Diário da Assembleia Geral do ISCF

“Tudo o que se fizer a bem da família, por pequeno que seja é grande”. (Mons. Brás)

A Família no centro das atenções

Encontra aqui os vários artigos do Dr. Juan Ambrósio sobre a Família...

Encontro Mundial das Famílias 2015

O Vaticano apresentou dia 24 de março em conferência de imprensa o 7.º Encontro Mundial da Família, que vai decorrer de 22 a 27 de setembro de 2015 na cidade norte-americana de Filadélfia.

A saúde mental dos portugueses

Alguns dedicam-se obsessivamente aos números e às estatísticas esquecendo que a sociedade é feita de pessoas...

O trabalho, dom e direito

A sociedade portuguesa e internacional, vive uma situação de crise generalizada e de aumento das desigualdades sociais...

Longe vão os tempos

Longe vão os tempos dos preconceitos culturais em que se aceitava que era a mãe que tinha de cuidar dos filhos...

Dar esperança em tempo de crise

Vivemos tempos difíceis. A família, como célula base da sociedade, é imediatamente afetada por esta crise generalizada e que promete perdurar. Neste contexto, exige-se um novo paradigma, uma nova forma de estar e de nos relacionarmos.

28 de abril de 2008

O Fantasma da Fome Global

Por João César das Neves
in Diário de Notícias - 28/04/08

A subida mundial dos preços alimentares é um tema dramático. Os jornais trazem previsões aterradoras e notícias de revoltas populares contra o preço da comida. Regressam os medos de fome global, 200 anos após Malthus. Para lá das vulgarizações mediáticas, as médias mensais mundiais publicadas pelo FMI (www.imf.org/external/np/res/commod /index.asp) mantêm-se preocupantes.
Desde o início de 2007 até ao mês passado o preço do trigo aumentou 124%, o do arroz 85% e o do milho 41%. A subida não é só de cereais, porque o azeite aumentou 90%, óleos de soja e de palma 108%, banana 61%, laranja 54%, cacau 56% e café 52%. A energia também está muito cara, com o carvão a subir 140% e o petróleo 90%, como os metais: chumbo 81%, ferro 66%, cobre 48%.
Curiosamente, os preços que mais caíram são alimentares: carnes de vaca e porco desceram 10%, a média do peixe 7%, camarão 15% e o chá 1%. Mas as subidas são impressionantes. No arroz e trigo, os bens mais sensíveis, os aumentos são os maiores dos últimos 25 anos. Os efeitos são já dramáticos, com a fome a surgir em certos locais.
A comida naturalmente apaixona o mundo e os especialistas, gerando teorias contraditórias. A tese de Malthus em 1798 previa escassez e carestia crescentes. Esta ideia, depois rejeitada, renasceu nos movimentos ecologistas. Entretanto surgiu uma teoria com a consequência oposta. A "tese Singer-Prebish" de 1950 supunha uma "degradação dos termos de troca", com os preços das matérias-primas a descer face aos produtos industriais, o que exploraria os países pobres.
A verdade é que os preços dos alimentos sofrem muitos e complexos impactos. Se os limites físicos e ambientais serão sempre determinantes, como disse Malthus, as impressionantes melhorias tecnológicas nas culturas e detecção de jazidas contrariam esses limites. O resultado tem sido uma flutuação intensa sem tendências seculares definidas.
Qual a origem deste surto altista? Uma causa imediata é a queda do dólar. Em euros, as subidas são bem menores (trigo 88%, arroz 55% e milho 19%) mas ainda significativas e no trigo mantêm-se as mais elevadas no registo. Por outro lado, descontada a inflação, os preços, mesmo em dólares, ainda estão bastante abaixo dos valores do início dos anos 80. As matérias-primas registaram uma tendência decrescente nas últimas décadas, agora invertida. O fantasma global ainda vem longe.
A atenção mediática centra-se em alguns efeitos pontuais. Nervosismo internacional, maus anos agrícolas e instabilidade sociopolítica local hão-de passar.
Também a famigerada especulação, supostamente dominante, só de vez em quando surge para ficar com as culpas.
Muito mais importantes são as duas forças decisivas: o mercado e a lei. A razão principal desta situação é algo excelente: o recente desenvolvimento das regiões pobres aumentou a procura de alimentos. Isso significa que a fome está a descer, não a subir.
Curiosamente, agora que os preços alimentares estão altos, os activistas protestam em nome dos pobres consumidores, enquanto antes, quando estavam baixos, protestavam em nome dos pobres produtores. Como sempre, a subida de preços criará a correcção de mercado. Novos investimentos nesses sectores, desencorajados nos anos de preços baixos, tenderão a prazo a reduzir a carestia.
Se a política o deixar, claro. Os mercados agrícolas e alimentares são dos mais espartilhados e regulamentados. Os governos, convencidos que apoiam e promovem, criam enormes bloqueios e distorções, de que a política agrícola europeia é um exemplo terrível. As negociações globais de liberalização da Organização Mundial do Comércio estão moribundas sobretudo por causa do dossiê agrícola. Às pressões rurais juntaram-se agora as ambientais, com a opção pelo biodiesel a justificar novas manipulações.
Desde o tempo de Malthus que as boas intenções políticas, impedindo importações e manipulando preços, geram episódios de escassez.
A melhor solução para a carestia seria a liberalização.
Mas como a comida apaixona o mundo, não há grandes esperanças.

24 de abril de 2008

23 de abril de 2008

Faleceu o Cardeal López Trujillo, presidente do Conselho Pontifício para a Família

Funeral terá lugar Quarta-feira, 23 de Abril, com a presença de Bento XVI

O Cardeal colombiano Alfonso López Trujillo, de 72 anos, faleceu este Sábado em Roma na clínica Pio XI.

O presidente do Conselho Pontifício para a Família, nascido a 8 de Novembro de 1935, ocupava este cargo desde 1990, tendo-se destacado pela organização dos Encontros Mundiais das Famílias, celebrados em Roma (1994), Rio de Janeiro (1997), Roma (2000) durante o Jubileu das Famílias, Manila (2003) e Valência (2006). Bento XVI reconduziu-o no cargo.

Após ter estudado em Bogotá, o Cardeal Trujillo veio para Roma, tendo obtido um doutoramento em filosofia na Universidade Pontifícia Angelicum, cursando também estudos de espiritualidade na Faculdade Pontifícia Teológica Teresianum.

Ordenado sacerdote a 13 de Novembro de 1960, foi membro da faculdade do Seminário de Bogotá. Paulo VI nomeou-o Bispo auxiliar da capital colombiana em Fevereiro de 1971. No ano seguinte foi eleito secretário-geral do Conselho Episcopal Latino-Americano (CELAM).

Foi promovido a Arcebispo e nomeado coadjutor, com direito a sucessão, de Medellín, em 22 de Maio de 1978 pelo mesmo Papa. De 1979 a 1982 foi eleito presidente do CELAM.

João Paulo II criou-o Cardeal em Fevereiro de 1983. Foi presidente da Conferência Episcopal da Colômbia de 1987 a 1990, altura em que foi chamado para a Cúria Romana.

Com o falecimento do Cardeal López Trujillo, o Colégio cardinalício fica reduzido a 195 Cardeais, dos quais 118 eleitores (com menos de 80 anos) e 77 não eleitores.

Bento XVI irá presidir ao funeral de um dos seus mais directos colaboradores no regresso da sua viagem aos EUA.

Redacção/Zenit

Vaticano apresenta pesquisa sobre a leitura da Bíblia

O Vaticano apresenta no próximo dia 28 de Abril, Segunda-feira, uma pesquisa realizada em nove países sobre a “leitura das escrituras”. A iniciativa insere-se na preparação do próximo Sínodo dos Bispos, em Outubro, que terá como tema “A Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja”.

A análise, promovida pelo instituto GFK-Eurisko, sob o patrocínio da Federação Bíblica Católica, abrangeu EUA, Reino Unido, Holanda, Alemanha, Espanha, França, Itália, Polónia e Rússia.

Os resultados serão apresentados em conferência de imprensa pelo Arcebispo Gianfranco Ravasi, do Conselho Pontifício da Cultura; D. Vincenzo Paglia, presidente da Federação Bíblica Católica; Luca Diotallevi, coordenador do grupo de pesquisa e professor de sociologia; Massimo Cacciari, docente de estética.


Agência Ecclesia

18 de abril de 2008

17 de abril de 2008

Quem casa?

Por João César das Neves

O poder vem ensaiando a medo um ataque à Igreja. «Para sustentar a tese da 'secularização', o PS avança com números: em 1960, 90,7% dos casamentos em Portugal eram católicos. Em 1981, baixaram para 74,6% e para 52% em 2006 (Expresso, 12 de Abril). A coisa até é mais dramática que isso: no ano 2000 os casamentos católicos eram 64,8% e desde então caíram para os referidos 52,1%. A descida tornou-se derrocada. Como explicar que a Igreja perca um quinto da sua influência em seis anos?

Poucas coisas são mais perigosas que números nas mãos de quem não os entende. O que está a acontecer nos casamentos tem pouco a ver com a Igreja. Na última década entraram em Portugal quase meio milhão de imigrantes. A maior parte deles são jovens e em idade de casar. Como os portugueses deixaram-se disso, o que acontece simplesmente é que uma percentagem crescente (ninguém sabe qual) de casamentos são de estrangeiros que, embora religiosos, não são católicos.

Este ano o INE procurou incluir esse elemento. Mas como, de 2000 a 2006, só conseguiu detectar 12 casamentos religiosos não-católicos, a estimativa está longe de ser segura. A verdade é que nas comunidades estrangeiras, cabo-verdianas, ucranianas, chinesas, etc, as pessoas casam sem ligar ao Estado e ao INE.

Assim, os números citados não mostram uma secularização. Mostram uma derrocada da família portuguesa. Isso é um problema estrutural gravíssimo, que devia merecer a atenção do Governo. Este toma medidas: facilita o divórcio! Poucas coisas são mais perigosas que o poder nas mãos de quem não o entende.

15 de abril de 2008

Por miopia, capricho, a reboque e à pressa (Opinião)

João César das Neves
(artigo de opinião escrito para o DN - 14/04/08)

O Partido Socialista é uma das grandes instituições da democracia portuguesa. O País deve-lhe, entre outras, a oposição ao marcelismo, a luta contra o gonçalvismo, os programas de estabilização com o FMI em 1977 e 1983 e a reforma da Segurança Social em 2007. Mas, sobretudo quando orientado por personalidades de segunda categoria, ele também é capaz de enormes disparates e graves atentados. A recente decisão de mudar a lei do divórcio é um caso destes.

Pode perguntar-se o que é que aconteceu de tão grave que justifique uma reforma em legislação tão central e sensível. A única resposta válida é que se trata de um capricho do partido do Governo. Houve uma iniciativa do Bloco de Esquerda, um grupinho de exaltados sem representatividade, a que se junta a cópia às tolices que a Espanha tem vindo a fazer ultimamente. Sobre este tema decisivo, o Partido Socialista vai legislar a reboque e à pressa.

Desgastado pela acção do Governo e obrigado a fazer compromissos nos princípios e cedências na doutrina, o Partido precisa, de vez em quando, de polir as suas medalhas ideológicas. Só o pode fazer ligando-se a radicais cujos extremismos lhes garantem uma legitimidade revolucionária. As referidas influências são de tal modo evidentes e ingénuas, a atitude dos responsáveis é tão cândida e ligeira que seria comovedora, se não fosse grave.

Trata-se indiscutivelmente de um assunto muito sério. O casamento e a família constituem um dos elementos mais relevantes da vida de todos nós e as garantias que a lei lhes concede são importantes para a sua solidez. Além disso também é indiscutível que o que se vai fazer é um enorme disparate, mesmo do próprio ponto de vista dos socialistas. Isto por duas razões.

A lei só existe para proteger os fracos. Por isso é que, em geral, quando se dilui uma regulamentação se está a criar oportunidades para os poderosos abusarem. Se o divórcio se torna mais célere e expedito, se o casamento fica mais precário e solúvel, isso vai prejudicar precisamente aqueles que mais sofrem nessa relação, as crianças, os idosos, os cônjuges sem meios, doentes, desempregados, etc.

Quanto, ninguém sabe. O aspecto mais grave é que quem acaba de mudar a lei e promete mudá-la de novo não faz a menor ideia como isso afectará a realidade, porque o faz por capricho, a reboque e à pressa. Por causa da lei agora revista, haverá lágrimas amargas, sofrimentos lancinantes, que o legislador alegremente ignora. Mas a coisa fica ainda mais tonta ao considerarem-se os antecedentes.

Durante mais de mil anos quem em Portugal casou as pessoas foi a Igreja Católica. No século XIX os laicistas e maçons fizeram da crítica a este facto uma bandeira central. Em particular, a "Associação do Registo Civil e do Livre Pensamento", fundada em 1895, de gloriosas tradições à esquerda, era feroz neste ponto. Apesar disso, as vitórias foram lentas. Os passos principais são o Decreto de 16 de Maio de 1832 de Mouzinho da Silveira e o Código Civil de 1867. Foi apenas com a República, na Lei da Família de 25 de Dezembro de 1910 que se verificou a mudança definitiva.

Pode dizer-se que essa reforma tão ansiada não durou cem anos. Os socialistas actuais, levando o casamento civil a valer menos que a tinta com que está escrito, entregaram de novo à Igreja esse aspecto central da vida. Quem hoje quer casar a sério e proclamar à sociedade uma união sólida e perene vai onde, ao registo ou à capela? As modas intelectuais mudam mas a Humanidade fica. Quando daqui a uns anos os políticos voltarem a reconhecer o valor da família, é no seio da Igreja que a vão encontrar.

Pode perguntar-se a origem desta tolice. A resposta, como sempre, está no facto de estes pobres deputados acreditarem nos seus próprios estudos. Aquelas análises que há cem anos lhes diziam que a religião ia acabar e há 50 asseguravam que a empresa e o mercado estavam condenados agora sugerem-lhes que promovam uniões de facto, divórcio e promiscuidade. O problema destes socialistas não é o socialismo. É a miopia.

14 de abril de 2008

Os professores o Ministério e a avaliação

Por Octávio Gil Morgadinho
(colaborador do Jornal da Família)

Escrevo, dias depois da manifestação dos professores pelas ruas de Lisboa contra “esta avaliação” e contra “esta ministra”. Ouvi e li os mais diversos comentários sobre as suas razões e significado, sobre as consequências a tirar pelo Ministério da Educação e o Governo.

Não pretendo fazer previsões sobre o desfecho da crise, mas antes analisar o contexto deste e dos muitos conflitos entre “ministros” e “professores”. O Estado é o grande educador. Nisto converge o Estado Republicano, o Estado Novo, o Estado Democrático. É ele que determina - mesmo quando proclama a sua neutralidade - os princípios, as regras, os valores e as condições de acesso à educação. É ele que decide a estrutura do sistema, os currículos e os programas, as orientações pedagógicas. É ele que escolhe, contrata e paga ao pessoal. O Estado é o grande monopolista do sistema educativo que financia e regula com decretos, circulares, instruções e inspecções do ministério da educação. A iniciativa particular pode fornecer melhor ensino do que o seu. Não importa. A liberdade de educação é apenas liberdade de escolher as escolas do Estado, de acordo com os seus critérios. A liberdade de escolha de outras é paga por quem a fizer.

Este estado monopolista acredita na transformação da Escola por decreto. Tem aos seu serviço milhares de burocratas que produziram toneladas de papel de leis, decretos, regulamentos, estatutos, instruções para regular, implantar, reformular estruturas, pedagogias, programas, disciplina dos alunos, actividades dos professores, participação dos encarregados de educação. Grande parte desses projectos de mudança, não mudaram coisa nenhuma, ou porque eram vazios, castelos de areia de visionários de gabinete ou porque não tiveram em conta os meios e condições locais, os destinatários, os alunos, e não mobilizaram, mentalizaram e preparam gestores, professores e restantes intervenientes para os porem em prática.

As mudanças institucionais requerem tempo, flexibilidade de adaptação e alguma mentalidade experimental para avaliar resultados, sugerir correcções e melhorar o produto final. Isto exige abertura, confiança, colaboração institucional e informação adequada. Num sistema fortemente hierarquizado e burocratizado a informação circula sobretudo no sentido vertical descendente. É deficientemente difundida e descodificada, pouco assimilada e discutida. Muitos dos agentes educativos nomeadamente os professores conhecem superficialmente os documentos que regulam o seu trabalho. Os mecanismos de discussão, adaptação e avaliação são deficientes e o retorno para correcções, adaptações e reformulações é limitado, se alguma vez ele é tido em conta. O “diálogo” dentro do sistema exige estruturas de comunicação que não existem ou são deficientemente exploradas. O resultado é o abismo que afasta o ministério das escolas, cria confusão entre os interesses meramente laborais e conjunturais dos professores, a valorização da sua competência e realização profissional e a satisfação dos objectivos dos destinatários da acção educativa: alunos e seus pais. A escola existe não para que os professores e restante pessoal tenha emprego, mas para educar. Os alunos são os destinatários de toda a actividade educativa. A escola colabora com os pais na educação dos seus filhos. Para que estes objectivos sejam atingidos o Estado assegura o funcionamento das escolas e recruta, forma e prepara os professores. O fim da sua actividade profissional é educar. Os seus conflitos laborais não podem prejudicar a razão de ser da profissão. Os sindicatos têm por finalidade defender os interesses laborais dos seus associados.

Não podem confundir-se os interesses dos sindicatos com os interesses da escola. Os sindicatos defendem os professores, nem sempre os interesses de todos os professores. A prova é que há vários sindicatos de professores. Chegou a haver um sindicato de professores licenciados, sinal de que os professores com esse grau académico se não consideravam convenientemente defendidos. De facto, os sindicatos mostraram resistência a admitir uma progressão na carreira determinada por critérios de qualidade nas habilitações, na formação adquirida e no desempenho, devidamente avaliados. Também não simpatizam muito com a prestação de contas aos utilizadores da escola. Já o Estatuto da Carreira Docente de 1990 determinava no seu artigo 36 que o acesso ao 8º escalão, se faria pela apreciação em provas públicas do currículo dos candidatos e de um trabalho de natureza educacional. O respectivo decreto regulamentar 13/92 surgiu dois anos depois, com a “discordância total da prova de candidatura” por parte da Fenprof. Foram constituídos júris, surgiram as primeiras candidaturas de professores às respectivas provas. Foram publicados os resultados. Passados meses, a dita prova tinha sido abolida por pressão dos sindicatos que não eram contra a avaliação, mas apenas contra “esta avaliação”. Na avaliação do desempenho chegou-se ao ponto de atribuir a chapa “satisfaz” a todos. Quem desejasse o “Bom” tinha de requerê-lo expressamente. Ao que parece, “esta avaliação” mantém uma grande complicação burocrática e possui critérios discutíveis. É necessária, no entanto, uma forma de avaliação trabalhada e progressivamente aperfeiçoada que inclua critérios objectivos de apreciação da competência científica e pedagógica, da qualidade do trabalho lectivo e tarefas desempenhadas, da liderança e relacionamento com professores, alunos e pais e dinamização da actividade da escola e - por que não? -, dos resultados alcançados. A avaliação deve ser feita para que os professores mais competentes e dedicados ocupem os cargos de maior responsabilidade, sejam devidamente recompensados e a escola cumpra melhor a sua razão de ser, eduque melhor. Os professores têm interesses respeitáveis. Não se confundem com os da escola. Neste conflito só têm aparecido à superfície os “professores” e a “ministra”. Há muito silêncio, o silêncio dos destinatários: dos alunos, dos seus pais e também da sociedade que esperam pelo desempenho dos “professores” e da “ministra” para os avaliarem. Tradicionalmente na luta entre sindicatos e ministério, o ministro é a parte mais fraca. Vinte e cinco ministros precederam Maria de Lurdes Rodrigues no cargo desde 74. Parece que não vai ser esta agora a solução. Veremos se para bem ou se para mal daqueles que dependem da escola.

11 de abril de 2008

Comunidade Taizé - Encontros em Portugal (Abril 2008)

No mês de Abril de 2008, um dos irmãos da Comunidade estará em Portugal para participar em encontros e visitar paróquias de diversas zonas do país. Alguns grupos de jovens estão a preparar tempos de encontro e oração abertos a todos.

Sexta-feira, 11 de Abril – Lisboa
Igreja de São Nicolau
Programa:
19:45 Breve oração de acolhimento
20:15 Chá e pequena merenda oferecida pela paróquia
20:45 Ensaio de cânticos
21:00 Tempo de partilha, com testemunhos inspirados na «Carta 2008»
21:45 Mesas redondas
22:30 Vigília de oração

14 de Abril – Covilhã
Igreja dos Jesuítas:
21:00 Ensaio de Cânticos (aberto a todos)
21:30 Tempo de reflexão e partilha (Salão)
22:30 Vigília de Oração (Igreja)


15 de Abril – Guarda
21:00 Tempo de encontro e oração no salão da Paróquia de S. Miguel

16 de Abril – Viseu
21:00 Vigília de oração na Igreja dos Terceiros


17 de Abril - Pombal
Programa:
19:00 Workshop «Um caminho de confiança», Salão Paroquial de Pombal
20:00 Jantar partilhado
21:30 Oração com Taizé, Igreja Matriz de Pombal


18 de Abril – Aveiro
21:30 Vigília de oração no Salão dos Bombeiros Voluntários


19 - 22 de Abril - Madeira
19 de Abril
19:30 Eucaristia na paróquia de Santa Cecília, Câmara de Lobos, seguida por um tempo de encontro e partilha.
20 de Abril
11:30 Encontro na paróquia de Santana
Paróquia de Santo Amaro, Funchal:
15:30 Apresentação da Comunidade e preparação da peregrinação a Taizé em Agosto
16:00 Tempo de reflexão e partilha, baseado na Carta de Cochabamba
17:30 Eucaristia com cânticos de Taizé
21 de Abril
20:00 Vigília de oração na Igreja paroquial do Caniço
22 de Abril

20:30 Vigília ecuménica de oração, Capela da Encarnação (Calçada da Encarnação), Funchal


23 de Abril – Porto
«Encontro com Taizé», Casa Diocesana de Vilar
21:30 Oração
22:15 Reflexão e partilha baseada na Carta de Cochabamba

24 de Abril – Alcanhões

25, 26 e 27 de Abril – Paróquia do Entroncamento
Festa da Família 2008
Quinta da Cardiga - Golegã
25 de Abril, 18:30, workshop «Um caminho de confiança»
25 de Abril, 21:30, «Grande Vigília de Oração»



10 de abril de 2008

3 de abril de 2008

31 de março de 2008

Os pobres estão proibidos

Por João César das Neves
(artigo de opinião - DN)

O mundo moderno orgulha-se da sensibilidade social e preocupação com os necessitados. O Governo faz gala nisso. O nosso tempo acaba de conseguir uma grande vitória na vida dos pobres. Não acabou com a miséria. Limitou-se a proibi-la. É que, sabem, a pobreza viola os direitos do consumidor e as regras higiénicas da produção.

A nova polícia encarregada de vigiar a interdição da indigência é a Autoridade de Segurança Alimentar e Económica, ASAE. Segundo as regras por que se rege, grande parte dos pequenos negócios, empresas modestas e produtos tradicionais, bem como as vendas, bens e esmolas de que vivem as pessoas carenciadas ficam banidas. É pena, mas não há lugar para pobres na sociedade asséptica que pretendemos.

É evidente que as exigências impostas nos regulamentos e fiscalizadas nas inspecções impossibilitam a sobrevivência das empresas menores. Obras necessárias, aparelhos impostos, dimensões requeridas são inacessíveis, excepto às multinacionais, grandes cadeias e empresas ricas, que a lei favorece. Os pequenos ficam rejeitados. Pode dizer-se que a actuação da ASAE constitui o maior ataque aos pobres desde o fim da escravatura.

Alguns argumentam que não é esse o espírito da lei nem o sentido da acção da Autoridade. Mas as notícias recentes desmentem essa interpretação favorável. O número de velhas tradições alimentares agredidas é tal que deixou de ser novidade. A 14 de Janeiro passado, a ASAE visitou o Centro de Dia de Póvoa da Atalaia, Fundão. Aí impôs obras caras, destruiu a marmelada que tinha sido oferecida pelos vizinhos e levou frangos e pastéis dados como esmola (Lusa, 06.03.2008). O jejum a que a Autoridade condenou aqueles pobres velhos foi feito em defesa da sua higiene alimentar. Parece que ter fome não é contra os regulamentos do consumidor.

Para juntar insulto ao agravo, recentemente a Autoridade lançou a sua "maior operação de sempre" com prisões e apreensões para "celebrar o dia do consumidor" (Lusa, 14.03.2008). Como os selvagens, a ASAE celebra contando escalpes. Entretanto os verdadeiros criminosos continuam a operar e a criar problemas sanitários e ambientais. O mais trágico nesta tolice monstruosa é que, enquanto anda a perder tempo a perseguir os pobres, a ASAE descura a sua verdadeira missão, que é mesmo muito importante.

Será que alguém pode ser tão estúpido, insensível e maldoso? Esta hipótese nunca deve ser descartada, sobretudo nos tempos que correm. Mas a explicação é capaz de ser outra. Só um iluminado pode fazer erros tão crassos. O que realmente se passa é que a ASAE não se considera uma polícia nem se vê a perseguir malfeitores. A sua missão suprema é educar o povo para a segurança alimentar. A finalidade é mudar o mundo. O seu objecto são, não os criminosos, mas toda a população. O que temos aqui é um conjunto de fanáticos com meios para impor às gentes ignaras o que julga ser o seu verdadeiro bem. Desta atitude saíram as maiores catástrofes da história.

Mas a culpa última não é da ASAE. Ela é responsável pela arrogância, tolice e insensibilidade com que aplica a lei. Mas a origem está nas autoridades portuguesas e europeias que criaram um tal emaranhado de ordens, regras e regulamentos que impedem a vida comum. A incongruência e irresponsabilidade da legislação, nas mãos de fanáticos, criam inevitáveis desgraças. A lei anula-se a si mesma. Ao promover o consumidor esquece o produtor, ao favorecer o investimento ignora o ambiente, ao cuidar do mercado desequilibra a saúde. Quem queira cumprir à risca o estipulado não sobrevive. Nem sequer quem o impõe: "Sede da ASAE [no Porto] não cumpre regras impostas pela ASAE" (JN, 17 de Fevereiro).

Numa sociedade democrática, a responsabilidade última está nos eleitores. Os séculos futuros vão rir de um tempo tão ingénuo que quis leis e regulamentos para todo e qualquer aspecto da vida. Esta obsessão legalista, mecanicista, materialista, se nos traz ganhos importantes, acaba por asfixiar a realidade. Como sempre, os pobres são os primeiros a sofrer.

A lição de Magdi Cristiano

Enquanto milhares de italianos convertidos ao Islão vivem serenamente a sua nova fé, muçulmanos convertidos ao cristianismo, são obrigados a calar a sua opção com medo de serem assassinados.

Após um sério percurso interior, Magdi Allam mudou de religião: converteu-se ao cristianismo, renunciando à fé islâmica. O vice-director do jornal Corriere della Sera foi baptizado pelo Papa durante a Vigília Pascal, com o nome de Cristiano.

Ainda era muçulmano e já tinha sido condenado à morte pelos radicais islâmicos, devido às suas posições moderadas contra o fundamentalismo religioso. Por isso, vive há cinco anos acompanhado, dia e noite, por três guarda-costas da polícia italiana. Agora, que se converteu ao cristianismo, declara, perante a crescente indignação de sectores muçulmanos:
“Não me deixarei intimidar. Estou orgulhoso por ter sido baptizado publicamente pelo Papa. O testemunho de Bento XVI diz-nos que é preciso vencer o medo e afirmar a verdade de Jesus, mesmo com os muçulmanos. “
E recorda que, enquanto milhares de italianos convertidos ao Islão vivem serenamente a sua nova fé, o contrário já não é verdade, porque – aqui ao lado, em Itália – milhares de muçulmanos convertidos ao cristianismo, são obrigados a calar a sua opção com medo de serem assassinados…

Magdi Cristiano dá-nos uma grande lição porque testemunha que “a liberdade religiosa é um direito sagrado que se ostenta com orgulho”.

Por Aura Miguel

30 de março de 2008

O casamento: em crise, em vias de desaparecimento ou mero contrato a termo final?

Por Armindo Monteiro


Os meios de comunicação social portugueses, pretendendo traduzir pelos processos ao seu alcance, o descrédito que visam fazer recair sobre o casamento enquanto instituição cuja origem se perde na noite dos tempos, propalam que o casamento, em geral, tende a diminuir, seja sob a forma civil seja sob a forma religiosa.

Claro que o objectivo imediato, primeiro, é o descrédito a atribuir à Igreja católica sempre presente num ou noutro jornal de grande expressão em épocas cruciais, nucleares, para a Igreja católica, o Natal e Páscoa, chegando-se ao ponto, num desses jornais, em altura de Páscoa, de credenciar a cura do cego à aplicação de cannabis (conhecida também por haxixe, liamba, riamba, cangonha, maconha, etc, etc) por Jesus, estupefaciente muito conhecido pelo seu poder curativo de doenças do foro ocular… O objecto é a afirmação do desligamento dos nubentes da Igreja católica, de Deus, para quem Ele nada diz, a libertação de alguns deveres que a lei canónica impõe, embora os cônjuges estejam em ambas as formas de celebração obrigados aos deveres de fidelidade, coabitação, respeito e assistência, que, uma vez infringidos são causa, fundamento legal de divórcio, acrescendo outras exigências que a lei civil não contempla.

É uma realidade a diminuição do número de casamentos, sejam religiosos sejam civis, nalguns casos sob a alegação de desnecessidade de papel e que não é um papel que liga o casal de facto, que não de direito. Se em grande número dos casos essa afirmação me faz lembrar a fábula de Lafontaine, da raposa e das uvas, "estão verdes, não prestam", a incapacidade de motivar ao compromisso do papel, não raro sucede que essa realidade é uma manifestação de falta de coragem para o compromisso. E o despeito que encerra não é mais do que um não assumir a panóplia de deveres de direitos no casamento, que não se pense que é um mar de rosas, com muitos escolhos, aqui e ali, verdadeira escola de apelo ao perdão e à tolerância, sem os quais seria levar na prática a cabo a união que, por ser sagrada, no casamento católico, cessa com a morte de um dos cônjuges.

O casamento civil não deixa de ser, para sobreviver, também palco do culto àqueles valores. A diminuição do número de casamentos em geral é fruto de uma contra cultura religiosa que tende a instalar-se na sociedade portuguesa, das péssimas condições de vida que se abateram sobre o tecido social, potenciadas pelo desemprego em crescendo que flagelam os mais jovens, que não arriscam encargos e pela facilidade de decretamento do divórcio, que afrouxa os compromissos conjugais e conduz à flacidez e lassidão do vínculo conjugal, cujos riscos não vale a pena correr, temendo-os até. E assim é mais vantajoso não assumir deveres, viver à sombra dos pais, no doce aconchego do ninho originário…

O divórcio está profundamente facilitado entre nós; o casamento tornou-se, para muitos casos, um mero contrato, titulado por um papel, que cada um, pode rasgar, quase, se e quando o quiser, sejam quais forem as consequências, cujas vítimas são sempre os filhos.

Não admira que já há muito atrás alguns na Alemanha tenham defendido uma união a prazo, simbolizada por um papel com um termo final, sem ser tendencialmente definitivo.

A ideia não enraizou entre nós, mas como tudo o que é de mau não tarda a materializar-se não nos admiremos se um qualquer dia, um qualquer génio do mundo do direito, divorciado pela não sei que vez, que acordou mal disposto num qualquer dia chuvoso de Inverno ou cinzento de Fevereiro, angustiante e incerto em que nada acontece ou tudo pode bater à porta, se lembre de inovar.

E também não nos admiremos que para o impacto passar à "vol d'oiseau" a modificação surja nos últimos dias de Julho ou primeiros de Agosto, quando as consciências estão amolecidas, semi-enfraquecidas…

E também não causará impressão se os protestos forem escassos, já que o que não tem remédio, remediado está…

29 de março de 2008

Opinião

Nova lista de pecados pelo Vaticano?

Por Anselmo Borges
padre e professor de Filosofia
(texto retirado do Diário de Notícias)

Quem frequentou a catequese lembrar-se-á, ainda que vagamente, dos sete pecados capitais: soberba, inveja, gula, luxúria, ira, avareza, preguiça. Estes são os sete pecados capitais da tradição, a partir de uma lista do Papa Gregório Magno no século VI.

Durante as festas pascais, não houve jornal, rádio ou televisão que não tenha referido uma nova lista a juntar à antiga. Devo confessar que esse interesse me causou algum espanto, tendo mesmo sido tentado a pensar que poderia haver quem subtilmente, lá no íntimo, imaginasse que talvez o Vaticano tivesse descoberto alguma nova oportunidade interessante para transgredir e pecar. Ah, aquele pedido: Oh God, make me good, but not yet!

Tratou-se de um equívoco, pois o Vaticano não publicou propriamente um decreto com uma nova lista de pecados capitais. Mas, por outro lado, na base do alarido, está uma chamada de atenção para questões complexas e graves que não podem de modo nenhum passar despercebidas.

O que é que se passou na realidade?

O Osservatore Romano, jornal oficioso do Vaticano, publicou, no passado dia 9 de Março, uma peça do jornalista Nicola Gori, com o título "As Novas Formas do Pecado Social", a partir de uma entrevista com mons. Gianfranco Girotti, bispo do tribunal da Penitenciária Apostólica, organismo da Santa Sé.

Nicola Gori perguntou ao bispo quais eram os novos pecados em tempos de globalização. Mons. Girotti, depois de lembrar que o pecado "é sempre a violação da aliança com Deus e os irmãos", respondeu que há várias áreas dentro das quais deparamos hoje com atitudes pecaminosas referentes aos direitos individuais e sociais.

E enumerou-as: "Antes de mais, a área da bioética, dentro da qual não podemos não denunciar algumas violações dos direitos fundamentais da natureza humana, através de experiências, manipulações genéticas, cujos êxitos são difíceis de vislumbrar e ter sob controlo. Outra área, propriamente social, é a área da droga, com a qual a psique enfraquece e se obscurece a inteligência, deixando muitos jovens fora do circuito eclesial. Mais: a área das desigualdades sociais e económicas, nas quais os mais pobres se tornam cada vez mais pobres e os ricos cada vez mais ricos, alimentando uma injustiça social insustentável. E a área da ecologia, que reveste actualmente um interesse relevante."

Foi a partir daqui que houve quem pretendesse poder elaborar uma lista de novos sete pecados capitais, segundo esta denominação ou semelhante: as violações genéticas; as experiências moralmente discutíveis, como a investigação em células estaminais embrionárias; a toxicodependência; a contaminação do meio ambiente; contribuir para cavar mais fundo o abismo entre os ricos e os pobres; a riqueza excessiva; gerar pobreza.

Embora a lista não exista enquanto tal, é necessário reconhecer que se não pode de modo nenhum ignorar que estas quatro áreas - a área biológica, com as violações genéticas; a área ecológica, com a poluição ambiental; a área da droga, com o risco da toxicodependência; a área das desigualdades sociais, com desequilíbrios socioeconómicos que bradam aos céus - são domínios nos quais existe o perigo real de ferir gravemente a dignidade humana e, nesse sentido, para os crentes, violar a aliança com Deus, pecando.

O que é, de facto, o pecado? Mais uma vez, segundo o catecismo, é a transgressão voluntária da Lei de Deus. Mas, aqui, é preciso perguntar: algo é bom porque Deus o manda ou Deus manda-o porque é bom para o ser humano? Algo é mau porque Deus o proíbe ou proíbe-o porque é mau para o ser humano?

O crente reflexivo sabe da autonomia moral e, assim, sabe que só é proibido por Deus o que prejudica o ser humano e só é mandado o que o dignifica e engrandece. O critério dos mandamentos de Deus é o Homem vivo e a sua realização.

Assim, no quadro da ética do cuidado e do princípio da precaução, quem não verá a urgência de reflectir sobre novas situações pecaminosas, como violações genéticas, poluição ecológica, toxicodependência, um mundo estruturalmente injusto?

28 de março de 2008

Era uma vez...

Imagem retirada do blog "Luz e Vida"


Por Emilia Cardoso

Três professoras sonharam juntas, com os seus alunos e o seu sonho tornou-se sonho de outros.

Um grupo de adolescentes, dos 12 aos 14 anos, de 3 escolas da Diocese de Coimbra e respectivas professoras, resolveram fazer uma experiência de voluntariado no fim de semana 19 e 20 de Janeiro passado. Sob o lema “pára, escuta e olha” este grupo contactou com a mais diversas realidades, velhinhos, crianças, pobres e outros.

O grupo, acolhido pelo Instituto Secular das Cooperadoras da Família, que lhe deu a conhecer o seu Carisma e Missão - o cuidado da santificação da Família – fez também uma experiência riquíssima de: oração, convívio, diversão e reflexão. O “Alfabeto Solidário”, dinâmica realizada na avaliação do fim de semana, testemunha a beleza e a riqueza deste encontro:

Alfabeto solidário

Abrimos o coração a quem mais precisa (Diogo Ribeiro)/ Amar sempre o próximo (Diogo Francisco)

Brincámos e ensinámos coisas novas às crianças (Bárbara)

Com carinho, ajudámos quem mais precisa (Tiago Alexandre)

Dei o meu apoio a quem mais precisava (Tiago)

Elaborei trabalhos com os idosos (Nuno)

Fui ajudar as crianças a passar uma tarde melhor (Carolina)

Gostei muito de fazer crianças felizes (Lea)

Hoje fui ajudar quem precisa (Patrícia)

Isto é o que eu penso que deve ser a nossa vida. Estar com os outros é para mim o melhor que há! (Hermínia)

Juntos para fazer o bem! (Carla)

Largámos tudo o que tínhamos para fazer, para ficarmos com os que mais precisam (Diogo Francisco)

Muito aprendi no dia de hoje (André) Nunca pensei passar um dia tão solidário como hoje (Emília Afonso)

Ordenei toda a minha actividade de modo a que este fim-de-semana pudesse estar convosco e desejo que levem amizade, amor e espírito solidário. Que esta actividade tenha sido um meio para enriquecimento de experiências (Emília) / O Segredo é Amar (Raul Folloreau)

Partimos para as Instituições com um Projecto e voltámos com um tesouro (Dina)

Quando estamos juntos podemos fazer o bem (Lea) / Queria ter dias alegres e aprender coisas como aprendi hoje (Nuno) / Quanto mais damos mais recebemos (Emília)

Relacionámo-nos com outros e construímos novas amizades (Diogo Francisco) / Ri, em conjunto, com outras crianças (Lea)

Satisfizemos as pessoas necessitadas (Tiago) / Soubemos ajudar quem mais precisa (Lea) / Sonhei que o mundo era assim: crianças que olham como crianças e todos construímos um mundo melhor (Hermínia)

Tivemos uma experiência que jamais esqueceremos (Diogo Francisco)/ Tornámos a felicidade possível (Dina)/ Tantas coisas que desconhecíamos! (Emília) / Tive que deixar tudo para ajudar os mais necessitados (André)

Unidos conseguimos sempre o que queremos (Lea) / Usamos o nosso amor para fazer o bem (Diogo Francisco) / Unimos esforços para tornar alguém mais feliz (Emília)

Viemos para ajudar os mais necessitados (André)/ Vencemos as barreiras (Lea) /Viemos em nome da felicidade (Diogo Francisco) /

Xi coração para os pais (Emília) / Vi e senti que a felicidade dos outros é uma das coisas que, para mim, mais importa (André);

Zelamos pelos outros para obter a felicidade (Diogo Francisco) / Zelo foi o que observei nas pessoas que deixaram tudo por nós.

27 de março de 2008

Opinião

Sinais dos tempos?

Por Maria Matos

Andava eu a “palmilhar” o corredor da fama (confesso que não é propriamente o que mais gosto de fazer) quando me deparo com uma afirmação, entre outras que não são aqui chamadas de momento, no mínimo irrisória: “Eu sou lésbica!” – isto a letras garrafais, claro.

Bem, entre o meu espanto e a verdade dos factos é de admitir que apenas está uma sociedade que eu, cada vez mais desconheço, e cada vez menos me sinto identificada, e que vai comendo tudo o que lhe cai no prato (faço parte da nova minoria, daí não entender as modas da actualidade).

Solange, nome da personagem que abordo aqui, de 31 anos, apresentadora na SIC Radical, do programa “Curto Circuito” está, e passo a citar, “a ser inundada por uma chuva de mensagens de apoio e de parabéns desde que assumiu publicamente a sua homossexualidade” – assim vem anunciado no texto que li – “A apresentadora justifica a sua revelação como um incentivo à quebra de preconceitos e uma forma de encorajar os jovens a seguirem-lhe os passos”.

Fico confusa quando estas pessoas querem sempre que outras sigam os seus passos, e mais confusão me causa neste meu cérebro em vias de extinção quando associam a vida pública com a vida privada, e acham-se pessoas mais realizadas profissionalmente com os atropelos que não têm nada de novo para nos dar.

Mas nos dias de hoje é cada vez mais comum este tipo de afirmações do que à vinte anos atrás certamente. Mas também não é menos certo que essas mesmas pessoas não deixaram de ser o que afirmam ser por causa de entraves que foram encontrando à sua decisão. O que tais palavras trazem de novo agora, no século XXI?

À dias li também num jornal que o vocalista dos R.E.M. disse em público que era homossexual, coisa que para os fãs (ou não) mais atentos não parece novidade nenhuma, e no entanto é de perguntar o que trouxe de novo para os mesmos, para o próprio, um homem já com os seus 50 anos, se não estou em erro?

Para mim estas formas de se afirmarem são um pouco imodestas. Até porque cada vez é mais difícil uma pessoa se afirmar como cristã, como pessoa crente, o que à partida deveria ser mais aceitável e torna-se mais duro de entender, do que de volta e meia alguém lembrar-se de dizer: “Eu sou homossexual!”. É mais difícil um casal com mais de dois filhos serem aceites pela sociedade sem serem vistos como pessoas que não tomam os devidos cuidados, do que um casal homossexual fazer uma vozearia porque se acham com o direito de adoptar crianças. A realidade é esta, são sempre vistos como os corajosos, os ousados, os lutadores (não sei do quê), que recebem os parabéns de muita gente, e no entanto não têm nada para dar à sociedade. Corajosos, lutadores, e que merecem todo o apoio daqueles que ainda estimam a família são aqueles que mesmo perante as dificuldades económicas, mesmo sem apoios nenhuns, principalmente do Estado e que mesmo assim arriscam, e bem, a constituir família são todos esses casais anónimos, que vivem as suas vidas da forma mais particular, só entre eles e Deus, e vêem-se sozinhos nesta sociedade que só lhes dão alfinetadas. Sinais dos tempos?

Arrisco mesmo a dizer que é muito mais difícil uma pessoa assumir-se como mulher consagrada sem ouvir um triste comentário de que teve um desgosto amoroso que a levou a entrar para um convento e ainda para mais ser rotulada com a expressão “coitadinha” (só resta saber se esse desgosto, aos olhos desta mesma sociedade, foi com um homem ou com uma mulher), do que sem mais nem menos, porque acordou atravessada na cama nesse mesmo dia de manhã e se lembrou de fazer tal afirmação, e essa é a maior porque ousou dizer tal coisa num país que é visto por essas mesmas pessoas como um país conservador, hipócrita, com mentalidades pequenas e mesquinhas.

Estamos em tempos difíceis, mas se continuarmos assim no deixa andar, tempos ainda mais difíceis estão para vir.

26 de março de 2008

Ontem, dia 25 de Março de 2008, no Diário de Notícias, jornal que habitualmente leio, vinha um artigo de opinião escrito pelo jornalista (que refiro em seguida) de extrema importância.
Porquê de extrema importância? Porque, a meu ver, é um retrato fiel da educação dos nossos dias, e que normalmente não dá bons resultados, ou melhor, não pode dar resultados senão uma tremenda falta de educação como comprovam os acontecimentos que ultimamente temos assistido nos media portugueses. Portanto, o problema terá que ser atacado logo pela raiz, e não devemos esperar para ver no que estes meninos "mimados" farão em termos futuros.

Maria Matos


"Nem anjos inocentes, nem geração rasca"

Por João Miguel Tavares
Jornalista
jmtavares@dn.pt

Há um ano estava no centro comercial Colombo e a minha filha mais velha desatou numa gritaria desalmada, já nem sei porquê, uma daquelas birras olímpicas que antes de termos os nossos filhos acreditamos ingenuamente que só acontecem aos filhos (mal-educados) dos outros. Tentei fazer como os árbitros de futebol: isolar o jogador para o punir disciplinarmente. Puxei-a para um canto, encostei-a à parede e tentei acalmá-la. Só que ela continuava a espernear e a gritar pela mãe, como se eu fosse o Jack Bauer em plena sessão de tortura, procurando saber a todo o custo onde estava a ogiva nuclear. Então, uma senhora dos seus 60 anos aproximou-se esbaforida, a berrar "você é mau pai, você é mau pai", dizendo-me para largar a criancinha e deixá-la ir ter com a mãe, senão chamava a polícia. A sério.

Entre pôr uma criança a trabalhar no campo aos seis anos e estar publicamente impedido de lhe estancar uma birra, é capaz de haver um meio-termo. E no entanto, cada vez parece mais difícil encontrá-lo. Veja-se o inacreditável vídeo do liceu do Porto. Tudo aquilo é impensável, claro, mas antes de voltarmos à velha conversa da geração rasca e às visões apocalípticas do mundo convém ver o que aquilo é: o registo de uma birra sem limites, aparentemente parecida com a da minha filha no Colombo. A diferença - e é uma grande diferença - é que na altura a minha filha tinha três anos. E a rapariga loucamente apaixonada pelo seu telemóvel tem 15. O problema da falta de autoridade dos professores é uma realidade preocupante, ninguém duvida disso, mas é em casa daquela miúda e na educação dos nossos filhos que em primeiro lugar devemos procurar as causas do seu comportamento.

Doses cavalares de mimo, desaparecimentos de Maddies e problemas de consciência de pais ausentes compõem uma fórmula de tal forma explosiva que as criancinhas se transformam em flores de jarra às quais parece mal tocar até com um dedo. O meu pai contou-me no outro dia que em miúdo levou um tabefe porque ao cumprimentar um adulto o tratou por "você" em vez de "senhor". Não é a este tempo que queremos voltar. Mas é preciso encontrar o equilíbrio entre distribuir sopapos por faltas de cortesia e não poder puxar uma criança para um canto sem se ser ameaçado com a polícia. Já é hora de acabar com o mito do bom rebelde. As crianças não são seres angélicos que o mundo corrompe. São bicharocos nem sempre encantadores, muitas vezes cruéis, que têm de ser educados para a vida e para se comportarem devidamente em sociedade. Alguém se esqueceu de fazer esse trabalho com aquela miúda do Porto, dez anos atrás. Tão simples - ou tão complicado - quanto isso.




Twitter Delicious Facebook Digg Stumbleupon Favorites More