
Por Armindo Monteiro
Quando os gémeos, ainda do meu sangue, com pouco mais de um mês de vida, se tocam já com os seus pequenos dedos, como que a afirmarem no exterior do ventre materno, a cumplicidade de quando viviam no seu interior, numa manifestação de inocente e contagiante harmonia, interrogo-me seriamente sobre o seu futuro.
Será que o mundo que terão de enfrentar ainda será mais injusto e odioso, anárquico e egoísta do que o actual?
Por exemplo será possível, como na cidade de Coimbra, há poucos dias, encontrar na Rua Paulo Quintela, em pleno dia, um carro de compras subtraído de uma grande superfície, a ocupar boa parte da faixa de rodagem, a obstruir parcialmente o trânsito e a criar perigo, numa manifestação de impunidade instalada, sustentada, defendida e muito propalada entre jovens.
Será, pergunto-me, em nome de uma civilização podre, que já vão ver consagrado na lei, a junção de pessoas do mesmo sexo, ditas homossexuais, como casamento e pior do que isso ratificada por um povo em nome do “progresso da civilização”, à semelhança de regras sobre o divórcio, dele facilitistas e que repousam naquela ideia de “progresso“, apesar da sua total inconciliabilidade com ele?
Será que vão encontrar um país ainda mais dependente do exterior, sem factores de produção, porque lhe disseram alto e bom som que não valia trabalhar os campos, explorar os mares e lhe acenaram com muitos fundos mal empregues?
Será que terão de emigrar como o fizeram os seus antepassados ao longo da história, em busca da sua sobrevivência, como já o fazem alguns dos jovens de hoje, alguns a adoecerem pelo continente africano, vítimas da malária?
Será que para conseguirem um meio de sobrevivência de nada lhes vale a formação humana se conseguirem alcançá-la, desde logo por iniciativa da sua família?
Será que a família onde vivem, ante as inúmeras dificuldades que se lhe depara, vai perdurar por largo tempo?
Será que continuará a sua degradação moral pelo incentivo à morte por aborto, à vinculação e desvinculação livres entre as pessoas, onde tudo o que representa compromisso está ultrapassado, não justifica transigência e o sacrifício sem qualquer fundamento?
Será que a relativa harmonia do sistema ecológico lhes vai trazer surpresas vitais, pela falta de água, ar respirável, alimentos, contenção dos mares adentro dos seus limites, de Quem os fez?
Será que, em liberdade, lhes vão falar de Deus?
E da criação, por Ele, do Universo, do equilíbrio cósmico, das estrelas, da luz solar e do brilho da lua.
Será que o amor, enquanto afecto consciente, generoso, criador da vida e do progresso ainda será preconizado, ou tudo não passará de uma aproximação animalesca, a termo certo, sem consequências responsabilizantes?
Será que na terra pequena onde nasceram se instalará quem faça mais feliz o seu povo, combata a indignidade, o oportunismo, ataque a pobreza e deixe de pagar para maldizer?
Será que os seus concidadãos apreciarão mais a justiça, a equidade, a verdade e a tolerância?
Para os gémeos eu não quereria uma visão apocalíptica do mundo e do país que os viu nascer.
Mas se não se arrepiar caminho, se não se cultivar o respeito pela pessoa humana, se não se lhe impuserem sérios limites aos seus mais primários instintos, se não se combater a irresponsabilidade, se as fontes de rendimentos públicos não forem disciplinadas, se o intuito do lucro esmagar o ser humano, se o interesse público não se sobrepuser ao particular, naturalmente que os gémeos, a contragosto meu, vão ser muito infelizes.
E a melhor solução para as suas vidas, chegada a hora, estará em abandonar o país em busca de novos rumos, novas paragens, de melhor gente.
Estou bem ciente de que a geração pós-guerra muito do que podia e devia, não podia e não devia, deu aos seus filhos, já tenho porém sérias reservas se nos excessos materiais cometidos, de que só recebeu ingratidão, conseguiu legar-lhes valores morais.
A geração do pós-guerra afundou-se no hedonismo, na vaidade, na concorrência, no materialismo, de modo que os netos de hoje partem para o mundo sem esteios morais, por cuja falta os adultos de hoje, correm riscos de se tornarem devedores falidos, à História.
No Lake Louise lá para os lados das Montanhas Rochosas no Canadá, por entre os caminhos que o serpenteavam, não encontram entre os bancos sem conta, um nome inscrito, um risco na madeira ou um coração trespassado por uma seta. Esta é já uma diferença…!