Diário da Assembleia Geral do ISCF
“Tudo o que se fizer a bem da família, por pequeno que seja é grande”. (Mons. Brás)
A Família no centro das atenções
Encontra aqui os vários artigos do Dr. Juan Ambrósio sobre a Família...
Encontro Mundial das Famílias 2015
O Vaticano apresentou dia 24 de março em conferência de imprensa o 7.º Encontro Mundial da Família, que vai decorrer de 22 a 27 de setembro de 2015 na cidade norte-americana de Filadélfia.
A saúde mental dos portugueses
Alguns dedicam-se obsessivamente aos números e às estatísticas esquecendo que a sociedade é feita de pessoas...
O trabalho, dom e direito
A sociedade portuguesa e internacional, vive uma situação de crise generalizada e de aumento das desigualdades sociais...
Longe vão os tempos
Longe vão os tempos dos preconceitos culturais em que se aceitava que era a mãe que tinha de cuidar dos filhos...
Dar esperança em tempo de crise
Vivemos tempos difíceis. A família, como célula base da sociedade, é imediatamente afetada por esta crise generalizada e que promete perdurar. Neste contexto, exige-se um novo paradigma, uma nova forma de estar e de nos relacionarmos.
29 de janeiro de 2009
Família
28 de janeiro de 2009
A violência dos filhos sobre os próprios pais
Tudo uma farsa, desde logo porque, diz-se, começámos mal, sob o signo da violência quando D. Afonso Henriques – o nosso primeiro rei, esclarecimento dirigido a muito universitário, que há-de tirar uma licença, sem o saber, aprender ou alguém, na Universidade, lho ensinar entrou em confronto físico com a sua mãe, D. Teresa, quando se tomou de amores com o galego Fernão Peres de Trava.
E a história continuou a frutificar com exemplos entre gente “ graúda “ (passe o plebeísmo) como sucedeu entre D. Dinis e seu filho, que chegaram a alinhar exércitos em posição prontos para combate, não fora a intervenção da Santa Rainha Isabel, a excelsa senhora do milagre das rosas, que um conhecido comediante, que ainda ocupa parte dos ecrãs televisivos, quis desmerecer, para não dizer vilipendiar.
E a expulsão dos judeus, detentores de um capital pecuniário e intelectual, que vieram a enriquecer a Holana, a Rússia e actual Turquia (os conhecidos marranos). E a Inquisição, na esteira de Tomás Torquemada, que queimou na fogueira quem professava uma fé diferente da dominante e a perseguição infrene dos jesuítas movida – mas movida – por um dos mais esclarecidos estadistas de toda a nossa História, o Marquês de Pombal.
E que dizer da expulsão das ordenas religiosas por Joaquim António de Aguiar, o “ Matafrades “, com estátua de conceituado jurista à entrada da vetusta cidade de Coimbra, hoje reduzida a alguma ciência e pouco mais, depositado lá para os lados da Conchada.
E o ataque feroz da 1.ª República à Igreja, roubando-lhe bens, escorraçando os seus membros, entre os quais o conhecido bispo D. José Alves Correia da Silva, que depois de encarcerado sobreveio à liberdade, doente, padecendo sofrimentos horrorosos, arrastando-se dolorosa e corajosamente enquanto bispo de Fátima.
E a concentração no Campo do Tarrafal, em Cabo Verde, dos oposicionistas ao regime de Salazar, nas célebres “ frigideiras “ de onde poucos saíram com vida.
E que dizer daqueles que moveram e nunca foram responsabilizados pela Guerra do Ultramar, onde, dizem, morreram 13.000 Militares, a maioria dos quais militares de baixa patente, sobretudo soldados, e de origem forçada às lides de combate, furriéis e alferes milicianos, guerra sem beneficio para ninguém, se é que dela advém algum proveito.
E a responsabilização funciona, aqui, de forma biunívoca, se nos lembrarmos que eram pessoas, de cor diversa da nossa, necessariamente, e em nome incomensuravelmente maior, os que se opunham à presença portuguesa, que, famintos, mal organizados, impreparados, pereceram, por certo, em número esmagadoramente maior nessa guerra, da qual só a custo estão a atingir a verdadeira libertação.
Mas essa violência da guerra nunca apagou a que se exercia, desde antanho, na família e fora dela: a violência do marido sobre a mulher e desta sobre o marido, que tenta, ainda escamotear-se, por conveniência, porque não fornece audiências, porque não vende jornais, revistas, desde sempre praticada, seja por atraso cultural endémico, ausência de civismo, seja por heterogenia de raças, seja por carência de tipo legal penal de previsão e punição, seja por um pacto de silêncio, por não denúncia, a que se vincularam órgãos de informação, esta agora o “ abre-te sésamo, de tudo, mas também muito corresponsáveis até ao 25 de Abril por um dos Estados mais atrasados, não muito distanciadamente, nalguns casos, da Europa medieval.
E quem diz esse tipo de violência fala no abuso sexual de menores, de que o célebre caso do “ ballet rose “, envolvendo políticos do regime de Salazar e jovens raparigas, vítimas de abuso sexual, determinante de processo judicial arquivado nos fundos de um qualquer arquivo de tribunal, é paradigmático e não menos envergonhante, e de algum modo antecessor dos graves desmandos cometidos sobre crianças.
E que dizer da notícia sobre a violência já praticada entre os namorados constando que ambos, numa percentagem de 20%, se agridem corporalmente, interrogando-nos como podem eles enfrentar as dificuldades da vida e, eles próprios, no amanhã, educarem os filhos na paz e tranquilidade, notícia aterradora que informa como a nossa terra caiu na mais profunda desagregação, numa altura, de conhecimento, de enlevo, procura e começo de entrega que desaguou no inimaginável da agressão física.
Mas aquilo que me leva a escrever estas linhas é a violência dos filhos sobre os pais.
Não convém muito difundir aquilo a que os psicólogos chamam de a nova ditadura dos filhos sobre os pais. É mais apelativo fazer alusão à violência, altamente condenável, dos filhos sobre os pais e, particularmente, se indefesos e idosos, do que referir a violência verbal, física e psicológica dos filhos sobre os pais; é mais cómodo uma escola pública silenciar que um desses aspirantes a tirano encerrou a pobre mãe, por horas e dias sucessivos num quarto da casa comum.
Esses tirantes são aqueles que, em pequenos, quantas vezes pontapeiam os pais e os avós, sem uma reprimenda séria, que não passa, claro, pela agressão; são os tirantes que numa cerimónia religiosa se rebolam e fazem “ caretas “ aos avós e os ameaçam de mão em riste.
São esses tiranetes de agora que amanhã deixam brotar todo tipo de grosserias e obscenidades seja perante quem for; são esses tirantes que exercem todo o tipo de chantagem e coacção a que os pobres pais cedem e não divulgam, por medo de represálias.
São esses aprendizes a ditadores que se acoimam à manjedoura familiar pelos anos fora, tudo destruindo na diversão, na droga, no álcool, no sexo, no crime, que atacam as convicções religiosas dos pais e que se mostram incapazes de conviver com a avoenga.
São esses tiranetes que pululam de consultório de psicólogo em psicólogo em que os pais surgem sempre culpados, sem que, por vezes, haja coragem de desmentir e refutar a acusação.
São esses tiranetes que agridem professores e colegas, ante a alienação a quais bens ou valores morais que os pais não lhes transmitem, por incapacidade algumas vezes, por indiferença, ainda, outras.
Ante a dimensão do problema, que já chega longe, que já ultrapassa o receio e o temor familiares, rogando premente ajuda dos pais, já incapazes de lidar com a situação, descrentes dos meios normais de recurso, a psicólogos e psiquiatras, em quem deixaram de crer, completamente esgotados como estão, começa a pensar-se sobre se quem faz as leis não devia lembrar-se da questão e, sem mergulhar a cabeça na areia, as associações de pais não deviam, sem qualquer limite, fornecer ajuda, promover e aconselhar medidas adequadas, entre as quais – e porque não – o recurso a meios de polícia contra aqueles, de quem muito esperavam, os estão tornar profundamente infelizes, doentes, desesperados, fonte de destruição e desagregação da já quase inexistência instituição familiar.
Algumas causas estão já identificadas, ligadas ao consumo excessivo de álcool, à promoção do sexo livre, ao apelo à total rebelião à família, ao facilitismo do divórcio, à ofensa sistemática e desvirtuar de alguns órgãos de informação aos que exercem poderes de autoridade: autoridades de polícia, juízes e professores.
Quando os pais, derrotados, infelizes e em desespero, depois de insultados da maneira mais vil, algumas vezes agredidos e, quantas vezes patrimonialmente espoliados, por filhos já adultos, recorrem a entidades para oficiais atingimos um preocupante estádio de subcultura, de desagregação, de egoísmo sem limites, a um quase apocalipse social, em que o Natal é um tempo de quase – tragédia.
19 de janeiro de 2009
A família é o coração da sociedade
“Estou convencido de que a família não é somente o coração do México mas também o coração de toda sociedade. É a estrutura que dá sentido à vida econômica, política, social e cultural. É a base sobre a que se constrói a identidade, os princípios e os valores das pessoas a premissa básica para alcançar um desenvolvimento humano sustentável como definira Paulo VI como passo de condições menos humanas ao passo de condições de vida cada vez mais humanas”.
O arcebispo de Cidade do México, o cardeal Norberto Rivera, recorda neste encontro o Papa João Paulo II como iniciador desses encontros familiares mundiais.
“Quando 18 anos atrás o Papa João Paulo II instituiu este tipo de encontros, o fez com a intenção de que se esse evento fosse um lugar adequado para a reflexão e a celebração da realidade familiar, uma realidade que já naqueles tempos começava a enfrentar ameaças que hoje são uma realidade. Uma realidade que sem embargo não deixou de constituir-se em baluarte que apóia tantos e tantos seres humanos que enfrentam cada vez com mais angustia um mundo despersonalizado e com falta de solidariedade”.
ANO PAULINO Celebração Nacional em Fátima no dia 25
A Conferência Episcopal Portuguesa realiza em 25 de Janeiro, no Santuário de Fátima, uma celebração nacional evocativa de São Paulo.Também o Santuário de Fátima está a dinamizar um conjunto de iniciativas para celebrar o Ano Paulino.
Uma delas, concretizada em final de Outubro de 2008, prendeu-se com a instalação, nas alamedas laterais do Recinto de Oração, de treze painéis alusivos à vida e à obra do Apóstolo Paulo.
Actualmente, até Abril de 2009, uma vez por mês, é apresentada, na Basílica de Nossa Senhora do Rosário de Fátima, uma conferência sobre S. Paulo, enriquecida por um momento musical.
Encontro de Famílias reafirma função social
A escola de todas as preocupações
A escola é reflexo da sociedade, da sociedade portuguesa e suas instituições, da ausência de políticas estruturantes para o longo e o médio prazo, da fraca participação cívica no debate e na resolução dos problemas e carências das comunidades, da apatia que troca a responsabilização pelo protesto mediático, do activismo corporativo que subordina a prestação dos serviços aos interesses profissionais dos servidores, do alheamento dos pais e dos poderes representativos locais que faz da escola um meio fechado à vida real.
Os bispos revelam informação sobre os problemas do ensino no país e não poupam responsabilidades ao Estado. “O Estado tem sido ... um obstáculo à melhoria da escola portuguesa”. As críticas concordam com as que são apontadas por observadores atentos.
A escola tem sido um tubo de ensaio de experiências contínuas, de mudanças sem objectivos explícitos, sem preparação e formação dos agentes, professores e alunos, para as acolher e implantar, sem tempo para as consolidar, avaliar e fazer as correcções necessárias. O centralismo burocrático ignora o contexto das escolas e não favorece a capacidade de inovação dos professores, a mobilização dos agentes locais e adaptação ao contexto local dos alunos. A autonomia das escolas continua a patinar e tende a converter-se numa variante da organização centralista do Ministério, concedendo escasso espaço de acção e iniciativa aos docentes e aos órgãos da escola que - lamento dizê-lo -, por longa inércia, nem sempre estão preparados para aproveitar. Para agravar, a agudização do conflito com os professores e o contágio dos alunos tende a protelar um trabalho construtivo com definição de objectivos claros e uma rota definida.
É urgente o diálogo que ultrapasse a lógica dos interesses corporativos e as tricas da guerrilha política. Requer-se um projecto minimamente consensual para garantir a continuidade das políticas educativas, a elaboração de regras mais flexíveis e a implantação de práticas que concedam mais autonomia às escolas para se adaptarem às comunidades que servem e responsabilidade pela sua acção e resultados. A ênfase deve ser colocada na cooperação e no diálogo, na superação dos conflitos. “Uma educação de qualidade para todos os portugueses, deve constituir uma prioridade do desenvolvimento do país, uma preocupação central das famílias, dos responsáveis políticos, de toda a comunidade.” (10)
A educação escolar deve obedecer a um projecto claro de natureza axiológica, a um “determinado modelo de homem e sociedade”, a uma antropologia, a” uma visão de
vida” que fundamente as políticas e as práticas educativas. É neste plano que os Bispos portugueses situam particularmente a sua contribuição. A educação escolar deve radicar-se na “verdade do homem”, no respeito pela sua “dignidade inalienável”, na transcendência da sua origem e destino e promover o apreço e a confiança no “valor da vida” .
A educação forma pessoas, está ao serviço da estruturação da personalidade do educando. Deve favorecer a integração harmoniosa de saberes e valores, a abertura aos outros em relações solidárias, fraternas e cooperantes no bem comum. A relação educativa é uma relação entre liberdades, orientada para a autonomia do educando, no uso responsável da sua liberdade . .A escola deve ser o ambiente estimulante que aproxima e integra com pedagogias adequadas também àqueles que a sociedade marginaliza. A escola portuguesa continua a mostrar dificuldades em lidar com a diferença e promover culturalmente os socialmente desfavorecidos.
A escola não pode ser separada da comunidade envolvente e do meio social, económico e cultural em que está implantada. A sua acção depende da responsabilidade solidária de todos os que têm a ver com a seu governo, regulação, gestão, tarefas de ensino aprendizagem e actividades associadas. A cooperação é a regra operatória para elaborar e implantar projectos pedagógicos correspondentes às aptidões, necessidades e aspirações da comunidade e de cada um dos seus membros educandos. Cada vez mais a escola é chamada a responder às necessidades de formação ao longo da vida, facilitando a todos, jovens e adultos, a adaptação à mudança e às exigências da evolução tecnológica e da sociedade do conhecimento. Espera-se uma escola “em que os alunos trabalhem, aprendam e sejam educados para uma inserção social participativa, crítica e criativa e em que as comunidades locais acalentem, apoiem e estimulem a aprendizagem de todos ao longo de toda a vida.” (24)
A carta pastoral reivindica o respeito pelo pluralismo democrático na aplicação da liberdade de aprender e ensinar consignada na Constituição. O Estado identifica o serviço público de educação com o monopólio do Estado, obrigando todos aqueles que optam pelas escolas privadas, pelas escolas católicas, a pagar integralmente o seu ensino. Para que haja efectiva liberdade de ensinar e aprender impõe-se que seja dada aos pais e restantes encarregados de educação real oportunidade de optar pelo projecto educativo e escola que querem para os seus filhos, em condições de financiamento idênticas àqueles que optam pelas escolas estatais. “Compete ao Estado facilitar, promover, regular democraticamente e financiar todas as instituições escolares que se enquadram legalmente no sistema educativo e que contribuem para a formação das crianças e jovens de Portugal” (17)
11 de janeiro de 2009
Um Olhar de Esperança
Estas chamadas de atenção são boas para que as pessoa se possam realisticamente preparar para as dificuldades que não só vêm, como já todos estamos a sentir. Não estou, pois, contra estas vozes pelo facto de nos chamarem à razão. Mas apesar disso acho que elas não estão a dizer tudo e se ficam apenas por uma parte da realidade.
É certo que a crise que nos atinge acaba por marcar de uma maneira decisiva o nosso viver, mas é igualmente certo que o nosso viver não se pode esgotar nessa dimensão.
Sei bem que todos temos direito a ter o mínimo indispensável para vivermos com dignidade. Aceito, igualmente, que esse mínimo tem hoje outros padrões mais elevados do que tinha anteriormente. Nessa linha não embarco facilmente no coro daqueles que dizem que vivemos de uma maneira muito artificial, que temos muito mais do que aquilo que realmente precisamos. Percebo claramente o que estas afirmações dizem e, em certa medida, até estou de acordo com elas, mas se posso viver numa casa aquecida não acho que seja artificial ter que viver com frio, ainda que possa viver com ele. É só um exemplo que não quer ser mais do que isso e que me serve para deixar bem claro que não estou contra o material, contra a posse de coisas, contra o usufruto dos bens que temos ao nosso dispor. Costumo a este nível dizer que não considero mal nenhum termos coisas, o que me parece verdadeiramente perigoso é sermos tidos pelas coisas que temos. E conheço mesmo gente que é tida pelas coisas que não tem, mas que gostaria de ter.
Dito isto, posso agora retomar o meu raciocínio inicial. A crise que nos afecta não pode paralisar o nosso viver. Não podemos ficar parados pensando que tudo está a ruir, que o sentido da vida se nos escapa pelo decorrer dos dias deste novo ano.
Se assim for, temos então seriamente de pensar onde está fundamentado o sentido do nosso viver. Permitam-me uma nota muito pessoal para esclarecer melhor aquilo que estou a querer dizer.
Neste ano que passou vivi umas das experiências mais dolorosas da minha vida. “Perdi” a minha mãe. Ponho perdi entre aspas, pois a saudade de a poder beijar e tocar ainda dói muito, mesmo muito, mas como acredito na vida eterna e na comunhão dos santos sei que ela continua viva e a olhar por mim e por todos aqueles que continua a amar, e agora já junto do Pai.
No momento em que a morte era já uma evidência lembro-me do olhar que ela me dirigia. Olhar que falava muito mais do que as palavras que já só muito dificilmente conseguia articular. Essa é a imagem que tenho guardada no mais íntimo do meu coração: um olhar de profunda esperança. Ela sabia em quem acreditava. Um olhar de quem sabe que o sofrimento e as dificuldades não são um faz de conta, de quem sabe que eles são reais, tão reais que até estão a pôr fim aquela maneira de viver. Mas um olhar que se fundamenta naquele que é o Senhor da Vida. Aquele olhar, que me sustentou e sustenta nesta experiência dolorosa, foi para mim - é para mim - a mais profunda certeza de que a vida vale a pena em todos os momentos, mesmo nos mais difíceis. Eu que já sabia disso a partir da minha fé e da reflexão teológica pude vê-lo confirmado na vida da minha mãe.
É com esse olhar que eu quero olhar o mundo e a vida. É esse olhar que eu quero ensinar aos meus filhos. Não se trata de não levar a sério as dificuldades, não se trata de alienação, pelo contrário, trata-se de levar a sério a vida com tudo o que ela contém, mas de a levar a sério com a certeza de que não estamos sozinhos na construção da nossa história.
Olhemos com esperança para o ano de 2009. E, depois, fundamentados nessa esperança, não tenhamos medo de agir na direcção a que ela nos impele.
por Juan Ambrósio
4 de janeiro de 2009
Realismo
Aparentemente, são estas as verdadeiras realidades. Mas tudo isto acabará um dia. Vemo-lo, agora, com queda dos bancos: o dinheiro desaparece, é nada.
Quem constrói a sua vida sobre estas realidades constrói sobre a areia. Pelo contrário, quem constrói a sua vida sobre a Palavra de Deus é realista porque a Palavra de Deus é o fundamento de tudo e permanece. É estável como o céu e mais ainda que o céu: é a realidade.
Sejamos, pois, realistas.
Feliz 2009!
por Aura Miguel
31 de dezembro de 2008
Mensagem de Bento XVI para o Dia Mundial da Paz
O ano das más notícias
por Rui Ramos
24 de dezembro de 2008
O Espanto do Natal
22 de dezembro de 2008
Conto de Natal
- Pobre tia Maria! Como é tão boa, como está sempre disponível e pronta para todos, já nem se dão ao trabalho de lhe perguntar, de lhe pedir, de a envolver na decisão. Ela, precisamente porque é tão boa, é tomada como garantida, automática, com quem não é preciso perder tempo. Tu vais gastar mais esforços a convencer o primo Augusto a ir à Consoada, porque ele é um resmungão e gosta de se fazer caro, do que com a tia Maria, de quem realmente tudo depende, mas a quem ninguém liga, só porque é excelente.
- Tens razão. Mas é natural, não?
- Natural? Talvez. Mas é uma vergonha.
- Sabes, estava aqui a pensar que isso é exactamente o que nós fazemos com Deus. Nós contamos com o Natal todos os anos. Faz parte do calendário. Nem sequer nos damos ao trabalho de Lhe perguntar se este ano vai haver Natal. Nunca nos damos ao trabalho de inquirir se o Deus todo-poderoso, Senhor do Céu e da Terra, quer este ano voltar a nascer na nossa vida. Como Deus é tão bom, as pessoas tendem a dá-lO como garantido. Nem se lembram de Lhe perguntar, de Lhe pedir, de O envolver na decisão. Isso, tens razão, é uma coisa horrível.
- É verdade! A nossa falta de atenção nasce precisamente de o amor atento e disponível se tornar invisível. Invisível porque sempre presente. Está lá sempre e já não o vemos. Mas a nossa falta de atenção magoa imenso a tia Maria, que se esfalfa a trabalhar para nos ser agradável, e vê os seus esforços considerados como normais, banais, exigíveis. É um grande pecado esquecer--se de agradecer aquilo que é um dom tão indispensável que nem sequer damos por ele.
- Sim. Não há nada pior do que tratar Deus como se trata o sol ou a chuva. Deus faz "nascer o sol sobre maus e bons e cair a chuva sobre justos e injustos" (cf. Mt 5, 45). Mas Ele não é como o sol ou a chuva. Tratar Deus como se fosse um relógio sempre certo, como o sol, ou uma força caprichosa e incontrolável, como a chuva, é o pior dos pecados. Deus, que é amor, supremo amor, não quer ser tomado, não pode ser tomado como o sol ou a chuva.
- Deus, porque nos ama infinitamente, dá-nos sempre o Natal, como nos dá o sol e a chuva. Mas não quer ser tratado como se fosse uma força da natureza ou um mecanismo cego e automático. Deus não pode ser tratado como um engenho que se repete sucessivamente. Porque tudo o que faz é por amor. Ele é amor perfeito, e por isso podemos contar sempre com Ele. Mas, por isso mesmo, nunca o devemos dar por adquirido, nunca o podemos assumir como garantido. Não o podemos desprezar precisamente porque é perfeito.
- Se ao menos nós O víssemos! Com Deus é ainda pior do que com a tia Maria, porque a ela a gente vê. Mas no caso de Deus só vemos o sol e a chuva. Por isso tantos O esquecem.
- Mas não é isso o Natal? Deus, o Deus sublime e transcendente acima da nossa capacidade de compreensão, faz-se um de nós. Desce ao nosso nível para se fazer visível. Tinha anunciado pacientemente, através de uma longa linha de profetas e preparado o momento. Depois, quando veio, fez milagres espantosos, curou, ressuscitou, multiplicou os pães, andou nas águas. Que mais poderia Ele fazer para ser visto?
- E que resposta terrível lhe deram aqueles que tinham sido preparados para a vinda d'Ele!
- Vês que afinal o problema não é que não O possamos ver, porque quando O vimos ainda fizemos pior. Mas, depois de condenado, crucificado, morto, Ele continua visível. Visível na Igreja, na caridade com os pobres, na oração, na Eucaristia. A dedicação atenta, o carinho silencioso, a suprema delicadeza não querem ser mais visíveis do que são.
- Tens razão. O problema não é que não O vemos. O problema, como com a tia Maria, é que não O queremos ver.
- No entanto, como a tia Maria, Deus nunca é tão visível como no Natal. Porque é aí que se vê plenamente a dedicação atenta, o carinho silencioso, a suprema delicadeza.
18 de dezembro de 2008
Bento XVI: sinergia entre instrumentos da comunicação social
O Papa exortou os presentes a continuarem na estrada da sinergia entre tecnologias e instrumentos da comunicação social. No seu discurso, o pontífice notou a importância de seguir o evento litúrgico através do olho atento da câmara, para permitir uma verdadeira participação espiritual também daqueles que não podem estar fisicamente presentes.
Trata-se de uma tarefa importante e exigente, que requer uma preparação séria e uma verdadeira sintonia espiritual com o evento.
Uma Perspectiva Católica da Crise Económica
Natal é festa do dom da vida
A actual situação de crise económica e de restrição, para muitos, estimula a redescobrir o valor espiritual da festa, o valor da simplicidade, do calor familiar, dos afectos. É um estilo que deve inserir-se totalmente no evento cristão, disse o papa, no nascimento do Filho de Deus que muda o sentido da história, o Deus que se tornou próximo e abre à liberdade e à verdade.
12 de dezembro de 2008
Coimbra cria uma associação para apoiar a comunicação social
Todos devemos saber, hoje, que o que não passa na comunicação social não existe. A afirmação, naturalmente, não é minha, mas subscrevo-a inteiramente. E, melhor do que eu, a Igreja também o sabe, e nos mais altos responsáveis e documentos recentes, aparece claramente a afirmação dessa verdade. Aliás, mesmo não me referindo a outros documentos, já desde a Exortação Apostólica Evangelii Nuntiandi, somos seriamente questionados: a “Igreja viria a sentir-se culpável diante do seu Senhor, se ela não lançasse mão destes meios potentes que a inteligência humana torna cada dia mais aperfeiçoados” (EN 45).
Fiel ao mandato de Jesus Cristo, de levar a Boa Notícia e fazer discípulos, o uso dos meios de comunicação é cada vez mais sentido e urgente, numa cultura mediática e na era do digital, usando novas ferramentas ao serviço da nova evangelização. (ler mais)
Colocar os pobres em primeiro lugar na sociedade global
Divulgada no dia 11 de Dezembro, no Vaticano, o documento do Papa coloca a tónica nas várias formas de pobreza. Só eliminando a pobreza se consegue construir a paz. Estas insuficiências – não só materiais – “favorecem ou agravam os conflitos, mesmo os conflitos armados” – realça. (ler mais)
9 de dezembro de 2008
Querem-nos roubar o Natal...
mas não querem convidar o festejado.
Querem a árvore de Natal, mas esquecem a sua origem;
querem dar e receber presentes,
mas esquecem os que os Magos Te levaram a Belém;
querem cantos de Natal,
mas esquecem os que os Anjos Te cantaram naquela noite abençoada.
Até a São Nicolau o disfarçaram de “pai Natal”.
Querem as luzes e o feriado, o peru e as rabanadas;
Querem a Ceia de Natal
mas já não vão à Missa do Galo,
nem Te adoram feito Menino nas palhinhas do Presépio.
Quando se lembram estas coisas e o facto que lhes deu origem
diz-se que “o Natal é todos os dias”,
mas não se dispensa esta quadra de consumo e folguedos.
No meio de toda esta confusão deseja-se a paz e a fraternidade,
mas esquecem que só Tu lhes podes dar.
E a culpa de tudo isto ser assim… é também minha
que alinho nesta maneira pouco cristã de celebrar o teu nascimento.
Se desta vez eu der mais a quem tem menos
e comprar menos para quem já tem quase tudo…
se em vez de me cansar a correr de loja em loja
guardar esse tempo para parar diante de Ti…
Se neste Natal fores mesmo Tu a razão da minha festa…
as luzes e os cantos, o peru e as rabanadas, os presentes e a até o Pai Natal
me falarão de Ti e desse gesto infinito do Teu Amor
de teres vindo ao meu encontro nessa noite santa do teu Natal.
Direitos Humanos: Declaração é um alerta
Bispos pedem uma solução rápida nas polémicas da educação




















