Diário da Assembleia Geral do ISCF

“Tudo o que se fizer a bem da família, por pequeno que seja é grande”. (Mons. Brás)

A Família no centro das atenções

Encontra aqui os vários artigos do Dr. Juan Ambrósio sobre a Família...

Encontro Mundial das Famílias 2015

O Vaticano apresentou dia 24 de março em conferência de imprensa o 7.º Encontro Mundial da Família, que vai decorrer de 22 a 27 de setembro de 2015 na cidade norte-americana de Filadélfia.

A saúde mental dos portugueses

Alguns dedicam-se obsessivamente aos números e às estatísticas esquecendo que a sociedade é feita de pessoas...

O trabalho, dom e direito

A sociedade portuguesa e internacional, vive uma situação de crise generalizada e de aumento das desigualdades sociais...

Longe vão os tempos

Longe vão os tempos dos preconceitos culturais em que se aceitava que era a mãe que tinha de cuidar dos filhos...

Dar esperança em tempo de crise

Vivemos tempos difíceis. A família, como célula base da sociedade, é imediatamente afetada por esta crise generalizada e que promete perdurar. Neste contexto, exige-se um novo paradigma, uma nova forma de estar e de nos relacionarmos.

29 de maio de 2008

Ecos da Peregrinação (e porque recordar é viver)

Foi no fim-de-semana 10 e 11 de Maio que se realizou a tão esperada Peregrinação Blasiana em Fátima; “na casa de Nossa Senhora”, onde sempre nos sentimos acolhidas.

No Sábado dia 10 da parte da manhã foi um ultimar as coisas: ensaios, alguma azáfama e preparativos vários para que a grande celebração dos 75 anos do ISCF pudesse correr bem.

A presença espiritual do Fundador, sentia-se por todo o lado. “Um Nó, muitos Nós”, foi o mote que animou e dinamizou o acolhimento da grande multidão que ia chegando de todos os cantos de Portugal e do estrangeiro. Na apresentação das localidades, que foi feita por ordem da implementação do Instituto, as pessoas puderam “exibir” os trajes da região, o que deu muita vida, cor e dinamismo a toda a Assembleia.

Ao longo da tarde (dia 10) tivemos a alegria de poder escutar várias pessoas que nos falaram do Pe. Brás, das suas obras, e dos desafios que essas lançam hoje à Família Blasiana.

Tivemos a graça de ter connosco a agradável presença do Senhor Cardeal D. José Saraiva Martins, que se revelou bem nosso amigo, e que se juntou a nós para celebrar esse acontecimento (75 anos dos ISCF) e sobretudo tornar publico o Decreto de reconhecimento das virtudes heróicas do nosso Fundador.

Ao final da tarde, foram escutados os testemunhos de várias pessoas, entre as quais: uma (cooperadora, casais e as formandas do Instituto).

No Domingo (dia 11), dia de Pentecostes, vivemos o momento mais alto e mais solene da nossa festa, a celebração da Eucaristia, no santuário, juntamente com alguns milhares de peregrinos. O Senhor Cardeal D. José Saraiva e outros Sacerdotes amigos do Instituto, acompanharam-nos nesta celebração. Na sua Homilia, o Senhor Cardeal, falou sobre os 75 anos do Instituto; sobre as virtudes heróicas do nosso Venerável Fundador e do que o acto de reconhecimento dessas virtudes significa para toda a Família Blasiana, nomeadamente para as Cooperadoras. Falou ainda da actualidade do Carisma do Instituto e da necessidade que a Família hoje, tem da nossa dedicação e acção.

A tarde de Domingo foi cheia animação, música, cor, alegria e mensagem. Num clima de muita animação, generosidade e expectativa, fez-se o sorteio da Campanha de Solidariedade para Cabinda.

A presença das crianças do Jardim de Infância o “Botãozinho”, os alunos da escola ASAS, os casais do Movimento e o grupo de Jovens “Focos de Esperança” com a Encenação “Entre o Céu e a Terra” uma encenação carregada de mensagem, encheram de alegria e brilho os corações.

Por tudo o que se viveu, damos graças a Maria, a Senhora do Sim, e do Silencio. Que ela nos ajude a ser dignas desta graça e da responsabilidade, que esta celebração nos trouxe. Louvemos a Deus Pai por tudo o que se viveu e realizou e por todas as pessoas que estiveram connosco. Que bom poder experimentar que somos uma grande família, mas podemos ser ainda muito mais, vamos trabalhar.

A peregrinação, foi apenas um momento desta celebração, vamos continuar a trabalhar para o Instituto cresça e o Monsenhor possa ser elevado aos altares.

Uma saudação fraterna para todo o Instituto.
Por Alexandrina Gouveia

21 de maio de 2008

Uma experiência de vida: o esforço vale a pena

A minha bebé adormeceu cedo, ainda não eram 8 h da noite. Coisa rara. Geralmente adormece tarde e acorda várias vezes durante a noite.

Daqui a uns dias faz um ano, sempre foi assim, difícil para dormir.

O meu marido e eu somos de longe, onde muitas coisas são diferentes: a paisagem, a temperatura, a pronúncia...

Lá, longe, estão pais, avós, irmãos, tios, primos, sobrinhos, e etc.

Quando decidimos ter um bebé, não pensámos em nada, só existia a vontade e ainda bem. O meu marido foi o único familiar que acompanhou a minha gravidez até ao nascimento. Só nos tínhamos um ao outro. Quando a bebé nasceu, tive a visita das minhas amigas, que também me confortaram. A bebé chorava muito, tudo era uma novidade, o mudar da fralda, o banho, os soluços, a roupa, a febre, a primeira papa… passou o primeiro mês, depois o segundo, o terceiro..., o tempo corre depressa! Aprendíamos os três um com o outro. Lá nos desenrascamos e tudo está a correr bem. Graças a Deus. Até os nossos três gatos ajudaram, pois aceitaram bem a bebé, e ela acha-lhes imensa piada. A simples presença deles ou a acalma ou a alegra. Pois é, em casa somos seis, como costumamos dizer, nós e os gatos.

Não sei se seria diferente se as nossas famílias estivessem por perto. Com certeza que pelo menos teria sido diferente quando tive que ir às urgências do Hospital. O meu marido não teria ficado em casa sozinho com a bebé, enquanto eu não tinha alta. Quem tem a ajuda da família na difícil tarefa de cuidar de um filho bebé, tem com certeza mais tempo para si e, acima de tudo, mais apoio e tranquilidade. Aos que, como nós, não têm a família por perto, dizemos que todo o esforço vale a pena, pois não existe maior Graça que podermos ver uma parte de nós crescer feliz e saudável.


Casal - José e Cristina

15 de maio de 2008

Encontro dos Jovens e das Famílias da Diocese de Coimbra
Luso, 17-18/05/2007

À semelhança de anos transactos, o SDPF vai promover a XIV Festa das Famílias no próximo dia 18 de Maio, desta vez em colaboração com o Secretariado Diocesano da Pastoral Juvenil, que simultaneamente promove o II Grande Encontro dos Jovens, e com o apoio da Pastoral Familiar do arciprestado do Luso.

As famílias da diocese de Coimbra vão reunir-se no Luso para celebrarem o DIA DA IGREJA DIOCESANA, numa Festa intimamente ligada à Semana da Vida, uma iniciativa da Comissão Episcopal do Laicado e da Família, que se celebra este ano de 11 a 18 de Maio.

A Igreja é comunhão, pelo que todos os movimentos estarão representados para participarem com entusiasmo e alegria na grande festa diocesana (dando, assim, maior visibilidade aos vários carismas), em conjunto com as paróquias e todas as estruturas diocesanas.

PROGRAMA PROVISÓRIO DO DOMINGO:

9h30m - ACOLHIMENTO
10h30m - ORAÇÃO DA MANHÃ
11h00m - DEUS É O NOSSO PAI!
12h00m - GINÁSTICA PARA O PAI
12h30m - ALMOÇO
ACTIVIDADES PARALELAS
15h00m - GRANDE FESTA
16h45m - EUCARISTIA
18h00m - ENCERRAMENTO

Celebrar a família

A família merece ser festejada, apoiada, promovida, acarinhada todo o ano, como «estrutura que constitui a base da nossa sociedade»

Hoje damos vivas à família! É claro que a família merece ser festejada, apoiada, promovida, acarinhada, os restantes trezentos e sessenta e quatro dias do ano. É que não estamos a falar de uma instituição qualquer. Falamos de uma estrutura que constitui a base da nossa sociedade. É nesta pequena célula que aprendemos a ser filhos e irmãos, a ser pai e a ser mãe; que aprendemos a comer, a chorar, sorrir, a amar, a “ser”; que aprendemos a gatinhar, a falar, a andar, a brincar; que aprendemos a relacionarmo-nos, isto é, a “criar laços” uns com os outros, mesmo descobrindo que os outros são diferentes de nós; que aprendemos a crescer em todas as dimensões; que aprendemos a distinguir o bem e o mal; que aprendemos a ouvir “sim” e ouvir “não”; que aprendemos a ajudar os pais, os avós, os outros; que aprendemos a realizar pequenas tarefas rotineiras; que aprendemos a conviver com a renúncia, o sacrifício, o trabalho; que aprendemos a levantar cedo, vestir e comer rapidamente, sair de casa e ver partir o pai e a mãe; que aprendemos a chegar a casa e ver os pais exaustos de mais uma jornada de trabalho e canseiras; que aprendemos a partilhar as alegrias e tristezas de cada dia; que aprendemos a ouvir regras, conselhos, “ralhetes”; que aprendemos a gerir os conflitos internos (e externos); que aprendemos a gerir as nossas “mesadas”; que aprendemos a ser progressivamente autónomos e responsáveis; que aprendemos, um dia, a desinstalar-nos, a deixarmos o nosso quarto e… quiçá, ajudarmos outros a crescer.

Mas também é em células destas que muitas vezes aprendemos, desde cedo, a sentir o rosto deprimente da mãe, os berros do pai, a assistir a zangas permanentes, a sermos mal alimentados, a ficarmos depositados numa creche ou numa escola, a sentirmos que os pais não têm tempo para nós (quando, afinal, não pedimos para nascer), a ficarmos fechados na rua, entregues a nós mesmos, a sentirmo-nos órfãos de pais vivos, a sentirmo-nos “não amados”, a sentirmo-nos a mais nesta vida.

Mas também é na família que tantas vezes aprendemos a ser o alvo permanente de todas as atenções, a ter sempre alguém que faça as coisas por nós e a dar-nos muitas coisas para nos entretermos, a ficarmos, desde tenra idade, com muitas actividades e com o tempo muito preenchido para sermos muito cultos, a só ouvirmos a palavra “sim”, a fazermos o que nos apetece, a termos os pais com a grande preocupação de nos libertar das preocupações…

Mas também é nesta célula básica da sociedade que aprendemos, muitas vezes, a ver o pai separado da mãe, a conviver com outros “pais”, outras “mães” e outros “irmãos”, a passar fins-de-semana e férias, ora com uns, ora com outros.

Mas hoje é o Dia Internacional de todas as famílias. E todas devem estar incluídas nesta homenagem. Viva a Família!

E que tal pensarmos em alguns “presentes”, para marcar a nossa “presença”?

Que tal os pais oferecerem aos filhos mais tempo, mais atenção, mais responsabilização, mais firmeza, mais “nãos”, mais testemunho de vida, mais “amor”?

Que tal os filhos oferecerem aos pais mais “boas acções” (estudo, colaboração nas lidas da casa, simpatia, cordialidade, afecto, …)?

Que tal a escola envolver cada vez mais a família no processo educativo, de forma a tornar-se sua colaboradora credível no acto fantástico da educação? E se responsabilizasse mais os alunos?

Que tal a comunidade (as empresas, a comunicação social, as pessoas em geral) não contribuir para a destruição da família, e, ao invés, inventar formas de consolidar este núcleo tão fundamental para o crescimento saudável e equilibrado de todos os seus membros?

Que tal o Estado, os governantes, os legisladores, promoverem políticas de família que ajudem os casais novos a terem uma casa digna e alguma estabilidade no emprego; que ajudem os agregados mais carenciados; que estimulem a natalidade; que não penalizem (bem pelo contrário!), em termos fiscais, quem é casado ou tem mais filhos; que não aprovem leis facilitadoras do divórcio, mas, ao invés, criem condições e estruturas que promovam a concórdia, a reconciliação?

Que tal a Igreja não se cansar de ajudar os jovens a crescer no amor e na sexualidade responsável; não se cansar de preparar bem os noivos para o matrimónio e, depois, de os ir acompanhando “na prosperidade e nas provações”; não se cansar de criar centros de apoio às famílias em dificuldade; não se cansar de recomendar aos casais para que rezem, rezem muito; com não se cansar de gritar bem alto que defende a união entre homem e mulher, num compromisso fiel, estável e duradoiro porque é bom para o casal, para os filhos e para a sociedade (excepto para os advogados)?

Acredito que a Família agradece este “mimos”. Ela merece. Viva a Família, sempre!

Jorge Cotovio, Secretariado da Pastoral Familiar da Diocese de Coimbra

12 de maio de 2008

Cardeal Saraiva Martins preside à Peregrinação de Maio

Instituto Secular das Cooperadoras da Família vê reconhecida a heroicidade das virtudes do seu fundador

Este Domingo, 11 de Maio de 2008, Dia de Pentecostes, a Eucaristia Internacional no Santuário de Fátima foi presidida pelo Senhor Cardeal D. José Saraiva Martins, prefeito da Congregação para a Causa dos Santos, que se encontra desde ontem (sábado) em Fátima a participar no Encontro Nacional do Instituto Secular das Cooperadoras da Família (Peregrinação da Família Blasiana), instituição que este ano celebra 75 anos de existência e que viu em 15 de Março de 2008 reconhecida por Bento XVI a heroicidade das virtudes do seu fundador, Mons. Joaquim Alves Brás.

O decreto da heroicidade de fundador das Cooperadoras da Família foi lido hoje no início da celebração eucarística no Santuário de Fátima, seguindo-se uma salva de palmas pelo numeroso grupo de peregrinos presente no Recindo de Oração. Foi assinalada a sua heroicidade na “vigorosa procura de perfeição que cultivou desde criança”.

Durante a homilia , o Sr. Cardeal Saraiva Martins, presidente da Peregrinação Internacional Aniversária de 12 e 13 de Maio de 2008, afirmou que "o testemunho da vida de Mons. Joaquim Alves Brás é de tal modo eloquente que não podemos deixar de agradecer a Deus a sua obra e de nos abrirmos, como ele, às múltiplas tarefas da evangelização, em especial das famílias".

Mons. Alves Brás, recordou o prelado, "desde os primeiros tempos de sacerdócio, descobriu que a família era fundamental para a sociedade e para a Igreja: como célula da vida e da educação e como espaço de paz e de santidade".

Ainda sobre o sacerdote considerado "o apóstolo da família", o Cardeal português recordou que “a obra (de Mons. Brás) emerge na década dos anos 30, tendo como pilares estruturantes a Secularidade e a Espiritualidade. Sem virar costas ao mundo, antes metidas no meio dele, as cooperadoras terão como tarefa mostrar a centralidade de Deus e da pessoa humana na nossa história. É uma verdade, que testemunhada com alegria e confiança, define um estilo de vida pessoal e constitui um serviço ao próprio mundo”.

LeopolDina Simões, Sala de Imprensa do Santuário de Fátima

8 de maio de 2008

Peregrinação da Família Blasiana - 10 e 11 de Maio de 2008

VENHA À FESTA DOS 75 ANOS DO INSTITUTO SECULAR DAS COOPERADORAS DA FAMÍLIA

Fátima, 10 e 11 de Maio

Você sabe quem foi Joaquim Alves Brás?

O rapaz da Boina que tanto desejou ser padre, mesmo coxo, realiza seu sonho. Como sacerdote tudo faz para ajudar a FAMÍLIA e funda a Obra de Santa Zita, e paralelamente a esta associação o INSTITUTO SECULAR DAS COOPERADORAS DA FAMÍLIA, e o Movimento por um Lar Cristão.
A 15 de Março uma proclamação aprovada pelo Papa, reconhece sem dúvida que o Monsenhor Joaquim Alves Brás viveu uma vida de virtude heróica, isto é, que demonstrou de forma excepcional a prática das virtudes teologais de , Esperança e Caridade e das virtudes cardeais da Prudência, Justiça, Fortaleza e Temperança.
Apenas depois de ser considerado venerável pode o processo de canonização prosseguir para o estádio da beatificação.
É com profunda alegria que todos estão convocados para celebrar este j
ubileu na Peregrinação Internacional a Fátima, 10 e 11 de Maio, com a presença de Sua Eminência Senhor Cardeal José Saraiva Martins, prefeito da Congregação para as Causas dos Santos.

NÃO FALTE!

VEJA NOSSO PROGRAMA!

Sábado - Centro Pastoral Paulo VI

14h30 - Acolhimento
15h15 - Colóquio: O ISCF - 75 anos consagrados à Família

1. A Reflexão

"A Família em transformação: de uma Sociedade cristianizada (1933) à secularização (2008)" - Drª Teresa Ribeiro

"O ISCF, uma resposta à Família em transformação" - Mons. Arnaldo Pinto Cardoso

"A consagração Secular, um projecto de vida e felicidade" - Drª Conceição Vieira

2. O Testemunho

19h30 - Jantar
21h30 - Terço e Procissão de velas (Capelinha das Aparições)


Domingo

10h15 - Terço e Eucaristia, no Santuário, presidida por Sua Eminência Senhor Cardeal José Saraiva Martins, Prefeito da Congregação para as Causas dos Santos
12h45 - Almoço
14h30 - Celebrar a Festa (Colégio S. Miguel)
Intervenção de toda a Família Blasiana: Jovens Focos de Esperança; Escola Profissional ASAS; Centros de Cooperação Familiar (CCF); Movimento por um lar cristão (MLC); Obra de Santa Zita (OSZ) e Instituto Secular das Cooperadoras da Família (ISCF).



5 de maio de 2008

Hostilidade assumida

por João César das Neves
in Diário de Notícias - 05/05/08

Fala-se muito de uma hostilidade do Governo à Igreja. Não há real perseguição, mas sinais que alguns assim interpretam. O Ministério da Educação estrangula os colégios, ASAE e Segurança Social assediam creches e obras paroquiais, restringem-se os capelães, não se regulamenta a nova Concordata. Como tudo isto é feito sob capa formal e declarações pacificadoras, pode ter uma interpretação neutra. Agora porém é oficial: há mesmo um menosprezo pela fé católica.


No preâmbulo do Projecto de Lei n.º 509/X, sobre as "alterações ao Regime Jurídico do Divórcio", já apresentado e aprovado, o PS assume-o explicitamente: "O que está em causa não é necessariamente o abandono das referências religiosas, mas antes uma retracção destas para esferas mais íntimas e assumindo dimensões menos consequenciais em outros aspectos da vida."

Imaginem os senhores deputados que um dia se aprovava uma lei onde se dizia não estar em causa o abandono do PS, mas uma retracção dele para "esferas mais íntimas" e "dimensões menos consequenciais na vida". Ficariam os socialistas contentes com essa retracção para esferas íntimas? Aceitariam ser menos consequenciais na vida? Não interpretariam essa lei como uma forma de ataque e perseguição? É razoável os cristãos acharem o mesmo agora. E não se diga que não é a mesma coisa porque, se há diferenças, é que a religião é mais abrangente e influente que a ideologia.

O diploma apresenta duas motivações para essa atitude. A primeira é realista, constatando "três grandes movimentos que foram ocorrendo no decurso do século XX (...) sentimentalização, individualização e secularização". Se a sociedade é assim, que se há-de fazer? Mas essa justificação, aparentemente objectiva, é muito fraca. A lei agora apresentada não fica justificada pela evolução da realidade, mas pela interpretação política dessa evolução. No mesmo período verificaram-se muitas outras tendências sociais, como o aumento da droga, solidão e criminalidade. Será que, por serem movimentos reais e observáveis, são inevitáveis e devem ter leis que os promovam? A diferença entre eles é que a ideologia do Governo aprova os primeiros mas reprova os segundos. O PS acha que o divórcio deve ser facilitado e a droga combatida.

A coisa é ainda mais grave porquanto as análises científicas sérias mostram claramente que o divórcio e a degradação da família, causados pelas ditas sentimentalização, individualização e secularização, estão entre as principais causas do aumento da droga, solidão e crime. A lei promove aquilo que quer combater.

A outra justificação do texto é histórica. O referido preâmbulo, além de invocar pergaminhos científicos, também se arvora em juiz do passado. Em particular, "o projecto de lei que se apresenta pretende retomar o espírito renovador, aberto e moderno que marcou há quase cem anos a I República". É preciso coragem para alguém se apresentar hoje como herdeiro da I República, o maior desastre socioeconómico da história recente de Portugal. Que, além disso, criou a maior perseguição à Igreja desde Abd ar-Rahman II (emir de 822 a 852). Não há dúvida que, a um ano de eleições, o PS se arrisca bastante ao retomar esse suposto espírito "renovador, aberto e moderno".

Deve dizer-se que ao fazê-lo, se viola o espírito do 25 de Abril. Uma das principais diferenças entre as revoluções de 1910 e 1974, entre Afonso Costa e Mário Soares, é precisamente a hostilidade à Igreja, que o bem sucedido regime democrático actual recusou. Parece que Sócrates, esquecendo isso, está a ser forçado a preferir a maçonaria à democracia.

Esta hostilidade, agora franca e aberta, é boa para a fé. Uma perseguição faz sempre muito bem à Igreja, purificando-a e renovando-a. O problema está no que entretanto sofrem as crianças das escolas e creches, os idosos do centros de dia e obras sociais. Os serviços estatais, apesar das suas tendências totalitárias, nunca conseguem substituir as paróquias. Uma perseguição à Igreja, mesmo envergonhada, acaba sempre por prejudicar os pobres.

30 de abril de 2008

29,000 km rezando pela unidade

artigo publicado no site www.h2onews.org - 29/04/08

O jovem Australiano Samuel Clear começou uma caminhada à volta do globo rezando pela unidade dos cristãos. 29,000 km, dos quais aproximadamente 18.000 serão percorridos a pé e ele tem apenas 29 anos.

“O que de momento estou a fazer é andar à volta do mundo à pé rezando pela unidade dos cristãos. Comecei a caminhada no Brasil em Dezembro de 2006, e cá estou em Roma. Simplesmente, caminho e rezo. E pelo caminho paro em todas as Igrejas: Ortodoxas, Pentecostais, Protestantes, Evangélicas, e convido a rezar pela unidade.”

Samuel, uma dia engenheiro mecânico, trabalhou 5 anos com a Youth Mission Team e agora conta-nos como começou sua viagem.

“Naquele tempo na Austrália eu comecei notar que havia muita divisão dentro das Igrejas, particularmente como missionário católico era seriamente agredido por não ser cristão, porque era católico.”

O jovem Clear rapidamente descobriu o que tinha de fazer:

“Um dia estava de joelhos na missa e rezava: Senhor, adoraria ajudar-te, mas desculpa lá amigo, estás por tua conta, eu não te posso ajudar. E quando finalmente me calei, quando fiz silencio, senti o Senhor que me dizia: Sabes, Samuel, tens razão. Tu não consegues concertá-lo, mas eu consigo. Quero que rezes.”

29 de abril de 2008

28 de abril de 2008

O Fantasma da Fome Global

Por João César das Neves
in Diário de Notícias - 28/04/08

A subida mundial dos preços alimentares é um tema dramático. Os jornais trazem previsões aterradoras e notícias de revoltas populares contra o preço da comida. Regressam os medos de fome global, 200 anos após Malthus. Para lá das vulgarizações mediáticas, as médias mensais mundiais publicadas pelo FMI (www.imf.org/external/np/res/commod /index.asp) mantêm-se preocupantes.
Desde o início de 2007 até ao mês passado o preço do trigo aumentou 124%, o do arroz 85% e o do milho 41%. A subida não é só de cereais, porque o azeite aumentou 90%, óleos de soja e de palma 108%, banana 61%, laranja 54%, cacau 56% e café 52%. A energia também está muito cara, com o carvão a subir 140% e o petróleo 90%, como os metais: chumbo 81%, ferro 66%, cobre 48%.
Curiosamente, os preços que mais caíram são alimentares: carnes de vaca e porco desceram 10%, a média do peixe 7%, camarão 15% e o chá 1%. Mas as subidas são impressionantes. No arroz e trigo, os bens mais sensíveis, os aumentos são os maiores dos últimos 25 anos. Os efeitos são já dramáticos, com a fome a surgir em certos locais.
A comida naturalmente apaixona o mundo e os especialistas, gerando teorias contraditórias. A tese de Malthus em 1798 previa escassez e carestia crescentes. Esta ideia, depois rejeitada, renasceu nos movimentos ecologistas. Entretanto surgiu uma teoria com a consequência oposta. A "tese Singer-Prebish" de 1950 supunha uma "degradação dos termos de troca", com os preços das matérias-primas a descer face aos produtos industriais, o que exploraria os países pobres.
A verdade é que os preços dos alimentos sofrem muitos e complexos impactos. Se os limites físicos e ambientais serão sempre determinantes, como disse Malthus, as impressionantes melhorias tecnológicas nas culturas e detecção de jazidas contrariam esses limites. O resultado tem sido uma flutuação intensa sem tendências seculares definidas.
Qual a origem deste surto altista? Uma causa imediata é a queda do dólar. Em euros, as subidas são bem menores (trigo 88%, arroz 55% e milho 19%) mas ainda significativas e no trigo mantêm-se as mais elevadas no registo. Por outro lado, descontada a inflação, os preços, mesmo em dólares, ainda estão bastante abaixo dos valores do início dos anos 80. As matérias-primas registaram uma tendência decrescente nas últimas décadas, agora invertida. O fantasma global ainda vem longe.
A atenção mediática centra-se em alguns efeitos pontuais. Nervosismo internacional, maus anos agrícolas e instabilidade sociopolítica local hão-de passar.
Também a famigerada especulação, supostamente dominante, só de vez em quando surge para ficar com as culpas.
Muito mais importantes são as duas forças decisivas: o mercado e a lei. A razão principal desta situação é algo excelente: o recente desenvolvimento das regiões pobres aumentou a procura de alimentos. Isso significa que a fome está a descer, não a subir.
Curiosamente, agora que os preços alimentares estão altos, os activistas protestam em nome dos pobres consumidores, enquanto antes, quando estavam baixos, protestavam em nome dos pobres produtores. Como sempre, a subida de preços criará a correcção de mercado. Novos investimentos nesses sectores, desencorajados nos anos de preços baixos, tenderão a prazo a reduzir a carestia.
Se a política o deixar, claro. Os mercados agrícolas e alimentares são dos mais espartilhados e regulamentados. Os governos, convencidos que apoiam e promovem, criam enormes bloqueios e distorções, de que a política agrícola europeia é um exemplo terrível. As negociações globais de liberalização da Organização Mundial do Comércio estão moribundas sobretudo por causa do dossiê agrícola. Às pressões rurais juntaram-se agora as ambientais, com a opção pelo biodiesel a justificar novas manipulações.
Desde o tempo de Malthus que as boas intenções políticas, impedindo importações e manipulando preços, geram episódios de escassez.
A melhor solução para a carestia seria a liberalização.
Mas como a comida apaixona o mundo, não há grandes esperanças.

24 de abril de 2008

23 de abril de 2008

Faleceu o Cardeal López Trujillo, presidente do Conselho Pontifício para a Família

Funeral terá lugar Quarta-feira, 23 de Abril, com a presença de Bento XVI

O Cardeal colombiano Alfonso López Trujillo, de 72 anos, faleceu este Sábado em Roma na clínica Pio XI.

O presidente do Conselho Pontifício para a Família, nascido a 8 de Novembro de 1935, ocupava este cargo desde 1990, tendo-se destacado pela organização dos Encontros Mundiais das Famílias, celebrados em Roma (1994), Rio de Janeiro (1997), Roma (2000) durante o Jubileu das Famílias, Manila (2003) e Valência (2006). Bento XVI reconduziu-o no cargo.

Após ter estudado em Bogotá, o Cardeal Trujillo veio para Roma, tendo obtido um doutoramento em filosofia na Universidade Pontifícia Angelicum, cursando também estudos de espiritualidade na Faculdade Pontifícia Teológica Teresianum.

Ordenado sacerdote a 13 de Novembro de 1960, foi membro da faculdade do Seminário de Bogotá. Paulo VI nomeou-o Bispo auxiliar da capital colombiana em Fevereiro de 1971. No ano seguinte foi eleito secretário-geral do Conselho Episcopal Latino-Americano (CELAM).

Foi promovido a Arcebispo e nomeado coadjutor, com direito a sucessão, de Medellín, em 22 de Maio de 1978 pelo mesmo Papa. De 1979 a 1982 foi eleito presidente do CELAM.

João Paulo II criou-o Cardeal em Fevereiro de 1983. Foi presidente da Conferência Episcopal da Colômbia de 1987 a 1990, altura em que foi chamado para a Cúria Romana.

Com o falecimento do Cardeal López Trujillo, o Colégio cardinalício fica reduzido a 195 Cardeais, dos quais 118 eleitores (com menos de 80 anos) e 77 não eleitores.

Bento XVI irá presidir ao funeral de um dos seus mais directos colaboradores no regresso da sua viagem aos EUA.

Redacção/Zenit

Vaticano apresenta pesquisa sobre a leitura da Bíblia

O Vaticano apresenta no próximo dia 28 de Abril, Segunda-feira, uma pesquisa realizada em nove países sobre a “leitura das escrituras”. A iniciativa insere-se na preparação do próximo Sínodo dos Bispos, em Outubro, que terá como tema “A Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja”.

A análise, promovida pelo instituto GFK-Eurisko, sob o patrocínio da Federação Bíblica Católica, abrangeu EUA, Reino Unido, Holanda, Alemanha, Espanha, França, Itália, Polónia e Rússia.

Os resultados serão apresentados em conferência de imprensa pelo Arcebispo Gianfranco Ravasi, do Conselho Pontifício da Cultura; D. Vincenzo Paglia, presidente da Federação Bíblica Católica; Luca Diotallevi, coordenador do grupo de pesquisa e professor de sociologia; Massimo Cacciari, docente de estética.


Agência Ecclesia

18 de abril de 2008

17 de abril de 2008

Quem casa?

Por João César das Neves

O poder vem ensaiando a medo um ataque à Igreja. «Para sustentar a tese da 'secularização', o PS avança com números: em 1960, 90,7% dos casamentos em Portugal eram católicos. Em 1981, baixaram para 74,6% e para 52% em 2006 (Expresso, 12 de Abril). A coisa até é mais dramática que isso: no ano 2000 os casamentos católicos eram 64,8% e desde então caíram para os referidos 52,1%. A descida tornou-se derrocada. Como explicar que a Igreja perca um quinto da sua influência em seis anos?

Poucas coisas são mais perigosas que números nas mãos de quem não os entende. O que está a acontecer nos casamentos tem pouco a ver com a Igreja. Na última década entraram em Portugal quase meio milhão de imigrantes. A maior parte deles são jovens e em idade de casar. Como os portugueses deixaram-se disso, o que acontece simplesmente é que uma percentagem crescente (ninguém sabe qual) de casamentos são de estrangeiros que, embora religiosos, não são católicos.

Este ano o INE procurou incluir esse elemento. Mas como, de 2000 a 2006, só conseguiu detectar 12 casamentos religiosos não-católicos, a estimativa está longe de ser segura. A verdade é que nas comunidades estrangeiras, cabo-verdianas, ucranianas, chinesas, etc, as pessoas casam sem ligar ao Estado e ao INE.

Assim, os números citados não mostram uma secularização. Mostram uma derrocada da família portuguesa. Isso é um problema estrutural gravíssimo, que devia merecer a atenção do Governo. Este toma medidas: facilita o divórcio! Poucas coisas são mais perigosas que o poder nas mãos de quem não o entende.

15 de abril de 2008

Por miopia, capricho, a reboque e à pressa (Opinião)

João César das Neves
(artigo de opinião escrito para o DN - 14/04/08)

O Partido Socialista é uma das grandes instituições da democracia portuguesa. O País deve-lhe, entre outras, a oposição ao marcelismo, a luta contra o gonçalvismo, os programas de estabilização com o FMI em 1977 e 1983 e a reforma da Segurança Social em 2007. Mas, sobretudo quando orientado por personalidades de segunda categoria, ele também é capaz de enormes disparates e graves atentados. A recente decisão de mudar a lei do divórcio é um caso destes.

Pode perguntar-se o que é que aconteceu de tão grave que justifique uma reforma em legislação tão central e sensível. A única resposta válida é que se trata de um capricho do partido do Governo. Houve uma iniciativa do Bloco de Esquerda, um grupinho de exaltados sem representatividade, a que se junta a cópia às tolices que a Espanha tem vindo a fazer ultimamente. Sobre este tema decisivo, o Partido Socialista vai legislar a reboque e à pressa.

Desgastado pela acção do Governo e obrigado a fazer compromissos nos princípios e cedências na doutrina, o Partido precisa, de vez em quando, de polir as suas medalhas ideológicas. Só o pode fazer ligando-se a radicais cujos extremismos lhes garantem uma legitimidade revolucionária. As referidas influências são de tal modo evidentes e ingénuas, a atitude dos responsáveis é tão cândida e ligeira que seria comovedora, se não fosse grave.

Trata-se indiscutivelmente de um assunto muito sério. O casamento e a família constituem um dos elementos mais relevantes da vida de todos nós e as garantias que a lei lhes concede são importantes para a sua solidez. Além disso também é indiscutível que o que se vai fazer é um enorme disparate, mesmo do próprio ponto de vista dos socialistas. Isto por duas razões.

A lei só existe para proteger os fracos. Por isso é que, em geral, quando se dilui uma regulamentação se está a criar oportunidades para os poderosos abusarem. Se o divórcio se torna mais célere e expedito, se o casamento fica mais precário e solúvel, isso vai prejudicar precisamente aqueles que mais sofrem nessa relação, as crianças, os idosos, os cônjuges sem meios, doentes, desempregados, etc.

Quanto, ninguém sabe. O aspecto mais grave é que quem acaba de mudar a lei e promete mudá-la de novo não faz a menor ideia como isso afectará a realidade, porque o faz por capricho, a reboque e à pressa. Por causa da lei agora revista, haverá lágrimas amargas, sofrimentos lancinantes, que o legislador alegremente ignora. Mas a coisa fica ainda mais tonta ao considerarem-se os antecedentes.

Durante mais de mil anos quem em Portugal casou as pessoas foi a Igreja Católica. No século XIX os laicistas e maçons fizeram da crítica a este facto uma bandeira central. Em particular, a "Associação do Registo Civil e do Livre Pensamento", fundada em 1895, de gloriosas tradições à esquerda, era feroz neste ponto. Apesar disso, as vitórias foram lentas. Os passos principais são o Decreto de 16 de Maio de 1832 de Mouzinho da Silveira e o Código Civil de 1867. Foi apenas com a República, na Lei da Família de 25 de Dezembro de 1910 que se verificou a mudança definitiva.

Pode dizer-se que essa reforma tão ansiada não durou cem anos. Os socialistas actuais, levando o casamento civil a valer menos que a tinta com que está escrito, entregaram de novo à Igreja esse aspecto central da vida. Quem hoje quer casar a sério e proclamar à sociedade uma união sólida e perene vai onde, ao registo ou à capela? As modas intelectuais mudam mas a Humanidade fica. Quando daqui a uns anos os políticos voltarem a reconhecer o valor da família, é no seio da Igreja que a vão encontrar.

Pode perguntar-se a origem desta tolice. A resposta, como sempre, está no facto de estes pobres deputados acreditarem nos seus próprios estudos. Aquelas análises que há cem anos lhes diziam que a religião ia acabar e há 50 asseguravam que a empresa e o mercado estavam condenados agora sugerem-lhes que promovam uniões de facto, divórcio e promiscuidade. O problema destes socialistas não é o socialismo. É a miopia.

14 de abril de 2008

Os professores o Ministério e a avaliação

Por Octávio Gil Morgadinho
(colaborador do Jornal da Família)

Escrevo, dias depois da manifestação dos professores pelas ruas de Lisboa contra “esta avaliação” e contra “esta ministra”. Ouvi e li os mais diversos comentários sobre as suas razões e significado, sobre as consequências a tirar pelo Ministério da Educação e o Governo.

Não pretendo fazer previsões sobre o desfecho da crise, mas antes analisar o contexto deste e dos muitos conflitos entre “ministros” e “professores”. O Estado é o grande educador. Nisto converge o Estado Republicano, o Estado Novo, o Estado Democrático. É ele que determina - mesmo quando proclama a sua neutralidade - os princípios, as regras, os valores e as condições de acesso à educação. É ele que decide a estrutura do sistema, os currículos e os programas, as orientações pedagógicas. É ele que escolhe, contrata e paga ao pessoal. O Estado é o grande monopolista do sistema educativo que financia e regula com decretos, circulares, instruções e inspecções do ministério da educação. A iniciativa particular pode fornecer melhor ensino do que o seu. Não importa. A liberdade de educação é apenas liberdade de escolher as escolas do Estado, de acordo com os seus critérios. A liberdade de escolha de outras é paga por quem a fizer.

Este estado monopolista acredita na transformação da Escola por decreto. Tem aos seu serviço milhares de burocratas que produziram toneladas de papel de leis, decretos, regulamentos, estatutos, instruções para regular, implantar, reformular estruturas, pedagogias, programas, disciplina dos alunos, actividades dos professores, participação dos encarregados de educação. Grande parte desses projectos de mudança, não mudaram coisa nenhuma, ou porque eram vazios, castelos de areia de visionários de gabinete ou porque não tiveram em conta os meios e condições locais, os destinatários, os alunos, e não mobilizaram, mentalizaram e preparam gestores, professores e restantes intervenientes para os porem em prática.

As mudanças institucionais requerem tempo, flexibilidade de adaptação e alguma mentalidade experimental para avaliar resultados, sugerir correcções e melhorar o produto final. Isto exige abertura, confiança, colaboração institucional e informação adequada. Num sistema fortemente hierarquizado e burocratizado a informação circula sobretudo no sentido vertical descendente. É deficientemente difundida e descodificada, pouco assimilada e discutida. Muitos dos agentes educativos nomeadamente os professores conhecem superficialmente os documentos que regulam o seu trabalho. Os mecanismos de discussão, adaptação e avaliação são deficientes e o retorno para correcções, adaptações e reformulações é limitado, se alguma vez ele é tido em conta. O “diálogo” dentro do sistema exige estruturas de comunicação que não existem ou são deficientemente exploradas. O resultado é o abismo que afasta o ministério das escolas, cria confusão entre os interesses meramente laborais e conjunturais dos professores, a valorização da sua competência e realização profissional e a satisfação dos objectivos dos destinatários da acção educativa: alunos e seus pais. A escola existe não para que os professores e restante pessoal tenha emprego, mas para educar. Os alunos são os destinatários de toda a actividade educativa. A escola colabora com os pais na educação dos seus filhos. Para que estes objectivos sejam atingidos o Estado assegura o funcionamento das escolas e recruta, forma e prepara os professores. O fim da sua actividade profissional é educar. Os seus conflitos laborais não podem prejudicar a razão de ser da profissão. Os sindicatos têm por finalidade defender os interesses laborais dos seus associados.

Não podem confundir-se os interesses dos sindicatos com os interesses da escola. Os sindicatos defendem os professores, nem sempre os interesses de todos os professores. A prova é que há vários sindicatos de professores. Chegou a haver um sindicato de professores licenciados, sinal de que os professores com esse grau académico se não consideravam convenientemente defendidos. De facto, os sindicatos mostraram resistência a admitir uma progressão na carreira determinada por critérios de qualidade nas habilitações, na formação adquirida e no desempenho, devidamente avaliados. Também não simpatizam muito com a prestação de contas aos utilizadores da escola. Já o Estatuto da Carreira Docente de 1990 determinava no seu artigo 36 que o acesso ao 8º escalão, se faria pela apreciação em provas públicas do currículo dos candidatos e de um trabalho de natureza educacional. O respectivo decreto regulamentar 13/92 surgiu dois anos depois, com a “discordância total da prova de candidatura” por parte da Fenprof. Foram constituídos júris, surgiram as primeiras candidaturas de professores às respectivas provas. Foram publicados os resultados. Passados meses, a dita prova tinha sido abolida por pressão dos sindicatos que não eram contra a avaliação, mas apenas contra “esta avaliação”. Na avaliação do desempenho chegou-se ao ponto de atribuir a chapa “satisfaz” a todos. Quem desejasse o “Bom” tinha de requerê-lo expressamente. Ao que parece, “esta avaliação” mantém uma grande complicação burocrática e possui critérios discutíveis. É necessária, no entanto, uma forma de avaliação trabalhada e progressivamente aperfeiçoada que inclua critérios objectivos de apreciação da competência científica e pedagógica, da qualidade do trabalho lectivo e tarefas desempenhadas, da liderança e relacionamento com professores, alunos e pais e dinamização da actividade da escola e - por que não? -, dos resultados alcançados. A avaliação deve ser feita para que os professores mais competentes e dedicados ocupem os cargos de maior responsabilidade, sejam devidamente recompensados e a escola cumpra melhor a sua razão de ser, eduque melhor. Os professores têm interesses respeitáveis. Não se confundem com os da escola. Neste conflito só têm aparecido à superfície os “professores” e a “ministra”. Há muito silêncio, o silêncio dos destinatários: dos alunos, dos seus pais e também da sociedade que esperam pelo desempenho dos “professores” e da “ministra” para os avaliarem. Tradicionalmente na luta entre sindicatos e ministério, o ministro é a parte mais fraca. Vinte e cinco ministros precederam Maria de Lurdes Rodrigues no cargo desde 74. Parece que não vai ser esta agora a solução. Veremos se para bem ou se para mal daqueles que dependem da escola.

11 de abril de 2008

Comunidade Taizé - Encontros em Portugal (Abril 2008)

No mês de Abril de 2008, um dos irmãos da Comunidade estará em Portugal para participar em encontros e visitar paróquias de diversas zonas do país. Alguns grupos de jovens estão a preparar tempos de encontro e oração abertos a todos.

Sexta-feira, 11 de Abril – Lisboa
Igreja de São Nicolau
Programa:
19:45 Breve oração de acolhimento
20:15 Chá e pequena merenda oferecida pela paróquia
20:45 Ensaio de cânticos
21:00 Tempo de partilha, com testemunhos inspirados na «Carta 2008»
21:45 Mesas redondas
22:30 Vigília de oração

14 de Abril – Covilhã
Igreja dos Jesuítas:
21:00 Ensaio de Cânticos (aberto a todos)
21:30 Tempo de reflexão e partilha (Salão)
22:30 Vigília de Oração (Igreja)


15 de Abril – Guarda
21:00 Tempo de encontro e oração no salão da Paróquia de S. Miguel

16 de Abril – Viseu
21:00 Vigília de oração na Igreja dos Terceiros


17 de Abril - Pombal
Programa:
19:00 Workshop «Um caminho de confiança», Salão Paroquial de Pombal
20:00 Jantar partilhado
21:30 Oração com Taizé, Igreja Matriz de Pombal


18 de Abril – Aveiro
21:30 Vigília de oração no Salão dos Bombeiros Voluntários


19 - 22 de Abril - Madeira
19 de Abril
19:30 Eucaristia na paróquia de Santa Cecília, Câmara de Lobos, seguida por um tempo de encontro e partilha.
20 de Abril
11:30 Encontro na paróquia de Santana
Paróquia de Santo Amaro, Funchal:
15:30 Apresentação da Comunidade e preparação da peregrinação a Taizé em Agosto
16:00 Tempo de reflexão e partilha, baseado na Carta de Cochabamba
17:30 Eucaristia com cânticos de Taizé
21 de Abril
20:00 Vigília de oração na Igreja paroquial do Caniço
22 de Abril

20:30 Vigília ecuménica de oração, Capela da Encarnação (Calçada da Encarnação), Funchal


23 de Abril – Porto
«Encontro com Taizé», Casa Diocesana de Vilar
21:30 Oração
22:15 Reflexão e partilha baseada na Carta de Cochabamba

24 de Abril – Alcanhões

25, 26 e 27 de Abril – Paróquia do Entroncamento
Festa da Família 2008
Quinta da Cardiga - Golegã
25 de Abril, 18:30, workshop «Um caminho de confiança»
25 de Abril, 21:30, «Grande Vigília de Oração»



10 de abril de 2008

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