na primavera de 2012 sobre o tema “A família, o trabalho e a festa”.
Fonte: H2Onew

ANO PAULINO Celebração Nacional em Fátima no dia 25

A Conferência Episcopal Portuguesa realiza em 25 de Janeiro, no Santuário de Fátima, uma celebração nacional evocativa de São Paulo.
Também o Santuário de Fátima está a dinamizar um conjunto de iniciativas para celebrar o Ano Paulino.
Uma delas, concretizada em final de Outubro de 2008, prendeu-se com a instalação, nas alamedas laterais do Recinto de Oração, de treze painéis alusivos à vida e à obra do Apóstolo Paulo.
Actualmente, até Abril de 2009, uma vez por mês, é apresentada, na Basílica de Nossa Senhora do Rosário de Fátima, uma conferência sobre S. Paulo, enriquecida por um momento musical.

Santuário de Fatima


Encontro de Famílias reafirma função social

O VI Encontro Mundial de Famílias encerrou com a reafirmação da família e da função “social essencial” que desempenha. “A família tem direito a ser reconhecida na sua própria identidade e a não ser confundida com outras formas de convivência”, assinalou o Papa no final do encontro que juntou na cidade do México 30 cardeais, 200 sacerdotes e cerca de 8 mil leigos de 90 países. (ler mais)

A escola de todas as preocupações

Acumulam-se os indicadores de várias fontes de que o ensino e a escola pública não estão bem. O fraco sucesso nas aprendizagens básicas da língua portuguesa, matemática e ciências, o crescimento da violência, o precoce abandono escolar, a turbulência que agita professores e alunos, a deriva das políticas e ministérios são apenas sintomas. O ambiente é de descrença perante uma crise já velha.
Os Bispos portugueses mostram a sua preocupação e entram no debate com uma Carta Pastoral “A Educação em Portugal - Educação Integral da Pessoa Humana”. O título é explícito. Corresponde à defesa de uma concepção educativa centrada na dignidade da pessoa humana como fundamento do papel da escola e dos seus órgãos reguladores e da participação da sociedade na determinação das suas finalidades, orientações e práticas.
A escola é reflexo da sociedade, da sociedade portuguesa e suas instituições, da ausência de políticas estruturantes para o longo e o médio prazo, da fraca participação cívica no debate e na resolução dos problemas e carências das comunidades, da apatia que troca a responsabilização pelo protesto mediático, do activismo corporativo que subordina a prestação dos serviços aos interesses profissionais dos servidores, do alheamento dos pais e dos poderes representativos locais que faz da escola um meio fechado à vida real.
Os bispos revelam informação sobre os problemas do ensino no país e não poupam responsabilidades ao Estado. “O Estado tem sido ... um obstáculo à melhoria da escola portuguesa”. As críticas concordam com as que são apontadas por observadores atentos.
A escola tem sido um tubo de ensaio de experiências contínuas, de mudanças sem objectivos explícitos, sem preparação e formação dos agentes, professores e alunos, para as acolher e implantar, sem tempo para as consolidar, avaliar e fazer as correcções necessárias. O centralismo burocrático ignora o contexto das escolas e não favorece a capacidade de inovação dos professores, a mobilização dos agentes locais e adaptação ao contexto local dos alunos. A autonomia das escolas continua a patinar e tende a converter-se numa variante da organização centralista do Ministério, concedendo escasso espaço de acção e iniciativa aos docentes e aos órgãos da escola que - lamento dizê-lo -, por longa inércia, nem sempre estão preparados para aproveitar. Para agravar, a agudização do conflito com os professores e o contágio dos alunos tende a protelar um trabalho construtivo com definição de objectivos claros e uma rota definida.
É urgente o diálogo que ultrapasse a lógica dos interesses corporativos e as tricas da guerrilha política. Requer-se um projecto minimamente consensual para garantir a continuidade das políticas educativas, a elaboração de regras mais flexíveis e a implantação de práticas que concedam mais autonomia às escolas para se adaptarem às comunidades que servem e responsabilidade pela sua acção e resultados. A ênfase deve ser colocada na cooperação e no diálogo, na superação dos conflitos. “Uma educação de qualidade para todos os portugueses, deve constituir uma prioridade do desenvolvimento do país, uma preocupação central das famílias, dos responsáveis políticos, de toda a comunidade.” (10)
A educação escolar deve obedecer a um projecto claro de natureza axiológica, a um “determinado modelo de homem e sociedade”, a uma antropologia, a” uma visão de
vida” que fundamente as políticas e as práticas educativas. É neste plano que os Bispos portugueses situam particularmente a sua contribuição. A educação escolar deve radicar-se na “verdade do homem”, no respeito pela sua “dignidade inalienável”, na transcendência da sua origem e destino e promover o apreço e a confiança no “valor da vida” .
A educação forma pessoas, está ao serviço da estruturação da personalidade do educando. Deve favorecer a integração harmoniosa de saberes e valores, a abertura aos outros em relações solidárias, fraternas e cooperantes no bem comum. A relação educativa é uma relação entre liberdades, orientada para a autonomia do educando, no uso responsável da sua liberdade . .A escola deve ser o ambiente estimulante que aproxima e integra com pedagogias adequadas também àqueles que a sociedade marginaliza. A escola portuguesa continua a mostrar dificuldades em lidar com a diferença e promover culturalmente os socialmente desfavorecidos.
A escola não pode ser separada da comunidade envolvente e do meio social, económico e cultural em que está implantada. A sua acção depende da responsabilidade solidária de todos os que têm a ver com a seu governo, regulação, gestão, tarefas de ensino aprendizagem e actividades associadas. A cooperação é a regra operatória para elaborar e implantar projectos pedagógicos correspondentes às aptidões, necessidades e aspirações da comunidade e de cada um dos seus membros educandos. Cada vez mais a escola é chamada a responder às necessidades de formação ao longo da vida, facilitando a todos, jovens e adultos, a adaptação à mudança e às exigências da evolução tecnológica e da sociedade do conhecimento. Espera-se uma escola “em que os alunos trabalhem, aprendam e sejam educados para uma inserção social participativa, crítica e criativa e em que as comunidades locais acalentem, apoiem e estimulem a aprendizagem de todos ao longo de toda a vida.” (24)
A carta pastoral reivindica o respeito pelo pluralismo democrático na aplicação da liberdade de aprender e ensinar consignada na Constituição. O Estado identifica o serviço público de educação com o monopólio do Estado, obrigando todos aqueles que optam pelas escolas privadas, pelas escolas católicas, a pagar integralmente o seu ensino. Para que haja efectiva liberdade de ensinar e aprender impõe-se que seja dada aos pais e restantes encarregados de educação real oportunidade de optar pelo projecto educativo e escola que querem para os seus filhos, em condições de financiamento idênticas àqueles que optam pelas escolas estatais. “Compete ao Estado facilitar, promover, regular democraticamente e financiar todas as instituições escolares que se enquadram legalmente no sistema educativo e que contribuem para a formação das crianças e jovens de Portugal” (17)


por Octávil Gil Morgadinho

11 de janeiro de 2009

Um Olhar de Esperança

No início deste novo ano os avisos acerca das dificuldades e da crise não param de chegar de todos os lados. O ano de 2009 vai ser muito difícil, vaticinam todos os analistas de serviço neste nosso país.

Estas chamadas de atenção são boas para que as pessoa se possam realisticamente preparar para as dificuldades que não só vêm, como já todos estamos a sentir. Não estou, pois, contra estas vozes pelo facto de nos chamarem à razão. Mas apesar disso acho que elas não estão a dizer tudo e se ficam apenas por uma parte da realidade.

É certo que a crise que nos atinge acaba por marcar de uma maneira decisiva o nosso viver, mas é igualmente certo que o nosso viver não se pode esgotar nessa dimensão.

Sei bem que todos temos direito a ter o mínimo indispensável para vivermos com dignidade. Aceito, igualmente, que esse mínimo tem hoje outros padrões mais elevados do que tinha anteriormente. Nessa linha não embarco facilmente no coro daqueles que dizem que vivemos de uma maneira muito artificial, que temos muito mais do que aquilo que realmente precisamos. Percebo claramente o que estas afirmações dizem e, em certa medida, até estou de acordo com elas, mas se posso viver numa casa aquecida não acho que seja artificial ter que viver com frio, ainda que possa viver com ele. É só um exemplo que não quer ser mais do que isso e que me serve para deixar bem claro que não estou contra o material, contra a posse de coisas, contra o usufruto dos bens que temos ao nosso dispor. Costumo a este nível dizer que não considero mal nenhum termos coisas, o que me parece verdadeiramente perigoso é sermos tidos pelas coisas que temos. E conheço mesmo gente que é tida pelas coisas que não tem, mas que gostaria de ter.

Dito isto, posso agora retomar o meu raciocínio inicial. A crise que nos afecta não pode paralisar o nosso viver. Não podemos ficar parados pensando que tudo está a ruir, que o sentido da vida se nos escapa pelo decorrer dos dias deste novo ano.
Se assim for, temos então seriamente de pensar onde está fundamentado o sentido do nosso viver. Permitam-me uma nota muito pessoal para esclarecer melhor aquilo que estou a querer dizer.
Neste ano que passou vivi umas das experiências mais dolorosas da minha vida. “Perdi” a minha mãe. Ponho perdi entre aspas, pois a saudade de a poder beijar e tocar ainda dói muito, mesmo muito, mas como acredito na vida eterna e na comunhão dos santos sei que ela continua viva e a olhar por mim e por todos aqueles que continua a amar, e agora já junto do Pai.
No momento em que a morte era já uma evidência lembro-me do olhar que ela me dirigia. Olhar que falava muito mais do que as palavras que já só muito dificilmente conseguia articular. Essa é a imagem que tenho guardada no mais íntimo do meu coração: um olhar de profunda esperança. Ela sabia em quem acreditava. Um olhar de quem sabe que o sofrimento e as dificuldades não são um faz de conta, de quem sabe que eles são reais, tão reais que até estão a pôr fim aquela maneira de viver. Mas um olhar que se fundamenta naquele que é o Senhor da Vida. Aquele olhar, que me sustentou e sustenta nesta experiência dolorosa, foi para mim - é para mim - a mais profunda certeza de que a vida vale a pena em todos os momentos, mesmo nos mais difíceis. Eu que já sabia disso a partir da minha fé e da reflexão teológica pude vê-lo confirmado na vida da minha mãe.
É com esse olhar que eu quero olhar o mundo e a vida. É esse olhar que eu quero ensinar aos meus filhos. Não se trata de não levar a sério as dificuldades, não se trata de alienação, pelo contrário, trata-se de levar a sério a vida com tudo o que ela contém, mas de a levar a sério com a certeza de que não estamos sozinhos na construção da nossa história.
Olhemos com esperança para o ano de 2009. E, depois, fundamentados nessa esperança, não tenhamos medo de agir na direcção a que ela nos impele.

por Juan Ambrósio

4 de janeiro de 2009

Realismo

Quem constrói a sua vida sobre a Palavra de Deus é realista porque a Palavra de Deus é o fundamento de tudo e permanece. É estável como o céu e mais ainda que o céu: é a realidade.
Ano Novo, vida nova e, para começarmos bem, para construirmos 2009 da melhor maneira, aqui vai um conselho de Bento XVI: constrói sobre a areia quem constrói sobre coisas visíveis, sobre o sucesso, a carreira e o dinheiro.
Aparentemente, são estas as verdadeiras realidades. Mas tudo isto acabará um dia. Vemo-lo, agora, com queda dos bancos: o dinheiro desaparece, é nada.
Quem constrói a sua vida sobre estas realidades constrói sobre a areia. Pelo contrário, quem constrói a sua vida sobre a Palavra de Deus é realista porque a Palavra de Deus é o fundamento de tudo e permanece. É estável como o céu e mais ainda que o céu: é a realidade.
Sejamos, pois, realistas.

Feliz 2009!

por Aura Miguel

31 de dezembro de 2008

Mensagem de Bento XVI para o Dia Mundial da Paz

1. Desejo, também no Início deste novo ano, fazer chegar os meus votos de paz a todos e, com esta minha Mensagem, convidá-los a reflectir sobre o tema: Combater a pobreza, construir a paz. Já o meu venerado antecessor João Paulo II, na Mensagem para o Dia Mundial da Paz de 1993, sublinhara as repercussões negativas que acaba por ter sobre a paz a situação de pobreza em que versam populações inteiras. De facto, a pobreza encontra-se frequentemente entre os factores que favorecem ou agravam os conflitos, mesmo os conflitos armados. Estes últimos, por sua vez, alimentam trágicas situações de pobreza. «Vai-se afirmando (...), com uma gravidade sempre maior – escrevia João Paulo II –, outra séria ameaça à paz: muitas pessoas, mais ainda, populações inteiras vivem hoje em condições de extrema pobreza. A disparidade entre ricos e pobres tornou-se mais evidente, mesmo nas nações economicamente mais desenvolvidas. Trata-se de um problema que se impõe à consciência da humanidade, visto que as condições em que se encontra um grande número de pessoas são tais que ofendem a sua dignidade natural e, consequentemente, comprometem o autêntico e harmónico progresso da comunidade mundial». (ler mais)

O ano das más notícias

A única coisa de que podemos estar certos acerca de 2008 é que a sua história foi muito mal contada
O fim do ano é sempre paradoxal. Ainda sem termos percebido bem o que aconteceu no ano que está a acabar, eis-nos tentados a adivinhar o que poderá acontecer no ano que vai começar. Como 2008 parece querer terminar numa nota ácida, a aposta mais segura para 2009 é prever uma época sinistra. Em Novembro, Angela Merkel propôs-se logo baptizar 2009 como o "ano das más notícias". Será assim?A única coisa de que podemos estar certos acerca de 2008 é que a sua história foi muito mal contada. Foi mal contada até meio do ano, quando todos tínhamos já aprendido que a "globalização" fizera subir os preços e que era preciso apertar o crédito para evitar a inflação. E talvez esteja ainda a ser mal contada agora, depois da "crise", quando governos e bancos centrais deitam dinheiro à rua, para prevenir a deflação. Se os nossos profetas não acertaram acerca do que se estava a passar em 2008, mesmo em frente deles, por que razão deveríamos acreditar na sua capacidade para adivinhar o que se há-de passar em 2009?Ao princípio, convenceram-nos de que o mal estava todo em meia dúzia de banqueiros "criminosos". Agora, com a indústria automóvel de mão estendida aos subsídios, torna-se claro que a chamada "economia real" nunca esteve inocente. Um dia haveremos de ver as coisas ainda mais nitidamente. Talvez cheguemos então a compreender como o esforço dos governos, durante a última década, para adiar a adaptação das sociedades ocidentais à "globalização", nos arrastou até às presentes dificuldades. Entretanto, veremos em 2009 se o endividamento público é mais eficaz do que o privado para manter uma prosperidade que queremos merecer sem ter de trabalhar.Outra história mal contada foi a da eleição presidencial americana. Ao princípio, esquerda e direita uniram-se para nos apresentarem Obama como o Presidente que ia virar o mundo do avesso, rendendo-se a Ahmadinejad e importando para a América o "modelo social" europeu. Obama foi eleito, mas sem dinheiro para revoluções sociais e com o secretário da Defesa de Bush. Entretanto, o unilateralismo da Rússia no Cáucaso, a ofensiva dos jihadistas em Bombaim e a guerra reeditada na Faixa de Gaza começam a sugerir que, afinal, Bush não era o único problema do mundo. A opção de Obama, até agora, tem sido a de permanecer insondável. Clinton II continua a perspectiva mais plausível. É muito provável que já estejam feitos os sapatos que lhe hão-de atirar.Em Portugal, também tivemos uma história mal contada: a do "fim de Sócrates", esmagado entre as tenazes da oposição. Uma das tenazes era a acção dos órgãos sindicais do PCP, conhecida no mundo jornalístico pelo pseudónimo de "contestação social". A outra tenaz foi, ao princípio, o irresistível "populismo" de Menezes, depois substituído pela não menos invencível "seriedade" de Ferreira Leite. O PCP cumpriu o seu papel, alugando os necessários autocarros para trazer a função pública a marchar em Lisboa; mas o PSD não funcionou, nem quando pressupôs que o povo era irresponsável (com Menezes), nem quando decidiu fazer de conta que o povo era responsável (com Leite). Talvez a oposição precise de mudar de povo para mudar de governo.Nas previsões mais pessimistas para 2009, há uma espécie de optimismo ao contrário: a de que o ano novo nos trará, a bem ou a mal, um mundo novo. Queremos notícias sensacionais, mesmo que más: a crise no seu auge, uma grande decisão dramática de Obama, uma convulsão política em Portugal. Desde 2001 que andamos preparados para um apocalipse. O Iraque prometia uma catástrofe vietnamita: tudo acabou, no entanto, com um acordo de retirada. Al Gore, com o seu aquecimento global, também gerou esperanças - mas afinal, continua a chover e a fazer frio. Muito provavelmente, 2009 irá decepcionar-nos. Continuaremos à espera do "pior da crise", Obama conservará o seu mistério, e as sondagens recusar-se-ão a alegrar a oposição portuguesa. A pior notícia talvez venha a ser a falta de grandes notícias. A evolução pós-constitucional da república portuguesa. 29 de Dezembro de 2008, com a promulgação do Estatuto Político-Administrativo dos Açores pelo Presidente da República, ficará como uma das datas fundamentais da democracia portuguesa. Foi o momento em que, libertando-se dos últimos vestígios de pudor, a classe política assumiu que em Portugal os mais pequenos interesses eleitorais dos partidos estão acima da lei e do respeito pela lei. Há Estados de direito, e há Estados de partidos. O nosso é manifestamente desta segunda espécie. O Presidente da República avisou o país. Mas haverá um país para o ouvir?

por Rui Ramos

24 de dezembro de 2008

O Espanto do Natal

Nós que todos os anos vivemos o Natal perdemos o espanto perante o Natal. Essa é uma das piores coisas que pode acontecer a quem vive todos os anos o Natal. De facto, aqueles que participam com fervor na celebração anual do Natal sentem muitas emoções acerca dele, desde a elevação espiritual à indignação perante o consumismo e o desinteresse da sociedade. Mas raramente sentem aquilo que é o mais adequado perante o mistério natalício: o espanto.
O espanto principal vem, naturalmente, do próprio acontecimento que se celebra: que Deus omnipotente, que não cabe nos Céus, tenha decidido descer até nós e nascer como um menino, é algo de inaudito, inconcebível, quase inacreditável. Este é o mistério central da nossa fé cristã, mas dificilmente o conseguimos entender, quanto mais descrever, de tal forma ele ultrapassa tudo o que podemos imaginar. Vivemos todos os dias com ele, mas não somos capazes de compreender aquilo em que baseamos a nossa própria vida. O nosso Deus é, sem dúvida, espantoso!Mas, mesmo se olharmos o Natal de fora, ele é uma festa absolutamente assombrosa. Se virmos o Natal como alguém que nada sabe sobre ele, se o considerarmos sem referência ao seu significado espiritual, temos de admitir que se trata de um fenómeno impressionante.Ele é a única festa verdadeiramente global que o mundo alguma vez viu. O Natal atravessa todas as fronteiras e culturas. Existem, sem dúvida, muitas pessoas a quem o Natal nada diz, mas é difícil encontrar alguém que não saiba que ele existe.Por outro lado, todos falam do "espírito natalício" mesmo quando ignoram o tal significado espiritual. De múltiplas maneiras e formas, os meios agnósticos, pagãos e até ateus se sentem tocados por uma mística que não sabem de onde vem. "Festa da família", "tradição popular", "quadra da solidariedade", "reino do Pai Natal" são maneiras comuns de descrever aquilo que ninguém consegue explicar, mas que todos sentem palpavelmente nesta quadra.Os fenómenos espantosos que rodeiam o Natal são muitos mais. Por exemplo, trata-se da única celebração de aniversário que se verifica há mais de 2000 anos. Mas vale a pena pensar um pouco de onde vem esta surpreendente realidade. Se aquele que nada sabe sobre o Natal quiser entender a origem daquilo que tanto o surpreende, onde deve ele procurar a resposta? Que lhe podemos dizer nós, aqueles que todos os anos vivemos o Natal e participamos com fervor na sua celebração?
Bem, esta questão levar-nos-ia muito longe. Alguns refeririam dados sociológicos, históricos e etnográficos. Falariam da influência planetária da civilização ocidental, do gosto das culturas pelos presentes e pelas festas e de muitas outras coisas. Mas não existem muitas dúvidas que a razão última do fenómeno vem, simplesmente, do facto indiscutível que o nosso Deus é espantoso. O Deus que fez as girafas e os cometas, que concebeu a aurora e as trovoadas, que imaginou as galáxias e os seres humanos, só Ele poderia inventar uma coisa como o Natal.

por João César das Neves

22 de dezembro de 2008

Conto de Natal

Lá vai ser Natal outra vez! Este ano onde é que vocês celebram as festas? - Vai ser em casa da tia Maria, como de costume. - Como sabes? Já falaste com ela?
- Não, mas é sempre assim. Nem é preciso dizer.
- Pobre tia Maria! Como é tão boa, como está sempre disponível e pronta para todos, já nem se dão ao trabalho de lhe perguntar, de lhe pedir, de a envolver na decisão. Ela, precisamente porque é tão boa, é tomada como garantida, automática, com quem não é preciso perder tempo. Tu vais gastar mais esforços a convencer o primo Augusto a ir à Consoada, porque ele é um resmungão e gosta de se fazer caro, do que com a tia Maria, de quem realmente tudo depende, mas a quem ninguém liga, só porque é excelente.
- Tens razão. Mas é natural, não?
- Natural? Talvez. Mas é uma vergonha.
- Sabes, estava aqui a pensar que isso é exactamente o que nós fazemos com Deus. Nós contamos com o Natal todos os anos. Faz parte do calendário. Nem sequer nos damos ao trabalho de Lhe perguntar se este ano vai haver Natal. Nunca nos damos ao trabalho de inquirir se o Deus todo-poderoso, Senhor do Céu e da Terra, quer este ano voltar a nascer na nossa vida. Como Deus é tão bom, as pessoas tendem a dá-lO como garantido. Nem se lembram de Lhe perguntar, de Lhe pedir, de O envolver na decisão. Isso, tens razão, é uma coisa horrível.
- É verdade! A nossa falta de atenção nasce precisamente de o amor atento e disponível se tornar invisível. Invisível porque sempre presente. Está lá sempre e já não o vemos. Mas a nossa falta de atenção magoa imenso a tia Maria, que se esfalfa a trabalhar para nos ser agradável, e vê os seus esforços considerados como normais, banais, exigíveis. É um grande pecado esquecer--se de agradecer aquilo que é um dom tão indispensável que nem sequer damos por ele.
- Sim. Não há nada pior do que tratar Deus como se trata o sol ou a chuva. Deus faz "nascer o sol sobre maus e bons e cair a chuva sobre justos e injustos" (cf. Mt 5, 45). Mas Ele não é como o sol ou a chuva. Tratar Deus como se fosse um relógio sempre certo, como o sol, ou uma força caprichosa e incontrolável, como a chuva, é o pior dos pecados. Deus, que é amor, supremo amor, não quer ser tomado, não pode ser tomado como o sol ou a chuva.
- Deus, porque nos ama infinitamente, dá-nos sempre o Natal, como nos dá o sol e a chuva. Mas não quer ser tratado como se fosse uma força da natureza ou um mecanismo cego e automático. Deus não pode ser tratado como um engenho que se repete sucessivamente. Porque tudo o que faz é por amor. Ele é amor perfeito, e por isso podemos contar sempre com Ele. Mas, por isso mesmo, nunca o devemos dar por adquirido, nunca o podemos assumir como garantido. Não o podemos desprezar precisamente porque é perfeito.
- Se ao menos nós O víssemos! Com Deus é ainda pior do que com a tia Maria, porque a ela a gente vê. Mas no caso de Deus só vemos o sol e a chuva. Por isso tantos O esquecem.
- Mas não é isso o Natal? Deus, o Deus sublime e transcendente acima da nossa capacidade de compreensão, faz-se um de nós. Desce ao nosso nível para se fazer visível. Tinha anunciado pacientemente, através de uma longa linha de profetas e preparado o momento. Depois, quando veio, fez milagres espantosos, curou, ressuscitou, multiplicou os pães, andou nas águas. Que mais poderia Ele fazer para ser visto?
- E que resposta terrível lhe deram aqueles que tinham sido preparados para a vinda d'Ele!
- Vês que afinal o problema não é que não O possamos ver, porque quando O vimos ainda fizemos pior. Mas, depois de condenado, crucificado, morto, Ele continua visível. Visível na Igreja, na caridade com os pobres, na oração, na Eucaristia. A dedicação atenta, o carinho silencioso, a suprema delicadeza não querem ser mais visíveis do que são.
- Tens razão. O problema não é que não O vemos. O problema, como com a tia Maria, é que não O queremos ver.
- No entanto, como a tia Maria, Deus nunca é tão visível como no Natal. Porque é aí que se vê plenamente a dedicação atenta, o carinho silencioso, a suprema delicadeza.


por João César das Neves

18 de dezembro de 2008

Bento XVI: sinergia entre instrumentos da comunicação social

O Centro Televisivo presta um precioso serviço à Igreja, num relacionamento de colaboração com as realidades televisivas católicas na Itália e no exterior. Foi o que disse Bento XVI, recebendo os funcionários do Centro Televisivo Vaticano, pelos seus 25 anos de fundação.
O Papa exortou os presentes a continuarem na estrada da sinergia entre tecnologias e instrumentos da comunicação social. No seu discurso, o pontífice notou a importância de seguir o evento litúrgico através do olho atento da câmara, para permitir uma verdadeira participação espiritual também daqueles que não podem estar fisicamente presentes.
Trata-se de uma tarefa importante e exigente, que requer uma preparação séria e uma verdadeira sintonia espiritual com o evento.
h2onews.org

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