Diário da Assembleia Geral do ISCF

“Tudo o que se fizer a bem da família, por pequeno que seja é grande”. (Mons. Brás)

A Família no centro das atenções

Encontra aqui os vários artigos do Dr. Juan Ambrósio sobre a Família...

Encontro Mundial das Famílias 2015

O Vaticano apresentou dia 24 de março em conferência de imprensa o 7.º Encontro Mundial da Família, que vai decorrer de 22 a 27 de setembro de 2015 na cidade norte-americana de Filadélfia.

A saúde mental dos portugueses

Alguns dedicam-se obsessivamente aos números e às estatísticas esquecendo que a sociedade é feita de pessoas...

O trabalho, dom e direito

A sociedade portuguesa e internacional, vive uma situação de crise generalizada e de aumento das desigualdades sociais...

Longe vão os tempos

Longe vão os tempos dos preconceitos culturais em que se aceitava que era a mãe que tinha de cuidar dos filhos...

Dar esperança em tempo de crise

Vivemos tempos difíceis. A família, como célula base da sociedade, é imediatamente afetada por esta crise generalizada e que promete perdurar. Neste contexto, exige-se um novo paradigma, uma nova forma de estar e de nos relacionarmos.

16 de julho de 2008

Entrevista

Lennon: “Sou um grande fã de Cristo”

O mais carismático dos Beatles, que chegou a afirmar que a sua banda era mais famosa que Jesus, confessou ser o maior adepto de Cristo, numa entrevista que nunca chegou a ser emitida, mas que veio agora a lume.


Na entrevista, gravada em 1969, Lennon foi questionado sobre a sua polémica afirmação, mas defendeu-se: “era só uma expressão, queria dizer que me parece que hoje em dia os Beatles têm mais influência sobre os jovens do que Jesus. Mas não queria dizer que isso era bom, porque sou dos maiores fãs de Cristo. Se pudermos alterar o enfoque mediático dos Beatles para a mensagem de Cristo, então é o que queremos fazer.”


Mas Lennon foi ainda mais longe, ao sentenciar: “Se os Beatles se colocarem do lado de Cristo, que é onde sempre estivemos, então talvez as igrejas não se encham, mas haverá muitos cristãos nos salões de dança. Não me parece importante saber o que eles celebram, se Deus ou Cristo, desde que estejam conscientes dele e da sua mensagem.”


Não se pense, contudo, que John Lennon era um cristão ortodoxo nas suas crenças. O autor da música “Imagine”, em que pede aos ouvintes para imaginar um mundo sem religião, considerava as instituições religiosas uma hipocrisia e recordava um padre que o expulsara da igreja por rir, aos 14 anos, com particular azedume.

FA/Daily Telegraph

15 de julho de 2008

A Semana Missionária corre sobre rodas...
O Padre Brás passou e deixou rasto e é este rasto que queremos manter visível por Portugal fora.
Em breve mostraremos um resumo destes dias em que andamos pelas terras que o viram nascer - a relembrar a uns e a anunciar a outros as grandes Obras por ele fundadas.

Acompanhe aqui passo a passo as Jornadas Mundiais da Juventude em Austrália: http://jornadasdajuventude.blogspot.com/

14 de julho de 2008


11 de julho de 2008

A Família e a Educação: Para que se educam os filhos

Por Mª Helena Henriques M.

Que está a acontecer à juventude? Perguntam a si mesmos muitos pais de família. Basta sair à rua de qualquer cidade para se verem os sintomas de um caos considerável. Cruzamo-nos com rapazes e raparigas que andam de um lado para o outro, sem parar, tentando afogar com a sua extravagância o vazio interior que o seu olhar reflecte.

Às vezes são os filhos de pessoas muito próximas, os filhos dos nossos amigos...

Todos - como um só – sem rumo determinado, entre ruídos numerosos e indecifráveis.

Qualquer um deles, separado dos outros, fala de justiça social, de igualdade, de “sinceridade”... Aprofundamos e, afinal, nada. Derruba-se toda essa fachada de palavras. Todo esse afã de auto-afirmação desaparece e fica um indivíduo sem ideias, materialista, mole, sem responsabilidade, pouco ou nada religioso, sem sentido de pecado... Não sabe o que é que nos há-de dizer, desmascarámo-lo. Mas quando volta com o grupo, parece outra vez alguém. Quer mudar o mundo mas... com quê, se não tem nada dentro de si?

Não, não se alarme, porque, felizmente, nem todos são assim; há de tudo mas estes, como é lógico são os que dão mais nas vistas porque saem do normal. A virtude, como alguém disse, quase nunca é notícia, e isto não é mais do que um “retrato – chapado” de um sector muito concreto da nossa juventude.

A que se deve tudo isto?

São eles que têm a culpa?

Somos nós, os pais e outros educadores? A resposta não é fácil, porque na formação do homem intervêm mil factores diferentes e são outras mil as influências que vamos recebendo ao longo da vida - especialmente na infância e na adolescência.

Sejamos realistas; de pouco nos vale lamentar-nos. O que importa é reflectir, tirar experiências e pôr em prática os recursos que tivermos ao nosso alcance. Talvez tenhamos “adormecido” um pouco mas ainda estamos a tempo.

Vamos procurar falar um pouco deste complexo mundo da educação. Vamos analisar algumas das influências a que os jovens vão estando sujeitos e qual deve ser o nosso comportamento perante cada situação.

Os filhos não se educam sós. Nem a “escola da vida”, nem mesmo o melhor dos colégios os ensina a desenvolver responsavelmente a sua liberdade, nem a converterem-se em pessoas autónomas e equilibradas, nem, enfim, a serem pessoas maduras.

O recém-nascido tem em germe todas as suas potencialidades mas só com esforço se desenvolvem e adquirem maior perfeição operativa. O êxito nesta tarefa depende, de modo indispensável, da ajuda que recebe dos pais. Educar, é precisamente ajudar este desenvolvimento, e é essa a essência da paternidade.

Dedicar-se aos filhos

A primeira condição indispensável para levar a bom termo a tarefa da educação é dedicar tempo, mas um tempo constante, sem altos e baixos, com toda a atenção a todas as fases da vida do filho, porque em educação raramente existem mudanças bruscas. O processo é contínuo, embora os resultados só se manifestem após um longo prazo.

É frequente que muitos pais ao afirmarem que querem fazer dos seus filhos uns homens “completos”, não incluam nesta expressão o desenvolvimento de todas as suas capacidades, de tudo o que podem dar, mas sim do que eles consideram mais importante nesse momento.

Para resistir a estas influências e não sucumbir perante modas passageiras, impõe-se como necessidade veemente a obrigação de fixar objectivos educativos que encaminhem os respectivos esforços de modo firme e recto.

Para educar uma criança é preciso, além de muito carinho, dedicar-lhe tempo e saber muito bem o que se pretende.

Fixar objectivos

Para uns pais conscientes, ter objectivos a longo prazo é reflectir sobre os resultados que pretendem conseguir nos seus filhos, através de determinados meios ao seu alcance. É necessário apresentar uma diversidade de objectivos que cubram todos os campos da personalidade, para se conseguir formar homens verdadeiramente maduros e completos.

De acordo com uma escala de valores, os objectivos que devem guiar o esforço e a dedicação dos pais, diariamente, constituem uma longa lista que começa com os objectivos puramente físicos, continua com os instrutivos e operativos, passa pelos sociais e afectivos, e culmina com os morais e os religiosos, numa escala de graduação perfeita.

Filhos sãos e cultos

Não há um único pai que, no momento de educar os seus filhos, não tenha presente os primeiros, e para muitos eles constituem a única finalidade educativa. Crianças sãs, bem alimentadas, bons desportistas ou, indo mais longe, com hábitos de limpeza e de descanso, podem ser o orgulho dos pais, embora se trate, evidentemente, de um campo bastante limitado.

Há objectivos que duram toda a vida. E para formar homens completos é preciso traçar uma diversidade de objectivos que abarquem todos os campos da personalidade.

Trabalhadores e sociáveis

Ter objectivos instrutivos em relação aos filhos de pouco serve se não existirem outros que poderíamos qualificar de operativos, através dos quais os ensinamos a aplicar com proveito – em benefício deles e de outros – os conhecimentos e capacidades adquiridas. Uma educação para o trabalho deve ajudar os filhos a desenvolverem hábitos adequados pelos quais compreendam que este esforço humano corresponde a uma necessidade da natureza consciente do homem, que o ajuda a manifestar-se inteiramente e que produz o bem-estar de ter cumprido o mandato divino do trabalho.

Fomos criados para trabalhar!

Na aprendizagem para a vida convém não esquecer o mundo que nos rodeia. Somos seres sociáveis e sociais.

No campo afectivo, é necessário que haja duas condições essenciais: que cada um dos filhos se sinta amado pelo que é e não pelo que faz - com um amor nem dominante nem exigente - e se sinta em união e harmonia. Por outro lado, é importante estabelecer metas sucessivas e escalonadas ajudando-o a ultrapassar todas as etapas que dificultam o seu caminho para a autonomia, a desenvolver essa independência estimulando a sua autoconfiança e auto-estima.

Formação moral

É importante que cedo comecem a distinguir o bem do mal e a usar a sua liberdade com responsabilidade.

Não se pode pretender que os filhos se saibam comportar moralmente como adultos, se antes não se teve para com eles, como um grande objectivo a longo prazo, a valorização dos seus actos, para que os saibam dirigir de acordo com as leis universais da moral objectiva.

Ir propondo metas realistas e ajudá-los a consegui-las, num espaço de relativa liberdade.

Explicar com o exemplo

Na educação dos filhos, não se pode esquecer o mais importante: o exemplo, viver aquilo que se pede, aquilo que se propõe.

Exemplo nas coisas pequenas e insignificantes da vida diária no lar, para influir no que é grande e importante. Só através da firmeza dos pais nas coisas pequenas é que os filhos chegam a ter a sua própria firmeza, a aprender a tomar decisões com plena liberdade e responsabilidade, a ser úteis aos outros e a adquirir os ideais elevados que vão descobrindo no convívio com os outros.

4 de julho de 2008

Entrevista

Cardeal Saraiva Martins
Prefeito da Congregação para a Causa dos Santos

"Uma coisa incomum"

Neste enquadramento celebrativo dos 75 anos do Instituto Secular das Cooperadoras da Família, onde acontece também a proclamação das Virtudes Heróicas do Pe. Brás, o Jornal da Família entrevistou, pessoalmente, o Cardeal Saraiva Martins.

- Na qualidade de Prefeito da Congregação para a Causa dos Santos, o que significou para o Sr. Cardeal a proclamação das Virtudes heróicas de um Sacerdote Português?

É um acontecimento extremamente importante para a Igreja portuguesa, e não só porque é um Sacerdote que é membro de uma diocese e, a Igreja Portuguesa é constituída de Dioceses. Por isso é uma data memorável para a Igreja portuguesa e, um sacerdote simples, humilde, que tenha realizado esse “apostolado” importante como é a Família, é certamente uma coisa incomum, não vulgar, uma coisa extraordinária, que deve ser sublinhada com muita força, mesmo porque pode servir de modelo para tantos outros sacerdotes.

- Quando a Igreja reconhece e proclama a heroicidade das virtudes de uma pessoa, o que quer significar com esse iniciativa?

Bem, quando a Igreja proclama a heroicidade das virtudes, põe por assim dizer, o selo com o qual garante que essa pessoa praticou realmente as virtudes em grau heróico, e é uma proclamação oficial da Igreja, portanto, é de uma importância extraordinária do ponto de vista eclesial. Para a Igreja, não é só um servo de Deus, não é um cristão qualquer, mas é um cristão baptizado que viveu com heroicidade, em grau heróico, as virtudes, ou seja, que seguiu o Evangelho como princípio de vida, e viveu em profundidade, em todas as suas consequências.

- No processo das causas de beatificação e canonização da causa dos Santos, o reconhecimento das virtudes heróicas é um passo decisivo para a progressão do processo ou é irrelevante?

Sem dúvida! Não é nada irrelevante, antes pelo contrário… Não, não. É um passo necessário, uma passagem necessária. É uma nova etapa, porque ninguém pode ser beatificado se não estiver comprovado, certificado, que realmente praticou as virtudes em grau heróico. Porque um beato e um santo são precisamente esses, que praticaram o Evangelho com uma grande heroicidade, pelo que é absolutamente indispensável.

- Poderia enumerar-nos, Senhor Cardeal, alguns factores, iniciativas ou acções, que por parte da Família Blasiana poderão incidir positivamente no avançar do processo de beatificação do Fundador?

Bem, eu acho que a coisa principal que deve fazer a Família Blasiana, é difundir o mais possível a devoção ao venerável servo de Deus.

Dar a conhecer em todos os ambientes, por exemplo, nas Igrejas, nos hospitais, por meio de deplians, por meio de “santinhos” com a oração, isto é muito importante até que venha o milagre, porque a gente se não conhece o beato ou o candidato aos altares, não o invoca. Uma pessoa doente num hospital, naturalmente recorrerá à intercessão daquele santo que conhece, se não os conhecem, não os invocam. Por isso é extremamente importante neste período, neste momento, dar a conhecer o mais possível, por todos os meios e a todos os níveis a figura do Pe. Brás.

- Senhor Cardeal, do que conhece da vida e Obras do Padre Brás, parece-lhe que a sua intuição fundamental: “Salvemos a Família, Salvaremos o Mundo”, tem hoje aplicabilidade e actualidade no contexto da família actual?

Tem, tem a maior actualidade possível. Salvemos a família, salvaremos o mundo; só salvaremos o mundo se salvarmos a família. Porque a família é a célula da sociedade, do mundo. O único problema hoje, o mais importante e, de certo modo, até o único, é o da família. Se se resolver o problema da família, se se recuperar certos valores fundamentais relativos à família, todos os demais problemas já ficam resolvidos ou quase. Por isso é de extrema actualidade, uma frisante actualidade, o vosso carisma, o apostolado, a missão em prol da família.

- O ISCF, tem como carisma e Missão, o “Cuidado da Santificação das Famílias e dos Sacerdotes”, no seu entender, este carisma tem força, dinamismo e actualidade, para envolver e dar sentido à vida de muitos jovens?

Tem. Sim senhor, tem a possibilidade, mas é preciso que este carisma esteja bem explicado aos jovens, ou às jovens, não é? O que é que quer dizer o vosso carisma? Porque de per si, é um carisma muito atraente, é fascinante. Ora, se os jovens (eles e elas), se chegarem a compreender esse aspecto de fascínio do vosso carisma, certamente sentir-se-ão atraídos eventualmente a querer pertencer, a pedirem para pertencer ao vosso Instituto.

É preciso explicar bem a actualidade, a importância, do carisma. Uma coisa pode ser muito bonita, mas se não se explica bem, se o povo – os jovens, neste caso – não entendem aquilo, é inútil. É preciso dar a conhecer, toda a beleza desse carisma para que eles se sintam atraídos pelo mesmo e se abram a uma eventual vocação.

O que significa isso claramente para a família… a beleza dá sempre sentido à vida das pessoas, um carisma belo dá sempre sentido à vida dos jovens. É preciso ver que se trata de uma coisa bela.

- Qual é a força ou o grau da esperança que o Senhor Cardeal tem de que Mons. Brás, em breve, venha a ser beatificado?

A minha esperança?! Eu espero que venha a ser beatificado dentro de pouco tempo mas, como dissemos já, é preciso que haja um milagre, não é? Eu estou certo que se lhe pedirem um milagre, ele vai fazer o milagre… não, eu não digo a brincar, digo a sério. Divulgar o mais possível o conhecimento do Fundador, do Pe. Brás, entre os jovens. E divulgar também o vosso Instituto, é muito importante.

- Que conselhos, ou que recomendações deixaria à Família Blasiana, (Instituto Secular das Cooperadoras da Família; Obra de Santa Zita; Movimento por um Lar Cristão; Jovens Focos de Esperança) no sentido de favorecer um aceleramento do processo de Beatificação do seu Fundador?

A minha primeira recomendação é um convite a viver em profundidade o carisma. Que os membros desta belíssima Família Blasiana) vivam realmente em profundidade em todos os sentidos e a todos os níveis esse carisma, com convicção.

E depois, que essa convicção transpareça para fora; que a gente se dê conta que está diante de uma pessoa que tem um carisma, está convicta do valor desse carisma e se orgulha de o manifestar, de o fazer ver, de o mostrar aos outros. Isto é muito importante, importante vivê-lo e dar a conhecer esta vivência aos outros. E depois, naturalmente, a terceira coisa é coragem.

Porque às vezes é preciso ter coragem, ter força de vontade, coragem, entusiasmo, optimismo. Isto são palavras que, do ponto de vista da fé, do ponto de vista cristão, têm uma importância extraordinária porque, o cristão não tem motivo para viver triste, para viver desconsolado, sem esperança, sem optimismo, não! O cristão se crê realmente no mistério da Páscoa de Cristo, tem de ser necessariamente um optimista, cheio de esperança e isto vale para todos os cristãos mas vale muito mais para quem, no seio da Igreja, vive um carisma específico como o vosso. É a coragem que Deus nos pede a todos, cada um no seu campo, mas sempre viver este carisma com entusiasmo, com alegria, com optimismo.

- Senhor Cardeal, o “Jornal da Família” tem 13 000 leitores. Pedia-lhe que dirigisse uma palavra de estímulo e encorajamento aos mesmos e um apelo, no sentido de que os leitores apreciem e recorram à intercessão do Pe. Brás.

Apelo a que nas suas dúvidas e dificuldades, os leitores, recorram à intercessão do Padre Brás, Fundador desta publicação, e tornem conhecida a sua pessoa e o seu amor à Família. A esses 13 000 leitores eu recomendo ainda, que, quando receberem o “Jornal da Família”, não vejam só os títulos e depois deitem para o cesto, mas que leiam bem as mensagens de que é portadora essa revista, o “Jornal da Família”; que leiam, que devorem e que não deitem logo para o cesto e que, naturalmente, quando a gente lê uma coisa é para enriquecer-se. Portanto, que se enriqueçam bem com as mensagens, que serão certamente óptimas e lhes leva todos os meses o “Jornal da Família”.

1 de julho de 2008

Namoro, tempo de conhecer

Por Prof. Felipe Aquino
Quando vais comprar uns sapato ou um vestido, não levas para casa o primeiro que experimentas, é claro. Escolhes, escolhes… até gostares da cor, do modelo, do preço, e servir bem nos seus pés ou no seu corpo. Se escolhes com tanto cuidado um simples sapato, umas calças, quanto mais cuidado precisas de ter ao “escolher” a pessoa que deve viver ao teu lado para sempre, construir uma vida a dois contigo, e dando vida a novas pessoas.

Talvez possas um dia mudar de casa, mudar de profissão, mudar de cidade, mas não acontece o mesmo no casamento. É claro que não vais escolher a futura esposa, ou o futuro marido, como se escolhe uns sapatos. Já dizia o poeta que “com gente é diferente”. Mas, no fundo será também uma criteriosa escolha.
Se escolheres namorar aquela rapariga, só porque ela é “fácil”, pode ser que chores depois se ela te deixar por outro. Se escolheres aquele rapaz só porque ele é um “gato”, pode ser que amanhã ele faça com que tu chores quando se cansar de ti. A escolha do namorado não pode ser feita só “por fora”; mas principalmente por dentro. O Pequeno Príncipe nos ensinou que “o mais importante é invisível aos olhos”.
O namoro é este belo tempo de saudável relacionamento entre os jovens, onde, conhecendo-se mutuamente, vão se descobrindo e fazendo “a grande escolha”. Já ouvi alguém dizer, erradamente, que “o casamento é um tiro no escuro”; isto é, não se sabe onde vai acertar; não se sabe se vai dar certo. Isto acontece quando não há preparação para a união definitiva, quando não se leva a sério o amor pelo outro.
Todo o casamento começa num namoro; por isso não se pode levá-lo na brincadeira; é coisa séria. A preparação para o teu casamento começa no namoro, quando conheces o outro e verificas se há afinidade dele contigo e com os seus valores. Se o teu namoro for sério, o teu casamento não será um tiro no escuro, e nem uma roleta da sorte. O teu casamento vai começar num namoro. Por isso, não brinques com ele, não faças dele apenas um passa – tempo, ou uma “gostosa” aventura; estarias a brincar com a tua vida e com a vida do outro.
Só começas a namorar quando souberes “porque” vais namorar. Mais importante do que a idade para começar a namorar, 13 anos, 15 anos, 17 anos, 22 anos, é a tua maturidade. A idade em que deves começar a namorar é aquela na qual já pensas no casamento, com seriedade, mesmo que ele esteja ainda longe. Não se faz nada bem feito na vida se não temos uma meta a atingir.
Para que possas fazer bem uma escolha, é preciso que saibas antes o que queres. Sem isto a escolha fica difícil. Que tipo de rapaz tu queres? Que qualidades a tua namorada deve ter? O que esperas dele ou dela? Esta premissa é fundamental. Se não sabes o que queres, acabas por levar qualquer um… Os valores do teu namorado deve ser os mesmos valores teus, senão, não haverá encontro de almas. Se és religiosa e queres viver segundo a Lei de Deus, como namorar um rapaz que não quer nada disso? É preciso ser coerente contigo mesma. O casamento é uma unidade de almas e a religião é muito importante nessa união.
Se tens uma boa família, teus pais amam-se, teus irmãos estão juntos, então será difícil construir a vida com alguém que não dá importância para o valor da família. Tenho encontrado muitos casais de namorados e de casados que vivem uma dicotomia nas suas vidas religiosas; e isto é motivo de desentendimento entre eles. Há jovens que pensam assim: “eu sou religiosa e ele não; mas, com o tempo eu levo-o para Deus”. Isto não é impossível; e tenho visto acontecer. No entanto, não é fácil. E a conversão da pessoa não basta que seja aparente e superficial; há que ser profunda, para que possa satisfazer os seus anseios religiosos.
Não renuncies os teus autênticos valores na escolha do outro. Se é lícito tentares adequar-te às exigências do outro, por outro lado, não é lícito matares os teus valores essenciais para não perdê-lo. Diz o povo que é melhor andar só do que mal acompanhado. Tenho visto muita gente a chorar, depois de casado, porque aceitaram-se casar sem convicção, e fizeram-no mais por conveniência.
Não sacrifiques o que és, para conquistar alguém. Há coisas secundárias dos quais podemos abdicar, sem comprometer a estrutura básica da vida, mas há valores essenciais que não podem ser sacrificados.
Algumas raparigas e rapazes católicos aceitam um namoro com alguém divorciado, por medo de ficarem sós. É verdade que o casamento de um divorciado pode ser declarado nulo pela Igreja, mas é um processo que não é sempre rápido. E não se pode casar sem a declaração de nulidade dada pelo Tribunal da Igreja. É melhor ficar só, do que violar a Lei de Deus; pois ninguém pode ser plenamente feliz se não cumpre a vontade Dele. Portanto, é importante que saibas o que queres, e que saibas conquistá-lo sem te renderes. Não te faças de cego, nem de surdo, e nem de desentendido.
Para que possas chegar um dia ao altar, terás que escolher a pessoa amada; e, para isto é fundamental conhecê-la. O namoro é o tempo de conhecer o outro. Mais por dentro do que por fora. E para conhecer o outro é preciso que ele “se revele”, se mostre. Cada um de nós é um mistério, desconhecido para o outro. E o namoro é o tempo de revelar (= tirar o véu) esse mistério. Cada um veio de uma família diferente, recebeu valores próprios dos pais, foi educado de maneira diferente e viveu experiências próprias, cultivando hábitos e valores distintos. Tudo isto vai ter que ser posto em comum, reciprocamente, para que cada um conheça a “história “do outro. Há que revelar o mistério!
Se não te revelares, ele não vai conhecê-la, pois este mistério que tu és, é como uma caixa bem fechada e que só tem chave por dentro. É a tua intimidade que vai ser mostrada ao outro, nos limites e na proporção que o relacionamento for aumentando e se firmando. É claro que não vais mostrar ao seu namorado, no primeiro dia de namoro, todos os seus defeitos. Isto será feito devagar, na medida que o amor entre ambos se fortalecer. Mas há algo muito importante nesta revelação própria de cada um ao outro: é a verdade e a autenticidade. Sê autêntico, e não mintas. Sê aquilo que és, sem disfarces e fingimentos mostra ao outro, lentamente, a sua realidade.
A mentira destrói tudo, e principalmente o relacionamento. Não tenhas vergonha da tua realidade, dos teus pais, da tua casa, dos teus irmãos, etc. Se o outro não aceitar a tua realidade, e deixá-lo por causa dela, fica tranquilo, esta pessoa não era para ti, não te ama. Uma qualidade essencial do verdadeiro amor é aceitar a realidade do outro.
O amor pelo outro cresce na medida que o conheces melhor. Não existe verdadeiro amor à primeira vista. Não se ama alguém que não se conhece. Não fiques cego diante do outro por causa do brilho da sua beleza, da sua posição social ou do seu dinheiro. Isto impediria de o conheceres interiormente e verdadeiramente. Não te esqueça: “o importante é invisível aos olhos”. “Só se vê bem com o coração”. São Paulo lembra-nos que o que é material é terreno e passageiro, mas o que é espiritual é eterno. Tudo o que vês e tocas pode ser destruído pelo tempo, mas o que é invisível aos olhos está apegado ao ser da pessoa e nada pode destruir. Esse é o seu verdadeiro valor.
O namoro não é o tempo de viver a vida sexual; ela ainda não lhe pertence; vocês não colocaram ainda uma aliança na mão esquerda; amanhã ela poderá casar-se com outro… O sexo é o selo da união matrimonial.
A beleza do corpo dela hoje, embora seja importante, amanhã não existirá mais quando o tempo passar, e os filhos crescerem… O amor não é um acto de um momento, mas constrói-se “a cada momento”. Não se pode conhecer uma pessoa “à primeira vista”, é preciso todo um relacionamento. Só o tempo poderá mostrar se um namoro deve continuar ou terminar, quando cada um poderá conhecer o interior do outro, e então, puder avaliar se há nele as exigências fundamentais que fixaste.

23 de junho de 2008

Quando a "Mão de Deus" alcançou o "Rei do aborto"

Bernard Nathanson, o "rei do aborto"

O que pode levar um poderoso e reconhecido médico abortista a converter-se num forte defensor da vida e abraçar os ensinamentos de Jesus Cristo?
Pode que tenha sido o peso de sua consciência pela morte de 60 mil nascituros ou talvez as muitas orações de todos aqueles que rogaram incessantemente por sua conversão?

Segundo Bernard Nathanson, o famoso "rei do aborto", sua conversão ao catolicismo resultaria inconcebível sem as orações que muitas pessoas elevaram a Deus pedindo por ele. "Estou totalmente convencido de que as suas preces foram escutadas por Ele", indicou emocionado Nathanson no dia em que o Arcebispo de Nova York, o falecido Cardeal O'Connor, o baptizou.

Filho de um prestigioso médico especializado em ginecologia, o Dr. Joey Nathanson, a quem o ambiente cético e liberal da universidade o fez abdicar da sua fé, Nathanson cresceu num lar sem fé e sem amor, onde imperava muita malícia, conflitos e ódio.

Profissional e pessoalmente Bernard Nathanson seguiu durante uma boa parte de sua vida os passos do seu pai. Estudou medicina na Universidade de McGill (Montreal), e em 1945 começou a namorar Ruth, uma jovem e bela judia com quem realizou planos de matrimónio. Porém a jovem ficou grávida e quando Bernard escreveu para o seu pai consultando-lhe sobre a possibilidade de contrair matrimónio, este lhe enviou cinco notas de 100 dólares junto com a recomendação de que escolhesse entre abortar ou ir aos Estados Unidos para casar-se, pondo em risco a sua brilhante carreira como médico que o aguardava.

Bernard priorizou sua carreira e convenceu a Ruth que abortasse. Ele não a acompanhou à intervenção abortiva e Ruth voltou à sua casa sozinha, num táxi, com uma forte hemorragia, a ponto de perder a vida. Ao recuperar-se, quase milagrosamente, ambos terminaram sua relação. "Este foi o primeiro dos meus 75.000 encontros com o aborto, me serviu de excursão inicial ao satânico mundo do aborto", confessou o Dr. Nathanson.

Após graduar-se, Bernard iniciou sua residência num hospital judeu.

Depois passou ao Hospital de Mulheres de Nova York onde sofreu pessoalmente a violência do anti-semitismo, e entrou em contacto com o mundo do aborto clandestino. Nesta época já havia se casado com uma jovem judia, tão superficial quanto ele, como confessaria, com a qual permaneceu unido cerca de quatro anos e meio. Nestas circunstâncias Nathanson conheceu Larry Lader, um médico a quem só lhe obsessionava a ideia de conseguir que a lei permitisse o aborto livre e barato. Para isso fundou, em 1969, a "Liga de Acção Nacional pelo Direito ao Aborto", uma associação que tentava culpar a Igreja por cada morte ocorrida nos abortos clandestinos.

Mas foi em 1971 quando Nathanson se envolveu directamente com a prática de abortos. As primeiras clínicas abortistas de Nova York começavam a explorar o negócio da morte programada, e em muitos casos seu pessoal carecia da licença do Estado ou de garantias mínimas de segurança. Como foi o caso da que dirigia o Dr. Harvey. As autoridades estavam a ponto de fechar esta clínica quando alguém sugeriu que Nathanson poderia encarregar-se da sua direcção e funcionamento. Ocorria o parodoxo incrível de que, enquanto esteve diante daquela clínica, naquele lugar havia um sector de obstetrícia: isto é, se atendiam partos normais ao mesmo tempo que se praticava abortos.

Por outro lado, Nathanson realizava uma intensa actividade, dando conferências, celebrando encontros com políticos e governantes, pressionando-lhes para que fosse ampliada a lei do aborto.

"Estava muito ocupado. Quase não via a minha família. Tinha um filho de poucos anos e uma mulher, mas quase nunca estava em casa. Lamento amargamente estes anos, por mais que seja só por ter fracassado em ver meu filho crescer. Também era um segregado na profissão médica. Era conhecido como o rei do aborto", afirmou.

Durante este período, Nathandon realizou mais de 60.000 abortos, mas no fim do ano de 1972, esgotado, demitiu do seu cargo na clínica.

"Abortei os filhos não nascidos dos meus amigos, colegas, conhecidos e inclusive professores. Cheguei ainda a abortar meu próprio filho", chorou amargamente o médico, que explicou que por volta da metade da década de 60 engravidou a uma mulher que gostava muito dele (...) Ela queria seguir adiante com a gravidez mas ele se negou. Já que eu era um dos especialistas no tema, eu mesmo realizaria o aborto, expliquei. E assim procedi.", precisou.

Entretanto a partir deste acontecimento as coisas começaram a mudar. Deixou a clínica abortista e possou a ser chefe de obstetrícia do Hospital St. Luke's. A nova tecnologia, o ultrasom, começava a aparecer no ambiente médico. No dia em que Nathanson pôde observar o coração do feto nos monitores electrónicos, começou a perguntar-se "que estamos a fazer verdadeiramente na clínica".

Decidiu reconhecer o seu erro. Na revista médica The New England Journal of Medicine, escreveu um artigo sobre sua experiência com os ultrasonografias, reconhecendo que no feto existia vida humana. Incluía declarações como a seguinte: "o aborto deve ser visto como a interrupção de um processo que de outro modo teria produzido um cidadão no mundo. Negar esta realidade é o tipo mais grosseiro de evasão moral".

Aquele artigo provocou uma forte reacção. Nathanson e sua família receberam inclusive ameaças de morte, porém a evidência de que não podia continuar a praticar abortos se impôs. Tinha chegado à conclusão que não havia nenhuma razão para abortar: o aborto é um crime.

Pouco tempo depois, uma nova experiência com as ultrasonografias serviu de material para um documentário que encheu de admiração e horror ao mundo. Era titulado "O grito silencioso", e sucedeu em 1984 quando Nathanson pediu a um amigo seu - que praticava entre 15 a 20 abortos por dia- que colocasse um aparelho de ultrasom sobre a mãe, gravando a intervenção.

"Assim o fez, explica Nathanson, e quando viu a gravação comigo, ficou tão afectado que nunca mais voltou a realizar um aborto. As gravações eram assombrosas, por mais que não eram de boa qualidade. Seleccionei a melhor e comecei a projecta-la nos meus encontros pró-vida por todo o país".

Retorno do filho pródigo

Nathanson tinha abandonado sua antiga profissão de "carniceiro humano" mas ainda estava pendente o seu caminho de volta a Deus. Uma primeira ajuda veio de seu admirado professor universitário, o psiquiatra Karl Stern.

"Transmitia uma serenidade e uma segurança indefiníveis. Nessa época não sabia que em 1943, após longos anos de meditação, leitura e estudo, tinha se convertido ao catolicismo. Stern possuía um segredo que eu tinha buscado toda a minha vida: o segredo da paz de Cristo".

O movimento pró-vida lhe havia proporcionado o primeiro testemunho vivo da fé e do amor de Deus. Em 1989 esteve numa acção de Operação Resgate nos arredores de uma clínica. O ambiente dos que lá se manifestavam pacificamente a favor da vida dos nascituros lhe havia comovido: estavam serenos, contentes, cantavam, rezavam... Os mesmos meios de comunicação que cobriam o evento e os policiais que vigilavam, estavam assombrados pela atitude destas pessoas. Nathanson ficou cativado "e, pela primeira vez em toda a minha vida de adulto comecei a considerar seriamente a noção de Deus, um Deus que tinha permitido que eu andasse por todos os proverbiais circuitos do inferno, para ensinar-me o caminho da redenção e da misericórdia através da sua graça".

"Durante dez anos passei por um período de transição. Senti que o peso dos meus abortos se fazia mais grave e persistente pois me despertava cada dia às 4 ou 5 da manhã, olhando a escuridão e esperando (mas sem rezar ainda) que se iluminasse um letreiro declarando-me inocente ante um júri invisível", indica Nathanson.
Logo, o médico acaba por ler "As Confissões", de Santo Agostinho, livro que qualificou como "alimento de primeira necessidade", convertendo-se no seu livro mais lido já que Santo Agostinho "falava do modo mais completo de meu tormento existencial; porém eu não tinha uma Santa Mónica que me ensinasse o caminho e estava acusado por uma negra desesperança que não diminuía".
Nesta situação não faltou a tentação do suicídio, mas, afortunadamente, decidiu buscar uma solução diferente. Os remédios tentados falhavam: álcool, tranquilizantes, livros de auto-estima, conselheiros, até chegar a psicanálise, onde permaneceu por 4 anos.

O espírito que animava aquela manifestação pró-vida endereçou a sua busca. Começou a conversar periodicamente com Padre John McCloskey; não lhe resultava fácil crer, mas pelo contrário, permanecer no agnosticismo, levava ao abismo. Progressivamente se descobria a si mesmo acompanhado de alguém que se importava por cada um dos segundos da sua existência. "Já não estou sozinho. Meu destino foi dar voltas pelo mundo à busca deste Alguém sem o qual estou condenado, porém a que agora me agarro desesperadamente, tentando não soltar-me da orla do seu manto".

Finalmente, no dia 9 de Dezembro de 1996, às 7:30 de uma segunda feira, solenidade da Imaculada Conceição, na cripta da Catedral de São Patrício de Nova York, o Dr. Nathanson se convertia em filho de Deus. Entrava a formar parte do Corpo Místico de Cristo, sua Igreja. O Cardeal O 'Connor lhe administrou os sacramentos do Baptismo, Confirmação e Eucaristia.

Um testemunho expressa assim este momento: "Esta semana experimentei com uma evidência poderosa e fresca que o Salvador que nasceu há 2.000 anos num estábulo continua transformando o mundo. Na segunda-feira passada fui convidado a um Baptismo. (...) Observei como Nathanson caminhava até ao altar. Que momento! Tal qual no primeiro século... um judeu convertido caminhando nas catacumbas para encontrar a Cristo. E sua madrinha era Joan Andrews. As ironias abundam. Joan é uma das mais destacadas e conhecidas defensoras do movimento pró-vida... A cena me queimava por dentro, porque justo em cima do Cardeal O 'Connor havia uma Cruz... Olhei para a Cruz e me precatei de que o que o Evangelho ensina é a verdade: a vitória está em Cristo".

As palavras de Bernard Nathanson no fim da cerimónia, foram curtas e directas. "Não posso dizer como estou agradecido nem a dívida tão impagável que tenho com todos aqueles que rezaram por mim durante todos os anos nos quais me proclamava publicamente ateu. Rezaram teimosa e amorosamente por mim. Estou totalmente convencido de que suas orações foram escutadas. Conseguiram lágrimas para meus olhos".

Fonte: ACI Digital

18 de junho de 2008

A vergonha da autêntica crise social

por João César das Neves


Portugal vive grave crise social. Toda a gente sabe isto. Os jornais repetem diariamente os contornos do drama, sucedem-se manifestações e protestos, a oposição orienta nesse sentido as críticas crescentes. Ninguém tem dúvidas de que, em vez das prometidas recuperação e prosperidade, caímos em séria perturbação económica. Mas o que está mesmo a acontecer de novo? Quais os factos concretos que sustentam este clima depressivo? Onde está a tão propalada crise social?

Quem pretender responder séria e serenamente a estas questões encontra obstáculos inesperados. A economia não está em recessão, nem sequer próxima; o crescimento económico abrandou ligeiramente do nível baixo que tem há anos. O desemprego não subiu, nem se prevê que venha a subir muito para lá do nível alto em que permanece há bastante tempo. Mesmo nos preços, em que os rumores dos mercados do petróleo e alimentos prometem terríveis desenvolvimentos, as mudanças são mínimas: a inflação acelerou, mas para níveis aceitáveis e, apesar dos esforços jornalísticos, nunca mais se dá um efeito sério que justifique tanto barulho. De facto, o cenário económico que as instituições respeitáveis traçam para o futuro próximo do nosso país não é catastrófico. Pelo contrário, parece copiado da situação que vivemos há algum tempo.

Nos indicadores sociais, pobreza e desigualdade, o quadro disponível ainda se refere apenas a 2006. Devido à superior complexidade do fenómeno, os números andam atrasados e ninguém arrisca previsões seguras. Mas também aí a situação parece ser de continuidade. A taxa de pobreza em Portugal, calculada segundo as regras da UE, há dez anos que flutua à volta de 20% da população. O último valor publicado, de 2006, até registou uma descida para 18%. Os desenvolvimentos posteriores assinalam uma redução, não um aumento da indigência. Os pobres não têm automóvel e não são muito afectados pelo preço do petróleo. Além disso os empregos não especializados têm grande procura e falta de candidatos. Como entretanto a imigração abrandou e a emigração aumentou, é provável que a referida tendência de redução dos pobres continue após 2006.

Na desigualdade de rendimentos passa-se um fenómeno paralelo, com a situação estável há mais de uma década. Os jornais dão grande impacto à notícia de que somos um dos países da Europa com maior disparidade. Isso é verdade, e é há muito tempo. E nem sequer diz grande coisa, dado que estamos a comparar-nos com os países de menor desigualdade do mundo. É verdade que o fosso entre ricos e pobres subiu entre nós face ao que tínhamos antes da democracia. Isso seria sempre inevitável, devido ao desenvolvimento, agora agravado pela globalização. O problema merece atenção cuidada, mas está longe de ser a prioridade aflitiva que os propósitos mediáticos afirmam.

Quer tudo isto dizer que não temos uma crise social? Não. Quer dizer que a crise que sofremos é bastante mais subtil e complexa do que as abordagens comuns asseguram. Existem muitos sinais, não de um agravamento do fundo da escala social, mas de sérias dificuldades nos extractos imediatamente acima. A nossa crise social está na classe média.

Uma parte importante da população portuguesa, que tinha algumas posses e muitas ambições, acreditou nos discursos que os governantes andam a produzir há dez anos. Apostou na educação, comprou casa e carro, endividou-se ao banco. Depois veio o desemprego, doença, trabalho precário, prestações crescentes. Em vez de subir, caiu em grandes dificuldades. Normalmente ainda tem património, a casa hipotecada, carro velho, mas não sabe o que porá no prato esta noite. É uma pobreza envergonhada, desiludida, revoltada. Este é o verdadeiro rosto da nossa crise social.

As políticas contra a pobreza não vão aliviar as dificuldades. Como os responsáveis, que criaram a situação, ainda não a perceberam, conceberão medidas complexas, mas ao lado dos sofrimentos. Alvoroçados, não pelo problema, mas pelo ataque político, proporão programas que calem os críticos, sem resolver o drama.

17 de junho de 2008

Possível conversão de Bush ao Catolicismo


texto retirado de http://www.infousamagazine.com

O presidente George W. Bush foi recebido nesta sexta-feira (dia 13 de Junho) pelo Papa Bento XVI nos jardins do Vaticano, ao lado da torre medieval de São João, em um dia no qual a imprensa italiana especula sobre uma possível conversão de Bush ao catolicismo no próximo ano.
Este é o terceiro encontro entre o Sumo Pontífice e Bush. Bento XVI dispensou um tratamento particular ao chefe de Estado americano, já que o recebeu ao ar livre, diante da torre, um gesto especial e único.
O Papa, que geralmente recebe os hóspedes na biblioteca privada do palácio apostólico, quebrou o habitual protocolo, o que obrigou os agentes de segurança do Vaticano a adoptar medidas excepcionais.
A recepção especial é um agradecimento do Papa à atenção recebida durante sua viagem aos Estados Unidos em Abril.
Nesta sexta-feira, a imprensa italiana faz especulações sobre a possibilidade de conversão ao catolicismo de George W. Bush no fim do mandato presidencial em Janeiro de 2009, devido à admiração incondicional que tem pelo Papa Bento XVI.
Segundo Carlo Rossella, director da revista Panorama, que afirma ter fontes "confiáveis", Bush "pensa em converter-se ao catolicismo".
Bush seguiria assim o exemplo do ex-premier britânico inglês Tony Blair, que se converteu ao catolicismo depois de deixar o cargo.
O jornal La Repubblica afirma que assessores próximos ao presidente dos Estados Unidos fizeram referências indirectas ao assunto.
A chefe de protocolo da Casa Branca, Nancy Goodman Brinker, declarou que o presidente Bush é "um grande admirador do Papa e sente por ele um respeito total".
O mesmo jornal destaca que Bush e o Papa alemão compartilham a mesma visão sobre os "demónios" que ameaçam o planeta no século XXI.

13 de junho de 2008

Família, muito mais que um conjunto de pessoas

Por Felipe Aquino

O futuro da sociedade e da Igreja passam inexoravelmente por ela

A família é muito mais do que um simples grupo de pessoas, unidas de qualquer jeito, e vivendo juntas na mesma casa. É muito mais do que isso, ela é a “célula mãe” da humanidade. Quando Deus quis que a humanidade existisse, a projectou baseada na família; por isso ela é sagrada. Não foi um Papa, um Bispo ou um Cardeal que a instituiu, mas o próprio Deus, para que ela fosse o berço e o escudo de protecção da vida humana na terra.

Marcada pelo sinete divino, a família, em todos os povos, atravessou os tempos e chegou até nós no século XXI. Só uma instituição de Deus tem esta força. Ninguém jamais destruirá a força da família por ser ela uma instituição divina. Para vislumbrar bem a sua importância basta lembrar que o Filho de Deus, quando desceu do céu para salvar o homem, ao assumir a natureza humana, quis nascer numa família.

O Papa João Paulo II, na “Carta às Famílias”, chamou a família de “Santuário da vida” (CF, 11). Santuário quer dizer “lugar sagrado”. É ali que a vida humana surge como de uma nascente sagrada e é cultivada e formada. É missão sagrada da família guardar, revelar e comunicar ao mundo o amor e a vida.

Na visão bíblica, homem e mulher são chamados a – juntos – continuar a ação criadora de Deus e a construção mútua de ambos, gerando os seus filhos amados.

Este é o desígnio de Deus para o homem e para a mulher: juntos, em família: “crescer”, “multiplicar”, “encher a terra”, “submetê-la”. Vemos aí também a dignidade, baseada no amor mútuo, a qual leva o homem e a mulher a deixar a própria casa paterna, para se dedicarem um ao outro totalmente. Este amor é tão profundo, que dos dois faz um só, “uma só carne”, para que possam juntos realizar um grande projecto comum: a família.

Daí podemos ver que sem o matrimônio forte e santo, não é possível termos uma família forte, segundo o desejo do coração de Deus. Isso nos faz entender também que a celebração do sacramento do matrimónio é a garantia da presença de Jesus na família que ali começa, como nas Bodas de Caná.

Como é doloroso perceber hoje que muitos jovens, nascidos em famílias católicas, já não valorizam mais esse sacramento e acham, por ignorância religiosa, que já não é importante subir ao altar para começar uma família!

Ao falar da família no plano de Deus, o Catecismo da Igreja Católica (CIC) diz que ela é “vestígio e imagem da comunhão do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Sua atividade procriadora e educadora é o reflexo da obra criadora do Pai” (CIC §2205).

Essas palavras indicam que a família é, na terra, a marca (“vestígio e imagem”) do próprio Deus, que, através dela continua a sua obra criadora. É muito mais que um mero grupo de pessoas.

O futuro da sociedade e da Igreja passam inexoravelmente por ela. É ali que os filhos e os pais devem ser felizes. Quem não experimentou o amor no seio do lar, terá dificuldade para conhecê-lo fora dele. Os psicólogos mostram quantos problemas surgem com as pessoas que não experimentaram o amor do pai, da mãe e dos irmãos.

“A família é a comunidade na qual, desde a infância, se podem assimilar os valores morais, em que se pode começar a honrar a Deus e a usar corretamente da liberdade. A vida em família é iniciação para a vida em sociedade” (CIC §2207). Ela é a “íntima comunidade de vida e de amor” (GS, 48).

Toda essa reflexão nos leva a concluir que cada homem e cada mulher que deixam o pai e a mãe para se unir em matrimónio e constituir uma nova família, não podem fazer isso levianamente, mas devem fazê-lo somente por um autêntico amor, que não é uma entrega passageira, mas uma doação definitiva, absoluta, total, fiel, madura, responsável, até a morte... Se destruirmos a família, destruiremos a sociedade. Por isso, é fácil perceber, cada vez mais claramente, que os sofrimentos das crianças, dos jovens, dos adultos e dos velhos, têm a sua razão na destruição dos lares.

Cabe aqui uma pergunta: Como será possível, num contexto de grande imoralidade de hoje, insegurança, ausência de pai ou mãe, garantir aos filhos as bases de uma personalidade firme e equilibrada, e uma vida digna, com esperança?

Fruto da permissividade moral e do relativismo religioso de nosso tempo, é enorme a porcentagem de famílias destruídas e de pseudofamílias, gerando toda sorte de sofrimentos para os filhos. Muitos crescem sem o calor amoroso do pai e da mãe, carregando consigo essa carência afetiva que se desdobra em tantos problemas e frustrações.

Podemos resumir toda a grandeza, importância e beleza da família, nas palavras do saudoso Papa João Paulo II, na Encíclica Evangelium Vitae: "No seio do 'povo da vida e pela vida', resulta decisiva a responsabilidade da família: é uma responsabilidade que brota da própria natureza dela - uma comunidade de vida e de amor, fundada sobre o matrimónio - e da sua missão que é 'guardar, revelar e comunicar o amor'” ( FC,17).

Muito mais do que um simples grupo de pessoas, unidas de qualquer forma e vivendo juntas, a família, o berço da humanidade segundo o desejo de Deus; é o fruto da união de um homem e de uma mulher, unidos pelo matrimónio e pelo amor para sempre, vivendo a fidelidade, indissolubilidade e gerando os filhos de Deus.


12 de junho de 2008

Como viver a castidade no mundo erotizado

O namoro não existe para que vocês conheçam os seus corpos

A lei de Deus afirma que o sexo só deve ser vivido no matrimónio; não há outro lugar para a vida sexual. "A mulher não pode dispor do seu corpo: ele pertence ao seu marido. E também o marido não pode dispor do seu corpo: ele pertence à sua esposa" (1 Cor 7,4). Note que São Paulo não fala em namorados e noivos, mas esposa e marido.

Paul Claudel, diplomata e escritor francês, disse: "A juventude não foi feita para o prazer, mas para o desafio". Estamos em um mundo erotizado até à exaustão, e tenho pena dos jovens por isso. Mas mesmo assim, Jesus continua a chamá-los, bravamente, a uma vida de castidade. Hoje isso é uma marca do verdadeiro jovem cristão.

Retirado de - www.cancaonova.com

Conversão de Eduardo Verástegui

consulte - www.h2onews.org

“Dei-me conta de que estava vazio.” O famoso actor e produtor mexicano Eduardo Verástegui teve uma forte conversão ao catolicismo depois de rodar um filme hollywoodiano. Ele contou a H2onews as fortes batalhas que teve que superar e como a fé mudou sua vida: O jovem Verástegui descobre o que Maria representa para ele:

“Depois de 10 anos de carreira, me dei conta de que me faltava algo, porém não sabia o quê, sentia-me num labirinto sem saída, querendo usar a saída, porém não sabia onde estava, me sentia vazio”. “Muitas vezes, na sociedade se não chegamos ao topo da montanha e não somos alguém e não temos reconhecimento e êxito, então somos uns fracassados”. “O que eu achei que iria me fazer feliz e que iria me dar paz e que me faria um homem completo e pleno depois resultou que era uma mentira, estava seguindo uma mentira”. “E a partir daí nasce este desejo e esta convicção de fazer um cinema diferente, que cancele a imagem negativa dos latinos que Hollywood se empenhou em perpectuar desde os anos 40 até os dias de hoje, e fiz uma promessa a Deus de que jamais voltaria a trabalhar em um projeto que ofendesse minha fé, minha família ou minha comunidade latina”. “Não existem palavras para descrever a grandeza de Nossa Senhora, é minha mãe, é a mulher mais bela, ‘es mi morenita, mi madrecita’, minha mãezinha, meu tudo, meu guia, minha mãe”.

9 de junho de 2008

Viver o Domingo com a Igreja Católica


Instrução Pastoral sobre o Domingo e sua celebração completa 30 anos, mantendo actualidade em questões fulcrais

O Domingo é das mais antigas e mais “importantes instituições cristãs” (Cf. «A Instrução Pastoral sobre o Domingo e sua celebração»). O respeito e a vivência do descanso e da missa dominicais são índices significativos da penetração do cristianismo na alma duma população. Publicada a 9 de Junho de 1978, esta instrução pastoral aborda as questões fulcrais sobre este dia da semana.

A reunião dos fiéis para a celebração do mistério pascal era a nota dominante do Domingo cristão nos primórdios. Actualmente, nas sociedades de velha tradição cristã “a vivência social do Domingo é sobretudo marcada por ser o dia de descanso” – sublinha o documento da Conferência Episcopal Portuguesa. E acrescenta: “mesmo que a muitos escape o sentido espiritual e religioso do descanso dominical, ele é um valor que a Igreja se empenha em defender”.

Depois do primeiro recenseamento à prática dominical realizado a 6 de Fevereiro de 1977, os bispos portugueses constataram que “é baixa a frequência das missas dominicais, quase se perdeu a tradição das devoções de Domingo à tarde”. Este dia da semana foi-se adaptando, ao longo dos séculos, às circunstâncias mutáveis da vida social. Hoje, ele defronta uma das “mais profundas mudanças socioculturais, a passagem da civilização da estabilidade – para a moderna civilização urbana – civilização da mobilidade”. A pastoral do Domingo tem de enfrentar com “realismo esta mudança, superando as dificuldades e aproveitando as oportunidades que dela advêm” – realça o documento.

Passados trinta anos, a realidade ainda continua em mobilidade constante. No entanto, no capítulo «Para uma Pastoral realista do Domingo», os bispos portugueses apontam as soluções: “A pastoral do Domingo tem, pois, de contar com realidades como a dispersão das pessoas nos fins de semana, férias e turismo, sem esquecer as peregrinações e visitas a santuários; os pequenos grupos, a começar pelos que se formam por motivos de vida espiritual e apostolado; e os meios de comunicação social, com tudo o que representam de distracção dos valores espirituais e religiosos, mas também de possibilidade novas de transmissão da mensagem evangélica ou de promoção dos valores cristãos”.

Com o aproximar dos tempos de veraneio, a mobilidade acentua-se. O valor do Domingo poderá cair no esquecimento de alguns. Para que tal não aconteça, os bispos portugueses apelam no referido documento para “um esforço de aprofunda-mento doutrinal, que ponha mais a claro a origem, o conteúdo de fé e a espiritua-lidade o dia do Senhor”. Encontrar o valor do Domingo é palavra de ordem...

Nesta linha de aprofundamento, os prelados portugueses aprovaram – a 11 de Novembro de 1993 – uma Nota Pastoral «O Domingo numa sociedade em mudança». Os pseudo-valores ganharam novo impacto. O documento continua com alertas. “A laicização da vida moderna e a crise de valores levaram ao amortecimento da fé ou das suas expressões”.

As melhores formas dos cristãos actuarem foram expressas na instrução pastoral, mas a nota pastoral reforça as linhas. “O trabalho contínuo, a multiplicação das indústrias e dos serviços dos tempos livres, a mobilidade das populações e a já referida crise de valores levantam, em muitos lugares, sérias dificuldades a uma autêntica vivência do Domingo”.

Apesar de ser um tempo reservado a Deus, o Domingo também é um tempo para o homem, para cada homem e para todos os homens. Este descanso dominical é um espaço aberto à convivência, ao encontro e prestação gratuita de serviços, extraordinariamente importantes para a vida comunitária e colectiva dos homens. “Antes de mais, para a vida familiar, hoje tão afectada pela dispersão dos membros da família, pelo desen-contro de horários, por dificuldades económicas e de habitação, pela degradação das ideias e costumes que infectam o ambiente e penetram mesmo, através dos meios de comunicação social, até ao interior dos lares” – expressa a Nota Pastoral «O Domingo numa Sociedade em Mudança».

A Igreja percebe as contingências da sociedade e convoca os cristãos para uma pastoral do Domingo com criatividade. “Criatividade pastoral e social” – avança o documento.

E finaliza: “Não podemos viver sem o Domingo”

3 de junho de 2008

Padre Stan Fortuna, o padre Franciscano do Bronx e Rapper, de novo em Portugal para um concerto dia 4 de Junho às 21h00m, no colégio Amor de Deus, Cascais.

2 de junho de 2008

A apatia da forte gente

Por João César das Neves
in Diário de Notícias de 02/06/08

A economia portuguesa é uma das mais flexíveis e dinâmicas do mundo. Esta frase, hoje tão controversa e quase contraditória, permanece indiscutivelmente verdadeira. As provas são fáceis de apresentar.

Portugal tem sido um sucesso notável de desenvolvimento registando, no produto por habitante em paridades de poder de conta, a oitava taxa de crescimento mais elevada do mundo na média de 1960 a 2001. Só sete países no planeta melhoraram mais que nós na segunda metade do século XX. Na União Europeia, o "bom aluno luso" ainda é exemplo: mantém-se como uma das economias pobres que mais se desenvolveu nos primeiros três anos após a adesão, só atrás dos três bálticos e Eslováquia. Além disso, nos 20 anos de 1980 a 2001, tivemos a taxa de desemprego mais baixa da Europa do Sul e a terceira mais baixa dos Doze da UE.

Outros sinais são claros. O nosso país permanece a única economia mundial onde um plano de estabilização do FMI correu bem. Aliás, por duas vezes, em 1977 e 1983. Em ambos os casos, a austeridade funcionou rapidamente, resolvendo o desequilíbrio em menos de três anos. Na sequência, conseguimos ser um dos poucos países a viver 13 anos no sistema cambial de crawling-peg, mecanismo que conta mais fiascos que sucessos na sua história. É precisa muita flexibilidade para sustentar a rigidez dessa disciplina.

Também os importantes fluxos migratórios, característica histórica hoje renovada, são sintomas dolorosos do mesmo dinamismo e flexibilidade. A enorme emigração lusa dos anos 50 e 60 bateu recordes mundiais, com valores só ultrapassáveis por casos de catástrofes naturais. Por outro lado, os episódios de imigração, quer no regresso dos "retornados" em 1975 quer desde a viragem do milénio também são fenómenos em escala incomparável, absorvidos na sociedade com custos elevados mas sem perturbações de maior. Até algumas das chamadas "chagas", como a precariedade do emprego e economia paralela, são evidentes sinais de flexibilidade.

Muitas outras provas poderiam ser aduzidas para substanciar a afirmação. Ela sente-se na recente e incrível transformação estrutural no produto, emprego e comércio externo. Em 35 anos absorvemos 40% da população activa, que estava na agricultura em 1950. Em 15 anos substituímos 20% das nossas exportações, que em 1990 eram têxteis. Hoje as mudanças continuam evidentes, com o crescimento dos serviços e o aparecimento de novos sectores. Se é assim, porque estamos em crise há tanto tempo?

Existe uma serpente neste paraíso, uma Dalila para este Sansão, uma kryptopnite deste Superman. O País que fundou o mais longo e vasto império colonial da História, que defrontou com sucesso a EFTA, a CEE e o mercado único, conhece bem o veneno que corroeu os sucessos iniciais nessas realizações. Não é difícil compreender porque os dois trunfos do nosso desenvolvimento, flexibilidade e improvisação, não têm hoje os resultados de outros tempos. Contra eles conspiram múltiplas forças paralisadoras, as mesmas que nos bloquearam no passado. Enorme camada de parasitas suga o progresso.

Os portugueses, que se excedem nos momentos de dificuldade, costumam cair numa modorra quando tudo corre bem. Após o obstáculo, onde revelámos o nosso melhor, deslizamos para a complacência e cumplicidade, pela instalação dos interesses, bloqueio das corporações, paralisação das burocracias. A economia portuguesa continua tão dinâmica e flexível como sempre. A globalização impõe hoje, como no passado, uma reestruturação, que se verifica. Mas muito lentamente. O motor está atrelado a um peso morto que tem de arrastar: regulamentos e portarias, burocratas e mandarins, impostos e multas, fiscais e inspectores, directivas e diuturnidades, direitos adquiridos e justas reivindicações.

Nos reinado de D. Fernando, D. João III e D. João V, nos consulados do Duque de Loulé, António José de Almeida e desde António Guterres, "um fraco rei faz fraca a forte gente" (Os Lusíadas III, 138). Porque a forte gente se deixou adormecer na apatia das repartições.

30 de maio de 2008

"A economia portuguesa não é amiga das crianças e das famílias"

Mário Leston Bandeira
Presidente da Associação Portuguesa de Demografia
in Diário de Notícias, 30/05/08



Desde 1918 que Portugal não registava um saldo natural negativo. É uma tendência do século XXI?

E em 1918 morreram 135 mil pessoas devido à pneumónica. É verdade que estamos num processo de declínio demográfico, inevitável desde 1982, ano em que a substituição de gerações deixou de ser assegurada em Portugal. Entre 2000 e 2005, parecia que o índice de fecundidade iria estabilizar-se nos 1,5 filhos por mulher em idade fértil, mas a partir de 2006 as coisas começaram a piorar.

E temos a taxa de natalidade mais baixa da UE...

O ano passado, pela primeira vez, passámos a pertencer ao grupo dos países que tem um índice de fecundidade de 1,3, que é o clube a que pertencem os países da Europa do Sul (Espanha, Portugal, Itália e Grécia) e da Europa de leste. E a situação demográfica portuguesa não vai melhorar nos próximos tempos.

Como é que tem tantas certezas?

As mulheres têm menos filhos e cada vez mais tarde. Houve uma evolução muito rápida nos últimos anos ao nível do aumento da idade em que se tem o primeiro filho, agora situado nos 28 anos. E esta é uma situação absurda em relação à prática habitual no País. E uma mulher que tem o primeiro filho aos 28 anos tem menor probabilidade de ter um segundo filho.

leia a continuação em:

http://dn.sapo.pt/2008/05/30/sociedade/a_economia_portuguesa_e_amiga_crianc.html


29 de maio de 2008

Ecos da Peregrinação (e porque recordar é viver)

Foi no fim-de-semana 10 e 11 de Maio que se realizou a tão esperada Peregrinação Blasiana em Fátima; “na casa de Nossa Senhora”, onde sempre nos sentimos acolhidas.

No Sábado dia 10 da parte da manhã foi um ultimar as coisas: ensaios, alguma azáfama e preparativos vários para que a grande celebração dos 75 anos do ISCF pudesse correr bem.

A presença espiritual do Fundador, sentia-se por todo o lado. “Um Nó, muitos Nós”, foi o mote que animou e dinamizou o acolhimento da grande multidão que ia chegando de todos os cantos de Portugal e do estrangeiro. Na apresentação das localidades, que foi feita por ordem da implementação do Instituto, as pessoas puderam “exibir” os trajes da região, o que deu muita vida, cor e dinamismo a toda a Assembleia.

Ao longo da tarde (dia 10) tivemos a alegria de poder escutar várias pessoas que nos falaram do Pe. Brás, das suas obras, e dos desafios que essas lançam hoje à Família Blasiana.

Tivemos a graça de ter connosco a agradável presença do Senhor Cardeal D. José Saraiva Martins, que se revelou bem nosso amigo, e que se juntou a nós para celebrar esse acontecimento (75 anos dos ISCF) e sobretudo tornar publico o Decreto de reconhecimento das virtudes heróicas do nosso Fundador.

Ao final da tarde, foram escutados os testemunhos de várias pessoas, entre as quais: uma (cooperadora, casais e as formandas do Instituto).

No Domingo (dia 11), dia de Pentecostes, vivemos o momento mais alto e mais solene da nossa festa, a celebração da Eucaristia, no santuário, juntamente com alguns milhares de peregrinos. O Senhor Cardeal D. José Saraiva e outros Sacerdotes amigos do Instituto, acompanharam-nos nesta celebração. Na sua Homilia, o Senhor Cardeal, falou sobre os 75 anos do Instituto; sobre as virtudes heróicas do nosso Venerável Fundador e do que o acto de reconhecimento dessas virtudes significa para toda a Família Blasiana, nomeadamente para as Cooperadoras. Falou ainda da actualidade do Carisma do Instituto e da necessidade que a Família hoje, tem da nossa dedicação e acção.

A tarde de Domingo foi cheia animação, música, cor, alegria e mensagem. Num clima de muita animação, generosidade e expectativa, fez-se o sorteio da Campanha de Solidariedade para Cabinda.

A presença das crianças do Jardim de Infância o “Botãozinho”, os alunos da escola ASAS, os casais do Movimento e o grupo de Jovens “Focos de Esperança” com a Encenação “Entre o Céu e a Terra” uma encenação carregada de mensagem, encheram de alegria e brilho os corações.

Por tudo o que se viveu, damos graças a Maria, a Senhora do Sim, e do Silencio. Que ela nos ajude a ser dignas desta graça e da responsabilidade, que esta celebração nos trouxe. Louvemos a Deus Pai por tudo o que se viveu e realizou e por todas as pessoas que estiveram connosco. Que bom poder experimentar que somos uma grande família, mas podemos ser ainda muito mais, vamos trabalhar.

A peregrinação, foi apenas um momento desta celebração, vamos continuar a trabalhar para o Instituto cresça e o Monsenhor possa ser elevado aos altares.

Uma saudação fraterna para todo o Instituto.
Por Alexandrina Gouveia

21 de maio de 2008

Uma experiência de vida: o esforço vale a pena

A minha bebé adormeceu cedo, ainda não eram 8 h da noite. Coisa rara. Geralmente adormece tarde e acorda várias vezes durante a noite.

Daqui a uns dias faz um ano, sempre foi assim, difícil para dormir.

O meu marido e eu somos de longe, onde muitas coisas são diferentes: a paisagem, a temperatura, a pronúncia...

Lá, longe, estão pais, avós, irmãos, tios, primos, sobrinhos, e etc.

Quando decidimos ter um bebé, não pensámos em nada, só existia a vontade e ainda bem. O meu marido foi o único familiar que acompanhou a minha gravidez até ao nascimento. Só nos tínhamos um ao outro. Quando a bebé nasceu, tive a visita das minhas amigas, que também me confortaram. A bebé chorava muito, tudo era uma novidade, o mudar da fralda, o banho, os soluços, a roupa, a febre, a primeira papa… passou o primeiro mês, depois o segundo, o terceiro..., o tempo corre depressa! Aprendíamos os três um com o outro. Lá nos desenrascamos e tudo está a correr bem. Graças a Deus. Até os nossos três gatos ajudaram, pois aceitaram bem a bebé, e ela acha-lhes imensa piada. A simples presença deles ou a acalma ou a alegra. Pois é, em casa somos seis, como costumamos dizer, nós e os gatos.

Não sei se seria diferente se as nossas famílias estivessem por perto. Com certeza que pelo menos teria sido diferente quando tive que ir às urgências do Hospital. O meu marido não teria ficado em casa sozinho com a bebé, enquanto eu não tinha alta. Quem tem a ajuda da família na difícil tarefa de cuidar de um filho bebé, tem com certeza mais tempo para si e, acima de tudo, mais apoio e tranquilidade. Aos que, como nós, não têm a família por perto, dizemos que todo o esforço vale a pena, pois não existe maior Graça que podermos ver uma parte de nós crescer feliz e saudável.


Casal - José e Cristina

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