Diário da Assembleia Geral do ISCF

“Tudo o que se fizer a bem da família, por pequeno que seja é grande”. (Mons. Brás)

A Família no centro das atenções

Encontra aqui os vários artigos do Dr. Juan Ambrósio sobre a Família...

Encontro Mundial das Famílias 2015

O Vaticano apresentou dia 24 de março em conferência de imprensa o 7.º Encontro Mundial da Família, que vai decorrer de 22 a 27 de setembro de 2015 na cidade norte-americana de Filadélfia.

A saúde mental dos portugueses

Alguns dedicam-se obsessivamente aos números e às estatísticas esquecendo que a sociedade é feita de pessoas...

O trabalho, dom e direito

A sociedade portuguesa e internacional, vive uma situação de crise generalizada e de aumento das desigualdades sociais...

Longe vão os tempos

Longe vão os tempos dos preconceitos culturais em que se aceitava que era a mãe que tinha de cuidar dos filhos...

Dar esperança em tempo de crise

Vivemos tempos difíceis. A família, como célula base da sociedade, é imediatamente afetada por esta crise generalizada e que promete perdurar. Neste contexto, exige-se um novo paradigma, uma nova forma de estar e de nos relacionarmos.

4 de novembro de 2007

Projecto “Família Jovem”

Com o objectivo de promover o acompanhamento dos casais novos – uma das grandes lacunas da nossa pastoral – o Secretariado Diocesano da Pastoral Familiar de Coimbra (SDPF) lançou o projecto “Família jovem", com três níveis de actuação e envolvendo diversas estruturas paroquiais e diocesanas.

No 1ºnível, procura-se acompanhar os casais que frequentaram o CPM (Centro de Preparação para o Matrimónio). As paróquias serão alertadas para os casais que lá vão residir e providenciarão pelo seu acompanhamento personalizado (e continuado), tanto quanto possível através de um casal – o “casal amigo” - pertencente à Equipa Paroquial da Pastoral Familiar (EPPF). A estes casais jovens, e na expectativa de equilibrado crescimento conjugal e de uma adequada integração na comunidade, ser-lhes-á proposto um itinerário de formação, com o apoio dos movimentos de espiritualidade familiar, dos movimentos de cariz “mais” evangelizador (Cursos de Cristandade, Cursos ALPHA, Renovamento Carismático, etc.) e de outras estruturas diocesanas de formação. Embora o processo seja simples (e lógico), o SDPF está ciente das dificuldades da sua implementação, não só porque nem todas as paróquias têm EPPF, como também pela evidente falta de experiência de trabalho em conjunto. Desta forma, numa primeira fase, o projecto, com a coordenação e avaliação do SDPF, irá atingir um número restrito de situações não coibindo, porém – antes pelo contrário – qualquer paróquia deve abraçar, desde já, este desafio, de forma autónoma.

No 2º nível, procura-se acompanhar os casais que pedem à Igreja o Baptismo para os seus filhos. Aqui, a responsabilidade de todo o processo recai sobre o pároco e EPPF. Também deverá ser destacado um casal amigo e estudado um percurso de formação.

No 3º nível, investe-se no acompanhamento dos casais que matriculam os filhos na catequese pela primeira vez. São envolvidos, prioritariamente, pároco, coordenador da catequese e EPPF. Tal como nos outros níveis, os casais devem ser estimulados para sentir a necessidade de se integrarem num percurso formativo análogo ao já descrito, sempre acompanhados pelas estruturas paroquiais. É óbvio que este projecto é um grande desafio para todos nós. Exigirá muita Fé, muita organização, muito trabalho, muita paciência, muita comunhão e articulação de esforços entre as diversas estruturas diocesanas, pouco habituadas a trabalhar concertadamente. Exigirá, também, muita ousadia e criatividade. Mas será uma tentativa séria para termos famílias mais coesas, mais cristãs, mais "comunidades de vida e amor", isto é, mais felizes.

Jorge Cotovio

30 de outubro de 2007

Os direitos da terra


A “verdade inconveniente” de Al Gore deixou algumas dúvidas, como é sabido. Pareceu a alguns que o portador duma causa – a defesa do planeta – estava viciado de protagonismo interesseiro como “mestre da humanidade” a debitar lições pelos recantos ricos do planeta. Nobel da Paz deste ano, ganha a autoridade do que faz e diz no alerta vermelho para a mãe Terra, planeta azul.

Estamos perante uma questão ética, não apenas como afirmação teórica mas como urgente medida de consciência e atitude pessoal e colectiva, cultural e económica. Se todos abandonássemos o planeta no fim deste ano, ele facilmente se recomporia, no dizer de alguns ficcionistas. Sem o homem, com os animais à solta e as sementes, plantas e árvores sem restrições, brevemente – nuns poucos milhares de anos – a terra voltaria à sua atmosfera, fertilidade e equilíbrio. Só que, vazia do homem. E que vale esta terra sem o homem?

Como se percebe já entrámos em sérias implicações com estes exercícios mais imaginários que hipotéticos. Em qualquer caso há factos anotados: o aquecimento global, as mudanças climáticas com as sequelas que vamos conhecendo todos os dias. De novo se questiona sobre o tipo de desenvolvimento por que enveredámos. E como é possível prosseguir ou recuar. Do petróleo ao plástico, das violências quotidianas sobre os ritmos pacientes da natureza, às sucessivas ameaças ao equilíbrio ambiental, pomos em causa todo o nosso sistema de vivência e convivência.

São mais as questões que as soluções. A consciência individual vai-se muitas vezes aquietando face à impotência perante a fome, a desigualdade de oportunidades, a distribuição dos bens. Em matéria de ambiente sabe-se que são os mais poderosos que mais estragam a terra. Mas também se sabe que em qualquer recanto do planeta cada cidadão oferece uma percentagem significativa para o todo, na forma como se relaciona com a água, o ar, a alimentação, os meios de transporte, as opções limpas ou poluentes, os produtos preferidos, os hábitos adquiridos e transmitidos a novas gerações. Ninguém está fora deste barco. Trata-se duma “moral da vida” a que a consciência cristã não pode fugir. Sem nunca travar o progresso. Mas assumindo a responsabilidade de pertença comum do planeta. Para que este se não torne num triste pássaro ferido.

António Rego

29 de outubro de 2007

Matrimónio. Uma opção definitiva?!


7. Sacramento do Matrimónio II

A importância da reflexão acerca da sacramentalidade do matrimónio leva-me a insistir nesta dimensão, dando agora uma especial atenção à realidade da indissolubilidade.

Ao falarmos em realidade sacramental do matrimónio de modo nenhum estamos a reduzir essa realidade ao momento da celebração do sacramento na comunidade eclesial. Claro que esse momento é especial e mesmo único, o que não quer, no entanto, dizer que esgote a realidade do sacramento, nem sequer que seja o mais importante. É óbvio que sem o momento da celebração não se pode falar em plenitude do sacramento, mas é igualmente óbvio que não podemos reduzir o sacramento a esse momento determinado. Com efeito, a realidade sacramental é algo que abarca a vida conjugal na sua totalidade, com todos os seus elementos e dimensões e em toda a sua concretude histórica. O sinal sacramental estende-se, pois, à totalidade da vida dos esposos, uma vez que é toda a vida que deve ser sinal de comunhão e da indissolubilidade do amor.

Certamente que todos temos a consciência de que esta realidade deve ser vivida com um dinamismo de constante crescimento e amadurecimento, não porque a graça do sacramento não seja plena, mas porque, tal como nos outros sacramentos, o matrimónio também não se realiza de uma maneira mágica, necessitando de ser constantemente assumido e aprofundado na vida do casal.

Perdoem-me a insistência, mas gostaria que ficasse bem vincado que é a totalidade da vida do casal que deve ser vivida a partir da dinâmica sacramental. A indissolubilidade do matrimónio é disso um exemplo facilmente perceptível.

Apesar de todas as fragilidades e inconsistências das decisões humanas, os esposos afirmam o seu amor para sempre. Como é isso possível? Esta é certamente uma dúvida que muitas vezes nos assalta. Como é possível dizer que é para sempre? A luz da fé ajuda-nos a entender um pouco melhor esta realidade. No sacramento do matrimónio, a indissolubilidade não é apresentada como uma lei que é imposta e que limita a liberdade individual, pelo contrário, é apresentada como realização máxima da liberdade de cada um, como um não querer e não poder ser já de outra maneira, como um compromisso que realiza plenamente. No fundo, trata-se de uma decisão dos dois, mas de uma decisão que se apoia no próprio Mistério do amor de Deus.

Verdadeiramente a dimensão da indissolubilidade abre o homem e a mulher que se amam para uma outra maneira de ser, que se pretende definitiva. Ambos se convertem num só corpo (cf Gn 2, 24; Mc 10, 8; Ef 5, 3), se convertem num ‘nós’, tendo como consequência a realização de algo que é superior a cada um dos dois e que os marca profunda e definitivamente, A promessa da indissolubilidade altera, por completo, a história desses dois seres, marcando-os no mais profundo da sua humanidade. Um compromisso como este, realizado de um modo tão total e definitivo, é algo que tem obrigatoriamente que tocar o fundamento da existência dos dois cônjuges. A concepção cristã da vida e do amor vê aí, necessariamente, a Presença do Mistério que Deus é.

Desta forma a indissolubilidade do sacramento do matrimónio, não só aponta para uma outra realidade, como possibilita a participação nessa mesma outra realidade. Para os esposos a vivência desta dimensão, que passa necessariamente pela experiência do perdão e do acolhimento mútuo naquelas coisas que não são expressão de um amor pleno e profundo, constitui um lugar privilegiado para perceberem a Presença de Deus e para se sentirem interpelados ao testemunho dessa mesma Presença. Presença que ama e quer fazer sentir o seu amor para sempre.

por Juan Ambrósio - colaborador do Jornal da Família


Quem tem medo da Europa unida?

Para alguns analistas os tempos nunca são bons. Sobretudo nas vésperas duma crónica ou comentário, os tempos são os piores que a história já conheceu. Há críticos tão mal dispostos cuja alegria única é azedar o maior número de pessoas possível. Isto acontece com quase tudo: na política, economia, cultura, ou mesmo religião. Não há milagre que valha.

Mas falemos, para não irmos mais longe, da Europa. Do nosso Continente, da nossa matriz e memória. Do nosso passado e do nosso futuro. Com as glórias e desaires que vamos conhecendo e adivinhando. Entre lutas, opressões, pecados mortais contra a humanidade e contra Deus. Terra de heróis e santos, sábios e místicos, aventureiros e contemplativos. Ponto de irradiação de tantos sinais luminosos que ajudaram a desenhar o planeta que habitamos.

Não esquecemos as guerras e mortes. Não esquecemos o pós-guerra e as iniciativas de ressurgimento que surgiram. Ligada ao que chamamos Ocidente, a Europa deu corpo aos tempos novos que vivemos. A União Europeia começou, como sabemos, por ser uma estratégia económica de muito poucos. A história e o espírito empreendedor de alguns foi rasgando horizontes, abrindo portas, alargando a comunidade. Com maiores e menores, mais ricos e mais pobres. O Tratado há pouco aprovado em Lisboa pelos líderes da União Europeia, surge na esteira de entendimento entre os mais e menos velozes na caminhada do progresso. Se são os mais pequenos que correm mais riscos - e são - também em muitos aspectos serão os que recebem maiores benefícios com a aproximação. A solidariedade favorece mais os mais fracos.

Certamente poucos pacientes lerão o complexo texto do Tratado. Mas o essencial está dito e entendido, foi sendo relatado ao longo de anos com total abertura para os protestos e achegas em ordem ao respeito por todos e à solidariedade dum Continente que conhece a sua importância no concerto das Nações.

A questão que agora se coloca é esta: quem explicará todo o articulado do Tratado de Lisboa para o colocar em Referendo? Como pode o povo dizer sim ou não a um todo que é muito mais que meia dúzia de chavões? Para que servem os eleitos do povo se não para estudarem e decidirem questões na especialidade? O gosto pelo desprazer não justifica o número de objecções artificiais que agora se podem levantar. Nem, a esta hora, o pretenso arranjo dum tijolo deve colocar em risco todo o edifício.

António Rego

24 de outubro de 2007

23 de outubro de 2007

Famílias Cristãs numa “aldeia global”

No passado fim-de-semana, nos dias 19, 20 e 21 de Outubro, decorreram, no Centro Pastoral Paulo VI, em Fátima, as Jornadas Nacionais da Pastoral da Família, promovidas pelo Departamento Nacional da Pastoral Familiar.
Sob o tema de base “Identidade e valores da família numa sociedade global” a questão seria como os problemas actuais afectam a família em geral, neste mundo em que vivemos e que cada vez mais o definimos como “aldeia global”.

Vários sub temas foram abordados com o intento de ajudar a entender quais os problemas pelos quais a Família actual passa, e que também, de uma certa forma, são as suas ameaças hoje.
Desde a sua relação com os Mass Media, ou seja, da “comunicação perante a Família”, da relação “Trabalho, Profissão e vida Familiar” abordado pelo professor João César das Neves, a “a Intervenção Política da Família”, “as dificuldades de Evangelização em Contracultura”, “a Família e a Internet” e a sua própria identidade, etc., foi dado um panorama muito real daquilo que vivemos e assistimos quanto às famílias portuguesas.
Viver num mundo, numa sociedade cada vez mais globalizada, traz muitas provocações àqueles que se querem manter como pilares dessa mesma sociedade, como família modelo, que são como força que fura todos os preconceitos que se começam a criar em redor da Família e da sua real identidade, e o mais preocupante é a questão que se coloca – como a família educa, quais as consequências que daí derivam?
Mais num ponto de vista sociológico, numa abordagem feita pela Dr.ª Maria Engrácia Leandro, professora de Sociologia na Universidade do Minho, “não é a família que está em crise, mas sim uma certa forma de ser família. (…) A família continua a ser o pilar da sociedade e os portugueses continuam a achar a família como um valor fundamental, a valorizar as suas relações, o seu parentesco, etc., mas estes valores transformam-se porque as mentalidades também se transformam – hoje a família mantendo a mesma estrutura, vive de forma diferente. Os valores continuam a ser transmitidos, mas de maneira diferente. Muitos valores da família são vistos de forma diferente, sendo mesmo perdidos” - afirma.
E segundo dados estatísticos que ajudou a compreender melhor essa realidade, a mesma acrescenta – “ o divórcio aumentou, principalmente a partir dos anos 90; a origem da família já não é tanto o casamento; 23% das crianças que nascem é fora do casamento”. Mas sabemos que a influência mais decisiva numa criança continua a ser, sem sombra de dúvidas, a família.
Ficam vários desafios para possíveis ajudas junto das famílias, e que todos aqueles que participaram levassem para junto de outras. Porque está ao alcance de cada uma todo este processo… porque “se a família fosse boa, a sociedade também o seria”, sublinha Dr.ª Maria Engrácia.

Maria Matos

22 de outubro de 2007

Sinais

Cada vez ressoa com mais sentido aquela expressão que ouvi de uma pessoa amiga, quando conversávamos, soltamente, num banco de um jardim: "hoje os adolescentes e jovens andam embevecidos e estonteados com os modelos irreais do super-homem (super-mulher) nas virtualidades da telenovelas, da cibernética, filmes de ficção e outros, e valorizam pouco os modelos reais e concretos dos pais que no dia a dia lutam para conseguir equilibrar a vida, pessoal e familiar". O problema é que na hora de se confrontarem com as dificuldades, entram em conflito e viram-lhe as costas, com uma facilidade de espantar. Entre nós a preparação dos jovens para o matrimónio, começa a passar de preocupação latente a acções concretas. Aqui e acolá, vão aparecendo sinais de uma planificação de acções para este efeito. A facilidade com que se casam, ou se juntam 'hoje' e 'amanhã' se deixam, dá que pensar e deixa intuir a fragilidade dos vínculos que os une e a pouca preparação. A vulgarização e por vezes a banalização das relações sexuais, 'sempre à mão', a ilusão e a confusão entre paixão e amor; por vezes o degenerar do namoro num companheirismo útil que afasta a solidão, são alguns dos factores que dificultam o assumir de um namoro sério e honesto. Parece falhar a coragem de investir no auto-conhecimento, heteroconhecimento e na capacidade de pensar e projectar a vida e as relações no futuro, a dois. Algumas vezes, e oxalá poucas, os anos de namoro são anos de entretenimento e gratificação recíproca e raramente de preparação para o assumir de um projecto futuro a dois e, por isso, na hora das dificuldades vem admiração: "afinal eu não te conhecia". Não há dúvida que o relativismo, o facilitismo e o individualismo, enquanto traços culturais da actualidade, incidem negativamente neste fenómeno. Debilitam a vontade e fortalecem o egoísmo e a auto-suficiência, não estruturam a personalidade para irem superando as dificuldades normais da vida e da relação. Tudo isto nos revela que a preparação para o matrimónio requer mesmo maior atenção e exigência por parte das paróquias e de outros organismos onde os jovens se movimentam.

Conceição Vieira - Redacção do Jornal da Família

19 de outubro de 2007

Os portugueses e o Papa

“Nunca esqueçais o Papa”, pediu Bento XVI aos portugueses, na mensagem do passado domingo, durante o Angelus, em ligação directa a Fátima. Porque será que ele nos disse isto?
Muito provavelmente, porque o Papa acha que o podemos esquecer… Temos por adquiridos os atributos de “Nação fidelíssima”, mas, na prática, não o manifestamos.
Publicamente, em Roma, sucedem-se grupos e peregrinações de várias nações, inscrevem-se no Vaticano e pedem uma bênção especial ao Papa… Mas os portugueses, nada fazem.
Até há bem pouco tempo, a nossa era uma das línguas oficiais do Vaticano. Agora, já deixou de o ser. Todas as quartas-feiras e domingos, o Papa dirige-se aos peregrinos em diversas línguas, mas raramente em português. E, quando o faz, usa expressões brasileiras.
Salvo raras excepções, já não há portugueses junto do Papa. E os vestígios da nossa presença em Roma limitam-se, agora, quase só à memória arquitectónica… Ora, Portugal, desde a sua fundação, sempre afirmou a sua identidade no amor ao Papa e a Nossa Senhora.
Em boa hora – e a propósito de Fátima - Bento XVI quis agora recordá-lo.

Aura Miguel

15 de outubro de 2007

Pai presente

Ser pai ou mãe é uma benção inigualável! E porque se dedica tanta atenção às mães, deixando muitas vezes o pai um pouco “abandonado” no seu papel que afinal também é muito importante para a formação equilibrada do novo Ser que vem a caminho, deixo aqui algumas linhas dedicadas em especial ao pai.

Apesar de ao longo dos séculos se ter aceite a ideia de que o sentimento “maternal” é pertença da mãe, já existe hoje em dia, felizmente outra forma de entendê-lo e de o aceitar. Hoje, muita gente já considera o sentimento “maternal” como sendo «aplicável a ambos os sexos indiferentemente, o que se pode observar com a evolução social actual, onde cada vez mais os pais tomam um lugar privilegiado junto dos filhos, lugar antes reservado às mulheres.»
A propósito do que foi referido acima, temos Steele e Polak que criaram «o conceito de Função Maternal como algo que se expressa de diferente forma em todos os indivíduos» (1968), depreendendo-se assim que a «Função Maternal» pode estar presente em indivíduos de qualquer sexo.
Para que a «Função Maternal» possa ser manifestada pelo pai propriamente dito, é necessário que ele vivencie um sentimento de paternidade.
Actualmente surge uma nova concepção de pai que deseja estabelecer um vínculo afectivo com o seu filho logo que se inicia a gestação, afastando-se assim do pai tradicional a que fomos habituados a conhecer nos séculos passados.
O pai não tem somente ou impreterivelmente que ser visto como o provedor do sustento familiar, mas tem também o direito e o dever de amparar, de se ligar e usufruir da existência do novo ser e de expressar emoção e afecto pelo seu filho(a), pois ele é parte integrante da existência desse novo ser, sendo também importante que exerça a sua «Função Maternal».
O sentimento de paternidade, se desenvolvido quando se inicia a gestação, e em alguns casos até antes, fomenta e harmoniza o relacionamento familiar no lar, além de proporcionar desde cedo o bem-estar e sentimento de pertença e de ser bem-vindo ao novo Ser que vive ainda aconchegado no ventre da mãe.
«(...) O quotidiano do cuidado à saúde da mulher vem mostrando que a relação com o parceiro sexual influencia profundamente o bem-estar da mulher na gestação e após o nascimento dos(as) filhos(as), seja pela sua presença, aceitação e prazer de estarem juntos, seja pela sua ausência, resistência e negação da responsabilidade como pai. Quando a participação do homem é efectiva, na gravidez e após o parto, criam-se situações de bem-estar para todos os envolvidos no processo, de modo a se estabelecerem relações mais igualitárias. (...)».
«(...) a gestação configura-se como um período de preparação para novos atributos sociais tanto para a mãe quanto para o pai. Assim, quanto mais fortes forem os laços afectivos fixados entre pai e filho(a) na gravidez, melhor será o desenvolvimento da paternidade e do vínculo pai-filho(a) na vida fora do útero, sendo o estabelecimento desses laços, nos primeiros estágios de vida, a chave para reviver a instituição da paternidade. (...) A esse respeito, pode-se afirmar que os pais mais conectados emocionalmente à gestação estariam mais predispostos a reagir adequadamente às necessidades de apoio e compreensão de suas esposas (...)» .
Algumas sugestões para que o pai possa vivenciar o sentimento de ser pai antes do nascimento do(a) filho(a):
- Encontrar uma forma pessoal de celebrar o acontecimento de ser pai;
- Aceitar com alegria o facto de ser pai;
- Exprimir a sua emoção e afecto em pensamentos palavras e atitudes tanto para com a sua esposa como para o seu filho(a);
- Ter proximidade física com a gestante;
- Compartilhar da experiência que é vivida no corpo da companheira;
- Compartilhar as alegrias do nascimento e as tarefas diárias;
- Ajudar a integrar os outros filhos, que já existam, na realidade de um novo filho(a);
- Dialogar com a sua esposa acerca de todos os assuntos relacionados com o novo Ser, além dos assuntos inerentes à vida do próprio casal.
Concretamente no que se refere ao método de ensino do “Português Fácil para “Bebés” – Alfabetização pré-natal e jogos de apoio para crianças” certamente que o método desenvolvido deve ser utilizado também pelo pai, e não só pela mãe.
Quando os exercícios referidos a partir da página 63 à 74 são realizados em conjunto pelo pai e pela mãe, os laços afectivos se tornarão mais fortes no triângulo familiar “pai-mãe-filho(a)” e só se terá a ganhar benefícios no relacionamento familiar e na realização individual firmando os papéis que compete a cada um, em harmonia, entendimento e amor.
Por ser tão importante que a existência do novo “bebé” seja um empreendimento familiar (e incluímos aqui também a integração dos outros filhos que possam já existir) nunca é demais referir que, mesmo na fase da programação (sempre que possível) de um novo “bebé”, o novo Ser deve ser desejado e aceite o mais cedo possível (desde a sua programação ou da sua concepção).
A sua existência deve ser recebida por cada um dos elementos da família (pai-mãe-filhos já existentes, podendo e devendo abranger os avós e restantes familiares), de uma forma amorosa fazendo o novo Ser sentir-se amado e desejado.


Texto retirado do livro “Português Fácil para “Bebés” – Alfabetização pré-natal e jogos de apoio para crianças”, de Alexandra Caracol - colaboradora o Jornal da Família

Missão global

Bem sabemos que muitas considerações se têm levantado em torno da palavra missão. Tem origem no “envio” e durante muito tempo foi tomada como dirigida a um grupo de chamados com excepcionais carismas de entrega, generosidade e aventura e fé. Fossem surdos esses convocados e ainda hoje povos inteiros desconheceriam não apenas o nome de Jesus, mas também toda a profusão de sinais no campo da cultura, do desenvolvimento e do sentido libertador da salvação. O cristianismo mudou a história do mundo e deu um rumo novo a povos inteiros de toda a terra. Sempre à mistura com as imperfeições dos portadores da Boa Nova.

Os tempos mudaram. E mesmo com a necessidade de prosseguir o anúncio por mensageiros firmes e corajosos, portadores do archote da esperança e da libertação, uma exigência mais aberta e comprometida se desenha para a comunidade evangelizada: ser comunidade evangelizadora. Isso supõe a ultrapassagem da visão tímida de esconder o talento recebido para ser fruído num qualquer fragmento de eternidade.

O apelo de hoje, na proposta de Bento XVI, é responsabilizar a Igreja, todas as Igrejas por todo o mundo. O que abre uma perspectiva de missão global. Não sendo nova, expressa a urgência que não deixa ninguém quieto, nem excluído, nem dispensado da missão. Rompe as portas estreitas do apostolado circular, ou que se limita a franjas próximas na prática religiosa, na cultura comum, ou na área onde possam chegar restos de onda por inércia.

“Toda a Igreja para todas as Igrejas e para todo o mundo” implica uma mobilização corajosa e eficaz de atravessar mares, visitar culturas, conhecer religiões, oferecer o Evangelho como Boa Nova. De forma viva, testemunhal, pacífica, dialo-gante e apaixonada. Implica uma partilha real de bens, meios, pessoas, na solidariedade sublime da fé. A 150 anos da partida dum grupo de missionários para a África – incluindo Comboni, como lembra o Papa - a Igreja pode reacender a aventura da missão, mais purificada pelos novos dados de diálogo cultural que o nosso tempo oferece. O tempo é de partir com o coração mais forte, a fé mais viva e as mãos mais puras. Ainda que o lugar de missão seja o outro lado da rua.

António Rego

8 de outubro de 2007

O Jovem e a Família

“E Ele lhes era submisso”(Lc 2,51)
1 ´ A família é sagrada. Foi criada por Deus para nela sermos felizes.
Jesus quis viver numa família e ser obediente por 30 anos a seus pais. (exemplo para os filhos). Trabalhou submisso a seu pai adoptivo São José sem reclamar, sem desobedecer (exemplo)

2 “Foi Deus quem quis que viéssemos ao mundo por nossos pais. Foi Deus quem lhe deu autoridade sobre os filhos para educá-los. Use (Ef 6,1´3) : Filhos, obedecei a vossos pais segundo o Senhor, porque isto é Justo. Honra teu pai e tua mãe” que é o primeiro mandamento que vem acompanhado de uma promessa “ para que sejas feliz e tenhas vida longa sobre a terra. Quem de vocês não quer ser feliz ou ter vida longa sobre a terra ? Então, honre os seu pais.

3 “Usar muito (Eclo 3), que é riquíssimo. Eclo 3,2 ´ ouvir os conselhos dos pais... para ser salvo Eclo 3,5 ´ honra tua mãe... acumula um tesouro Eclo 3,6 ´ honra teus pais...achará alegria nos filhos Eclo 3,7 ´ terá vida longa Eclo 3,9 ´ honra por actos, palavras, paciência Eclo 3,10 ´ para que te dê a benção (enfatizar a importância da benção dos pais ´ é o próprio Deus que abençoa através dos pais). Eclo 3,11 ´ a benção do pai fortalece a casa do filho Eclo 3,14 ´ ajuda a velhice do teu pai, não o desgoste, demostre a vida Eclo 3,15 ´ ... não o desprezes... tua bondade para com ele não será esquecida. Eclo 3,16 ´ ...suportar os defeitos da mãe e serás muito recompensado por Deus: (explorar essas recompensas) Recompensas ao filho: ´ tua casa será prospera na justiça ´ lembrar-se-ão de ti no dia da aflição ´ teus pecados serão perdoados Eclo 3,18 ´ como é infame quem abandona seu pai e como é amaldiçoado por Deus quem maltrata sua mãe. Mostrar como Deus exige do filho o respeito para com os pais.

4 ´ Na sua casa você é a solução para os problemas ou será que você é um dos problemas a mais ? Você fez da sua casa uma pensão, onde você só entra para comer, para beber, ver TV, dormir, ou você vive numa família, amando seus pais, seus irmãos, e ajudando a resolver os problemas?

5 ´ Você faz a sua mãe de empregada ou até uma escrava, que tem que dar tudo que você quer na hora que você quer? Muitos filhos ingratos ofendem os pais com palavras, palavrões, insultos, até batem nos pais. Se a mãe não faz a comida que ele quer, já vai xingando, batendo porta e reclamando... Filhos que exigem o que o pai não pode dar, roupas caras, roupas de ´marcas´, ténis caro, etc... Quantos pais choram em silêncio nos seus quartos, sem que os filhos saibam. A mal criação é grave ofensa aos pais e a Deus.

6 ´ O perdão dado aos pais. Os pais não são anjos. Eles têm os seus problemas, mas amam os filhos como ninguém. Precisam ser também perdoados. Precisam ser amados, consolados nas horas duras deles. Você faz isto? Quanto mais se dá o amor, mais amor se recebe. ´Vingue-se ´do seu pai, amando-o.

7 ´ Abordar o caso dos filhos que têm vergonha do próprio pai e da própria mãe. Aceite os seus pais como eles são. Eles te deram a vida . Peça-lhes a benção todos os dias . Ame-os como eles são. Ore por eles para que Deus os ajude sempre.

8 ´ A sua família depende de você. Tire a sujeira do seu bigode e a sua família vai melhorar. Seja você uma lâmpada acesa na escuridão do seu lar. Se lá não há Deus , leve-o para lá, leve Maria para sua casa. Jesus conta com você para reconstruir e salvar a sua família. É por meio de você, da sua oração no lar, pelo seu carinho com seus pais , com os seus irmãos, que Jesus e Maria vão entrar na sua casa e vão salvar todos vocês. Entregue hoje, aqui e agora, todas as dificuldades da sua família para Jesus, e Ele, com você vai salvar a sua casa. “Crê no Senhor Jesus e serás salvo tu e tua família” (Actos 16,31).


Do Livro: MARANATHA ´ do Prof. Felipe de Aquino - colaborador do JF

4 de outubro de 2007

Matrimónio. Uma opção definitiva?!


6. O Sacramento do Matrimónio

No último número partilhei convosco algumas reflexões acerca do amor conjugal. É com esse pano de fundo que agora vos proponho dar um passo em frente. Na verdade, o sacramento do matrimónio tem com o amor conjugal uma íntima e fundamental relação, de tal modo que agora tentaremos ver como este encontro e relação específica de amor, vivido entre um homem e uma mulher, pode ser assumido, aprofundado e vivido, de modo a tornar-se sacramento no verdadeiro sentido da palavra.

Uma primeira nota pode rapidamente ser depre-endida da própria expressão sacramento. Ao falar em sacramento do matrimónio estamos, pois, a referir-nos a uma atitude existencial que exige e pressupõe a fé. Deste modo, fica desde logo claro que agora já estamos no campo explícito da vivência cristã. Já não se trata, então, simplesmente de falar de um determinado tipo de relação, intensa, madura, séria, adulta, responsável, e todos os demais adjectivos que possamos utilizar para fazer referência à importância e profundidade da realidade do amor humano, trata-se de referirmo-nos a esta realidade vivida não só à luz da fé, mas sobretudo a partir da fé.

Só quando duas pessoas assumem a sua relação de amor dentro do projecto de Deus para a sua vida, em concreto, e para a vida da humanidade, em geral, é que podemos verdadeiramente falar em sacramento do matrimónio. Quando a relação de amor é vivida a partir da dinâmica da fé, de tal maneira que existe a consciência de que o próprio Deus assume essa relação - testemunhando-a e assistindo-a com a sua graça de uma maneira especial -, quando ela é também assumida como resposta à interpelação de Deus a cada membro do casal e é publicamente assumido o compromisso de que assim é, então não devem restar dúvidas de que estamos perante uma relação de amor conjugal que é sacramento.

Com efeito, o sacramento do matrimónio pressupõe que os dois esposos não só queiram viver a vida a partir o projecto de Deus, mas que assumam a sua vida a dois como fazendo parte integrante desse mesmo projecto, de modo que o amor que cada um doa ao outro, ou melhor dizendo é para o outro, seja publicamente vivido como sinal concreto do amor com que Deus ama a humanidade. Neste sentido, os esposos são chamados a ter cada vez uma consciência mais clara de que é, também, através do seu amor e fidelidade que o próprio amor e fidelidade de Deus se concretizam na história.

No fundo, o sacramento do matrimónio, tal como todos os outros sacramentos, é realização do mistério de Jesus Cristo. Em Cristo, Deus Pai não só proclamou o seu amor pela humanidade, como a amou (e continua a amar) plenamente. O mistério de Cristo é a realização mais plena da comunhão vivida entre Deus e o ser humano, comunhão que continua, hoje, a realizar-se na Igreja. Por isso, é na e perante a comunidade eclesial que os cônjuges assumem ser, com a sua vida e o seu amor, sinal concreto do mistério de Cristo.

É esta unidade de amor existente entre o Deus e o ser humano que é actualizada por meio do sacramento no amor matrimonial. A partir desta realidade talvez seja mais fácil entender a força daquilo que quero de seguida afirmar: o amor e a fidelidade dos esposos cristãos não são simplesmente um sinal do amor de Deus, querem ser mais, devem ser mais, ou seja, são sinal eficaz, símbolo realizado, verdadeira actualização do amor de Deus oferecido em Jesus Cristo.

Por causa desta realidade, atrevo-me a dizer, fazendo ecoar nas minhas palavras as palavras de vida que tantos na comunidade eclesial me têm testemunhado, que o sacramento do matrimónio é uma das melhores «gramáticas» para ousar dizer, viver e testemunhar o Mistério que Deus é.

por Drº Juan Ambrósio - colaborador do Jornal da Família

2 de outubro de 2007

O que nos diz as respostas?

Estudo dos resultados das enquetes lançadas no blogue ao longo do mês de Setembro

Dos 21 votos atribuídos à questão: “Costuma elogiar os seus filhos?” ganhou o sim com (100%). Nesta pequena (e não significativa) amostra é frequente o elogio na educação.

A atitude reforçadora, motivadora de um educador (pais/profissionais) é basilar no crescimento global e harmonioso da criança, particularmente, a nível emocional.

“Eu não consigo!” “Faz tu, porque eu não faço bem.” “Quero ser sempre pequeno porque não consigo fazer as coisas.” Diogo (4 anos)

A imagem positiva (ou não) que a criança constrói de si, a (in)segurança que sente dependem da imagem que ela capta de si proveniente do exterior. Crianças sobredotadas mas com baixa auto estima são crianças e provavelmente adultos que fracassam na vida. A auto-estima depende da segurança, do saber e sentir-se amada por quem é e não só por o que faz, como faz ou deixa de fazer.

Uma jovem de 17 anos, filha de professores, excelente aluna, escondia de todos, inclusive de seus pais a ansiedade, a tristeza em que vivia pelo medo de deixar de ser a melhor aluna – porque, no seu entender, acabaria o amor de seus pais, para com ela.

Elogiar a criança quando executa alguma tarefa, ou tem uma determinada atitude é uma estratégia pedagógica primordial na educação. Aumenta a sua auto-estima, reforça a motivação para se autovalorizar-se e ultrapassar-se em cada desafio.

A criança tem de ter a confiança que é capaz de aprender e de fazer bem as coisas. Para isso, também é necessário errar. Ninguém aprende a fazer bem alguma coisa se antes não errou ou fê-la menos bem. Desde que a pessoa esteja numa atitude de crescimento, pode observar que há sempre forma de se ser melhor, em tudo. O que se deve corrigir, e identificar como errado é o ato em si mas nunca a pessoa (criança). Porque ela na sua dignidade é muito mais que aquilo que expressou: em palavras, atitudes, gestos, acções.

É muito fácil rotulamos uma criança, com observações do género: preguiçosa; mas que distraída; não sei a quem sais; que desleixada; essa cabeça só dá para criar piolhos; ai, que burrinha; chocha; és má; és espertalhona; más notas, já sabes vais trabalhar; olha para o teu irmão (ã); etc..

O reforço, o elogio no momento correcto, de acordo com as características individuais de cada criança transmite capacidade para…; amizade; confiança; compreensão; bondade e amor; satisfação; força para corrigir erros ou para se melhorar.

Basta olharmos para nós, ver como comportamo-nos quando somos elogiados ou não. Como é proporcional o grau da nossa satisfação, da nossa motivação com a qualidade da motivação extrínseca. Claro que não podemos depender apenas desta motivação mas nos primeiros anos de vida é dela que depende o equilíbrio emocional e social.

Trata/trataria os seus filhos da mesma forma? Nesta questão a resposta - Não. Cada um é uma pessoa singular, irrepetível – ganhou com uma margem pouco significativa (8 de 15 votos) à resposta - Sim. Não faço distinções.

A questão é controversa. Mas penso que como seres únicos que somos é impensável educarmos da mesma maneira as crianças. Todos têm os mesmos direitos de educação, de condições, de amor… mas a forma, o como são expressos esses direitos obriga necessariamente que haja um tratamento distintivo para cada criança. Esta diferença também é (ou deve ser levada em conta) no Pré-escolar, na Escola….

Este tratamento diferenciado não significa, muito pelo contrário, beneficiar em direitos, sobretudo em carinho, um filho em relação a outro(s) porque se gosta mais dele; por ter sido o primeiro, ou porque é o mais novinho, ou porque é o varão da família, ou porque…. A diferença centra-se na actuação.

Quando nasce um irmãozinho, a mãe obrigatoriamente está a dar uma atenção diferente ao bebé que requer mais cuidados. Não damos conta mas o nosso falar, a forma como castigamos, elogiamos, estimulamos é diferente (tem de ser diferente) de criança para criança dependendo das suas características: emocionais, sociais, etc.

análise feita por Carla Mão de Ferro - Educadora de Infância e colaboradora do JF

1 de outubro de 2007

O Blogue do Jornal da Família está de parabéns

É o primeiro aniversário de um projecto que à partida parece pouco significativo, pouco prometedor, mas que tem muito de ambicioso. Digo ambicioso porque, como toda a gente, queremos chegar mais além. E este é o primeiro passo para lá chegar...
O Jornal da Família à muito que existe. Impresso, mais concretamente, à 48 anos. Com este Blogue queremos-lhe dar uma outra dimensão, uma outra perspectiva que abrange um outro público, os internautas, de forma a que se torne mais conhecido neste espaço, e que nele possam participar, interagir, coisa que o papel não permite.
A todos os colaboradores nós também os felicitamos, porque graças a eles este projecto mantém-se de pé, e graças a eles também mantemos o carisma do mesmo, fiel desde o princípio, sempre com a Família no horizonte.
1 de Outubro, dia de Santa Teresinha do Menino Jesus, padroeira das missões, a ela também lhe pedimos que com este projecto nós possamos fazer missão num mundo em que vários temas, várias pessoas, várias religiões, etnias, culturas, etc., se cruzam diariamente à velocidade a luz...
O Jornal da Família está ao serviço das Famílias, e o nosso desejo é que as mesmas encontrem em nós aquilo de que procuram, a informação e a formação de que necessitam, porque como diz o nosso fundador, Monsenhor Joaquim Alves Brás: "Salvemos as famílias e salvaremos o mundo".
Um bem haja a todos aqueles que, em todos os sentidos, estão connosco.

Maria Matos

Português fácil para bebés

No passado dia 29 de Setembro, na FNAC do Centro Comercial Colombo (Lisboa), Alexandra Caracol, a mais recente colaboradora do Jornal da Família, fez o lançamento do seu mais recente livro - "Português fácil para bebés" - que faz parte de uma colecção de 17 volumes, entre os quais 3 estão quase terminados e dados a conhecer ao público.
Sobre um método novo de ensino, Alexandra delicia quem por esta área se encontra. Pais, professores, educadores... aqui encontrarão material de apoio e até mesmo de um querer saber mais.

Poderá encontrar outros livros da autora no seguinte endereço:www.alexandracaracol.com

24 de setembro de 2007

Em casa - Estimular potencial das crianças

Quando um bebé vem ao mundo tem um potencial cognitivo à espera de ser desenvolvido. Todas as crianças têm capacidades para voar na vida, independentemente das suas opções ou circunstâncias de vida. Um futuro médico não terá uma inteligência superior à de um futuro jardineiro. Um e outro serão preparados para diferentes funções. Cada um terá as suas competências mas nenhum poderá ficar a rir-se do outro.

«Todos nascemos - se não houver patologia - com a possibilidade de desenvolvermos a "inteligência" ou a dinâmica do conhecimento, do social e do emocional.» Quem o afirma é Manuel Domingos, coordenador da Unidade de Neuropsicologia de Intervenção no Hospital Miguel Bombarda, em Lisboa, e também presidente da direcção da Sociedade Portuguesa de Neuropsicologia (SPNP).

«O que acontece é que, muitas vezes, esse potencial é mais diminuído na razão directa da iliteracia, da aculturação, das carências alimentares, que não permitem que haja uma evolução positiva desse tipo de potenciais», acrescenta.

Quer isto dizer que crianças bem estimuladas e bem alimentadas terão uma plasticidade cerebral mais desenvolta. Há estudos feitos em ratos que nos ajudam a compreender a importância dos factores do meio. Dois irmãos gémeos são separados à nascença. O primeiro ficará isolado numa gaiola sem luz e terá apenas alimentos, o segundo poderá interagir com outros ratos, treinar a destreza física num ambiente luminoso e ter uma boa alimentação. «As conexões cerebrais do rato que esteve em ambiente enriquecido são completamente diferentes do outro que ficará não só com poucas conexões, mas nalguns casos até com uma atrofia do próprio tecido cerebral. Portanto, a estimulação ambiental é fundamental para que as nossas capacidades se desenvolvam», afiança o neuropsicólogo.

Estímulo da capacidade intelectual

Fabian Stamate, psicopedagogo da Sei - Consultório de Orientação Psicopedagógica, em Carcavelos, enuncia a primeira regra para se estimular o intelecto: «Uma primeira dica será falar, falar, falar muito com as crianças mesmo durante os primeiros meses de vida.» Os especialistas sublinham as vantagens de conversar, ler jornais ou histórias em voz alta para os bebés. Mais tarde, quando desenvolvem a fala, é importante que sejam estimulados a perceber o porquê das coisas.

Manuel Domingos diz que «só podemos enriquecer o capital cognitivo de uma criança em idade pré-escolar se a bombardearmos, no bom sentido e com alguma parcimónia - para não exagerarmos -, com informação, aprendizagens e afecto. Ou seja, um colo de qualidade». Este «bombardeio» não significa que se deva obrigar a criança a aprender coisas para as quais não está preparada. «Não podemos exigir mais do que a criança pode dar, caso contrário estamos a criar frustração e revolta. O que queremos é que aprenda motivada e com gosto.»

Para este especialista motivam-se as crianças para a aprendizagem através da brincadeira. Os pais têm à disposição material lúdico que pode ser muito útil. «O ensino deve ser sério mas ao mesmo tempo extremamente bem-disposto, para que a criança vá para a escola interessada pela cultura. As crianças têm de ir para o ensino motivadas a pensar que aquilo é a construção do futuro delas.» Segundo o neuropsicólogo «bastam duas horas semanais para dar cultura às crianças de forma lúdica».

Manuel Domingos alerta os pais para o perigo de privarem os filhos de terem momentos familiares de qualidade: «O denominador comum do discurso de um pai e de uma mãe é "não temos tempo". Os pais têm cada vez menos tempo para estar com os filhos, a criança apenas está ali como um ser vivo que vai crescendo porque tem alimentação e não tem aquela atenção de antigamente.»

Quando é que um adulto poderá ter a percepção de que o potencial da criança não está a ser devidamente explorado? O desinteresse em aprender poderá ser um sintoma de que algo vai mal. «Os sinais de alarme começarão a surgir quando a criança é confrontada com situações de interacção social e não responde adequadamente a essas situações», explica o neuropsicólogo.

Depois de entrarem na escola, é primordial que os pais estejam atentos para perceberem quais os talentos dos filhos, seja no desporto, numa actividade artística ou em qualquer outro campo. «Quando temos sucesso numa área mais facilmente temos tendência para ter sucesso noutras áreas também», afirma Fabian Stamate.

O psicopedagogo sugere ainda aos pais para «oferecerem uma actividade extracurricular às crianças, uma e não demasiadas...»

Dificuldades na escola

Quando vulgarmente se diz «puxar» pelas crianças não se está a falar de coisas megalómanas, impossíveis de realizar pelos pais que têm menos habilitações. A pedagogia parental faz-se no dia-a-dia, em casa ou na rua, num passeio a pé pelo jardim ou num filme que se vê na televisão ou no cinema.

O estímulo daquilo que, no senso comum, designamos por inteligência é fundamental para se desenvolverem diferentes competências. O núcleo duro da inteligência centra-se na memória, atenção e motivação. Estas três capacidades têm grande importância para o sucesso académico. Embora, haja muitas outras aptidões para construir um bom aparelho intelectual como uma boa sustentação emocional, por exemplo.

Não raras vezes, durante o percurso escolar, as crianças sentem alguns problemas. Os especialistas dizem que as principais dificuldades das crianças ditas saudáveis estão relacionadas sobretudo com a motivação - ou a falta dela. «A desmotivação vem sobretudo de as tarefas serem demasiado difíceis ou demasiado fáceis. Quando são demasiado difíceis poderá haver falta de método, de estudo e de apoio dos pais.» Assim sendo, Fabian Stamate diz que a regra de ouro é não deixar acumular dificuldades: «Uma das primeiras coisas é ter o cuidado, logo no início do ano lectivo, de ajudar a criança a estudar, a investir na escola. Há que dar também mais atenção aos métodos e técnicas de estudo para cada disciplina.»

Daí a importância de os adultos supervisionarem e orientarem o estudo das crianças. O psicopedagogo exemplifica: «Numa semana difícil em que a criança vai fazer dois testes e tem de apresentar um trabalho, os pais devem ajudá-la a dividir essas tarefas em tarefas mais pequenas e a planificar a gestão do tempo.»

Por último, mas não menos importante: pais que valorizam a escola transmitem aos filhos uma mensagem positiva que influencia o rendimento escolar, como nos diz o técnico da Sei: «Os pais devem dar importância à escola e aos professores, o que nem sempre acontece. Se a criança sentir que para os pais a escola é importante, acabam por ter mais motivação para investir nela.» E motivação gera motivação.


Sílvia Júlio
retirado de: http://www.familiacrista.com/cgi-bin/quickregister/scripts/redirect.cgi?redirect=EElllAVZluvbRkdoIN

20 de setembro de 2007

Um bom combate


As contas de Deus são sempre diferentes das nossas. Temos a certeza de que Ele não se engana e que nós sabemos pouco de ajustes finais do tempo e da eternidade. Mas neste caso não perdemos muito com saber pouco. Podemos celebrar as zonas do desconhecido como uma dádiva silenciosa e íntima de Deus. Não sabemos a quem nem como chega a semente. Nesta matéria a televisão, como meio massivo, também nos ajuda. Apesar das contagens comerciais das audiências, também não sabemos com rigor quem está do outro lado, o que vê, o que sente, o que colhe, o que rejeita.

Quando se trata de semear o Evangelho também não perdemos com as nossas poucas capacidades. Sabemos que um é o quem semeia, outro o que colhe. E que também a Palavra se espalha ao vento sem explicar onde germinam as suas sementes. Nem como reagem os corações atribulados, nem como da cinza renascem esperanças, nem como se acendem luzes na noite das dúvidas. Tudo isto pode passar por um pequeno profeta, mas também pela Igreja profética. Neste caso não faz contagem de participantes como no templo. Nem escuta as vozes que respondem às preces, nem mede os corações que se sentem ressurgir com a palavra de Jesus, ou de Pedro, Paulo, Barnabé, ou dos Apóstolos do século XXI que continuam a anunciar sobre os telhados em analógico ou digital, pelos sons ou pela magia da imagem, pela parábola, alegoria, pela notícia ou testemunho dos crentes, pela explosão criadora do Génesis ou pelo fantástico anúncio do concerto final do Apocalipse.

Vão apenas 10 anos sobre o programa ECCLESIA, da Igreja Católica, nos emissores da televisão pública, com um desfile incontável de crentes em Jesus, na Igreja, na comunicação dos santos. Esse trabalho deve-se a uma série de diligências quase heróicas que tornaram possível a presença de Confissões Religiosas na Televisão de todos os portugueses. Deve-se a um grupo entusiasta de jovens jornalistas de formação cristã que aprenderam a ser profissionais da Boa Nova. Deve-se a um grupo de peritos que generosamente contam o seu saber sobre a Bíblia, a liturgia, a história da Igreja, o empenhamento social, a espiritualidade do nosso tempo, a narrativa de quanto somos e queremos ser. Tudo isso se celebra no décimo aniversário do programa ECCLESIA onde se sabe o que se disse e se revelou pela imagem, mas não se calcula o quanto de semente caiu em crentes e descrentes, na sequência dum trabalho profissional sério, sereno, persistente, no grau preciso de fidelidade à Igreja e aos homens e mulheres de hoje. Por isso a sociedade portuguesa deve saudar com gratidão este aniversário de “A Fé dos Homens”.Por nossa parte não escondemos a alegria deste bom combate pela fé.

António Rego

18 de setembro de 2007

Cena no autocarro uma questão de “ambiente”

Sempre que oiço ou leio qualquer comentário à má educação da actual juventude, não posso deixar de dizer para mim mesma que a culpa é nossa, educadores actuais.

Por educadores entendo aqui todos os adultos com quem os jovens contactam, começando, evidentemente, pela família, amigos mais próximos, professores, vizinhos, conhecidos e até anónimos.

Vem o caso a uma história que se passou comigo num autocarro e que vos passo a contar: durante algumas semanas tive que apanhar uma carreira de autocarro cujo trajecto passa por uma zona dita problemática da cidade de Lisboa, abarcando pelo menos duas escolas. Pelas idades dos jovens que entravam e saíam do autocarro deduzi tratarem-se de duas escolas, uma do ensino básico e outra do secundário. O contacto próximo com crianças ou jovens sempre foi para mim motivo de alegria, por isso, no primeiro dia de viagem, sorri, quando a dada altura do percurso, vi entrar um bando animado de jovens. Mas depressa o meu sorriso se apagou perante a barulheira que de imediato começaram a fazer e a má educação evidente nas palavras grosseiras e mesmo obscenas que gritavam uns para os outros com total despudor. Olhei com espanto para outros adultos que seguiam no autocarro. Todos pareciam achar normal o ambiente. Conversavam baixinho entre si, quase a medo de imporem a sua presença àquela turma que se assenhorou do transporte como se fosse seu. E eu, que detesto a conversa do “no meu tempo não era assim”, dei comigo a perguntar-me que era feito da autoridade do motorista, ali representante da defesa dos direitos e deveres de cidadania. Dei comigo também a pensar porque é que os jovens se comportavam daquela maneira, se falariam assim em casa e na escola ou se era apenas necessidade pontual de chocar aqueles “cotas” que seguiam pacatamente no autocarro. Saí do transporte meio atordoada pela barulheira infernal e sem compreender que mundo era o meu, que educação geral era esta, e sobretudo, muito incomodada com a atitude dos adultos em todo este processo. Durante dias a cena repetiu-se. Os jovens mudavam, os passageiros adultos também, mas cenas eram mais ou menos as mesmas. Às vezes, via alguns adultos, sobretudo mais velhos, com mais de sessenta anos, abanarem desoladamente a cabeça, mais nada. Depois de pensar sobre o assunto, decidi que sozinha não conseguiria mudar o estado das coisas e que o melhor seria conformar-me e ficar quieta, olhando para dentro de mim mesma e alhear-me do que se passava em meu redor. Afinal, só teria que fazer aquele trajecto mais uns dias. E o mal anda por todo o lado...que podia fazer? Mas depois pensava: se fossem meus filhos? Se fossem da minha família? Concluí que a verdade é que me calava pelo mesmo motivo dos outros: medo. Medo de me incomodar, medo de ser ofendida, envergonhada publicamente por um bando de miúdos desordeiros. E não gostei nada de mim. Nem como mãe, nem como educadora, nem como cidadã, nem como cristã. Um dia o barulho e a confusão ultrapassaram o “normal”. Para além das asneiras que choviam no meio de gritaria e risadas, decidiram atirar-se para cima uns dos outros, brincando de empurra e cai ou coisa do género, de tal modo que toda eu me encolhia com medo, agora físico, que algum caísse em cima de mim e me magoasse. Pois bem: não sei que clik aconteceu na minha cabeça. Dei comigo de pé, a falar num tom de voz que se sobrepunha a todo o barulho: “Calados! Quietos! Mas que falta de civismo é este? Paguei o meu bilhete. Tenho direito de ir sossegada num transporte público! Transporte público, ouviram? O autocarro não é vosso. Gosto muito de jovens e da sua alegria, mas isto não é alegria, é falta de respeito, é má educação. Se quiserem ter este tipo de comportamento, saiam! E já!” O discurso foi mais ou menos este, pois se o não premeditei também o não fixei. Mas não é que se calaram mesmo? Fez-se um silêncio profundo no autocarro. Eu não olhei mais para ninguém. Sentei-me, completamente surpreendida comigo e com a minha atitude. E surpreendida também pela reacção geral de silêncio. Julgo que foram apanhados de surpresa, tal como eu, por mim mesma. Coragem por enfrentar um grupelho de jovens? Penso que foi mais amor. Amor por eles. Se fossem meus filhos, deixaria que se comportassem assim? Fosse o que fosse, resultou. No dia seguinte, sorri discretamente quando ouvi um rapaz dizer a outro quando ia a entrar no autocarro: “Cuidado, que vai aí a mulher que manda calar!” Pelos vistos a minha desesperada ordem surtiu efeito. A cena de “professora à antiga”, mudou completamente o ambiente do autocarro, pelo menos enquanto andei na carreira...


por Fernanda Ruaz - colaboradora do Jornal da Família

16 de setembro de 2007

Campo de Férias 2007 ( para recordar)

15 de setembro de 2007

Testemunho de uma abortada

Giana Jessen, sobrevivente de um aborto...

Se o aborto é um direito das mulheres quais são os meus direitos ?
Não existiam protestos feministas a protestar contra o facto dos meus direitos estarem a ser violados no dia em que a minha mãe me abortou
/........./
A minha Mãe biológica há 28 anos atrás estava convencida de que tinha direito a escolher , de que tinha direito a uma escolha que só a afectaria a ela.

Porém em cada dia da minha vida eu carrego as consequências da sua escolha.


A minha mãe biológica estava grávida de sete meses e meio
quando decidiu abortar-me.
Não sei porque é que ela tomou essa decisão. Estavamos em 1977.
Ela e o meu Pai biológico tinham 17 anos na altura e não estavam casados.
Ela decidiu abortar numa clínica de Los Angeles e realizou um aborto salino.
Uma solução com sal é injectada no ventre materno e o bebé bebe-a e ficando queimado por dentro e por fora.
Nesse tipo de aborto o bebé é expelido morto em 24 horas mas eu sobrevivi.
O Aborcionista não estava de serviço quando eu vim ao mundo porque se isso tivesse acontecido ele tinha-me estrangulado, algo que era considerado perfeitamente legal até 2002.
/..../
A única pessoa preocupada comigo foi a enfermeira . Ela chamou uma ambulância e fui transportada para o hospital.
Fui colocada numa incubadora. Não se esperava que eu sobrevivesse.
Porém sobrevivi.
Devido a ter estado 18 horas sem oxigénio sendo queimada viva no ventre da minha mãe fiquei com problemas .
Não me conseguia mover por mim mesma e os médicos afirmavam que eu iria viver num estado vegetativo o resto da vida.
A minha mãe adoptiva Penny - decidiu que não obstante aquilo que os médicos afirmavam ela tentaria recuperar-me.
Com 3 anos e meio comecei a conseguir andar. Foi quando a filha de Penny me adoptou.
Tenho 28 anos e trabalho como musica em Nashville, Tennesse.
Ainda coxeio e por vezes caio mas já participei numa maratona e irei participar para o ano numa maratona, em Londres , para jovens deficientes.
A minha mãe adoptiva falou-me do meu passado.
Sempre senti que havia algo que faltava contar. Perguntava-lhe muitas vezes porque tinha problemas e ela respondia-me que eu havia nascido prematura.
Aos 12 anos perguntei-lhe de novo e ela disse-me o que havia acontecido.
Eu respondi que tinha este problema devido a um facto interessante.
A minha mãe adoptiva disse-me que eu em vez de ficar amargurada deveria alegrar-me por ter sobrevivido.
Quando eu tinha 17 anos a minha mãe adoptiva encontrou-se com a minha mãe biológica e disse-lhe que eu a perdoava.
Sou cristã. Acredito que a revolta nos pode consumir a vida.
A minha mãe adoptiva amou-me tanto que eu não sinto necessidade de me encontrar com a minha mãe biológica.
Não sei muito do que se passou no encontro entre elas. Só sei que a minha mãe biológica não pediu perdão e fez outro aborto depois do meu.
Comecei a falar contra o aborto quando tinha 14 anos e na terça Feira falarei na câmara dos comuns.
Eu penso que é importante mostrar o que aconteceu comigo não só para mostrar a verdade do aborto mas também para mostrar as potencialidades que cada um de nós tem dentro de si.
Não creio que o assassínio seja um direito. Sou completamente contra o aborto, seja em que circunstancia for mesmo em casos de violação.
Embora a violação seja um crime horroroso não deve ser a criança a pagar por esse crime.
De facto encontrei-me com pessoas produto de violações e elas estão gratas por estar vivas.
Se o aborto é um direito das mulheres quais são os meus direitos?
Não existiam protestos feministas contra o facto dos meus direitos estarem a ser violados no dia em que fui queimada viva.
Todos os dias agradeço a Deus.
Não me considero um monte de células nem nenhum dos nomes que se costumam dar ao que a mulher carrega no seu ventre.
/..../
Hoje um bebé é um bebé quando isso convém.
Mas quando não convém, quando não chega no momento certo é chamado de um monte de células.
Um bebé é chamado de Bebé quando um aborto não provocado ocorre aos 2 , 3 ou 4 meses.
Um bebé é chamado de monte de células quando um aborto ocorre aos 2, 3 , ou 4 meses.
Eu não vejo diferença entre os 2 .
Acredito que sou prova viva de que o aborto é o assassínio de um ser humano.
A minha Mãe biológica há 28 anos atrás estava convencida de que tinha direito a escolher , de que tinha direito a uma escolha que só a afectaria a ela.
Porém em cada dia da minha vida eu carrego as consequências da sua escolha.
Embora eu nada tenha contra ela acho importante as pessoas reflectirem antes de tomarem determinadas decisões.

Retirado de http://sol.sapo.pt/blogs/ppaul2005/default.aspx

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