Diário da Assembleia Geral do ISCF

“Tudo o que se fizer a bem da família, por pequeno que seja é grande”. (Mons. Brás)

A Família no centro das atenções

Encontra aqui os vários artigos do Dr. Juan Ambrósio sobre a Família...

Encontro Mundial das Famílias 2015

O Vaticano apresentou dia 24 de março em conferência de imprensa o 7.º Encontro Mundial da Família, que vai decorrer de 22 a 27 de setembro de 2015 na cidade norte-americana de Filadélfia.

A saúde mental dos portugueses

Alguns dedicam-se obsessivamente aos números e às estatísticas esquecendo que a sociedade é feita de pessoas...

O trabalho, dom e direito

A sociedade portuguesa e internacional, vive uma situação de crise generalizada e de aumento das desigualdades sociais...

Longe vão os tempos

Longe vão os tempos dos preconceitos culturais em que se aceitava que era a mãe que tinha de cuidar dos filhos...

Dar esperança em tempo de crise

Vivemos tempos difíceis. A família, como célula base da sociedade, é imediatamente afetada por esta crise generalizada e que promete perdurar. Neste contexto, exige-se um novo paradigma, uma nova forma de estar e de nos relacionarmos.

19 de novembro de 2007

16 de novembro de 2007

Os números do aborto

Há estudos que indicam que muitas mulheres que abortam legalmente não o fariam se o aborto fosse ilegal

Vão sendo conhecidos os primeiros números sobre a prática do aborto no quadro da nova lei. Ainda é cedo para tirar conclusões definitivas, mas os números mostram que, se a tendência se mantiver, o total de abortos corresponderá a menos de metade do que o Governo previa.
Essas previsões, tal como as de outras proveniências que se vinham repetindo desde há vários anos, não tinham uma base segura e rigorosa. Apontavam para os vinte mil (um quinto do número de nascimentos) porque tal corresponde à média europeia (acima dessa média, encontram-se países de entre os mais desenvolvidos, como a Suécia, a França e o Reino Unido). Um estudo da APF, divulgado antes do referendo e apresentado como fiável, também apontava para tais números. Noutros tempos, a propaganda dos partidários da liberalização chegou a apontar números muito mais elevados,mas sem qualquer fundamento, como agora bem se vê.
Considerar que em Portugal se praticavam tantos abortos quantos os que, em média, se praticam nos países da Europa onde essa prática está há muito legalizada era partir do princípio (não demonstrado) de que a proibição em nada influía no volume dessa prática e que, por isso, mais valia permitir que se fizesse legalmente o que sempre se faria na clandestinidade. Nunca aceitei este princípio, que ignora a eficácia pedagógica inerente à mensagem cultural de uma lei que define uma conduta como crime. E o efeito que pode ter uma lei como a agora aprovada, que facilita essa conduta, colocando ao seu serviço os recursos do Estado. Qualquer política legislativa assenta, pelo contrário, na ideia de que legalizar e liberalizar uma conduta só pode conduzir ao incremento da sua prática.
Compreende-se que haja estudos que indicam que as mulheres que abortam legalmente, numa significativa percentagem, afirmam que não o fariam se o aborto fosse ilegal. Na Irlanda, é possível tornear a lei que criminaliza o aborto com uma fácil deslocação ao Reino Unido. Mas os abortos aí praticados por mulheres irlandesas são, proporcionalmente, em muito menor número do que os das mulheres da própria Grã-Bretanha. Na Polónia, depois das alterações que restringiram fortemente os casos de legalização do aborto, este continua a ser praticado clandestinamente, mas em número muito inferior ao do período em que tal prática estava liberalizada.
Nunca me pareceu decisivo discutir os números exactos do aborto clandestino em Portugal. Fossem eles maiores ou menores, seriam sempre suficientemente elevados para recusar uma liberalização que, por imperativo da lógica, contribuiria para que fossem ainda mais elevados.
Se os números agora divulgados revelam que o número de abortos praticados em Portugal é inferior a metade da média europeia, tal só poderá significar que, afinal, a proibição e a criminalização do aborto (independentemente do número reduzido de condenações) tiveram algum efeito, pelo menos no plano pedagógico. A lei evitou, pelo menos, a banalização desta prática na mentalidade comum, a que se encontra noutros países europeus.
O que pode, agora, temer-se é que essa "resistência" cultural enfraqueça com a vigência da nova lei, provocando, de forma gradual, a progressiva aproximação à média europeia e o progressivo aumento do número de abortos, como se tem verificado em Espanha com uma lei não tão permissiva como a que entre nós foi aprovada.
Foi com grande amargura que notei a frieza de responsáveis governativos que indicavam, resignadamente, que se poderia esperar um número de vinte mil abortos anuais. Uma frieza e uma resignação que a todos chocaria se se referissem a outro tipo de mortes, por doença ou acidente. Ninguém aceitará que os números de mortes por doença ou acidente não se reduzam ao mínimo, ou não façamos tudo para evitar essas mortes. É muito mais fácil evitar um aborto do que uma qualquer outra morte. E em nenhuma destas o Estado colabora activamente, como se verifica agora com o aborto.
Por trás dos números do aborto, de cada um deles, está a riqueza única e insubstituível de uma vida humana. É esta consciência que anima o empenho de quem lutou para manter uma lei que evitou, como se vê, que muitas dessas vidas se perdessem. E de quem, apoiando as grávidas em dificuldade, continua a evitar que algumas dessas vidas se percam.

Membro da Associação Portugal pela Vida






República viva

António RegoAinda estamos relativamente longe do centenário da Implantação da República e já se ouvem foguetes de glória. Sem se explicar muito bem a cor da bandeira e a praça certa para festejar não se sabe ainda muito bem o quê. É aqui que começa a ambiguidade com adquiridos ideológicos que justificam todos os erros e exaltam todas as virtudes. Fazendo lembrar sobressaltos revolucionários que se entendem no tempo em que acontecem mas que não sobrevivem aos crivos implacáveis da análise histórica. É essa joeira fria que nos depura o trigo e o joio, o grão e as poeiras. É essa atitude que nos enriquece na visitação dos factos sem vencedores nem vencidos antecipados.
Nenhum tempo, nenhum facto da história deve ser lido com leviandade. E ainda menos com uma perspectiva interesseira em extrair lições de proveito rápido. O tempo e os acontecimentos merecem grande serenidade e discernimento para que os sinais que vão surgindo tenham uma interpretação que torne a história em mestra e a vida corrente em contínua aprendiz. Sem medo das luzes e das sombras que a travessia dos tempos induz.

Provavelmente muitos de nós, da República nascida em 1910, pouco mais temos que preconceitos ou chavões reduzidos a meia dúzia de factos que nos descreveram como heróicos ou mesquinhos. Que ninguém tenha medos dos factos, do que os precedeu, dos contextos em que se verificaram, dos líderes que os protagonizaram, dos horizontes que abriram, das mudanças históricas que criaram. Mas que não venham misturados de jogos subtis e presunções anacrónicas e obsoletas. Todos precisamos aprender e assumir responsabilidades no melhor e no pior que assumimos no tempo.
Quando se fala da I República, quase sempre se antagoniza com outra pedra do xadrez chamada Igreja Católica. Como se se esgotasse no duelo entre as duas instituições toda a gama de factos e consequências. Como se não existisse o povo. Trabalhar as análises sobre preconceitos é um erro não apenas histórico mas de consequên-cias negativas para os tempos de hoje e para a convivência saudável da comunidade nacional. Por isso se saúda a proposta da Conferência Episcopal Portuguesa em Roma para uma evocação do centenário da I República com uma "interpretação exacta dos acon-tecimentos". Para bem ou para mal a I República ainda está viva.

António Rego



12 de novembro de 2007

Ontem como hoje... quem paga tudo é o Zé

Não tenhamos ilusões. Já ontem era assim. Os políticos “arranham-se”, mas quem vem a pagar a factura, é sempre o Zé Povinho.

Neste momento estamos a assistir a um duelo entre os próceres do PSD e a várias desinteligências, no seio do Centro Social Democrático, ultimamente designado por Partido Popular, que deixam a esfregar as mãos, os Socialistas democráticos. Com excepção do PCP, todas as outras formações partidárias, ou já passaram por situação análoga, ou estão a passar por ela. É o tributo que tem de se pagar à democracia… Presentemente trabalha-se, afanosamente, dentro do PSD, no sentido de conquistar a liderança. Que importa que o PS tenha à vista tantos e tão graves deslizes? Que interessa a estabilidade partidária? Que proveito pode ter, unir fileiras e fazer uma eficaz e contundente oposição ao Governo? O que interessa, neste momento, é agitar os militantes, estabelecer uma convulsão permanente, denegrir a imagem do actual líder e ocupar o seu lugar, o mais rapidamente possível. As ambições pela conquista da liderança são por demais evidentes, dentro dos Sociais Democratas. Para o conseguir recorre-se a todos os expedientes, não sopesando as consequências inerentes a uma tal atitude. Por seu lado, os Democratas Cristãos, ainda há muito pouco tempo viveram uma terrível convulsão interna, do que resultou a flagelação do seu líder, Ribeiro e Castro, o qual acabou por ser substituído pelo irrequieto Paulo Portas, que neste momento já está, outra vez, a avaliar o seu fracasso, nas eleições intercalares para a autarquia de Lisboa, havendo já quem avente que muito em breve, Paulo Portas se vai retirar de liderança do CDS. Estes líderes partidários, por vezes esquecem-se que para se ganharem eleições, não basta ter carisma pessoal, não basta indigitar-se para certos lugares políticos, credenciados candidatos, como foi o caso de Telmo Correia, pelo CDS. É preciso contar com o eleitorado, que não é parvo e que sabe muito bem distinguir o que lhe convêm e aquilo que não lhe interessa, e à força lhe querem impingir. Além do mais, é preciso contar com uma grande força que é a Comunicação Social, a qual tem grande relevância em actos eleitorais, actuando com uma precisão quase cirúrgica. Veja-se como próximo das eleições surgem episódios que durante largo tempo estiveram nas prateleiras do esquecimento e que são agitados no momento certo. Tudo isto é subrepticiamente manipulado pelas formações partidárias, com saber, arte e muita perspicácia. Daí a classe política começar a ficar desacreditada e descredibilizada, sendo responsabilizada por muito do que está sucedendo no País. O abstencionismo a actos eleitorais, é bem a prova disto. E de tal modo isto é evidente, que o próprio Presidente da República, não se coíbe de, embora subrepticiamente, ir enviando os seus recados e até alguns puxões de orelhas, aos governantes. É por demais consabido que o presidente dos Sociais Democratas é deveras cordato, afável e polido, para não se meter em arriscadas cavalgadas que possam vir a beliscar a sua honorabilidade. Daí, muitos dos militantes do PSD não gostarem da sua complacente postura, a qual também não é do agrado da grande maioria dos simpatizantes do PSD. Pelo contrário, Luís Filipe Menezes, é um político bastante crítico e contumaz, sempre atento à liderança do PSD, que saiu à liça, pronto para assumir a orientação dos Sociais Democratas, o que irá ser decidido no Congresso. Simplesmente, estas guerrilhas e discrepâncias intestinas, não só debilitam o partido, como desagregam a solidez de qualquer partido, originam fissuras, difíceis de cauterizar, provocam clivagens e criam profunda destabilização. Quanto a nós, tudo isto teve a sua origem na decisão de Durão Barroso, o qual sendo eleito Primeiro-Ministro de Portugal, deixou-se seduzir pela presidência da União Europeia e pela tão contestada e ainda hoje incompreensível tomada de posição de Jorge Sampaio, que resolveu, por “motu próprio”, dissolver o efémero Governo da Santana Lopes. Desta atitude, resultaram as eleições intercalares, que deram a sólida maioria absoluta Parlamentar, ao PS, o que não só deixou fragilizada toda a oposição ao Executivo de José Sócrates com todas as consequências daí resultantes, e que tão bem conhecidas são de todos os portugueses, como ainda criou este clima de arrogância, insegurança e desestabilização política. Todavia, no meio de tudo isto, uma palpável e evidente realidade é bem conhecida para todos os portugueses, a qual, decerto ninguém ousará contestar. Quem continua a pagar a factura de tudo isto, é sempre o Zé povinho, o qual está a ser espremido até ao tutano, até ao limite da sua capacidade económica. E… bico calado…

Por Fabião Baptista - colaborador do JF

11 de novembro de 2007

9 de novembro de 2007

A coroa da Virgem na Bandeira da Europa

Esta Europa, que incompreensivelmente renega raízes cristãs e pretende apresentar-se ao mundo como laica, adoptou, sem saber, na sua bandeira, símbolos cristãos; melhor: de inspiração mariana.

Os que conhecem a história do povo europeu sabem que nada há que os una: língua, costumes, tradições, divergem, e o passado remoto encontra-se carregado de ódios e atrozes aleivosias. Apenas a crença os pode ligar: todos se declaram cristãos. Mas a teima de serem ou parecerem laicos, leva-os ao apartamento de qualquer símbolo religioso. Cristo não tem cabimento, segundo parecer de quem manda no velho continente, ainda que o povo - apesar do esforço do poder, - se mantenha fiel à Fé.

Quando a 29 de Maio de 1986, o Secretário Geral do Conselho da Europa, Marcelo Oreja, hasteou a bandeira, no palácio de Berlamont, estava longe de imaginar que a divisa da Europa estava imbuída de símbolos católicos. Na época, poucos conheciam a razão das doze estrelas sobre fundo azul. Anos depois, quando já não era possível recuar, foi explicado o verdadeiro significado. “Lourdes Magazine” revista publicada pelo Santuário de Lourdes, em Julho de 2004, revelou o que há muito constava. A bandeira foi inspirada na visão de Catarina Labouré, jovem noviça. Foi a 27 de Novembro de 1830. Estava Catarina na capeladas Irmãs de Caridade, na Rua do Bac, em Paris e, aparecendolhe a Virgem, disse-lhe que mandasse cunhar a medalha, a que chamou de Milagrosa. Esta, apresenta Maria com os pés pousados no mundo e no verso, o monograma da Mãe de Jesus, a cruz e dois corações, tudo circundado por 12 estrelas que é a coroa da Virgem. Ora quando Arséme Heitz idealizou a bandeira, inspirou-se nessa visão. Segundo o autor, o azul representa o céu e as 12 estrelas, o resplendor que cerca a cabeça da Imaculada Conceição. Se os “agnósticos” europeus fossem mais versados em temas bíblicos, não desconheceriam, igualmente, que o Apocalipse 12:1, descreve mulher resplandecente como Sol, coroada de 12 estrelas. Nem ignorariam que 12 foram os filhos de Jacob; 12 são as tribos de Israel; e 12 os Apóstolos. Mas como desconheciam a simbologia bíblica, e ainda menos a visão de Santa Catarina de Labouré - ou Deus os cegou, - pensaram que o número 12 era sinal de: perfeição, plenitude e unidade; lembrando-se dos 12 meses do ano e dos 12 signos do Zodíaco. E a 8 de Dezembro de 1955 – que coincidência! – aprovaram a bandeira que tem estampado, sobre azul celeste, o símbolo da pureza da Imaculada Conceição. Por onde se conclui que, renegando raízes cristãs, a Europa mostra, na divisa, a coroa da Virgem Santíssima. Deste jeito se infere que o povo tem razão ao afirmar:

Deus escreve torto por linhas direitas.

A Medalha Milagrosa que a Virgem recomendou trazer junto ao peito, não é amuleto. As graças, segundo Ela, serão abundantes, se existir fé e se cumpra ou se tente cumprir, os Mandamentos. Em 1842 foi grande acontecimento a conversão do banqueiro judeu Afonso Ratisbonne, após haver recebido a Medalha Milagrosa. Este homem de negócios veio a fundar, com o irmão Teodoro Ratisbonne, a Congregação dos Missionários de N ª Senhora do Sion. Dezanove anos depois das aparições, em Paris, foi erguido o Santuário de Nª Senhora das Graças, no Monte Sião, Minas Gerais, com o fim de difundir a Medalha Milagrosa.

Por Humberto Pinho da Silva – colaborador do JF

8 de novembro de 2007

As dificuldades dos tempos que correm …

Dizendo-se que no nosso país o fosso entre pobres e ricos, e que há cada vez mais pobres com a destruição iminente da classe média, por várias razões desde logo pela sobrecarga dos impostos, desemprego e desagregação das estruturas familiares, a exploração do homem pelo seu semelhante é uma realidade que se desenha no horizonte que nos cerca.

Mas onde a consciência dessa exploração sobressai mais é, sobretudo, nos países africanos onde os colonizadores e os detentores do poder que àqueles se seguiram, espoliaram o seu povo, umas vezes em benefício próprio, roubando o erário público outras vezes envolvendo-se em querelas intermináveis desviando o produto das riquezas para a compra de armamento e material bélico de toda a ordem e em negócios que acabam por reverter para o enriquecimento de outros, se não, também, para quem os colonizou. A cidade do Cairo, no Egipto, com os seus mais que 7 (ou mesmo 17, segundo me relataram) milhões de habitantes, é disso exemplo. As paredes dos seus edifícios estão negras da poluição, mas não menos grave do que isso deixam entrever, pelos vidros das janelas partidas, pelas portas e telhados destruídas, mesmo no coração duro da cidade capital, que após o abandono pela potência colonizadora tudo parou no tempo. O cidadão egípcio, minimamente esclarecido, afirma que a potência colonizadora espoliou o país e nada diz sobre os subsequentes governantes porque teme a perseguição. O povo egípcio é um povo humilde que, nas zonas turísticas, espera a cada esquina um pequeno óbulo mas, que se reclama, com orgulho, de uma Universidade que não põe quaisquer limites à formação de técnicos, sobretudo médicos, que se disseminam por todo o mundo árabe. Mas o Cairo é um mundo mesmo num mundo à parte. Nas principais artérias da capital ainda não chegaram os semáforos. E se houver que desenferrujar a língua um pacífico cidadão imobiliza o seu veículo a cair aos pedaços, com mais de 30/40 anos, da marca Lada ou Fiat 128, numa das principais vias; as ultrapassagens processam-se pela esquerda e pela direita; luzes é coisa que não e precisa; se for preciso os tejadilhos dos veículos aumentam a lotação e um mero choque já nem é motivo de discussão. Os táxis são de cor amarela e preta, tão decrépitos como os demais, alimentados a gasolina, cujo preço ronda 15 cêntimentos, mais ou menos 30$00 o litro! A cidade dos mortos, como se chama, foi erguida a partir de um cemitério da cidade onde os tugúrios dos pobres se implantaram no meio dele, numa sã convivência e é falada a correr, correndose alguns minutos, de carro, ao longo dela. Com alguma frequência nichos de metralhadoras são visíveis, numa postura de segurança, que pouco segurará, penso eu. Das poucas mulheres que se vêem nas ruas ao longo do dia muitas cobrem-se de negro, onde só os olhos são visíveis. Meio estonteados com a presença de mulheres brancas nos bairros periféricos, um ou outro rapazola toca nas pernas descobertas de mulher europeia, que se passeia em carroça puxada a cavalo, para turista ver o pitoresco do bairro. A religião oficial do Estado é o islamismo. E as mesquitas erguem-se ora magestaticamente ora de forma mais definhada, mas sempre em profusão. A presença da Igreja católica - copta - quase se não faz sentir. A instâncias sobre onde poderia visitar uma Igreja católica ou mesmo cumprir o preceito Eucarístico, de Domingo, a resposta esperada num país onde a religião oficial do Estado é o Islão e 90% o número de praticantes, não se fez esperar, que era difícil, que talvez, se era praticante e ainda assim só depois de confirmada a prática veio a resposta: talvez fosse possível dar uma mirada na Igreja.
E veio a confirmação: num bairro miserável de Luxor bordejado por um canal infecto, de águas putrefactas, derivadas do Nilo, onde crianças nadam, lá estava a Igreja, assinalada pela cruz e pela imagem da Mãe de Jesus. Uma entrada muito discreta, com alguns adultos no seu interior em atitude de oração, o sacrário recuado e fora das vistas do público e onde o celebrante se recolhe fora do alcance da assembleia no momento da consagração, para depois se reencontrar com os comungantes, um quadro representativo do apóstolo da Nigrícia, S. Daniel Comboni e um outro da padroeira das missões, Santa Teresa do Menino Jesus, um ambão e uma caixa das esmolas, para além do antigo e Novo Testamento escrito em língua árabe. À frente, bem visível e ao alto uma cruz de Cristo, como que a abraçar-me, feliz por eu, com alguns mais, O termos ido cumprimentar. Parece que tinha perdido a amargura e a dor da crucifixão. Ao lado, dentro do espaço eclesial, uma escola pequenina, um quadro preto à proporção. E mais não vi porque mais não quiseram que visse.
Mas no “site” da Internet vim, depois, a descobrir que em Luxor está sediada uma catedral e à sua frente um cardeal em obediência a Roma. Remato com a seguinte observação: como deve ser difícil seguir Jesus nesta terra, aparentemente calma e acolhedora na sua comovente humildade, mas onde só uma minoria de 10% é cristã. Em Portugal não se sofre de perseguição directa por se ser católico, mas há laivos disso, pela via do desrespeito ao respeito devido. "Alguém era tão santo, tão santo, que ficou com o nome de Santíssimo", afirmou - o em jeito de paródia uma pessoa pagã para tentar fazer rir numa estação televisiva… E é uma forma de perseguição a valores católicos, ligados ao respeito à família e à vida, à promoção do aborto. E que dizer daquela cena em que um filho agride barbaramente o pai, que se mantém firme, sem resposta, numa recém passada série televisiva, o que até é caso para os responsáveis pelo curso da comunicação social se debruçarem sobre a violência exercida em nada ajustada àqueles valores. Os tempos que correm são, em Portugal, seguramente de maldição. Até as condições atmosféricas se mostram irregulares em nada de feição para as culturas dos nossos solos, dizem os entendidos.

Por Armindo Monteiro - colaborador do JF

6 de novembro de 2007

O vulcão dos Capelinhos


Foi difícil o nascimento da última ilha de Portugal. Durante mais de um ano o vulcão expelia lamas, fogo e cinzas, a terra tremia, os homens fugiam. E foi nascendo um pequena ilha. Do medo, fez-se espectáculo, dos rolos de nuvens negras mistério, das areias em permanente tempestade se antecipou a paisagem lunar.

Passados cinquenta anos sobre este fenómeno que abalou a ilha do Faial nos Açores e surpreendeu geólogos e turistas, restam as dúvidas sobre o significado dum cataclismo, as formas estranhas como a terra evolui, as perguntas que geralmente se fazem a Deus sobre a criação, a harmonia, a evolução inteligente da natureza e dos seres.

Cada qual responde com as razões que tem à mão. Muitas delas nada têm de científico. Muitas recusam enquadrar um fenómeno deste género no projecto inteligente de Deus. Ciência, razão e fé, entrecruzam-se nas explicações, ora unindo-se ora digladiando-se. Só a meio da escalada se percebe que não é o amontoado de razões que nos aquieta a alma, mas a razão profunda do nosso ser e a lógica cerrada da nossa fé firmemente ancorada na sabedoria silenciosa de Deus.

No terramoto de Lisboa, Voltaire, como muitos, irritou-se e com Deus. Rousseau, homem insuspeito nestas matérias, lembrou-lhe que não tinha nada que se revoltar contra Deus. Se Lisboa, disse, fosse um conjunto de casinhas bem distri-buidas, sem roubar lugar a rios e riachos, com o Tejo respeitado por inteiro, nada de grave teria ocorrido em 1755.

Mas nem filósofos nem geólogos explicam os grandes cataclismos do Norte ou do Sul, as mortes de inocentes, o desaparecimento e destruição de cidades inteiras. Nem sequer os Gulagues, Auschewittz, ou Jardins de S.Cruz. A história, desde os tempos da Arca de Noé, Caim e Abel, está recheada de acontecimentos que só um olhar do alto, de fora do tempo e do espaço imediato pode projectar luz sem ser absurdo. Chamemos simplesmente Fé à chave de todo este imbróglio. Chamemos Deus ao ser de suma sabedoria que, face ao nosso desenquadramento do conjunto, nos tolera perguntas a mais, isto é, sorri das nossas arrogantes questões, os nossos olhos baços, presos ao quadrado sectário, sem altura nem horizonte.

Desprezo pela razão? Pelo contrário, respeito por ela que tem direito a não ser iludida por dimensões parcelares e viciadas que são sempre as nossas. Humilhação para a ciência? Pelo contrário, glória a ela que se sente entrelaçada por fios mais que visíveis.

O povo tem razão. No meio do vulcão das incertezas volta-se para a grande certeza de Deus que vê donde nós não vemos, projecta com sabedoria inalcançável e nos tranquiliza o coração como mais ninguém sabe fazer. Por isso, nos despojos da dor o crente sabe onde pode encontrar refúgio e em que ombro pode chorar de súplica e agradecimento. Feliz quem possui o dom da fé sempre escorado na faculdade superior da razão.

António Rego

5 de novembro de 2007

O Estado a escola e os cidadãos

Diziam os filósofos gregos que o saber era desinteressado e uma das condições para ser amigo da sabedoria era o ócio, a disponibilidade de tempo e recursos para se consagrar à busca do saber, sem a pressão de quaisquer outros interesses.


Se algum dia, este ideal de procura do saber sem a pressão das necessidades, da competição ou do poder vigorou nas relações de ensino e aprendizagem, essa não é mais a condição da instituição escolar na sociedade actual. Os Estados chamaram a si a orientação, direcção e financiamento dos sistemas de ensino. Confiaram-lhe a formação para os valores da cidadania e a concretização dos seus ideais de progresso social e prosperidade económica. Do sistema escolar depende a investigação científica, o desenvolvimento tecnológico e também a qualificação da mão-de-obra e promoção dos recursos humanos que estão na base da qualidade e mais valia da produção económica. Na escola o Estado pretende modelar o cidadão para os valores que estruturam a sociedade e mobilizá-lo para as tarefas colectivas. Na escola, as famílias procuram para os filhos alguma segurança contra o mundo hostil e as qualificações que assegurem a sua realização humana, estatuto social e prosperidade económica. A escola é ao mesmo tempo resguardo e apoio imprescindível para as famílias, ritual de passagem da infância e juventude, processo de integração na sociedade. Para cumprir as suas funções mobiliza estruturas, recursos humanos e materiais enormes, gera actividades e interdependências, concita atenções e concentra os interesses mais diversos. Nas questões da educação joga-se a coerência e o prestígio dos governos, verifica-se a sua eficácia e revelam se os conflitos ideológicos, sociais e económicos que percorrem a sociedade. Não é de admirar que o começo das aulas mobilize a comunicação social para a exibição das realizações, projectos e benesses do poder e para a feira de reivindicações e críticas de cada sector de interesses envolvidos. Não é de admirar que num só dia sete ministros e treze secretários de Estado percorram as escolas do país a distribuir computadores e promessas e que professores, pais e alunos, livreiros, autarcas e empresários aproveitem a oportunidade para fazer valer os seus interesses, críticas e reclamações. Factores demográficos e sociais, a variação da população e da sua distribuição, a limitação dos recursos, a evolução técnica e económica, as novas tecnologias, as transformações nos processos de trabalho, exigem que o sistema de ensino, a distribuição das escolas, a formação e recrutamento do pessoal docente, os processos e matérias se adaptem às novas exigências. A premência das mudanças exige flexibilidade, entra em choque com interesses e rotinas, exacerba conflitos. Cumpre ao Estado em diálogo com os diversos intervenientes fazer o levantamento das necessidades, estabelecer os objectivos, tomar decisões, gerir criteriosamente os recursos, suscitar as devidas adaptações e correcções, arbitrar os interesses e avaliar as realizações. As questões referentes à educação requerem consensos alargados sobretudo nas suas linhas estruturantes para corresponderem, ponderem quanto possível à realidade e terem tempo para se consolidar. Não é hoje possível nem conveniente ao Estado fazer uma gestão distante, centralizada e uniforme do sistema educativo. A experiência dos diversos países mostra que quanto mais a escola estiver próxima dos seus utentes e lhes tiver de prestar contas, quanto mais os pais puderem escolher a escola dos seus filhos e nela tiverem poder de intervenção tanto melhores serão os resultados obtidos. Ganha peso a corrente de opinião que reivindica tratamento igual do ensino estatal e do ensino privado, ou simplesmente seja concedido aos pais a gestão do contributo do Estado para ser aplicado no tipo de ensino e nas escolas que preferirem. Na Holanda, 70% das crianças são educadas em escolas privadas, à custa dos impostos públicos, e na Suécia os pais podem aplicar a comparticipação do Estado em qualquer escola privada que satisfaça as suas normas. Os resultados são melhores e a despesa pública na educação diminui. A escola deve estar melhor implantada no ambiente local, deve fazer face às exigências educativas da população que serve, às suas capacidades e aspirações, deve integrar-se no contexto da actividade produtiva e corresponder às expectativas de emprego da economia local. Deve gerir adequadamente os recursos facultados pelo Estado e porventura gerar alguns próprios. Deve gozar de flexibilidade para adaptar o seu plano de estudos a padrões de qualidade e também às características, objectivos e exigências dos alunos. Para isso deverá também procurar os professores e pessoal auxiliar que melhor se integrem nos seus objectivos. A autonomia das escolas não resolve só por si os problemas. Pode ajudar a aproximar as escolas das comunidades e a implementar parcerias. Pode tornar o ensino mais adaptado aos alunos e às necessidades e por isso mais atraente e eficiente. Contribui para dar a cada escola uma imagem e perfil próprio, que a torne reconhecida e procurada precisamente por aqueles que nele vêm uma resposta ao que procuram. Não há, porém, sistema de ensino que triunfe se não houver apetência para o saber, ambiente que estimule a curiosidade, se não houver modelos que valorizem o trabalho. A escola só será eficaz, se tiver alunos interessados que vejam na escola e na aprendizagem, meio de progresso e enriquecimento pessoal e de preparação para a vida activa. A escolha de um curso deve ser precedida da análise sobre a capacidade de o concluir e de proporcionar uma colocação no mercado de trabalho. Cerca de um quarto dos alunos que competem ferozmente por um lugar nas faculdades de medicina, acabam por desistir no primeiro ano.
O abandono escolar atinge percentagem elevada. Não só em Portugal. É um fenómeno universal que afecta sobretudo os alunos mais desfavorecidos dos países desenvolvidos. Mas em Portugal é mais grave e atinge valores mais elevados. Não resulta apenas dos alunos, mas sobretudo da desadequação dos programas de ensino às aptidões e apetências dos alunos. O abandono precoce da escola, a iletracia, a fraca qualificação escolar e profissional são factor de pobreza, a nível individual e também a nível social. Os países com menor aproveitamento e qualificação escolar serão os mais pobres e nesses países, os mais pobres serão os que tiverem menos conhecimentos, habilitações e qualificações.

Por Octávio Morgadinho - colaborador do JF


4 de novembro de 2007

Projecto “Família Jovem”

Com o objectivo de promover o acompanhamento dos casais novos – uma das grandes lacunas da nossa pastoral – o Secretariado Diocesano da Pastoral Familiar de Coimbra (SDPF) lançou o projecto “Família jovem", com três níveis de actuação e envolvendo diversas estruturas paroquiais e diocesanas.

No 1ºnível, procura-se acompanhar os casais que frequentaram o CPM (Centro de Preparação para o Matrimónio). As paróquias serão alertadas para os casais que lá vão residir e providenciarão pelo seu acompanhamento personalizado (e continuado), tanto quanto possível através de um casal – o “casal amigo” - pertencente à Equipa Paroquial da Pastoral Familiar (EPPF). A estes casais jovens, e na expectativa de equilibrado crescimento conjugal e de uma adequada integração na comunidade, ser-lhes-á proposto um itinerário de formação, com o apoio dos movimentos de espiritualidade familiar, dos movimentos de cariz “mais” evangelizador (Cursos de Cristandade, Cursos ALPHA, Renovamento Carismático, etc.) e de outras estruturas diocesanas de formação. Embora o processo seja simples (e lógico), o SDPF está ciente das dificuldades da sua implementação, não só porque nem todas as paróquias têm EPPF, como também pela evidente falta de experiência de trabalho em conjunto. Desta forma, numa primeira fase, o projecto, com a coordenação e avaliação do SDPF, irá atingir um número restrito de situações não coibindo, porém – antes pelo contrário – qualquer paróquia deve abraçar, desde já, este desafio, de forma autónoma.

No 2º nível, procura-se acompanhar os casais que pedem à Igreja o Baptismo para os seus filhos. Aqui, a responsabilidade de todo o processo recai sobre o pároco e EPPF. Também deverá ser destacado um casal amigo e estudado um percurso de formação.

No 3º nível, investe-se no acompanhamento dos casais que matriculam os filhos na catequese pela primeira vez. São envolvidos, prioritariamente, pároco, coordenador da catequese e EPPF. Tal como nos outros níveis, os casais devem ser estimulados para sentir a necessidade de se integrarem num percurso formativo análogo ao já descrito, sempre acompanhados pelas estruturas paroquiais. É óbvio que este projecto é um grande desafio para todos nós. Exigirá muita Fé, muita organização, muito trabalho, muita paciência, muita comunhão e articulação de esforços entre as diversas estruturas diocesanas, pouco habituadas a trabalhar concertadamente. Exigirá, também, muita ousadia e criatividade. Mas será uma tentativa séria para termos famílias mais coesas, mais cristãs, mais "comunidades de vida e amor", isto é, mais felizes.

Jorge Cotovio

30 de outubro de 2007

Os direitos da terra


A “verdade inconveniente” de Al Gore deixou algumas dúvidas, como é sabido. Pareceu a alguns que o portador duma causa – a defesa do planeta – estava viciado de protagonismo interesseiro como “mestre da humanidade” a debitar lições pelos recantos ricos do planeta. Nobel da Paz deste ano, ganha a autoridade do que faz e diz no alerta vermelho para a mãe Terra, planeta azul.

Estamos perante uma questão ética, não apenas como afirmação teórica mas como urgente medida de consciência e atitude pessoal e colectiva, cultural e económica. Se todos abandonássemos o planeta no fim deste ano, ele facilmente se recomporia, no dizer de alguns ficcionistas. Sem o homem, com os animais à solta e as sementes, plantas e árvores sem restrições, brevemente – nuns poucos milhares de anos – a terra voltaria à sua atmosfera, fertilidade e equilíbrio. Só que, vazia do homem. E que vale esta terra sem o homem?

Como se percebe já entrámos em sérias implicações com estes exercícios mais imaginários que hipotéticos. Em qualquer caso há factos anotados: o aquecimento global, as mudanças climáticas com as sequelas que vamos conhecendo todos os dias. De novo se questiona sobre o tipo de desenvolvimento por que enveredámos. E como é possível prosseguir ou recuar. Do petróleo ao plástico, das violências quotidianas sobre os ritmos pacientes da natureza, às sucessivas ameaças ao equilíbrio ambiental, pomos em causa todo o nosso sistema de vivência e convivência.

São mais as questões que as soluções. A consciência individual vai-se muitas vezes aquietando face à impotência perante a fome, a desigualdade de oportunidades, a distribuição dos bens. Em matéria de ambiente sabe-se que são os mais poderosos que mais estragam a terra. Mas também se sabe que em qualquer recanto do planeta cada cidadão oferece uma percentagem significativa para o todo, na forma como se relaciona com a água, o ar, a alimentação, os meios de transporte, as opções limpas ou poluentes, os produtos preferidos, os hábitos adquiridos e transmitidos a novas gerações. Ninguém está fora deste barco. Trata-se duma “moral da vida” a que a consciência cristã não pode fugir. Sem nunca travar o progresso. Mas assumindo a responsabilidade de pertença comum do planeta. Para que este se não torne num triste pássaro ferido.

António Rego

29 de outubro de 2007

Matrimónio. Uma opção definitiva?!


7. Sacramento do Matrimónio II

A importância da reflexão acerca da sacramentalidade do matrimónio leva-me a insistir nesta dimensão, dando agora uma especial atenção à realidade da indissolubilidade.

Ao falarmos em realidade sacramental do matrimónio de modo nenhum estamos a reduzir essa realidade ao momento da celebração do sacramento na comunidade eclesial. Claro que esse momento é especial e mesmo único, o que não quer, no entanto, dizer que esgote a realidade do sacramento, nem sequer que seja o mais importante. É óbvio que sem o momento da celebração não se pode falar em plenitude do sacramento, mas é igualmente óbvio que não podemos reduzir o sacramento a esse momento determinado. Com efeito, a realidade sacramental é algo que abarca a vida conjugal na sua totalidade, com todos os seus elementos e dimensões e em toda a sua concretude histórica. O sinal sacramental estende-se, pois, à totalidade da vida dos esposos, uma vez que é toda a vida que deve ser sinal de comunhão e da indissolubilidade do amor.

Certamente que todos temos a consciência de que esta realidade deve ser vivida com um dinamismo de constante crescimento e amadurecimento, não porque a graça do sacramento não seja plena, mas porque, tal como nos outros sacramentos, o matrimónio também não se realiza de uma maneira mágica, necessitando de ser constantemente assumido e aprofundado na vida do casal.

Perdoem-me a insistência, mas gostaria que ficasse bem vincado que é a totalidade da vida do casal que deve ser vivida a partir da dinâmica sacramental. A indissolubilidade do matrimónio é disso um exemplo facilmente perceptível.

Apesar de todas as fragilidades e inconsistências das decisões humanas, os esposos afirmam o seu amor para sempre. Como é isso possível? Esta é certamente uma dúvida que muitas vezes nos assalta. Como é possível dizer que é para sempre? A luz da fé ajuda-nos a entender um pouco melhor esta realidade. No sacramento do matrimónio, a indissolubilidade não é apresentada como uma lei que é imposta e que limita a liberdade individual, pelo contrário, é apresentada como realização máxima da liberdade de cada um, como um não querer e não poder ser já de outra maneira, como um compromisso que realiza plenamente. No fundo, trata-se de uma decisão dos dois, mas de uma decisão que se apoia no próprio Mistério do amor de Deus.

Verdadeiramente a dimensão da indissolubilidade abre o homem e a mulher que se amam para uma outra maneira de ser, que se pretende definitiva. Ambos se convertem num só corpo (cf Gn 2, 24; Mc 10, 8; Ef 5, 3), se convertem num ‘nós’, tendo como consequência a realização de algo que é superior a cada um dos dois e que os marca profunda e definitivamente, A promessa da indissolubilidade altera, por completo, a história desses dois seres, marcando-os no mais profundo da sua humanidade. Um compromisso como este, realizado de um modo tão total e definitivo, é algo que tem obrigatoriamente que tocar o fundamento da existência dos dois cônjuges. A concepção cristã da vida e do amor vê aí, necessariamente, a Presença do Mistério que Deus é.

Desta forma a indissolubilidade do sacramento do matrimónio, não só aponta para uma outra realidade, como possibilita a participação nessa mesma outra realidade. Para os esposos a vivência desta dimensão, que passa necessariamente pela experiência do perdão e do acolhimento mútuo naquelas coisas que não são expressão de um amor pleno e profundo, constitui um lugar privilegiado para perceberem a Presença de Deus e para se sentirem interpelados ao testemunho dessa mesma Presença. Presença que ama e quer fazer sentir o seu amor para sempre.

por Juan Ambrósio - colaborador do Jornal da Família


Quem tem medo da Europa unida?

Para alguns analistas os tempos nunca são bons. Sobretudo nas vésperas duma crónica ou comentário, os tempos são os piores que a história já conheceu. Há críticos tão mal dispostos cuja alegria única é azedar o maior número de pessoas possível. Isto acontece com quase tudo: na política, economia, cultura, ou mesmo religião. Não há milagre que valha.

Mas falemos, para não irmos mais longe, da Europa. Do nosso Continente, da nossa matriz e memória. Do nosso passado e do nosso futuro. Com as glórias e desaires que vamos conhecendo e adivinhando. Entre lutas, opressões, pecados mortais contra a humanidade e contra Deus. Terra de heróis e santos, sábios e místicos, aventureiros e contemplativos. Ponto de irradiação de tantos sinais luminosos que ajudaram a desenhar o planeta que habitamos.

Não esquecemos as guerras e mortes. Não esquecemos o pós-guerra e as iniciativas de ressurgimento que surgiram. Ligada ao que chamamos Ocidente, a Europa deu corpo aos tempos novos que vivemos. A União Europeia começou, como sabemos, por ser uma estratégia económica de muito poucos. A história e o espírito empreendedor de alguns foi rasgando horizontes, abrindo portas, alargando a comunidade. Com maiores e menores, mais ricos e mais pobres. O Tratado há pouco aprovado em Lisboa pelos líderes da União Europeia, surge na esteira de entendimento entre os mais e menos velozes na caminhada do progresso. Se são os mais pequenos que correm mais riscos - e são - também em muitos aspectos serão os que recebem maiores benefícios com a aproximação. A solidariedade favorece mais os mais fracos.

Certamente poucos pacientes lerão o complexo texto do Tratado. Mas o essencial está dito e entendido, foi sendo relatado ao longo de anos com total abertura para os protestos e achegas em ordem ao respeito por todos e à solidariedade dum Continente que conhece a sua importância no concerto das Nações.

A questão que agora se coloca é esta: quem explicará todo o articulado do Tratado de Lisboa para o colocar em Referendo? Como pode o povo dizer sim ou não a um todo que é muito mais que meia dúzia de chavões? Para que servem os eleitos do povo se não para estudarem e decidirem questões na especialidade? O gosto pelo desprazer não justifica o número de objecções artificiais que agora se podem levantar. Nem, a esta hora, o pretenso arranjo dum tijolo deve colocar em risco todo o edifício.

António Rego

24 de outubro de 2007

23 de outubro de 2007

Famílias Cristãs numa “aldeia global”

No passado fim-de-semana, nos dias 19, 20 e 21 de Outubro, decorreram, no Centro Pastoral Paulo VI, em Fátima, as Jornadas Nacionais da Pastoral da Família, promovidas pelo Departamento Nacional da Pastoral Familiar.
Sob o tema de base “Identidade e valores da família numa sociedade global” a questão seria como os problemas actuais afectam a família em geral, neste mundo em que vivemos e que cada vez mais o definimos como “aldeia global”.

Vários sub temas foram abordados com o intento de ajudar a entender quais os problemas pelos quais a Família actual passa, e que também, de uma certa forma, são as suas ameaças hoje.
Desde a sua relação com os Mass Media, ou seja, da “comunicação perante a Família”, da relação “Trabalho, Profissão e vida Familiar” abordado pelo professor João César das Neves, a “a Intervenção Política da Família”, “as dificuldades de Evangelização em Contracultura”, “a Família e a Internet” e a sua própria identidade, etc., foi dado um panorama muito real daquilo que vivemos e assistimos quanto às famílias portuguesas.
Viver num mundo, numa sociedade cada vez mais globalizada, traz muitas provocações àqueles que se querem manter como pilares dessa mesma sociedade, como família modelo, que são como força que fura todos os preconceitos que se começam a criar em redor da Família e da sua real identidade, e o mais preocupante é a questão que se coloca – como a família educa, quais as consequências que daí derivam?
Mais num ponto de vista sociológico, numa abordagem feita pela Dr.ª Maria Engrácia Leandro, professora de Sociologia na Universidade do Minho, “não é a família que está em crise, mas sim uma certa forma de ser família. (…) A família continua a ser o pilar da sociedade e os portugueses continuam a achar a família como um valor fundamental, a valorizar as suas relações, o seu parentesco, etc., mas estes valores transformam-se porque as mentalidades também se transformam – hoje a família mantendo a mesma estrutura, vive de forma diferente. Os valores continuam a ser transmitidos, mas de maneira diferente. Muitos valores da família são vistos de forma diferente, sendo mesmo perdidos” - afirma.
E segundo dados estatísticos que ajudou a compreender melhor essa realidade, a mesma acrescenta – “ o divórcio aumentou, principalmente a partir dos anos 90; a origem da família já não é tanto o casamento; 23% das crianças que nascem é fora do casamento”. Mas sabemos que a influência mais decisiva numa criança continua a ser, sem sombra de dúvidas, a família.
Ficam vários desafios para possíveis ajudas junto das famílias, e que todos aqueles que participaram levassem para junto de outras. Porque está ao alcance de cada uma todo este processo… porque “se a família fosse boa, a sociedade também o seria”, sublinha Dr.ª Maria Engrácia.

Maria Matos

22 de outubro de 2007

Sinais

Cada vez ressoa com mais sentido aquela expressão que ouvi de uma pessoa amiga, quando conversávamos, soltamente, num banco de um jardim: "hoje os adolescentes e jovens andam embevecidos e estonteados com os modelos irreais do super-homem (super-mulher) nas virtualidades da telenovelas, da cibernética, filmes de ficção e outros, e valorizam pouco os modelos reais e concretos dos pais que no dia a dia lutam para conseguir equilibrar a vida, pessoal e familiar". O problema é que na hora de se confrontarem com as dificuldades, entram em conflito e viram-lhe as costas, com uma facilidade de espantar. Entre nós a preparação dos jovens para o matrimónio, começa a passar de preocupação latente a acções concretas. Aqui e acolá, vão aparecendo sinais de uma planificação de acções para este efeito. A facilidade com que se casam, ou se juntam 'hoje' e 'amanhã' se deixam, dá que pensar e deixa intuir a fragilidade dos vínculos que os une e a pouca preparação. A vulgarização e por vezes a banalização das relações sexuais, 'sempre à mão', a ilusão e a confusão entre paixão e amor; por vezes o degenerar do namoro num companheirismo útil que afasta a solidão, são alguns dos factores que dificultam o assumir de um namoro sério e honesto. Parece falhar a coragem de investir no auto-conhecimento, heteroconhecimento e na capacidade de pensar e projectar a vida e as relações no futuro, a dois. Algumas vezes, e oxalá poucas, os anos de namoro são anos de entretenimento e gratificação recíproca e raramente de preparação para o assumir de um projecto futuro a dois e, por isso, na hora das dificuldades vem admiração: "afinal eu não te conhecia". Não há dúvida que o relativismo, o facilitismo e o individualismo, enquanto traços culturais da actualidade, incidem negativamente neste fenómeno. Debilitam a vontade e fortalecem o egoísmo e a auto-suficiência, não estruturam a personalidade para irem superando as dificuldades normais da vida e da relação. Tudo isto nos revela que a preparação para o matrimónio requer mesmo maior atenção e exigência por parte das paróquias e de outros organismos onde os jovens se movimentam.

Conceição Vieira - Redacção do Jornal da Família

19 de outubro de 2007

Os portugueses e o Papa

“Nunca esqueçais o Papa”, pediu Bento XVI aos portugueses, na mensagem do passado domingo, durante o Angelus, em ligação directa a Fátima. Porque será que ele nos disse isto?
Muito provavelmente, porque o Papa acha que o podemos esquecer… Temos por adquiridos os atributos de “Nação fidelíssima”, mas, na prática, não o manifestamos.
Publicamente, em Roma, sucedem-se grupos e peregrinações de várias nações, inscrevem-se no Vaticano e pedem uma bênção especial ao Papa… Mas os portugueses, nada fazem.
Até há bem pouco tempo, a nossa era uma das línguas oficiais do Vaticano. Agora, já deixou de o ser. Todas as quartas-feiras e domingos, o Papa dirige-se aos peregrinos em diversas línguas, mas raramente em português. E, quando o faz, usa expressões brasileiras.
Salvo raras excepções, já não há portugueses junto do Papa. E os vestígios da nossa presença em Roma limitam-se, agora, quase só à memória arquitectónica… Ora, Portugal, desde a sua fundação, sempre afirmou a sua identidade no amor ao Papa e a Nossa Senhora.
Em boa hora – e a propósito de Fátima - Bento XVI quis agora recordá-lo.

Aura Miguel

15 de outubro de 2007

Pai presente

Ser pai ou mãe é uma benção inigualável! E porque se dedica tanta atenção às mães, deixando muitas vezes o pai um pouco “abandonado” no seu papel que afinal também é muito importante para a formação equilibrada do novo Ser que vem a caminho, deixo aqui algumas linhas dedicadas em especial ao pai.

Apesar de ao longo dos séculos se ter aceite a ideia de que o sentimento “maternal” é pertença da mãe, já existe hoje em dia, felizmente outra forma de entendê-lo e de o aceitar. Hoje, muita gente já considera o sentimento “maternal” como sendo «aplicável a ambos os sexos indiferentemente, o que se pode observar com a evolução social actual, onde cada vez mais os pais tomam um lugar privilegiado junto dos filhos, lugar antes reservado às mulheres.»
A propósito do que foi referido acima, temos Steele e Polak que criaram «o conceito de Função Maternal como algo que se expressa de diferente forma em todos os indivíduos» (1968), depreendendo-se assim que a «Função Maternal» pode estar presente em indivíduos de qualquer sexo.
Para que a «Função Maternal» possa ser manifestada pelo pai propriamente dito, é necessário que ele vivencie um sentimento de paternidade.
Actualmente surge uma nova concepção de pai que deseja estabelecer um vínculo afectivo com o seu filho logo que se inicia a gestação, afastando-se assim do pai tradicional a que fomos habituados a conhecer nos séculos passados.
O pai não tem somente ou impreterivelmente que ser visto como o provedor do sustento familiar, mas tem também o direito e o dever de amparar, de se ligar e usufruir da existência do novo ser e de expressar emoção e afecto pelo seu filho(a), pois ele é parte integrante da existência desse novo ser, sendo também importante que exerça a sua «Função Maternal».
O sentimento de paternidade, se desenvolvido quando se inicia a gestação, e em alguns casos até antes, fomenta e harmoniza o relacionamento familiar no lar, além de proporcionar desde cedo o bem-estar e sentimento de pertença e de ser bem-vindo ao novo Ser que vive ainda aconchegado no ventre da mãe.
«(...) O quotidiano do cuidado à saúde da mulher vem mostrando que a relação com o parceiro sexual influencia profundamente o bem-estar da mulher na gestação e após o nascimento dos(as) filhos(as), seja pela sua presença, aceitação e prazer de estarem juntos, seja pela sua ausência, resistência e negação da responsabilidade como pai. Quando a participação do homem é efectiva, na gravidez e após o parto, criam-se situações de bem-estar para todos os envolvidos no processo, de modo a se estabelecerem relações mais igualitárias. (...)».
«(...) a gestação configura-se como um período de preparação para novos atributos sociais tanto para a mãe quanto para o pai. Assim, quanto mais fortes forem os laços afectivos fixados entre pai e filho(a) na gravidez, melhor será o desenvolvimento da paternidade e do vínculo pai-filho(a) na vida fora do útero, sendo o estabelecimento desses laços, nos primeiros estágios de vida, a chave para reviver a instituição da paternidade. (...) A esse respeito, pode-se afirmar que os pais mais conectados emocionalmente à gestação estariam mais predispostos a reagir adequadamente às necessidades de apoio e compreensão de suas esposas (...)» .
Algumas sugestões para que o pai possa vivenciar o sentimento de ser pai antes do nascimento do(a) filho(a):
- Encontrar uma forma pessoal de celebrar o acontecimento de ser pai;
- Aceitar com alegria o facto de ser pai;
- Exprimir a sua emoção e afecto em pensamentos palavras e atitudes tanto para com a sua esposa como para o seu filho(a);
- Ter proximidade física com a gestante;
- Compartilhar da experiência que é vivida no corpo da companheira;
- Compartilhar as alegrias do nascimento e as tarefas diárias;
- Ajudar a integrar os outros filhos, que já existam, na realidade de um novo filho(a);
- Dialogar com a sua esposa acerca de todos os assuntos relacionados com o novo Ser, além dos assuntos inerentes à vida do próprio casal.
Concretamente no que se refere ao método de ensino do “Português Fácil para “Bebés” – Alfabetização pré-natal e jogos de apoio para crianças” certamente que o método desenvolvido deve ser utilizado também pelo pai, e não só pela mãe.
Quando os exercícios referidos a partir da página 63 à 74 são realizados em conjunto pelo pai e pela mãe, os laços afectivos se tornarão mais fortes no triângulo familiar “pai-mãe-filho(a)” e só se terá a ganhar benefícios no relacionamento familiar e na realização individual firmando os papéis que compete a cada um, em harmonia, entendimento e amor.
Por ser tão importante que a existência do novo “bebé” seja um empreendimento familiar (e incluímos aqui também a integração dos outros filhos que possam já existir) nunca é demais referir que, mesmo na fase da programação (sempre que possível) de um novo “bebé”, o novo Ser deve ser desejado e aceite o mais cedo possível (desde a sua programação ou da sua concepção).
A sua existência deve ser recebida por cada um dos elementos da família (pai-mãe-filhos já existentes, podendo e devendo abranger os avós e restantes familiares), de uma forma amorosa fazendo o novo Ser sentir-se amado e desejado.


Texto retirado do livro “Português Fácil para “Bebés” – Alfabetização pré-natal e jogos de apoio para crianças”, de Alexandra Caracol - colaboradora o Jornal da Família

Missão global

Bem sabemos que muitas considerações se têm levantado em torno da palavra missão. Tem origem no “envio” e durante muito tempo foi tomada como dirigida a um grupo de chamados com excepcionais carismas de entrega, generosidade e aventura e fé. Fossem surdos esses convocados e ainda hoje povos inteiros desconheceriam não apenas o nome de Jesus, mas também toda a profusão de sinais no campo da cultura, do desenvolvimento e do sentido libertador da salvação. O cristianismo mudou a história do mundo e deu um rumo novo a povos inteiros de toda a terra. Sempre à mistura com as imperfeições dos portadores da Boa Nova.

Os tempos mudaram. E mesmo com a necessidade de prosseguir o anúncio por mensageiros firmes e corajosos, portadores do archote da esperança e da libertação, uma exigência mais aberta e comprometida se desenha para a comunidade evangelizada: ser comunidade evangelizadora. Isso supõe a ultrapassagem da visão tímida de esconder o talento recebido para ser fruído num qualquer fragmento de eternidade.

O apelo de hoje, na proposta de Bento XVI, é responsabilizar a Igreja, todas as Igrejas por todo o mundo. O que abre uma perspectiva de missão global. Não sendo nova, expressa a urgência que não deixa ninguém quieto, nem excluído, nem dispensado da missão. Rompe as portas estreitas do apostolado circular, ou que se limita a franjas próximas na prática religiosa, na cultura comum, ou na área onde possam chegar restos de onda por inércia.

“Toda a Igreja para todas as Igrejas e para todo o mundo” implica uma mobilização corajosa e eficaz de atravessar mares, visitar culturas, conhecer religiões, oferecer o Evangelho como Boa Nova. De forma viva, testemunhal, pacífica, dialo-gante e apaixonada. Implica uma partilha real de bens, meios, pessoas, na solidariedade sublime da fé. A 150 anos da partida dum grupo de missionários para a África – incluindo Comboni, como lembra o Papa - a Igreja pode reacender a aventura da missão, mais purificada pelos novos dados de diálogo cultural que o nosso tempo oferece. O tempo é de partir com o coração mais forte, a fé mais viva e as mãos mais puras. Ainda que o lugar de missão seja o outro lado da rua.

António Rego

8 de outubro de 2007

O Jovem e a Família

“E Ele lhes era submisso”(Lc 2,51)
1 ´ A família é sagrada. Foi criada por Deus para nela sermos felizes.
Jesus quis viver numa família e ser obediente por 30 anos a seus pais. (exemplo para os filhos). Trabalhou submisso a seu pai adoptivo São José sem reclamar, sem desobedecer (exemplo)

2 “Foi Deus quem quis que viéssemos ao mundo por nossos pais. Foi Deus quem lhe deu autoridade sobre os filhos para educá-los. Use (Ef 6,1´3) : Filhos, obedecei a vossos pais segundo o Senhor, porque isto é Justo. Honra teu pai e tua mãe” que é o primeiro mandamento que vem acompanhado de uma promessa “ para que sejas feliz e tenhas vida longa sobre a terra. Quem de vocês não quer ser feliz ou ter vida longa sobre a terra ? Então, honre os seu pais.

3 “Usar muito (Eclo 3), que é riquíssimo. Eclo 3,2 ´ ouvir os conselhos dos pais... para ser salvo Eclo 3,5 ´ honra tua mãe... acumula um tesouro Eclo 3,6 ´ honra teus pais...achará alegria nos filhos Eclo 3,7 ´ terá vida longa Eclo 3,9 ´ honra por actos, palavras, paciência Eclo 3,10 ´ para que te dê a benção (enfatizar a importância da benção dos pais ´ é o próprio Deus que abençoa através dos pais). Eclo 3,11 ´ a benção do pai fortalece a casa do filho Eclo 3,14 ´ ajuda a velhice do teu pai, não o desgoste, demostre a vida Eclo 3,15 ´ ... não o desprezes... tua bondade para com ele não será esquecida. Eclo 3,16 ´ ...suportar os defeitos da mãe e serás muito recompensado por Deus: (explorar essas recompensas) Recompensas ao filho: ´ tua casa será prospera na justiça ´ lembrar-se-ão de ti no dia da aflição ´ teus pecados serão perdoados Eclo 3,18 ´ como é infame quem abandona seu pai e como é amaldiçoado por Deus quem maltrata sua mãe. Mostrar como Deus exige do filho o respeito para com os pais.

4 ´ Na sua casa você é a solução para os problemas ou será que você é um dos problemas a mais ? Você fez da sua casa uma pensão, onde você só entra para comer, para beber, ver TV, dormir, ou você vive numa família, amando seus pais, seus irmãos, e ajudando a resolver os problemas?

5 ´ Você faz a sua mãe de empregada ou até uma escrava, que tem que dar tudo que você quer na hora que você quer? Muitos filhos ingratos ofendem os pais com palavras, palavrões, insultos, até batem nos pais. Se a mãe não faz a comida que ele quer, já vai xingando, batendo porta e reclamando... Filhos que exigem o que o pai não pode dar, roupas caras, roupas de ´marcas´, ténis caro, etc... Quantos pais choram em silêncio nos seus quartos, sem que os filhos saibam. A mal criação é grave ofensa aos pais e a Deus.

6 ´ O perdão dado aos pais. Os pais não são anjos. Eles têm os seus problemas, mas amam os filhos como ninguém. Precisam ser também perdoados. Precisam ser amados, consolados nas horas duras deles. Você faz isto? Quanto mais se dá o amor, mais amor se recebe. ´Vingue-se ´do seu pai, amando-o.

7 ´ Abordar o caso dos filhos que têm vergonha do próprio pai e da própria mãe. Aceite os seus pais como eles são. Eles te deram a vida . Peça-lhes a benção todos os dias . Ame-os como eles são. Ore por eles para que Deus os ajude sempre.

8 ´ A sua família depende de você. Tire a sujeira do seu bigode e a sua família vai melhorar. Seja você uma lâmpada acesa na escuridão do seu lar. Se lá não há Deus , leve-o para lá, leve Maria para sua casa. Jesus conta com você para reconstruir e salvar a sua família. É por meio de você, da sua oração no lar, pelo seu carinho com seus pais , com os seus irmãos, que Jesus e Maria vão entrar na sua casa e vão salvar todos vocês. Entregue hoje, aqui e agora, todas as dificuldades da sua família para Jesus, e Ele, com você vai salvar a sua casa. “Crê no Senhor Jesus e serás salvo tu e tua família” (Actos 16,31).


Do Livro: MARANATHA ´ do Prof. Felipe de Aquino - colaborador do JF

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