Diário da Assembleia Geral do ISCF
“Tudo o que se fizer a bem da família, por pequeno que seja é grande”. (Mons. Brás)
A Família no centro das atenções
Encontra aqui os vários artigos do Dr. Juan Ambrósio sobre a Família...
Encontro Mundial das Famílias 2015
O Vaticano apresentou dia 24 de março em conferência de imprensa o 7.º Encontro Mundial da Família, que vai decorrer de 22 a 27 de setembro de 2015 na cidade norte-americana de Filadélfia.
A saúde mental dos portugueses
Alguns dedicam-se obsessivamente aos números e às estatísticas esquecendo que a sociedade é feita de pessoas...
O trabalho, dom e direito
A sociedade portuguesa e internacional, vive uma situação de crise generalizada e de aumento das desigualdades sociais...
Longe vão os tempos
Longe vão os tempos dos preconceitos culturais em que se aceitava que era a mãe que tinha de cuidar dos filhos...
Dar esperança em tempo de crise
Vivemos tempos difíceis. A família, como célula base da sociedade, é imediatamente afetada por esta crise generalizada e que promete perdurar. Neste contexto, exige-se um novo paradigma, uma nova forma de estar e de nos relacionarmos.
31 de janeiro de 2008
30 de janeiro de 2008
Voz que clama
Desde há 48 anos que o Jornal da Família, seguindo as pegadas do seu Fundador, Mons. Brás, é essa voz que clama, mesmo em tempos de deserto e ameaças, a defesa da Instituição Familiar.
O passar dos anos não fragilizou as suas convicções, mas antes as agudiza. Quarenta e oito anos depois, pretende, gritar ainda com mais força: "Salvemos a Família, salvaremos o mundo".
Como é evidente, aos olhos de todos, o Jornal da Família continua vivo e com vigor e na sua vida estão intrincadas muitas outras vidas, a quem sentimos o dever de manifestar a nossa gratidão.
Aos Assinantes e Leitores que assiduamente nos seguem e permitem manter de pé este projecto, o nosso bem-haja.
A todos os colaboradores que, voluntariamente, nos enviam os seus artigos, defendendo e cuidando, connosco, a Causa da Família, a nossa admiração, estima e profunda gratidão.
A todas as pessoas envolvidas na divulgação do jornal, a nossa gratidão e incentivo a que continuem.
Estamos todos de parabéns e podemos orgulhar-nos porque é nobre e de grande utilidade social a causa que defendemos: a Família.
Juntemos voz, força e esforço, todos os que acreditamos no valor insubstituível da família, mais ainda, apelamos a todas as pessoas, de boa vontade, que se comprometam na divulgação desta publicação.
Conceição Vieira
28 de janeiro de 2008
24 de janeiro de 2008
Viver e testemunhar a esperança no séc. XXI
Mostrar o que é próprio do modo de ser e de estar cristão no mundo é tarefa proposta pelo magistério de Bento XVI nas suas cartas encíclicas.
Uma encíclica é um documento de carácter doutrinal dirigido pelo Papa a toda a Igreja – dos Bispos aos fiéis leigos – sobre questões de fé e prática cristã. Nas encíclicas de carácter social os Papas começaram a incluir também os “homens e mulheres do mundo inteiro”, mostrando a perspectiva humanista e universal do seu conteúdo. Uma encíclica reflecte normalmente a actualidade da
Igreja e do mundo, as circunstâncias relacionadas com a fé e a sociedade em que os cristãos vivem e também personalidade e as preocupações do Papa que a publica. Na encíclica “Deus é amor” Bento XVI fez uma leitura da mensagem e do modo de estar cristão no mundo a partir da realidade do amor, dom de Deus e chave das relações humanas. Clarifica o sentido do amor cristão nas suas várias dimensões e tira as consequências práticas para as relações humanas e sociais e reforma das estruturas políticas. Em “Salvos na esperança”, Bento XVI toma como tema outra virtude teologal: a esperança.
A esperança cristã não é a fuga para a frente perante as injustiças, sofrimentos ou dificuldades do presente, nem conformismo resignado e impotente dos fracos. A esperança apoia-se na fé no Deus presente na história, é a convicção de que com Ele a vida do homem tem sentido, tem um futuro, um futuro absoluto.
É o compromisso de acção para que o reino de Deus e a sua justiça aconteça neste mundo, torne mais fecunda a vida de cada um e mais solidárias e fraternas as relações entre todos.
Servindo-se de duas noções da moderna teoria da linguagem, o Papa esclarece que a mensagem cristã não é apenas “informativa”, transmissão de conteúdos, de uma doutrina, é “performativa”, realiza o que significa. O Evangelho é “comunicação que gera factos e muda a vida”. A esperança cristã é o começo daquele futuro absoluto em que se crê, é uma vida nova orientada para Deus cuja presença lhe dá sentido e conteúdo. O encontro com o Deus de Jesus Cristo é “performativo”. Pela fé acredito não só que Deus existe como acredito na existência de uma estrela longínqua, mas que
Deus me mostrou em Cristo o seu amor único e me abre o caminho da vida eterna. Essa vida eu a tenho já em começo, em esperança. “Quem tem esperança vive diferentemente, foi-lhe dado uma vida nova” (2) O homem não está apenas sob o domínio da natureza e das suas leis, mas também da graça, do Deus que o criou, que o redimiu, que o ama e que é o seu fim último.
A esperança abre os horizontes para a “vida eterna”, a plenitude da vida, resposta perfeita às aspirações humanas. Não a podemos explicar adequadamente em termos do conhecimento humano que é limitado, mas está presente e transforma a nossa maneira de ver e de estar com os outros no mundo. O testemunho dos santos e dos mártires mostra-nos que é um bem que supera de tal forma os bens do mundo que vale a pena por ela deixá-los ou arriscar a vida (9).
O Papa faz uma análise do processo de secularização da esperança transmutada em fé no progresso das ciências e das estruturas políticas e da deslocação da fé religiosa para o domínio do privado e do ultraterrestre.
Nem a ciência nem as revoluções comunistas ou burguesas vieram instaurar o paraíso na terra que prometiam, nem satisfizeram a busca de sentido do homem. Demonstraram sim que a felicidade, a paz e a justiça não dependem apenas da transformação das estruturas, mas da liberdade humana, do esforço moral por respeitar a dignidade de cada homem e de construir um mundo solidário. Essa é tarefa a prosseguir permanentemente tanto no plano individual como no social.
A crítica de algumas “crenças”, expressões culturais e práticas rituais relacionadas com a esperança, impõe à Igreja uma reflexão que lhes restitua a autenticidade.
À “autocrítica da idade moderna,” deve corresponder “uma autocrítica do cristianismo moderno” para “aprender sempre de novo a compreender-se a si mesmo a partir das próprias raízes” (23). O nosso conhecimento e linguagem referente às realidades espirituais e sobrenaturais serão sempre deficientes. Por isso, é preciso esclarecer e corrigir algumas visões e práticas de espiritualidade tradicionais marcadas por coordenadas culturais individualistas, intimistas e uma visão pessimista do Juízo de Deus e dos “novíssimos”. A salvação não é relação egoísta e competitiva de cada um com Deus e com os outros, nem o Juízo a vingança de Deus. Há, sem dúvida, uma aspiração de justiça e uma dimensão pessoal da esperança que tem o lastro da experiência única de cada um. Mas essa experiência processa-se numa comunidade, da qual brota, na qual se alimenta e purifica, dentro da qual se vive e compartilha. A esperança tem uma dimensão comunitária na sua origem, a comunhão com Deus e com os outros, e nas expressões em que se manifesta e testemunha ao intervir no mundo. A esperança é activa “no sentido de mantermos o mundo aberto a Deus”. É “sempre esperança também para os outros” (34). A esperança também se exercita, também se aprende. A encíclica aponta “três “lugares” de aprendizagem e de exercício da esperança”: a oração (32-34), a acção e o sofrimento (35-39), o Juízo (41-44).
“Orar não significa sair da história e retirar-se para o canto privado da própria felicidade” (33). Pelo contrário, é compartilhar na comunhão com Deus as alegrias e tristezas, as aspirações e fracassos dos homens concretos. É abrir-nos a Deus e aos outros, sujeitando os nossos pedidos ao critério de
Deus e ao bem do próximo. A oração é prova de autenticidade, confronto com a verdade de nós mesmos. É encontro único com o Deus vivo na intimidade da própria consciência, é pessoal.
No “entrelaçamento de oração pública e oração pessoal” pelo qual Deus fala em nós e nós falamos a Deus (34) une-nos à Igreja, assembleia local e mistério da comunhão dos santos. A acção é exercício e fonte de esperança. Pela acção o cristão, rectamente orientado e dentro dos limites da sua falibilidade e circunstâncias, concretiza aquilo em que acredita, contribuindo para a construção deste mundo de acordo com os valores do mundo novo que espera. A acção fortalece a própria esperança e leva a esperança aos outros (35). A finitude da existência humana inclui o sofrimento como componente inevitável. Podemos limitá-lo, evitando as causas do sofrimento moral e de algum sofrimento físico, mas não está na nossa mão acabar com ele.
Haverá sempre sofrimento pela disparidade entre os nossos desejos e limites, por causa dos outros e com os outros, sofrimento como testemunho de valores maiores e inalienáveis. “Nas provações verdadeiramente graves, quando tenho de assumir a decisão definitiva de antepor a verdade ao bem-estar, à carreira e à propriedade, a certeza da verdadeira grande esperança faz-se necessária.” (39)
O triunfo dos mais fortes, a opressão dos fracos e inocentes, a violência institucionalizada, a banalidade do mal, a negação do mínimo de vida de tantos, a promoção da humilhação, da tortura e do sofrimento, mostram a injustiça das relações humanas e das estruturas que as regem. A injustiça da história apela para um juízo imparcial, para uma ordem que reponha a justiça. Nesta exigência se enxerta a aspiração a uma outra justiça, ao justo juízo de Deus, à esperança cristã. “Deus existe, e Deus sabe criar a justiça de um modo que nós não somos capazes de conceber mas que, pela fé, podemos intuir. Sim, existe a ressurreição da carne. Existe uma justiça. Existe a «revogação» do sofrimento passado, a reparação que restabelece o direito. Por isso, a fé no Juízo final é, primariamente, e sobretudo esperança – aquela esperança, cuja necessidade se tornou evidente justamente nas convulsões dos últimos séculos” (43) A esperança é confiança no Deus que vem ao nosso encontro e caminha connosco na história e que constitui a plenitude da vida, a vida eterna. Abre-nos a Deus e aos outros, promove activamente essa vida qualitativamente superior na nossa condição terrena, estimula-nos a tornar realidade a ordem justa que aspiramos e que pelo exemplo, palavra e mistério de Jesus podemos intuir. A encíclica “Salvos na esperança” ajudarnos-á a viver e a testemunhar a esperança neste tempo que é o nosso.
22 de janeiro de 2008
O tempo da política às avessas
A política portuguesa anda ao contrário. O Governo é atacado por medidas sérias e importantes, enquanto os seus erros passam despercebidos ou até são tratados como sucessos. Como já aconteceu no passado, estamos presos numa rede de mal-entendidos.
A redução do défice, realização magna da legislatura, foi em boa medida uma triste oportunidade perdida. O efémero êxito deveu-se sobretudo à opressão da economia com impostos e dos funcionários com congelamentos de salário e carreira, quase sem mudar a estrutura. Quando estes expedientes forem levantados, como têm de ser, o buraco regressa.
O pior do Governo é um traço autoritário com razões higiénico-legalistas, escondido na apatia geral da população. Da "tolerância zero" à lei do tabaco, passando pela ASAE, DGCI e videovigilância, vivemos numa sociedade cada vez mais controlada. A obsessão regulamentar, ânsia inspectiva e corporativismo clientelar criam um clima sufocante a que poucas vozes reagem. Troca-se a liberdade pelo conforto. Que seja um Executivo socialista a administrar esta passividade burguesa é outro aspecto da política às avessas.
Ao mesmo tempo, porém, os piores ataques ao Governo vêm não de erros mas de medidas essenciais. São dois os mal-entendidos que ensombram decisões difíceis, corajosas e importantes.
O primeiro nasce da geografia e do inevitável conflito entre a visão local e nacional. Nem sempre de perto se vê melhor. É assim a co-incineração. O fecho dos centros de saúde é outro exemplo recente. Governos anteriores, por demagogia e populismo, abriram serviços sem olhar a custos ou até benefícios reais das populações. Qual o ganho de ter um centro de saúde na aldeia, aberto 24 horas por dia, só para enviar doentes ao hospital regional? Se o custo dessa miríade de centros impedir um conjunto adequado de especialistas nos tais hospitais regionais, todos perdem.
A rede de cuidados de saúde, para servir o interesse local, tem de ser planeada a nível nacional e distribuir bem os recursos pelo território. É verdade que essa decisão é sempre inquinada por bairrismos e corporações. Como se viu no aeroporto de Lisboa, estudos técnicos dão resultados conforme a encomenda. Assim, muitos fechos de unidades podem ser errados ou, pelo menos, discutíveis. Mas o elemento central do debate vem, sem dúvida, do confronto entre a miopia paroquial e a visão global. Uma vez aberto um centro de saúde, fechá-lo constitui uma afronta. Por isso se deve louvar o Governo pela coragem de tentar.
A segunda confusão vem da História. É inevitável que a mudança do mundo seja mais rápida que a das nossas ideias e teorias. Aqui o exemplo determinante é a reforma da Segurança Social. Esta geração anda muito indignada com a enorme injustiça de receber menos pensões que os pais. Mas ninguém fala na injustiça muito maior de todos morrermos muito mais tarde que eles. Porque foi esse colossal benefício que impôs a mudança nas regras das pensões. É incrível que pessoas que vão viver muito mais tempo fiquem furiosas por não as deixarem reformar mais cedo. Ainda mais tolo é, temendo pelas pensões futuras, contestar as medidas que permitirão tê-las. A maioria acreditou nos políticos quando eles dramatizaram a falência da Segurança Social, mas agora não acredita quando a mudança assegurou o futuro. Mexer nas pensões é uma medida corajosa que se deve louvar.
Estas duas políticas incompreendidas são motivos de justo orgulho do Governo. Mas, ao mesmo tempo, elas conduziram a uma das suas piores feições. Quando um ministro precisa de tomar medidas difíceis e por isso é muito contestado, acaba por se convencer de que a contestação é um sinal de sabedoria e actividade. O critério da boa governação passa a ser a dureza, não a eficácia. Assim, começando no bom caminho, entra em autismo, sem perceber que, a partir de certa altura, já são os seus erros, e não a incompreensão pública, o motivo das críticas. É essa tentação terrível que tem conduzido à obsessão regulamentar, ânsia inspectiva e corporativismo clientelar.
21 de janeiro de 2008
Pais maus

- Eu amei-vos o suficiente para ter perguntado: onde vão, com quem vão, e a que horas regressam a casa.
- Eu amei-vos o suficiente para ter insistido que juntassem o vosso dinheiro e comprassem uma bicicleta, mesmo que eu tivesse possibilidade de a comprar.
-Eu amei-vos suficiente para ter ficado em silêncio, para vos deixar descobrir que o vosso novo amigo não era boa companhia.
- Eu amei-vos o suficiente para vos obrigar a pagar a pastilha que “tiraram” da mercearia e dizerem ao dono: “ Eu roubei isto ontem e queria pagar”.
- Eu amei-vos o suficiente para ter ficado em pé, junto de vós, 2 horas, enquanto limpavam o vosso quarto (tarefa que eu teria realizado em 15 minutos).
- Eu amei-vos o suficiente para vos deixar ver: fúria, desapontamento e lágrimas nos meus olhos.
- Eu amei-vos o suficiente para vos deixar assumir a responsabilidade das vossas acções, mesmo quando as penalizações eram tão duras que me partiam o coração.
- Mais do que tudo, eu amei-vos o suficiente para vos dizer NÃO quando eu sabia que me iriam odiar por isso.
- Estou contente, venci. Porque no final, vocês venceram também. E, qualquer dia, quando os vossos filhos forem crescidos o suficiente para entenderem a lógica que motiva os Pais, irão dizer-lhes, quando eles vos perguntarem se vossos Pais eram maus... “que sim, eram maus, eram os Pais piores do mundo”.
18 de janeiro de 2008
Quem nos acode?
Cebolais de Cima, ridente povoação que se ergue a
Porém, nada disto impediu que todas as fábricas, de “cardados” e de “penteados”, fossem arrastadas para a absorvente crise de lanifícios, que se instalou por toda a Europa, com a entrada, a esmo, no mercado dos produtos têxteis, dos tecidos produzidos, a baixos preços, nos países do Leste Europeu, nomeadamente na China, onde a mão de obra é de reduzida remuneração.
No transacto mês, praticamente encerrou os seus portões, a moderna e credenciada Fábrica dos Lanifícios do Pereirinho, de Cebolais de Cima. Não ficou a dever um cêntimo a quem quer que seja, pois saldou todas as dívidas aos fornecedores, ao fisco, à Segurança Social e indemnizou os cerca de 40 operários, que ainda ali laboravam, com as compensações estabelecidas na lei laboral, pelo transtorno que este encerramento lhes iria provocar.
Com este compulsivo fecho de mais uma fábrica, mais quatro dezenas de trabalhadores e seus agregados familiares, ficam sem posto de trabalho e a respectiva remuneração mensal.
Cebolais de Cima, que era uma florescente freguesia onde chegaram a viver perto de três mil pessoas, está, neste momento, reduzida a umas centenas de habitantes, que se obstinam em ali residir, por todas as fábricas de lanifícios, que ali se encontravam instaladas, terem encerrado.
É uma profunda tristeza, mas é uma bem palpável realidade. E os cebolenses que ali tinham o seu modo de vida e que possuíam um nível de vida superior aos parisienses, agora começam a debandar e a acordar para a realidade que se vive, despertando da profunda letargia em que estiveram a hibernar. Só agora começam a ver e a avaliar a dimensão que esta crise está a tomar e os caliginosos efeitos que daí advêm, tal como a comunicação social há muito vinha alertando, embora houvesse quem tomasse estas informações como “bombásticas notícias”, nomeadamente quando se falava do desemprego que estava alastrado no nosso país e que estava subindo, em flecha, sem que nada se fizesse para obstar a esta situação. Resultado, hoje o desemprego, em Portugal, já ultrapassa os índices da nossa vizinha Espanha.
É uma situação que era inacreditável, há 20 anos atrás. A Espanha que tem uma extensão territorial de
O próprio primeiro-ministro já reconheceu esta penosa realidade, contrariando a argumentação de muitos “palradores” que já se apressavam na desvalorização desta situação. José Sócrates, honra lhe seja feita, foi peremptório, asseverando que estamos a viver um momento crítico e altamente preocupante, com esta inesperada subida do desemprego.
Honesto e consciente como é, José Sócrates, neste momento, já deve estar bastante arrependido de ter anunciado, em plena campanha eleitoral, que iria criar os tais redentores 150 mil postos de trabalho...
Afinal, razão tinha alguém quando dizia que para certos políticos, prometer era fácil e que era tão fácil ser governo e tão difícil governar...
Segundo os dados estatísticos do INE, neste momento, em Portugal os desempregados já ultrapassam os 500 mil, embora estejamos na sazonalidade do verão, quando o turismo costuma criar muitos postos de trabalho, o que faz baixar as taxas de desemprego. Ora, com tantas empresas a irem para a insolvência e outras a fecharem, como os Lanifícios do Pereirinho, em Cebolais de Cima, que encerrou por escassez de encomendas, o número de desempregados já será muito maior e o panorama de muitas famílias, cada vez mais sombrio e deveras aflitivo. Por este caminho, não virá longe o dia em que as famílias passem à indigência a espreitar as casas dos poucos remediados, para apanharem a pestana de bacalhau, à sorrelfa, que eles deitem fora...
Segundo consta, mais de vinte por cento das famílias portuguesas estão a viver endividadas. De acordo com o que há dias revelou a emissora de Rádio Difusão “Antena
Com estas novas políticas salariais, com subida constante dos impostos o que ocasionou que muitos dos reformados passassem a receber menos que auferiam o ano passado, com as taxas de juros a treparem desmesuradamente, com o Banco Central Europeu, que é quem tudo comanda, a obrigar que o défice se situe nos três por cento, com a despesa pública a aumentar, como está previsto no próximo Orçamento do Estado, as famílias portuguesas estão a ficar cada vez mais arruinadas e a viver em aflição permanente.
Consta que neste momento, já há quem se disponibilize a vender um dos seus rins para poder saldar compromissos financeiros que de outro modo não consegue resolver. Se isto é verdade, é o cúmulo...
Tudo isto tem também muito a ver com a nossa adesão à moeda única da Europa, ao Euro, o que fez desvalorizar imenso o escudo e o poder de compra. UM café, que dantes custava 50 escudos passou a ser vendido a um Euro, o que representa duzentos escudos e assim sucessivamente.
Portugal, no pretérito mês de Agosto, tinha a terceira maior taxa do desemprego, dos países da União Europeia, 8,3%, segundo o EUROSTAR. A França, situava-se nos 8,6% e a Grécia registava 8,4%. Só que segundo os últimos dados estatísticos, nestes dois países a taxa de desemprego está a decrescer, enquanto que em Portugal continua a aumentar e o Governo sem nada fazer para contrariar esta calamitosa situação.
Não haverá nenhum Governo que seja capaz de fazer regredir a despesa do Estado, quando isso seria tão fácil se reduzissem os Ministérios, se diminuíssem o número de Deputados na Assembleia da República. Se suprimissem muitos carros da luxuosa frota ao serviço dos membros do Governo?...
Era preciso que houvesse vontade política, não existissem complexos cromatológicos e os políticos pensassem mais no Povo, nesse Povo que nem sabe o que é isso do défice e só vê diminuir o seu poder de compra...
Mas estou crente que o Povo não dorme.
15 de janeiro de 2008
Paróquia de Nossa Senhora do Carmo
e Centro Cultural de Lisboa Pedro Hispano
Grandes Santos
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Dia 17 de Janeiro, quinta feira, 21.30
São Tomás de Aquino
Pe. Duarte da Cunha
No Salão Paroquial de Nossa Senhora do Carmo
(esquina da Av. Maria Helena Vieira da Silva com a R. Raul Mesnier du Ponsard)
Metro da "Quinta das Conchas"
14 de janeiro de 2008
A hora de todos

Nos últimos tempos, muito (ou)vi eu falar dos leigos. O Congresso Europeu de Paróquias descobriu (finalmente!) o lugar dos leigos; alguns bispos em intervenções públicas insistiram na promoção dos leigos; o Pe. Vítor Arantes, na revista Bíblica de Julho/Agosto fala do “desafio do laicado”, desta forma tipicamente franciscana (simples, directa e incisiva): “O Vaticano II apressou a ‘hora dos leigos’. Mas, eles serão decisivos para renovação das paróquias, se não reduzirmos a sua presença e acção a ‘paus mandados’ do clero.
Urge tornar efectiva a corresponsabilidade laical, se apostamos na renovação evangélica das comunidades cristãs” (p. 21). Por sua vez, o missionário comboniano Lorenzo Car-raro, na revista Além-Mar de Março de 2007, diz o seguinte: “Se o estatuto das mulheres precisa de ser promovido na Igreja (e precisa!), não é porque sejam mulheres mas porque são laicado. É o sacerdócio baptismal dos fiéis que tem de ser redescoberto na prática da vida da Igreja. Só desta maneira ultrapassaremos o clericalismo lento e veremos que o laicado assume as suas responsabilidades e tem o seu espaço na vida da comunidade cristã” (p. 21). Nesta mesma revista, o seu director escreve que “os ministros ordenados, os sacerdotes, vieram a faltar dramaticamente, sem que se tenha respondido com outros não ordenados” (p.3). Entretanto, o nosso Papa fala da necessidade de se procurarem “espaços novos e funções novas”, explorando as possibilidades que os ministérios não ordenados oferecem, em resposta às necessidades das comunidades cristãs. Curiosamente, por esta amostra devidamente seleccionada, quem está a fazer mais apelo aos leigos é o clero.
No essencial concordo com estas opiniões. Mas há mais. Os sinais dos tempos - que julgo muito evidentes - avisam-nos que precisamos de todos. A hora não é só dos leigos. É de todos! Dos padres, dos bispos, dos diáconos, dos religiosos, dos leigos consagrados, dos leigos “com pelouros ministeriais”, dos leigos “mais responsáveis” e “dos outros” (sem discriminação de sexo): do povo simples, com fé, mas sem responsabilidades pastorais, dos católicos não praticantes, dos sem religião, dos ateus…
É chegada a hora de acabarmos com as horas disto e daquilo: a “hora do clero” – que excedeu largamente (muito largamente mesmo) os sessenta minutos… – a “hora dos leigos”, a “hora das mulheres”, etc, etc. É chegada a hora de transformarmos todas estas horas em dias diferentes. Com mais comunhão, com mais participação, com mais convicção, com mais alegria, porque a nossa Boa Nova é fantástica e é a única que nos pode fazer progressivamente felizes (será que acreditamos mesmo nisto ou é só poesia?).
Temos todos de nos sentir mais livres, mais libertos de muitas normas, preceitos, tradições, cerimoniais protocolares, níveis hierárquicos muito estanques, obediências, submissões, reverências e irre-verências, medos.
Insistir em manter a mesma organização de antigamente, à custa da importação de padres e da acumulação de paróquias é enfiarmos a cabeça na areia e não querermos enfrentar a (nova) realidade.
E não se pense que são os leigos que vão “salvar” a Igreja. Depois de tantos séculos de submissão, de dependência, de letargia, de “paus mandados”, como poderão estar preparados para assumir adequadamente a sua “admirável vocação” (como nos diz o Concílio, há quarenta e tal anos), a par dos ministros ordenados? Como é que se tem promovido a sua corresponsa-bilidade? Tem-se levado a sério as suas sugestões, ou estas são (quase) sempre abafadas, subestimadas (pois são “leigos” nestas matérias…)? Os leigos estão presentes no órgão máximo decisor da diocese, o Conselho Episcopal? E a nível nacional, os leigos estão representados na Conferência Episcopal, a par dos bispos, de alguns padres e dos provinciais das congregações? Dois pequenos exemplos que expressam como a nossa Igreja tem alimentado (continua a alimentar) esta cultura da dependência e da submissão, quando a Igreja somos todos nós e o Baptismo nos projecta a todos para a (comum) missão de evan-gelizar.
É evidente que Igreja tem medo da(s) mudança(s), das “revoluções”, das (muitas) participações. E quando muda é muito lentamente, cheia de cautelas, não se vá de encontro a um dos 1752 cânones do Código de Direito Canónico. Sempre com medo dos excessos, das cisões, das heresias, dos escândalos. Como se a sua história, plena de clericalismo, não carregasse tudo isto…
É chegada a hora (já atrasada) de dialogarmos, rompendo com amarras que só nos afastam mais da ovelha perdida e – pior-do Evangelho.
Oxalá vejamos, este ano, sinais (bem) visíveis deste respeito igualzinho por todos, sem receios, sem atropelos, tendo em conta o espaço próprio de cada vocação.
13 de janeiro de 2008
«Jesus foi baptizado e, enquanto orava, abriu-se o Céu» Lc 3, 15-16.21-22
1. "Buscai o Senhor, enquanto se pode encontrar; invocai-O enquanto está perto" (Is 55, 6).Voltamos espiritualmente às margens do Jordão, onde João Baptista administra um baptismo de penitência, exortando à conversão. Diante do Precursor chega também Jesus, que, com a sua presença transforma aquele gesto de penitência numa solene manifestação da sua divindade. Improvisadamente ouve-se uma voz que provém do céu: "Tu és o Meu Filho muito amado, em Ti pus toda a Minha complacência" (Mc 1, 11), e o Espírito desce sobre Jesus em forma de pomba.
Naquele acontecimento extraordinário João vê realizar-se quanto fora dito a respeito do messias nascido em Belém, adorado pelos pastores e pelos Magos. É precisamente Ele o anunciado pelos Profetas, o Filho predilecto do Pai, que devemos procurar enquanto Ele se deixa encontrar, e devemos invocar enquanto está próximo de nós.
Com o Baptismo, cada cristão O encontra de modo pessoal: é inserido no mistério da sua morte e da sua ressurreição, e recebe uma vida nova, que é a mesma vida de Deus. Que grande dom e que grande responsabilidade!
Com estes sentimentos, preparo-me, como já é tradição, para administrar o sacramento do Baptismo a alguns recém-nascidos, nesta maravilhosa Capela Sistina, onde o pincel de grandes artistas representou momentos fundamentais da nossa fé. São vinte e duas as crianças provenientes na maioria da Itália, mas também da Polónia e do Líbano.
Saúdo-vos a todos vós, queridos Irmãos e Irmãs, que quisestes participar nesta sugestiva celebração. Saúdo-vos com grande afecto, de modo particular a vós, queridos pais, padrinhos e madrinhas, chamados a ser para estes pequeninos as primeiras testemunhas do dom fundamental da fé. O Senhor confia-vos, como guardas responsáveis, a sua vida que é tão preciosa aos Seus olhos. Comprometei-vos amorosamente para que cresçam "em sabedoria, estatura e graça"; ajudai-os a ser fiéis à sua vocação.
Daqui a pouco, também em seu nome, renovareis a promessa de lutar contra o mal e de aderir plenamente a Cristo. Que a vossa existência se distinga sempre por este compromisso generoso!
3. Estai também conscientes de que o Senhor vos pede uma nova e mais profunda colaboração: isto é, confia-vos a tarefa quotidiana de os acompanhar no caminho da santidade. Esforçai-vos por ser vós mesmos santos para orientar os vossos filhos para esta meta nobre da vida cristã. Não vos esqueçais de que, para ser santos, "temos necessidade de um cristianismo que se distinga, em primeiro lugar, pela arte da oração" (Carta Apostólica Novo millennio ineunte, 32).
Maria, a Santa Mãe do Redentor, que aceitou com total disponibilidade o projecto de Deus, vos ampare, alimentando a vossa esperança e o vosso desejo de servir fielmente Cristo e a sua Igreja. Oxalá Nossa Senhora ajude de maneira especial estes meninos, para que realizem totalmente o projecto que Deus tem para cada um deles. Ajude as famílias cristãs de todo o mundo a serem autênticas "escolas de oração", nas quais rezar unidos constitua cada vez mais o centro e a fonte de qualquer actividade!
11 de janeiro de 2008
Matrimónio. Uma opção definitiva?!
1º. Uma palavra conclusivaA encarnação do Verbo de Deus diz-nos muito não só acerca da condição do ser humano, como também acerca da condição de Deus. Com palavras muito nossas podemos afirmar que a encarnação nos revela simultaneamente que o ser humano é capaz de Deus e que Deus quer ser para o ser humano. Indo mesmo mais longe, e sendo mais ousados, podemos mesmo afirmar que a encarnação nos diz não só que a condição humana se tece com as linhas de Deus, mas igualmente que o Mistério de Deus se ‘tece’ também com as linhas da humanidade.
Com efeito, a fé cristã proclama que
Ao encarnar Deus diz-nos, pois, qual o horizonte que tem pensado para nós, até que ponto vai a nossa dignidade e como a leva a sério. O Mistério de Deus acontece, assim, não apesar da nossa condição humana, mas em estreita relação com essa mesma condição.
Está é para mim a grande intuição com que quero terminar a reflexão que tenho vindo a partilhar convosco ao longo deste ano: A vivência do matrimónio, em todas as suas dimensões e implicações, é oportunidade real para se fazer a experiência do Mistério de Deus. Não é «junto ao matrimónio», «ao lado do matrimónio», «por cima do matrimónio» e, muito menos «apesar do matrimónio» que essa experiência pode ser concretizada.
É no exercício efectivo da condição de ser marido e de ser mulher, com todas as implicações inerentes a essa mesma realidade repitoh, que o Mistério de Deus se revela e acontece para eles e para todos aqueles que os rodeiam. Ousar fazer este caminho é, certamente, um grande desafio, mas é ao fazê-lo que melhor podemos entender como o matrimónio é verdadeiramente uma opção definitiva.
Neste natal, tenhamos a coragem de assumir, na totalidade e verdade da vida de cada um (vida de casal para os que são casados), aquela Presença que constantemente nos suporta no ser e nos impulsiona na direcção da felicidade.
A propósito, fiz uma pequena alteração no título deste último ponto: retirei a interrogação. Certamente já tinham dado por isso. De facto, a vivência do matrimónio levanta muitas dúvidas e incertezas, mas no fim a nossa fé revela-nos como o amor, quando é alimentado, é sempre uma opção definitiva.
De mãos abertas
Testemunho: Jovens que participaram no retiro que se realizou em Dezembro passadoChegado o dia, rumo à cidade escolhida, Fátima, a palavra, ecoava continuamente dentro de nós. Estávamos inquietas, era o nosso primeiro retiro!
No Instituto Secular das Cooperadoras da Família, um grupo de jovens acompanhado por um Sacerdote, Mons. Quinteiro foi o primeiro cenário com que nos deparamos.
Dávamos o nosso primeiro passo na busca da beleza do silêncio, guiados pelas consistentes e sábias palavras daquele que nos fez analisar e ver o jovem que brota de cada um nós. Sem sombra de dúvida sentia-se no olhar de cada um o gosto pelas palavras e o brilho que elas reproduziam. Não eram só para sentir, tínhamos que as conduzir através da reflexão individual e espontânea aos nossos corações. Foi-nos apresentada a escada gratuita da vida, ignorada por uns, enfrentada por outros, a escada mais ou menos íngreme, mais ou menos firme, mais ou menos difícil de subir, a escada que nos leva a atingir a excelência, a autenticidade na fé. A força que nos move em cada degrau é o chamamento de
Jesus, Ele chama, temos que ser activos, escutá-Lo. Esta é a pura reacção da fé, que se apaga se não mantivermos acesa a nossa chama de liberdade. Contudo, o retiro tinha como principal objectivo partir para a descoberta, de quem somos, se somos jovens capazes de escutar, porquê que fomos chamados e perceber que é necessário dar seguimento para no final obter respostas.
Com todos estes objectivos cumpridos, deu-se por terminada esta experiência enriquecedora e fascinante.
Podemos então concluir, que todos nós, não queríamos que aquela experiência se fechasse àquele sítio, mas sim, espalhar e partilhar os conhecimentos que ali nos foram transmitidos, ou seja continuar a caminhada que ali nos foi ensinada, sempre de porta aberta para escutar Jesus e Maria.
Amélia e Rita
7 de janeiro de 2008
Por esta lógica, nem os Belenenses escapam… com a cruz de Cristo no peito.

“Normal”, achamos nós. “Eles são turcos. O crescente faz parte da sua identidade muçulmana”...
Não nos passaria pela cabeça exigir que os jogadores retirassem o crescente do seu emblema, alegando ofensa religiosa. Pois bem, isto mesmo aconteceu ao contrário.
Um advogado turco apresentou uma denúncia à UEFA pedindo sanções contra o Inter de Milão porque – num desafio em Istambul contra o Fenerbahce – a equipa italiana vestiu uma camisola branca com uma cruz vermelha à frente…”Uma ofensa”, diz o advogado, que recorda “as cruzadas e manifesta a superioridade racista de uma religião”.
Por causa disto o “Barça” decidiu disfarçar o seu emblema. A pequena cruz que, há mais de 100 anos, se vê no canto superior esquerdo do escudo oficial do Barcelona Futebol Clube, desapareceu dos equipamentos à venda nos países muçulmanos, “para não ferir susceptibilidades”…
Por esta lógica, nem os Belenenses escapam… com a cruz de Cristo no peito.
Por favor, “Belenenses”, não percam a identidade!
5 de janeiro de 2008
A Biblia em Família
“Desde criança conheces a Sagrada Escritura…” (2 Tim 3,15) - recorda S. Paulo a Timóteo, reconhecendo a influência do ambiente familiar no desabrochar da sua fé.A Palavra de Deus está no centro da vida cristã e constrói a comunidade como “Palavra anunciada e escutada” que conduz à conversão e alimenta a fé, como “Palavra celebrada” na liturgia e na vida sacramental da Igreja especialmente na Eucaristia, como Palavra vivida na “experiência da comunhão, da caridade e da missão” para aperfeiçoamento da vida pessoal, fortalecimento da união familiar e actuação transformadora da sociedade de acordo com os valores do Evangelho.
A dupla mesa da Palavra e do Pão fazem da Eucaristia a celebração comunitária que congrega e edifica a Igreja local. Também a igreja doméstica, a família, precisa de ter o seu encontro comunitário com a Palavra de Deus. A Sagrada Escritura lida e escutada em família pode estar no centro quer da celebração da liturgia familiar, quer do diálogo que fortalece e aprofunda as relações, purifica o olhar, esclarece e dinamiza a fé no testemunho de vida. “As pequenas comunidades na Igreja doméstica, em torno da Sagrada Escritura, reúnem os pais e os filhos. Juntos ouvem admiráveis lições de grande valor e utilidade na superação dos conflitos domésticos e na identificação do caminho a seguir. A conse-quência é a paz e a concórdia, que nascem dos ensina-mentos que emanam das páginas sagradas”(D. Eugénio Sales, Jornal do Brasil 15.09.2001).
A partilha da Palavra de Deus pode começar pelas formas mais simples de leitura comentada e aplicada num breve encontro regular da família e chegar até à reflexão profunda e metódica da “leitura orante” ou “lectio divina”. Nos tempos que correm não faltam elementos disponíveis. Há boas traduções da Bíblia, livros de iniciação e comentários acessíveis. Na Internet distribuem-se diariamente os textos bíblicos da liturgia e reflexões complementares. O importante é decidir o que fazer e pô-lo em prática.
A Liturgia da Palavra foi elaborada de tal forma que, cada dois anos, à semana, e três, ao domingo, se percorrem os principais textos da Bíblia. Segui-los diariamente tem a vantagem de cumprir esse plano e estabelecer alguma ligação com a celebração eucarística e os tempos litúrgicos, acompanhando o ritmo da vida da Igreja.
Há muitas outras formas de ler a Bíblia: sequencialmente por livros, por temas, por escolha de acordo com a situação que se vive ou deseja aclarar. A partir da Bíblia podemos viver as nossas experiências e entregar-nos confiantemente nas mãos de Deus com as palavras e os sentimentos dos seus grandes servidores a começar por Jesus.
Na leitura da Bíblia em família devem ser envolvidos todos os membros, de acordo com as suas capacidades e dons. A família pode ser a primeira escola de proclamação da Palavra de Deus, estimulando a leitura clara, articulada e reverente e a escuta atenta e reflectida. É momento de diálogo propício à reflexão e ao entendimento do sentido prático da Palavra na sua aplicação à vida. Algumas passagens serão difíceis, outras levantarão perplexidades. Há que enfrentá-las com serenidade à luz da fé, procurando o sentido justo. Alguns problemas estarão na deficiência de informação, do vocabulário, da adequação ao contexto e intencionalidade do texto bíblico.
Não se tenha medo de defrontar os problemas postos. Evite-se o simplismo dos artigos das revistas de sensação ou o zurzir de frase contra frase em polémicas estéreis. Procurem-se os apoios e referências seguras e fundamentadas que ajudem a progredir no conhecimento, no sentido e na intuição espiritual das coisas de Deus. A Bíblia não é um livro de enigmas, de histórias mágicas ou receitas morais prontas a usar. É a revelação do mistério de Deus. É também a história das respostas do homem a Deus. É para ser lida com seriedade e avidez espiritual. A Palavra de Deus é exercício e alimento da fé.
A leitura da Palavra de Deus apela para uma atitude orante. Muitos dos textos bíblicos são expressamente oração: louvor, adoração, agradecimento, súplica, pedido de perdão, escuta atenta, reverente e pronta da mensagem de Deus, diálogo amoroso ou polémico do homem com Deus. Toda a Palavra de Deus tende a suscitar a resposta do homem. Responder a Deus é oração.
A “lectio divina” é um método de leitura crente e orante da Bíblia desenvolvido e praticado pelos monges da Idade Média. Começa pela leitura atenta da palavra de Deus para entender o seu sentido e responder à questão: “que diz o texto?”. Passa em seguida à meditação que actualiza o texto às circunstâncias dos que o lêem: “que diz o texto para mim?”. A oração é a resposta à proposta de Deus contida no texto: “que me sugere esta Palavra que eu diga a Deus?”. A contemplação é o ponto de chegada da leitura da Palavra de Deus para ver o mundo e as pessoas com o olhar de Deus.
Este método que pode parecer complexo pode ser praticado a diversos níveis de profundidade, mas sempre com o mesmo objectivo: ler e aplicar a Palavra de Deus numa atitude de fé (1). Exige alguma disponibilidade de espírito e de tempo e não haverá condições para o utilizar em família, todos os dias, mas deve ser praticado periódica e regularmente para educar a sensibilidade e dar profundidade às outras modalidades de leitura.
Dois pesos duas medidas
Torna-se cada vez mais evidente, na conjuntura nacional que realidades iguais têm tratamento diferente nas políticas do governo. Os ordenados actuais, são uma evidência clara desse tratamento diferenciado. Não é justo que alguns ganhem avultados ordenados, como é o caso dos políticos e outras profissões e centenas de famílias vejam, de dia para dia os seus ordenados a definhar.Não passa despercebido a ninguém, o tratamento bem diferenciado entre escolas públicas e privadas. Porquê investir, sem grande racionalidade, milhões nas escolas públicas, só para impedir que as privadas não singrem? Não é justa esta exclusão. A pluralidade é um direito que a todos assiste e não só a alguns.
Notícias recentes revelam as avultadas dívidas do Estado aos serviços hospitalares e não só, quando a política governativa, faz um cerco cada vez mais apertado ao fisco.
Porquê tanta exigência às Instituições relativamente a planos de emergência e higiene, quando uma boa parte dos serviços públicos funcionam sem grandes condições e estão longe de satisfazer toda essa exigência que ASAE quer fazer cumprir? É a lista contínua, se quisermos. Exigência sim, mas não só para alguns. Não somos todos cidadãos com direitos e deveres idênticos?
Jesus, a grande alegria, anunciada pelos anjos, em Belém, nos ensine a ser mais solidários e mais iguais uns com os outros.
4 de janeiro de 2008
DEUS é formidável!
O Rui Miguel tem seis anos, muito vivos e cheios de imaginação. Não pára, senão para ouvir uma história, fazer ou ver algo que lhe desperte verdadeiro interesse. Gosta muito de desenhar e nos seus desenhos, sempre cheios de cor, o tema principal é, invariavelmente, o mundo mágico, povoado de superes, de todo o género, bons e maus. O Rui vivencia afinal o imaginário comum a todos os rapazinhos desta idade, que é explorado e desenvolvido pelas séries de TV, livros e brinquedos, onde prolifera uma indústria de monstros, super-monstros, heróis e super-heróis, a maior parte das vezes criados com muito pouco critério e ausência de valores éticos e até estéticos. Talvez menos vulgar é que desde há muito que o Rui imagina ele próprio os seus “monstros” e os seus “heróis”, desenhando-os expressivamente, em blocos de papel que transforma em “livros” para mostrar à família, e todos aplaudem, porque são mesmo muito engraçados. Claro que todos os seus monstros e heróis têm poderes e forças especiais, e são capazes de feitos extraordinários, como convém a um bom monstro ou herói. Por isso, o Rui não se deslumbra facilmente com super-heróis que não sejam mesmo muito competentes. Mas as crianças surpreendem-nos sempre e quem convive de perto com elas verifica que há como que um sentido inato para a Justiça, o Bem e o Belo, que só espera um pretexto para despontar. Tal como o gosto pela filosofia espontânea, o tal porquê, que é inerente a todo o ser humano, quando não é abafado pela crítica dos adultos.
Naquela tarde, desejosa que o Rui parasse de correr e saltar por um momento, fui buscar o meu livro da primeira classe, até porque ele ia, em Setembro, entrar para o seu primeiro ano de escolaridade e era um bom pretexto de conversa. O meu livro é aquele livro que existiu no ensino português durante décadas e que tinha as qualidades e os defeitos da época, marcada pelos valores do Estado Novo. Fui folheando e lendo, sobretudo a poesia, cuja musicalidade prende sempre a atenção das crianças. Guardei para o fim um poema, de que muitos na casa dos cinquenta ou sessenta anos, mais ou menos, se lembrarão, que tem por título “Foi Deus, meu amor!” e que diz assim: “Mãezinha, quem fez as árvores”;“quem pintou o azul dos céus?”; “quem fez as serras e os montes?”;“quem fez os rios e as fontes?”;“meu amorzinho, foi Deus”.“quem fez os frutos tão lindos”;“ e a graça de cada flor?”;“ quem fez os peixes do mar”;“e os passarinhos do ar?”;“ quem foi? Foi Deus, meu amor!”
E o meu Rui, que não pára um momento, parou. Ficou um tempo a olhar o espaço, com ar de filósofo compenetrado. Por fim, fixou os seus grandes olhos cor de mel nos meus e perguntou-me, muito sério: “ Foi, avó? Foi Deus quem fez tudo?” “Pois foi, Rui”, disse eu, com toda a verdade da minha alma. “Ah!” respondeu-me com ar seriamente deslumbrado: “Ah! Deus é formidável!”
Fiquei feliz. O meu rapazinho, o meu pequeno neto, tinha começado a descobrir O Super mais Super de todos os Superes.
2 de janeiro de 2008
Defender a família é construir a paz
Da Sé Catedral de Viana do Castelo, na solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus, o Prelado sublinhou que a celebração do Dia Mundial da Paz, ao longo destes quarenta anos, tem permitido à Igreja construir uma «elucidativa» doutrina em defesa deste «bem humano fundamental» centrada este ano na "Família Humana, Caminho da Paz".
À luz desta doutrina, D. José Pedreira sustentou que «tudo o que debilita a família», fundada seriamente sobre o compromisso matrimonial de um homem e uma mulher conscientes das suas responsabilidades, «constitui um impedimento objectivo no caminho da paz».
Para que tudo não se fique no «campo da contemplação» ou da «poesia das coisas», advertiu para a urgência de «fazer amadurecer nas consciências colectivas e individuais», sobretudo na consciência de cada um e dos que têm responsabilidades a nível global, que «é imprescindível uma colaboração responsável e universal».
D. José Pedreira, na homilia de Ano Novo, começou por ressaltar que a humanidade deve viver como uma família de famílias, sendo este mais pequeno reduto o espaço privilegiado onde se dão os primeiros passos e se experimentam as primeiras relações humanas.
Aparentemente, até pelas exaustivas repetições, sublinhou o Bispo de Viana, todos ouviram dizer e até acreditam que a família é a célula base e vital das «formas sociais de vida».
O grande perigo dos dias de hoje, prosseguiu, é julgarmos saber tudo ou quase sobre esta realidade e não entender nada ou quase nada sobre esta realidade, ou «pior», «fazermos tantas vezes o contrário do que acabamos de dizer».
O Bispo Diocesano disse concordar com a necessidade de lutar contra as armas mortíferas, cuidar do equilíbrio sustentável da terra, tornando-a uma casa habitável para toda a humanidade (de ontem, de hoje e de amanhã), contudo, que caminho toma esta sociedade, questionou, se «a família não vive a justiça» e se «a noção de progresso fica indefinida e não tem nome nem contornos de justiça e solidariedade».
Pegando nas palavras da mensagem que Bento XVI dirigiu à Igreja, D. José Pedreira convidou todos a tomarem «consciência mais lúcida da sua pertença comum à única família humana» e a empenharem-se numa «convivência sobre a terra» que espelhe a convicção que só com famílias felizes e bem formadas é que a humanidade pode perdoar as afrontas sofridas e caminhar em direcção ao dom da paz.
Bento XVI "A paz é um dom de Deus"
A paz "é antes de tudo um dom divino que se deve implorar constantemente e, ao mesmo tempo, um compromiso a cumprir com paciência, ficando nós sempre dóceis face às ordens do Senhor", disse o Papa na sua homilia. Ainda sobre a paz, o chefe da Igreja Católica considerou-a um "dom divino" e sublinhou que os valores da família lhe estão na base.
Mais à frente, Bento XVI defendeu que "a família natural, assente no casamento entre um homem e uma mulher" é "o berço da vida e do amor" e a "primeira e insubstituível educadora para a paz".
A Igreja católica celebra desde há 40 anos, em cada 1 de Janeiro, o "dia mundial da paz". Na sua homilia de ontem, Bento XVI apelou a que "todos os homens e mulheres tomem uma consciência cada vez mais clara de que pertencem à família humana única".
O Papa aludiu ainda à "providencial coincidência" de vários aniversários, o que permitirá fazer" um maior esforço para concretizar a paz" em 2008. Referia-se ao 60º aniversário da Declaração Universal dos Direitos do Homem, da ONU, e ao 25º aniversário da Carta dos Direitos da Família, adoptada pela Santa Sé.
Ontem também, na homilia que proferiu na igreja de Santa Isabel, o Patriarca de Lisboa, abordou a questão da paz e o caminho para a alcançar. O cardeal considerou que a Europa tem um papel insubstituível neste campo. Disse ainda que "de pouco servirão todos os esforços de progresso e de civilização, se o preço a pagar por eles for a destruição do equilíbrio equilíbrio ecológico".
















