Diário da Assembleia Geral do ISCF

“Tudo o que se fizer a bem da família, por pequeno que seja é grande”. (Mons. Brás)

A Família no centro das atenções

Encontra aqui os vários artigos do Dr. Juan Ambrósio sobre a Família...

Encontro Mundial das Famílias 2015

O Vaticano apresentou dia 24 de março em conferência de imprensa o 7.º Encontro Mundial da Família, que vai decorrer de 22 a 27 de setembro de 2015 na cidade norte-americana de Filadélfia.

A saúde mental dos portugueses

Alguns dedicam-se obsessivamente aos números e às estatísticas esquecendo que a sociedade é feita de pessoas...

O trabalho, dom e direito

A sociedade portuguesa e internacional, vive uma situação de crise generalizada e de aumento das desigualdades sociais...

Longe vão os tempos

Longe vão os tempos dos preconceitos culturais em que se aceitava que era a mãe que tinha de cuidar dos filhos...

Dar esperança em tempo de crise

Vivemos tempos difíceis. A família, como célula base da sociedade, é imediatamente afetada por esta crise generalizada e que promete perdurar. Neste contexto, exige-se um novo paradigma, uma nova forma de estar e de nos relacionarmos.

7 de janeiro de 2008

Por esta lógica, nem os Belenenses escapam… com a cruz de Cristo no peito.


Imaginem um desafio de futebol, em Lisboa, integrado na Liga dos Campeões, com uma equipa turca. E que os jogadores dessa equipa – como é óbvio – têm no equipamento o emblema do clube, com um crescente.
“Normal”, achamos nós. “Eles são turcos. O crescente faz parte da sua identidade muçulmana”...
Não nos passaria pela cabeça exigir que os jogadores retirassem o crescente do seu emblema, alegando ofensa religiosa. Pois bem, isto mesmo aconteceu ao contrário.
Um advogado turco apresentou uma denúncia à UEFA pedindo sanções contra o Inter de Milão porque – num desafio em Istambul contra o Fenerbahce – a equipa italiana vestiu uma camisola branca com uma cruz vermelha à frente…”Uma ofensa”, diz o advogado, que recorda “as cruzadas e manifesta a superioridade racista de uma religião”.
Por causa disto o “Barça” decidiu disfarçar o seu emblema. A pequena cruz que, há mais de 100 anos, se vê no canto superior esquerdo do escudo oficial do Barcelona Futebol Clube, desapareceu dos equipamentos à venda nos países muçulmanos, “para não ferir susceptibilidades”…
Por esta lógica, nem os Belenenses escapam… com a cruz de Cristo no peito.
Por favor, “Belenenses”, não percam a identidade!

Aura Miguel - Opinião RR

5 de janeiro de 2008

A Biblia em Família

“Desde criança conheces a Sagrada Escritura…” (2 Tim 3,15) - recorda S. Paulo a Timóteo, reconhecendo a influência do ambiente familiar no desabrochar da sua fé.Sempre a família foi pólo fundamental da vida cristã e tanto mais quanto em ambiente hostil ou indiferente. Assim aconteceu na Igreja primitiva, reunida pelas casas (Act 2,46), em comunidades longamente isoladas, no Oriente, e modernamente, nos países dominados pelo comunismo ou islamismo, sem liberdade de culto. A principal tradição de Natal dos cristãos do Iraque é a leitura da Bíblia em família.
A Palavra de Deus está no centro da vida cristã e constrói a comunidade como “Palavra anunciada e escutada” que conduz à conversão e alimenta a fé, como “Palavra celebrada” na liturgia e na vida sacramental da Igreja especialmente na Eucaristia, como Palavra vivida na “experiência da comunhão, da caridade e da missão” para aperfeiçoamento da vida pessoal, fortalecimento da união familiar e actuação transformadora da sociedade de acordo com os valores do Evangelho.
A dupla mesa da Palavra e do Pão fazem da Eucaristia a celebração comunitária que congrega e edifica a Igreja local. Também a igreja doméstica, a família, precisa de ter o seu encontro comunitário com a Palavra de Deus. A Sagrada Escritura lida e escutada em família pode estar no centro quer da celebração da liturgia familiar, quer do diálogo que fortalece e aprofunda as relações, purifica o olhar, esclarece e dinamiza a fé no testemunho de vida. “As pequenas comunidades na Igreja doméstica, em torno da Sagrada Escritura, reúnem os pais e os filhos. Juntos ouvem admiráveis lições de grande valor e utilidade na superação dos conflitos domésticos e na identificação do caminho a seguir. A conse-quência é a paz e a concórdia, que nascem dos ensina-mentos que emanam das páginas sagradas”(D. Eugénio Sales, Jornal do Brasil 15.09.2001).
A partilha da Palavra de Deus pode começar pelas formas mais simples de leitura comentada e aplicada num breve encontro regular da família e chegar até à reflexão profunda e metódica da “leitura orante” ou “lectio divina”. Nos tempos que correm não faltam elementos disponíveis. Há boas traduções da Bíblia, livros de iniciação e comentários acessíveis. Na Internet distribuem-se diariamente os textos bíblicos da liturgia e reflexões complementares. O importante é decidir o que fazer e pô-lo em prática.
A Liturgia da Palavra foi elaborada de tal forma que, cada dois anos, à semana, e três, ao domingo, se percorrem os principais textos da Bíblia. Segui-los diariamente tem a vantagem de cumprir esse plano e estabelecer alguma ligação com a celebração eucarística e os tempos litúrgicos, acompanhando o ritmo da vida da Igreja.
Há muitas outras formas de ler a Bíblia: sequencialmente por livros, por temas, por escolha de acordo com a situação que se vive ou deseja aclarar. A partir da Bíblia podemos viver as nossas experiências e entregar-nos confiantemente nas mãos de Deus com as palavras e os sentimentos dos seus grandes servidores a começar por Jesus.
Na leitura da Bíblia em família devem ser envolvidos todos os membros, de acordo com as suas capacidades e dons. A família pode ser a primeira escola de proclamação da Palavra de Deus, estimulando a leitura clara, articulada e reverente e a escuta atenta e reflectida. É momento de diálogo propício à reflexão e ao entendimento do sentido prático da Palavra na sua aplicação à vida. Algumas passagens serão difíceis, outras levantarão perplexidades. Há que enfrentá-las com serenidade à luz da fé, procurando o sentido justo. Alguns problemas estarão na deficiência de informação, do vocabulário, da adequação ao contexto e intencionalidade do texto bíblico.
Não se tenha medo de defrontar os problemas postos. Evite-se o simplismo dos artigos das revistas de sensação ou o zurzir de frase contra frase em polémicas estéreis. Procurem-se os apoios e referências seguras e fundamentadas que ajudem a progredir no conhecimento, no sentido e na intuição espiritual das coisas de Deus. A Bíblia não é um livro de enigmas, de histórias mágicas ou receitas morais prontas a usar. É a revelação do mistério de Deus. É também a história das respostas do homem a Deus. É para ser lida com seriedade e avidez espiritual. A Palavra de Deus é exercício e alimento da fé.
A leitura da Palavra de Deus apela para uma atitude orante. Muitos dos textos bíblicos são expressamente oração: louvor, adoração, agradecimento, súplica, pedido de perdão, escuta atenta, reverente e pronta da mensagem de Deus, diálogo amoroso ou polémico do homem com Deus. Toda a Palavra de Deus tende a suscitar a resposta do homem. Responder a Deus é oração.
A “lectio divina” é um método de leitura crente e orante da Bíblia desenvolvido e praticado pelos monges da Idade Média. Começa pela leitura atenta da palavra de Deus para entender o seu sentido e responder à questão: “que diz o texto?”. Passa em seguida à meditação que actualiza o texto às circunstâncias dos que o lêem: “que diz o texto para mim?”. A oração é a resposta à proposta de Deus contida no texto: “que me sugere esta Palavra que eu diga a Deus?”. A contemplação é o ponto de chegada da leitura da Palavra de Deus para ver o mundo e as pessoas com o olhar de Deus.
Este método que pode parecer complexo pode ser praticado a diversos níveis de profundidade, mas sempre com o mesmo objectivo: ler e aplicar a Palavra de Deus numa atitude de fé (1). Exige alguma disponibilidade de espírito e de tempo e não haverá condições para o utilizar em família, todos os dias, mas deve ser praticado periódica e regularmente para educar a sensibilidade e dar profundidade às outras modalidades de leitura.


por Octávio Gil Morgadinho - colaborador do Jornal da Família

Dois pesos duas medidas

Torna-se cada vez mais evidente, na conjuntura nacional que realidades iguais têm tratamento diferente nas políticas do governo. Os ordenados actuais, são uma evidência clara desse tratamento diferenciado. Não é justo que alguns ganhem avultados ordenados, como é o caso dos políticos e outras profissões e centenas de famílias vejam, de dia para dia os seus ordenados a definhar.
Não passa despercebido a ninguém, o tratamento bem diferenciado entre escolas públicas e privadas. Porquê investir, sem grande racionalidade, milhões nas escolas públicas, só para impedir que as privadas não singrem? Não é justa esta exclusão. A pluralidade é um direito que a todos assiste e não só a alguns.
Notícias recentes revelam as avultadas dívidas do Estado aos serviços hospitalares e não só, quando a política governativa, faz um cerco cada vez mais apertado ao fisco.
Porquê tanta exigência às Instituições relativamente a planos de emergência e higiene, quando uma boa parte dos serviços públicos funcionam sem grandes condições e estão longe de satisfazer toda essa exigência que ASAE quer fazer cumprir? É a lista contínua, se quisermos. Exigência sim, mas não só para alguns. Não somos todos cidadãos com direitos e deveres idênticos?
Jesus, a grande alegria, anunciada pelos anjos, em Belém, nos ensine a ser mais solidários e mais iguais uns com os outros.
Conceição Vieira - Redacção do Jornal da Família

4 de janeiro de 2008

DEUS é formidável!

O Rui Miguel tem seis anos, muito vivos e cheios de imaginação. Não pára, senão para ouvir uma história, fazer ou ver algo que lhe desperte verdadeiro interesse. Gosta muito de desenhar e nos seus desenhos, sempre cheios de cor, o tema principal é, invariavelmente, o mundo mágico, povoado de superes, de todo o género, bons e maus. O Rui vivencia afinal o imaginário comum a todos os rapazinhos desta idade, que é explorado e desenvolvido pelas séries de TV, livros e brinquedos, onde prolifera uma indústria de monstros, super-monstros, heróis e super-heróis, a maior parte das vezes criados com muito pouco critério e ausência de valores éticos e até estéticos. Talvez menos vulgar é que desde há muito que o Rui imagina ele próprio os seus “monstros” e os seus “heróis”, desenhando-os expressivamente, em blocos de papel que transforma em “livros” para mostrar à família, e todos aplaudem, porque são mesmo muito engraçados. Claro que todos os seus monstros e heróis têm poderes e forças especiais, e são capazes de feitos extraordinários, como convém a um bom monstro ou herói. Por isso, o Rui não se deslumbra facilmente com super-heróis que não sejam mesmo muito competentes. Mas as crianças surpreendem-nos sempre e quem convive de perto com elas verifica que há como que um sentido inato para a Justiça, o Bem e o Belo, que só espera um pretexto para despontar. Tal como o gosto pela filosofia espontânea, o tal porquê, que é inerente a todo o ser humano, quando não é abafado pela crítica dos adultos.
Naquela tarde, desejosa que o Rui parasse de correr e saltar por um momento, fui buscar o meu livro da primeira classe, até porque ele ia, em Setembro, entrar para o seu primeiro ano de escolaridade e era um bom pretexto de conversa. O meu livro é aquele livro que existiu no ensino português durante décadas e que tinha as qualidades e os defeitos da época, marcada pelos valores do Estado Novo. Fui folheando e lendo, sobretudo a poesia, cuja musicalidade prende sempre a atenção das crianças. Guardei para o fim um poema, de que muitos na casa dos cinquenta ou sessenta anos, mais ou menos, se lembrarão, que tem por título “Foi Deus, meu amor!” e que diz assim: “Mãezinha, quem fez as árvores”;“quem pintou o azul dos céus?”; “quem fez as serras e os montes?”;“quem fez os rios e as fontes?”;“meu amorzinho, foi Deus”.“quem fez os frutos tão lindos”;“ e a graça de cada flor?”;“ quem fez os peixes do mar”;“e os passarinhos do ar?”;“ quem foi? Foi Deus, meu amor!”
E o meu Rui, que não pára um momento, parou. Ficou um tempo a olhar o espaço, com ar de filósofo compenetrado. Por fim, fixou os seus grandes olhos cor de mel nos meus e perguntou-me, muito sério: “ Foi, avó? Foi Deus quem fez tudo?” “Pois foi, Rui”, disse eu, com toda a verdade da minha alma. “Ah!” respondeu-me com ar seriamente deslumbrado: “Ah! Deus é formidável!”
Fiquei feliz. O meu rapazinho, o meu pequeno neto, tinha começado a descobrir O Super mais Super de todos os Superes.

por Fernanda Ruaz - colaboradora do Jornal da Família

2 de janeiro de 2008

Defender a família é construir a paz

D. José Pedreira, no primeiro dia do novo ano, denunciou a hipocrisia que graça na humanidade que diz defender a paz mundial, mas, ao mesmo tempo, nega ou restringe dos Direitos da Família colocando, assim, em perigo os próprios fundamentos ou alicerces da paz.

Da Sé Catedral de Viana do Castelo, na solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus, o Prelado sublinhou que a celebração do Dia Mundial da Paz, ao longo destes quarenta anos, tem permitido à Igreja construir uma «elucidativa» doutrina em defesa deste «bem humano fundamental» centrada este ano na "Família Humana, Caminho da Paz".

À luz desta doutrina, D. José Pedreira sustentou que «tudo o que debilita a família», fundada seriamente sobre o compromisso matrimonial de um homem e uma mulher conscientes das suas responsabilidades, «constitui um impedimento objectivo no caminho da paz».

Para que tudo não se fique no «campo da contemplação» ou da «poesia das coisas», advertiu para a urgência de «fazer amadurecer nas consciências colectivas e individuais», sobretudo na consciência de cada um e dos que têm responsabilidades a nível global, que «é imprescindível uma colaboração responsável e universal».

D. José Pedreira, na homilia de Ano Novo, começou por ressaltar que a humanidade deve viver como uma família de famílias, sendo este mais pequeno reduto o espaço privilegiado onde se dão os primeiros passos e se experimentam as primeiras relações humanas.

Aparentemente, até pelas exaustivas repetições, sublinhou o Bispo de Viana, todos ouviram dizer e até acreditam que a família é a célula base e vital das «formas sociais de vida».

O grande perigo dos dias de hoje, prosseguiu, é julgarmos saber tudo ou quase sobre esta realidade e não entender nada ou quase nada sobre esta realidade, ou «pior», «fazermos tantas vezes o contrário do que acabamos de dizer».

O Bispo Diocesano disse concordar com a necessidade de lutar contra as armas mortíferas, cuidar do equilíbrio sustentável da terra, tornando-a uma casa habitável para toda a humanidade (de ontem, de hoje e de amanhã), contudo, que caminho toma esta sociedade, questionou, se «a família não vive a justiça» e se «a noção de progresso fica indefinida e não tem nome nem contornos de justiça e solidariedade».

Pegando nas palavras da mensagem que Bento XVI dirigiu à Igreja, D. José Pedreira convidou todos a tomarem «consciência mais lúcida da sua pertença comum à única família humana» e a empenharem-se numa «convivência sobre a terra» que espelhe a convicção que só com famílias felizes e bem formadas é que a humanidade pode perdoar as afrontas sofridas e caminhar em direcção ao dom da paz.

D. José Pedreira, Bispo de Viana do Castelo

Bento XVI "A paz é um dom de Deus"

O Papa Bento XVI afirmou ontem, na mensagem de Ano Novo, que a paz "não é uma simples conquista do homem ou fruto de acordos políticos", mas "antes de mais um dom divino". Durante uma missa perante o corpo diplomático acreditado na Santa Sé, o Papa assumiu também a defesa da família"natural" como "primeira educadora da paz". "Quem ataca, mesmo inconscientemente, a instituição familiar fragiliza a paz", acrescentou Bento XVI pouco depois durante a oração do Angelus perante os milhares de fiéis que enchiam a Praça de S. Pedro.

A paz "é antes de tudo um dom divino que se deve implorar constantemente e, ao mesmo tempo, um compromiso a cumprir com paciência, ficando nós sempre dóceis face às ordens do Senhor", disse o Papa na sua homilia. Ainda sobre a paz, o chefe da Igreja Católica considerou-a um "dom divino" e sublinhou que os valores da família lhe estão na base.

Mais à frente, Bento XVI defendeu que "a família natural, assente no casamento entre um homem e uma mulher" é "o berço da vida e do amor" e a "primeira e insubstituível educadora para a paz".

A Igreja católica celebra desde há 40 anos, em cada 1 de Janeiro, o "dia mundial da paz". Na sua homilia de ontem, Bento XVI apelou a que "todos os homens e mulheres tomem uma consciência cada vez mais clara de que pertencem à família humana única".

O Papa aludiu ainda à "providencial coincidência" de vários aniversários, o que permitirá fazer" um maior esforço para concretizar a paz" em 2008. Referia-se ao 60º aniversário da Declaração Universal dos Direitos do Homem, da ONU, e ao 25º aniversário da Carta dos Direitos da Família, adoptada pela Santa Sé.

Ontem também, na homilia que proferiu na igreja de Santa Isabel, o Patriarca de Lisboa, abordou a questão da paz e o caminho para a alcançar. O cardeal considerou que a Europa tem um papel insubstituível neste campo. Disse ainda que "de pouco servirão todos os esforços de progresso e de civilização, se o preço a pagar por eles for a destruição do equilíbrio equilíbrio ecológico".

in Jornal de Notícias

31 de dezembro de 2007

A economia, o poder e o cinismo

Toda a gente sabe que a economia é a força mais poderosa do mundo. O dinheiro manda e só a riqueza conta. Mas o que toda a gente sabe costuma ser um grão de verdade embrulhado em disparates.
No tempo da globalização e tecnologia, finanças e Internet, quem mais ordena é a economia. A explicação para divórcios e traições, esforços e carreiras, políticas e guerras são os interesses monetários e produtivos. Todos vivemos debaixo da lei da procura e oferta e o mundo está dominado por interesses, negociatas, multinacionais.
Esta tese é mais difícil de justificar do que parece. Um princípio básico da economia, a "lei da utilidade marginal decrescente", diz que quanto mais temos, menos o valorizamos. Só a escassez faz subir o valor. Como vivemos a maior prosperidade de sempre, a própria ciência económica ensina que seria de esperar menor preocupação com o dinheiro. Afinal, quem tem fome é que vive obcecado com isso. Como pode este tempo ser mais, e não menos, dirigido pela economia?
Há quem pense que o dinheiro está isento dessa lei. Aristóteles, por exemplo, dizia que o dinheiro tem algo de especial: "Uma vez inventada a moeda por causa das necessidades da troca, nasce uma outra forma de arte de adquirir, a forma comercial, (...) que procura o maior lucro possível" (Política 1257b.1-5). Essa nova "arte de adquirir" tem a característica de corromper todas as outras actividades: "A coragem (...) a estratégia ou a medicina, o seu fim não é fazer dinheiro mas dar a vitória ou a saúde. No entanto, essas pessoas tornam tudo isso objectos de especulação, na ideia de que essa é a finalidade e que é preciso dirigir tudo para esse fim" (1258a.13-14). Assim, a moeda cria uma acumulação sem limites (1257b.25), ligada ao "desejo de viver que não tem limite" (1257b.40).
Se o amor ao dinheiro é sem limite e não está sujeito às leis dos outros bens, confirma--se a explicação comum. Mas uma outra constatação gera muitas dúvidas. Quando alguém afirma que o dinheiro faz andar o mundo, vale a pena perguntar-lhe se ele próprio também é assim; se ele é tão mesquinho, interesseiro e ganancioso como diz ser o mundo. Em geral a resposta é negativa. Os outros são materialistas e ambiciosos, mas ele ama a sua família e amigos, pretende alegria e paz planetária, gosta de arte e meditação. Devemos sempre desconfiar de teorias sobre a natureza humana cujos próprios autores não aplicam ao único ser que conhecem bem: eles mesmos.
A verdade é que a amizade, a fé, orgulho, medo, curiosidade, patriotismo e tantas outras motivações contam hoje tanto ou mais que a simples riqueza. Afinal o nosso tempo não é muito diferente dos anteriores. A natureza humana evolui muito mais devagar que o desenvolvimento social. Claro que os interesses pecuniários têm grande poder, hoje como sempre. Mas o facto de serem em geral disfarçados, hoje como sempre, mostra não serem assim tão dominantes. Existem alguns sem-vergonha de apregoar que "a ganância é boa", como o especulador Ivan Boesky (discurso na escola de Gestão da UC Berkeley, 18 de Maio de 1986) ou o seu homólogo Gordon Gekko no filme Wall Street (Oliver Stone, 1987). Em geral acabam na cadeia.
Uma coisa mudou porém: hoje estamos mesmo convencidos de que a economia manda, coisa que os séculos anteriores não pensavam. De onde veio isto? Trata-se da única herança que resta de uma das teorias mais influentes no século passado. A "concepção materialista da História", chamando a atenção para a influência da infra-estrutura produtiva na evolução da sociedade, foi um dos maiores contributos do grande génio que foi Karl Marx. Mas, como tudo, a absolutização dessa explicação cai em erros enormes. A economia é relevante, mas não exclusiva.
Hoje, quando o materialismo dialéctico está na estante das teorias clássicas, ainda há muita gente que, mesmo abominando o comunismo, continua a aderir inconscientemente ao seu postulado mais básico. Cada vez que se diz que a economia manda no mundo está a ser-se marxista. A ideologia morreu; só ficou o cinismo.


por João César das Neves

25 de dezembro de 2007

Conto de Natal

Um dia olhei à volta e vi o mundo como nunca vira. A realidade é uma floresta. Eu parecia estar em cima de uma árvore, no meio de muitos ramos grossos e frondosos, folhas, rebentos e frutos. Toda a minha actividade desenrola-se por entre esta folhagem. O meu trabalho e azáfama, os meus desejos e frustrações, todas as minhas viagens, correrias, tarefas e divertimentos têm lugar nas copas de um denso bosque. Vi as ruas e casas, salas e corredores formados do material vegetal da selva. Reencontrei todos os meus colegas e conhecidos, amigos e familiares, cada um na sua labuta, todos fazendo tudo equilibrados nos troncos, ramos, folhas e caules daquele espesso arvoredo. Tornou-se então clara a natureza da minha existência, que antes sempre me tinha perturbado. A permanente insegurança da realidade humana fica compreensível se soubermos que vivemos no topo ondulante de um bosque batido pelo vento. Os obstáculos que sentimos no quotidiano, a confusão e incerteza do nosso destino, ficam subitamente claros. É difícil ver através das hastes e folhas. É penoso mover-se por entre caules, lianas e trepadeiras. Vivendo no topo de uma floresta, é evidente a razão por que as coisas não andam como queremos.Então, olhando para baixo, tive um sobressalto. Os ramos onde vivo estão suspensos muitos metros acima de um nevoeiro cerrado que parece cobrir um pântano. O cheiro nauseabundo, o chapinhar e os roncos medonhos que de lá sobem são apavorantes. Entrevêem-se cristas escamosas, focinhos monstruosos. A nossa vida precária baloiça-se por cima de um atoleiro repugnante e sangrento. A vida humana titubeia sobre o abismo. Ninguém parece dar-se conta da situação. Alguns filósofos meditam sobre isto, ouvem-se muitas histórias de incautos engolidos pelo lamaçal. Mas sente-se um esforço colectivo para ignorar a realidade e esquecer a ameaça. Todos se agarram com força aos ramos e contentam-se com a vidinha, intensa ou pacata, no meio das folhas. De olhos finalmente abertos, senti que não conseguia mais permanecer naquele lugar. Como podia deixar escoar a minha vida num matagal frágil por cima da catástrofe? Como achar isso normal, corrente, tolerável?Foi então que reparei numa grande luz que vinha do Oriente. Por entre a folhagem entrevi um clarão que não parecia apagar-se. Corri pelo meio dos troncos e cheguei à margem do pântano onde, de uma enorme muralha dourada e brilhante, partia a luz. Não consegui ver o topo daquela parede imponente, feita de grandes blocos de pedra. De ambos os lados não se vislumbravam os extremos . Era imensa.Vi então que entre a muralha e o arvoredo do pântano havia uma estreita faixa de areia onde se encontrava uma pequena multidão. Desci da árvore e perguntei o que era aquilo. Disseram-me que era o muro da cidade das delícias, onde se vive feliz para sempre. Julguei que a muralha era para manter longe os invasores, mas um velho explicou: "Não foram os habitantes da cidade que fizeram o muro. Fomos nós, forçados pelo dragão que vive no meio do pântano." Este paradoxo era o tema de conversa de toda aquela gente, que queria passar sobre a muralha luminosa. Alguns diziam ter recebido mensagens do Senhor da cidade e saber como fazer uma escada. Asseguravam que a subida viria do esforço e sacrifício. Outros falavam de meditação ou repetiam leis e cultos para saltar o obstáculo.Eu perguntei: "Já se lembraram de procurar uma porta?" Olharam para mim com desprezo e um respondeu: "Se és dos que acreditam que há uma porta, vai para ali ter com os teus amigos." Então reparei que, um pouco mais adiante, havia na praia um grande grupo que parecia olhar todo para um mesmo local. Aproximei-me e notei uma outra multidão, semelhante à primeira. Mas esta estava a cantar. Naquela zona a base da muralha escurecia e parecia abrir uma espécie de caverna. Era para ali que toda aquela gente olhava. De dentro vinha uma luz ainda mais forte que a que saía das pedras do muro. Pareceu-me ouvir, vindo da gruta, o som de uma criança a chorar.
por João César das Neves

21 de dezembro de 2007

Uma prenda de Natal


Vale a pena voltar à esperança. Tenho alguma dificuldade em chamar-lhe documento papal. Mas é mais que a meditação ascética, dissertação teológica ou resto de sebenta duma aula longínqua. Penso que esta escrita é como uma tenda onde todos nos podemos albergar, fatigados de caminhos percorridos e temerosos pelos que há a percorrer. Raramente um documento pontifício tem uma dimensão tão profunda, humana, próxima, interessante, sem deixar de ser teológica, ascética, subtil e fraterna. O Papa envolve-se na nossa aventura de fé recheada de perguntas mas com uma saída muito para além dos trilhos convencionais da doutrina, e das exortações. Parece que uma plêiade de homens e mulheres, crentes ou não, foi evocada com textos profundos e próximos, mitológicos e reais, divinos e humanos.

Não é tarefa fácil viajar no meio desta espécie de labirinto onde nunca se perde o sentido do homem, da história, da fé e de Deus. Sempre com a espada da palavra no corte certeiro de cada indecisão. Estranhos autores, exemplos raros, citações surpreendentes, poemas, fragmentos de sermões, filósofos, teólogos, ascetas, numa aparente complexidade reservada à leitura de poucos. Mas um texto que merece ser lido por todos mesmo que à primeira se não entenda tudo. Há de permeio chaves da vida, da morte, da fé, tudo por causa duma esperança que ilumina os fios da história que parece em rotura.

Atrevo-me a propor, como desafio e provocação, esta segunda encíclica de Bento XVI como oferta privilegiada de Natal. Acessível no preço, simples na apresentação, leve de transportar, sem exigir embalagem especial. Dá direito a saltar duas, três, dez linhas. E a seu tempo voltar atrás para as compreender e cada qual compreender melhor a vida. E que venham, no Ano novo, comentários, esclarecimentos, críticas, aplicações, retiros, palestras, teses, mestrados. Ninguém fica de fora porque não há nada lá que não diga respeito à vida de cada um de nós. E à morte. É à luz perpétua como estrela de Natal sobre as nossas frontes. Exacto. É uma luz plural. Ninguém possui, só, nem virtude nem pecado. Posso citar um pouco?: “Ninguém vive só. Ninguém peca sozinho. Ninguém se salva sozinho. Continuamente entra na minha existência a vida dos outros: naquilo que penso, digo, faço, realizo. E, vice-versa, a minha vida entra na dos outros: tanto para o mal como para o bem… A nossa esperança é sempre essencialmente também esperança para os outros; só assim é verdadeiramente esperança também para mim. Como cristãos não basta perguntarmos: como posso salvar-me a mim mesmo? Devemos antes perguntar-nos: o que posso fazer a fim de que os outros sejam salvos e nasça também para eles a estrela da esperança?” (Spe Salvi n.48)

A ler. Sem pressa. E a oferecer.

António Rego

17 de dezembro de 2007

Paróquia de Nossa Senhora do Carmo

e Centro Cultural de Lisboa Pedro Hispano

Os Grandes Santos
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Dia 20 de Dezembro, Quinta-feira, 21.30

São Bernardo

com
João César das Neves

No Salão Paroquial

(esquina da Av. Maria Helena Vieira da Silva com a R. Raul Mesnier du Ponsard)
Metro da "Quinta das Conchas"


São Bernardo tem uma história impressionante e de enorme actualidade. Um jovem que descobriu que acreditar em Deus implicava um "tudo ou nada", entrou no Mosteiro de Cister com mais de 30 amigos e parentes que ele conseguiu atrair, tornou-se o grande impulsionador da difusão da Reforma de Cister, de onde vieram dezenas de Mosteiros (por ex. Alcobaça). Grande Místico, com meditações de uma profundidade ímpar, mas muito realista e consciente da importância duma organização social e política cristã, e da existência duma Europa chamada a defender a fé Católica.
Nestes dias antes do Natal conhecer este Santo é escolher a sua companhia para viver bem estes dias.

14 de dezembro de 2007

13 de dezembro de 2007


Projecto integrado na ONGD – Leigos para o Desenvolvimento

ABRACE ESTE PROJECTO

SEJA VOLUNTÁRIO

Apoiamos alunos imigrantes nas disciplinas do ensino secundário (10º/11º/12º) e ensino superior através de explicações em regime de voluntariado.

1 hora do seu tempo por semana é uma grande

ajuda para estes alunos…

Entre em contacto connosco 21 757 91 38

96 849 23 80





10 de dezembro de 2007

Retiro para Jovens (clica aqui para fazeres a tua inscrição)

No próximo fim de semana, dias 15 e 16 de Dezembro, realizar-se-á um retiro de Jovens, em Fátima.
É uma experiência única que não deve ser deixada de se vivenciar. Marca na tua agenda...
Inscreve-te já!!!

5 de dezembro de 2007

Projecto FIDE - OYÉ - Cabinda

As Cooperadoras da Família, residentes em Malembo/Cabinda no intuito de melhor responder às necessidades das Famílias pretendem implementar o Projecto FIDE (Formação, Integração, Desenvolvimento, Evangelização). Este Projecto tem como objectivo a Formação em ordem à Integração, Desenvolvimento e Evangelização das famílias de Cabinda. Mas a viabilidade e a execução deste projecto – FIDE – reclamam a construção de uma sede própria, com o mínimo de condições adequadas às actividades a realizar, o mais próximo possível das pessoas, que se concentram nos subúrbios da cidade. No Local onde trabalhamos presentemente as pessoas estão todas muito dispersas, Malembo, é demasiado pequeno e dista da cidade cerca de 35 km, embora haja uma série de aldeias para o interior, só que não há transportes, nem outros meios de que as pessoas possam dispor para virem até nós, ou nós irmos até elas. Graças a Deus possuímos já um “bom” terreno, cerca de 4/5 km da cidade, num local que julgámos ser ideal para implementarmos aí a Escola de Formação Familiar Profissional, voltada para as Artes e Ciências de Serviço à Família, bem como um espaço de apoio social, às jovens, em regime temporário e/ou em discernimento vocacional, porque o ambiente social e familiar não ajuda nada este aspecto importante da vida das pessoas e das instituições.

3 de dezembro de 2007

Spe salvi • Salvos na esperança. Segunda Carta Encíclica de S.S. Bento XVI

A “redenção”, a salvação, segundo a fé cristã, não é um simples dado de facto. A redenção é-nos oferecida no sentido que nos foi dada a esperança, uma esperança fidedigna, graças à qual podemos enfrentar o nosso tempo: o presente, ainda que custoso, pode ser vivido e aceite se levar a uma meta e se pudermos estar seguros desta meta, se esta meta for tão grande que justifique a canseira do caminho.

1 de dezembro de 2007

Abuso de poder corporativo ou abuso de poder ministerial?

Por Luís Brito Correia

Não queremos que os nossos netos nos condenem pelo holocausto dos fetos

O prof. Vital Moreira, conhecido defensor da despenalização do aborto, veio defender, no PÚBLICO de 20/11/2007, que os médicos que consideram eticamente inaceitável a prática do aborto não podem "impor oficialmente os seus padrões de ética profissional aos demais profissionais que não compartilham desses valores e não desejam deixar de cumprir as suas obrigações profissionais"; que "nenhuma ordem profissional pode considerar infracção disciplinar a prática de actos profissionais não só lícitos mas mesmo profissionalmente devidos (salvo objecção de consciência)"; que a recusa da Ordem dos Médicos a adaptar o seu código deontológico à lei "é inaceitável", é um "intolerável desafio à primazia da lei e do Estado de direito", é um "abuso de poder corporativo".
Com este discurso, esquece o ilustre constitucionalista que a Constituição continua a dispor que "a vida humana é inviolável" (art. 24.º). Obviamente, a vida humana deve ser protegida desde que existe vida humana. Há alguns (poucos) médicos que dizem que têm dúvidas sobre se o embrião (até às 8 semanas) é um ser humano; mas nenhum médico conseguiu provar que o ser resultante da fecundação (ou concepção) não tem vida (como poderia, se as células se multiplicam a uma velocidade espantosa?) nem que esse ser vivo não é humano: como poderia, se passadas poucas semanas o é, inequivocamente? Mudou de natureza? Em que momento e porquê? Ou seja, todos os médicos sabem, hoje, que o aborto equivale a matar um ser humano.
E todos os médicos sabem, hoje, que a chamada "interrupção voluntária da gravidez" causa, frequentemente, sofrimentos à mulher: aumenta em 30% o risco de cancro da mama, gera depressões, disfunção sexual, esterilidade, tendência para aborto espontâneo, etc. - males que os médicos têm o dever de tratar e prevenir.
Esquece o ilustre constitucionalista que, no referendo, se perguntava "Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez (...)". Ou seja, pretendeu-se tornar não punível e, portanto, lícito para a mulher (e, por arrastamento, para o médico e a parteira) abortar voluntariamente. Isso, pretendendo, alegadamente, acabar com o aborto clandestino e defender a "dignidade" da mulher. Não se perguntou se passaria a ser obrigatório para todos os médicos fazer abortos voluntários (salvo objecção de consciência - entre parênteses, como se esta fosse rara...) nem para todos os contribuintes pagá-los.
Esquece o ilustre constitucionalista que o resultado do referendo de 2007 não foi juridicamente vinculativo (porque votaram apenas 43,57% dos eleitores, tendo votado "sim" apenas 25,8% dos eleitores), embora seja politicamente relevante (como foi o de 28/6/1998).
Nega o ilustre constitucionalista que, acima da lei (aprovada pela maioria dos deputados ou pelos governantes), há valores de justiça e de consciência que merecem mais respeito do que as normas criadas pelos homens. Com tal atitude, manifesta um juspositivismo semelhante ao que esteve na origem do holocausto nazi e dos gulags comunistas de tão má memória. E declara uma intolerância que é tudo menos democrática.
Aliás, o recurso para o Tribunal Constitucional de impugnação da constitucionalidade da Lei n.º 16/2007, de 17/4, ainda não foi julgado.
Não é o código deontológico aprovado pela Ordem dos Médicos (isto é, pela esmagadora maioria dos profissionais) que é abusivo, mas a tentativa de imposição ministerial de uma orientação ética que fere profundamente a consciência e a dignidade da maioria
dos médicos.
Quando a lei é gravemente injusta, todos temos o direito constitucional (art. 21.º) e natural de resistência. Não queremos que os nossos netos nos condenem pelo holocausto dos fetos, a que estamos a assistir (e já lá vão mais de 3000, que Deus tenha em descanso) - como, hoje, muitos condenam os nossos pais e avós pelos males do fascismo e do comunismo. Todos nós precisamos que os médicos nos tratem da saúde, não que matem os nossos filhos.

Advogado e ex-mandatário da Plataforma Não Obrigada

30 de novembro de 2007

A poucos passos do Jubileu

“Salvemos a Família, Salvaremos o Mundo”.

Esta intuição ecoou e inquietou profundamente o coração do Pe. Brás e levou-o a perceber que a família necessitava de um "cuidado especial". A degradação moral da família de então (década 30) e a 'magreza económica' dos seus recursos, deram origem a um movimento migratório das aldeias para as cidades. Uma multidão de jovens raparigas, chegavam aos meios urbanos, desprovidas de tudo, tornando-se, nessas condições “presa fácil” para quem as olhava como “meros instrumentos de trabalho e ou de prazer”. O seu abandono e desprotecção – eram a ovelha perdida das 99 – mas também a sua carência de formação humana, moral, religiosa e profissional reclamavam, a urgência de uma acção concertada. Mas quem poderia dar resposta a tão urgente necessidade? O Pe. Brás reuniu, no dia 4 de Junho de 1933, um grupo de 6 jovens das mais comprometidas, sugerindo-lhes a entrega total da sua vida a Deus, para uma dedicação plena ao acolhimento e à formação destas jovens. De rasgados horizontes, como sempre foi sua característica, o Pe. Brás, iluminado por Deus, entendia que a preparação, aos vários níveis, destas jovens era um “tiro certeiro“ em três famílias, em simultâneo: a que serviria, a de origem e aquela que viria a constituir. Tratava-se de um investimento a longo prazo. A semente estava lançada, nascia assim o Instituto Secular das Cooperadoras da Família que no dia 1 de Janeiro de 2008, no 8º Aniversário da Aprovação de Direito Pontifício, dará início às celebrações dos 75 anos de existência. Desde sempre, e deitando mão às mais diversas actividades, a nota dominante do seu Carisma e Missão foi e continua a ser o cuidado da santificação da Família”, concebido como: “Fonte de Vida humana e principal agente de transformação do mundo”. Foram muitas e continuam hoje a ser algumas, as jovens que tocadas por Deus e seduzidas por Jesus Cristo, se propuseram seguir as pegadas do Pe. Brás, dando continuidade às suas obras, encontrando neste carisma e respectiva missão o sentido da sua vida. Uma vida toda oferecida à família. O Instituto foi-se consolidando e afirmando ao longo dos anos. Em 1955 a 10 de Janeiro, dentro da oitava da Festa da Sagrada Família, foi elevado o Obra Pia das Cooperadoras da Família. A 18 de Fevereiro de 1961 foi promulgado o Decreto de erecção Canónica que o eleva à categoria de Instituto Secular de Direito Diocesano. A 28 de Dezembro de 1999, vésperas do grande Jubileu, o Instituto recebe o reconhecimento de Direito Pontifício. Em Decreto de 1 de Janeiro de 2000, que assinala o evento, a Igreja deseja que «através do seu carisma, possa o Instituto irradiar na Igreja e no mundo a sua espiritualidade para que a exemplo da Sagrada Família de Nazaré, cada família humana seja lugar e espaço da humanização da pessoa humana e da sociedade”. Actualmente, o Instituto está presente em Portugal, (o maior número de membros), em Espanha (Madrid), em França; na Itália (Roma); no Brasil e há sete anos chegou a Cabinda (Angola). Como Instituto Secular o seu primeiro dever de apostolado é o apostolado de presença, donde cada membro, no desempenho da sua profissão. É chamado “ a impregnar” todas as coisas do Espírito do Evangelho. De acordo com o cânone 714, o Instituto, mesmo sendo de natureza Secular, possui obras próprias, herança recebida do Seu Fundador e hoje confiado ao dinamismo apostólico dos seus membros. Estas obras, enquanto meios, ao serviço da realização do carisma, assumem como prioridade o cuidado da santificação da família: Obra de Santa Zita; Movimento por um Lar Cristão; Centros de Cooperação Familiar; Jovens Focos Esperança, Jornal da Família, etc. Para conhecimento do Leitor e como “oferta de serviços à Família” nos próximos meses, apresentaremos uma breve síntese de cada Obra e Movimento. Nesta publicação, será dado particular destaque aos Centros de Acolhimento e Apoio à Família; aos retiros para as famílias e a uma campanha lançada pelo Instituto Secular das Cooperadoras da Família, orientada para a sua missão em Cabinda.

Projecto FIDE - OYÉ - Cabinda

As Cooperadoras da Família, residentes em Malembo/Cabinda no intuito de melhor responder às necessidades das Famílias pretendem implementar o Projecto FIDE (Formação, Integração, Desenvolvimento, Evangelização). Este Projecto tem como objectivo a Formação em ordem à Integração, Desenvolvimento e Evangelização das famílias de Cabinda. Mas a viabilidade e a execução deste projecto – FIDE – reclamam a construção de uma sede própria, com o mínimo de condições adequadas às actividades a realizar, o mais próximo possível das pessoas, que se concentram nos subúrbios da cidade. No Local onde trabalhamos presentemente as pessoas estão todas muito dispersas, Malembo, é demasiado pequeno e dista da cidade cerca de 35 km, embora haja uma série de aldeias para o interior, só que não há transportes, nem outros meios de que as pessoas possam dispor para virem até nós, ou nós irmos até elas. Graças a Deus possuímos já um “bom” terreno, cerca de 4/5 km da cidade, num local que julgámos ser ideal para implementarmos aí a Escola de Formação Familiar Profissional, voltada para as Artes e Ciências de Serviço à Família, bem como um espaço de apoio social, às jovens, em regime temporário e/ou em discernimento vocacional, porque o ambiente social e familiar não ajuda nada este aspecto importante da vida das pessoas e das instituições.
Assim:

Por um futuro mais promissor/ Para a nossa família “Binda”.
Vamos todos colaborar/ Na nova casa em Cabinda
Juntos e de mãos dadas/ Com o coração bem aberto
Este projecto do Instituto/ Seguirá no rumo certo
A
Formação é a base/ De uma vida bem definida
Pela
Integração e Desenvolvimento / A Evangelização será assumida
Este é o Projecto
FIDE / Que estamos a implementar
Por estas terras de África / Para a Família dignificar.
Só com gente bem preparada / A sociedade pode avançar
Pelo caminhos do progresso / Para a todos reintegrar
Cooperantes todos juntos / Com amor e muita fé
Somos o grupo dos Amigos / Do Projecto FIDE, oyé!

Lídia Pranchas (Cooperadora da Família em Cabinda)


Matrimónio. Uma opção difinitiva?!

9. Futuro da condição humana

Quero hoje começar a minha colaboração fazendo uma afirmação taxativa: O futuro da condição humana passa também pela maneira como sejamos capazes de viver e testemunhar a realidade do matrimónio. Sei que para alguns esta afirmação pode parecer exagerada, contudo estou cada vez mais convencido de que o futuro da nossa espécie passa também verdadeiramente pela maneira como sejamos capazes de viver esta realidade. Claro que ao afirmar isto não me estou a referir simplesmente, nem principalmente, às questões relacionadas com a natalidade. A esse nível todos sabemos como é importante adoptar medidas que verdadeiramente a incentivem, sobretudo numa Europa que envelhece a olhos vistos. Parece-me óbvio o cuidado que devemos ter e implementar no sentido de favorecer a maternidade. Mas também todos sabemos, ainda que muitas vezes teimosamente não o queiramos admitir, o futuro da nossa espécie não passa simplesmente pela sua preservação biológica. A maneira como encaramos e olhamos a condição humana e, portanto, como educamos as novas gerações nessa linha, influenciará certamente o nosso futuro. Pois bem, é exactamente aqui que descubro o papel fundamental que o matrimónio é chamado a desempenhar. Por não se tratar de uma simples opção baseada nos sentimentos, ainda que os sentimentos ocupem um papel importante como todos sabemos; por não ser uma simples partilha comum de espaço e tempo, ainda que esse mesmo espaço e tempo possam ser profundamente enriquecidos a partir dessa experiência; por não poder ser reduzido a um mera estratégia para duas pessoas poderem enfrentar o futuro com mais confiança, ainda que novas oportunidades se abram nesse futuro quando é preparado em conjunto, o matrimónio pode desempenhar um papel singular no futuro da humanidade. De facto o tempo em que vivemos está a exigir de uma maneira radical que sejamos capazes de mudar as nossas atitudes e as nossas mentalidades. Somos chamados a passar da colaboração à corresponsabilidade naquilo que é a tarefa de edificar um mundo mais fraterno e mais humano. Já não chega colaborar e de modo nenhum posso ficar fechado no meu cantinho simplesmente preocupado com o que me está próximo fisicamente. É a este nível que também somos chamados a fazermo-nos próximos de toda a humanidade. De uma vez por todas temos de descobrir-nos corresponsáveis pela construção do futuro e pela dignificação da condição humana. E não falo da condição humana de um modo abstracto, mas da condição e dignidade humana de cada homem e de cada mulher em concreto.

Por ser uma opção definitiva baseada no amor e no compromisso em fazer do outro uma pessoa mais plena e feliz (digoo agora de uma maneira positiva que tem sempre mais força); por ser capaz de nos abrir a dimensões que estão para além do simples espaço e do simples tempo, ajudando-nos a penetrar na profundidade do real; por ser uma aposta na fidelidade vivida como sustentáculo de toda a vida, o matrimónio é uma realidade a ocupar um lugar insubstituível no futuro da humanidade. Núcleo essencial onde a vida é vivida na constante corresponsabilidade pela realização e felicidade não só do outro que amamos, mas daqueles que nos rodeiam e daqueles que chegam à existência como fruto do amor dos esposos entre si, o matrimónio dever ser uma das bases e um dos principais motores que impulsione o ser humano a viver a vida como dom e dádiva. Penso que só a partir desta perspectiva teremos mais possibilidades de sermos bem sucedidos nos desafios que o futuro nos reserva. Não tenho dúvidas de que o individualismo é e pode continuar a ser um dos grandes venenos da nossa existência, pois pouco a pouco vai secando a vida à sua volta, uma vez que tudo centra nele e nas suas necessidades. O desafio é o de verdadeiramente aprendermos a ser pessoas, ou seja a sermos com os outros, por causa dos outros e para os outros. E este é a experiência do matrimónio. E para nós crentes (por isso falo em matrimónio e não simplesmente em casamento) essa realidade é ainda mais evidente, pois descobrimos que no caminho que somos chamados a fazer não estamos sozinhos, como também que o futuro que somos desafiados a construir não é uma mera visão fruto da nossa imaginação, mas um horizonte que Deus colocou no nosso coração e que a experiência do amor verdadeiro, suporte de todo o matrimónio, começa já a concretizar e antecipar.

Juan Francisco Ambrósio - colaborador do JF

27 de novembro de 2007


Jesus de Nazaré

Apresentação do livro de Bento XVI

por

Padre Jacinto Farias

João César das Neves

Laurinda Alves

com a presença do Senhor Cardeal Patriarca de Lisboa

Cinema S. Jorge. Av. da Liberdade. 28 Nov. 19:00


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