O recém empossado Presidente da República da França no seu discurso de tomada de funções disse: “Derrotamos a frivolidade e a hipocrisia dos intelectuais progressistas. Não vamos permitir a mercantilização de um mundo onde não há lugar para a cultura: desde 1968 não se podia falar da moral. Haviam-nos imposto o relativismo.
A ideia de que tudo é igual, o verdadeiro e o falso, o belo e o feio, que o aluno vale tanto quanto o mestre, que se não pode dar notas para traumatizar o mau estudante. Fizeram-nos crer que a vítima conta menos que o delinquente. Que a autoridade estava morta, que as boas maneiras haviam terminado. Que não havia nada de sagrado, nada de admirável. Esta era o “slogan“ de Maio de 68 nas paredes da Sorbonne. "Viver sem obrigações, gozar sem trabalhar". Quiseram acabar com a escola de excelência e do civismo. Assassinaram os escrúpulos e a ética. Uma esquerda hipócrita, que permitia indemnizações milionárias. Esta esquerda está na política, nos meios de comunicação e na economia. Ela tomou o gosto do poder. Deixaram sem poder as forças da ordem e criaram uma farsa: abriu-se um fosso entre a juventude e a polícia. Os vândalos são bons e a polícia é má. Como se a sociedade fosse sempre culpada e o delinquente inocente. Defendem os serviços públicos, mas jamais usam o transporte público. Amam tanto a escola pública que os seus filhos estudam nos colégios privados. Dizem adorar a periferia e jamais vivem nela. Assinam petições quando se expulsa um invasor de uma moradia, mas não aceitam que um deles se instale na sua. É essa esquerda que desde Maio de 1968 renunciou ao mérito, esforço, atiça o ódio contra a família, a sociedade e a República. Não podemos inventar impostos para estimular aquele que cobra do Estado sem trabalhar. Vou reabilitar o trabalho. Em Portugal tem sido assim de há umas poucas dezenas de anos. Tem-nos feito, também, crer, que é na facilidade e no oportunismo que está o mérito. Que os pais estão ultrapassados e só servem para sustentar vícios, vida boa e sem trabalhar. Que o casamento de hoje equivale ao divórcio já amanhã; que à orgia de sexo, drogas e álcool da noite de hoje, essa juventude transviada tem a resposta na pílula do dia seguinte; que a escola, à sua entrada, qual farmácia, devia fornecer preservativos para esse bando que não conhece nem a ordem nem a lei, nem a moral, nem a verdade e nem a obediência. E como se desautorizaram os professores a violência tem recaído impunemente sobre eles; e como importa preencher estatísticas, mesmo com maus resultados, é-se obrigado a deixar transitar ao imediato o mau estudante. Humilharam os professores, fizeram deles os parasitas da sociedade e ao mesmo tempo o colo dos filhos a quem o não dão, nem preocupados com isso estão. Esmagaram-se os funcionários públicos com o fundamento errado de que auferem vencimentos escandalosos, alguns dos quais nem para eles dá para viver. Escarneceu-se das polícias, insultando-as, atentando contra os seus membros fazendo delas grupos acéfalos, sem poder nem autoridade. Dispararam toda a sorte de disparates contra os tribunais ignorando as suas dificuldades de funcionamento; a rebeldia de um povo que se ama alguma coisa não é a verdade e nem a justiça, enegreceu os seus magistrados, agora bodes expiatórios de um sistema que há muitos anos os ignorou. Qualquer um, sem o menor conhecimento de causa, atira pedras contra decisões dos tribunais; alguns intelectuais deste país ultrajam-nos, muitos vivendo à sombra do Estado, cujos órgãos assim desprezam. Já poucos se levantam para ceder lugar a um idoso, a uma mulher grávida ou a um doente. Nas ruas é um desfiar constante de obscenidades entre as camadas mais jovens, voltadas para o amor livre, a idolatria do sexo, do prazer, da volúpia, mesmo com prejuízo para os incautos. Também de há uns tempos a esta parte nos intentam fazer crer que o casamento entre pessoas de sexo diferente é igual ao juntar de duas pessoas do mesmo sexo; a verdade quase desapareceu do léxico. Dizem ser preciso estimular o crescimento da natalidade mas, contraditoriamente, tratam gratuitamente, à custa do povo, quem queira matar os fetos inocentes.
Os mais ricos esquivam-se ao pagamento de impostos e engrossam cada vez mais as suas fortunas. Alguns deles abrem a boca para lançarem gestos de simpatia pelos mais desfavorecidos mas viram a cara quando lhes pedem para uma colecta. Frequentam dos melhores comes e bebes e trapos. Remetem os filhos para os melhores colégios privados, da Igreja católica, quando nada querem com ela. Outros mandam-nos estudar para o estrangeiro porque no país as alternativas de melhoria são quase nulas, a menos que se seja bafejado por um golpe de sorte, porque os filhos dos ricos e influentes têm lugares assegurados nisto, naquilo e mais naquilo. Aqui impera a mediocridade enquanto os mais capazes apodrecem no desassossego da sobrevivência, da doença, do conflito, transformados num fardo humano desesperado e sem luz verde à frente do túnel. Tudo é igual. Está-se mesmo a questionar se a liberdade de pensamento deve conter limites. Insulta-se, menospreza-se, enxovalha-se, apouca-se, ridiculariza-se nos meios de comunicação social todo o que exerce poder de autoridade Governos, Tribunais, polícias, e não só… A palavra falada flui quase sempre em torno do sexo; a intimidade da vida privada pouco conta e é aproveitada para um leque de muitas coisas. Levantam-se falsos testemunhos a quem quer que seja, na esperança de um engenhoso de leis que safe a honra do convento. As csarinas do regime, em prosas ocas, defendem o divórcio, o amor livre, a união de facto entre o sem o ser pessoas do mesmo sexo, combatem a família, apoucam a autoridade, negam o Transcendente, reúnem no mesmo tecto os filhos delas, dos outros, de ambos e eventualmente um ilegítimo. Tal como em França o relativismo se instalou entre nós. Tal como em França não se pode inventar mais impostos. E muito menos para assegurar o aborto e sustentar obras faraónicas. E já agora porque se gastou uma fortuna incomensurável para salvaguarda do que dizem ser gravuras rupestres, que bem poderiam ser trasladadas, sem perda da qualidade se a têm, para outro local, sem compromisso de regadio para a zona de Foz Côa? E quem é o responsável desse acto de gestão? Atiraram-se pessoas contra pessoas, acirrou-se a inveja, estimulou-se o ódio e este país está transformado num vespeiro, mergulhado numa dramática crise social, económica e moral. Leis apressadas permitiram que os tribunais por culpa de quem as fez – que não são os tribunais e nem os juízes, embora erradamente se pense e poucas vezes desmentido porque não é conveniente – tivessem que libertar concidadãos – e não só-perigosos criminosos. Tal como Sarkozy é preciso reconstruir este país. O povo deve pedir responsabilidades a quem o conduziu para este perigoso beco, de desemprego, de amoralidade, de desrespeito, de oportunismo e de cegueira.
Por Armindo Monteiro - colaborador do JF