Diário da Assembleia Geral do ISCF
“Tudo o que se fizer a bem da família, por pequeno que seja é grande”. (Mons. Brás)
A Família no centro das atenções
Encontra aqui os vários artigos do Dr. Juan Ambrósio sobre a Família...
Encontro Mundial das Famílias 2015
O Vaticano apresentou dia 24 de março em conferência de imprensa o 7.º Encontro Mundial da Família, que vai decorrer de 22 a 27 de setembro de 2015 na cidade norte-americana de Filadélfia.
A saúde mental dos portugueses
Alguns dedicam-se obsessivamente aos números e às estatísticas esquecendo que a sociedade é feita de pessoas...
O trabalho, dom e direito
A sociedade portuguesa e internacional, vive uma situação de crise generalizada e de aumento das desigualdades sociais...
Longe vão os tempos
Longe vão os tempos dos preconceitos culturais em que se aceitava que era a mãe que tinha de cuidar dos filhos...
Dar esperança em tempo de crise
Vivemos tempos difíceis. A família, como célula base da sociedade, é imediatamente afetada por esta crise generalizada e que promete perdurar. Neste contexto, exige-se um novo paradigma, uma nova forma de estar e de nos relacionarmos.
29 de fevereiro de 2008
O outro lado
Por vezes parece que o acaso se encarrega de fazer justiça poética. Isso vê-se nas dificuldades recentes do senhor presidente da Câmara de Lisboa, Dr. António Costa, com a Lei das Finanças Locais do anterior ministro da Administração Interna, Dr. António Costa.
Muitos problemas sociais nascem da distância entre quem manda e quem obedece. O que parece fácil ao que decide é muito difícil para quem sofre a decisão. Por exemplo, soube-se há pouco que a «Sede da ASAE [no Porto] não cumpre regras impostas pela ASAE» (JN, 17 de Fevereiro).
É fundamental para todos conhecer o lado que ignoramos da nossa actividade. Todos os médicos e, sobretudo, enfermeiros deviam partir uma perna ou um braço antes de obterem licença para exercer. Igualmente era excelente se todos os polícias e juízes passassem, como parte da formação, uns meses na cadeia e os motoristas de autocarro deviam ser forçados a andar de transportes públicos. Se patrões e trabalhadores trocassem de lugar uns meses veriam o que custa o outro lado, que tanto criticam. Os professores, felizmente, só o podem ser depois de terem sido alunos. Mas como, em geral, os docentes foram estudiosos, desconhecem o que sofre um cábula.
O Dr. António Costa obteve agora uma das lições mais úteis da vida de um governante. Na secretária do ministro e nas bancadas do parlamento as leis parecem muito diferentes do que quando sentidas na pele pelos cidadãos. Talvez não chegue para aprender, mas ao menos um ministro da tutela viu de perto o que um autarca sofre. É justo!
25 de fevereiro de 2008

FEVEREIRO e MARÇO 2008
PROGRAMA DE ACTIVIDADES
Fevereiro: dia 28, às 21.30h
Conferência: ‘Valores Cristãos e Educação num Estado Laico’
Prof. Doutor João César das Neves
Conferencista de renome e notável Docente Universitário, o Prof. João César das Neves honra o Centro Cultural com a sua presença, abordando um tema que está na ordem dia. A sua actualidade assume maior relevância face às actuais políticas educativas, profundamente laicistas, levadas a cabo actualmente no país, com nefastas consequências não só no futuro dos comportamentos sociais, aliás já bem visíveis no presente face ao estado caótico da educação, mas também tendo em conta a ineficácia dos resultados em termos de inserção social e empresarial.
Março:
1. Conferências
Dia 07, às 21.15h
Ciclo ‘Sagrada Escritura na Vida do Povo de Deus’:
‘Da Páscoa de Jesus à nossa Vivência Pascal’
Dia 13, às 21.30h
Conferência Geral: “A liberdade de expressão nas diversas
religiões”, pelo P. Doutor Joaquim Carreira das Neves
Será este tema um pilar da democracia de hoje, um factor obstrutivo de uma interiorização consciente da espiritualidade das diferentes religiões, ou até do diálogo inter religioso?
Dia 14, às 21.15h
Ciclo ‘Ano Jubilar de S. Paulo’:
‘A Eclesiologia de Paulo’
2. Arte de Pensar – Seminários, orientados por Frei Herminio Araujo
· 10 Mar – 21.15h
· 21 Mar – 21.15h
3. Música Sacra – Dia de Páscoa: 23 de Março, 18.30h
· Basílica dos Mártires: Missa Cantada, de Orlando Lassus
24 de fevereiro de 2008
18 de fevereiro de 2008
Criancinhas!
A criancinha quer Playstation. A gente dá.
A criancinha quer estrangular o gato. A gente deixa.
A criancinha berra porque não quer comer a sopa. A gente elimina-a da ementa e acaba tudo em festim de chocolate.
A criancinha quer bife e batatas fritas. Hambúrgueres muitos. Pizzas, umas tantas. Coca-Colas, às litradas. A gente olha para o lado e ela incha.
A criancinha quer camisola adidas e ténis nike. A gente dá porque a criancinha tem tanto direito como os colegas da escola e é perigoso ser diferente.
A criancinha quer ficar a ver televisão até tarde. A gente senta-a ao nosso lado no sofá e passa-lhe o comando.
A criancinha desata num berreiro no restaurante. A gente faz de conta e o berreiro continua.
Entretanto, a criancinha cresce. Faz-se projecto de homem ou mulher.
Desperta.
É então que a criancinha, já mais crescida, começa a pedir mesada, semanada, diária.
E gasta metade do orçamento familiar em saídas, roupa da moda, jantares e bares.
A criancinha já estuda. Às vezes passa de ano, outras nem por isso. Mas não se pode pressioná-la porque ela já tem uma vida stressante, de convívio em convívio e de noitada em noitada.
A criancinha cresce a ver Morangos com Açúcar, cheia de pinta e tal, e torna-se mais exigente com os papás. Agora, já não lhe basta que eles estejam por perto. Convém que se comecem a chegar à frente na mota, no popó e numas férias à maneira.
A criancinha, entregue aos seus desejos e sem referências, inicia o processo de independência meramente informal. A rebeldia é de trazer por casa.
Responde torto aos papás, põe a avó em sentido, suja e não lava, come e não limpa, desarruma e não arruma, as tarefas domésticas são «uma seca».
Um dia, na escola, o professor dá-lhe um berro, tenta em cinco minutos pôr nos eixos a criancinha que os papás abandonaram à sua sorte, mimo e umbiguismo. A criancinha, já crescidinha, fica traumatizada. Sente-se vítima de violência verbal e etc e tal. Em casa, faz queixinhas, lamenta-se, chora.
Os papás, arrepiados com a violência sobre as criancinhas de que a televisão fala e na dúvida entre a conta de um eventual psiquiatra e o derreter do ordenado em folias de hipermercado, correm para a escola e espetam duas bofetadas bem dadas no professor «que não tem nada que se armar em paizinho, pois quem sabe do meu filho sou eu».
A criancinha cresce. Cresce e cresce. Aos 30 anos, ainda será criancinha, continuará a viver na casa dos papás, a levar a gorda fatia do salário deles. Provavelmente, não terá um emprego. «Mas ao menos não anda para aí a fazer porcarias».
Não é este um fiel retrato da realidade dos bairros sociais, das escolas em zonas problemáticas, das famílias no fio da navalha? Pois não, bem sei.
Estou apenas a antecipar-me. Um dia destes, vão ser os paizinhos a ir parar ao hospital com um pontapé e um murro das criancinhas no olho esquerdo. E então teremos muitos congressos e debates para nos entretermos .
Isto são os Paizinhos que se dizem Modernos.
É por isso que hoje em dia não há respeito por ninguém, em lado nenhum.
Vai ser este o Futuro da nova geração.
A diferença entre um direito e um bebé
Há uma semana, no dia 11, passou o aniversário do referendo ao aborto. Como se esperava retomou-se um pouco o debate acalorado de há um ano, com opiniões, números, críticas. Mas em geral passou despercebida a grande diferença actual entre os dois campos.
Após apenas 12 meses as organizações pelo "sim" desapareceram quase por completo. Aliás nunca foram muitas, pois o campo era liderados por partidos. Essa ausência parece natural. Ganharam, mudaram a lei, descansam.
E não estão ociosas. Vamos vê-las em futuras lutas, da eutanásia e procriação assistida ao casamento de homossexuais. Mas aborto é tema passado.
Do lado do "não", pelo contrário, um ano após a derrota de 2007 e dez após a vitória de
Esta diferença entre os grupos tem uma razão profunda, que vem da própria disparidade original das duas linhas sociais. A aparente simetria, motivada pela dicotomia da resposta a sufragar, sempre escondeu uma enorme incongruência de lógica e finalidade. A distinção agora visível podia ser intuída até antes do referendo.
As forças a favor da liberalização do aborto tinham uma atitude eminentemente legal e regulamentar. O propósito era garantir o que consideravam um direito e lutar pela mudança da lei. Uma vez obtida a alteração legislativa, não havia mais assunto e partiam para outras causas.
Pelo contrário, as forças pela vida tiveram sempre como propósito declarado as pessoas reais e concretas. O combate político foi importante mas, para lá das lutas sobre diplomas e estatutos, dedicaram-se desde o princípio a organizar casas de acolhimento, serviços de orientação, instituições de apoio a grávidas, mães e crianças.
A defesa da vida não se faz, antes de mais, no papel mas na vida.
Isto não é um insulto ao lado do "sim", mas constatação factual. Esses movimentos limitam--se a seguir a orientação tradicional da sua linha ideológica, com antiga e elaborada justificação teórica.
A abordagem de fundo da esquerda em geral, e da variante marxista em particular, sempre foi melhorar a vida das pessoas através da revolução das instituições. O propósito meritório é o mesmo dos movimentos virtuosos de todos os tempos, mas com meios radicalmente novos. Usando análise científica, acredita-se na construção da estrutura ideal da sociedade, que resolverá todos os problemas.
As versões mais extremas e ingénuas da escola de Marx estão abandonadas.
No original bastava o proletariado tomar o poder nas instituições sem classes da sociedade socialista para vir o paraíso terreal. Hoje esse sonho está esquecido no limbo dos mitos românticos da História.
Mas a lógica básica do raciocínio mantém-se viva nas novas encarnações da ideologia. Os movimentos do aborto, como os ecologistas, sindicatos e partidos, têm a sua fé posta em leis, contratos, regras e regulamentos. Sempre nos mecanismos, nunca nas pessoas.
As forças de esquerda sempre acharam que não se deve dar esmola porque isso só atrasa a revolução. Esta é a diferença entre a preocupação marxista com os proletários e a caridade cristã com os pobres.
O instrumento progressista sempre foi organizativo, não pessoal. Confia-se em leis e mecanismos sociais, não em amor, honra, heroísmo, génio. As pessoas são meras peças no grande maquinismo comunitário.
O comunista ama a humanidade, o cristão ama o próximo.
Para as forças do "sim" o sofrimento das mulheres era argumento para mudar a lei, o que eliminaria o dito sofrimento. Para as forças do "não" é algo que tem nome, morada e pede ajuda.
Aliás, a diferença na formulação corrente dos propósitos indica isso mesmo. O "sim" é a favor da escolha, um conceito moral, filosófico, enquanto o "não" é pela vida, um assunto biológico, animal. É a mesma diferença que existe entre um direito e um bebé.
Paróquia de Nossa Senhora do Carmo
e Centro Cultural de Lisboa Pedro Hispano
Os Grandes Santos
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Dia 21 de Fevereiro, quinta feira, 21.30
Santo Inácio de Loyola
Pe. Miguel Gonçalves Ferreira sj.
(Padre Jesuita e Director do CUPAV))
No Salão Paroquial
15 de fevereiro de 2008
14 de fevereiro de 2008
A Família, baluarte e sinal de Esperança
Consciencializamos diariamente que a sociedade é violenta, onde são evidentes os contrastes, as diferentes correntes de pensamento, os valores antagónicos que geram instabilidade, insegurança e promovem um clima de mal-estar, um ambiente hostil, desagregante...Os meios de comunicação social falam por si!
A época moderna difundiu a consciência da individualidade do ser humano que, embora por si seja positivo, foi conduzindo ao individualismo egocentrista, egoísta.
Assim, a cultura do nosso tempo, fortemente marcada por esta dimensão egoísmo/ egocentrismo, apresenta diversos sinais de preocupante degradação no que se refere a valores essenciais:
Uma cultura do provisório, que prefere o caduco ao perene, com a marca da eternidade;
- Uma cultura do prazer, que apresenta o amor e a sexualidade como objecto de consumo imediato e descomprometido;
- Uma cultura do consumo e do bem-estar material, criadora de falsas, inúteis e ilusórias necessidades;
- Uma cultura da facilidade, que evita tudo o que exige esforço e sacrifício, produzindo pessoas incapazes de lutarem por objectivos elevados e exigentes;
- Uma cultura da irresponsabilidade que até relativiza os princípios éticos;
- Uma cultura de morte, que desvaloriza a vida humana e se deixa levar, levianamente, por lógicas materialistas e utilitaristas que se sobrepõem aos direitos das crianças não nascidas, dos débeis, dos doentes e dos idosos;
- Uma cultura difundida pelos meios de comunicação social que lançam a confusão e abafam os discernimentos familiares.
O desemprego e o trabalho precário apresentam-se também como sérias ameaças à família. Geram instabilidade, insegurança e desconfiança em relação ao futuro, destroem a harmonia e paz familiar.
Por outro lado, o sistema fiscal que penaliza as famílias numerosas, também se revela agressivo e desfavorável à promoção da família, não fomentando a natalidade... mas sim ao contrário.
As agressões legislativas recentes e sua aplicação prática, a fictícia protecção à maternidade, traduzem-se na redução ao mínimo, do número de filhos...
Com tudo isto, deparamos com uma situação insustentável...
Os “valores” relativistas (particulares, subjectivos) que têm sido defendidos e promovidos, têm vindo a revelar-se demasiado funestos para a Humanidade no seu conjunto.
Em consequência, impõe-se a necessidade de mudar, de mudar de rumo, procurando fomentar novos consensos em torno de valores humanistas e cristãos que nos serviam de guia para o nosso fim último e para o relacionamento interpessoal e colectivo. Está em causa o nosso futuro comum.
Mª Helena H. Marques
12 de fevereiro de 2008
Retiro para Jovens
Se queres participar neste retiro contacta: tu.importas@hotmail.comLocal: Casa de Santa Zita
Rua Santo António à Estrela, nº35
1399-043 Lisboa
Telemóvel: 964219354
Workshop Protecção Psíquica
Criando energias positivas para pessoas e lugares.Data: 23 a 24 de Fevereiro de 2008
Local: Espaço Maiana, Av. Duque de Loulé, 47, 7D
Horário: das 10h às 18h30
Preço: 110€
Mais informações ver video em YouTube http://www.youtube.com/watch?v
11 de fevereiro de 2008
Um ano de aborto livre
09.02.2008, José Paulo Areia de Carvalho
Antes de mais, cumpre esclarecer que continuo a defender que o aborto, porque põe fim a uma vida humana, deveria manter-se como um acto genericamente proibido por lei (salvo os casos excepcionais que consubstanciam exclusão da ilicitude da sua prática). Não faço nenhum juízo de valor, menos ainda de condenação, sobre quem já abortou, mas isso não me impede de considerar o recurso ao aborto como um gravíssimo erro. Estou convencido de que, com um pouco de ajuda, teria sido possível encontrar uma solução que poupasse a vida do filho e, simultaneamente, fosse bem mais eficaz para a vida da mãe.
Não quero reproduzir aqui o velho argumentário pró-aborto, mas apelo à memória de todos: seguramente que sentimos que entre o discurso pré-referendo e a prática pós-referendo vai uma enorme diferença... Destaco somente dois argumentos antes usados: o aborto livre era necessário para, por um lado, acabar com a humilhação e o abandono das mulheres e, por outro, para pôr fim ao negócio do aborto clandestino.
O que nos revelou a prática pós-liberalização total do aborto? Que as mulheres, alvo preferencial da preocupação propagandística dos defensores do aborto, foram por estes completamente abandonadas depois do dia em que abortar passou a ser um acto livre. É lamentável, mas era expectável e até coerente; no fundo, a solução já fora encontrada: basta a grávida que sofre recorrer ao aborto, que aliás é livre e oferecido pelo Estado. Mais ajuda para quê?
É sintomático que, ainda hoje, quando se fala de apoios a grávidas que atravessam dificuldades, só sejam conhecidos aqueles que são prestados pelos movimentos pró-vida. Exactamente os mesmos que, por ocasião do referendo de 1998, começaram a trabalhar, quase sempre em regime de puro voluntariado, e que ainda agora, mesmo após a mudança da lei, se mantêm ao serviço das mães e das grávidas que atravessam dificuldades. Não têm soluções milagrosas para todas as situações, mas tentam ajudar na construção de um projecto de futuro, que dê sentido à vida daquela mulher e à vida dos seus filhos.
Com os defeitos que tem qualquer generalização, a verdade é que as circunstâncias, agora, permitem concluir que o que distingue os defensores do "sim" dos defensores do "não" é o facto de os primeiros serem mesmo a favor do aborto e os segundo serem mesmo a favor da vida. Por isso, perante a liberalização do aborto, aqueles acomodaram-se por já terem o que desejavam, enquanto estes, bem cientes que a defesa da vida é um combate de sempre, continuaram a trabalhar da mesma maneira, apesar da mudança radical do sentido da lei.
Acresce que o actual regime, ao impedir a grávida que equaciona abortar de ser recebida por um médico objector de consciência ou de realizar uma simples ecografia, antes da tomada de decisão, está a promover um consentimento que não é informado e, precisamente por isso, é tudo menos verdadeiramente livre. Ou seja, abortar passou a ser verdadeiramente um direito cuja prática não pode, sequer, ser dissuadida.
Por isso, os números da prática do aborto têm vindo a aumentar nestes poucos meses e o negócio abortista está florescente, com clínicas privadas a terem elevadas taxas de sucesso. Tudo isto perante o silêncio cúmplice daqueles que se diziam contra o aborto e contra o negócio que este, segundo garantiam, antes envolvia. O aborto deve ser mesmo o único negócio privado que a esquerda radical vê com muito bons olhos e cujos lucros não lhe causam incómodo absolutamente nenhum!
Estou certo de que, perante tanto fervor abortista e tanta incoerência, mais cedo do que seria de esperar, o país se dará conta do enorme erro que cometeu.
Deputado do CDS
8 de fevereiro de 2008
Estado «não está a fiscalizar» prática do aborto
Associação Juntos pela Vida considera que a questão não está fechada e contesta falta de preocupação com a maternidade
Esta Sexta-feira, a Associação vai encontrar-se com Francisco George, director geral de saúde. A falta de informação e fiscalização estão na base das falhas que António Pinheiro Torres, secretário geral da Associação Juntos pela Vida aponta ao Estado e à Direcção Geral de Saúde.
“O consentimento informado não está a ser efectivo porque não está a ser fornecida informação actual à mulher que vai realizar o aborto”, explica o secretário geral à Agência ECCLESIA.
A Associação dá conta que a informação que a DGS faz circular sobre este assunto reporta-se a bibliografia com mais de 15 anos, “quando existem mais de 500 estudos com novas informações sobre as consequências do aborto na saúde física e psíquica da mulher”.
António Pinheiro Torres afirma haver uma “insistência do Ministério da Saúde na promoção do aborto legal”. Durante o período de discussão que antecedeu o referendo, eram indicados os estabelecimentos hospitalares para a prática do aborto: “Nunca se colocou a hipótese de o aborto ser praticado em Centros de Saúde, mas há três que o fazem”.
Esta “insistência da DGS não encontra equiparação com a preocupação com a maternidade”. António Pinheiro Torres lembra não só o encerramento de maternidades por todo o país mas “a falta de esforço da DGS para que as mulheres tenham condições para ter os seus filhos”.
Outra preocupação que a Associação vai levar à DGS é a publicidade que as clínicas privadas de aborto têm feito nos meios de comunicação social. “Não é legal fazer estes anúncios em virtude das leis que regem os actos médicos”, indica o secretário-geral.
A Associação Juntos pela Vida desconhece a forma como os hospitais públicos estão a encaminhar os abortos para clínicas privadas e quer saber em que medida o Ministério da Saúde está a controlar esses estabelecimentos privados, “que na prática, são quem ganha com este negócio do aborto”.
António Pinheiro Torres aponta que, após sete meses de a lei entrar em vigor, falta informação.
“Só se conhecem números dos três primeiros meses”, aponta o secretário-geral da associação. “Esta falta de conhecimento revela ou uma situação dramática ou o desconhecimento de uma situação que deveriam acompanhar de perto”.
As informações publicadas pela DGS mostram um crescimento da prática do aborto. António Pinheiro Torres lamenta que a DGS não manifeste pesar pelo número de abortos aumentar. “Apenas ouvimos manifestações de contentamento”.
A Associação Juntos pela Vida quer perceber a posição do director geral de saúde e “em que medida está disposto a ser fiel à posição que tomou em relação ao Sim, quando dizia que esta lei ia ser feita para diminuir a prática de abortos em Portugal”.
O secretário-geral chama também a atenção para a continuação da prática do aborto clandestino, relembrando casos denunciados pelos media, até e depois das 10 semanas e “não se vê da parte dos poderes públicos nenhuma acção para vigiar esta situação”.
António Pinheiro Torres assegura que a realidade vigente mostra que as preocupações da Associação estavam correctas e por isso “vale a pena continuar a discutir o assunto”, até porque a alteração da lei “está nos nossos objectivos”.
Lígia Silveira
7 de fevereiro de 2008
Padre António Vieira, 400 anos
Jesuíta nascido a 6 de Fevereiro de 1608 ficou na história da literatura, da política e da Igreja Portuguesa.
I - Padre António Vieira (1608-1697), nome grande da cultura, da literatura, da política e da Igreja Portuguesa. Teria bem merecido ficar entre os 10 maiores portugueses de sempre no controverso programa da RTP. Um desses 10 grandes portugueses eleitos pelos telespectadores, Fernando Pessoa, elevou Vieira ao estatuto de "Imperador da Língua Portuguesa" nas suas simbólicas biografias poéticas que consagrou na sua Mensagem:
"O céu estrela o azul e tem grandeza
Este, que teve a fama e a glória tem,
Imperador da língua portuguesa,
Foi-nos um céu também".
A sua vida dava uma longa metragem de Hollywood, um fascinante filme de acção rodado em vários cenários: casas e ruas de Lisboa, cortes, ambientes de viagens marítimas em frotas navais a atravessar o atlântico, colégios, igrejas, floresta amazónica, palcos de guerras, naufrágios e aventuras, viagens por terra e por mar pela Europa Central,…
António Vieira nasceu em Lisboa junto da Sé. Aos 6 anos teve que se transferir para o Brasil. Acompanhou com a família o seu pai que tinha sido destacado para desempenhar funções na Alfândega de Salvador da Baía, então capital daquela colónia portuguesa. Entrou para o colégio da Companhia de Jesus daquela cidade, desejando ser missionário e dedicar a vida à conversão dos ameríndios. Tornou-se jesuíta e evidenciou-se rapidamente como um mestre da palavra: um ardente evangelizador e defensor dos índios, nomeadamente lutando contra a voragem esclavagista que grassava então nas terras de Vera Cruz.
Brilha no Brasil como pregador de palavra competente, firme e incisiva. Os seus sermões de crítica social acusam a consciência dos poderosos, convertem populações indígenas, animam as tropas portuguesas contra as investidas da pirataria, particularmente das frotas holandeses e apelam para uma igreja mais evangélica.
Mas em 1641, proclamada a Restauração da Independência de Portugal, foi convidado a acompanhar a delegação enviada pelo vice-rei, Marquês de Montalvão, a fim de jurar fidelidade e reconhecimento ao monarca português, D. João IV. Em Lisboa teve a oportunidade de revelar os seus dotes oratórios como pregador e logo conquistou a admiração não só do povo, mas também do rei que o convidou para ser seu pregador pessoal. Foi então nomeado para o importante cargo de Pregador Régio, a fim de pregar regularmente à família real e à corte.
Instituído neste papel tão influente, desempenhou um papel decisivo no aconselha-mento político do governo do reino. A pertinência e inteligência das suas propostas causaram a admiração de muitos, mas também as hostilidades de alguns quantos instalados nos seus interesses. O rei, que o admirou sempre e lhe devotou uma amizade incondicional desde a primeira hora, incumbiu-o de missões diplomáticas extraordinárias nos chamados Países Baixos, na Holanda, para defender os interesses do Portugal restaurado e angariar meios para garantir a protecção dos territórios ultramarinos, com especial atenção para o grande território do Brasil.
Na sequência das suas viagens diplomáticas propôs uma série de projectos reformistas no plano económico e social. Merecem especial menção os seus projectos de criação de companhias comerciais monopolistas, à luz do modelo das companhias holandeses e inglesas. Estas propostas vieirianas anteciparam um século os projectos pombalinos de reforma da economia portuguesa.
Mais ousada e avançada para a época foram as suas propostas de reforma da Inquisição, particularmente visavam o fim das denúncias anónimas e do confisco de bens, a abolição da discriminatória distinção social entre cristãos-velhos e cristãos-novos e a concomitante apologia do regresso a Portugal dos judeus expulsos no século anterior. Acreditava que o nosso país tinha erradamente perseguido e dispensado um grupo social empreendedor que fez a grandeza do Portugal dos Descobrimentos. Os descendentes de judeus estavam então na Holanda com a sua conhecida capacidade de empreendimento económico a sustentar a expansão do emergente império holandês, enquanto Portugal jazia em dificuldades enormes para garantir a sobrevivência do seu império ultramarino agora à mercê de piratas e da cobiça conquistadora dos novos impérios europeus.
II - Aliando o seu idealismo evangélico ao pragmatismo político, Vieira criticou fortemente o poder e os métodos do Santo Ofício português que tinha excluído os descendentes de judeus e mouros, entretanto convertidos sob a designação de cristãos-novos. Aquele tribunal impedia aqueles grupos étnicos de contribuir para a afirmação do país. Desejava uma inquisição mais pedagógica e menos persecutória.
Em favor dos índios brasileiros apresentou propostas de reforma administrativa das aldeias missionárias, mais conhecidas por reduções ou aldeamentos missionários, de modo a conceder aos padres missionários poder não só espiritual mas também temporal sobre os missionandos. Pretendia assim proteger de forma mais eficaz as populações indígenas das frequentes incursões esclavagistas dos colonos.
Todavia, este jesuíta genial, que enchia as igrejas a abarrotar e esvaziava os teatros quando pregava, não foi compreendido por muitos dos seus contemporâneos, devido às suas propostas e à sua visão crítica da sociedade, da Igreja e do exercício do poder.
A Inquisição acabou por prendê-lo e condená-lo, depois da morte do seu protector D. João IV, nos anos 60 do século XVI. As razões alegadas para a sua condenação não só tiveram a ver com a sua defesa dos Judeus, mas também com o facto de ter concebido uma utopia universalista que sonhava uma nova era ecuménica de fraternidade e compreensão entre todos os povos, culturas e sensibilidades religiosas. Esta utopia ficou conhecida pelo nome de Quinto Império.
Com base na mensagem de Cristo idealizou para o mundo a construção de uma espécie de civilização do amor, onde o respeito e a fraternidade para com os outros, para com o diferente, assim como a relação harmónica com a natureza fossem as formas de estar quotidianas. A sua utopia cristã de reunião de todos os homens num abraço universal de paz é considerada a mais generosa utopia sonhada na Europa do seu tempo. Era uma utopia que propunha uma solução para os conflitos que se agudizavam em vários pontos do globo naquele tempo da emergente era da protoglobalização.
No entanto, a sua condenação pelo Santo Ofício português acabou por ser anulada pelo Papa, na sequência de uma viagem de peregrinação que Vieira fez a Roma no final da década de 60 e onde permaneceu depois até 1675. Durante a sua estadia em Roma, depois de ter aprendido rapidamente italiano, voltou a destacar-se como um pregador brilhante, de tal modo que conquistou a admiração do Papa e até da Rainha Cristina da Suécia então exilada com a sua corte na Cidade Eterna. O Sumo Pontífice convidou-o para pregar à corte papal, a Rainha Cristina quis insistentemente nomeá-lo seu pregador pessoal. Mas o desejo do grande pregador português não era ficar longe de Portugal por maior que fosse o prestígio dos convites de tão poderosos senhores europeus para permanência longe do seu país.
O Papa deixou-o regressar e fez mais do que Vieira poderia esperar: usou da sua autoridade para moderar os excessos da inquisição portuguesa. Reconhecendo as injustiças e erros praticados nos processos judiciais do tribunal, o Sumo Pontífice chegou a suspender a inquisição durante 7 anos (1675-1681), na sequência da apresentação provada dos relatórios críticos de António Vieira sobre os modos de procedimentos da Inquisição. Foi de facto Vieira quem pioneiramente contribuiu para que a inquisição fechasse as portas pela primeira vez
De
Vieira além de ter elevado a língua portuguesa a uma perfeição nunca vista, explorando ao máximo as suas capacidades de expressão, de polissemia, de subtileza, contribuiu para sonhar um futuro melhor para Portugal e para a humanidade, de tal modo que o historiador francês Raymond Cantel considerou-o, nos anos 60 do século XX, precursor dos projectos contemporâneos de criação de organismos internacionais para o entendimento entre os povos do mundo, como é o caso da ONU.
31 de janeiro de 2008
30 de janeiro de 2008
Voz que clama
Desde há 48 anos que o Jornal da Família, seguindo as pegadas do seu Fundador, Mons. Brás, é essa voz que clama, mesmo em tempos de deserto e ameaças, a defesa da Instituição Familiar.
O passar dos anos não fragilizou as suas convicções, mas antes as agudiza. Quarenta e oito anos depois, pretende, gritar ainda com mais força: "Salvemos a Família, salvaremos o mundo".
Como é evidente, aos olhos de todos, o Jornal da Família continua vivo e com vigor e na sua vida estão intrincadas muitas outras vidas, a quem sentimos o dever de manifestar a nossa gratidão.
Aos Assinantes e Leitores que assiduamente nos seguem e permitem manter de pé este projecto, o nosso bem-haja.
A todos os colaboradores que, voluntariamente, nos enviam os seus artigos, defendendo e cuidando, connosco, a Causa da Família, a nossa admiração, estima e profunda gratidão.
A todas as pessoas envolvidas na divulgação do jornal, a nossa gratidão e incentivo a que continuem.
Estamos todos de parabéns e podemos orgulhar-nos porque é nobre e de grande utilidade social a causa que defendemos: a Família.
Juntemos voz, força e esforço, todos os que acreditamos no valor insubstituível da família, mais ainda, apelamos a todas as pessoas, de boa vontade, que se comprometam na divulgação desta publicação.
Conceição Vieira
28 de janeiro de 2008
24 de janeiro de 2008
Viver e testemunhar a esperança no séc. XXI
Mostrar o que é próprio do modo de ser e de estar cristão no mundo é tarefa proposta pelo magistério de Bento XVI nas suas cartas encíclicas.
Uma encíclica é um documento de carácter doutrinal dirigido pelo Papa a toda a Igreja – dos Bispos aos fiéis leigos – sobre questões de fé e prática cristã. Nas encíclicas de carácter social os Papas começaram a incluir também os “homens e mulheres do mundo inteiro”, mostrando a perspectiva humanista e universal do seu conteúdo. Uma encíclica reflecte normalmente a actualidade da
Igreja e do mundo, as circunstâncias relacionadas com a fé e a sociedade em que os cristãos vivem e também personalidade e as preocupações do Papa que a publica. Na encíclica “Deus é amor” Bento XVI fez uma leitura da mensagem e do modo de estar cristão no mundo a partir da realidade do amor, dom de Deus e chave das relações humanas. Clarifica o sentido do amor cristão nas suas várias dimensões e tira as consequências práticas para as relações humanas e sociais e reforma das estruturas políticas. Em “Salvos na esperança”, Bento XVI toma como tema outra virtude teologal: a esperança.
A esperança cristã não é a fuga para a frente perante as injustiças, sofrimentos ou dificuldades do presente, nem conformismo resignado e impotente dos fracos. A esperança apoia-se na fé no Deus presente na história, é a convicção de que com Ele a vida do homem tem sentido, tem um futuro, um futuro absoluto.
É o compromisso de acção para que o reino de Deus e a sua justiça aconteça neste mundo, torne mais fecunda a vida de cada um e mais solidárias e fraternas as relações entre todos.
Servindo-se de duas noções da moderna teoria da linguagem, o Papa esclarece que a mensagem cristã não é apenas “informativa”, transmissão de conteúdos, de uma doutrina, é “performativa”, realiza o que significa. O Evangelho é “comunicação que gera factos e muda a vida”. A esperança cristã é o começo daquele futuro absoluto em que se crê, é uma vida nova orientada para Deus cuja presença lhe dá sentido e conteúdo. O encontro com o Deus de Jesus Cristo é “performativo”. Pela fé acredito não só que Deus existe como acredito na existência de uma estrela longínqua, mas que
Deus me mostrou em Cristo o seu amor único e me abre o caminho da vida eterna. Essa vida eu a tenho já em começo, em esperança. “Quem tem esperança vive diferentemente, foi-lhe dado uma vida nova” (2) O homem não está apenas sob o domínio da natureza e das suas leis, mas também da graça, do Deus que o criou, que o redimiu, que o ama e que é o seu fim último.
A esperança abre os horizontes para a “vida eterna”, a plenitude da vida, resposta perfeita às aspirações humanas. Não a podemos explicar adequadamente em termos do conhecimento humano que é limitado, mas está presente e transforma a nossa maneira de ver e de estar com os outros no mundo. O testemunho dos santos e dos mártires mostra-nos que é um bem que supera de tal forma os bens do mundo que vale a pena por ela deixá-los ou arriscar a vida (9).
O Papa faz uma análise do processo de secularização da esperança transmutada em fé no progresso das ciências e das estruturas políticas e da deslocação da fé religiosa para o domínio do privado e do ultraterrestre.
Nem a ciência nem as revoluções comunistas ou burguesas vieram instaurar o paraíso na terra que prometiam, nem satisfizeram a busca de sentido do homem. Demonstraram sim que a felicidade, a paz e a justiça não dependem apenas da transformação das estruturas, mas da liberdade humana, do esforço moral por respeitar a dignidade de cada homem e de construir um mundo solidário. Essa é tarefa a prosseguir permanentemente tanto no plano individual como no social.
A crítica de algumas “crenças”, expressões culturais e práticas rituais relacionadas com a esperança, impõe à Igreja uma reflexão que lhes restitua a autenticidade.
À “autocrítica da idade moderna,” deve corresponder “uma autocrítica do cristianismo moderno” para “aprender sempre de novo a compreender-se a si mesmo a partir das próprias raízes” (23). O nosso conhecimento e linguagem referente às realidades espirituais e sobrenaturais serão sempre deficientes. Por isso, é preciso esclarecer e corrigir algumas visões e práticas de espiritualidade tradicionais marcadas por coordenadas culturais individualistas, intimistas e uma visão pessimista do Juízo de Deus e dos “novíssimos”. A salvação não é relação egoísta e competitiva de cada um com Deus e com os outros, nem o Juízo a vingança de Deus. Há, sem dúvida, uma aspiração de justiça e uma dimensão pessoal da esperança que tem o lastro da experiência única de cada um. Mas essa experiência processa-se numa comunidade, da qual brota, na qual se alimenta e purifica, dentro da qual se vive e compartilha. A esperança tem uma dimensão comunitária na sua origem, a comunhão com Deus e com os outros, e nas expressões em que se manifesta e testemunha ao intervir no mundo. A esperança é activa “no sentido de mantermos o mundo aberto a Deus”. É “sempre esperança também para os outros” (34). A esperança também se exercita, também se aprende. A encíclica aponta “três “lugares” de aprendizagem e de exercício da esperança”: a oração (32-34), a acção e o sofrimento (35-39), o Juízo (41-44).
“Orar não significa sair da história e retirar-se para o canto privado da própria felicidade” (33). Pelo contrário, é compartilhar na comunhão com Deus as alegrias e tristezas, as aspirações e fracassos dos homens concretos. É abrir-nos a Deus e aos outros, sujeitando os nossos pedidos ao critério de
Deus e ao bem do próximo. A oração é prova de autenticidade, confronto com a verdade de nós mesmos. É encontro único com o Deus vivo na intimidade da própria consciência, é pessoal.
No “entrelaçamento de oração pública e oração pessoal” pelo qual Deus fala em nós e nós falamos a Deus (34) une-nos à Igreja, assembleia local e mistério da comunhão dos santos. A acção é exercício e fonte de esperança. Pela acção o cristão, rectamente orientado e dentro dos limites da sua falibilidade e circunstâncias, concretiza aquilo em que acredita, contribuindo para a construção deste mundo de acordo com os valores do mundo novo que espera. A acção fortalece a própria esperança e leva a esperança aos outros (35). A finitude da existência humana inclui o sofrimento como componente inevitável. Podemos limitá-lo, evitando as causas do sofrimento moral e de algum sofrimento físico, mas não está na nossa mão acabar com ele.
Haverá sempre sofrimento pela disparidade entre os nossos desejos e limites, por causa dos outros e com os outros, sofrimento como testemunho de valores maiores e inalienáveis. “Nas provações verdadeiramente graves, quando tenho de assumir a decisão definitiva de antepor a verdade ao bem-estar, à carreira e à propriedade, a certeza da verdadeira grande esperança faz-se necessária.” (39)
O triunfo dos mais fortes, a opressão dos fracos e inocentes, a violência institucionalizada, a banalidade do mal, a negação do mínimo de vida de tantos, a promoção da humilhação, da tortura e do sofrimento, mostram a injustiça das relações humanas e das estruturas que as regem. A injustiça da história apela para um juízo imparcial, para uma ordem que reponha a justiça. Nesta exigência se enxerta a aspiração a uma outra justiça, ao justo juízo de Deus, à esperança cristã. “Deus existe, e Deus sabe criar a justiça de um modo que nós não somos capazes de conceber mas que, pela fé, podemos intuir. Sim, existe a ressurreição da carne. Existe uma justiça. Existe a «revogação» do sofrimento passado, a reparação que restabelece o direito. Por isso, a fé no Juízo final é, primariamente, e sobretudo esperança – aquela esperança, cuja necessidade se tornou evidente justamente nas convulsões dos últimos séculos” (43) A esperança é confiança no Deus que vem ao nosso encontro e caminha connosco na história e que constitui a plenitude da vida, a vida eterna. Abre-nos a Deus e aos outros, promove activamente essa vida qualitativamente superior na nossa condição terrena, estimula-nos a tornar realidade a ordem justa que aspiramos e que pelo exemplo, palavra e mistério de Jesus podemos intuir. A encíclica “Salvos na esperança” ajudarnos-á a viver e a testemunhar a esperança neste tempo que é o nosso.




















