Diário da Assembleia Geral do ISCF

“Tudo o que se fizer a bem da família, por pequeno que seja é grande”. (Mons. Brás)

A Família no centro das atenções

Encontra aqui os vários artigos do Dr. Juan Ambrósio sobre a Família...

Encontro Mundial das Famílias 2015

O Vaticano apresentou dia 24 de março em conferência de imprensa o 7.º Encontro Mundial da Família, que vai decorrer de 22 a 27 de setembro de 2015 na cidade norte-americana de Filadélfia.

A saúde mental dos portugueses

Alguns dedicam-se obsessivamente aos números e às estatísticas esquecendo que a sociedade é feita de pessoas...

O trabalho, dom e direito

A sociedade portuguesa e internacional, vive uma situação de crise generalizada e de aumento das desigualdades sociais...

Longe vão os tempos

Longe vão os tempos dos preconceitos culturais em que se aceitava que era a mãe que tinha de cuidar dos filhos...

Dar esperança em tempo de crise

Vivemos tempos difíceis. A família, como célula base da sociedade, é imediatamente afetada por esta crise generalizada e que promete perdurar. Neste contexto, exige-se um novo paradigma, uma nova forma de estar e de nos relacionarmos.

29 de setembro de 2008

Guarda lembrou legado de D. João de Oliveira Matos e Mons. Joaquim Alves Brás

Conclusões

Nos dias 26 e 27 de Setembro, no Centro Apostólico D. João de Oliveira Matos, na Guarda, reuniram-se duas centenas e meia de cristãos (Sacerdotes, agentes de Pastoral e membros da Liga dos Servos de Jesus e da Família Blasiana) para reflectirem sobre a actualidade dos Servos de Deus, D. João de Oliveira Matos e Mons. Joaquim Alves Brás, e delinear os principais desafios pastorais que dos respectivos carismas se colocam à Igreja Diocesana e às comunidades cristãs. As reuniões de grupo reflectiram e tiraram as seguintes conclusões:

1. Santidade/Baptismo

A vocação à santidade ocupou na vida os Servos de Deus o primeiro lugar na sua vida pessoal e nas Obras por eles fundadas. Quanto a nós, a santidade, a nível comunitário deve promover uma vida de comunhão com Deus mais intensa e, a nível individual, a santidade consiste em viver na graça de Deus, fazendo a Sua vontade e pelo amor ao próximo.
Os Servos de Deus são para nós modelos de oração, escuta da Palavra, humildade e serviço aos mais pobres. Ser santo é fazer do ordinário o extraordinário.

2. Missão dos leigos na Igreja

As paróquias não têm a devida preocupação com a formação cristã dos leigos. Há a preocupação com a iniciação cristã das crianças e, em algumas paróquias, aposta-se na formação cristã dos adultos.
A crise de fé que hoje atravessa a Igreja tem também ter o seu fundamento na falta de formação dos leigos.
É, pois, necessário formar os leigos para, em conjunto com os párocos, assumirem a missão da Igreja. Para isso, é muito importante existirem planos de formação para leigos a nível arciprestal e paroquial. É a hora dos leigos assumirem o seu Baptismo, de se envolverem na vida das suas comunidades e de tomarem iniciativas nos vários campos de apostolado.

3. Eucaristia

Os Servos de Deus colocaram a Eucaristia no centro das suas vidas e das suas Obras. Este parece-nos ser o maior desafio colocado hoje às nossas comunidades cristãs.
Apesar de termos dado passos muito positivos na formação litúrgica, nota-se ainda a falta de uma formação de base em muitos cristãos sobre o valor da Eucaristia. Torna-se necessário, por isso, uma preparação cuidada da Eucaristia dominical. Deve-se dar uma atenção especial à participação das crianças e dos jovens na Eucaristia. Ao mesmo tempo que formamos as crianças da catequese, devemos também ajudar os pais a participarem mais conscientemente na Missa do Domingo.

4. Virtudes humanas e cristãs

Para superarmos o divórcio entre a fé e a vida, um dos maiores dramas do nosso tempo, devemos inspirar-nos na vida dos Servos de Deus. Eles souberam unir a contemplação e a acção através de um amor intenso aos mais necessitados, vendo neles o próprio Deus. Foram homens de uma grande humanidade manifestada nas virtudes da caridade, da humildade, amor à verdade, da simplicidade e de uma entrega sem reservas a Deus e ao próximo. Para eles o amor a Deus era inseparável do amor ao próximo.

5. Sentir com a Igreja

Sentir com a Igreja é viver numa comunhão intensa com os seus pastores, ajudar a mesma Igreja a renovar-se, a converter o negativo em positivo, a ter a consciência de que a Igreja é a casa comum de todos os baptizados.
Para isso, exige-se disponibilidade na missão da Igreja, ser testemunha de Cristo, viver com simplicidade, empenharmo-nos na vida das paróquias, mostrar que nos amamos à maneira dos primeiros cristãos. O serviço aos mais necessitados (pobres e doentes) deve caracterizar a vida das comunidades cristãs.
Nesta consciência de sermos Igreja não devemos esquecer os que não acreditam ou se afastaram da vida cristã. Eles interpelam-nos a intensificar o nosso testemunho cristão e a descobrirmos caminhos novos de evangelização.

6. Família

Constatamos na nossa sociedade uma mentalidade cada vez mais hostil à família, tal como a entendemos e como a Igreja a defende: “comunidade de vida e de amor”.
É necessário remar contra a corrente através da formação dos noivos e do apoio aos jovens casais. Sentimos as dificuldades das famílias de hoje (emprego, casa própria, educação dos filhos...) e pensamos que as nossas paróquias e demais instituições têm ainda muito a fazer na pastoral familiar.
A família deve ser um dos campos prioritários da nossa acção pastoral. Nela devemos investir os melhores recursos, porque a família está presente em todos os âmbitos da vida da sociedade e da Igreja.

7. Os retiros

Foi unânime a opinião de que os retiros são momentos fortes de encontro com Deus, connosco e com os outros. Os retiros devem ocupar na nossa vida, tal como em D. João e Mons. Brás, um lugar central. Os retiros são momentos de formação, de revisão de vida e de discernimento vocacional, quer em ordem à consagração quer em ordem ao matrimónio. Devíamos intensificar na nossa pastoral os retiros a todo o povo de Deus. Os retiros são um meio eficaz de apostolado e de aprofundamento do mistério de Deus e do homem.

8. Vocações de Consagração

O melhor meio de promoção vocacional é o testemunho alegre e generoso de uma vida entregue ao serviço de Deus. Devemos ajudar as famílias a apreciarem e ajudarem a crescer as vocações de consagração nascidas no seu seio. A catequese das crianças e, sobretudo, a dos jovens, são momentos muito importantes para este despertar vocacional.
A valorização do ministério sacerdotal passa por ver nos sacerdotes “outro Cristo”, colaborarmos com eles nas várias iniciativas de apostolado, rezarmos por eles e reconhecer que o sacerdócio ministerial é constitutivo da missão da Igreja.
O testemunho de entrega e abnegação dos sacerdotes é fundamental para um despertar vocacional nas comunidades cristãs. Eles próprios são, pela sua vida e pela sua palavra, agentes privilegiados desta nova cultura vocacional que é necessário intensificar na vida da Igreja.

9. Catequese e Apostolado

A Palavra de Deus deve ocupar o primeiro lugar na iniciação cristã. A formação a todos os níveis é uma urgência do nosso tempo. A formação supõe, antes de mais, uma vida coerente com o Evangelho e a necessidade de promovermos os mais variados itinerários formativos para todas a idades. Ser apóstolo é constitutivo da vida cristã.
A vida cristã nas paróquias, na formação e na prática da fé, precisa, cada vez mais, do contributo da vida consagrada e dos movimentos laicais, através de uma colaboração recíproca.
Os campos prioritários na vida de apostolado são a família e os jovens.

22 de setembro de 2008

Actualidade de D. João Oliveira Matos e Monsenhor Alves Brás - Guarda

in O Jornal - Guarda
“Actualidade de D. João de Oliveira Matos e Monsenhor Joaquim Alves Brás” é o tema das Jornadas Diocesanas da Pastoral, marcadas para 26 e 27 de Setembro, no Centro Apostólico, na Guarda. O evento pretende mostrar a actualidade da mensagem de D. João Oliveira Matos e Monsenhor Joaquim Alves Brás e apontar desafios pastorais que dos respectivos carismas se colocam à Igreja Diocesana e às comunidades cristãs. Programa começa, no dia 26, às 9.30 horas, com o acolhimento e oração de Laudes. A sessão de abertura está anunciada para as 10.30 horas, com a presença do Bispo da Guarda, D. Manuel Felício, e as Coordenadoras do Instituto Secular das Cooperadoras da Família e da Liga dos Servos de Jesus. Às 11.30 horas, Mons. Arnaldo Pinto Cardoso, Postulador da causa, abordará o tema “vocação à santidade nos Servos de Deus”. Ao início da tarde, pelas 14.30 horas, Victor Feytor Pinto falará sobre “Perfil espiritual de Monsenhor Joaquim Alves Brás” e, às 15.45 horas, Moiteiro Ramos falará sobre “Perfil Espiritual de D. João de Oliveira Matos”. O primeiro dia termina com a celebração da Missa, na Casa de Santa Zita, às 17.00 horas, e adoração ao santíssimo, na Sé da Guarda, às 21.00 horas.
No segundo dia, os trabalhos começam às 9.30 horas, com a oração de Laudes. Às 10.00, Manuel Geada Pinto, Deolinda Machado e Manuel Luís Santos, vão apresentar testemunhos sobre D. João Oliveira Matos e Monsenhor Joaquim Alves Brás. A partir das 11.30 horas, haverá trabalho de grupos sobre escritos e obras dos dois Servos de Deus.
As jornadas terminam com a celebração da missa, às 16.30 horas, no Outeiro de São Miguel.

16 de setembro de 2008

Como evangelizar os meus filhos?

Para ver texto relacionado do mesmo autor clique aqui
por Felipe Aquino

Antes de dizer a seu filho "Jesus ama-te", diga-lhe: "eu amo-te".

A Igreja ensina que os primeiros catequistas são os pais. É no colo deles que toda a criança deve aprender a conhecer Deus, aprender a rezar e dar os primeiros passos na fé; conhecer os Mandamentos e os Sacramentos.
Os pais são educadores naturais, e os filhos assimilam os seus ensinamentos sem restrições. Será difícil levar alguém para Deus, se isto não for feito, em primeiro lugar, pelos pais. É com o pai e a mãe que a criança tem que ouvir em primeiro lugar o nome de Jesus Cristo, sua vida, seus milagres, seu amor por nós, sua divindade, sua doutrina… Eles são os responsáveis a dar-lhes o Baptismo, a Primeira Comunhão, a Crisma e a catequese.
Quando fala aos pais sobre a educação dos filhos, São Paulo recomenda: “Pais, não exaspereis os vossos filhos. Pelo contrário, criai-os na educação e na doutrina do Senhor” (Ef 6, 4). Aqui está uma orientação muito segura para os pais. Sem a “doutrina do Senhor”, não será possível educar. Dom Bosco, grande “pai e mestre da juventude”, ensinava que não é possível educar sem a religião. Seu método seguro de educar estava na trilogia: amor - estudo - religião.
Nunca esqueci o Terço que aprendi a rezar aos cinco anos de idade, no colo da minha mãe. Pobre filho que não tiver uma mãe que lhe ensine a rezar! Passei a vida toda a estudar, cheguei ao doutorado e pós-doutorado em Física, e nunca consegui esquecer a fé que herdei de meus pais; é a melhor herança que deles recebi. Não é verdade que a ciência e a fé são antagónicas; essa luta só existe no coração do cientista que não foi educado na fé, desde o berço.
Os pais não devem apenas mandar os seus filhos à igreja, mas, devem levá-los. É vendo o pai e a mãe se ajoelharem, que um filho se torna religioso, mais do que ouvindo muitos sermões. A melhor maneira de educar, também na fé, é pelo exemplo. Se os pais rezam, os filhos aprendem a rezar; se os pais vivem conforme a lei de Deus, os filhos também vão viver assim, e isto se desdobra em outros exemplos. Os pais precisam rezar com os filhos desde pequenos, cultivar em casa um lar católico, com imagens de santos num oratório, o crucifixo nas paredes, etc.; tudo isso vai educando os filhos na fé. Alguém disse um dia, que “quando Deus tem seu altar no coração da mãe, a casa toda se transforma num templo.”
Não leve apenas o seu filho à Igreja, mas ensine-o a rezar; leve-o ao grupo de oração, aos Encontros da fé, leia com ele a Bíblia e explique-lhe, etc. Tudo isso vai moldando a sua fé.
Um aspecto importante da educação religiosa de nossos filhos está ligado com a escola. Infelizmente hoje se ensina muita coisa errada em termos de moral nas escolas; então, os pais precisam saber e fiscalizar o que seus filhos aprendem ali. Infelizmente hoje o Governo está a colocar até máquinas para distribuir “preservativos”[1] nas escolas. Os filhos precisam de receber em casa uma orientação muito séria sobre a péssima “educação sexual” que hoje é dada em muitas escolas, afim de que não aprendam uma moral anti-cristã. Outro cuidado que os pais precisam ter é com a televisão; saber seleccionar os programas que os filhos podem ver, sem violência, sem sexo, sem massificação de consumo, etc. Hoje temos boas tvs religiosas. A televisão tem o seu lado bom e o seu lado mau. Cabe a nós saber usá-la. Uma criança pode ficar até cerca de 700 horas por ano na frente de uma televisão ligada. Mais uma vez aqui, é a família que será a única guardiã da liberdade e da boa formação da criança. Os pais precisam saber criar programas alternativos para tirar as crianças da frente da TV; brinquedos, jogos, histórias, etc. Da mesma forma a internet; os pais não podem descuidar dela.
Mas, para levar os filhos para Deus é preciso também saber conquista-los. O que quer dizer isso? Dar a eles tudo o que querem, a roupa da moda, a camisa de marca, o ténis caro…? Não, conquista o seu filho com aquilo que é para o seu filho, não com aquilo que lhe dá. Conquista-o dando-se a ele; dando o seu tempo, o seu carinho, a sua atenção, ajudando-o sempre que ele precisar. Saint Exupéry disse no Principezinho: “Foi o tempo que gastaste com a tua rosa que fez ela ser tão importante para ti”.
Diante de um mundo tão adverso, que quer arrancar os filhos de nossas mãos, temos de conquistá-los por aquilo que “somos” para eles. É preciso que o filho tenha orgulho de seus pais. Assim será fácil levá-lo para Deus. Muitos filhos não seguem os pais até a Igreja porque não foram conquistados pelos pais.
Conquistar o filho é respeitá-lo; é não o ofender com palavras pesadas e humilhantes quando o corrige; é ser amigo dos seus amigos; é saber acolhe-los em sua casa; é fazer programas com ele, é ser amigo dele.
Enfim, antes de dizer ao seu filho “Jesus ama-te”, diga-lhe: “eu amo-te".

[1] O autor refere-se à realidade do seu país, que é o Brasil, embora não seja muito diferente da nossa.

10 de setembro de 2008

Quatro actores em busca de sentido

in H2O News - 9/9/08

O que significa para um actor que crê trabalhar no mundo do espectáculo nos nossos dias? Alguns actores e actrizes comentam as experiências que marcaram suas vidas: O cinema foi para eles ocasião de crescimento pessoal: “O cinema, por ser um meio de comunicação que alcança um grande de parte corações tem o grande dom e privilégio de comunicar com tantas pessoas...e de fazer reflectir e pensar em temas da vida pessoal. O cinema como meio artístico é uma grande forma de arte que tem o privilégio de poder informar e num certo sentido abrir os corações e os olhos das pessoas”. “Fazer um cinema diferente que cancele a imagem negativa dos latinos que Hollywood se empenha em perpetuar desde os anos 40 até os dias de hoje. Nasce a ideia de criar uma produtora de cinema, chamada Metanoiafilms, com a missão de produzir filmes que tenham o potencial não somente de entreter o público mas também de fazer diferença na nossa sociedade elevando, sanando e respeitando a dignidade do ser humano, filmes que toquem, o coração do público e que elevem o intelecto da audiência em direcção do bom, do belo, do verdadeiro, do excelente". "Nós estamos simplesmente nas mãos de uma ideia que está acima de nós mesmos. Somos pequenas formigas, que estamos ao serviço de algo, espacialmente o estivemos no filme a Paixão de Cristo e estamos todos os dias". “Não ter medo de ser você mesmo, de encontrar um modo pessoal de actuar, e não de acordo com os modelos pré-fixados, mas sim fazer uma viagem ao interior. E quando se é autêntico na busca de si mesmo, não se pode não buscar também a Deus”.

8 de setembro de 2008

Amanhã


Por Armindo Monteiro

Quando os gémeos, ainda do meu sangue, com pouco mais de um mês de vida, se tocam já com os seus pequenos dedos, como que a afirmarem no exterior do ventre materno, a cumplicidade de quando viviam no seu interior, numa manifestação de inocente e contagiante harmonia, interrogo-me seriamente sobre o seu futuro.

Será que o mundo que terão de enfrentar ainda será mais injusto e odioso, anárquico e egoísta do que o actual?

Por exemplo será possível, como na cidade de Coimbra, há poucos dias, encontrar na Rua Paulo Quintela, em pleno dia, um carro de compras subtraído de uma grande superfície, a ocupar boa parte da faixa de rodagem, a obstruir parcialmente o trânsito e a criar perigo, numa manifestação de impunidade instalada, sustentada, defendida e muito propalada entre jovens.

Será, pergunto-me, em nome de uma civilização podre, que já vão ver consagrado na lei, a junção de pessoas do mesmo sexo, ditas homossexuais, como casamento e pior do que isso ratificada por um povo em nome do “progresso da civilização”, à semelhança de regras sobre o divórcio, dele facilitistas e que repousam naquela ideia de “progresso“, apesar da sua total inconciliabilidade com ele?

Será que vão encontrar um país ainda mais dependente do exterior, sem factores de produção, porque lhe disseram alto e bom som que não valia trabalhar os campos, explorar os mares e lhe acenaram com muitos fundos mal empregues?

Será que terão de emigrar como o fizeram os seus antepassados ao longo da história, em busca da sua sobrevivência, como já o fazem alguns dos jovens de hoje, alguns a adoecerem pelo continente africano, vítimas da malária?

Será que para conseguirem um meio de sobrevivência de nada lhes vale a formação humana se conseguirem alcançá-la, desde logo por iniciativa da sua família?

Será que a família onde vivem, ante as inúmeras dificuldades que se lhe depara, vai perdurar por largo tempo?

Será que continuará a sua degradação moral pelo incentivo à morte por aborto, à vinculação e desvinculação livres entre as pessoas, onde tudo o que representa compromisso está ultrapassado, não justifica transigência e o sacrifício sem qualquer fundamento?

Será que a relativa harmonia do sistema ecológico lhes vai trazer surpresas vitais, pela falta de água, ar respirável, alimentos, contenção dos mares adentro dos seus limites, de Quem os fez?

Será que, em liberdade, lhes vão falar de Deus?

E da criação, por Ele, do Universo, do equilíbrio cósmico, das estrelas, da luz solar e do brilho da lua.

Será que o amor, enquanto afecto consciente, generoso, criador da vida e do progresso ainda será preconizado, ou tudo não passará de uma aproximação animalesca, a termo certo, sem consequências responsabilizantes?

Será que na terra pequena onde nasceram se instalará quem faça mais feliz o seu povo, combata a indignidade, o oportunismo, ataque a pobreza e deixe de pagar para maldizer?

Será que os seus concidadãos apreciarão mais a justiça, a equidade, a verdade e a tolerância?

Para os gémeos eu não quereria uma visão apocalíptica do mundo e do país que os viu nascer.

Mas se não se arrepiar caminho, se não se cultivar o respeito pela pessoa humana, se não se lhe impuserem sérios limites aos seus mais primários instintos, se não se combater a irresponsabilidade, se as fontes de rendimentos públicos não forem disciplinadas, se o intuito do lucro esmagar o ser humano, se o interesse público não se sobrepuser ao particular, naturalmente que os gémeos, a contragosto meu, vão ser muito infelizes.

E a melhor solução para as suas vidas, chegada a hora, estará em abandonar o país em busca de novos rumos, novas paragens, de melhor gente.

Estou bem ciente de que a geração pós-guerra muito do que podia e devia, não podia e não devia, deu aos seus filhos, já tenho porém sérias reservas se nos excessos materiais cometidos, de que só recebeu ingratidão, conseguiu legar-lhes valores morais.

A geração do pós-guerra afundou-se no hedonismo, na vaidade, na concorrência, no materialismo, de modo que os netos de hoje partem para o mundo sem esteios morais, por cuja falta os adultos de hoje, correm riscos de se tornarem devedores falidos, à História.

No Lake Louise lá para os lados das Montanhas Rochosas no Canadá, por entre os caminhos que o serpenteavam, não encontram entre os bancos sem conta, um nome inscrito, um risco na madeira ou um coração trespassado por uma seta. Esta é já uma diferença…!

4 de setembro de 2008

Matrimónio a sério

Na mensagem que enviou à Assembleia quando vetou a lei do divórcio, o Presidente da República afirmou que o decreto «introduz uma alteração muito profunda no regime jurídico do divórcio actualmente vigente em Portugal e contém um conjunto de disposições que poderão ter, no plano prático, consequências que, pela sua gravidade, justificam uma nova ponderação». O Presidente tem razão, mas só ele parece preocupado com isso.

A lei do divórcio foi aprovada no Parlamento num ápice, sem grande interesse ou debate, perante apatia generalizada nos jornais, políticos e sociedade. Ninguém se preocupou com ela, nem dentro nem fora da Assembleia, nem então nem agora que a lei está vetada. Haveria muito mais comoção se as mudanças tivessem sido nos contratos de trabalho, arrendamento ou até no trânsito. Será que a família hoje não interessa a ninguém?

Não. O interesse pela família é o mesmo de sempre. O que acontece é algo muito diferente. Durante séculos o matrimónio era uma questão religiosa e o único casamento que existia era católico. Diante de Deus e da Igreja os esposos prometiam verdadeira fidelidade. Aí era a sério.

O casamento civil foi criado por Mouzinho da Silveira em 1834, mas só funcionou após 1911 com Afonso Costa.

Hoje, passado menos de um século, é o próprio Estado a desqualificar essa sua instituição. Se esta lei passar ficará mais fácil trocar de esposo que de contador da água. Afinal, o casamento civil é descartável. Estamos a voltar à situação normal de sempre: apenas o matrimónio religioso tem algum significado.

João César das Neves, in Destak de 04-09-2008

3 de setembro de 2008

A criança vê, a criança faz



Provavelmente este vídeo já é bem mais que conhecido entre vós.
Tem circulado de e-mail para e-mail e, espero eu, sensibilizado e alertado para o grande problema que é a educação dada aos nossos filhos, hoje.
Porque digo isto? Especialistas ligados à psicologia e não só dizem-nos que as crianças captam mais depressa tudo o que fazemos, todos os nossos gestos, todas as nossas atitudes e comportamentos, do que propriamente lhes é dito directamente. Se os pais discutem, se batem um no outro, se têm vícios, se ás vezes na infelicidade de uma palavra mal dita que se dá naquelas conversas entre adultos sem terem a preocupação de retirarem as crianças, enfim, podíamos enumerar muitas e muitas coisas que no dia a dia fazemos e dizemos sem termos consciência das consequências, é isso que eles memorizam, porque é isso que lhes marca.
A educação dos nossos filhos, da nossa futura sociedade, está nestas pequenas-grandes coisas.
A personalidade de cada um constrói-se com a ajuda ou não destas pequenas-grandes coisas.
Os problemas psicológicos que se manifestam na sua fase adulta quando têm de encarar grandes responsabilidades podem ter origem nestas pequenas-grandes coisas.
Por isso, em vez de pensarmos nas coisas boas que os nossos filhos podem ter, pensemos nos bons pais, nos bons exemplos, nos bons testemunhos de vida que podemos ser para eles.

Maria Matos

A mudança na Igreja

Por Octávio Gil Morgadinho

No mundo que muda, a Igreja é desafiada à mudança para ser fiel intérprete da mensagem que tem para comunicar à humanidade.
A história do mundo ocidental, nos dois milénios de existência do cristianismo, é também a história da Igreja que, transmitindo o seu património espiritual, esteve aberta à mudança em diálogo com o mundo, com as várias sociedades e culturas com que confrontou. A evolução social e cultural da Europa está ligada à acção da Igreja que, ao comunicar a sua doutrina e valores, congregou e civilizou povos, assimilou a cultura greco-romana e criou instituições que desenvolveram o pensamento e a investigação e formaram as elites culturais. Durante muitos séculos, a Igreja identificou-se com a sociedade e a sociedade reviu-se nos valores por ela proclamados.
A partir do Renascimento, com as revoluções científica, tecnológica e industrial, e os movimentos filosóficos, culturais, políticos e sociais inspirados nas “Luzes”, a mudança na sociedade acelerou e pôs em causa a identificação da Igreja e seus valores com a sociedade e a cultura moderna. A reacção da Igreja nem sempre adequada, assumiu estratégias defensivas e de afrontamento que lhe criaram a imagem de refractária ao progresso e a identificaram com a velha cultura e ordem social estabelecida. O mundo e a própria Igreja esqueciam que muitos dos valores da sociedade moderna mergulham a sua raiz no solo cristão e dele se autonomizaram em versão humanista laica: a dignidade da pessoa, a igualdade dos seres humanos, a liberdade, a solidariedade, o domínio da natureza, a distinção entre sagrado e profano, temporal e religioso, Igreja e Estado.
Muita da mudança na Igreja contemporânea desenvolveu-se discretamente, por vezes, à margem da hierarquia e das suas estruturas de poder e até por ela hostilizada. O diálogo com o mundo moderno processou-se, por tentativas e erros, à procura do equilíbrio entre a colagem ao “espírito do mundo” como se tudo na Igreja fosse mensurável pelos novos critérios de verdade e o imobilismo dogmático que confunde a verdade e a prática cristã com muitas das suas expressões ligadas a quadros mentais e institucionais superados. Muitos católicos intelectuais e homens de acção, leigos e clérigos, fiéis ao espírito do evangelho comprometeram-se na realidade social e cultural e mostraram que a Igreja acolhe muitos dos reptos do mundo moderno e tem muito a dizer-lhe. É preciso encontrar os meios de comunicação e a linguagem adequada, desafiar preconceitos e também o imobilismo de uns e a precipitação de outros.
A Acção Católica inspirou movimentos de jovens, mobilizou homens e mulheres de todas as condições para a intervenção social, política e cultural. A doutrina social da Igreja actualizada com o contributo dessas experiências, inspirou muitas das reformas do pós-guerra – líderes políticos de inspiração cristã estiveram no início da Comunidade Europeia - e alertou para os novos problemas da paz e da justiça no mundo em processo de globalização. Em Portugal, foi apreciável a contribuição da Acção Católica para a formação social e política de muitos dos quadros dos movimentos sindicais e partidários que se manifestaram depois do 25 de Abril.
O Concílio Vaticano veio catalisar os movimentos de pensamento e reflexão teológica e bíblica, de renovação litúrgica e espiritualidade entretanto surgidos na Igreja. O debate abriu os horizontes da Igreja a uma escala planetária, e levou ao aprofundamento da sua natureza e missão no mundo e para o mundo. A Igreja perspectivada como Povo de Deus, a evolução da colegia-lidade episcopal e do primado romano para uma maior descentralização do governo e acção da Igreja, o reforço do papel e da intervenção dos leigos, a participação dos fiéis e os novos ministérios na liturgia, a efectiva abertura do diálogo ecuménico, as tentativas de acção humanitária comum entre religiões, a crescente atenção da Igreja às questões da paz e da justiça sobretudo aos direitos dos mais fracos foram sinais de mudança na Igreja pós-conciliar. Alguns criticam os abusos, outros o que está por fazer, outros quereriam uma Igreja a evoluir ao sabor da agenda mediática ou dos novos costumes, das “exigências da cultura secularizada”.
Estão por cumprir muitas das promessas do Concílio referentes à renovação da Igreja. Renovação no seu interior, no sentido da autenticidade, da vivência do seu mistério, da fidelidade ao Evangelho. É preciso passar do “iletrismo” ao esclarecimento religioso, do conformismo à convicção, à coerência entre fé professada e vivida, da passividade à participação e ao testemunho, do clericalismo à cooperação de clérigos e leigos na organização das comunidades cristãs e da Igreja. Muitos dos “praticantes” ignoram os fundamentos da fé e as suas exigências éticas, o sentido das práticas e dos símbolos cristãos. A evangelização, a proclamação da Palavra, deve ter prioridade sobre a “sacramentalização”. A celebração deve comandar a animação litúrgica para ser expressão duma estética da fé, experiência sensível do encontro sobrenatural com Deus e com os irmãos. A liturgia deve desembocar no exercício da caridade, na animação das realidades terrestres, no exercício pleno da cidadania, deve trazer para a praça pública a dimensão social aos valores cristãos.
Na Igreja a organização está ao serviço da comunhão. Por isso a Igreja tem de reconhecer os carismas e dar lugar à liberdade e ao debate nas questões práticas de concretização da fé e de presença no mundo. Muito há a fazer para “desclericalizar” a Igreja, para respeitar a autonomia, colaboração e corresponsabilidade de padres, religiosos e leigos, para renovar a espiritualidade, para dar prioridade à ética sobre a moral, ao espírito sobre a lei. A presença da Igreja na sociedade, a sua influência no Estado, não se faz em termos de poder, de actuação política da hierarquia, mas através da acção dos cidadãos católicos, com os riscos e a contingência das opções políticas no livre jogo democrático. “A Hierarquia respeita a pluralidade de opções partidárias por parte dos católicos. Deve entretanto ajudá-los a formar a sua consciência cívica e a visão dos problemas da sociedade em chave cristã. Também aqui o caminho da Igreja é a evangelização, em ordem a uma visão de todas as coisas iluminada pela fé. A Hierarquia não deve intervir no processo democrático com os métodos do confronto. Os católicos sim, esses podem e devem fazê-lo.” ( D. José Policarpo, “A Igreja no tempo e em cada tempo”).

29 de agosto de 2008

A esperança

Costumamos chegar a muitas conclusões e eu cheguei à minha: Tudo se pode, tudo se consegue. Nada é impossível até que nos provem o contrário. A tristeza invade-nos muitas vezes e ficamos sem saber para onde nos virarmos. Sentimos que navegamos num barco sem rumo.
Costumamos pensar “Porque é que Deus nos impõe tantas provações?”, mas nada é por acaso, Ele sabe o que faz e sabe aquilo que quer de nós. Só Ele pode mudar o destino, e nós, apenas, escolhemos o caminho que queremos seguir.
Quando nos deixamos ir a baixo com a dureza das provações e quando achamos que nada faz sentido, quando pensamos que a nossa vida não tem rumo, não tem volta a dar, quando achamos que a morte é a melhor solução, pois estamos fartos de tudo e do sofrimento, Ele está lá.
Quantas vezes damos connosco a chamar pelo Seu nome em horas de aflição. Mas porquê? Porque no fundo sabemos que é Ele quem nos dá força, quem nos dá a mão quando mais ninguém a dá.
Se nos consideramos católicos não O julguemos como outros o fizeram e fazem. Se somos católicos e com fé é porque acreditamos na salvação, no amor e na vida eterna a Seu lado.
Por isso, acho que, animados por essa força e espírito de fé no Senhor, devemos meditar sobre a nossa vida, sobre aquilo que realmente queremos, abrindo-nos à acção do Espírito Santo, para que possamos lutar por aquilo que queremos, mesmo que isso implique passar por muitas dificuldades. Ele ajuda-nos sempre, porque nos Ama!

Mariana de Oliveira

22 de agosto de 2008

Segmentos

Na ideia de segmento, está implícita uma ruptura de continuidade. Face a um segmento o discurso da memória e do projecto não existe.
Nos últimos tempos, algumas das leis adoptadas, politicamente, mesmo sendo boas em si, dão, precisamente, a ideia de fragmentos. Aparecem em ruptura com os valores anteriores, mas também não reflectem ideais futuros. O teor dos seus conteúdos, rossam o vazio ético, exaltam o individualismo, o relativismo e a cultura da morte, a olho nu.
Primeiro, aprova-se a dis-criminalização da prática do aborto; agora obriga-se à alteração do código deontológico dos médicos, que no famoso art. 47 dizia que o médico "deve guardar respeito pela vida humana" e que a prática do aborto e da eutanásia, são "falta grave". Recentemente a aprovação, pelo parlamento, das alterações à "lei do divórcio que põe fim ao conceito de divórcio litigioso com a noção de violação culposa dos deveres conjugais".
E para cúmulo, o Decreto-Lei nº 105/2008 que cria os subsídios sociais de maternidade, paternidade e adopção, mas atribui subsídio social de maternidade a quem interrompe voluntariamente a gravidez nos termos da recente alteração introduzida pelo referendo de 2007.
Talvez queiramos construir, uma sociedade onde tudo serve, elevando a norma o comportamento de cada um. Uma perfeita anarquia, uma sociedade sem memória e sem projecto. O envelhecimento da sociedade, a miserável natalidade, o fácil divórcio e suas negativas consequências pessoais e sociais, deveriam interpelar mais seriamente o tipo de políticas a seguir.
Nos últimos dias, foi aprovada a resolução de considerar "a pobreza", pelo Estado português, como uma violação de direitos humanos... Injustiças constantes atropelam, os direitos humanos dos cidadãos. O fosso entre ricos e pobres não pára de aumentar... Oxalá que não seja apenas mais uma figura de estilo, que a nível de princípios, nos situa bem perante outros países.

Conceição Vieira

1 de agosto de 2008

A família segundo S. Paulo


«... o contributo da ideia judaico-cristã de família centra as relações familiares na igual dignidade e liberdade de todos os seus membros, dignidade que os respeita como pessoas diferentes; e centra essas relações em relações de aliança amorosa, de tal modo que cada um se sinta parte integrante do outro».


Por João Duque


Os escritos de S. Paulo são especialmente importantes para toda a tradição cristã, sobretudo pelo facto de condensarem elementos fundamentais do pensamento judaico, ao mesmo tempo que lhes conferem uma interpretação explicitamente cristã. Tudo isto, numa relação fértil de diálogo crítico com o pensamento helénico envolvente. Nesse sentido, podem considerar-se uma espécie de Summa Theologica do cristianismo inicial, que viria a marcar todo o cristianismo posterior.

Ora, um dos temas que aí aparece reflectido – mais implicitamente do que explicitamente – é o tema da família. A abordagem de S. Paulo permite-nos ficar com uma ideia bastante clara das diferenças de concepção de família, entre o mundo hebreu e o mundo grego, e entre estes e o cristianismo.

Genericamente falando, o mundo grego antigo partia do pressuposto de que os seres humanos se dividiam em diversasnaturezas. Dessas, as mais importantes eram: o homem livre, a mulher livre, os escravos e as crianças. Todos eles constituíam a sociedade familiar, sobretudo porque se relacionavam desempenhando papéis diferentes, consoante as diferentes naturezas. Considerava-se, por exemplo, que a natureza do homem era mandar e a da mulher obedecer; a do escravo, ser propriedade, e a do homem livre, ser proprietário; a natureza da criança era semelhante à do escravo, pois era propriedade do pai. A família era o espaço do exercício dessas relações diversas. Mas estava, sobretudo, enquadrada no espaço maior, o da polis, que lhe dava todo o sentido. Assim, a função de cada natureza humana estava determinada, sobretudo, pelo seu lugar na polis, através da prática quotidiana familiar e do seu contributo para a vida da cidade.

Sob este pano de fundo, conseguiremos avaliar melhor alguns textos de S. Paulo, que escrevia a partir de outros pressupostos completamente distintos. É que, para a tradição judaica, a ideia de família não derivava da ideia de polisnem da relação entre as diferentes naturezas humanas. Até porque, para a tradição judaica, não havia diferentes naturezas humanas. Todos eram radicalmente iguais, enquanto igualmente criaturas de Deus. A família humana era, sobretudo, pensada como imagem, nas relações inter-humanas, da fundamental relação de Deus com o povo. Por isso, a aliança era a categoria básica para compreender a relação familiar. Entre marido e esposa estabelecia-se uma relação de iguais, nas suas diferenças fundamentais. Uma relação de compromisso mútuo livre – e não de correspondência a certa função ou certo papel predeterminado pela sociedade. Dessa aliança livre entre pessoas de igual dignidade é que se construía a sociedade – e não o inverso. E essa aliança livre destinava-se à fertilidade, originando seres igualmente livres, que entram igualmente numa dinâmica de aliança. Os filhos eram assumidos, sobretudo, como novos filhos de Deus e membros do seu povo – e não como propriedade dos seus pais ou cidadãos da sua cidade.

Ora, é a partir deste contexto, agora com o acrescento da novidade cristã, que S. Paulo escreve. Mas escreve para o contexto grego, apontando precisamente aquilo que distingue o cristianismo. Por isso, quando, em Gálatas 3, 28, diz que «…não há escravo nem livre, não há homem nem mulher…», pretende precisamente apontar a igualdade fundamental dos filhos de Deus, cuja relação só pode ser uma relação de iguais e de seres livres.
Interessantemente, esse capítulo fala da lei como “pedagogo”. E o pedagogo era, no mundo grego, precisamente, o encarregado de «dominar» a criança, sem lhe dar espaço de liberdade, aplicando assim o direito de propriedade do pai. S. Paulo, ao mesmo tempo que se distancia desta visão grega, distancia-se da sua aplicação à lei judaica, se esta for entendida como eliminadora da liberdade. Pelo Evangelho, em Jesus Cristo, fomos libertos desse jugo, para assumirmos compromisso livres, entre iguais, pois só assim estamos libertos em Cristo.

Esse compromisso é apontado por S. Paulo em termos de aliança, mas de uma aliança que abarca a integralidade do ser humano. O exemplo dessa aliança é precisamente a família humana, apresentada como tal em Efésios 5, 21ss. Ao mesmo tempo, a aliança entre Cristo e a Igreja, que permite falar desta como «Corpo de Cristo», é o modelo de toda a família humana. Mais do que pura aliança ou contrato entre dois humanos, a família resulta de uma tal «fusão» entre dois humanos, homem e mulher, que passam a ser um só, uma só «carne». Porque o seu modelo o da própria incarnação de Deus em Jesus. Nesse sentido, a relação entre eles é de amor pleno. «Quem ama a sua mulher, ama-se a si mesmo; de facto, ninguém jamais odiou o seu próprio corpo» (Efésios 5, 28). Mesmo a referência de que o «marido é a cabeça da mulher» (Efésios 5, 23), para além de se enquadrar no esquema de vida da época, essencialmente patriarcal, deve ser lida na referência geral à relação ente Cristo e a Igreja. Cristo é a cabeça da Igreja, dando-se completamente, até à doação da própria vida. Assim o marido em relação à esposa. Nesse sentido, ser «cabeça» nada tem de dominador. Nem «obediência» pedida à esposa é sinónimo de subordinação, já que é semelhante à da Igreja em relação a Cristo, única fonte de verdadeira libertação. Ou seja, o homem e a mulher só serão o que são, na sua diferença própria, na medida em que forem para o outro e não para si próprios.
Em conclusão, poderíamos dizer que o contributo da ideia judaico-cristã de família centra as relações familiares na igual dignidade e liberdade de todos os seus membros, dignidade que os respeita como pessoas diferentes; e centra essas relações em relações de aliança amorosa, de tal modo que cada um se sinta parte integrante do outro. Esta ideia de família irá ser apresentada, por S. Paulo, como modelo de Igreja e, a partir daí, como modelo de sociedade. A sociedade cristã – e cada comunidade eclesial – seria uma grande família, assente na dignidade e liberdade dos seus membros e na relação de aliança ou responsabilização amorosa entre as pessoas diferentes, sem anulação das respectivas diferenças e sem afirmação individualística de cada uma.

Perante este projecto e o seu impacto sócio-cultural, através da educação das gerações mais jovens para valores que constituem o fundamento duradoiro de uma sociedade com futuro, coloca-se-nos hoje um desafio fundamental. Se abandonarmos, progressivamente, esta ideia de família e a sua prática, onde conduziremos as nossas sociedades? Não estarão à espreita, de modo mais ou menos encoberto, novas formas de escravatura, para fazer regredir um processo tão moroso e tão benéfico? Parece-me que, assim, se entende melhor a «teimosia» da Igreja em defender a família. Para bem da humanidade e não por fixação ideológica ou por vontade de poder.


João Manuel Duque é professor da Faculdade de Teologia da UCP – Braga. É casado e pai de três filhos (joaoduque@mail.telepac.pt).

29 de julho de 2008

Um mal cada vez mais necessário

Por Fabião Baptista

Segundo nos indicam as estatísticas, a população, a nível mundial, e com o padrão etário igual ou superior a 65 anos, cresceu mais de um milhão de pessoas, nos últimos 50 anos.

Feita uma análise gerontológica, a este estrato social, chegou-se à conclusão que as pessoas, com idade igual ou superior a 80 anos, aumentaram em 35%, entre os anos de 1990 e 2006.
Evidentemente que esta longevidade deve-se, essencialmente, às medidas sociais e tecnológicas que nos tempos hodiernos, foram colocadas ao serviço, defesa e protecção da chamada Terceira Idade, nomeadamente, aos progressos da medicina, às medidas profilácticas, à reabilitação e a um conjunto de métodos de diagnóstico e de cura de enfermidades.
A sociedade, dos tempos actuais, catalogou os diferentes grupos sociais, nas seguintes faixas etárias: os que aprendem; os que produzem; os que consomem sem produzirem.
Neste último escalão, agrupou os que já se aposentaram e os idosos, que passou a designar por “terceira idade”.
Ao invés do que se sucedia dantes, os anciãos perderam bastante do seu estatuto de pessoas experientes, dotadas de empíricos conhecimentos da realidade da vida, através da prática, de preciosas informações, de serem privilegiados transmissores transgeracionais de saberes científicos e do conhecimento experimental da vida. Geralmente, aposentação afasta as pessoas do sector laboral, quando, por vezes, dos reformados muito ainda havia a esperar. Mas, o pior de tudo isto, é que amiudadamente, estas pessoas são ostracisadas, impiedosamente, sem a mesma sociedade lhes garantir um mínimo de condições, para que levem uma vida digna, sem terem de entrar na decrepitude económica.
Hoje em dia, com a sempre crescente industrialização de tudo, com as novas tecnologias e imporem-se, avassaladoramente, o que tem valor é a produtividade, a rentabilidade, o alcance, a todo o custo, dos objectivos comerciais, sempre em ordem ao consumo. Nesta ordem de valores, os mais idosos, estão em franca desvantagem.
Como tal, são colocados fora do conceito da produção e, frequentemente, lançados ao olvido deprimente.
Esta a principal razão, porque há muitos trabalhadores que querem manter-se no activo laboral, não desejando sequer ouvir falar da aposentação, a qual constitui, para muitos, um verdadeiro trauma, nomeadamente, para aqueles empregados que trabalham no meio urbano das grandes cidades.
Estes, ao desligarem-se das suas funções laborais, que sempre executaram com zelo, dedicação e perseverança, sentem – se uns inúteis, um fardo para a sociedade, para as suas famílias, para eles próprios.
Perdem a auto-estima e, frequentemente, mergulham na solidão exasperante.
A juntar a tudo isto, surge a diminuição do poder de compra, ficando mais dependentes dos seus mais próximos familiares.
Só que estes, têm a sua vida nuclearizada, estabilizada e estratificada em moldes tais, que não permitem a coabitação com os seus progenitores, uns velhos caducos, cheios de preconceitos e ideias anquilosadas.
Surgem então, como recursos, os “Lares de Idosos”, as instituições de solidariedade social, vocacionadas para acolher anciãos. Os que têm sorte de terem bons filhos, embora estejam alojados em “Lares de Idosos”, são visitados com muita frequência, tratados com amor filial.
Apoiados nas suas dificuldades.
Todavia, outros há, que depois de terem sido “despejados” nestas instituições de solidariedade social, são simplesmente abandonados, olvidados e desprezados. Para estes, é a solidão o que mais os aflige e atormenta.
Há pessoas que, após uma vida inteira, toda dedicada aos filhos, vêem-se isolados, sós nas suas modestas casas ou então nos “Lares de Idosos”, sem ninguém que os ajude e os ampare, nas suas múltiplas necessidades e na sua subsistência, passando meses e meses, sem poderem conviver com aqueles que mais amam, sem terem uma única visita dos seus familiares mais próximos.
Sem receio de ser desmentido, posso afirmar, com convicção, que esta é uma faceta da pobreza, que muita gente desconhece. É certo que não é uma indigência de bens materiais, mas é uma carência de afecto, de valores humanos, de ausência de carinho, estigma que leva muitos dos idosos ao desespero, à revolta e à depreciação da pessoa humana.
Nada há mais deprimente do que uma pessoa aperceber-se que está a ser ostracisado, votado ao abandono pela sociedade, especialmente, pelos que ama acrisoladamente, pelos seus familiares mais próximos.
É difícil, sei-o bem, mas a sociedade contemporânea devia encontrar um modo de poder alterar esta situação, criando mais “Lares de
Idosos ”ou apoiando melhor os que já existem, pois, quer nós queiramos, quer não, estas instituições de solidariedade social, são cada vez mais necessárias, nos tempos que correm e nesta sociedade trepidante e totalmente stressada.
É verdade que já vai havendo programas sociais de “Turismo Sénior”, de “Lares de Idosos”, de “Férias para a Terceira Idade”. No entanto deviam ser criados mais programas que dessem dignidade a muitos daqueles que se encontram no limiar da última etapa das suas existências e muito pouco podem contar com o apoio dos seus familiares.

24 de julho de 2008

Encontro Internacional em Casegas (Julho 2008)

É com muita alegria que partilhamos os momentos que vivemos em Casegas. Tanto na preparação e concretização da Semana Missionária como a preparação do Encontro Internacional e a vivência do mesmo.
Àqueles que estiveram connosco nesse dia recordem estes momentos com alegria, e àqueles que por várias razões não puderam estar damo-lhes um panorama, embora muito aquém da realidade, de toda a semana.

Semana Missionária de 12 a 20 de Julho de 2008



Manhã de Domingo
Chegada do D.Manuel a Casegas e a celebração da Eucaristia seguida da Inauguração da Casa Museu



Tarde de Domingo com animação pelas ruas de Casegas



Os preparativos para o grande dia

16 de julho de 2008

Entrevista

Lennon: “Sou um grande fã de Cristo”

O mais carismático dos Beatles, que chegou a afirmar que a sua banda era mais famosa que Jesus, confessou ser o maior adepto de Cristo, numa entrevista que nunca chegou a ser emitida, mas que veio agora a lume.


Na entrevista, gravada em 1969, Lennon foi questionado sobre a sua polémica afirmação, mas defendeu-se: “era só uma expressão, queria dizer que me parece que hoje em dia os Beatles têm mais influência sobre os jovens do que Jesus. Mas não queria dizer que isso era bom, porque sou dos maiores fãs de Cristo. Se pudermos alterar o enfoque mediático dos Beatles para a mensagem de Cristo, então é o que queremos fazer.”


Mas Lennon foi ainda mais longe, ao sentenciar: “Se os Beatles se colocarem do lado de Cristo, que é onde sempre estivemos, então talvez as igrejas não se encham, mas haverá muitos cristãos nos salões de dança. Não me parece importante saber o que eles celebram, se Deus ou Cristo, desde que estejam conscientes dele e da sua mensagem.”


Não se pense, contudo, que John Lennon era um cristão ortodoxo nas suas crenças. O autor da música “Imagine”, em que pede aos ouvintes para imaginar um mundo sem religião, considerava as instituições religiosas uma hipocrisia e recordava um padre que o expulsara da igreja por rir, aos 14 anos, com particular azedume.

FA/Daily Telegraph

15 de julho de 2008

A Semana Missionária corre sobre rodas...
O Padre Brás passou e deixou rasto e é este rasto que queremos manter visível por Portugal fora.
Em breve mostraremos um resumo destes dias em que andamos pelas terras que o viram nascer - a relembrar a uns e a anunciar a outros as grandes Obras por ele fundadas.

Acompanhe aqui passo a passo as Jornadas Mundiais da Juventude em Austrália: http://jornadasdajuventude.blogspot.com/

14 de julho de 2008


11 de julho de 2008

A Família e a Educação: Para que se educam os filhos

Por Mª Helena Henriques M.

Que está a acontecer à juventude? Perguntam a si mesmos muitos pais de família. Basta sair à rua de qualquer cidade para se verem os sintomas de um caos considerável. Cruzamo-nos com rapazes e raparigas que andam de um lado para o outro, sem parar, tentando afogar com a sua extravagância o vazio interior que o seu olhar reflecte.

Às vezes são os filhos de pessoas muito próximas, os filhos dos nossos amigos...

Todos - como um só – sem rumo determinado, entre ruídos numerosos e indecifráveis.

Qualquer um deles, separado dos outros, fala de justiça social, de igualdade, de “sinceridade”... Aprofundamos e, afinal, nada. Derruba-se toda essa fachada de palavras. Todo esse afã de auto-afirmação desaparece e fica um indivíduo sem ideias, materialista, mole, sem responsabilidade, pouco ou nada religioso, sem sentido de pecado... Não sabe o que é que nos há-de dizer, desmascarámo-lo. Mas quando volta com o grupo, parece outra vez alguém. Quer mudar o mundo mas... com quê, se não tem nada dentro de si?

Não, não se alarme, porque, felizmente, nem todos são assim; há de tudo mas estes, como é lógico são os que dão mais nas vistas porque saem do normal. A virtude, como alguém disse, quase nunca é notícia, e isto não é mais do que um “retrato – chapado” de um sector muito concreto da nossa juventude.

A que se deve tudo isto?

São eles que têm a culpa?

Somos nós, os pais e outros educadores? A resposta não é fácil, porque na formação do homem intervêm mil factores diferentes e são outras mil as influências que vamos recebendo ao longo da vida - especialmente na infância e na adolescência.

Sejamos realistas; de pouco nos vale lamentar-nos. O que importa é reflectir, tirar experiências e pôr em prática os recursos que tivermos ao nosso alcance. Talvez tenhamos “adormecido” um pouco mas ainda estamos a tempo.

Vamos procurar falar um pouco deste complexo mundo da educação. Vamos analisar algumas das influências a que os jovens vão estando sujeitos e qual deve ser o nosso comportamento perante cada situação.

Os filhos não se educam sós. Nem a “escola da vida”, nem mesmo o melhor dos colégios os ensina a desenvolver responsavelmente a sua liberdade, nem a converterem-se em pessoas autónomas e equilibradas, nem, enfim, a serem pessoas maduras.

O recém-nascido tem em germe todas as suas potencialidades mas só com esforço se desenvolvem e adquirem maior perfeição operativa. O êxito nesta tarefa depende, de modo indispensável, da ajuda que recebe dos pais. Educar, é precisamente ajudar este desenvolvimento, e é essa a essência da paternidade.

Dedicar-se aos filhos

A primeira condição indispensável para levar a bom termo a tarefa da educação é dedicar tempo, mas um tempo constante, sem altos e baixos, com toda a atenção a todas as fases da vida do filho, porque em educação raramente existem mudanças bruscas. O processo é contínuo, embora os resultados só se manifestem após um longo prazo.

É frequente que muitos pais ao afirmarem que querem fazer dos seus filhos uns homens “completos”, não incluam nesta expressão o desenvolvimento de todas as suas capacidades, de tudo o que podem dar, mas sim do que eles consideram mais importante nesse momento.

Para resistir a estas influências e não sucumbir perante modas passageiras, impõe-se como necessidade veemente a obrigação de fixar objectivos educativos que encaminhem os respectivos esforços de modo firme e recto.

Para educar uma criança é preciso, além de muito carinho, dedicar-lhe tempo e saber muito bem o que se pretende.

Fixar objectivos

Para uns pais conscientes, ter objectivos a longo prazo é reflectir sobre os resultados que pretendem conseguir nos seus filhos, através de determinados meios ao seu alcance. É necessário apresentar uma diversidade de objectivos que cubram todos os campos da personalidade, para se conseguir formar homens verdadeiramente maduros e completos.

De acordo com uma escala de valores, os objectivos que devem guiar o esforço e a dedicação dos pais, diariamente, constituem uma longa lista que começa com os objectivos puramente físicos, continua com os instrutivos e operativos, passa pelos sociais e afectivos, e culmina com os morais e os religiosos, numa escala de graduação perfeita.

Filhos sãos e cultos

Não há um único pai que, no momento de educar os seus filhos, não tenha presente os primeiros, e para muitos eles constituem a única finalidade educativa. Crianças sãs, bem alimentadas, bons desportistas ou, indo mais longe, com hábitos de limpeza e de descanso, podem ser o orgulho dos pais, embora se trate, evidentemente, de um campo bastante limitado.

Há objectivos que duram toda a vida. E para formar homens completos é preciso traçar uma diversidade de objectivos que abarquem todos os campos da personalidade.

Trabalhadores e sociáveis

Ter objectivos instrutivos em relação aos filhos de pouco serve se não existirem outros que poderíamos qualificar de operativos, através dos quais os ensinamos a aplicar com proveito – em benefício deles e de outros – os conhecimentos e capacidades adquiridas. Uma educação para o trabalho deve ajudar os filhos a desenvolverem hábitos adequados pelos quais compreendam que este esforço humano corresponde a uma necessidade da natureza consciente do homem, que o ajuda a manifestar-se inteiramente e que produz o bem-estar de ter cumprido o mandato divino do trabalho.

Fomos criados para trabalhar!

Na aprendizagem para a vida convém não esquecer o mundo que nos rodeia. Somos seres sociáveis e sociais.

No campo afectivo, é necessário que haja duas condições essenciais: que cada um dos filhos se sinta amado pelo que é e não pelo que faz - com um amor nem dominante nem exigente - e se sinta em união e harmonia. Por outro lado, é importante estabelecer metas sucessivas e escalonadas ajudando-o a ultrapassar todas as etapas que dificultam o seu caminho para a autonomia, a desenvolver essa independência estimulando a sua autoconfiança e auto-estima.

Formação moral

É importante que cedo comecem a distinguir o bem do mal e a usar a sua liberdade com responsabilidade.

Não se pode pretender que os filhos se saibam comportar moralmente como adultos, se antes não se teve para com eles, como um grande objectivo a longo prazo, a valorização dos seus actos, para que os saibam dirigir de acordo com as leis universais da moral objectiva.

Ir propondo metas realistas e ajudá-los a consegui-las, num espaço de relativa liberdade.

Explicar com o exemplo

Na educação dos filhos, não se pode esquecer o mais importante: o exemplo, viver aquilo que se pede, aquilo que se propõe.

Exemplo nas coisas pequenas e insignificantes da vida diária no lar, para influir no que é grande e importante. Só através da firmeza dos pais nas coisas pequenas é que os filhos chegam a ter a sua própria firmeza, a aprender a tomar decisões com plena liberdade e responsabilidade, a ser úteis aos outros e a adquirir os ideais elevados que vão descobrindo no convívio com os outros.

4 de julho de 2008

Entrevista

Cardeal Saraiva Martins
Prefeito da Congregação para a Causa dos Santos

"Uma coisa incomum"

Neste enquadramento celebrativo dos 75 anos do Instituto Secular das Cooperadoras da Família, onde acontece também a proclamação das Virtudes Heróicas do Pe. Brás, o Jornal da Família entrevistou, pessoalmente, o Cardeal Saraiva Martins.

- Na qualidade de Prefeito da Congregação para a Causa dos Santos, o que significou para o Sr. Cardeal a proclamação das Virtudes heróicas de um Sacerdote Português?

É um acontecimento extremamente importante para a Igreja portuguesa, e não só porque é um Sacerdote que é membro de uma diocese e, a Igreja Portuguesa é constituída de Dioceses. Por isso é uma data memorável para a Igreja portuguesa e, um sacerdote simples, humilde, que tenha realizado esse “apostolado” importante como é a Família, é certamente uma coisa incomum, não vulgar, uma coisa extraordinária, que deve ser sublinhada com muita força, mesmo porque pode servir de modelo para tantos outros sacerdotes.

- Quando a Igreja reconhece e proclama a heroicidade das virtudes de uma pessoa, o que quer significar com esse iniciativa?

Bem, quando a Igreja proclama a heroicidade das virtudes, põe por assim dizer, o selo com o qual garante que essa pessoa praticou realmente as virtudes em grau heróico, e é uma proclamação oficial da Igreja, portanto, é de uma importância extraordinária do ponto de vista eclesial. Para a Igreja, não é só um servo de Deus, não é um cristão qualquer, mas é um cristão baptizado que viveu com heroicidade, em grau heróico, as virtudes, ou seja, que seguiu o Evangelho como princípio de vida, e viveu em profundidade, em todas as suas consequências.

- No processo das causas de beatificação e canonização da causa dos Santos, o reconhecimento das virtudes heróicas é um passo decisivo para a progressão do processo ou é irrelevante?

Sem dúvida! Não é nada irrelevante, antes pelo contrário… Não, não. É um passo necessário, uma passagem necessária. É uma nova etapa, porque ninguém pode ser beatificado se não estiver comprovado, certificado, que realmente praticou as virtudes em grau heróico. Porque um beato e um santo são precisamente esses, que praticaram o Evangelho com uma grande heroicidade, pelo que é absolutamente indispensável.

- Poderia enumerar-nos, Senhor Cardeal, alguns factores, iniciativas ou acções, que por parte da Família Blasiana poderão incidir positivamente no avançar do processo de beatificação do Fundador?

Bem, eu acho que a coisa principal que deve fazer a Família Blasiana, é difundir o mais possível a devoção ao venerável servo de Deus.

Dar a conhecer em todos os ambientes, por exemplo, nas Igrejas, nos hospitais, por meio de deplians, por meio de “santinhos” com a oração, isto é muito importante até que venha o milagre, porque a gente se não conhece o beato ou o candidato aos altares, não o invoca. Uma pessoa doente num hospital, naturalmente recorrerá à intercessão daquele santo que conhece, se não os conhecem, não os invocam. Por isso é extremamente importante neste período, neste momento, dar a conhecer o mais possível, por todos os meios e a todos os níveis a figura do Pe. Brás.

- Senhor Cardeal, do que conhece da vida e Obras do Padre Brás, parece-lhe que a sua intuição fundamental: “Salvemos a Família, Salvaremos o Mundo”, tem hoje aplicabilidade e actualidade no contexto da família actual?

Tem, tem a maior actualidade possível. Salvemos a família, salvaremos o mundo; só salvaremos o mundo se salvarmos a família. Porque a família é a célula da sociedade, do mundo. O único problema hoje, o mais importante e, de certo modo, até o único, é o da família. Se se resolver o problema da família, se se recuperar certos valores fundamentais relativos à família, todos os demais problemas já ficam resolvidos ou quase. Por isso é de extrema actualidade, uma frisante actualidade, o vosso carisma, o apostolado, a missão em prol da família.

- O ISCF, tem como carisma e Missão, o “Cuidado da Santificação das Famílias e dos Sacerdotes”, no seu entender, este carisma tem força, dinamismo e actualidade, para envolver e dar sentido à vida de muitos jovens?

Tem. Sim senhor, tem a possibilidade, mas é preciso que este carisma esteja bem explicado aos jovens, ou às jovens, não é? O que é que quer dizer o vosso carisma? Porque de per si, é um carisma muito atraente, é fascinante. Ora, se os jovens (eles e elas), se chegarem a compreender esse aspecto de fascínio do vosso carisma, certamente sentir-se-ão atraídos eventualmente a querer pertencer, a pedirem para pertencer ao vosso Instituto.

É preciso explicar bem a actualidade, a importância, do carisma. Uma coisa pode ser muito bonita, mas se não se explica bem, se o povo – os jovens, neste caso – não entendem aquilo, é inútil. É preciso dar a conhecer, toda a beleza desse carisma para que eles se sintam atraídos pelo mesmo e se abram a uma eventual vocação.

O que significa isso claramente para a família… a beleza dá sempre sentido à vida das pessoas, um carisma belo dá sempre sentido à vida dos jovens. É preciso ver que se trata de uma coisa bela.

- Qual é a força ou o grau da esperança que o Senhor Cardeal tem de que Mons. Brás, em breve, venha a ser beatificado?

A minha esperança?! Eu espero que venha a ser beatificado dentro de pouco tempo mas, como dissemos já, é preciso que haja um milagre, não é? Eu estou certo que se lhe pedirem um milagre, ele vai fazer o milagre… não, eu não digo a brincar, digo a sério. Divulgar o mais possível o conhecimento do Fundador, do Pe. Brás, entre os jovens. E divulgar também o vosso Instituto, é muito importante.

- Que conselhos, ou que recomendações deixaria à Família Blasiana, (Instituto Secular das Cooperadoras da Família; Obra de Santa Zita; Movimento por um Lar Cristão; Jovens Focos de Esperança) no sentido de favorecer um aceleramento do processo de Beatificação do seu Fundador?

A minha primeira recomendação é um convite a viver em profundidade o carisma. Que os membros desta belíssima Família Blasiana) vivam realmente em profundidade em todos os sentidos e a todos os níveis esse carisma, com convicção.

E depois, que essa convicção transpareça para fora; que a gente se dê conta que está diante de uma pessoa que tem um carisma, está convicta do valor desse carisma e se orgulha de o manifestar, de o fazer ver, de o mostrar aos outros. Isto é muito importante, importante vivê-lo e dar a conhecer esta vivência aos outros. E depois, naturalmente, a terceira coisa é coragem.

Porque às vezes é preciso ter coragem, ter força de vontade, coragem, entusiasmo, optimismo. Isto são palavras que, do ponto de vista da fé, do ponto de vista cristão, têm uma importância extraordinária porque, o cristão não tem motivo para viver triste, para viver desconsolado, sem esperança, sem optimismo, não! O cristão se crê realmente no mistério da Páscoa de Cristo, tem de ser necessariamente um optimista, cheio de esperança e isto vale para todos os cristãos mas vale muito mais para quem, no seio da Igreja, vive um carisma específico como o vosso. É a coragem que Deus nos pede a todos, cada um no seu campo, mas sempre viver este carisma com entusiasmo, com alegria, com optimismo.

- Senhor Cardeal, o “Jornal da Família” tem 13 000 leitores. Pedia-lhe que dirigisse uma palavra de estímulo e encorajamento aos mesmos e um apelo, no sentido de que os leitores apreciem e recorram à intercessão do Pe. Brás.

Apelo a que nas suas dúvidas e dificuldades, os leitores, recorram à intercessão do Padre Brás, Fundador desta publicação, e tornem conhecida a sua pessoa e o seu amor à Família. A esses 13 000 leitores eu recomendo ainda, que, quando receberem o “Jornal da Família”, não vejam só os títulos e depois deitem para o cesto, mas que leiam bem as mensagens de que é portadora essa revista, o “Jornal da Família”; que leiam, que devorem e que não deitem logo para o cesto e que, naturalmente, quando a gente lê uma coisa é para enriquecer-se. Portanto, que se enriqueçam bem com as mensagens, que serão certamente óptimas e lhes leva todos os meses o “Jornal da Família”.

Twitter Delicious Facebook Digg Stumbleupon Favorites More