Diário da Assembleia Geral do ISCF

“Tudo o que se fizer a bem da família, por pequeno que seja é grande”. (Mons. Brás)

A Família no centro das atenções

Encontra aqui os vários artigos do Dr. Juan Ambrósio sobre a Família...

Encontro Mundial das Famílias 2015

O Vaticano apresentou dia 24 de março em conferência de imprensa o 7.º Encontro Mundial da Família, que vai decorrer de 22 a 27 de setembro de 2015 na cidade norte-americana de Filadélfia.

A saúde mental dos portugueses

Alguns dedicam-se obsessivamente aos números e às estatísticas esquecendo que a sociedade é feita de pessoas...

O trabalho, dom e direito

A sociedade portuguesa e internacional, vive uma situação de crise generalizada e de aumento das desigualdades sociais...

Longe vão os tempos

Longe vão os tempos dos preconceitos culturais em que se aceitava que era a mãe que tinha de cuidar dos filhos...

Dar esperança em tempo de crise

Vivemos tempos difíceis. A família, como célula base da sociedade, é imediatamente afetada por esta crise generalizada e que promete perdurar. Neste contexto, exige-se um novo paradigma, uma nova forma de estar e de nos relacionarmos.

27 de março de 2008

Opinião

Sinais dos tempos?

Por Maria Matos

Andava eu a “palmilhar” o corredor da fama (confesso que não é propriamente o que mais gosto de fazer) quando me deparo com uma afirmação, entre outras que não são aqui chamadas de momento, no mínimo irrisória: “Eu sou lésbica!” – isto a letras garrafais, claro.

Bem, entre o meu espanto e a verdade dos factos é de admitir que apenas está uma sociedade que eu, cada vez mais desconheço, e cada vez menos me sinto identificada, e que vai comendo tudo o que lhe cai no prato (faço parte da nova minoria, daí não entender as modas da actualidade).

Solange, nome da personagem que abordo aqui, de 31 anos, apresentadora na SIC Radical, do programa “Curto Circuito” está, e passo a citar, “a ser inundada por uma chuva de mensagens de apoio e de parabéns desde que assumiu publicamente a sua homossexualidade” – assim vem anunciado no texto que li – “A apresentadora justifica a sua revelação como um incentivo à quebra de preconceitos e uma forma de encorajar os jovens a seguirem-lhe os passos”.

Fico confusa quando estas pessoas querem sempre que outras sigam os seus passos, e mais confusão me causa neste meu cérebro em vias de extinção quando associam a vida pública com a vida privada, e acham-se pessoas mais realizadas profissionalmente com os atropelos que não têm nada de novo para nos dar.

Mas nos dias de hoje é cada vez mais comum este tipo de afirmações do que à vinte anos atrás certamente. Mas também não é menos certo que essas mesmas pessoas não deixaram de ser o que afirmam ser por causa de entraves que foram encontrando à sua decisão. O que tais palavras trazem de novo agora, no século XXI?

À dias li também num jornal que o vocalista dos R.E.M. disse em público que era homossexual, coisa que para os fãs (ou não) mais atentos não parece novidade nenhuma, e no entanto é de perguntar o que trouxe de novo para os mesmos, para o próprio, um homem já com os seus 50 anos, se não estou em erro?

Para mim estas formas de se afirmarem são um pouco imodestas. Até porque cada vez é mais difícil uma pessoa se afirmar como cristã, como pessoa crente, o que à partida deveria ser mais aceitável e torna-se mais duro de entender, do que de volta e meia alguém lembrar-se de dizer: “Eu sou homossexual!”. É mais difícil um casal com mais de dois filhos serem aceites pela sociedade sem serem vistos como pessoas que não tomam os devidos cuidados, do que um casal homossexual fazer uma vozearia porque se acham com o direito de adoptar crianças. A realidade é esta, são sempre vistos como os corajosos, os ousados, os lutadores (não sei do quê), que recebem os parabéns de muita gente, e no entanto não têm nada para dar à sociedade. Corajosos, lutadores, e que merecem todo o apoio daqueles que ainda estimam a família são aqueles que mesmo perante as dificuldades económicas, mesmo sem apoios nenhuns, principalmente do Estado e que mesmo assim arriscam, e bem, a constituir família são todos esses casais anónimos, que vivem as suas vidas da forma mais particular, só entre eles e Deus, e vêem-se sozinhos nesta sociedade que só lhes dão alfinetadas. Sinais dos tempos?

Arrisco mesmo a dizer que é muito mais difícil uma pessoa assumir-se como mulher consagrada sem ouvir um triste comentário de que teve um desgosto amoroso que a levou a entrar para um convento e ainda para mais ser rotulada com a expressão “coitadinha” (só resta saber se esse desgosto, aos olhos desta mesma sociedade, foi com um homem ou com uma mulher), do que sem mais nem menos, porque acordou atravessada na cama nesse mesmo dia de manhã e se lembrou de fazer tal afirmação, e essa é a maior porque ousou dizer tal coisa num país que é visto por essas mesmas pessoas como um país conservador, hipócrita, com mentalidades pequenas e mesquinhas.

Estamos em tempos difíceis, mas se continuarmos assim no deixa andar, tempos ainda mais difíceis estão para vir.

26 de março de 2008

Ontem, dia 25 de Março de 2008, no Diário de Notícias, jornal que habitualmente leio, vinha um artigo de opinião escrito pelo jornalista (que refiro em seguida) de extrema importância.
Porquê de extrema importância? Porque, a meu ver, é um retrato fiel da educação dos nossos dias, e que normalmente não dá bons resultados, ou melhor, não pode dar resultados senão uma tremenda falta de educação como comprovam os acontecimentos que ultimamente temos assistido nos media portugueses. Portanto, o problema terá que ser atacado logo pela raiz, e não devemos esperar para ver no que estes meninos "mimados" farão em termos futuros.

Maria Matos


"Nem anjos inocentes, nem geração rasca"

Por João Miguel Tavares
Jornalista
jmtavares@dn.pt

Há um ano estava no centro comercial Colombo e a minha filha mais velha desatou numa gritaria desalmada, já nem sei porquê, uma daquelas birras olímpicas que antes de termos os nossos filhos acreditamos ingenuamente que só acontecem aos filhos (mal-educados) dos outros. Tentei fazer como os árbitros de futebol: isolar o jogador para o punir disciplinarmente. Puxei-a para um canto, encostei-a à parede e tentei acalmá-la. Só que ela continuava a espernear e a gritar pela mãe, como se eu fosse o Jack Bauer em plena sessão de tortura, procurando saber a todo o custo onde estava a ogiva nuclear. Então, uma senhora dos seus 60 anos aproximou-se esbaforida, a berrar "você é mau pai, você é mau pai", dizendo-me para largar a criancinha e deixá-la ir ter com a mãe, senão chamava a polícia. A sério.

Entre pôr uma criança a trabalhar no campo aos seis anos e estar publicamente impedido de lhe estancar uma birra, é capaz de haver um meio-termo. E no entanto, cada vez parece mais difícil encontrá-lo. Veja-se o inacreditável vídeo do liceu do Porto. Tudo aquilo é impensável, claro, mas antes de voltarmos à velha conversa da geração rasca e às visões apocalípticas do mundo convém ver o que aquilo é: o registo de uma birra sem limites, aparentemente parecida com a da minha filha no Colombo. A diferença - e é uma grande diferença - é que na altura a minha filha tinha três anos. E a rapariga loucamente apaixonada pelo seu telemóvel tem 15. O problema da falta de autoridade dos professores é uma realidade preocupante, ninguém duvida disso, mas é em casa daquela miúda e na educação dos nossos filhos que em primeiro lugar devemos procurar as causas do seu comportamento.

Doses cavalares de mimo, desaparecimentos de Maddies e problemas de consciência de pais ausentes compõem uma fórmula de tal forma explosiva que as criancinhas se transformam em flores de jarra às quais parece mal tocar até com um dedo. O meu pai contou-me no outro dia que em miúdo levou um tabefe porque ao cumprimentar um adulto o tratou por "você" em vez de "senhor". Não é a este tempo que queremos voltar. Mas é preciso encontrar o equilíbrio entre distribuir sopapos por faltas de cortesia e não poder puxar uma criança para um canto sem se ser ameaçado com a polícia. Já é hora de acabar com o mito do bom rebelde. As crianças não são seres angélicos que o mundo corrompe. São bicharocos nem sempre encantadores, muitas vezes cruéis, que têm de ser educados para a vida e para se comportarem devidamente em sociedade. Alguém se esqueceu de fazer esse trabalho com aquela miúda do Porto, dez anos atrás. Tão simples - ou tão complicado - quanto isso.




Patriarca fala de crise do ensino e da educação


O Cardeal-Patriarca de Lisboa, D. José Policarpo, considera que a complexidade da educação hoje “corresponde à complexidade da sociedade”.

“A sociedade tornou-se complexa, tornou-se plural, tornou-se com muitas interferências no processo de formação da consciência dos cidadãos e a equação entre essas diversas componentes”, referiu, em declarações ao Programa “A 3 Dimensões”, da Renascença.

D. José Policarpo destaca a influência “mediática”: “Hoje ninguém a comanda e a controla, no bom sentido do termo, em ordem a essa perspectiva da educação. No entanto, ela sobrepõe-se à família, sobrepõe-se à própria escola, acaba por ter uma influência decisiva, o que faz com que a escola e a família às vezes tenham a sua função quase correctiva”.

Segundo este responsável “a educação, em si mesma, é mais vasta do que o ensino, que a aprendizagem. A aprendizagem é hoje uma componente decisiva e inevitável da educação, mas conhecemos épocas na História em que a educação era, sobretudo, uma educação de valores e que relativizava muito a aprendizagem”.

Quanto à escola, defende que “tem de ser um lugar da educação. Não único, porque tem de ser convergente com outras realidades em que a criança e o jovem estão inseridos, mas não se pode conceber o crescimento e ajudar uma pessoa humana a caminhar para a maturidade — e para uma maturidade em liberdade e responsabilidade — sectorizando os aspectos da sua formação, porque eles são inevitavelmente interdependente”.

Ao Estado, disse o Patriarca de Lisboa, compete “garantir aquilo que só o Estado pode garantir, como é, porventura, a gratuitidade do ensino e, portanto, a redistribuição dos dinheiros públicos; garantir a qualidade e o cumprimento dessas orientações, se elas existirem, e deixar margem a quem tem genica para a educação e dar liberdade”.

Já a Igreja, prosseguiu, aposta na educação como forma de evangelização. “É evidente que não há uma matemática católica, de vida e de homem que é importante também para quem estuda matemática”, conclui.


Notícia da Agência Ecclesia| 26/03/2008 | 16:02

"O génio feminino"

Por Elisabete Puga

De 7 a 9 de Fevereiro, realizou-se em Roma um Congresso Internacional em ordem a assinalar os vinte anos da Carta Apostólica “Mulieris Dignitatem”, de João Paulo II.

“Mulher e homem, a totalidade do humanum na sua inteireza”, foi o título escolhido para este acontecimento que teve, entre outros objectivos, o de lançar um olhar reflexivo sobre o caminho percorrido nos últimos vinte anos, relativamente à promoção da mulher e ao reconhecimento da sua dignidade. Ao mesmo tempo, reflectiu-se sobre as dificuldades com que as mulheres católicas se deparam “para viverem a própria identidade e colaborarem em reciprocidade com os homens na edificação da Igreja e da Sociedade”.

No seu discurso a este Congresso, o Papa Bento XVI sublinhou que “ainda hoje persiste uma mentalidade machista, que ignora a novidade do cristianismo, novidade esta que reconhece e proclama a igual dignidade e responsabilidade da mulher em relação ao homem”.

No mesmo discurso, o Papa chamou a atenção para realidades de tantos lugares e culturas onde, ainda hoje, a mulher é discriminada apenas por ser mulher. Perante este drama, Bento XVI apelou a que todos os cristãos assumam o compromisso de promoverem, onde quer que estejam, “uma cultura que reconheça à mulher a dignidade que lhe compete”, impedindo assim que ela continue a ser vista e usada como um simples objecto de prazer, realidade tão presente na nossa

Sociedade. Esta dignidade, tem origem primeiramente, no seu ser imagem de Deus. Uma das congressistas, a teóloga Castilla de Cortazar, afirmava mesmo que com a carta “Mulieris Digni- tatem”, João Paulo II marcou um “antes” e um “depois” na Igreja, já que foi aí que, pela primeira vez, no Magistério se afirmou explicitamente que a mulher, enquanto mulher, é imagem de Deus. Deste modo, foi ressaltada a “dimensão relacional que está inscrita no ser humano. Uma relação que supõe a perfeita igualdade”.

Na Carta “Mulieris Dignitatem”, João Paulo II falava do “Génio Feminino”. A propósito desta expressão, a congressista Paola Bignardi diz que “o génio feminino, é essa capacidade para ver longe, intuir e ver com os olhos do coração”. Estas são características tão particulares que a mulher naturalmente possui, e que podem fazer toda a diferença na construção de um mundo melhor. Concretamente no que respeita ao papel activo que a mulher deve desempenhar na Igreja, esta leiga italiana defende que a vocação da mulher “passa através do amor”, pelo que o seu contributo será essencial, na medida em que pode ser geradora de “uma Igreja com rosto materno”, a mulher pode testemunhar “uma Igreja que ama, que sabe expressar a sinfonia de um amor que dá sentido à vida”. Neste mês de Março, em que se celebra o dia Mundial da Mulher, que este dia oito não seja apenas mais um “dia mundial de qualquer coisa”, mas que seja de verdade um momento de ajuda a uma maior tomada de consciência da missão imprescindível da mulher na Sociedade e na Igreja. Que todas as mulheres, de um modo particular as mulheres cristãs, encontrem nos resultados deste

Congresso, desafios para lutarem, com um renovado vigor pelos direitos que o ser imagem de Deus lhes reserva.

25 de março de 2008

Páscoa

O mundo não sabe o que há-de fazer da Páscoa. Ao Natal transformou-o num cromo colorido e festa da família; aos santos populares reduziu-os a bailaricos e festival gastronómico; ri-se de Fátima. Mas da Páscoa não sabe o que fazer. Como se lida com a celebração anual da tortura e morte de um subversivo?

Este embaraço é o mesmo que toda a criação, até aos Anjos, sempre sentiu diante desta ideia inaudita do próprio Deus. Que o Criador, que fez o Céu e a Terra, tenha vindo a este mundo pessoalmente, que tenha pregado pelas estradas como um arruaceiro, e tenha sido preso como tal, é algo de incompreensível. Como pode o Senhor do universo ser julgado e condenado pelo tribunal legítimo e executado da forma mais infame e degradante da época? Este é o facto que anualmente, um pouco por todo o mundo, um terço da humanidade continua a celebrar quase dois mil anos depois do sucedido.

Se o facto histórico é desconcertante, o mistério por detrás ainda é mais. No meio daquele suor de sangue e flagelos, da coroa de espinhos e cruz, dos passos sangrentos e dos cravos, da exposição e morte, estão os meus pecados. Todo este sofrimento foi tomado pessoalmente pelo Deus sublime para assumir, castigar e redimir os pecados de todos nós. Por isso a festa da Páscoa é a festa da nossa libertação, da libertação mais radical, profunda e absoluta que se pode ter. Não a memória de uma libertação antiga, mas a realidade presente da liberdade. Seguindo Cristo somos gente nova. Não admira que o mundo, como nós, fique perplexo diante da Páscoa.

João César das Neves

16 de março de 2008

Bento XVI abre caminho à beatificação de Mons. Alves Brás


Decreto papal reconheceu «virtudes heróicas» do fundador do Instituto Secular das Cooperadoras da Família

Bento XVI aprovou este Sábado a publicação do decreto que reconhece as «virtudes heróicas» de Mons. Joaquim Alves Brás, que há 75 anos fundou o Instituto Secular das Cooperadoras da Família.

Joaquim Alves Brás nasceu em Casegas, a 20 de Março de 1899. Foi ordenado padre em 19 de Julho de 1925, na Diocese da Guarda. Apóstolo da Juventude trabalhadora e particularmente sensível aos mais pobres e marginalizados, fundou a Obra de Santa Zita em 1932 e o Jornal «Voz das Criadas», hoje «Bem-Fazer».

Fundou o Instituto Secular das Cooperadoras da Família em 1933 e em 1962 o Movimento por um Lar Cristão e o Jornal da Família. Em 1958 recebe do Papa Pio XII o título de Monsenhor e em 1962 do Papa João XXIII, o de Prelado Doméstico.

Morreu a 13 de Março de 1966, vítima de um acidente rodoviário, em Lisboa. O Processo de Beatificação teve início em 1990.

Dulce Teixeira de Sousa, responsável pelo ISCF, revela à Agência ECCLESIA a sua satisfação por esta decisão de Bento XVI, referindo que era algo de que estava à espera há algum tempo.

“Há muito tempo que o processo estava em Roma e, para além disso, estamos a celebrar os 75 anos do Instituto e convidámos o Cardeal Saraiva Martins para presidir à peregrinação, reforçando o pedido” de que fosse dado este passo nas Bodas de Diamante.

Esta responsável destaca que são muitas as pessoas que comunicam “graças” atribuídas ao novo “venerável” ou a deixar pedidos no jazigo, no Cemitério dos Prazeres. Estas graças “têm aumentado progressivamente”, seja por causas físicas ou morais, “sobretudo no campo da família”.

O reconhecimento da heroicidade das virtudes cristãs surge hoje, após o exame detalhado dos relatos das testemunhas no processo de beatificação. A Santa Sé dá assim um parecer positivo ao trabalho desenvolvido sobre a vida, virtudes e fama de santidade de Mons. Alves Brás, que é assim proclamado “venerável”.

A segunda etapa do processo consiste no exame de eventuais milagres atribuídos à intercessão do “venerável”. Se um deste milagres for considerado autêntico, o “venerável” é considerado “beato”. Quando após a beatificação se verifica um outro milagre devidamente reconhecido, então o beato é proclamado “santo”.

Octávio Carmo

Traços Biográficos

Monsenhor Joaquim Alves Brás nasceu a 20 de Março de 1899, na aldeia de Casegas, concelho da Covilhã, junto da serra da Estrela. Cresceu num ambiente familiar onde se respirava o amor a Deus e ao próximo, e onde se vivia uma vida de sã convivência, fidelidade e partilha de trabalho, de responsabilidades e deveres, que muito influenciaram a sua educação marcada, desde o início, pela pedagogia do exemplo, do ensinamento e da mais salutar exigência, a toda a prova.

Tal educação, imprimiu-lhe, desde muito cedo, traços de um carácter firme e decidido, profundamente crente, dinâmico, empreendedor, sacrificado, corajoso e com um grande sentido de justiça, de verdade e de caridade, que influenciaram toda a sua vida e acção. Em 19 de Novembro de 1917, depois de superadas muitas dificuldades, que lhe advieram sobretudo de uma doença crónica, que o acometeu e reteve no leito dos 11 aos 14 anos, deu entrada no Seminário do Fundão, da Diocese da Guarda, a fim de realizar o grande sonho da sua vida - ser Padre, ao menos por um ano.

A 19 de Julho de 1925, um ano antes do tempo previsto, recebeu a ordenação sacerdotal, na capela do Paço Episcopal da Guarda tendo, com a maior alegria, celebrado a sua primeira Missa, logo no dia seguinte - 20 de Julho. A partir desse dia, pode-se dizer que se abriu um novo capítulo na sua vida, capítulo esse que foi escrito a letras de oiro e de fogo, que nunca mais se apagaram nem apagarão, porque escritas nos corações de todos os que, de alguma forma, já beneficiaram da sua acção de Bem-fazer.

Tendo sido logo nomeado Pároco da aldeia de Donas, concelho do Fundão, exerceu esse cargo, juntamente com o de confessor do Seminário do Fundão, com a maior diligência e sabedoria espiritual, durante cinco anos, até que a doença o voltou a visitar, fazendo-o mudar de rumo. Deste modo, em Setembro de 1930, é nomeado Director Espiritual do Seminário Maior da Guarda. Sacerdote zeloso e profundamente sensível aos problemas da sociedade do seu tempo, nomeadamente a problemática da família, depressa se apercebeu, nos contactos que fazia, das grandes carências e situações de miséria que atingiam os mais pobres dos pobres: os famintos de pão material, cultural e espiritual. Sempre atento à voz do Espírito Santo que o marcou com os seus dons e particular carisma, sentiu-se enviado a uma missão, muito concreta, mas de longo alcance.

Ao serviço da Família

Assim, metendo mãos ao trabalho, com o olhar e o coração sempre fixos em Deus, fundou: - Em 1931, a Obra de Santa Zita, uma associação que visava promover, formar e amparar jovens do sexo feminino que se dedicavam ao serviço da família, como auxiliares ou empregadas domésticas, naquele tempo designadas por criadas de servir, e que é hoje, uma Instituição Particular de Solidariedade Social, de largo alcance neste e noutros campos de formação, previdência e assistência, em prol do apoio aos mais carenciados, na linha da família.

Em 1933, o Instituto Secular das Cooperadoras da Família - um Instituto de vida consagrada, cujo carisma e missão é o cuidado da santificação da família, através dos necessários apoios, entre os quais os prestados pelas obras mencionadas de que o Instituto é o garante, aos mais diversos níveis.

Em 1960, os Centros de Cooperação Familiar e, em 1962, o Movimento por um Lar Cristão, que concorrem, de modos diferentes, para o mesmo fim: cooperar com a família, enquanto célula fundamental da Igreja e da sociedade, na realização da sua sublime vocação e missão. No mês em que fazia 67 anos, cheio de vigor e em plena actividade, morre, vítima de um acidente de viação. Era o dia 13 de Março de 1966.

Luís Filipe Santos

Notícia publicada na Agência Ecclesia no dia 15 de Março de 2008


13 de março de 2008


No próximo sábado, dia 15 de Março, terá lugar uma celebração de VIDA em Almeirim.

Será o culminar do Um Dia Pela Vida.

Começará com uma arruada pelas ruas de Almeirim a partir das 9.30 até ao local onde decorrerá a festa – tenda junto á praça de touros.

Pelas 10.30 terá lugar a volta dos sobreviventes/lutadores acompanhados pelo som da Banda Marcial de Almeirim. Será o primeiro momento chave do dia. Depois tudo acontece…….

Muita festa, muita animação no palco, comes e bebes e uma pista cheia de gente a caminhar contra o cancro e pela vida.

A cerimónia das luminárias, segundo momento chave do dia, está marcada para as 22.00 horas com a leitura do poema MAGNIFICAT de Miguel Torga por Ruy de Carvalho, seguido do hino oficial Um Dia Pela Vida.

Se quer caminhar pela vida, venha! Pela sua e pela dos outros.

10 de março de 2008

Paróquia de Nossa Senhora do Carmo
e Centro Cultural de Lisboa Pedro Hispano

Os Grandes Santos
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Dia 13 de Março, quinta feira, 21.30


Santa Teresinha do Menino Jesus

Pe. Pedro Quintela


No Salão Paroquial
(esquina da Av. Maria Helena Vieira da Silva com a R. Raul Mesnier du Ponsard)Metro da "Quinta das Conchas"

Imagem deste fim de semana

Imagem da RTP

Na próxima 3ª feira, dia 11 de Março, pelas 21h30,

no Colégio das Escravas (Lisboa) teremos mais um ESPAÇO IN-FORMANDO.

Desta vez, vamos debruçar-nos sobre o tema da Educação da afectividade e sexualidade.

As nossas crianças são constantemente confrontadas com visões redutoras e até deturpadas da afectividade e da sexualidade. E nós, pais e educadores, vemo-nos também, cada vez mais cedo, confrontados com as suas dúvidas e pedidos. Não queremos ser indiferentes, mas muitas vezes sentimo-nos pouco preparados para lhes dar respostas e orientações claras. Parece-nos, por isso, importante reflectir em conjunto sobre este tema para que, num clima de simplicidade e abertura, possamos educar DIFERENTE!

Teremos connosco a Dra. Isabel Pedro, Bióloga e Coordenadora da Pós-Graduação sobre "Educação da Afectividade e Sexualidade" na Universidade Católica.


6 de março de 2008

Ainda tens espaço no teu programa quaresmal? Se tiveres, recomendamos-te

3 actividades absolutamente imperdíveis nesta quaresma:

NO PRINCÍPIO (É) O SILÊNCIO

De 7 a 11 de Março de 2008, 3 actividades absolutamente imperdíveis no Mosteiro de Celas e no Inst. Universit. Justiça e Paz em Coimbra: um filme, uma experiência espiritual e uma tertúlia.


I. MUDA DE HÁBITO(S),
EXPERIMENTA SER MONGE/MONJA POR UM DIA

II. CONTEMPLA, ATRAVÉS DE UM FILME, A VIDA DE UMA COMUNIDADE ONDE
A PALAVRA É A EXCEPÇÃO

III. OUVE AQUELES QUE SABEM, QUE DIZEM:
NO PRINCÍPIO (É) O SILÊNCIO


Podes consultar todas estas actividades em:

http://www.24horasnomosteiro.blogspot.com/

www.cadc.pt

Marca já na tua agenda.
SE NÃO PODES PARTICIPAR, PERMITE QUE OUTROS PARTICIPEM REENCAMINHANDO E DIVULGANDO ESTAS ACTIVIDADES.

Depois dos Concertos de Música Sacra, Igrejas da zona histórica de Lisboa abrem portas a Itinerários da Fé:

VISITAS GUIADAS REVELAM SEGREDOS DAS IGREJAS DE LISBOA

Depois do sucesso registado pelos sucessivos Ciclos de Música Sacra organizados pelas Paróquias da Baixa-Chiado, o mês de Janeiro marca o início de mais uma edição dos “Itinerários da Fé”, percursos pedestres que oferecem uma oportunidade única para descobrir a história desconhecida de algumas das mais emblemáticas Igrejas da capital. Para além dos “repetentes” percursos da Baixa e do Chiado, foram criados dois novos itinerários – Graça/Alfama e Castelo/Alfama. A segunda edição desta iniciativa decorre todos os Sábados, às 10h00, até Julho deste ano, mediante marcação prévia.

Depois do sucesso dos Ciclos de Música Sacra que têm levado milhares de pessoas às Igrejas da Capital, a herança da espiritualidade do povo de Lisboa pode ser revisitada, até ao Verão, no coração da cidade, em mais uma iniciativa organizada pelas Paróquias da Baixa-Chiado: “Itinerários da Fé”, percursos pedestres na zona nobre da capital em torno da dimensão histórica, arquitectónica, e monumental da Fé Cristã.

“Sabia que o Centro Comercial “Armazéns do Chiado” já foi um convento? E que há uma garagem do Banco de Portugal que foi, em tempos, uma Igreja?” Estas são apenas algumas das muitas curiosidades a descobrir nos “Itinerários da Fé”, em quatro percursos pedestres distintos, que decorrem alternadamente às 10h00, todos os Sábados:

No primeiro Sábado de cada mês, decorre o Circuito da Baixa, com início na Sé, às 10h00; no Sábado seguinte, percorrem-se as Igrejas do Castelo/Alfama, com início na Igreja de Santa Cruz do Castelo; o terceiro Sábado do mês está reservado para o itinerário do Chiado (que começa à mesma hora na Igreja de São Roque), ficando o último Sábado destinado às Igrejas da Graça/Alfama, com ponto de encontro marcado junto ao miradouro, na Igreja da Graça.

As visitas, organizadas para grupos entre 15 e 25 pessoas, requerem inscrição prévia, junto dos serviços da Igreja de S. Nicolau. Apenas as Igrejas serão visitadas, sendo que os museus não estão incluídos nesta iniciativa. É também possível marcar percursos em outras datas para além das previstas, com o objectivo de facilitar a deslocação de grupos privados, associações e escolas.

Estes percursos especiais ficam, no entanto, sujeitos à disponibilidade das paróquias e dos guias.

Marcação:
21 887 95 49

Madalena Filipe

(sexta-feira das 15h às 18h)

itinerariosdafe@paroquiasaonicolau.pt
3€ por pessoa.

Igreja de São Nicolau

R. da Vitória 1100-618 Lisboa

Fax (+351) 21 886 5766


Contacto para assuntos de imprensa:

João Freitas Ferreira

213 869 405 • 913 469 472 • jff@belodemorais.com.pt

29 de fevereiro de 2008

O outro lado

Por vezes parece que o acaso se encarrega de fazer justiça poética. Isso vê-se nas dificuldades recentes do senhor presidente da Câmara de Lisboa, Dr. António Costa, com a Lei das Finanças Locais do anterior ministro da Administração Interna, Dr. António Costa.

Muitos problemas sociais nascem da distância entre quem manda e quem obedece. O que parece fácil ao que decide é muito difícil para quem sofre a decisão. Por exemplo, soube-se há pouco que a «Sede da ASAE [no Porto] não cumpre regras impostas pela ASAE» (JN, 17 de Fevereiro).

É fundamental para todos conhecer o lado que ignoramos da nossa actividade. Todos os médicos e, sobretudo, enfermeiros deviam partir uma perna ou um braço antes de obterem licença para exercer. Igualmente era excelente se todos os polícias e juízes passassem, como parte da formação, uns meses na cadeia e os motoristas de autocarro deviam ser forçados a andar de transportes públicos. Se patrões e trabalhadores trocassem de lugar uns meses veriam o que custa o outro lado, que tanto criticam. Os professores, felizmente, só o podem ser depois de terem sido alunos. Mas como, em geral, os docentes foram estudiosos, desconhecem o que sofre um cábula.

O Dr. António Costa obteve agora uma das lições mais úteis da vida de um governante. Na secretária do ministro e nas bancadas do parlamento as leis parecem muito diferentes do que quando sentidas na pele pelos cidadãos. Talvez não chegue para aprender, mas ao menos um ministro da tutela viu de perto o que um autarca sofre. É justo!

João César das Neves

25 de fevereiro de 2008


FEVEREIRO e MARÇO 2008

PROGRAMA DE ACTIVIDADES

Fevereiro: dia 28, às 21.30h

Conferência: ‘Valores Cristãos e Educação num Estado Laico

Prof. Doutor João César das Neves

Conferencista de renome e notável Docente Universitário, o Prof. João César das Neves honra o Centro Cultural com a sua presença, abordando um tema que está na ordem dia. A sua actualidade assume maior relevância face às actuais políticas educativas, profundamente laicistas, levadas a cabo actualmente no país, com nefastas consequências não só no futuro dos comportamentos sociais, aliás já bem visíveis no presente face ao estado caótico da educação, mas também tendo em conta a ineficácia dos resultados em termos de inserção social e empresarial.

Março:

1. Conferências

Dia 07, às 21.15h

Ciclo ‘Sagrada Escritura na Vida do Povo de Deus’:

‘Da Páscoa de Jesus à nossa Vivência Pascal’

Dia 13, às 21.30h

Conferência Geral: “A liberdade de expressão nas diversas

religiões”, pelo P. Doutor Joaquim Carreira das Neves

Será este tema um pilar da democracia de hoje, um factor obstrutivo de uma interiorização consciente da espiritualidade das diferentes religiões, ou até do diálogo inter religioso?

Dia 14, às 21.15h

Ciclo ‘Ano Jubilar de S. Paulo’:

‘A Eclesiologia de Paulo’

2. Arte de PensarSeminários, orientados por Frei Herminio Araujo

· 10 Mar – 21.15h

· 21 Mar – 21.15h

3. Música Sacra – Dia de Páscoa: 23 de Março, 18.30h

· Basílica dos Mártires: Missa Cantada, de Orlando Lassus

Centro Cultural Franciscano – Lg. da Luz, 11 – 1600-498 LISBOA - ( 217140515 ccf.admin@portugalmail.pt

24 de fevereiro de 2008

18 de fevereiro de 2008

Criancinhas!

A criancinha quer Playstation. A gente dá.
A criancinha quer estrangular o gato. A gente deixa.
A criancinha berra porque não quer comer a sopa. A gente elimina-a da ementa e acaba tudo em festim de chocolate.
A criancinha quer bife e batatas fritas. Hambúrgueres muitos. Pizzas, umas tantas. Coca-Colas, às litradas. A gente olha para o lado e ela incha.
A criancinha quer camisola adidas e ténis nike. A gente dá porque a criancinha tem tanto direito como os colegas da escola e é perigoso ser diferente.
A criancinha quer ficar a ver televisão até tarde. A gente senta-a ao nosso lado no sofá e passa-lhe o comando.
A criancinha desata num berreiro no restaurante. A gente faz de conta e o berreiro continua.
Entretanto, a criancinha cresce. Faz-se projecto de homem ou mulher.
Desperta.
É então que a criancinha, já mais crescida, começa a pedir mesada, semanada, diária.
E gasta metade do orçamento familiar em saídas, roupa da moda, jantares e bares.
A criancinha já estuda. Às vezes passa de ano, outras nem por isso. Mas não se pode pressioná-la porque ela já tem uma vida stressante, de convívio em convívio e de noitada em noitada.
A criancinha cresce a ver Morangos com Açúcar, cheia de pinta e tal, e torna-se mais exigente com os papás. Agora, já não lhe basta que eles estejam por perto. Convém que se comecem a chegar à frente na mota, no popó e numas férias à maneira.
A criancinha, entregue aos seus desejos e sem referências, inicia o processo de independência meramente informal. A rebeldia é de trazer por casa.
Responde torto aos papás, põe a avó em sentido, suja e não lava, come e não limpa, desarruma e não arruma, as tarefas domésticas são «uma seca».
Um dia, na escola, o professor dá-lhe um berro, tenta em cinco minutos pôr nos eixos a criancinha que os papás abandonaram à sua sorte, mimo e umbiguismo. A criancinha, já crescidinha, fica traumatizada. Sente-se vítima de violência verbal e etc e tal. Em casa, faz queixinhas, lamenta-se, chora.
Os papás, arrepiados com a violência sobre as criancinhas de que a televisão fala e na dúvida entre a conta de um eventual psiquiatra e o derreter do ordenado em folias de hipermercado, correm para a escola e espetam duas bofetadas bem dadas no professor «que não tem nada que se armar em paizinho, pois quem sabe do meu filho sou eu».
A criancinha cresce. Cresce e cresce. Aos 30 anos, ainda será criancinha, continuará a viver na casa dos papás, a levar a gorda fatia do salário deles. Provavelmente, não terá um emprego. «Mas ao menos não anda para aí a fazer porcarias».
Não é este um fiel retrato da realidade dos bairros sociais, das escolas em zonas problemáticas, das famílias no fio da navalha? Pois não, bem sei.
Estou apenas a antecipar-me. Um dia destes, vão ser os paizinhos a ir parar ao hospital com um pontapé e um murro das criancinhas no olho esquerdo. E então teremos muitos congressos e debates para nos entretermos .
Isto são os Paizinhos que se dizem Modernos.
É por isso que hoje em dia não há respeito por ninguém, em lado nenhum.
Vai ser este o Futuro da nova geração.

A diferença entre um direito e um bebé

Há uma semana, no dia 11, passou o aniversário do referendo ao aborto. Como se esperava retomou-se um pouco o debate acalorado de há um ano, com opiniões, números, críticas. Mas em geral passou despercebida a grande diferença actual entre os dois campos.
Após apenas 12 meses as organizações pelo "sim" desapareceram quase por completo. Aliás nunca foram muitas, pois o campo era liderados por partidos. Essa ausência parece natural. Ganharam, mudaram a lei, descansam.
E não estão ociosas. Vamos vê-las em futuras lutas, da eutanásia e procriação assistida ao casamento de homossexuais. Mas aborto é tema passado.
Do lado do "não", pelo contrário, um ano após a derrota de 2007 e dez após a vitória de 1998, a actividade é mais intensa que nunca, com novos dinamismos e instituições. Os jornais não ligam muito e o Estado, que financia largamente o aborto, pouco ajuda estas organizações de apoio. Mas os movimentos pela vida mostram tal exuberância e dinamismo que até parece terem ganho.
Esta diferença entre os grupos tem uma razão profunda, que vem da própria disparidade original das duas linhas sociais. A aparente simetria, motivada pela dicotomia da resposta a sufragar, sempre escondeu uma enorme incongruência de lógica e finalidade. A distinção agora visível podia ser intuída até antes do referendo.
As forças a favor da liberalização do aborto tinham uma atitude eminentemente legal e regulamentar. O propósito era garantir o que consideravam um direito e lutar pela mudança da lei. Uma vez obtida a alteração legislativa, não havia mais assunto e partiam para outras causas.
Pelo contrário, as forças pela vida tiveram sempre como propósito declarado as pessoas reais e concretas. O combate político foi importante mas, para lá das lutas sobre diplomas e estatutos, dedicaram-se desde o princípio a organizar casas de acolhimento, serviços de orientação, instituições de apoio a grávidas, mães e crianças.
A defesa da vida não se faz, antes de mais, no papel mas na vida.
Isto não é um insulto ao lado do "sim", mas constatação factual. Esses movimentos limitam--se a seguir a orientação tradicional da sua linha ideológica, com antiga e elaborada justificação teórica.
A abordagem de fundo da esquerda em geral, e da variante marxista em particular, sempre foi melhorar a vida das pessoas através da revolução das instituições. O propósito meritório é o mesmo dos movimentos virtuosos de todos os tempos, mas com meios radicalmente novos. Usando análise científica, acredita-se na construção da estrutura ideal da sociedade, que resolverá todos os problemas.
As versões mais extremas e ingénuas da escola de Marx estão abandonadas.
No original bastava o proletariado tomar o poder nas instituições sem classes da sociedade socialista para vir o paraíso terreal. Hoje esse sonho está esquecido no limbo dos mitos românticos da História.
Mas a lógica básica do raciocínio mantém-se viva nas novas encarnações da ideologia. Os movimentos do aborto, como os ecologistas, sindicatos e partidos, têm a sua fé posta em leis, contratos, regras e regulamentos. Sempre nos mecanismos, nunca nas pessoas.
As forças de esquerda sempre acharam que não se deve dar esmola porque isso só atrasa a revolução. Esta é a diferença entre a preocupação marxista com os proletários e a caridade cristã com os pobres.
O instrumento progressista sempre foi organizativo, não pessoal. Confia-se em leis e mecanismos sociais, não em amor, honra, heroísmo, génio. As pessoas são meras peças no grande maquinismo comunitário.
O comunista ama a humanidade, o cristão ama o próximo.
Para as forças do "sim" o sofrimento das mulheres era argumento para mudar a lei, o que eliminaria o dito sofrimento. Para as forças do "não" é algo que tem nome, morada e pede ajuda.
Aliás, a diferença na formulação corrente dos propósitos indica isso mesmo. O "sim" é a favor da escolha, um conceito moral, filosófico, enquanto o "não" é pela vida, um assunto biológico, animal. É a mesma diferença que existe entre um direito e um bebé.


João César das Neves
professor universitário
naohaalmocosgratis@fcee.ucp.pt


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