Diário da Assembleia Geral do ISCF

“Tudo o que se fizer a bem da família, por pequeno que seja é grande”. (Mons. Brás)

A Família no centro das atenções

Encontra aqui os vários artigos do Dr. Juan Ambrósio sobre a Família...

Encontro Mundial das Famílias 2015

O Vaticano apresentou dia 24 de março em conferência de imprensa o 7.º Encontro Mundial da Família, que vai decorrer de 22 a 27 de setembro de 2015 na cidade norte-americana de Filadélfia.

A saúde mental dos portugueses

Alguns dedicam-se obsessivamente aos números e às estatísticas esquecendo que a sociedade é feita de pessoas...

O trabalho, dom e direito

A sociedade portuguesa e internacional, vive uma situação de crise generalizada e de aumento das desigualdades sociais...

Longe vão os tempos

Longe vão os tempos dos preconceitos culturais em que se aceitava que era a mãe que tinha de cuidar dos filhos...

Dar esperança em tempo de crise

Vivemos tempos difíceis. A família, como célula base da sociedade, é imediatamente afetada por esta crise generalizada e que promete perdurar. Neste contexto, exige-se um novo paradigma, uma nova forma de estar e de nos relacionarmos.

15 de abril de 2008

Por miopia, capricho, a reboque e à pressa (Opinião)

João César das Neves
(artigo de opinião escrito para o DN - 14/04/08)

O Partido Socialista é uma das grandes instituições da democracia portuguesa. O País deve-lhe, entre outras, a oposição ao marcelismo, a luta contra o gonçalvismo, os programas de estabilização com o FMI em 1977 e 1983 e a reforma da Segurança Social em 2007. Mas, sobretudo quando orientado por personalidades de segunda categoria, ele também é capaz de enormes disparates e graves atentados. A recente decisão de mudar a lei do divórcio é um caso destes.

Pode perguntar-se o que é que aconteceu de tão grave que justifique uma reforma em legislação tão central e sensível. A única resposta válida é que se trata de um capricho do partido do Governo. Houve uma iniciativa do Bloco de Esquerda, um grupinho de exaltados sem representatividade, a que se junta a cópia às tolices que a Espanha tem vindo a fazer ultimamente. Sobre este tema decisivo, o Partido Socialista vai legislar a reboque e à pressa.

Desgastado pela acção do Governo e obrigado a fazer compromissos nos princípios e cedências na doutrina, o Partido precisa, de vez em quando, de polir as suas medalhas ideológicas. Só o pode fazer ligando-se a radicais cujos extremismos lhes garantem uma legitimidade revolucionária. As referidas influências são de tal modo evidentes e ingénuas, a atitude dos responsáveis é tão cândida e ligeira que seria comovedora, se não fosse grave.

Trata-se indiscutivelmente de um assunto muito sério. O casamento e a família constituem um dos elementos mais relevantes da vida de todos nós e as garantias que a lei lhes concede são importantes para a sua solidez. Além disso também é indiscutível que o que se vai fazer é um enorme disparate, mesmo do próprio ponto de vista dos socialistas. Isto por duas razões.

A lei só existe para proteger os fracos. Por isso é que, em geral, quando se dilui uma regulamentação se está a criar oportunidades para os poderosos abusarem. Se o divórcio se torna mais célere e expedito, se o casamento fica mais precário e solúvel, isso vai prejudicar precisamente aqueles que mais sofrem nessa relação, as crianças, os idosos, os cônjuges sem meios, doentes, desempregados, etc.

Quanto, ninguém sabe. O aspecto mais grave é que quem acaba de mudar a lei e promete mudá-la de novo não faz a menor ideia como isso afectará a realidade, porque o faz por capricho, a reboque e à pressa. Por causa da lei agora revista, haverá lágrimas amargas, sofrimentos lancinantes, que o legislador alegremente ignora. Mas a coisa fica ainda mais tonta ao considerarem-se os antecedentes.

Durante mais de mil anos quem em Portugal casou as pessoas foi a Igreja Católica. No século XIX os laicistas e maçons fizeram da crítica a este facto uma bandeira central. Em particular, a "Associação do Registo Civil e do Livre Pensamento", fundada em 1895, de gloriosas tradições à esquerda, era feroz neste ponto. Apesar disso, as vitórias foram lentas. Os passos principais são o Decreto de 16 de Maio de 1832 de Mouzinho da Silveira e o Código Civil de 1867. Foi apenas com a República, na Lei da Família de 25 de Dezembro de 1910 que se verificou a mudança definitiva.

Pode dizer-se que essa reforma tão ansiada não durou cem anos. Os socialistas actuais, levando o casamento civil a valer menos que a tinta com que está escrito, entregaram de novo à Igreja esse aspecto central da vida. Quem hoje quer casar a sério e proclamar à sociedade uma união sólida e perene vai onde, ao registo ou à capela? As modas intelectuais mudam mas a Humanidade fica. Quando daqui a uns anos os políticos voltarem a reconhecer o valor da família, é no seio da Igreja que a vão encontrar.

Pode perguntar-se a origem desta tolice. A resposta, como sempre, está no facto de estes pobres deputados acreditarem nos seus próprios estudos. Aquelas análises que há cem anos lhes diziam que a religião ia acabar e há 50 asseguravam que a empresa e o mercado estavam condenados agora sugerem-lhes que promovam uniões de facto, divórcio e promiscuidade. O problema destes socialistas não é o socialismo. É a miopia.

14 de abril de 2008

Os professores o Ministério e a avaliação

Por Octávio Gil Morgadinho
(colaborador do Jornal da Família)

Escrevo, dias depois da manifestação dos professores pelas ruas de Lisboa contra “esta avaliação” e contra “esta ministra”. Ouvi e li os mais diversos comentários sobre as suas razões e significado, sobre as consequências a tirar pelo Ministério da Educação e o Governo.

Não pretendo fazer previsões sobre o desfecho da crise, mas antes analisar o contexto deste e dos muitos conflitos entre “ministros” e “professores”. O Estado é o grande educador. Nisto converge o Estado Republicano, o Estado Novo, o Estado Democrático. É ele que determina - mesmo quando proclama a sua neutralidade - os princípios, as regras, os valores e as condições de acesso à educação. É ele que decide a estrutura do sistema, os currículos e os programas, as orientações pedagógicas. É ele que escolhe, contrata e paga ao pessoal. O Estado é o grande monopolista do sistema educativo que financia e regula com decretos, circulares, instruções e inspecções do ministério da educação. A iniciativa particular pode fornecer melhor ensino do que o seu. Não importa. A liberdade de educação é apenas liberdade de escolher as escolas do Estado, de acordo com os seus critérios. A liberdade de escolha de outras é paga por quem a fizer.

Este estado monopolista acredita na transformação da Escola por decreto. Tem aos seu serviço milhares de burocratas que produziram toneladas de papel de leis, decretos, regulamentos, estatutos, instruções para regular, implantar, reformular estruturas, pedagogias, programas, disciplina dos alunos, actividades dos professores, participação dos encarregados de educação. Grande parte desses projectos de mudança, não mudaram coisa nenhuma, ou porque eram vazios, castelos de areia de visionários de gabinete ou porque não tiveram em conta os meios e condições locais, os destinatários, os alunos, e não mobilizaram, mentalizaram e preparam gestores, professores e restantes intervenientes para os porem em prática.

As mudanças institucionais requerem tempo, flexibilidade de adaptação e alguma mentalidade experimental para avaliar resultados, sugerir correcções e melhorar o produto final. Isto exige abertura, confiança, colaboração institucional e informação adequada. Num sistema fortemente hierarquizado e burocratizado a informação circula sobretudo no sentido vertical descendente. É deficientemente difundida e descodificada, pouco assimilada e discutida. Muitos dos agentes educativos nomeadamente os professores conhecem superficialmente os documentos que regulam o seu trabalho. Os mecanismos de discussão, adaptação e avaliação são deficientes e o retorno para correcções, adaptações e reformulações é limitado, se alguma vez ele é tido em conta. O “diálogo” dentro do sistema exige estruturas de comunicação que não existem ou são deficientemente exploradas. O resultado é o abismo que afasta o ministério das escolas, cria confusão entre os interesses meramente laborais e conjunturais dos professores, a valorização da sua competência e realização profissional e a satisfação dos objectivos dos destinatários da acção educativa: alunos e seus pais. A escola existe não para que os professores e restante pessoal tenha emprego, mas para educar. Os alunos são os destinatários de toda a actividade educativa. A escola colabora com os pais na educação dos seus filhos. Para que estes objectivos sejam atingidos o Estado assegura o funcionamento das escolas e recruta, forma e prepara os professores. O fim da sua actividade profissional é educar. Os seus conflitos laborais não podem prejudicar a razão de ser da profissão. Os sindicatos têm por finalidade defender os interesses laborais dos seus associados.

Não podem confundir-se os interesses dos sindicatos com os interesses da escola. Os sindicatos defendem os professores, nem sempre os interesses de todos os professores. A prova é que há vários sindicatos de professores. Chegou a haver um sindicato de professores licenciados, sinal de que os professores com esse grau académico se não consideravam convenientemente defendidos. De facto, os sindicatos mostraram resistência a admitir uma progressão na carreira determinada por critérios de qualidade nas habilitações, na formação adquirida e no desempenho, devidamente avaliados. Também não simpatizam muito com a prestação de contas aos utilizadores da escola. Já o Estatuto da Carreira Docente de 1990 determinava no seu artigo 36 que o acesso ao 8º escalão, se faria pela apreciação em provas públicas do currículo dos candidatos e de um trabalho de natureza educacional. O respectivo decreto regulamentar 13/92 surgiu dois anos depois, com a “discordância total da prova de candidatura” por parte da Fenprof. Foram constituídos júris, surgiram as primeiras candidaturas de professores às respectivas provas. Foram publicados os resultados. Passados meses, a dita prova tinha sido abolida por pressão dos sindicatos que não eram contra a avaliação, mas apenas contra “esta avaliação”. Na avaliação do desempenho chegou-se ao ponto de atribuir a chapa “satisfaz” a todos. Quem desejasse o “Bom” tinha de requerê-lo expressamente. Ao que parece, “esta avaliação” mantém uma grande complicação burocrática e possui critérios discutíveis. É necessária, no entanto, uma forma de avaliação trabalhada e progressivamente aperfeiçoada que inclua critérios objectivos de apreciação da competência científica e pedagógica, da qualidade do trabalho lectivo e tarefas desempenhadas, da liderança e relacionamento com professores, alunos e pais e dinamização da actividade da escola e - por que não? -, dos resultados alcançados. A avaliação deve ser feita para que os professores mais competentes e dedicados ocupem os cargos de maior responsabilidade, sejam devidamente recompensados e a escola cumpra melhor a sua razão de ser, eduque melhor. Os professores têm interesses respeitáveis. Não se confundem com os da escola. Neste conflito só têm aparecido à superfície os “professores” e a “ministra”. Há muito silêncio, o silêncio dos destinatários: dos alunos, dos seus pais e também da sociedade que esperam pelo desempenho dos “professores” e da “ministra” para os avaliarem. Tradicionalmente na luta entre sindicatos e ministério, o ministro é a parte mais fraca. Vinte e cinco ministros precederam Maria de Lurdes Rodrigues no cargo desde 74. Parece que não vai ser esta agora a solução. Veremos se para bem ou se para mal daqueles que dependem da escola.

11 de abril de 2008

Comunidade Taizé - Encontros em Portugal (Abril 2008)

No mês de Abril de 2008, um dos irmãos da Comunidade estará em Portugal para participar em encontros e visitar paróquias de diversas zonas do país. Alguns grupos de jovens estão a preparar tempos de encontro e oração abertos a todos.

Sexta-feira, 11 de Abril – Lisboa
Igreja de São Nicolau
Programa:
19:45 Breve oração de acolhimento
20:15 Chá e pequena merenda oferecida pela paróquia
20:45 Ensaio de cânticos
21:00 Tempo de partilha, com testemunhos inspirados na «Carta 2008»
21:45 Mesas redondas
22:30 Vigília de oração

14 de Abril – Covilhã
Igreja dos Jesuítas:
21:00 Ensaio de Cânticos (aberto a todos)
21:30 Tempo de reflexão e partilha (Salão)
22:30 Vigília de Oração (Igreja)


15 de Abril – Guarda
21:00 Tempo de encontro e oração no salão da Paróquia de S. Miguel

16 de Abril – Viseu
21:00 Vigília de oração na Igreja dos Terceiros


17 de Abril - Pombal
Programa:
19:00 Workshop «Um caminho de confiança», Salão Paroquial de Pombal
20:00 Jantar partilhado
21:30 Oração com Taizé, Igreja Matriz de Pombal


18 de Abril – Aveiro
21:30 Vigília de oração no Salão dos Bombeiros Voluntários


19 - 22 de Abril - Madeira
19 de Abril
19:30 Eucaristia na paróquia de Santa Cecília, Câmara de Lobos, seguida por um tempo de encontro e partilha.
20 de Abril
11:30 Encontro na paróquia de Santana
Paróquia de Santo Amaro, Funchal:
15:30 Apresentação da Comunidade e preparação da peregrinação a Taizé em Agosto
16:00 Tempo de reflexão e partilha, baseado na Carta de Cochabamba
17:30 Eucaristia com cânticos de Taizé
21 de Abril
20:00 Vigília de oração na Igreja paroquial do Caniço
22 de Abril

20:30 Vigília ecuménica de oração, Capela da Encarnação (Calçada da Encarnação), Funchal


23 de Abril – Porto
«Encontro com Taizé», Casa Diocesana de Vilar
21:30 Oração
22:15 Reflexão e partilha baseada na Carta de Cochabamba

24 de Abril – Alcanhões

25, 26 e 27 de Abril – Paróquia do Entroncamento
Festa da Família 2008
Quinta da Cardiga - Golegã
25 de Abril, 18:30, workshop «Um caminho de confiança»
25 de Abril, 21:30, «Grande Vigília de Oração»



10 de abril de 2008

3 de abril de 2008

31 de março de 2008

Os pobres estão proibidos

Por João César das Neves
(artigo de opinião - DN)

O mundo moderno orgulha-se da sensibilidade social e preocupação com os necessitados. O Governo faz gala nisso. O nosso tempo acaba de conseguir uma grande vitória na vida dos pobres. Não acabou com a miséria. Limitou-se a proibi-la. É que, sabem, a pobreza viola os direitos do consumidor e as regras higiénicas da produção.

A nova polícia encarregada de vigiar a interdição da indigência é a Autoridade de Segurança Alimentar e Económica, ASAE. Segundo as regras por que se rege, grande parte dos pequenos negócios, empresas modestas e produtos tradicionais, bem como as vendas, bens e esmolas de que vivem as pessoas carenciadas ficam banidas. É pena, mas não há lugar para pobres na sociedade asséptica que pretendemos.

É evidente que as exigências impostas nos regulamentos e fiscalizadas nas inspecções impossibilitam a sobrevivência das empresas menores. Obras necessárias, aparelhos impostos, dimensões requeridas são inacessíveis, excepto às multinacionais, grandes cadeias e empresas ricas, que a lei favorece. Os pequenos ficam rejeitados. Pode dizer-se que a actuação da ASAE constitui o maior ataque aos pobres desde o fim da escravatura.

Alguns argumentam que não é esse o espírito da lei nem o sentido da acção da Autoridade. Mas as notícias recentes desmentem essa interpretação favorável. O número de velhas tradições alimentares agredidas é tal que deixou de ser novidade. A 14 de Janeiro passado, a ASAE visitou o Centro de Dia de Póvoa da Atalaia, Fundão. Aí impôs obras caras, destruiu a marmelada que tinha sido oferecida pelos vizinhos e levou frangos e pastéis dados como esmola (Lusa, 06.03.2008). O jejum a que a Autoridade condenou aqueles pobres velhos foi feito em defesa da sua higiene alimentar. Parece que ter fome não é contra os regulamentos do consumidor.

Para juntar insulto ao agravo, recentemente a Autoridade lançou a sua "maior operação de sempre" com prisões e apreensões para "celebrar o dia do consumidor" (Lusa, 14.03.2008). Como os selvagens, a ASAE celebra contando escalpes. Entretanto os verdadeiros criminosos continuam a operar e a criar problemas sanitários e ambientais. O mais trágico nesta tolice monstruosa é que, enquanto anda a perder tempo a perseguir os pobres, a ASAE descura a sua verdadeira missão, que é mesmo muito importante.

Será que alguém pode ser tão estúpido, insensível e maldoso? Esta hipótese nunca deve ser descartada, sobretudo nos tempos que correm. Mas a explicação é capaz de ser outra. Só um iluminado pode fazer erros tão crassos. O que realmente se passa é que a ASAE não se considera uma polícia nem se vê a perseguir malfeitores. A sua missão suprema é educar o povo para a segurança alimentar. A finalidade é mudar o mundo. O seu objecto são, não os criminosos, mas toda a população. O que temos aqui é um conjunto de fanáticos com meios para impor às gentes ignaras o que julga ser o seu verdadeiro bem. Desta atitude saíram as maiores catástrofes da história.

Mas a culpa última não é da ASAE. Ela é responsável pela arrogância, tolice e insensibilidade com que aplica a lei. Mas a origem está nas autoridades portuguesas e europeias que criaram um tal emaranhado de ordens, regras e regulamentos que impedem a vida comum. A incongruência e irresponsabilidade da legislação, nas mãos de fanáticos, criam inevitáveis desgraças. A lei anula-se a si mesma. Ao promover o consumidor esquece o produtor, ao favorecer o investimento ignora o ambiente, ao cuidar do mercado desequilibra a saúde. Quem queira cumprir à risca o estipulado não sobrevive. Nem sequer quem o impõe: "Sede da ASAE [no Porto] não cumpre regras impostas pela ASAE" (JN, 17 de Fevereiro).

Numa sociedade democrática, a responsabilidade última está nos eleitores. Os séculos futuros vão rir de um tempo tão ingénuo que quis leis e regulamentos para todo e qualquer aspecto da vida. Esta obsessão legalista, mecanicista, materialista, se nos traz ganhos importantes, acaba por asfixiar a realidade. Como sempre, os pobres são os primeiros a sofrer.

A lição de Magdi Cristiano

Enquanto milhares de italianos convertidos ao Islão vivem serenamente a sua nova fé, muçulmanos convertidos ao cristianismo, são obrigados a calar a sua opção com medo de serem assassinados.

Após um sério percurso interior, Magdi Allam mudou de religião: converteu-se ao cristianismo, renunciando à fé islâmica. O vice-director do jornal Corriere della Sera foi baptizado pelo Papa durante a Vigília Pascal, com o nome de Cristiano.

Ainda era muçulmano e já tinha sido condenado à morte pelos radicais islâmicos, devido às suas posições moderadas contra o fundamentalismo religioso. Por isso, vive há cinco anos acompanhado, dia e noite, por três guarda-costas da polícia italiana. Agora, que se converteu ao cristianismo, declara, perante a crescente indignação de sectores muçulmanos:
“Não me deixarei intimidar. Estou orgulhoso por ter sido baptizado publicamente pelo Papa. O testemunho de Bento XVI diz-nos que é preciso vencer o medo e afirmar a verdade de Jesus, mesmo com os muçulmanos. “
E recorda que, enquanto milhares de italianos convertidos ao Islão vivem serenamente a sua nova fé, o contrário já não é verdade, porque – aqui ao lado, em Itália – milhares de muçulmanos convertidos ao cristianismo, são obrigados a calar a sua opção com medo de serem assassinados…

Magdi Cristiano dá-nos uma grande lição porque testemunha que “a liberdade religiosa é um direito sagrado que se ostenta com orgulho”.

Por Aura Miguel

30 de março de 2008

O casamento: em crise, em vias de desaparecimento ou mero contrato a termo final?

Por Armindo Monteiro


Os meios de comunicação social portugueses, pretendendo traduzir pelos processos ao seu alcance, o descrédito que visam fazer recair sobre o casamento enquanto instituição cuja origem se perde na noite dos tempos, propalam que o casamento, em geral, tende a diminuir, seja sob a forma civil seja sob a forma religiosa.

Claro que o objectivo imediato, primeiro, é o descrédito a atribuir à Igreja católica sempre presente num ou noutro jornal de grande expressão em épocas cruciais, nucleares, para a Igreja católica, o Natal e Páscoa, chegando-se ao ponto, num desses jornais, em altura de Páscoa, de credenciar a cura do cego à aplicação de cannabis (conhecida também por haxixe, liamba, riamba, cangonha, maconha, etc, etc) por Jesus, estupefaciente muito conhecido pelo seu poder curativo de doenças do foro ocular… O objecto é a afirmação do desligamento dos nubentes da Igreja católica, de Deus, para quem Ele nada diz, a libertação de alguns deveres que a lei canónica impõe, embora os cônjuges estejam em ambas as formas de celebração obrigados aos deveres de fidelidade, coabitação, respeito e assistência, que, uma vez infringidos são causa, fundamento legal de divórcio, acrescendo outras exigências que a lei civil não contempla.

É uma realidade a diminuição do número de casamentos, sejam religiosos sejam civis, nalguns casos sob a alegação de desnecessidade de papel e que não é um papel que liga o casal de facto, que não de direito. Se em grande número dos casos essa afirmação me faz lembrar a fábula de Lafontaine, da raposa e das uvas, "estão verdes, não prestam", a incapacidade de motivar ao compromisso do papel, não raro sucede que essa realidade é uma manifestação de falta de coragem para o compromisso. E o despeito que encerra não é mais do que um não assumir a panóplia de deveres de direitos no casamento, que não se pense que é um mar de rosas, com muitos escolhos, aqui e ali, verdadeira escola de apelo ao perdão e à tolerância, sem os quais seria levar na prática a cabo a união que, por ser sagrada, no casamento católico, cessa com a morte de um dos cônjuges.

O casamento civil não deixa de ser, para sobreviver, também palco do culto àqueles valores. A diminuição do número de casamentos em geral é fruto de uma contra cultura religiosa que tende a instalar-se na sociedade portuguesa, das péssimas condições de vida que se abateram sobre o tecido social, potenciadas pelo desemprego em crescendo que flagelam os mais jovens, que não arriscam encargos e pela facilidade de decretamento do divórcio, que afrouxa os compromissos conjugais e conduz à flacidez e lassidão do vínculo conjugal, cujos riscos não vale a pena correr, temendo-os até. E assim é mais vantajoso não assumir deveres, viver à sombra dos pais, no doce aconchego do ninho originário…

O divórcio está profundamente facilitado entre nós; o casamento tornou-se, para muitos casos, um mero contrato, titulado por um papel, que cada um, pode rasgar, quase, se e quando o quiser, sejam quais forem as consequências, cujas vítimas são sempre os filhos.

Não admira que já há muito atrás alguns na Alemanha tenham defendido uma união a prazo, simbolizada por um papel com um termo final, sem ser tendencialmente definitivo.

A ideia não enraizou entre nós, mas como tudo o que é de mau não tarda a materializar-se não nos admiremos se um qualquer dia, um qualquer génio do mundo do direito, divorciado pela não sei que vez, que acordou mal disposto num qualquer dia chuvoso de Inverno ou cinzento de Fevereiro, angustiante e incerto em que nada acontece ou tudo pode bater à porta, se lembre de inovar.

E também não nos admiremos que para o impacto passar à "vol d'oiseau" a modificação surja nos últimos dias de Julho ou primeiros de Agosto, quando as consciências estão amolecidas, semi-enfraquecidas…

E também não causará impressão se os protestos forem escassos, já que o que não tem remédio, remediado está…

29 de março de 2008

Opinião

Nova lista de pecados pelo Vaticano?

Por Anselmo Borges
padre e professor de Filosofia
(texto retirado do Diário de Notícias)

Quem frequentou a catequese lembrar-se-á, ainda que vagamente, dos sete pecados capitais: soberba, inveja, gula, luxúria, ira, avareza, preguiça. Estes são os sete pecados capitais da tradição, a partir de uma lista do Papa Gregório Magno no século VI.

Durante as festas pascais, não houve jornal, rádio ou televisão que não tenha referido uma nova lista a juntar à antiga. Devo confessar que esse interesse me causou algum espanto, tendo mesmo sido tentado a pensar que poderia haver quem subtilmente, lá no íntimo, imaginasse que talvez o Vaticano tivesse descoberto alguma nova oportunidade interessante para transgredir e pecar. Ah, aquele pedido: Oh God, make me good, but not yet!

Tratou-se de um equívoco, pois o Vaticano não publicou propriamente um decreto com uma nova lista de pecados capitais. Mas, por outro lado, na base do alarido, está uma chamada de atenção para questões complexas e graves que não podem de modo nenhum passar despercebidas.

O que é que se passou na realidade?

O Osservatore Romano, jornal oficioso do Vaticano, publicou, no passado dia 9 de Março, uma peça do jornalista Nicola Gori, com o título "As Novas Formas do Pecado Social", a partir de uma entrevista com mons. Gianfranco Girotti, bispo do tribunal da Penitenciária Apostólica, organismo da Santa Sé.

Nicola Gori perguntou ao bispo quais eram os novos pecados em tempos de globalização. Mons. Girotti, depois de lembrar que o pecado "é sempre a violação da aliança com Deus e os irmãos", respondeu que há várias áreas dentro das quais deparamos hoje com atitudes pecaminosas referentes aos direitos individuais e sociais.

E enumerou-as: "Antes de mais, a área da bioética, dentro da qual não podemos não denunciar algumas violações dos direitos fundamentais da natureza humana, através de experiências, manipulações genéticas, cujos êxitos são difíceis de vislumbrar e ter sob controlo. Outra área, propriamente social, é a área da droga, com a qual a psique enfraquece e se obscurece a inteligência, deixando muitos jovens fora do circuito eclesial. Mais: a área das desigualdades sociais e económicas, nas quais os mais pobres se tornam cada vez mais pobres e os ricos cada vez mais ricos, alimentando uma injustiça social insustentável. E a área da ecologia, que reveste actualmente um interesse relevante."

Foi a partir daqui que houve quem pretendesse poder elaborar uma lista de novos sete pecados capitais, segundo esta denominação ou semelhante: as violações genéticas; as experiências moralmente discutíveis, como a investigação em células estaminais embrionárias; a toxicodependência; a contaminação do meio ambiente; contribuir para cavar mais fundo o abismo entre os ricos e os pobres; a riqueza excessiva; gerar pobreza.

Embora a lista não exista enquanto tal, é necessário reconhecer que se não pode de modo nenhum ignorar que estas quatro áreas - a área biológica, com as violações genéticas; a área ecológica, com a poluição ambiental; a área da droga, com o risco da toxicodependência; a área das desigualdades sociais, com desequilíbrios socioeconómicos que bradam aos céus - são domínios nos quais existe o perigo real de ferir gravemente a dignidade humana e, nesse sentido, para os crentes, violar a aliança com Deus, pecando.

O que é, de facto, o pecado? Mais uma vez, segundo o catecismo, é a transgressão voluntária da Lei de Deus. Mas, aqui, é preciso perguntar: algo é bom porque Deus o manda ou Deus manda-o porque é bom para o ser humano? Algo é mau porque Deus o proíbe ou proíbe-o porque é mau para o ser humano?

O crente reflexivo sabe da autonomia moral e, assim, sabe que só é proibido por Deus o que prejudica o ser humano e só é mandado o que o dignifica e engrandece. O critério dos mandamentos de Deus é o Homem vivo e a sua realização.

Assim, no quadro da ética do cuidado e do princípio da precaução, quem não verá a urgência de reflectir sobre novas situações pecaminosas, como violações genéticas, poluição ecológica, toxicodependência, um mundo estruturalmente injusto?

28 de março de 2008

Era uma vez...

Imagem retirada do blog "Luz e Vida"


Por Emilia Cardoso

Três professoras sonharam juntas, com os seus alunos e o seu sonho tornou-se sonho de outros.

Um grupo de adolescentes, dos 12 aos 14 anos, de 3 escolas da Diocese de Coimbra e respectivas professoras, resolveram fazer uma experiência de voluntariado no fim de semana 19 e 20 de Janeiro passado. Sob o lema “pára, escuta e olha” este grupo contactou com a mais diversas realidades, velhinhos, crianças, pobres e outros.

O grupo, acolhido pelo Instituto Secular das Cooperadoras da Família, que lhe deu a conhecer o seu Carisma e Missão - o cuidado da santificação da Família – fez também uma experiência riquíssima de: oração, convívio, diversão e reflexão. O “Alfabeto Solidário”, dinâmica realizada na avaliação do fim de semana, testemunha a beleza e a riqueza deste encontro:

Alfabeto solidário

Abrimos o coração a quem mais precisa (Diogo Ribeiro)/ Amar sempre o próximo (Diogo Francisco)

Brincámos e ensinámos coisas novas às crianças (Bárbara)

Com carinho, ajudámos quem mais precisa (Tiago Alexandre)

Dei o meu apoio a quem mais precisava (Tiago)

Elaborei trabalhos com os idosos (Nuno)

Fui ajudar as crianças a passar uma tarde melhor (Carolina)

Gostei muito de fazer crianças felizes (Lea)

Hoje fui ajudar quem precisa (Patrícia)

Isto é o que eu penso que deve ser a nossa vida. Estar com os outros é para mim o melhor que há! (Hermínia)

Juntos para fazer o bem! (Carla)

Largámos tudo o que tínhamos para fazer, para ficarmos com os que mais precisam (Diogo Francisco)

Muito aprendi no dia de hoje (André) Nunca pensei passar um dia tão solidário como hoje (Emília Afonso)

Ordenei toda a minha actividade de modo a que este fim-de-semana pudesse estar convosco e desejo que levem amizade, amor e espírito solidário. Que esta actividade tenha sido um meio para enriquecimento de experiências (Emília) / O Segredo é Amar (Raul Folloreau)

Partimos para as Instituições com um Projecto e voltámos com um tesouro (Dina)

Quando estamos juntos podemos fazer o bem (Lea) / Queria ter dias alegres e aprender coisas como aprendi hoje (Nuno) / Quanto mais damos mais recebemos (Emília)

Relacionámo-nos com outros e construímos novas amizades (Diogo Francisco) / Ri, em conjunto, com outras crianças (Lea)

Satisfizemos as pessoas necessitadas (Tiago) / Soubemos ajudar quem mais precisa (Lea) / Sonhei que o mundo era assim: crianças que olham como crianças e todos construímos um mundo melhor (Hermínia)

Tivemos uma experiência que jamais esqueceremos (Diogo Francisco)/ Tornámos a felicidade possível (Dina)/ Tantas coisas que desconhecíamos! (Emília) / Tive que deixar tudo para ajudar os mais necessitados (André)

Unidos conseguimos sempre o que queremos (Lea) / Usamos o nosso amor para fazer o bem (Diogo Francisco) / Unimos esforços para tornar alguém mais feliz (Emília)

Viemos para ajudar os mais necessitados (André)/ Vencemos as barreiras (Lea) /Viemos em nome da felicidade (Diogo Francisco) /

Xi coração para os pais (Emília) / Vi e senti que a felicidade dos outros é uma das coisas que, para mim, mais importa (André);

Zelamos pelos outros para obter a felicidade (Diogo Francisco) / Zelo foi o que observei nas pessoas que deixaram tudo por nós.

27 de março de 2008

Opinião

Sinais dos tempos?

Por Maria Matos

Andava eu a “palmilhar” o corredor da fama (confesso que não é propriamente o que mais gosto de fazer) quando me deparo com uma afirmação, entre outras que não são aqui chamadas de momento, no mínimo irrisória: “Eu sou lésbica!” – isto a letras garrafais, claro.

Bem, entre o meu espanto e a verdade dos factos é de admitir que apenas está uma sociedade que eu, cada vez mais desconheço, e cada vez menos me sinto identificada, e que vai comendo tudo o que lhe cai no prato (faço parte da nova minoria, daí não entender as modas da actualidade).

Solange, nome da personagem que abordo aqui, de 31 anos, apresentadora na SIC Radical, do programa “Curto Circuito” está, e passo a citar, “a ser inundada por uma chuva de mensagens de apoio e de parabéns desde que assumiu publicamente a sua homossexualidade” – assim vem anunciado no texto que li – “A apresentadora justifica a sua revelação como um incentivo à quebra de preconceitos e uma forma de encorajar os jovens a seguirem-lhe os passos”.

Fico confusa quando estas pessoas querem sempre que outras sigam os seus passos, e mais confusão me causa neste meu cérebro em vias de extinção quando associam a vida pública com a vida privada, e acham-se pessoas mais realizadas profissionalmente com os atropelos que não têm nada de novo para nos dar.

Mas nos dias de hoje é cada vez mais comum este tipo de afirmações do que à vinte anos atrás certamente. Mas também não é menos certo que essas mesmas pessoas não deixaram de ser o que afirmam ser por causa de entraves que foram encontrando à sua decisão. O que tais palavras trazem de novo agora, no século XXI?

À dias li também num jornal que o vocalista dos R.E.M. disse em público que era homossexual, coisa que para os fãs (ou não) mais atentos não parece novidade nenhuma, e no entanto é de perguntar o que trouxe de novo para os mesmos, para o próprio, um homem já com os seus 50 anos, se não estou em erro?

Para mim estas formas de se afirmarem são um pouco imodestas. Até porque cada vez é mais difícil uma pessoa se afirmar como cristã, como pessoa crente, o que à partida deveria ser mais aceitável e torna-se mais duro de entender, do que de volta e meia alguém lembrar-se de dizer: “Eu sou homossexual!”. É mais difícil um casal com mais de dois filhos serem aceites pela sociedade sem serem vistos como pessoas que não tomam os devidos cuidados, do que um casal homossexual fazer uma vozearia porque se acham com o direito de adoptar crianças. A realidade é esta, são sempre vistos como os corajosos, os ousados, os lutadores (não sei do quê), que recebem os parabéns de muita gente, e no entanto não têm nada para dar à sociedade. Corajosos, lutadores, e que merecem todo o apoio daqueles que ainda estimam a família são aqueles que mesmo perante as dificuldades económicas, mesmo sem apoios nenhuns, principalmente do Estado e que mesmo assim arriscam, e bem, a constituir família são todos esses casais anónimos, que vivem as suas vidas da forma mais particular, só entre eles e Deus, e vêem-se sozinhos nesta sociedade que só lhes dão alfinetadas. Sinais dos tempos?

Arrisco mesmo a dizer que é muito mais difícil uma pessoa assumir-se como mulher consagrada sem ouvir um triste comentário de que teve um desgosto amoroso que a levou a entrar para um convento e ainda para mais ser rotulada com a expressão “coitadinha” (só resta saber se esse desgosto, aos olhos desta mesma sociedade, foi com um homem ou com uma mulher), do que sem mais nem menos, porque acordou atravessada na cama nesse mesmo dia de manhã e se lembrou de fazer tal afirmação, e essa é a maior porque ousou dizer tal coisa num país que é visto por essas mesmas pessoas como um país conservador, hipócrita, com mentalidades pequenas e mesquinhas.

Estamos em tempos difíceis, mas se continuarmos assim no deixa andar, tempos ainda mais difíceis estão para vir.

26 de março de 2008

Ontem, dia 25 de Março de 2008, no Diário de Notícias, jornal que habitualmente leio, vinha um artigo de opinião escrito pelo jornalista (que refiro em seguida) de extrema importância.
Porquê de extrema importância? Porque, a meu ver, é um retrato fiel da educação dos nossos dias, e que normalmente não dá bons resultados, ou melhor, não pode dar resultados senão uma tremenda falta de educação como comprovam os acontecimentos que ultimamente temos assistido nos media portugueses. Portanto, o problema terá que ser atacado logo pela raiz, e não devemos esperar para ver no que estes meninos "mimados" farão em termos futuros.

Maria Matos


"Nem anjos inocentes, nem geração rasca"

Por João Miguel Tavares
Jornalista
jmtavares@dn.pt

Há um ano estava no centro comercial Colombo e a minha filha mais velha desatou numa gritaria desalmada, já nem sei porquê, uma daquelas birras olímpicas que antes de termos os nossos filhos acreditamos ingenuamente que só acontecem aos filhos (mal-educados) dos outros. Tentei fazer como os árbitros de futebol: isolar o jogador para o punir disciplinarmente. Puxei-a para um canto, encostei-a à parede e tentei acalmá-la. Só que ela continuava a espernear e a gritar pela mãe, como se eu fosse o Jack Bauer em plena sessão de tortura, procurando saber a todo o custo onde estava a ogiva nuclear. Então, uma senhora dos seus 60 anos aproximou-se esbaforida, a berrar "você é mau pai, você é mau pai", dizendo-me para largar a criancinha e deixá-la ir ter com a mãe, senão chamava a polícia. A sério.

Entre pôr uma criança a trabalhar no campo aos seis anos e estar publicamente impedido de lhe estancar uma birra, é capaz de haver um meio-termo. E no entanto, cada vez parece mais difícil encontrá-lo. Veja-se o inacreditável vídeo do liceu do Porto. Tudo aquilo é impensável, claro, mas antes de voltarmos à velha conversa da geração rasca e às visões apocalípticas do mundo convém ver o que aquilo é: o registo de uma birra sem limites, aparentemente parecida com a da minha filha no Colombo. A diferença - e é uma grande diferença - é que na altura a minha filha tinha três anos. E a rapariga loucamente apaixonada pelo seu telemóvel tem 15. O problema da falta de autoridade dos professores é uma realidade preocupante, ninguém duvida disso, mas é em casa daquela miúda e na educação dos nossos filhos que em primeiro lugar devemos procurar as causas do seu comportamento.

Doses cavalares de mimo, desaparecimentos de Maddies e problemas de consciência de pais ausentes compõem uma fórmula de tal forma explosiva que as criancinhas se transformam em flores de jarra às quais parece mal tocar até com um dedo. O meu pai contou-me no outro dia que em miúdo levou um tabefe porque ao cumprimentar um adulto o tratou por "você" em vez de "senhor". Não é a este tempo que queremos voltar. Mas é preciso encontrar o equilíbrio entre distribuir sopapos por faltas de cortesia e não poder puxar uma criança para um canto sem se ser ameaçado com a polícia. Já é hora de acabar com o mito do bom rebelde. As crianças não são seres angélicos que o mundo corrompe. São bicharocos nem sempre encantadores, muitas vezes cruéis, que têm de ser educados para a vida e para se comportarem devidamente em sociedade. Alguém se esqueceu de fazer esse trabalho com aquela miúda do Porto, dez anos atrás. Tão simples - ou tão complicado - quanto isso.




Patriarca fala de crise do ensino e da educação


O Cardeal-Patriarca de Lisboa, D. José Policarpo, considera que a complexidade da educação hoje “corresponde à complexidade da sociedade”.

“A sociedade tornou-se complexa, tornou-se plural, tornou-se com muitas interferências no processo de formação da consciência dos cidadãos e a equação entre essas diversas componentes”, referiu, em declarações ao Programa “A 3 Dimensões”, da Renascença.

D. José Policarpo destaca a influência “mediática”: “Hoje ninguém a comanda e a controla, no bom sentido do termo, em ordem a essa perspectiva da educação. No entanto, ela sobrepõe-se à família, sobrepõe-se à própria escola, acaba por ter uma influência decisiva, o que faz com que a escola e a família às vezes tenham a sua função quase correctiva”.

Segundo este responsável “a educação, em si mesma, é mais vasta do que o ensino, que a aprendizagem. A aprendizagem é hoje uma componente decisiva e inevitável da educação, mas conhecemos épocas na História em que a educação era, sobretudo, uma educação de valores e que relativizava muito a aprendizagem”.

Quanto à escola, defende que “tem de ser um lugar da educação. Não único, porque tem de ser convergente com outras realidades em que a criança e o jovem estão inseridos, mas não se pode conceber o crescimento e ajudar uma pessoa humana a caminhar para a maturidade — e para uma maturidade em liberdade e responsabilidade — sectorizando os aspectos da sua formação, porque eles são inevitavelmente interdependente”.

Ao Estado, disse o Patriarca de Lisboa, compete “garantir aquilo que só o Estado pode garantir, como é, porventura, a gratuitidade do ensino e, portanto, a redistribuição dos dinheiros públicos; garantir a qualidade e o cumprimento dessas orientações, se elas existirem, e deixar margem a quem tem genica para a educação e dar liberdade”.

Já a Igreja, prosseguiu, aposta na educação como forma de evangelização. “É evidente que não há uma matemática católica, de vida e de homem que é importante também para quem estuda matemática”, conclui.


Notícia da Agência Ecclesia| 26/03/2008 | 16:02

"O génio feminino"

Por Elisabete Puga

De 7 a 9 de Fevereiro, realizou-se em Roma um Congresso Internacional em ordem a assinalar os vinte anos da Carta Apostólica “Mulieris Dignitatem”, de João Paulo II.

“Mulher e homem, a totalidade do humanum na sua inteireza”, foi o título escolhido para este acontecimento que teve, entre outros objectivos, o de lançar um olhar reflexivo sobre o caminho percorrido nos últimos vinte anos, relativamente à promoção da mulher e ao reconhecimento da sua dignidade. Ao mesmo tempo, reflectiu-se sobre as dificuldades com que as mulheres católicas se deparam “para viverem a própria identidade e colaborarem em reciprocidade com os homens na edificação da Igreja e da Sociedade”.

No seu discurso a este Congresso, o Papa Bento XVI sublinhou que “ainda hoje persiste uma mentalidade machista, que ignora a novidade do cristianismo, novidade esta que reconhece e proclama a igual dignidade e responsabilidade da mulher em relação ao homem”.

No mesmo discurso, o Papa chamou a atenção para realidades de tantos lugares e culturas onde, ainda hoje, a mulher é discriminada apenas por ser mulher. Perante este drama, Bento XVI apelou a que todos os cristãos assumam o compromisso de promoverem, onde quer que estejam, “uma cultura que reconheça à mulher a dignidade que lhe compete”, impedindo assim que ela continue a ser vista e usada como um simples objecto de prazer, realidade tão presente na nossa

Sociedade. Esta dignidade, tem origem primeiramente, no seu ser imagem de Deus. Uma das congressistas, a teóloga Castilla de Cortazar, afirmava mesmo que com a carta “Mulieris Digni- tatem”, João Paulo II marcou um “antes” e um “depois” na Igreja, já que foi aí que, pela primeira vez, no Magistério se afirmou explicitamente que a mulher, enquanto mulher, é imagem de Deus. Deste modo, foi ressaltada a “dimensão relacional que está inscrita no ser humano. Uma relação que supõe a perfeita igualdade”.

Na Carta “Mulieris Dignitatem”, João Paulo II falava do “Génio Feminino”. A propósito desta expressão, a congressista Paola Bignardi diz que “o génio feminino, é essa capacidade para ver longe, intuir e ver com os olhos do coração”. Estas são características tão particulares que a mulher naturalmente possui, e que podem fazer toda a diferença na construção de um mundo melhor. Concretamente no que respeita ao papel activo que a mulher deve desempenhar na Igreja, esta leiga italiana defende que a vocação da mulher “passa através do amor”, pelo que o seu contributo será essencial, na medida em que pode ser geradora de “uma Igreja com rosto materno”, a mulher pode testemunhar “uma Igreja que ama, que sabe expressar a sinfonia de um amor que dá sentido à vida”. Neste mês de Março, em que se celebra o dia Mundial da Mulher, que este dia oito não seja apenas mais um “dia mundial de qualquer coisa”, mas que seja de verdade um momento de ajuda a uma maior tomada de consciência da missão imprescindível da mulher na Sociedade e na Igreja. Que todas as mulheres, de um modo particular as mulheres cristãs, encontrem nos resultados deste

Congresso, desafios para lutarem, com um renovado vigor pelos direitos que o ser imagem de Deus lhes reserva.

25 de março de 2008

Páscoa

O mundo não sabe o que há-de fazer da Páscoa. Ao Natal transformou-o num cromo colorido e festa da família; aos santos populares reduziu-os a bailaricos e festival gastronómico; ri-se de Fátima. Mas da Páscoa não sabe o que fazer. Como se lida com a celebração anual da tortura e morte de um subversivo?

Este embaraço é o mesmo que toda a criação, até aos Anjos, sempre sentiu diante desta ideia inaudita do próprio Deus. Que o Criador, que fez o Céu e a Terra, tenha vindo a este mundo pessoalmente, que tenha pregado pelas estradas como um arruaceiro, e tenha sido preso como tal, é algo de incompreensível. Como pode o Senhor do universo ser julgado e condenado pelo tribunal legítimo e executado da forma mais infame e degradante da época? Este é o facto que anualmente, um pouco por todo o mundo, um terço da humanidade continua a celebrar quase dois mil anos depois do sucedido.

Se o facto histórico é desconcertante, o mistério por detrás ainda é mais. No meio daquele suor de sangue e flagelos, da coroa de espinhos e cruz, dos passos sangrentos e dos cravos, da exposição e morte, estão os meus pecados. Todo este sofrimento foi tomado pessoalmente pelo Deus sublime para assumir, castigar e redimir os pecados de todos nós. Por isso a festa da Páscoa é a festa da nossa libertação, da libertação mais radical, profunda e absoluta que se pode ter. Não a memória de uma libertação antiga, mas a realidade presente da liberdade. Seguindo Cristo somos gente nova. Não admira que o mundo, como nós, fique perplexo diante da Páscoa.

João César das Neves

16 de março de 2008

Bento XVI abre caminho à beatificação de Mons. Alves Brás


Decreto papal reconheceu «virtudes heróicas» do fundador do Instituto Secular das Cooperadoras da Família

Bento XVI aprovou este Sábado a publicação do decreto que reconhece as «virtudes heróicas» de Mons. Joaquim Alves Brás, que há 75 anos fundou o Instituto Secular das Cooperadoras da Família.

Joaquim Alves Brás nasceu em Casegas, a 20 de Março de 1899. Foi ordenado padre em 19 de Julho de 1925, na Diocese da Guarda. Apóstolo da Juventude trabalhadora e particularmente sensível aos mais pobres e marginalizados, fundou a Obra de Santa Zita em 1932 e o Jornal «Voz das Criadas», hoje «Bem-Fazer».

Fundou o Instituto Secular das Cooperadoras da Família em 1933 e em 1962 o Movimento por um Lar Cristão e o Jornal da Família. Em 1958 recebe do Papa Pio XII o título de Monsenhor e em 1962 do Papa João XXIII, o de Prelado Doméstico.

Morreu a 13 de Março de 1966, vítima de um acidente rodoviário, em Lisboa. O Processo de Beatificação teve início em 1990.

Dulce Teixeira de Sousa, responsável pelo ISCF, revela à Agência ECCLESIA a sua satisfação por esta decisão de Bento XVI, referindo que era algo de que estava à espera há algum tempo.

“Há muito tempo que o processo estava em Roma e, para além disso, estamos a celebrar os 75 anos do Instituto e convidámos o Cardeal Saraiva Martins para presidir à peregrinação, reforçando o pedido” de que fosse dado este passo nas Bodas de Diamante.

Esta responsável destaca que são muitas as pessoas que comunicam “graças” atribuídas ao novo “venerável” ou a deixar pedidos no jazigo, no Cemitério dos Prazeres. Estas graças “têm aumentado progressivamente”, seja por causas físicas ou morais, “sobretudo no campo da família”.

O reconhecimento da heroicidade das virtudes cristãs surge hoje, após o exame detalhado dos relatos das testemunhas no processo de beatificação. A Santa Sé dá assim um parecer positivo ao trabalho desenvolvido sobre a vida, virtudes e fama de santidade de Mons. Alves Brás, que é assim proclamado “venerável”.

A segunda etapa do processo consiste no exame de eventuais milagres atribuídos à intercessão do “venerável”. Se um deste milagres for considerado autêntico, o “venerável” é considerado “beato”. Quando após a beatificação se verifica um outro milagre devidamente reconhecido, então o beato é proclamado “santo”.

Octávio Carmo

Traços Biográficos

Monsenhor Joaquim Alves Brás nasceu a 20 de Março de 1899, na aldeia de Casegas, concelho da Covilhã, junto da serra da Estrela. Cresceu num ambiente familiar onde se respirava o amor a Deus e ao próximo, e onde se vivia uma vida de sã convivência, fidelidade e partilha de trabalho, de responsabilidades e deveres, que muito influenciaram a sua educação marcada, desde o início, pela pedagogia do exemplo, do ensinamento e da mais salutar exigência, a toda a prova.

Tal educação, imprimiu-lhe, desde muito cedo, traços de um carácter firme e decidido, profundamente crente, dinâmico, empreendedor, sacrificado, corajoso e com um grande sentido de justiça, de verdade e de caridade, que influenciaram toda a sua vida e acção. Em 19 de Novembro de 1917, depois de superadas muitas dificuldades, que lhe advieram sobretudo de uma doença crónica, que o acometeu e reteve no leito dos 11 aos 14 anos, deu entrada no Seminário do Fundão, da Diocese da Guarda, a fim de realizar o grande sonho da sua vida - ser Padre, ao menos por um ano.

A 19 de Julho de 1925, um ano antes do tempo previsto, recebeu a ordenação sacerdotal, na capela do Paço Episcopal da Guarda tendo, com a maior alegria, celebrado a sua primeira Missa, logo no dia seguinte - 20 de Julho. A partir desse dia, pode-se dizer que se abriu um novo capítulo na sua vida, capítulo esse que foi escrito a letras de oiro e de fogo, que nunca mais se apagaram nem apagarão, porque escritas nos corações de todos os que, de alguma forma, já beneficiaram da sua acção de Bem-fazer.

Tendo sido logo nomeado Pároco da aldeia de Donas, concelho do Fundão, exerceu esse cargo, juntamente com o de confessor do Seminário do Fundão, com a maior diligência e sabedoria espiritual, durante cinco anos, até que a doença o voltou a visitar, fazendo-o mudar de rumo. Deste modo, em Setembro de 1930, é nomeado Director Espiritual do Seminário Maior da Guarda. Sacerdote zeloso e profundamente sensível aos problemas da sociedade do seu tempo, nomeadamente a problemática da família, depressa se apercebeu, nos contactos que fazia, das grandes carências e situações de miséria que atingiam os mais pobres dos pobres: os famintos de pão material, cultural e espiritual. Sempre atento à voz do Espírito Santo que o marcou com os seus dons e particular carisma, sentiu-se enviado a uma missão, muito concreta, mas de longo alcance.

Ao serviço da Família

Assim, metendo mãos ao trabalho, com o olhar e o coração sempre fixos em Deus, fundou: - Em 1931, a Obra de Santa Zita, uma associação que visava promover, formar e amparar jovens do sexo feminino que se dedicavam ao serviço da família, como auxiliares ou empregadas domésticas, naquele tempo designadas por criadas de servir, e que é hoje, uma Instituição Particular de Solidariedade Social, de largo alcance neste e noutros campos de formação, previdência e assistência, em prol do apoio aos mais carenciados, na linha da família.

Em 1933, o Instituto Secular das Cooperadoras da Família - um Instituto de vida consagrada, cujo carisma e missão é o cuidado da santificação da família, através dos necessários apoios, entre os quais os prestados pelas obras mencionadas de que o Instituto é o garante, aos mais diversos níveis.

Em 1960, os Centros de Cooperação Familiar e, em 1962, o Movimento por um Lar Cristão, que concorrem, de modos diferentes, para o mesmo fim: cooperar com a família, enquanto célula fundamental da Igreja e da sociedade, na realização da sua sublime vocação e missão. No mês em que fazia 67 anos, cheio de vigor e em plena actividade, morre, vítima de um acidente de viação. Era o dia 13 de Março de 1966.

Luís Filipe Santos

Notícia publicada na Agência Ecclesia no dia 15 de Março de 2008


13 de março de 2008


No próximo sábado, dia 15 de Março, terá lugar uma celebração de VIDA em Almeirim.

Será o culminar do Um Dia Pela Vida.

Começará com uma arruada pelas ruas de Almeirim a partir das 9.30 até ao local onde decorrerá a festa – tenda junto á praça de touros.

Pelas 10.30 terá lugar a volta dos sobreviventes/lutadores acompanhados pelo som da Banda Marcial de Almeirim. Será o primeiro momento chave do dia. Depois tudo acontece…….

Muita festa, muita animação no palco, comes e bebes e uma pista cheia de gente a caminhar contra o cancro e pela vida.

A cerimónia das luminárias, segundo momento chave do dia, está marcada para as 22.00 horas com a leitura do poema MAGNIFICAT de Miguel Torga por Ruy de Carvalho, seguido do hino oficial Um Dia Pela Vida.

Se quer caminhar pela vida, venha! Pela sua e pela dos outros.

10 de março de 2008

Paróquia de Nossa Senhora do Carmo
e Centro Cultural de Lisboa Pedro Hispano

Os Grandes Santos
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Dia 13 de Março, quinta feira, 21.30


Santa Teresinha do Menino Jesus

Pe. Pedro Quintela


No Salão Paroquial
(esquina da Av. Maria Helena Vieira da Silva com a R. Raul Mesnier du Ponsard)Metro da "Quinta das Conchas"

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