Diário da Assembleia Geral do ISCF

“Tudo o que se fizer a bem da família, por pequeno que seja é grande”. (Mons. Brás)

A Família no centro das atenções

Encontra aqui os vários artigos do Dr. Juan Ambrósio sobre a Família...

Encontro Mundial das Famílias 2015

O Vaticano apresentou dia 24 de março em conferência de imprensa o 7.º Encontro Mundial da Família, que vai decorrer de 22 a 27 de setembro de 2015 na cidade norte-americana de Filadélfia.

A saúde mental dos portugueses

Alguns dedicam-se obsessivamente aos números e às estatísticas esquecendo que a sociedade é feita de pessoas...

O trabalho, dom e direito

A sociedade portuguesa e internacional, vive uma situação de crise generalizada e de aumento das desigualdades sociais...

Longe vão os tempos

Longe vão os tempos dos preconceitos culturais em que se aceitava que era a mãe que tinha de cuidar dos filhos...

Dar esperança em tempo de crise

Vivemos tempos difíceis. A família, como célula base da sociedade, é imediatamente afetada por esta crise generalizada e que promete perdurar. Neste contexto, exige-se um novo paradigma, uma nova forma de estar e de nos relacionarmos.

21 de outubro de 2008

Viva la Vida



"Direito à vida" é o nome de uma campanha que pretende consciencializar as pessoas para a realidade do aborto em Espanha. Campanha com pretensão mundial.
No passado mês de Setembro, Bibiana Aído, Ministra da Igualdade na Espanha, comunica uma lei que dá azo a que em 2009 seja aprovado o aborto livre.
Em Espanha o aborto já está em vigor, mas com a aprovação desta nova lei desaparecerá na prática do Código Penal. Actualmente são abortadas mais de 100 000 crianças o que se multiplicará em poucos anos com esta acção.

Beatificação dos Pais de Santa Teresa de Lisieux

"Neste Dia Mundial das Missões, unimo-nos particularmente aos peregrinos reunidos em Lisieux para a beatificação de Louis e Zélie Martin, pais de Santa Teresa do Menino Jesus, Padroeira das Missões.
Pela sua vida de casal exemplar, eles anunciaram o Evangelho de Cristo, viveram ardentemente a sua fé e transmitiram-na na sua família e no seu entorno. Que a sua oração comum seja uma fonte de alegria e esperança para todos os pais e todas as famílias."
Bento XVI, 19 de Outubro

15 de outubro de 2008

Constituição da República Portuguesa (Art. 67º Família)

1. A família, como elemento fundamental da sociedade, tem direito à protecção da sociedade e do Estado e à efectivação de todas as condições que permitam a realização pessoal dos seus membros.

2. Incumbe, designadamente, ao Estado para protecção da família:

a) Promover a independência social e económica dos agregados familiares;
b) Promover a criação e garantir o acesso a uma rede nacional de creches e de outros equipamentos sociais de apoio à família, bem como uma política de terceira idade;
c) Cooperar com os pais na educação dos filhos;
d) Garantir, no respeito da liberdade individual, o direito ao planeamento familiar, promovendo a informação e o acesso aos métodos e aos meios que o assegurem, e organizar as estruturas jurídicas e técnicas que permitam o exercício de uma maternidade e paternidade conscientes;
e) Regulamentar a procriação assistida, em termos que salvaguardem a dignidade da pessoa humana;
f) Regular os impostos e os benefícios sociais, de harmonia com os encargos familiares;
g) Definir, ouvidas as associações representativas das famílias, e executar uma política de família com carácter global e integrado.

13 de outubro de 2008

Sínodo dos Bispos

Mais coração, menos cabeça
por Aura Miguel
Homilias mal preparadas, dificuldade em ler a Bíblia e desfasamento entre a vida e Palavra de Deus são alguns dos temas mais frequentes neste Sínodo, que decorre até ao final do mês em Roma.
Há pouca capacidade para ouvir e os meios de comunicação social não ajudam a fazer silêncio. Como justamente um Bispo da Nigéria, em África costuma-se dizer que «se temos duas orelhas e uma boca é para ouvir mais do que falar». Mas isso é hoje difícil, mesmo durante a Missa.
As más homilias são também uma preocupação, que chega a afastar os fiéis da Igreja. Vários Bispos sublinham a necessidade de uma articulação entre a formação bíblica, a atenção à realidade e o exemplo de vida de quem faz a homilia.
O Sínodo alerta também para a excessiva intelectualização dos pastores, porque há cada vez mais institutos para estudar a Bíblia, mas há, entre os fiéis, cada vez mais ignorância religiosa. Há cada vez menos párocos, mas aumenta o número de sacerdotes que vão dar aulas.Por outro lado, nem sempre a relação entre a Bíblia e a Igreja é evidente. Por isso, o Sínodo apela a que a experiência das Escrituras passe da cabeça para o coração.

Homilia da Missa de 13 de Outubro do Cardeal Arcebispo de Vilnius, em Fátima

Venho hoje como simples peregrino para me unir à imensa multidão de peregrinos de Portugal e de outros países, vindos para venerar Nossa Senhora de Fátima, Mãe de Jesus Cristo, Mãe da Igreja, Mãe nossa.
Falando recentemente aos jovens reunidos em Sidney para a Jornada Mundial da Juventude, o Papa Bento XVI descreveu a bela cena da anunciação do anjo a Maria como uma proposta de matrimónio da parte de Deus. O anjo Gabriel, em nome de Deus, convida a Virgem Maria “a uma particular doação de si mesma, da própria vida, do próprio futuro de mulher e de mãe”. Naquele momento, Maria diante do Senhor representava toda a humanidade. “Era Deus a avançar com uma proposta de matrimónio com a humanidade. Em nosso nome, Maria disse sim”. (ler mais)

9 de outubro de 2008

Bispos pedem critério nas adopções

O episcopado português pede critérios sérios nos processos de adopção de crianças, enfatizando que elas são a prioridade.
O tema trata-se no documento que a Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) está a finalizar sobre a situação das crianças em dificuldade, informa Agência Ecclesia.
No texto, exige-se que a prioridade sejam as crianças e não os «pretendentes à adopção», incluindo os casos das uniões entre pessoas do mesmo sexo.
«Devemos proteger as crianças e não propriamente pensar naqueles que desejam ter uma criança como pais adoptivos. O maior bem da criança (deve estar) sempre em primeiro lugar», disse à agência do episcopado de Portugal o novo secretário da CEP, Pe. Manuel Morujão.
No final da reunião do Conselho Permanente da CEP, que decorreu em Fátima essa terça-feira, o Pe. Morujão afirmou que a Igreja está atenta às crianças «esquecidas», frisando que «há muitos casos problemáticos, com famílias divididas, falta de assistência».
«É preciso encontrar as condições para que a criança possa ser acolhida, depois de uma experiência que normalmente é traumática», disse.
«O que interessa à Igreja é reforçar a instituição da família e a protecção da parte mais vulnerável, que são as crianças», prosseguiu.
fonte: Agência Zenit

«In Família» alerta deputados sobre casamento homossexual

A associação a “In Família” escreveu aos deputados eleitos nos círculos de Braga e Viana, no sentido de os sensibilizar para a defesa dos valores da família e para os responsabilizar pela posição que tomarem sobre a legalização do casamento de homossexuais perante a população que os elegeu.
Na sua carta, a “In Família” sublinha que «estará particularmente atenta» às posições que os deputados em causa irão assumir no debate na Assembleia da República e subsequente votação e às razões das mesmas. Além disso, «não deixará de, em tempo oportuno, dar a conhecer aos cidadãos do Minho o modo como os seus deputados agiram, nesta como noutras matérias da mesma índole», avisa a associação. (ler mais)

8 de outubro de 2008

Casamento homossexual

A espécie humana é gonocórica, ou seja, tem uma forma corporal masculina e outra forma corporal feminina. Como em muitas outras espécies animais. As diferenças entre estas formas corporais dependem da diferente função dos órgãos, para que possa haver fecundação da forma feminina pela masculina. Os corpos dos seres humanos estão constituídos como corpos sexualizados. Portanto, em termos estritamente biológicos, o dimorfismo sexual está ordenado para a procriação. E este dado biológico não pode ser esquecido ou escamoteado, na ponderação da relação sexual entre corpos da mesma natureza sexual, ou seja, entre corpos masculinos entre si e corpos femininos igualmente entre si. Biologicamente estas relações corporais não têm sentido, porque não podem ser nunca procriadoras. (ler mais)

por Daniel Serrão

6 de outubro de 2008

Casamento "gay" e império galáctico

Hoje a política segue as regras dramáticas dos filmes de aventuras. Como o nosso tempo cresceu à sombra de 007, Indiana Jones, Star Wars e outras ficções, elas modelaram a nossa sensibilidade. Os exemplos poderiam multiplicar-se, mas a tragicomédia que agora se encena em Portugal à volta da "magna" questão do casamento dos homossexuais parece um caso de antologia.

A história começa com um pequeno punhado de jovens e intrépidos heróis que desafia a instituição vetusta e paralisante, atrevidamente lançando uma provocação. Os espectadores sustêm a respiração perante a audácia, intimamente aplaudindo a bravura. Entretanto, naturalmente, a sociedade gorda, preconceituosa e estúpida, guincha de horror face à justa proposta. A decisão, porém, será tomada nos cumes irrespiráveis do poder, onde os heróis não podem entrar, apesar de aí possuírem simpatias. O supremo líder, que no fundo é boa pessoa, até concorda com a causa nobre. Ele sabe que o futuro pertence aos revolucionários e que a sociedade apodrecida vai morrer. Mas para já tem de ceder aos intrincados equilíbrios e acaba por adiar o confronto para a próxima legislatura. Desta vez a justiça foi sufocada mas não percam o segundo episódio. (ler mais)


João César das Neves
in Diário de Notícias, 2008/10/06

1 de outubro de 2008

Mentalizar os fiéis para a importância do casamento

Quem casa pela Igreja tem de perceber muito bem o significado do matrimónio, defende um especialista em direito eclesiástico, a propósito da nova lei do divórcio em Portugal.

Alejandro Torres Gutierrez, especialista em direito eclesiástico da Universidade de Navarra, é da opinião de que a Igreja Católica deve fazer sobre esta matéria uma ampla reflexão crítica, numa altura em que tanto se fala do divórcio, por causa da nova lei.
Para Gutierrez, é preciso distinguir entre as leis do Estado e a lei da Igreja: “Se os fiéis são consequentes com as suas crenças, então sabem que quando estão a contrair um matrimónio canónico, contraem um compromisso que vai ser indissolúvel. É importante sensibilizar os fiéis, para que saibam os compromissos que estão a assumir.”
Uma maior responsabilização por parte dos fiéis tornaria as leis de divórcio inconsequentes: “O Estado pode legislar o que quiser, mas se os fiéis, quando contraem o matrimónio, assumem o compromisso da indissolubilidade, existir ou não uma lei do divórcio seria uma questão que não teria, em princípio, consequências. É um problema de saber qual é a atitude dos fiéis, e é preciso fazer uma reflexão crítica sobre isso, porque quando se contrai o matrimónio canónico, na maior parte das vezes, estamos diante de um acto meramente social, talvez se deva exigir uma preparação ainda maior para as pessoas acederam ao matrimónio canónico”, defende este professor.

FA/João Santos Duarte
in RR

29 de setembro de 2008

Guarda lembrou legado de D. João de Oliveira Matos e Mons. Joaquim Alves Brás

Conclusões

Nos dias 26 e 27 de Setembro, no Centro Apostólico D. João de Oliveira Matos, na Guarda, reuniram-se duas centenas e meia de cristãos (Sacerdotes, agentes de Pastoral e membros da Liga dos Servos de Jesus e da Família Blasiana) para reflectirem sobre a actualidade dos Servos de Deus, D. João de Oliveira Matos e Mons. Joaquim Alves Brás, e delinear os principais desafios pastorais que dos respectivos carismas se colocam à Igreja Diocesana e às comunidades cristãs. As reuniões de grupo reflectiram e tiraram as seguintes conclusões:

1. Santidade/Baptismo

A vocação à santidade ocupou na vida os Servos de Deus o primeiro lugar na sua vida pessoal e nas Obras por eles fundadas. Quanto a nós, a santidade, a nível comunitário deve promover uma vida de comunhão com Deus mais intensa e, a nível individual, a santidade consiste em viver na graça de Deus, fazendo a Sua vontade e pelo amor ao próximo.
Os Servos de Deus são para nós modelos de oração, escuta da Palavra, humildade e serviço aos mais pobres. Ser santo é fazer do ordinário o extraordinário.

2. Missão dos leigos na Igreja

As paróquias não têm a devida preocupação com a formação cristã dos leigos. Há a preocupação com a iniciação cristã das crianças e, em algumas paróquias, aposta-se na formação cristã dos adultos.
A crise de fé que hoje atravessa a Igreja tem também ter o seu fundamento na falta de formação dos leigos.
É, pois, necessário formar os leigos para, em conjunto com os párocos, assumirem a missão da Igreja. Para isso, é muito importante existirem planos de formação para leigos a nível arciprestal e paroquial. É a hora dos leigos assumirem o seu Baptismo, de se envolverem na vida das suas comunidades e de tomarem iniciativas nos vários campos de apostolado.

3. Eucaristia

Os Servos de Deus colocaram a Eucaristia no centro das suas vidas e das suas Obras. Este parece-nos ser o maior desafio colocado hoje às nossas comunidades cristãs.
Apesar de termos dado passos muito positivos na formação litúrgica, nota-se ainda a falta de uma formação de base em muitos cristãos sobre o valor da Eucaristia. Torna-se necessário, por isso, uma preparação cuidada da Eucaristia dominical. Deve-se dar uma atenção especial à participação das crianças e dos jovens na Eucaristia. Ao mesmo tempo que formamos as crianças da catequese, devemos também ajudar os pais a participarem mais conscientemente na Missa do Domingo.

4. Virtudes humanas e cristãs

Para superarmos o divórcio entre a fé e a vida, um dos maiores dramas do nosso tempo, devemos inspirar-nos na vida dos Servos de Deus. Eles souberam unir a contemplação e a acção através de um amor intenso aos mais necessitados, vendo neles o próprio Deus. Foram homens de uma grande humanidade manifestada nas virtudes da caridade, da humildade, amor à verdade, da simplicidade e de uma entrega sem reservas a Deus e ao próximo. Para eles o amor a Deus era inseparável do amor ao próximo.

5. Sentir com a Igreja

Sentir com a Igreja é viver numa comunhão intensa com os seus pastores, ajudar a mesma Igreja a renovar-se, a converter o negativo em positivo, a ter a consciência de que a Igreja é a casa comum de todos os baptizados.
Para isso, exige-se disponibilidade na missão da Igreja, ser testemunha de Cristo, viver com simplicidade, empenharmo-nos na vida das paróquias, mostrar que nos amamos à maneira dos primeiros cristãos. O serviço aos mais necessitados (pobres e doentes) deve caracterizar a vida das comunidades cristãs.
Nesta consciência de sermos Igreja não devemos esquecer os que não acreditam ou se afastaram da vida cristã. Eles interpelam-nos a intensificar o nosso testemunho cristão e a descobrirmos caminhos novos de evangelização.

6. Família

Constatamos na nossa sociedade uma mentalidade cada vez mais hostil à família, tal como a entendemos e como a Igreja a defende: “comunidade de vida e de amor”.
É necessário remar contra a corrente através da formação dos noivos e do apoio aos jovens casais. Sentimos as dificuldades das famílias de hoje (emprego, casa própria, educação dos filhos...) e pensamos que as nossas paróquias e demais instituições têm ainda muito a fazer na pastoral familiar.
A família deve ser um dos campos prioritários da nossa acção pastoral. Nela devemos investir os melhores recursos, porque a família está presente em todos os âmbitos da vida da sociedade e da Igreja.

7. Os retiros

Foi unânime a opinião de que os retiros são momentos fortes de encontro com Deus, connosco e com os outros. Os retiros devem ocupar na nossa vida, tal como em D. João e Mons. Brás, um lugar central. Os retiros são momentos de formação, de revisão de vida e de discernimento vocacional, quer em ordem à consagração quer em ordem ao matrimónio. Devíamos intensificar na nossa pastoral os retiros a todo o povo de Deus. Os retiros são um meio eficaz de apostolado e de aprofundamento do mistério de Deus e do homem.

8. Vocações de Consagração

O melhor meio de promoção vocacional é o testemunho alegre e generoso de uma vida entregue ao serviço de Deus. Devemos ajudar as famílias a apreciarem e ajudarem a crescer as vocações de consagração nascidas no seu seio. A catequese das crianças e, sobretudo, a dos jovens, são momentos muito importantes para este despertar vocacional.
A valorização do ministério sacerdotal passa por ver nos sacerdotes “outro Cristo”, colaborarmos com eles nas várias iniciativas de apostolado, rezarmos por eles e reconhecer que o sacerdócio ministerial é constitutivo da missão da Igreja.
O testemunho de entrega e abnegação dos sacerdotes é fundamental para um despertar vocacional nas comunidades cristãs. Eles próprios são, pela sua vida e pela sua palavra, agentes privilegiados desta nova cultura vocacional que é necessário intensificar na vida da Igreja.

9. Catequese e Apostolado

A Palavra de Deus deve ocupar o primeiro lugar na iniciação cristã. A formação a todos os níveis é uma urgência do nosso tempo. A formação supõe, antes de mais, uma vida coerente com o Evangelho e a necessidade de promovermos os mais variados itinerários formativos para todas a idades. Ser apóstolo é constitutivo da vida cristã.
A vida cristã nas paróquias, na formação e na prática da fé, precisa, cada vez mais, do contributo da vida consagrada e dos movimentos laicais, através de uma colaboração recíproca.
Os campos prioritários na vida de apostolado são a família e os jovens.

22 de setembro de 2008

Actualidade de D. João Oliveira Matos e Monsenhor Alves Brás - Guarda

in O Jornal - Guarda
“Actualidade de D. João de Oliveira Matos e Monsenhor Joaquim Alves Brás” é o tema das Jornadas Diocesanas da Pastoral, marcadas para 26 e 27 de Setembro, no Centro Apostólico, na Guarda. O evento pretende mostrar a actualidade da mensagem de D. João Oliveira Matos e Monsenhor Joaquim Alves Brás e apontar desafios pastorais que dos respectivos carismas se colocam à Igreja Diocesana e às comunidades cristãs. Programa começa, no dia 26, às 9.30 horas, com o acolhimento e oração de Laudes. A sessão de abertura está anunciada para as 10.30 horas, com a presença do Bispo da Guarda, D. Manuel Felício, e as Coordenadoras do Instituto Secular das Cooperadoras da Família e da Liga dos Servos de Jesus. Às 11.30 horas, Mons. Arnaldo Pinto Cardoso, Postulador da causa, abordará o tema “vocação à santidade nos Servos de Deus”. Ao início da tarde, pelas 14.30 horas, Victor Feytor Pinto falará sobre “Perfil espiritual de Monsenhor Joaquim Alves Brás” e, às 15.45 horas, Moiteiro Ramos falará sobre “Perfil Espiritual de D. João de Oliveira Matos”. O primeiro dia termina com a celebração da Missa, na Casa de Santa Zita, às 17.00 horas, e adoração ao santíssimo, na Sé da Guarda, às 21.00 horas.
No segundo dia, os trabalhos começam às 9.30 horas, com a oração de Laudes. Às 10.00, Manuel Geada Pinto, Deolinda Machado e Manuel Luís Santos, vão apresentar testemunhos sobre D. João Oliveira Matos e Monsenhor Joaquim Alves Brás. A partir das 11.30 horas, haverá trabalho de grupos sobre escritos e obras dos dois Servos de Deus.
As jornadas terminam com a celebração da missa, às 16.30 horas, no Outeiro de São Miguel.

16 de setembro de 2008

Como evangelizar os meus filhos?

Para ver texto relacionado do mesmo autor clique aqui
por Felipe Aquino

Antes de dizer a seu filho "Jesus ama-te", diga-lhe: "eu amo-te".

A Igreja ensina que os primeiros catequistas são os pais. É no colo deles que toda a criança deve aprender a conhecer Deus, aprender a rezar e dar os primeiros passos na fé; conhecer os Mandamentos e os Sacramentos.
Os pais são educadores naturais, e os filhos assimilam os seus ensinamentos sem restrições. Será difícil levar alguém para Deus, se isto não for feito, em primeiro lugar, pelos pais. É com o pai e a mãe que a criança tem que ouvir em primeiro lugar o nome de Jesus Cristo, sua vida, seus milagres, seu amor por nós, sua divindade, sua doutrina… Eles são os responsáveis a dar-lhes o Baptismo, a Primeira Comunhão, a Crisma e a catequese.
Quando fala aos pais sobre a educação dos filhos, São Paulo recomenda: “Pais, não exaspereis os vossos filhos. Pelo contrário, criai-os na educação e na doutrina do Senhor” (Ef 6, 4). Aqui está uma orientação muito segura para os pais. Sem a “doutrina do Senhor”, não será possível educar. Dom Bosco, grande “pai e mestre da juventude”, ensinava que não é possível educar sem a religião. Seu método seguro de educar estava na trilogia: amor - estudo - religião.
Nunca esqueci o Terço que aprendi a rezar aos cinco anos de idade, no colo da minha mãe. Pobre filho que não tiver uma mãe que lhe ensine a rezar! Passei a vida toda a estudar, cheguei ao doutorado e pós-doutorado em Física, e nunca consegui esquecer a fé que herdei de meus pais; é a melhor herança que deles recebi. Não é verdade que a ciência e a fé são antagónicas; essa luta só existe no coração do cientista que não foi educado na fé, desde o berço.
Os pais não devem apenas mandar os seus filhos à igreja, mas, devem levá-los. É vendo o pai e a mãe se ajoelharem, que um filho se torna religioso, mais do que ouvindo muitos sermões. A melhor maneira de educar, também na fé, é pelo exemplo. Se os pais rezam, os filhos aprendem a rezar; se os pais vivem conforme a lei de Deus, os filhos também vão viver assim, e isto se desdobra em outros exemplos. Os pais precisam rezar com os filhos desde pequenos, cultivar em casa um lar católico, com imagens de santos num oratório, o crucifixo nas paredes, etc.; tudo isso vai educando os filhos na fé. Alguém disse um dia, que “quando Deus tem seu altar no coração da mãe, a casa toda se transforma num templo.”
Não leve apenas o seu filho à Igreja, mas ensine-o a rezar; leve-o ao grupo de oração, aos Encontros da fé, leia com ele a Bíblia e explique-lhe, etc. Tudo isso vai moldando a sua fé.
Um aspecto importante da educação religiosa de nossos filhos está ligado com a escola. Infelizmente hoje se ensina muita coisa errada em termos de moral nas escolas; então, os pais precisam saber e fiscalizar o que seus filhos aprendem ali. Infelizmente hoje o Governo está a colocar até máquinas para distribuir “preservativos”[1] nas escolas. Os filhos precisam de receber em casa uma orientação muito séria sobre a péssima “educação sexual” que hoje é dada em muitas escolas, afim de que não aprendam uma moral anti-cristã. Outro cuidado que os pais precisam ter é com a televisão; saber seleccionar os programas que os filhos podem ver, sem violência, sem sexo, sem massificação de consumo, etc. Hoje temos boas tvs religiosas. A televisão tem o seu lado bom e o seu lado mau. Cabe a nós saber usá-la. Uma criança pode ficar até cerca de 700 horas por ano na frente de uma televisão ligada. Mais uma vez aqui, é a família que será a única guardiã da liberdade e da boa formação da criança. Os pais precisam saber criar programas alternativos para tirar as crianças da frente da TV; brinquedos, jogos, histórias, etc. Da mesma forma a internet; os pais não podem descuidar dela.
Mas, para levar os filhos para Deus é preciso também saber conquista-los. O que quer dizer isso? Dar a eles tudo o que querem, a roupa da moda, a camisa de marca, o ténis caro…? Não, conquista o seu filho com aquilo que é para o seu filho, não com aquilo que lhe dá. Conquista-o dando-se a ele; dando o seu tempo, o seu carinho, a sua atenção, ajudando-o sempre que ele precisar. Saint Exupéry disse no Principezinho: “Foi o tempo que gastaste com a tua rosa que fez ela ser tão importante para ti”.
Diante de um mundo tão adverso, que quer arrancar os filhos de nossas mãos, temos de conquistá-los por aquilo que “somos” para eles. É preciso que o filho tenha orgulho de seus pais. Assim será fácil levá-lo para Deus. Muitos filhos não seguem os pais até a Igreja porque não foram conquistados pelos pais.
Conquistar o filho é respeitá-lo; é não o ofender com palavras pesadas e humilhantes quando o corrige; é ser amigo dos seus amigos; é saber acolhe-los em sua casa; é fazer programas com ele, é ser amigo dele.
Enfim, antes de dizer ao seu filho “Jesus ama-te”, diga-lhe: “eu amo-te".

[1] O autor refere-se à realidade do seu país, que é o Brasil, embora não seja muito diferente da nossa.

10 de setembro de 2008

Quatro actores em busca de sentido

in H2O News - 9/9/08

O que significa para um actor que crê trabalhar no mundo do espectáculo nos nossos dias? Alguns actores e actrizes comentam as experiências que marcaram suas vidas: O cinema foi para eles ocasião de crescimento pessoal: “O cinema, por ser um meio de comunicação que alcança um grande de parte corações tem o grande dom e privilégio de comunicar com tantas pessoas...e de fazer reflectir e pensar em temas da vida pessoal. O cinema como meio artístico é uma grande forma de arte que tem o privilégio de poder informar e num certo sentido abrir os corações e os olhos das pessoas”. “Fazer um cinema diferente que cancele a imagem negativa dos latinos que Hollywood se empenha em perpetuar desde os anos 40 até os dias de hoje. Nasce a ideia de criar uma produtora de cinema, chamada Metanoiafilms, com a missão de produzir filmes que tenham o potencial não somente de entreter o público mas também de fazer diferença na nossa sociedade elevando, sanando e respeitando a dignidade do ser humano, filmes que toquem, o coração do público e que elevem o intelecto da audiência em direcção do bom, do belo, do verdadeiro, do excelente". "Nós estamos simplesmente nas mãos de uma ideia que está acima de nós mesmos. Somos pequenas formigas, que estamos ao serviço de algo, espacialmente o estivemos no filme a Paixão de Cristo e estamos todos os dias". “Não ter medo de ser você mesmo, de encontrar um modo pessoal de actuar, e não de acordo com os modelos pré-fixados, mas sim fazer uma viagem ao interior. E quando se é autêntico na busca de si mesmo, não se pode não buscar também a Deus”.

8 de setembro de 2008

Amanhã


Por Armindo Monteiro

Quando os gémeos, ainda do meu sangue, com pouco mais de um mês de vida, se tocam já com os seus pequenos dedos, como que a afirmarem no exterior do ventre materno, a cumplicidade de quando viviam no seu interior, numa manifestação de inocente e contagiante harmonia, interrogo-me seriamente sobre o seu futuro.

Será que o mundo que terão de enfrentar ainda será mais injusto e odioso, anárquico e egoísta do que o actual?

Por exemplo será possível, como na cidade de Coimbra, há poucos dias, encontrar na Rua Paulo Quintela, em pleno dia, um carro de compras subtraído de uma grande superfície, a ocupar boa parte da faixa de rodagem, a obstruir parcialmente o trânsito e a criar perigo, numa manifestação de impunidade instalada, sustentada, defendida e muito propalada entre jovens.

Será, pergunto-me, em nome de uma civilização podre, que já vão ver consagrado na lei, a junção de pessoas do mesmo sexo, ditas homossexuais, como casamento e pior do que isso ratificada por um povo em nome do “progresso da civilização”, à semelhança de regras sobre o divórcio, dele facilitistas e que repousam naquela ideia de “progresso“, apesar da sua total inconciliabilidade com ele?

Será que vão encontrar um país ainda mais dependente do exterior, sem factores de produção, porque lhe disseram alto e bom som que não valia trabalhar os campos, explorar os mares e lhe acenaram com muitos fundos mal empregues?

Será que terão de emigrar como o fizeram os seus antepassados ao longo da história, em busca da sua sobrevivência, como já o fazem alguns dos jovens de hoje, alguns a adoecerem pelo continente africano, vítimas da malária?

Será que para conseguirem um meio de sobrevivência de nada lhes vale a formação humana se conseguirem alcançá-la, desde logo por iniciativa da sua família?

Será que a família onde vivem, ante as inúmeras dificuldades que se lhe depara, vai perdurar por largo tempo?

Será que continuará a sua degradação moral pelo incentivo à morte por aborto, à vinculação e desvinculação livres entre as pessoas, onde tudo o que representa compromisso está ultrapassado, não justifica transigência e o sacrifício sem qualquer fundamento?

Será que a relativa harmonia do sistema ecológico lhes vai trazer surpresas vitais, pela falta de água, ar respirável, alimentos, contenção dos mares adentro dos seus limites, de Quem os fez?

Será que, em liberdade, lhes vão falar de Deus?

E da criação, por Ele, do Universo, do equilíbrio cósmico, das estrelas, da luz solar e do brilho da lua.

Será que o amor, enquanto afecto consciente, generoso, criador da vida e do progresso ainda será preconizado, ou tudo não passará de uma aproximação animalesca, a termo certo, sem consequências responsabilizantes?

Será que na terra pequena onde nasceram se instalará quem faça mais feliz o seu povo, combata a indignidade, o oportunismo, ataque a pobreza e deixe de pagar para maldizer?

Será que os seus concidadãos apreciarão mais a justiça, a equidade, a verdade e a tolerância?

Para os gémeos eu não quereria uma visão apocalíptica do mundo e do país que os viu nascer.

Mas se não se arrepiar caminho, se não se cultivar o respeito pela pessoa humana, se não se lhe impuserem sérios limites aos seus mais primários instintos, se não se combater a irresponsabilidade, se as fontes de rendimentos públicos não forem disciplinadas, se o intuito do lucro esmagar o ser humano, se o interesse público não se sobrepuser ao particular, naturalmente que os gémeos, a contragosto meu, vão ser muito infelizes.

E a melhor solução para as suas vidas, chegada a hora, estará em abandonar o país em busca de novos rumos, novas paragens, de melhor gente.

Estou bem ciente de que a geração pós-guerra muito do que podia e devia, não podia e não devia, deu aos seus filhos, já tenho porém sérias reservas se nos excessos materiais cometidos, de que só recebeu ingratidão, conseguiu legar-lhes valores morais.

A geração do pós-guerra afundou-se no hedonismo, na vaidade, na concorrência, no materialismo, de modo que os netos de hoje partem para o mundo sem esteios morais, por cuja falta os adultos de hoje, correm riscos de se tornarem devedores falidos, à História.

No Lake Louise lá para os lados das Montanhas Rochosas no Canadá, por entre os caminhos que o serpenteavam, não encontram entre os bancos sem conta, um nome inscrito, um risco na madeira ou um coração trespassado por uma seta. Esta é já uma diferença…!

4 de setembro de 2008

Matrimónio a sério

Na mensagem que enviou à Assembleia quando vetou a lei do divórcio, o Presidente da República afirmou que o decreto «introduz uma alteração muito profunda no regime jurídico do divórcio actualmente vigente em Portugal e contém um conjunto de disposições que poderão ter, no plano prático, consequências que, pela sua gravidade, justificam uma nova ponderação». O Presidente tem razão, mas só ele parece preocupado com isso.

A lei do divórcio foi aprovada no Parlamento num ápice, sem grande interesse ou debate, perante apatia generalizada nos jornais, políticos e sociedade. Ninguém se preocupou com ela, nem dentro nem fora da Assembleia, nem então nem agora que a lei está vetada. Haveria muito mais comoção se as mudanças tivessem sido nos contratos de trabalho, arrendamento ou até no trânsito. Será que a família hoje não interessa a ninguém?

Não. O interesse pela família é o mesmo de sempre. O que acontece é algo muito diferente. Durante séculos o matrimónio era uma questão religiosa e o único casamento que existia era católico. Diante de Deus e da Igreja os esposos prometiam verdadeira fidelidade. Aí era a sério.

O casamento civil foi criado por Mouzinho da Silveira em 1834, mas só funcionou após 1911 com Afonso Costa.

Hoje, passado menos de um século, é o próprio Estado a desqualificar essa sua instituição. Se esta lei passar ficará mais fácil trocar de esposo que de contador da água. Afinal, o casamento civil é descartável. Estamos a voltar à situação normal de sempre: apenas o matrimónio religioso tem algum significado.

João César das Neves, in Destak de 04-09-2008

3 de setembro de 2008

A criança vê, a criança faz



Provavelmente este vídeo já é bem mais que conhecido entre vós.
Tem circulado de e-mail para e-mail e, espero eu, sensibilizado e alertado para o grande problema que é a educação dada aos nossos filhos, hoje.
Porque digo isto? Especialistas ligados à psicologia e não só dizem-nos que as crianças captam mais depressa tudo o que fazemos, todos os nossos gestos, todas as nossas atitudes e comportamentos, do que propriamente lhes é dito directamente. Se os pais discutem, se batem um no outro, se têm vícios, se ás vezes na infelicidade de uma palavra mal dita que se dá naquelas conversas entre adultos sem terem a preocupação de retirarem as crianças, enfim, podíamos enumerar muitas e muitas coisas que no dia a dia fazemos e dizemos sem termos consciência das consequências, é isso que eles memorizam, porque é isso que lhes marca.
A educação dos nossos filhos, da nossa futura sociedade, está nestas pequenas-grandes coisas.
A personalidade de cada um constrói-se com a ajuda ou não destas pequenas-grandes coisas.
Os problemas psicológicos que se manifestam na sua fase adulta quando têm de encarar grandes responsabilidades podem ter origem nestas pequenas-grandes coisas.
Por isso, em vez de pensarmos nas coisas boas que os nossos filhos podem ter, pensemos nos bons pais, nos bons exemplos, nos bons testemunhos de vida que podemos ser para eles.

Maria Matos

A mudança na Igreja

Por Octávio Gil Morgadinho

No mundo que muda, a Igreja é desafiada à mudança para ser fiel intérprete da mensagem que tem para comunicar à humanidade.
A história do mundo ocidental, nos dois milénios de existência do cristianismo, é também a história da Igreja que, transmitindo o seu património espiritual, esteve aberta à mudança em diálogo com o mundo, com as várias sociedades e culturas com que confrontou. A evolução social e cultural da Europa está ligada à acção da Igreja que, ao comunicar a sua doutrina e valores, congregou e civilizou povos, assimilou a cultura greco-romana e criou instituições que desenvolveram o pensamento e a investigação e formaram as elites culturais. Durante muitos séculos, a Igreja identificou-se com a sociedade e a sociedade reviu-se nos valores por ela proclamados.
A partir do Renascimento, com as revoluções científica, tecnológica e industrial, e os movimentos filosóficos, culturais, políticos e sociais inspirados nas “Luzes”, a mudança na sociedade acelerou e pôs em causa a identificação da Igreja e seus valores com a sociedade e a cultura moderna. A reacção da Igreja nem sempre adequada, assumiu estratégias defensivas e de afrontamento que lhe criaram a imagem de refractária ao progresso e a identificaram com a velha cultura e ordem social estabelecida. O mundo e a própria Igreja esqueciam que muitos dos valores da sociedade moderna mergulham a sua raiz no solo cristão e dele se autonomizaram em versão humanista laica: a dignidade da pessoa, a igualdade dos seres humanos, a liberdade, a solidariedade, o domínio da natureza, a distinção entre sagrado e profano, temporal e religioso, Igreja e Estado.
Muita da mudança na Igreja contemporânea desenvolveu-se discretamente, por vezes, à margem da hierarquia e das suas estruturas de poder e até por ela hostilizada. O diálogo com o mundo moderno processou-se, por tentativas e erros, à procura do equilíbrio entre a colagem ao “espírito do mundo” como se tudo na Igreja fosse mensurável pelos novos critérios de verdade e o imobilismo dogmático que confunde a verdade e a prática cristã com muitas das suas expressões ligadas a quadros mentais e institucionais superados. Muitos católicos intelectuais e homens de acção, leigos e clérigos, fiéis ao espírito do evangelho comprometeram-se na realidade social e cultural e mostraram que a Igreja acolhe muitos dos reptos do mundo moderno e tem muito a dizer-lhe. É preciso encontrar os meios de comunicação e a linguagem adequada, desafiar preconceitos e também o imobilismo de uns e a precipitação de outros.
A Acção Católica inspirou movimentos de jovens, mobilizou homens e mulheres de todas as condições para a intervenção social, política e cultural. A doutrina social da Igreja actualizada com o contributo dessas experiências, inspirou muitas das reformas do pós-guerra – líderes políticos de inspiração cristã estiveram no início da Comunidade Europeia - e alertou para os novos problemas da paz e da justiça no mundo em processo de globalização. Em Portugal, foi apreciável a contribuição da Acção Católica para a formação social e política de muitos dos quadros dos movimentos sindicais e partidários que se manifestaram depois do 25 de Abril.
O Concílio Vaticano veio catalisar os movimentos de pensamento e reflexão teológica e bíblica, de renovação litúrgica e espiritualidade entretanto surgidos na Igreja. O debate abriu os horizontes da Igreja a uma escala planetária, e levou ao aprofundamento da sua natureza e missão no mundo e para o mundo. A Igreja perspectivada como Povo de Deus, a evolução da colegia-lidade episcopal e do primado romano para uma maior descentralização do governo e acção da Igreja, o reforço do papel e da intervenção dos leigos, a participação dos fiéis e os novos ministérios na liturgia, a efectiva abertura do diálogo ecuménico, as tentativas de acção humanitária comum entre religiões, a crescente atenção da Igreja às questões da paz e da justiça sobretudo aos direitos dos mais fracos foram sinais de mudança na Igreja pós-conciliar. Alguns criticam os abusos, outros o que está por fazer, outros quereriam uma Igreja a evoluir ao sabor da agenda mediática ou dos novos costumes, das “exigências da cultura secularizada”.
Estão por cumprir muitas das promessas do Concílio referentes à renovação da Igreja. Renovação no seu interior, no sentido da autenticidade, da vivência do seu mistério, da fidelidade ao Evangelho. É preciso passar do “iletrismo” ao esclarecimento religioso, do conformismo à convicção, à coerência entre fé professada e vivida, da passividade à participação e ao testemunho, do clericalismo à cooperação de clérigos e leigos na organização das comunidades cristãs e da Igreja. Muitos dos “praticantes” ignoram os fundamentos da fé e as suas exigências éticas, o sentido das práticas e dos símbolos cristãos. A evangelização, a proclamação da Palavra, deve ter prioridade sobre a “sacramentalização”. A celebração deve comandar a animação litúrgica para ser expressão duma estética da fé, experiência sensível do encontro sobrenatural com Deus e com os irmãos. A liturgia deve desembocar no exercício da caridade, na animação das realidades terrestres, no exercício pleno da cidadania, deve trazer para a praça pública a dimensão social aos valores cristãos.
Na Igreja a organização está ao serviço da comunhão. Por isso a Igreja tem de reconhecer os carismas e dar lugar à liberdade e ao debate nas questões práticas de concretização da fé e de presença no mundo. Muito há a fazer para “desclericalizar” a Igreja, para respeitar a autonomia, colaboração e corresponsabilidade de padres, religiosos e leigos, para renovar a espiritualidade, para dar prioridade à ética sobre a moral, ao espírito sobre a lei. A presença da Igreja na sociedade, a sua influência no Estado, não se faz em termos de poder, de actuação política da hierarquia, mas através da acção dos cidadãos católicos, com os riscos e a contingência das opções políticas no livre jogo democrático. “A Hierarquia respeita a pluralidade de opções partidárias por parte dos católicos. Deve entretanto ajudá-los a formar a sua consciência cívica e a visão dos problemas da sociedade em chave cristã. Também aqui o caminho da Igreja é a evangelização, em ordem a uma visão de todas as coisas iluminada pela fé. A Hierarquia não deve intervir no processo democrático com os métodos do confronto. Os católicos sim, esses podem e devem fazê-lo.” ( D. José Policarpo, “A Igreja no tempo e em cada tempo”).

29 de agosto de 2008

A esperança

Costumamos chegar a muitas conclusões e eu cheguei à minha: Tudo se pode, tudo se consegue. Nada é impossível até que nos provem o contrário. A tristeza invade-nos muitas vezes e ficamos sem saber para onde nos virarmos. Sentimos que navegamos num barco sem rumo.
Costumamos pensar “Porque é que Deus nos impõe tantas provações?”, mas nada é por acaso, Ele sabe o que faz e sabe aquilo que quer de nós. Só Ele pode mudar o destino, e nós, apenas, escolhemos o caminho que queremos seguir.
Quando nos deixamos ir a baixo com a dureza das provações e quando achamos que nada faz sentido, quando pensamos que a nossa vida não tem rumo, não tem volta a dar, quando achamos que a morte é a melhor solução, pois estamos fartos de tudo e do sofrimento, Ele está lá.
Quantas vezes damos connosco a chamar pelo Seu nome em horas de aflição. Mas porquê? Porque no fundo sabemos que é Ele quem nos dá força, quem nos dá a mão quando mais ninguém a dá.
Se nos consideramos católicos não O julguemos como outros o fizeram e fazem. Se somos católicos e com fé é porque acreditamos na salvação, no amor e na vida eterna a Seu lado.
Por isso, acho que, animados por essa força e espírito de fé no Senhor, devemos meditar sobre a nossa vida, sobre aquilo que realmente queremos, abrindo-nos à acção do Espírito Santo, para que possamos lutar por aquilo que queremos, mesmo que isso implique passar por muitas dificuldades. Ele ajuda-nos sempre, porque nos Ama!

Mariana de Oliveira

22 de agosto de 2008

Segmentos

Na ideia de segmento, está implícita uma ruptura de continuidade. Face a um segmento o discurso da memória e do projecto não existe.
Nos últimos tempos, algumas das leis adoptadas, politicamente, mesmo sendo boas em si, dão, precisamente, a ideia de fragmentos. Aparecem em ruptura com os valores anteriores, mas também não reflectem ideais futuros. O teor dos seus conteúdos, rossam o vazio ético, exaltam o individualismo, o relativismo e a cultura da morte, a olho nu.
Primeiro, aprova-se a dis-criminalização da prática do aborto; agora obriga-se à alteração do código deontológico dos médicos, que no famoso art. 47 dizia que o médico "deve guardar respeito pela vida humana" e que a prática do aborto e da eutanásia, são "falta grave". Recentemente a aprovação, pelo parlamento, das alterações à "lei do divórcio que põe fim ao conceito de divórcio litigioso com a noção de violação culposa dos deveres conjugais".
E para cúmulo, o Decreto-Lei nº 105/2008 que cria os subsídios sociais de maternidade, paternidade e adopção, mas atribui subsídio social de maternidade a quem interrompe voluntariamente a gravidez nos termos da recente alteração introduzida pelo referendo de 2007.
Talvez queiramos construir, uma sociedade onde tudo serve, elevando a norma o comportamento de cada um. Uma perfeita anarquia, uma sociedade sem memória e sem projecto. O envelhecimento da sociedade, a miserável natalidade, o fácil divórcio e suas negativas consequências pessoais e sociais, deveriam interpelar mais seriamente o tipo de políticas a seguir.
Nos últimos dias, foi aprovada a resolução de considerar "a pobreza", pelo Estado português, como uma violação de direitos humanos... Injustiças constantes atropelam, os direitos humanos dos cidadãos. O fosso entre ricos e pobres não pára de aumentar... Oxalá que não seja apenas mais uma figura de estilo, que a nível de princípios, nos situa bem perante outros países.

Conceição Vieira

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