Segundo o que nos é imposto pelo calendário, o Verão começou no transacto dia 21 de Junho. Porém, já neste mês tivemos de vestir camisolas de lã e colocar cobertores na cama, para os precavermos do frio que se fez sentir e para não andarmos por aí a bater o dente, como aconteceu, há dias, nos jardins anexos ao edifício do Governo Civil, quando assistimos a um concerto musical, ao ar livre, onde estivemos a tiritar de frio. Já não constitui novidade para ninguém, em pleno Inverno, sermos contemplados com radiosos dias de Sol, que parecem dias de Verão e em época estival sermos mimoseados com dias sombrios, plúmbeos, frios e pluviosos, que nos fazem recordar as borrascas invernais. Dizem os entendidos na matéria, que tudo isto se deve às alterações climáticas, provocadas pelo aquecimento de estufa e pela paulatina destruição da placa de ozono, que envolve a terra, a qual já apresenta um enorme buraco, por onde passam funestas radiações ultra - violetas, as quais fazem aquecer o globo terrestre e fundir os gelos eternos das calotes polares. Seja lá o que for, o certo é que anda tudo descontrolado e esse desnorte parece que já chegou aos humanos, especialmente quando chega a época de lazer, as férias. Talvez seja devido ao “stress” de um ano de trabalho. Por essa razão, está época de veraneio, às vezes transforma-se na estação do disparate, da frivolidade, da descontracção. É a necessidade de férias, de mudança de hábitos, de nos desinibirmos, de optarmos por outros costumes. Porém, este ano, a época dos disparates parece que chegou mais cedo. Ora vejamos: Primeiro foi essa tremenda confusão, risos, dichotes e anedotas, ao redor da problemática licenciatura do primeiro-ministro, Sócrates. Depois veio a trapaça da Universidade Independente, que certificou a licenciatura, em engenharia, a José Sócrates e onde, no dizer do reitor daquela Universidade, Luís Arouca, e do vice - reitor, Rui Verde, que se encontra sob custódia judicial, se praticaram toda a sorte de vigarices. Ali se passaram diplomas de engenharia, até aos domingos. Ali se licenciaram alunos que nunca tinham assistido às aulas. Ali, um só professor tinha a super - competência de certificar que um aluno tinha feito cinco cadeiras, de diferentes áreas de ensino. Ali se credenciavam licenciaturas que nunca tinham sido autorizadas pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior. Ali apenas um aluno frequentou a Universidade, em engenharia. Ali, os documentos de avaliação e que pudessem certificar o aproveitamento e a licenciatura dos alunos, eram simplesmente destruídos, ao fim de cinco anos, pois no dizer de Luís Arouca "logo que expire este prazo vai tudo para o maneta". De seguida vieram os processos disciplinares e judiciais, verdadeiros meios de repressão e formas persecutórias, instaurados a quem se referisse, de modo chistoso, à licenciatura de José Sócrates, o que nos fez recordar a tenebrosa fase pidesca do “Estado Novo” e o que de pior teve o regime anterior ao 25 de Abril de 1974, que era a repelente censura; a temível perseguição a todos quantos tivessem a coragem de pensar de modo diferente de Salazar; a cobarde e traiçoeira bufaria; a imposição dos princípios da trilogia de Salazar (Deus, Pátria e Família), de modo musculado, à mingua de convincentes argumentos. Aprendi, na Faculdade de Direito, de Coimbra , na Cadeira de Ciências Políticas, que esta metodologia era frequentemente utilizada nas mais diferentes áreas políticas e cromatologias partidárias, em circunstâncias ocasionais. Só o que nunca pensei é que tal uso, pudesse ter lugar em regimes democráticos…. Evidentemente que nunca imaginei que um empresário do tecido laboral da construção civil, pudesse publicamente hostilizar o presidente da câmara onde tenha empreendimento. Só se tivesse enlouquecido ou então o fizesse com certo decoro, cinismo e muita diplomacia. Todavia, foge a isto tudo, o que se passou na DREN (Direcção Regional da Educação do Norte), pois aqui nem sequer foram respeitados os limites politicamente correctos… Para rematar os bredos, como se diz cá na nossa Beira Baixa, vêm as refulgentes declarações do ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, Mário Lino, que afirma, peremptoriamente, na margem Sul de Portugal não há hospitais, nem casas, escolas, estradas, que tudo não passa de um deserto. Que brichante tirada, não haja dúvida , logo secundada por esse vulto histórico do PS, Almeida Santos, douto e profundo pensador político, que veio corroborar a opinião de Mário Lino, alvitrando a possível dinamitação das pontes sobre o Tejo. Evidentemente que percebo, bastante bem, as dificuldades que teve Almeida Santos e restantes correligionários de Mário Lino, para sustentarem tão contundente dislate. De facto só destruindo tudo à bomba... Já anteriormente, o ministro da Economia e Inovação, Manuel Pinho, tinha tido a infeliz ideia de asseverar que Portugal era o país da Europa, onde os trabalhadores auferiam mais baixos salários, o que não é verdade, como todos sabem. Agora, o ministro da Saúde, António Correia de Campos, manda exonerar das suas funções de directora do Centro de Saúde de Vieira do Minho, Maria Celeste Cardoso, apenas porque deixou que afixassem no SAP (Serviço de Atendimento Permanente), uma frase que em tempos havia sido dita pelo ministro Correia de Campos: “Nunca fui ao SAP, nem nunca irei”. Imaginem... Razão tinha eu, em pensar, que aquilo de Salazar ter ganho aquele concurso do português mais ilustre, não foi só com os votos da direita. Sempre estive convicto que aquilo mais não foi do que um tácito, mas expressivo repúdio público e frontal contestação a muitas decisões do actual Executivo. As práticas estão aí, bem visíveis para quem as queira ver e agora até com o acolhimento no discurso do Governo... Sinceramente, perante tanto disparate, e uma vez que é chegada a “silly season”, como dizem os britânicos, permitem que eu também toleje um pouquinho. E isto porque estou deveras apreensivo com toda esta situação, que se está vivendo. O nosso Executivo, tão solícito e atento a tudo onde possa ir buscar receitas, a fim de diminuir o défice orçamental, qualquer dia é muito bem capaz de decretar um imposto a pagar pelo disparate, tão fértil ele circula por aí. Neste sentido, resolvi alinhavar este apontamento, enquanto a idiotice não é tributada. Porém, se um dia a tontaria vier a pagar imposto, a fim de se evitar mais despesas ao erário público, proponho que sejam isentos desta taxa tributária, algumas entidades públicas, pelo menos enquanto estiverem no exercício das suas funções. Isto a bem da comunidade, e, sobretudo, dos bolsos do Zé pagante, que ao fim, ao cabo e ao resto é quem tudo vem a pagar, quer queira quer não queira.
por Fabião Baptista - colaborador do Jornal da Família