Diário da Assembleia Geral do ISCF

“Tudo o que se fizer a bem da família, por pequeno que seja é grande”. (Mons. Brás)

A Família no centro das atenções

Encontra aqui os vários artigos do Dr. Juan Ambrósio sobre a Família...

Encontro Mundial das Famílias 2015

O Vaticano apresentou dia 24 de março em conferência de imprensa o 7.º Encontro Mundial da Família, que vai decorrer de 22 a 27 de setembro de 2015 na cidade norte-americana de Filadélfia.

A saúde mental dos portugueses

Alguns dedicam-se obsessivamente aos números e às estatísticas esquecendo que a sociedade é feita de pessoas...

O trabalho, dom e direito

A sociedade portuguesa e internacional, vive uma situação de crise generalizada e de aumento das desigualdades sociais...

Longe vão os tempos

Longe vão os tempos dos preconceitos culturais em que se aceitava que era a mãe que tinha de cuidar dos filhos...

Dar esperança em tempo de crise

Vivemos tempos difíceis. A família, como célula base da sociedade, é imediatamente afetada por esta crise generalizada e que promete perdurar. Neste contexto, exige-se um novo paradigma, uma nova forma de estar e de nos relacionarmos.

24 de setembro de 2007

Em casa - Estimular potencial das crianças

Quando um bebé vem ao mundo tem um potencial cognitivo à espera de ser desenvolvido. Todas as crianças têm capacidades para voar na vida, independentemente das suas opções ou circunstâncias de vida. Um futuro médico não terá uma inteligência superior à de um futuro jardineiro. Um e outro serão preparados para diferentes funções. Cada um terá as suas competências mas nenhum poderá ficar a rir-se do outro.

«Todos nascemos - se não houver patologia - com a possibilidade de desenvolvermos a "inteligência" ou a dinâmica do conhecimento, do social e do emocional.» Quem o afirma é Manuel Domingos, coordenador da Unidade de Neuropsicologia de Intervenção no Hospital Miguel Bombarda, em Lisboa, e também presidente da direcção da Sociedade Portuguesa de Neuropsicologia (SPNP).

«O que acontece é que, muitas vezes, esse potencial é mais diminuído na razão directa da iliteracia, da aculturação, das carências alimentares, que não permitem que haja uma evolução positiva desse tipo de potenciais», acrescenta.

Quer isto dizer que crianças bem estimuladas e bem alimentadas terão uma plasticidade cerebral mais desenvolta. Há estudos feitos em ratos que nos ajudam a compreender a importância dos factores do meio. Dois irmãos gémeos são separados à nascença. O primeiro ficará isolado numa gaiola sem luz e terá apenas alimentos, o segundo poderá interagir com outros ratos, treinar a destreza física num ambiente luminoso e ter uma boa alimentação. «As conexões cerebrais do rato que esteve em ambiente enriquecido são completamente diferentes do outro que ficará não só com poucas conexões, mas nalguns casos até com uma atrofia do próprio tecido cerebral. Portanto, a estimulação ambiental é fundamental para que as nossas capacidades se desenvolvam», afiança o neuropsicólogo.

Estímulo da capacidade intelectual

Fabian Stamate, psicopedagogo da Sei - Consultório de Orientação Psicopedagógica, em Carcavelos, enuncia a primeira regra para se estimular o intelecto: «Uma primeira dica será falar, falar, falar muito com as crianças mesmo durante os primeiros meses de vida.» Os especialistas sublinham as vantagens de conversar, ler jornais ou histórias em voz alta para os bebés. Mais tarde, quando desenvolvem a fala, é importante que sejam estimulados a perceber o porquê das coisas.

Manuel Domingos diz que «só podemos enriquecer o capital cognitivo de uma criança em idade pré-escolar se a bombardearmos, no bom sentido e com alguma parcimónia - para não exagerarmos -, com informação, aprendizagens e afecto. Ou seja, um colo de qualidade». Este «bombardeio» não significa que se deva obrigar a criança a aprender coisas para as quais não está preparada. «Não podemos exigir mais do que a criança pode dar, caso contrário estamos a criar frustração e revolta. O que queremos é que aprenda motivada e com gosto.»

Para este especialista motivam-se as crianças para a aprendizagem através da brincadeira. Os pais têm à disposição material lúdico que pode ser muito útil. «O ensino deve ser sério mas ao mesmo tempo extremamente bem-disposto, para que a criança vá para a escola interessada pela cultura. As crianças têm de ir para o ensino motivadas a pensar que aquilo é a construção do futuro delas.» Segundo o neuropsicólogo «bastam duas horas semanais para dar cultura às crianças de forma lúdica».

Manuel Domingos alerta os pais para o perigo de privarem os filhos de terem momentos familiares de qualidade: «O denominador comum do discurso de um pai e de uma mãe é "não temos tempo". Os pais têm cada vez menos tempo para estar com os filhos, a criança apenas está ali como um ser vivo que vai crescendo porque tem alimentação e não tem aquela atenção de antigamente.»

Quando é que um adulto poderá ter a percepção de que o potencial da criança não está a ser devidamente explorado? O desinteresse em aprender poderá ser um sintoma de que algo vai mal. «Os sinais de alarme começarão a surgir quando a criança é confrontada com situações de interacção social e não responde adequadamente a essas situações», explica o neuropsicólogo.

Depois de entrarem na escola, é primordial que os pais estejam atentos para perceberem quais os talentos dos filhos, seja no desporto, numa actividade artística ou em qualquer outro campo. «Quando temos sucesso numa área mais facilmente temos tendência para ter sucesso noutras áreas também», afirma Fabian Stamate.

O psicopedagogo sugere ainda aos pais para «oferecerem uma actividade extracurricular às crianças, uma e não demasiadas...»

Dificuldades na escola

Quando vulgarmente se diz «puxar» pelas crianças não se está a falar de coisas megalómanas, impossíveis de realizar pelos pais que têm menos habilitações. A pedagogia parental faz-se no dia-a-dia, em casa ou na rua, num passeio a pé pelo jardim ou num filme que se vê na televisão ou no cinema.

O estímulo daquilo que, no senso comum, designamos por inteligência é fundamental para se desenvolverem diferentes competências. O núcleo duro da inteligência centra-se na memória, atenção e motivação. Estas três capacidades têm grande importância para o sucesso académico. Embora, haja muitas outras aptidões para construir um bom aparelho intelectual como uma boa sustentação emocional, por exemplo.

Não raras vezes, durante o percurso escolar, as crianças sentem alguns problemas. Os especialistas dizem que as principais dificuldades das crianças ditas saudáveis estão relacionadas sobretudo com a motivação - ou a falta dela. «A desmotivação vem sobretudo de as tarefas serem demasiado difíceis ou demasiado fáceis. Quando são demasiado difíceis poderá haver falta de método, de estudo e de apoio dos pais.» Assim sendo, Fabian Stamate diz que a regra de ouro é não deixar acumular dificuldades: «Uma das primeiras coisas é ter o cuidado, logo no início do ano lectivo, de ajudar a criança a estudar, a investir na escola. Há que dar também mais atenção aos métodos e técnicas de estudo para cada disciplina.»

Daí a importância de os adultos supervisionarem e orientarem o estudo das crianças. O psicopedagogo exemplifica: «Numa semana difícil em que a criança vai fazer dois testes e tem de apresentar um trabalho, os pais devem ajudá-la a dividir essas tarefas em tarefas mais pequenas e a planificar a gestão do tempo.»

Por último, mas não menos importante: pais que valorizam a escola transmitem aos filhos uma mensagem positiva que influencia o rendimento escolar, como nos diz o técnico da Sei: «Os pais devem dar importância à escola e aos professores, o que nem sempre acontece. Se a criança sentir que para os pais a escola é importante, acabam por ter mais motivação para investir nela.» E motivação gera motivação.


Sílvia Júlio
retirado de: http://www.familiacrista.com/cgi-bin/quickregister/scripts/redirect.cgi?redirect=EElllAVZluvbRkdoIN

20 de setembro de 2007

Um bom combate


As contas de Deus são sempre diferentes das nossas. Temos a certeza de que Ele não se engana e que nós sabemos pouco de ajustes finais do tempo e da eternidade. Mas neste caso não perdemos muito com saber pouco. Podemos celebrar as zonas do desconhecido como uma dádiva silenciosa e íntima de Deus. Não sabemos a quem nem como chega a semente. Nesta matéria a televisão, como meio massivo, também nos ajuda. Apesar das contagens comerciais das audiências, também não sabemos com rigor quem está do outro lado, o que vê, o que sente, o que colhe, o que rejeita.

Quando se trata de semear o Evangelho também não perdemos com as nossas poucas capacidades. Sabemos que um é o quem semeia, outro o que colhe. E que também a Palavra se espalha ao vento sem explicar onde germinam as suas sementes. Nem como reagem os corações atribulados, nem como da cinza renascem esperanças, nem como se acendem luzes na noite das dúvidas. Tudo isto pode passar por um pequeno profeta, mas também pela Igreja profética. Neste caso não faz contagem de participantes como no templo. Nem escuta as vozes que respondem às preces, nem mede os corações que se sentem ressurgir com a palavra de Jesus, ou de Pedro, Paulo, Barnabé, ou dos Apóstolos do século XXI que continuam a anunciar sobre os telhados em analógico ou digital, pelos sons ou pela magia da imagem, pela parábola, alegoria, pela notícia ou testemunho dos crentes, pela explosão criadora do Génesis ou pelo fantástico anúncio do concerto final do Apocalipse.

Vão apenas 10 anos sobre o programa ECCLESIA, da Igreja Católica, nos emissores da televisão pública, com um desfile incontável de crentes em Jesus, na Igreja, na comunicação dos santos. Esse trabalho deve-se a uma série de diligências quase heróicas que tornaram possível a presença de Confissões Religiosas na Televisão de todos os portugueses. Deve-se a um grupo entusiasta de jovens jornalistas de formação cristã que aprenderam a ser profissionais da Boa Nova. Deve-se a um grupo de peritos que generosamente contam o seu saber sobre a Bíblia, a liturgia, a história da Igreja, o empenhamento social, a espiritualidade do nosso tempo, a narrativa de quanto somos e queremos ser. Tudo isso se celebra no décimo aniversário do programa ECCLESIA onde se sabe o que se disse e se revelou pela imagem, mas não se calcula o quanto de semente caiu em crentes e descrentes, na sequência dum trabalho profissional sério, sereno, persistente, no grau preciso de fidelidade à Igreja e aos homens e mulheres de hoje. Por isso a sociedade portuguesa deve saudar com gratidão este aniversário de “A Fé dos Homens”.Por nossa parte não escondemos a alegria deste bom combate pela fé.

António Rego

18 de setembro de 2007

Cena no autocarro uma questão de “ambiente”

Sempre que oiço ou leio qualquer comentário à má educação da actual juventude, não posso deixar de dizer para mim mesma que a culpa é nossa, educadores actuais.

Por educadores entendo aqui todos os adultos com quem os jovens contactam, começando, evidentemente, pela família, amigos mais próximos, professores, vizinhos, conhecidos e até anónimos.

Vem o caso a uma história que se passou comigo num autocarro e que vos passo a contar: durante algumas semanas tive que apanhar uma carreira de autocarro cujo trajecto passa por uma zona dita problemática da cidade de Lisboa, abarcando pelo menos duas escolas. Pelas idades dos jovens que entravam e saíam do autocarro deduzi tratarem-se de duas escolas, uma do ensino básico e outra do secundário. O contacto próximo com crianças ou jovens sempre foi para mim motivo de alegria, por isso, no primeiro dia de viagem, sorri, quando a dada altura do percurso, vi entrar um bando animado de jovens. Mas depressa o meu sorriso se apagou perante a barulheira que de imediato começaram a fazer e a má educação evidente nas palavras grosseiras e mesmo obscenas que gritavam uns para os outros com total despudor. Olhei com espanto para outros adultos que seguiam no autocarro. Todos pareciam achar normal o ambiente. Conversavam baixinho entre si, quase a medo de imporem a sua presença àquela turma que se assenhorou do transporte como se fosse seu. E eu, que detesto a conversa do “no meu tempo não era assim”, dei comigo a perguntar-me que era feito da autoridade do motorista, ali representante da defesa dos direitos e deveres de cidadania. Dei comigo também a pensar porque é que os jovens se comportavam daquela maneira, se falariam assim em casa e na escola ou se era apenas necessidade pontual de chocar aqueles “cotas” que seguiam pacatamente no autocarro. Saí do transporte meio atordoada pela barulheira infernal e sem compreender que mundo era o meu, que educação geral era esta, e sobretudo, muito incomodada com a atitude dos adultos em todo este processo. Durante dias a cena repetiu-se. Os jovens mudavam, os passageiros adultos também, mas cenas eram mais ou menos as mesmas. Às vezes, via alguns adultos, sobretudo mais velhos, com mais de sessenta anos, abanarem desoladamente a cabeça, mais nada. Depois de pensar sobre o assunto, decidi que sozinha não conseguiria mudar o estado das coisas e que o melhor seria conformar-me e ficar quieta, olhando para dentro de mim mesma e alhear-me do que se passava em meu redor. Afinal, só teria que fazer aquele trajecto mais uns dias. E o mal anda por todo o lado...que podia fazer? Mas depois pensava: se fossem meus filhos? Se fossem da minha família? Concluí que a verdade é que me calava pelo mesmo motivo dos outros: medo. Medo de me incomodar, medo de ser ofendida, envergonhada publicamente por um bando de miúdos desordeiros. E não gostei nada de mim. Nem como mãe, nem como educadora, nem como cidadã, nem como cristã. Um dia o barulho e a confusão ultrapassaram o “normal”. Para além das asneiras que choviam no meio de gritaria e risadas, decidiram atirar-se para cima uns dos outros, brincando de empurra e cai ou coisa do género, de tal modo que toda eu me encolhia com medo, agora físico, que algum caísse em cima de mim e me magoasse. Pois bem: não sei que clik aconteceu na minha cabeça. Dei comigo de pé, a falar num tom de voz que se sobrepunha a todo o barulho: “Calados! Quietos! Mas que falta de civismo é este? Paguei o meu bilhete. Tenho direito de ir sossegada num transporte público! Transporte público, ouviram? O autocarro não é vosso. Gosto muito de jovens e da sua alegria, mas isto não é alegria, é falta de respeito, é má educação. Se quiserem ter este tipo de comportamento, saiam! E já!” O discurso foi mais ou menos este, pois se o não premeditei também o não fixei. Mas não é que se calaram mesmo? Fez-se um silêncio profundo no autocarro. Eu não olhei mais para ninguém. Sentei-me, completamente surpreendida comigo e com a minha atitude. E surpreendida também pela reacção geral de silêncio. Julgo que foram apanhados de surpresa, tal como eu, por mim mesma. Coragem por enfrentar um grupelho de jovens? Penso que foi mais amor. Amor por eles. Se fossem meus filhos, deixaria que se comportassem assim? Fosse o que fosse, resultou. No dia seguinte, sorri discretamente quando ouvi um rapaz dizer a outro quando ia a entrar no autocarro: “Cuidado, que vai aí a mulher que manda calar!” Pelos vistos a minha desesperada ordem surtiu efeito. A cena de “professora à antiga”, mudou completamente o ambiente do autocarro, pelo menos enquanto andei na carreira...


por Fernanda Ruaz - colaboradora do Jornal da Família

16 de setembro de 2007

Campo de Férias 2007 ( para recordar)

15 de setembro de 2007

Testemunho de uma abortada

Giana Jessen, sobrevivente de um aborto...

Se o aborto é um direito das mulheres quais são os meus direitos ?
Não existiam protestos feministas a protestar contra o facto dos meus direitos estarem a ser violados no dia em que a minha mãe me abortou
/........./
A minha Mãe biológica há 28 anos atrás estava convencida de que tinha direito a escolher , de que tinha direito a uma escolha que só a afectaria a ela.

Porém em cada dia da minha vida eu carrego as consequências da sua escolha.


A minha mãe biológica estava grávida de sete meses e meio
quando decidiu abortar-me.
Não sei porque é que ela tomou essa decisão. Estavamos em 1977.
Ela e o meu Pai biológico tinham 17 anos na altura e não estavam casados.
Ela decidiu abortar numa clínica de Los Angeles e realizou um aborto salino.
Uma solução com sal é injectada no ventre materno e o bebé bebe-a e ficando queimado por dentro e por fora.
Nesse tipo de aborto o bebé é expelido morto em 24 horas mas eu sobrevivi.
O Aborcionista não estava de serviço quando eu vim ao mundo porque se isso tivesse acontecido ele tinha-me estrangulado, algo que era considerado perfeitamente legal até 2002.
/..../
A única pessoa preocupada comigo foi a enfermeira . Ela chamou uma ambulância e fui transportada para o hospital.
Fui colocada numa incubadora. Não se esperava que eu sobrevivesse.
Porém sobrevivi.
Devido a ter estado 18 horas sem oxigénio sendo queimada viva no ventre da minha mãe fiquei com problemas .
Não me conseguia mover por mim mesma e os médicos afirmavam que eu iria viver num estado vegetativo o resto da vida.
A minha mãe adoptiva Penny - decidiu que não obstante aquilo que os médicos afirmavam ela tentaria recuperar-me.
Com 3 anos e meio comecei a conseguir andar. Foi quando a filha de Penny me adoptou.
Tenho 28 anos e trabalho como musica em Nashville, Tennesse.
Ainda coxeio e por vezes caio mas já participei numa maratona e irei participar para o ano numa maratona, em Londres , para jovens deficientes.
A minha mãe adoptiva falou-me do meu passado.
Sempre senti que havia algo que faltava contar. Perguntava-lhe muitas vezes porque tinha problemas e ela respondia-me que eu havia nascido prematura.
Aos 12 anos perguntei-lhe de novo e ela disse-me o que havia acontecido.
Eu respondi que tinha este problema devido a um facto interessante.
A minha mãe adoptiva disse-me que eu em vez de ficar amargurada deveria alegrar-me por ter sobrevivido.
Quando eu tinha 17 anos a minha mãe adoptiva encontrou-se com a minha mãe biológica e disse-lhe que eu a perdoava.
Sou cristã. Acredito que a revolta nos pode consumir a vida.
A minha mãe adoptiva amou-me tanto que eu não sinto necessidade de me encontrar com a minha mãe biológica.
Não sei muito do que se passou no encontro entre elas. Só sei que a minha mãe biológica não pediu perdão e fez outro aborto depois do meu.
Comecei a falar contra o aborto quando tinha 14 anos e na terça Feira falarei na câmara dos comuns.
Eu penso que é importante mostrar o que aconteceu comigo não só para mostrar a verdade do aborto mas também para mostrar as potencialidades que cada um de nós tem dentro de si.
Não creio que o assassínio seja um direito. Sou completamente contra o aborto, seja em que circunstancia for mesmo em casos de violação.
Embora a violação seja um crime horroroso não deve ser a criança a pagar por esse crime.
De facto encontrei-me com pessoas produto de violações e elas estão gratas por estar vivas.
Se o aborto é um direito das mulheres quais são os meus direitos?
Não existiam protestos feministas contra o facto dos meus direitos estarem a ser violados no dia em que fui queimada viva.
Todos os dias agradeço a Deus.
Não me considero um monte de células nem nenhum dos nomes que se costumam dar ao que a mulher carrega no seu ventre.
/..../
Hoje um bebé é um bebé quando isso convém.
Mas quando não convém, quando não chega no momento certo é chamado de um monte de células.
Um bebé é chamado de Bebé quando um aborto não provocado ocorre aos 2 , 3 ou 4 meses.
Um bebé é chamado de monte de células quando um aborto ocorre aos 2, 3 , ou 4 meses.
Eu não vejo diferença entre os 2 .
Acredito que sou prova viva de que o aborto é o assassínio de um ser humano.
A minha Mãe biológica há 28 anos atrás estava convencida de que tinha direito a escolher , de que tinha direito a uma escolha que só a afectaria a ela.
Porém em cada dia da minha vida eu carrego as consequências da sua escolha.
Embora eu nada tenha contra ela acho importante as pessoas reflectirem antes de tomarem determinadas decisões.

Retirado de http://sol.sapo.pt/blogs/ppaul2005/default.aspx

13 de setembro de 2007

Um novo imposto?... Estou apreensivo...

Segundo o que nos é imposto pelo calendário, o Verão começou no transacto dia 21 de Junho. Porém, já neste mês tivemos de vestir camisolas de lã e colocar cobertores na cama, para os precavermos do frio que se fez sentir e para não andarmos por aí a bater o dente, como aconteceu, há dias, nos jardins anexos ao edifício do Governo Civil, quando assistimos a um concerto musical, ao ar livre, onde estivemos a tiritar de frio. Já não constitui novidade para ninguém, em pleno Inverno, sermos contemplados com radiosos dias de Sol, que parecem dias de Verão e em época estival sermos mimoseados com dias sombrios, plúmbeos, frios e pluviosos, que nos fazem recordar as borrascas invernais. Dizem os entendidos na matéria, que tudo isto se deve às alterações climáticas, provocadas pelo aquecimento de estufa e pela paulatina destruição da placa de ozono, que envolve a terra, a qual já apresenta um enorme buraco, por onde passam funestas radiações ultra - violetas, as quais fazem aquecer o globo terrestre e fundir os gelos eternos das calotes polares. Seja lá o que for, o certo é que anda tudo descontrolado e esse desnorte parece que já chegou aos humanos, especialmente quando chega a época de lazer, as férias. Talvez seja devido ao “stress” de um ano de trabalho. Por essa razão, está época de veraneio, às vezes transforma-se na estação do disparate, da frivolidade, da descontracção. É a necessidade de férias, de mudança de hábitos, de nos desinibirmos, de optarmos por outros costumes. Porém, este ano, a época dos disparates parece que chegou mais cedo. Ora vejamos: Primeiro foi essa tremenda confusão, risos, dichotes e anedotas, ao redor da problemática licenciatura do primeiro-ministro, Sócrates. Depois veio a trapaça da Universidade Independente, que certificou a licenciatura, em engenharia, a José Sócrates e onde, no dizer do reitor daquela Universidade, Luís Arouca, e do vice - reitor, Rui Verde, que se encontra sob custódia judicial, se praticaram toda a sorte de vigarices. Ali se passaram diplomas de engenharia, até aos domingos. Ali se licenciaram alunos que nunca tinham assistido às aulas. Ali, um só professor tinha a super - competência de certificar que um aluno tinha feito cinco cadeiras, de diferentes áreas de ensino. Ali se credenciavam licenciaturas que nunca tinham sido autorizadas pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior. Ali apenas um aluno frequentou a Universidade, em engenharia. Ali, os documentos de avaliação e que pudessem certificar o aproveitamento e a licenciatura dos alunos, eram simplesmente destruídos, ao fim de cinco anos, pois no dizer de Luís Arouca "logo que expire este prazo vai tudo para o maneta". De seguida vieram os processos disciplinares e judiciais, verdadeiros meios de repressão e formas persecutórias, instaurados a quem se referisse, de modo chistoso, à licenciatura de José Sócrates, o que nos fez recordar a tenebrosa fase pidesca do “Estado Novo” e o que de pior teve o regime anterior ao 25 de Abril de 1974, que era a repelente censura; a temível perseguição a todos quantos tivessem a coragem de pensar de modo diferente de Salazar; a cobarde e traiçoeira bufaria; a imposição dos princípios da trilogia de Salazar (Deus, Pátria e Família), de modo musculado, à mingua de convincentes argumentos. Aprendi, na Faculdade de Direito, de Coimbra , na Cadeira de Ciências Políticas, que esta metodologia era frequentemente utilizada nas mais diferentes áreas políticas e cromatologias partidárias, em circunstâncias ocasionais. Só o que nunca pensei é que tal uso, pudesse ter lugar em regimes democráticos…. Evidentemente que nunca imaginei que um empresário do tecido laboral da construção civil, pudesse publicamente hostilizar o presidente da câmara onde tenha empreendimento. Só se tivesse enlouquecido ou então o fizesse com certo decoro, cinismo e muita diplomacia. Todavia, foge a isto tudo, o que se passou na DREN (Direcção Regional da Educação do Norte), pois aqui nem sequer foram respeitados os limites politicamente correctos… Para rematar os bredos, como se diz cá na nossa Beira Baixa, vêm as refulgentes declarações do ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, Mário Lino, que afirma, peremptoriamente, na margem Sul de Portugal não há hospitais, nem casas, escolas, estradas, que tudo não passa de um deserto. Que brichante tirada, não haja dúvida , logo secundada por esse vulto histórico do PS, Almeida Santos, douto e profundo pensador político, que veio corroborar a opinião de Mário Lino, alvitrando a possível dinamitação das pontes sobre o Tejo. Evidentemente que percebo, bastante bem, as dificuldades que teve Almeida Santos e restantes correligionários de Mário Lino, para sustentarem tão contundente dislate. De facto só destruindo tudo à bomba... Já anteriormente, o ministro da Economia e Inovação, Manuel Pinho, tinha tido a infeliz ideia de asseverar que Portugal era o país da Europa, onde os trabalhadores auferiam mais baixos salários, o que não é verdade, como todos sabem. Agora, o ministro da Saúde, António Correia de Campos, manda exonerar das suas funções de directora do Centro de Saúde de Vieira do Minho, Maria Celeste Cardoso, apenas porque deixou que afixassem no SAP (Serviço de Atendimento Permanente), uma frase que em tempos havia sido dita pelo ministro Correia de Campos: “Nunca fui ao SAP, nem nunca irei”. Imaginem... Razão tinha eu, em pensar, que aquilo de Salazar ter ganho aquele concurso do português mais ilustre, não foi só com os votos da direita. Sempre estive convicto que aquilo mais não foi do que um tácito, mas expressivo repúdio público e frontal contestação a muitas decisões do actual Executivo. As práticas estão aí, bem visíveis para quem as queira ver e agora até com o acolhimento no discurso do Governo... Sinceramente, perante tanto disparate, e uma vez que é chegada a “silly season”, como dizem os britânicos, permitem que eu também toleje um pouquinho. E isto porque estou deveras apreensivo com toda esta situação, que se está vivendo. O nosso Executivo, tão solícito e atento a tudo onde possa ir buscar receitas, a fim de diminuir o défice orçamental, qualquer dia é muito bem capaz de decretar um imposto a pagar pelo disparate, tão fértil ele circula por aí. Neste sentido, resolvi alinhavar este apontamento, enquanto a idiotice não é tributada. Porém, se um dia a tontaria vier a pagar imposto, a fim de se evitar mais despesas ao erário público, proponho que sejam isentos desta taxa tributária, algumas entidades públicas, pelo menos enquanto estiverem no exercício das suas funções. Isto a bem da comunidade, e, sobretudo, dos bolsos do Zé pagante, que ao fim, ao cabo e ao resto é quem tudo vem a pagar, quer queira quer não queira.

por Fabião Baptista - colaborador do Jornal da Família

12 de setembro de 2007

Maldita Droga!!


Maldita droga, como tu és mafiosa.
És um abutre, qual ave de rapina
Sugas as entranhas daquele que de ti se aproxima.
Maldita droga!...
Transformas-me num farrapo, mais sujo,
Mais velho que um trapo.
Minha mente gera confusão
Perdi o olhar!
Já não sei viver!
Não quero amar!
Para todos sou uma exclusão,
Caí nas tuas malhas,
Bocado a bocado,
Num campo de exterminação.
Ai, Droga!
És um monstro angelical,
És capitão de uma guerra mundial
Levas-me ao suicídio!
Arrasta-me à loucura!
Apenas me deixas sonhar,
Enquanto o teu veneno dura.
Droga maldita!
Comecei por cheirar a tua erva daninha
Num salto de gazela passei a uma dosesinha
Fui mais além e não dei ouvidos a ninguém.
Droga! Maldita droga!
Estou mais exausto do que se praticasse Yoga
Meu corpo mais parece um crivo.
Quero deixar-te, mas não consigo.
Meu sangue gela nas veias
Perfurado por uma seta de aço
Sou autómata, já não sei o que faço.
Droga maldita!
Acordei de sonhar!
Juro que para ti não quero mais voltar.
Já sinto o sol de novo a amanhecer
Deveras a brilhar
Vou voltar a viver!
Aprendera amar!
E agarrar todas as forças
Para contra ti lutar
Saí vencedor!
Descobri o amor!
Vou gritar aos quatro ventos
Em todos os tempos
Jovens, digam NÃO à droga
Até nos mais frágeis momentos!
Saibam ser fortes
A este monstro que gera tantas mortes!
E rasga as vestes das nossas ditames do nobre coração
Saibamos gritar
Saibamos dizer
Até fazer a voz doer
Não à droga! Não! Não!

por Mª Augusta Barbedo C.


11 de setembro de 2007

Ousadias e fidelizações

É visível que a Igreja está a perder espaço e gente. E se continuarmos a insistir nos mesmos métodos, continuaremos, certamente, a obter os mesmos resultados. Na esteira dos nossos Bispos, temos de enfrentar “com ousadia e criatividade”, a mutação cultural que o nosso país atravessa, há anos.

Nas actuais circunstâncias, com os recursos humanos existentes, escassos, por um lado, e desaproveitados, por outro – não temos meios para atingirmos todos os campos de acção. No que respeita à pastoral da família, deveria estar nos nossos horizontes imediatos a evangelização das famílias (isto é, dos pais, dos filhos e de alguns avós) que andam afastadas da Igreja. Era deixar as 99 para ir à procura da ovelha perdida…

Sejamos realistas. Não temos condições para tal. Nesta fase, tomáramos nós não perdermos aqueles que ainda nos vão procurando. E sermos ousados, criativos, persistentes (teimosos se necessário) à mistura com muitas doses de paciência, de esperança e de fé. Os velhos do Restelo são muitos e surgem de todos os lados, às vezes de onde menos se espera. Comentários como “não vale a pena”, “já se tentou fazer isso”, “nem pensar”, “não temos condições”, acompanhados de semblantes tristes e desconfiados, nada ajudam a irmos ao encontro do pedido recente dos nossos Bispos: “A mudança de mentalidade interpela a nossa missão evangelizadora, de modo particular a evangelização dos jovens, das famílias e dos novos dinamismos sociais” (NP de 16/02/07, nº3).

Sabemos que não é fácil a vida dos casais, sobretudo dos casais novos. Sem grande preparação para a vida matrimonial, sem grandes apoios do Estado ou da sociedade, sem ambientes favoráveis, sem acolhimento da comunidade onde residem, sem vida estável e segura, sem tempo livre, sem avós por perto, com as dívidas da casa, do carro, dos electrodomésticos, da viagem de férias, e, às vezes, com um filho mais para “atrapalhar” do que para ajudar, a maioria dos casais novos deixa-se, facilmente, influenciar “por uma cultura que não está impregnada de valores éticos fundamentais”(NP, nº1), não tendo disponibilidade mental para acolher a Boa Nova do Evangelho, isto é, para se salvar.

Neste contexto adverso, por que não aproveitar, valorizar e potenciar os momentos em que alguns destes casais procuram a Igreja? Nas nossas dioceses, a maioria dos noivos com casamento católico passa pelos Centros de Preparação para o Matrimónio (CPM) ou outras estruturas. Por que não procurarmos acompanhar estes casais após o enlace, em articulação com a paróquia de residência? É claro que precisaremos coordenar acções, fugir das nossas rotinas, aceitar outras opiniões, etc. Precisamos, principalmente, de estar em comunhão: CPM, Secretariados da Família, párocos, equipas paroquiais da família, movimentos de espiritualidade familiar, movimentos mais “evangelizadores” (para dar formação), etc. Também uma parte dos casais novos tem filhos. E uma parte desta parte até vai pedir o Baptismo para eles. Conversa com o pároco e, quem sabe, até frequenta uma ou duas sessões de preparação (e que bom seria que estas sessões de preparação fossem personalizadas e conduzidas por leigos…). Será que aproveitamos, eficazmente, estes momentos?

Estes casais vão crescendo (em idade…) e, passados uns tempos, uma parte deles (que é uma parte da primeira parte) até vai matricular os filhos na catequese. E durante uns anitos estes pais vão aparecendo pela Igreja, pelo menos nos dias de festa e em algumas reuniões. Não será mais uma (grande) oportunidade a não perder? Somos poucos, temos poço tempo e temos poucos recursos. Mas somos operários de uma empresa muito especial (porque os operários e os clientes também são sócios…), com mais de dois mil anos de história (que muito nos orgulha). E tudo começou com uma dúzia de homens simples, fascinados com o seu líder, que espalharam sucursais por todo o mundo. Sem aviões, sem telemóveis, sem computadores. Mas com muita fé e determinação. Como operários fiéis, incumbe-nos, no mínimo, fidelizar os actuais clientes. Para tal, precisamos de dialogar, de juntar energias, de ser eficazes. Precisamos de ter Fé, rezando, rezando muito. E precisamos de ter paciência. De cem casais que nos procuram, conseguiremos ter sucesso visível apenas em alguns, talvez poucos de mais para as nossas contas. Mas, tal como a ovelha tresmalhada, se um casal, uma família se converter, se “fidelizar”, já valeu a pena todo o esforço. É que a nossa matemática nem sempre se harmoniza com a contabilidade divina… e ainda bem.

Por Jorge Cotovio - colaborador do Jornal da Família

7 de setembro de 2007

Editorial - Contradições

Uma série de contradições continua a pairar na nossa sociedade e atravessa todos os sectores.

A instabilidade e a insegurança atingem sobretudo neste momento o sector da saúde e o sector do ensino. Torna-se extremamente difícil, senão impossível, gerir todas as medidas exigidas. É necessário uma boa estrutura psicológica para não se deixar vencer pelo pânico e pelo pessimismo. Há que olhar mais os benefícios a longo prazo, do que a “congestão” momentânea que tudo isto causa.

Tem-se a sensação de estar à mercê de planos de emergência, carentes de gradualidade, estratégia e solidez. Umas medidas estrangulam outras, sem dó nem piedade, gerando alguma desorientação. Aliás, isto é o reflexo do ritmo acelerado dos vinte e cinco.

Torna-se difícil perceber o fio condutor de todas estas políticas carregadas de ambivalências e, algumas vezes, orientadas a iludir a realidade dos factos.

No mundo da saúde ninguém se entende. O fechar de unidades hospitalares (urgências) e a aplicação da lei decorrente da IVG, instalou o caos. É grande o enigma: os operadores da saúde, curam uns e matam outros…

Que lógica poderá equacionar estes opostos: por um lado é lícito matar, interrompendo a gravidez e carregando sobre todos os custos de tal delito; por outro, lançam-se medidas de apoio à família, mais concretamente ao incentivo da natalidade? É de louvar a inversão de políticas anti-família e anti-natalidade praticadas nos últimos 25 anos. Vale mais tarde que nunca.

Na mesma linha de pensamento, que lógica existe, quando se proíbe o tabaco e se deixa lícito o uso de drogas leves, como o haxixe, quando é do conhecimento comum que causam graves problemas vasculares. Que o consumo de canabis leva à destruição do cérebro, a paragens cardíacas, a lesões no fígado e agrava o risco do cancro no pulmão, como revelam recentes estudos científicos.

Porque não se há-de travar, com medidas rigorosas, a destruição das futuras gerações, que já nem são suficientes para substituir a população existente?

Mão contesto as mudanças exigidas pelas novas medidas, elas são necessárias, mas lançadas assim em “enchurrada” a sua aplicação instala a confusão e deixa fora do sistema milhares de pessoas, injustiçadas.

A “bondade” de algumas medidas revela-se pouco consistente, como acontece nos “Cursos das Novas Oportunidades” lançados o ano passado.

Quem contactou de perto com pessoas que frequentaram esses cursos, mais concretamente o nono ano, percebe que eles existem para iludir as estatísticas a nível nacional e europeu. No mínimo, dar umas noções básicas de regras gramaticais, literatura portuguesa, história e matemática, seria de esperar. Pergunto-me se são estas pessoas que vão elevar o nível de escolaridade do país e imprimir qualidade à produção.

Está aí o arranque do novo ano escolar, a 17 de Setembro. Já se sente o protesto dos professores e dos alunos face às novas medidas, mas sobretudo percebe-se a angústia de muitos professores que vêm o seu futuro profissional comprometido.

As leis, com toda a sua carga de objectividade, não se compadece com situações particulares e muitas vezes estrangula a família. Cabe, no terreno, contrapor a tudo isto a solidariedade, a inter-ajuda e o respeito pelo outro, atitudes que ajudarão a fazer face à desorientação sentida.

Conceição Vieira - redacção do Jornal da Família

5 de setembro de 2007

Madre Teresa, 10 anos depois (Ecclesia)


A 5 de Setembro de 1997, o coração de Madre Teresa de Calcutá deu o último suspiro. Passados dez anos, a obra que a "santa das sarjetas" ergueu continua viva e o seu sorriso perdurará. Esta data ficará na história do século XX. Durante a sua vida, ela simbolizava o amor aos mais carenciados. Aquela frágil mulher tinha uma força inesgotável e colocava em prática as palavras do Evangelho: "Amarás o teu próximo como a ti mesmo" (Mt 22, 39).

Com o final do milénio à porta desapareceu a mulher que se entregou aos "mais pobres dos pobres" e deixou muitos corações desamparados. Uma paragem cardíaca, depois de várias pneumonias e crises de malária, "levaram" Madre Teresa. Viveu com o coração, o coração a matou. A humanidade perdeu alguém que, por nada ter nem poder, tinha toda a autoridade porque ninguém conseguia dizer não a um pedido que ela formulasse.

Calcutá chorou, provavelmente, como nenhuma outra cidade do mundo, a morte desta mulher que escolheu a gigantesca metrópole indiana para viver toda uma vida ao serviço daqueles que não tinham ninguém. "Era uma verdadeira santa admirada por todos os indianos, independentemente da sua religião" - sublinhavam os habitantes de Calcutá.

Vocação precoce

Em Skopje, capital da Macedónia, pequena cidade com cerca de vinte mil habitantes, nasceu, a 26 de Agosto de 1910, Ganxhe Bojaxhiu. A sua família era católica e pertencia à minoria albanesa que vivia no Sul da antiga Jugoslávia. Um dia após o seu nascimento, Ganxhe recebeu o Baptismo e a sua educação teve lugar numa escola estatal durante os tristes anos da Primeira Guerra Mundial. Com um timbre de voz muito suave e harmonioso, a pequena Ganxhe tornou-se solista do coro da igreja da sua aldeia e, mais tarde, chegou a dirigir esse mesmo coro paroquial.

Ainda criança, Ganxhe entrou para a Congregação Mariana das Filhas de Maria que tinha uma filial na sua paróquia. Os mais pobres da região recorriam à Igreja para diminuírem as suas carências. Ganxhe sentia a sua vocação a crescer ao assistir a esta actividade de assistência aos mais carecidos.

"Aos pés da Virgem de Letnice escutei um dia o chamamento que me apelava a servir Deus" - disse, posteriormente, Madre Teresa e, confessou ainda, que descobriu a intensidade do chamamento "com uma grande alegria interior". Quando completou 18 anos, o apelo à vida religiosa tornou-se irresistível para a jovem e, a 25 de Dezembro de 1928, partiu de Skopje rumo a Rathfarnham, na Irlanda, onde se situa a Casa Geral do Instituto da Beata Virgem Maria.

Ganxhe tinha como ideal ser missionária na Índia e um sacerdote jesuíta contribuiu para esta doação aos mais pobres devido à informação de que, na Índia, as freiras dessa congregação faziam um "excelente" trabalho.

Depois de uma longa viagem, a futura religiosa chegou à casa das Irmãs de Nossa Senhora do Loreto. A estadia em Rathfarnham foi um porto intercalar já que embarcou rumo a Bengala. Durante a primeira semana esteve em Calcutá e daí viajou até Dajeerling, ao seminário da Congregação fundada pela missionária Mary Ward.

Feitos os estudos e chegada a hora de professar os votos temporários de Pobreza, Castidade e Obediência - 24 de Maio de 1931 - Ganxhe escolheu o nome de Teresa. De acordo com as constituições da Congregação do Loreto devia mudar de nome. "Escolhi chamar-me Teresa" - contou anos depois, devido à figura inspiradora de Santa Teresa D'Ávila. No entanto "não foi pela grande Teresa que escolhi o nome - disse - mas sim pela pequena: Santa Teresa de Lisieux". Encarregada de dar formação espiritual às "Filhas de Santa Ana" - hoje formam uma congregação autónoma - Teresa absorveu o estilo de vida bengali e, posteriormente, transmitiu-o às suas freiras, quando criou as "Missionárias da Caridade".

Uma viagem luminosa

O momento da viragem aconteceu de forma imprevista. Num dos seus relatos, Teresa conta que, a 10 de Setembro de 1946, numa viagem para o convento de Dajeerling, onde ia fazer os exercícios espirituais, enquanto rezava sentiu um "chamamento dentro do chamamento". A mensagem era clara: "devia deixar o convento do Loreto (em Calcutá) e entregar-se ao serviço dos mais pobres e viver entre eles". Com a "iluminação divina", Teresa sentiu uma hesitação: como realizá-la. Este dia de Setembro ficou marcado na história das Missionárias da Caridade e, obviamente, no livro da vida de Madre Teresa como o "Dia da Inspiração".

Teresa de Calcutá pensava nos pobres da cidade que todas as noites morrem pelas ruas e, na manhã seguinte, são lançados para os carros de limpeza como se fossem lixo. Não se habituava a este "terrível espectáculo matinal". Queria fazer algo em prol daqueles esqueléticos a pedir esmola na rua e a esperar que o tempo os levasse.

A luz recebida no trajecto de Calcutá para Dajeerling foi objecto de meditação no retiro de Teresa. Este terminou numa pergunta muito concreta: "Que poderei fazer por estes infelizes?".

Abandonado o hábito da Congregação do Loreto, a Irmã Teresa comprou um sari branco, debruado de azul e colocou-lhe no ombro uma pequena cruz. Foi com esta nova indumentária - o vestido duma modesta mulher indiana - que passou a ser conhecida no mundo inteiro.

A vida da religiosa sofreu novos contornos e quando a Santa Sé reconheceu a Congregação - 7 de Outubro de 1950 pelo Papa Pio XII - a instituição da Madre Teresa de Calcutá contava com centenas de membros em todo o mundo. Primeiro, começou a levar os moribundos para um lar onde eles pudessem morrer em paz e com dignidade. De seguida, abriu um orfanato. De forma gradual, outras mulheres se lhe uniram neste projecto. Nasceu uma nova Congregação religiosa - "Mis-sionárias da Caridade" - para se dedicar aos mais pobres entre os pobres.

A luz do projecto ganhou raízes no solo fértil e as vocações começaram a surgir. Neste viveiro vocacional - muitas das mulheres que aderiram foram antigas alunas - Madre Teresa vê uma bênção de Deus. Sem operações de marketing, o trabalho da consagrada albanesa ganhava visibilidade e as vocações para "Missionárias da Caridade" surgiam a bom ritmo.

De abrigo em abrigo, Teresa de Calcutá dava - mais do que donativos - lições de higiene e moral, palavras amigas e as mãos sempre prestáveis para qualquer trabalho. Não foi preciso muito tempo para que todos a conhecessem. Quando ela passava, crianças famintas e sujas, deficientes, enfermos de toda a espécie, gritavam por ela com os olhos inundados de esperança: Madre Teresa! Madre Teresa!

Luís Filipe Santos - AE

31 de agosto de 2007

Uma Família Feliz

Por ocasião da X Assembleia Mundial da Confederação dos Movimentos de Famílias Cristãs, em Fátima, com que ternura, alegria e entusiasmo falou da família, e particularmente da sua própria família, ao “Jornal da Família”, o casal Billie e David Kilman. Um casal verdadeiramente feliz, pais de quinze filhos - nove rapazes e seis raparigas - 55 netos e 2 bisnetos, muitos dos quais estão na foto, feita durante o passeio ao parque de campismo da Disney World na Florida.

"Uma família feliz! Somos felizes porque aprendemos que o mais importa é “Amar a Deus, como único Senhor”, e que a nossa vida não passa de uma peregrinação. Quando nos casámos Deus fez uma aliança connosco e esta aliança está presente, sempre que necessitámos d’Ele. E em virtude desta aliança os pais têm um poder especial junto dos filhos. Deus o nosso Pai, é também Pai dos nossos filhos, Ele ama-os e sabe melhor do que nós qual é o seu maior bem. Por isso Deus faz parte das nossas vidas quotidianas, e nós procuramos partilhar esta realidade com os nossos 15 filhos, em coisas muito simples: Celebramos o Onomástico de cada filho, com isto pretendemos apresentar-lhe o santo do seu nome, como um herói ou heroína, para que lhes sirva de guia, em vez de uma estrela do cinema ou do desporto. Promovemos várias celebrações, em dias significativos, como o dia da árvore, fazemos pequenas festas para ajudar as crianças a conhecer Deus, segundo as suas capacidades, e acompanhamo-los à missa e aos sacramentos. Pretendemos educar os nossos filhos na fé e na vivência, segundo Jesus Cristo. A Confederação Mundial dos Movimentos de Famílias Cristãs, foi uma grande ajuda para nós, como casal a viver num ambiente descristianizado. Embora nos Estados Unidos haja liberdade religiosa, o que é muito positivo, a sociedade no seu conjunto não age com os mesmos objectivos. A experiência de vida familiar cristã do nosso Movimento tem enriquecido muito a nossa família. Os encontros semanais, os temas abordados e as experiências das outras famílias, mostra aos nossos filhos que eles não estão sós, que há famílias cristãs como nós e, na verdade até fazem ali muitos amigos. As limitações físicas para ter uma família alargada, e mais ainda a pressão social causam, no geral, graves danos. O David quando confrontado neste sentido, sempre me respondeu que a “paternidade responsável” significa aceitar, acolher e amar os filhos que Deus nos dá. Sentimos muitas dificuldades para ser bons pais de tantos filhos. Enquanto adolescentes e jovens adultos o questionamento da fé é frequente. Mas torna-se até saudável, a forma como a juventude espontaneamente se aproxima de Deus e cresce na fé. Nós podemos apenas servir de exemplo aos jovens e mostrar-lhes o nosso amor pelo Senhor. Ser pais ajuda-nos a entender melhor a Deus. Sabemos quanto Deus nos ama e quer que O amemos; mas nós não podemos forçar ninguém a amar Deus. No meio das dificuldades pensamos, Deus providenciará por nós. Se nos pede para fazer algo, Ele preparará o caminho e dar-nos-á as pistas. E na verdade dão-se pequenos, mas significativos acontecimentos na nossa vida, que só são possíveis, pela presença da mão invisível de Deus, como por exemplo: um dia fui ao mercado e gastei todo o dinheiro em comida e leite. Já não pude passar pela padaria, e não tinha pão em casa. Aflita disse ao Senhor que Ele teria que providenciar o nosso pão quotidiano. Pouco depois fui convidada a jantar no Centro Marianista, pois um convidado tinha faltado e havia uma senha a mais. Um jantar excelente, e a senhora Joyce, no final veio oferecer-me, com um enorme cesto de pão. Pensei então na multiplicação dos pães que Jesus fizera no deserto, e agora fê-la em nossa casa. Ir à missa todos os dias e receber Jesus na Eucaristia, para mim era tão importante como o ar que respirava, encontrando aí a força para fazer o que necessitava, e ultrapassar todos os obstáculos. Agora os nossos filhos cresceram e, por vezes, damos connosco a observar esta quase inacreditável maravilha. Como pudemos nó, dois comuns mortais humanos, criar adultos tão maravilhosos? Como puderam estas crianças crescer tão bem, quando nós falhávamos em tantos aspectos? Isto só foi possível pela poderosa graça de Deus! Todos nossos filhos cresceram e são a favor da vida e da família. A nossa filha mais velha, Katheleen, levou por diante 17 gravidezes. Perdeu oito bebés, mas alegra-se, juntamente com o seu marido John, com os nove filhos que o Senhor lhes deixou para criarem. O nosso filho Paulo e a sua mulher estavam à espera de gémeos e o médico aconselhou-os a deixarem apenas um deles e abortarem o mais débil. Eles recusaram. O mais débil também está vivo, tem oito anos, mostrando assim que Deus é Deus e os médicos não são Deus. Cada família dos nossos filhos, escolhe ter um dos pais em casa para dar aos seus filhos a melhor formação. Todas as mamãs e papás são formidáveis com os seus filhos. Assim os nossos filhos são na verdade o nosso melhor testemunho. Estamos contentes, por nos terem desafiado a partilhar, com os leitores do Jornal da Família um pouquinho da nossa vida de família. Que Deus abençoe todas as famílias, as famílias do Movimento por um Lar Cristão e o Instituto Secular das Cooperadoras da Família."

Billie e David Kilman - 520 Mohawk Ave - Norwood, Pa 19074, USA

30 de agosto de 2007

Festa no Instituto Secular das Cooperadoras da Família


É com muita alegria que partilhamos convosco, nossos leitores, um grande acontecimento para o nosso Instituto (ISCF). A entrada de mais duas jovens no passado dia 22 de Agosto no Instituto: Marina de Jesus (Lisboa) e Ana Margarida (Coimbra).
Foi num ambiente de festa em que as respectivas famílias e o Instituto, representado pelas várias localidades, de norte a sul, e também pelas cooperadoras que se encontram fora do país, e também num ambiente de esperança, que as acolhemos em nosso seio.
O futuro vai-se construindo, passo a passo, e estas jovens entregaram-se a uma vida de consagração para ajudar nessa mesma construção. O Instituto cresce, e cresce também a garantia de podermos servir mais e melhor as Famílias.
Agradecemos a Deus o dom que é a Marina e a Margarida, e que elas encontrem de facto a felicidade junto d'Aquele que as chamou.

Campo de Férias 2006/2007 - Carcavelos









Nos dias 22 a 26 de Agosto realizou-se, como temos vindo a realizar todos os anos ( o Instituto Secular das Cooperadoras da Família), e desta vez no Centro de Cooperação Familiar de Carcavelos, o Campo de Férias 2006/2007.

Em que consiste esta actividade? Digamos que esta actividade tem como finalidade, não só proporcionar aos jovens novas amizades e novos conhecimentos a nível Cultural, mas fundamentalmente proporcionar-lhes uma maior descoberta interior.
“Navegar Mar Dentro” foi o tema que nos ajudou a reflectir nestes dias, e foi também com este “lema” que se foram integrando nas várias actividades.
Participaram 10 jovens, vindas de vários pontos do país: Porto, Braga, Viseu, Lisboa, Covilhã, Coimbra e Guarda. Todas juntas aqui recordamos convosco esses momentos de convívio, de reflexão, de cultura e de conhecimento entre o grupo.
Foram dias diferentes e esperemos que a partir de agora tudo seja também um pouco diferente…

9 de agosto de 2007

Momentos desejados

Eis chegado o momento mais desejado, as férias… O momento libertador para todos nós que as desejamos.
Depois de um ano de trabalho e tensões é a altura da descompressão e de sermos nós mesmos.
Já passei vários momentos de férias ao longo da minha vida como é natural, conheço um bocado deste pais que tanto gosto e que tanto tem para nos mostrar. Mas nos últimos 4 anos tem tido um sabor muito especial na companhia da minha família, desde que uma criança apareceu nas nossas vidas, esta tornou-se mais rica e sem momentos de tédio. Nas férias o que antes dada para dar passeios a pé, ver momentos, ler, estar na preguiça, agora é estar completamente absorvido por este ser, pelas correrias na praia, pelas brincadeiras na areia, pelos jogos em casa… chega-se ao final do dia cansado, mas é um cansaço saudável.
No final chega uma tristeza, tanto a mim como a ele, os laços que fortaleceram vão-nos dar força para mais um ano, onde o tempo que passamos juntos é pouco e superficial.
É na memória dos momentos bons passados que iremos alimentar a esperança até ao novo momento de férias.
Anónimo

3 de agosto de 2007

Matrimónio. Uma opção definitiva?!

5. O amor conjugal

No passado mês, quase ao terminar as linhas que convosco costumo partilhar, afirmava que o ser humano se realiza plenamente como pessoa no diálogo eu-tu, alcançando este diálogo a sua forma mais intensa na relação de amor. Olhar para esse amor, na sua dimensão da conjugalidade, é o objectivo que desta vez vos proponho. Na realidade, só o amor conjugal, ou seja, um amor total, livre, fiel, exclusivo e fecundo pode ser fundamento consistente de uma opção de vida concretizada no matrimónio. Sei bem que todas estas notas, a que acabo de fazer referência, marcam presença, de uma maneira ou de outra, em toda a realidade do amor, no entanto, elas adquirem um relevo especial naquele tipo de amor que aqui qualificamos de conjugal. Daí a atenção que lhes vou dar. O amor conjugal é um amor total, isto é, um amor que pressupõe a capacidade de perceber e aceitar o outro tal como ele é, amando-o por si mesmo e aceitando-o na sua riqueza, diferença e irrepetibilidade. Nada deve existir na vida dos dois que possa ficar fora dessa relação de amor. Trata-se de uma aceitação mútua, mesmo naquilo que é limite e fraqueza, se bem que cada um se deva sempre empenhar em ajudar o outro a progredir na construção da sua personalidade, respeitando a sua autonomia. É todo o eu que ama a totalidade do tu para, em conjunto, construir um projecto de vida, onde a totalidade da existência é partilhada. O amor conjugal é um amor livre, pois só na liberdade de querer ser totalmente um para o outro, se pode construir uma vida em comum. Numa relação em que o predominante não pode ser simplesmente o eu de cada um, mas se tem igualmente de ter em conta a pessoa amada, a dimensão da liberdade torna-se fundamental. A capacidade de livremente me decidir por aquele tu é, de facto, uma das dimensões decisivas no amor conjugal. O amor conjugal é igualmente um amor fiel e para sempre, porque só um amor que é fiel e se quer viver para sempre pode constituir um suporte real e sólido para a partilha total da vida inteira. É também um amor exclusivo, pois a relação existente entre o eu e o tu é exclusiva não podendo ser repetida com mais ninguém. O amor conjugal dirige-se a uma única pessoa, de tal modo que essa relação, por ser única e irrepetível, se pode tornar o suporte de uma vida partilhada. A exclusividade é aquela nota característica do amor conjugal que ao permitir tornar a relação entre as duas pessoas em algo de tão especial, as referencia uma à outra de maneira única e irrepetível. Amor exclusivo mas não fechado sobre si mesmo. Na realidade, no casamento os cônjuges não se podem buscar só a si mesmos, limitando-se a concretizar os seus interesses e a alcançar a sua própria realização. O verdadeiro amor conjugal deve ter sempre uma dimensão que supere os dois que se amam, pois se permanecer fechado sobre si mesmo corre o perigo de definhar. O amor leva à doação e à partilha da felicidade e do ser, por isso naturalmente se abre ao dom da dádiva e do acolhimento da vida. O matrimónio como ‘isolamento a dois’ seria um profundo equívoco. Um bom casamento tem sempre espaço para os amigos e para muitas formas de proximidade humana. Finalmente o amor conjugal é um amor fecundo. De maneira plena a fecundidade do amor conjugal manifesta-se na capacidade de gerar e acolher uma nova vida. Porque baseado na dádiva total de cada um ao outro, o amor conjugal está aberto e aponta para o milagre da vida. Para os cônjuges, os filhos não são, pois, algo de externo à sua relação de amor, pelo contrário, são o confirmar e o afirmar sempre, de maneira profunda e renovada, a relação que ambos têm. Este amor a dois é tão abarcante e total que é capaz de criar uma tal novidade tendente a concretizar-se numa vida completamente nova e distinta. Um amor conjugal que seja voluntariamente estéril jamais poderá desenvolver-se e alcançar a sua plenitude. Todas estas notas nos permitem facilmente entender como o amor conjugal não é uma realidade estática e concretizada de uma vez por todas. Pelo contrário, ele deve estar sujeito a um contínuo dinamismo de crescimento e aprofundamento. O cônjuges devem, pois, empenhar-se numa constante atitude de aperfeiçoamento, cultivando e exercitando o seu amor todos os dias da sua vida. Nesta linha tem toda a razão aquele meu amigo padre que na homilia do casamento de amigos comuns afirmava, com alguma ousadia: «mal estará a vossa relação se este dia de casamento for o dia mais bonito e feliz da vossa vida, pois isso significaria que não teria havido crescimento e aprofundamento no amor».
por Juan Ambrósio - colaborador do Jornal da Família

2 de agosto de 2007

Férias: saber perder tempo

“Para tudo há um tempo debaixo dos céus:
Tempo para nascer e tempo para morrer,
Tempo para procurar e tempo para perder,
Tempo para guardar e tempo para deitar fora” (Ecle 3,1.6).

Em tempo de férias é sempre oportuno reflectirmos sobre o bem mais precioso da nossa vida: o tempo.
Perguntem ao estudante que reprovou, quanto vale um ano! Perguntem à mãe que teve o bebé prematuro, quanto vale um mês! Perguntem aos namorados que não se viam há muito, o valor de uma hora! Para perceber o valor de um minuto, perguntem ao passageiro que perdeu o avião! Para perceber o valor de um segundo, perguntem a uma pessoa que conseguiu evitar um acidente!Assim nos mostra a vida como é precioso cada ano, cada dia, cada hora ou fracção de tempo. Será por isso que se diz que “o tempo é dinheiro”? Ou será que o tempo, como a moeda, se vai desvalorizando na nossa vida cronometrada do dia-a-dia? E, no entanto, Deus dá-nos todo o tempo do mundo de graça. Todo o tempo deste mundo: o cronos e o káiros, o tempo medido e o tempo vivido.Os antigos consideravam que a verdadeira ocupação do homem era o ócio e não os negócios. Os monges tentaram manter vivo este ideal do homem ciente da sua vocação: não fomos criados para trabalhar, mas para louvar o criador; estamos neste mundo não para explorar a terra, mas para cuidar do jardim da criação. Ora et labora foi a fórmula de equilíbrio encontrada pelos mestres espirituais que sempre consideraram o ócio e a contemplação tão importantes como o trabalho.
Na escola, na família e na sociedade preparam-nos para o trabalho, mas não nos preparam para o ócio nem nos ensinam a saber “perder tempo”. Não nos faltam meios e propostas para matarmos o tempo, em vez de nos ensinarem a arte de vivê-lo com sabedoria: uns matam o tempo diante do televisor, outros “ocupando os tempos livres” para que nunca estejam livres; outros em actividades radicais, para que nunca cheguem à raiz das coisas e dos problemas… Matamos o tempo para não nos cruzarmos com a morte, e fugimos à morte para não nos encontrarmos com a vida.
Passamos a vida a correr contra o tempo, a lamentarmo-nos que “não temos tempo”, quando afinal o tempo só nos foge porque nós corremos contra ele. Construímos vias rápidas e máquinas velozes para ganhar tempo, mas é o tempo que foge e passa depressa sem nos permitir contemplarmos a paisagem de cada dia e saborear as paragens que a vida nos proporciona. Tornamo-nos escravos do relógio e cada vez sabemos menos “a quantas andamos”. Na ilusão de corrermos contra o tempo estamos a correr contra nós, pois não vivendo realmente, acabamos por queimar o tempo e a vida.
Como é difícil valorizar o tempo presente que Deus nos dá, vivendo o ritmo quotidiano da vida. Os mais velhos continuam a sonhar com o passado sempre “muito melhor” (no meu tempo é que era bom!), enquanto os mais jovens vivem obcecados com o futuro. Vamos assim contando os dias e os anos sem vivermos cada momento e cada dia: uns sempre atrasados ou desactualizados, outros tão avançados que parecem viver noutro planeta e fuso horário.
Necessitamos de reaprender a arte do ócio, de dar tempo a nós mesmos, à família, aos amigos. Precisamos de perder tempo com coisas “inúteis”:
pararmos a admirar o mistério do amanhecer, saborear a brisa da madrugada que nos fala de Deus, escutar a polifonia dos pássaros que cantam sem contrato, ouvir o silêncio das criaturas e decifrar as mensagens das estrelas… O tempo de férias constitui uma ocasião propícia para acertarmos a vida pelo relógio do sol e pelo ritmo das criaturas. É o tempo em que podemos tapar os ouvidos ao bater das horas, para escutarmos mais as batidas do coração. Longe de ser um tempo para “passar” ou mal gasto, as férias deveriam ser o tempo bem empregue: onde conseguimos arranjar agenda para nós e para os outros; onde redescobrirmos que o dinheiro não é tudo, que as melhores coisas da vida não se compram, pois são grátis, são graça. Longe de ser um tempo de evasão, as férias deveriam ser tempo de encontro, de reflexão, de avaliação; deveriam ser uma ocasião para passarmos do tempo de fazer (ter que fazer), para o tempo de viver, o tempo de experiência da autenticidade e da criatividade; Uma oportunidade para transitarmos das evasivas utopias da máquina do tempo para voltarmos a “ter tempo” e a vivê-lo com magia e fantasia infantil.
Quem dera que pelo menos as nossas férias fossem um tempo da experiência compartilhada com o outro, tempo favorável ao encontro, tempo cheio de significados. Como tão bem observou Marcel Proust: “Uma hora não é uma hora, é um vaso cheio de perfumes, sons, projectos e climas”. Uma vida não é vida se não for assim: cheia de perfumes, sons, projectos e climas. Pois, afinal, a vida não é o tempo e os anos que vamos contando, mas uma história de tempos, lugares e encontros cheios de tudo isso.
Dizia a raposa ao Princepezinho, “foi o tempo que perdeste com tua rosa que fez tua rosa tão importante”. Porque esta continua a ser uma verdade esquecida entre os humanos, é importante que haja quem saiba e ensine a “perder tempo” com o mais importante. E o mais importante continua a ser “criar laços” e “deixar-se cativar”.

Frei Isidro Lamelas

30 de julho de 2007

Férias em filosofia

A vida são dois dias, o Carnaval, três. Diz-se a brincar, como um hábil jogo de palavras e números, como se nada, de facto, se quisesse dizer. Estes três dias acabam por ter algo de religioso. Três dias de festa estridente que precedem a quarentena de cinzas e penitência. Ou a alusão aos três dias de Paixão de Cristo que terminaram na Ressurreição. Ou escondendo ainda um outro conceito: a vida dura pouco, menos que um divertimento de Carnaval e por isso não vale a pena perder tempo com o que não é aprazível. Indo mais fundo parece insinuar-se uma filosofia de vida retintamente epicurista que valoriza antes e acima de tudo o prazer.
As viagens ideológicas demoram o seu tempo e as mudanças, por muito velozes que pareçam, operam–se com leis rígidas que não permitem que a história evolua aos saltos.
Entremos um pouco mais no concreto. Vivemos uma sociedade de progresso, trabalho, produção, eficácia, rendimento. Mesmo com o apoio da técnica e da tecnologia, nunca o homem pode dizer que o seu tempo de vida é de lazer, como aconteceria a Adão, não fora o pecado original.
Mas o facto é que o conceito de Carnaval como divertimento de choque, excitação, entretenimento esgotante, vai-se estendendo a outras áreas. O repouso já não é o que era. E para muitos, o próprio tempo de férias constitui uma multiplicação – um compacto, como ora se diz – de entretenimentos que se escolhem como em carta de vinhos e se consomem até à embriaguês. Umberto Eco fala mesmo da carnavalização da vida face aos espectáculos constantes que as pessoas procuram, nomeadamente através dos media que são os agentes deste divertimento non stop quer de informação quer de ficção.
Aparte outros considerandos parece urgente rever a concepção de repouso, divertimento, festa, corte do trabalho quotidiano (quantas vezes o fim de semana é concebido como tempo de orgia!). Com tudo isso, há valores recônditos que não afloram nos tempos comuns de trabalho e rotina. Há pausas, silêncios, escutas, olhares que só se descobrem num certo despojamento de alma. Será por isso bom que as férias se não transformem em repetição programática do mesmo. Se assim for, semana após o recomeço do trabalho estarão praticamente gastas.

António Rego

Ainda somos todos contra o aborto?

por Pedro Vaz Patto

Quando é que um aborto deixará de ser praticado por causa deste sistema?
"Todos somos contra o aborto, só não queremos que as mulheres que o praticam sejam penalizadas." Quantas vezes não ouvimos da boca de partidários do "sim" no referendo de Fevereiro este tipo de afirmações? Ou, também, a ideia de que o aborto não seria liberalizado nem banalizado, que o número de abortos não iria aumentar, que passaria a vigorar um sistema de aconselhamento tendente a evitar esse aumento de uma forma alternativa em relação à penalização e até mais eficaz do que esta? Recordo-me muito bem de ter ouvido esta ideia, em debates em que participei, a vários dos meus interlocutores partidários do "sim". Continuo a acreditar na sinceridade e na boa-fé desses meus interlocutores. Mas estranho que estas ideias tenham deixado de se ouvir a partir do dia seguinte ao do referendo (é verdade que ainda as ouvi na própria noite de 11 de Fevereiro, pouco depois de serem conhecidos os resultados) ou não tenham sido ouvidas durante a discussão da lei entretanto aprovada pela Assembleia da República. Nem se oiçam agora, quando a lei e sua regulamentação entraram em vigor.
Essa lei, deliberadamente, não fala em "aconselhamento", mas em "acompanhamento", com o propósito claro de afastar qualquer ideia de dissuadir ou desaconselhar a prática do aborto (o que não deixaria de respeitar a vontade livre da mulher, respeito que os resultados do referendo impõem). Tal como se rejeitou qualquer propósito de "encorajar a continuação da gravidez" (expressão decalcada da lei alemã, lei muitas vezes mencionada na campanha, designadamente pela drª Maria de Belém Roseira e pelo engº José Sócrates), através do apoio à busca de alternativas ao aborto. O "acompanhamento", por psicólogos ou técnicos de serviço social, será facultativo. Os médicos objectores de consciência não poderão participar na consulta prévia e no referido "acompanhamento" (não vão eles incorrer na "perigosa" e "subversiva" prática de algum tipo de aconselhamento de alternativas ao aborto!). Esse "acompanhamento" será efectuado no âmbito de clínicas lucrativas, obviamente pouco interessadas em limitar a prática do aborto, que é a fonte do seu lucro. Aliás, ainda a lei, com a sua regulamentação, não entrara em vigor, já vários hospitais públicos se apressavam a praticar o aborto a pedido da mulher. É claro que não preocupou os responsáveis se esse "acompanhamento" social e psicológico estaria já em condições de ser prestado (nem ninguém falou disso, sequer). A regulamentação da lei não prevê a obrigatoriedade de comunicação à mulher do mais elementar dos elementos de informação necessários a uma decisão verdadeiramente consciente: o que diz respeito às características do desenvolvimento do embrião ou do feto (o que poderia ser feito através do visionamento de uma ecografia, ou de outra forma). Afinal, o que é que significa "interromper a gravidez"? Sem essa informação, pode bem suceder que uma mulher pratique o aborto convencida de que o embrião ou o feto são uma "mancha de sangue", ou um "amontoado de células", como tantas vezes se ouve. Uma decisão destas será tudo menos uma decisão consciente. Esta informação, na sua objectividade e para além de qualquer polémica doutrinal, certamente evitaria alguns abortos, muito mais do que a informação sobre os apoios do Estado à maternidade (essa prevista na regulamentação da lei), já conhecidos da generalidade das pessoas e, por sinal, bem pouco significativos. Tão pouco significativos que dificilmente alguém deixará de praticar um aborto por causa dessa informação...
Um projecto de proibição da publicidade que incite à prática do aborto, apresentada pelas deputadas Maria do Rosário Carneiro e Teresa Venda, semelhante ao de projectos anteriormente apresentados pelo próprio Partido Socialista, foi rejeitado liminarmente.
A prática do aborto no âmbito do Serviço Nacional de Saúde não ficará sujeita ao pagamento de qualquer taxa moderadora, seja qual for o nível de rendimento da mulher que a peça. A lógica da taxa moderadora é a de evitar um recurso desnecessário aos serviços de saúde, de "moderar" esse recurso, limitando-o e restringindo-o às situações de verdadeira necessidade.
Não se compreende que, como se verifica actualmente, se exijam essas taxas em internamentos e cirurgias, que muito dificilmente serão resultado de uma opção ou de uma decisão que possa ser evitada. Mas em relação ao aborto, mais do que qualquer outro serviço, tem plena lógica a intenção de "moderar" o recurso aos serviços de saúde, porque se trata, claramente, de uma opção e de uma decisão que podem ser evitadas. Aqui sim, justificar-se-iam taxas moderadoras.Seria interessante saber quando é que um qualquer aborto deixará de ser praticado por causa deste sistema. Ouvi dizer uma vez que não se conhecia nenhum caso no âmbito do sistema em vigor até agora em Itália, teoricamente muito mais orientado para a defesa da vida do que este nosso sistema. Oxalá me engane, mas não me parece que algum dia venha um aborto a ser evitado por causa deste sistema que agora entra em vigor.
Nesta altura, em que se prevê uma "avalancha" de pedidos de aborto, parece que a única preocupação dos responsáveis governativos é a de satisfazer esta procura e que nenhum desses pedidos deixe de ser atendido, nem que, para isso, se tenha que atravessar o Atlântico e se paguem viagens de avião. Não se lamenta o facto, não se procura estudar as razões, não se procura oferecer alternativas. Como seria bom voltar a ouvir: "Somos todos contra o aborto!".

23 de julho de 2007

Os não nascidos e os impedidos de nascer

A notícia, a principio bem discreta, só vinha em poucos jornais, se comparada com o grande relevo dado, sem recriminações, à desobediência dos hospitais do Estado sobre os abortos já realizados. “ Mais de 60 abortos só num mês e ainda sem lei” era título do dia. Uma lei, como sabemos, que permite a algumas mães, muitas a custas do erário público, que mandem matar o filho que trazem no seio, se assim o pedirem de harmonia com o que está determinado.
Antes da lei, já nada é ilegal. E isso não interessa aos servidores do Estado que lhe dão cobertura e retiram importância, não vão as coisas complicar-se mais.
Diz a princípio a tal notícia discreta, depois já em primeira página e devido relevo que “A natalidade atinge em Portugal o valor mais baixo de sempre”, ou que “Nascimento de bebés em 2006 é o mais baixo desde que há estatísticas”. É o Instituto Nacional de Estatística a fonte. O índice de natalidade foi de 1,36, com tendência a descer e sem se ver saída para situação tão preocupante, para quem ainda se preocupa.
O país endoidou, está visto. E são os serviços oficiais que adiantam, triunfantes, todos os dados sobre os hospitais credenciados para abortar, os que à revelia da lei se anteciparam à regulamentação, as clínicas particulares autorizadas para o mesmo efeito. Já se anunciam dez! São eles que garantem, por fim, que onde houver médicos objectores de consciência, são sempre os médicos “o problema mais complicado”, está desde já assegurado que o aborto se executará em qualquer outro sítio, público ou privado. O Estado paga, ou seja, nós pagamos. Que especiais deveres estes do Estado!...
As clínicas espanholas já estão a actuar e a escolher, pressurosas, as cidades mais aptas para facilitar o negócio e sossegar os governantes, os partidos e os votantes do sim. Para já, Lisboa em acção e Porto em preparação. Por cá, clínicas com longa história e onde sempre se fizeram abortos, agem agora com plena tranquilidade. O ministério já fez cálculos ao preço e os outros publicaram, de imediato e para que se saiba, as tabelas, segundo as diversas modalidades abortivas. Coisa que não acontece em nenhum outro caso clínico cirúrgico. É preciso cativar a freguesia que se vai dispersar. Onde estiver a imaginação e a perspicácia do negócio, estará o poder de competir e triunfar.
Tudo isto merece uma leitura cuidada. O que se previa está já aí à vista na praça pública. Adiante se verá mais, que o tema não se esgota, nem depressa, nem de vez.
Mas, se há muita gente eufórica com este triunfo de uma cultura de morte que legalmente se implantou em Portugal, sem que deixemos de denunciar o que muito nos envergonha e em nada nos dignifica, há que unir vontades e forças ante o decrescimento galopante da natalidade, para que a vida possa triunfar e seja sempre considerada o maior e o mais indiscutível dos valores humanos, o único que é comum a todos.
Porque se manifestam tão pouco interessados, quer o governo, quer a opinião pública, em encontrar razões válidas para esta situação, em promover a natalidade e em ajudar e exigir condições para que os casais fecundos possam gerar filhos? Toda a gente diz que gosta de crianças. Porém, os pais que têm coragem para gerar filhos, se vão além de dois, são taxados de insensatos. O fisco, atento às ofertas feitas, ainda que esporadicamente e por vezes com sacrifício, pelos pais que querem ajudar os seus filhos, casais novos com filhos e dificuldades acrescidas, logo se apressa a cortar o abono de família das crianças com direitos, se a oferta parece grande e sem se atender a de que maior é a necessidade de quem a recebe. Para fazer bem já se paga imposto!
Não se aprecia a vida nascente, a generosidade dos familiares generosos e atentos, a estabilidade do casal em dificuldade, as despesas necessárias com os filhos, a coragem dos cidadãos mais sacrificados, socialmente mais determinantes, castigados até por terem filhos e por haver avós que os ajudam a criar…Então, o que é agora verdadeiramente importante neste país e para quem governa?
Temos de nos interrogar, seriamente, sobre um problema tão grave, como actual.
O acomodar-se indiferente ante o drama das crianças não nascidas ou impedidas de nascer é atitude suicida, por mais que se diga o contrário. A história anotará os novos criminosos.

D. António Marcelino

Abortamento - agora vamos saber como é

Estou muito surpreendido com o alarido de jornais e televisões sobre a execução de abortamentos por conta da lei e da sua infeliz regulamentação.
Eu julgava que o abortamento era um acto privado de algumas mulheres que, por estarem em situação de profundo desespero e por não terem quem as ajudasse, recorriam clandestinamente ao vão de escada onde lhes espetavam uma agulha de crochet e iam depois para o Hospital, esvaídas em sangue, ou morriam em casa desamparadas. Pelo menos foi isto o que sempre ouvi dos defensores do Sim nos debates em que participei defendendo o Não.

Afinal, não é.

É um “acto médico” banal e corrente, que vai ser praticado aos milhares pelos Serviços de Obstetrícia do Serviço Nacional de Saúde e a grande preocupação é se os ditos serviços têm capacidade para atenderem todas essas mulheres em tempo útil e em boas condições técnicas.

Como sempre haverá alguns médicos que praticarão abortamentos sem justificação nem indicação médica - mas elogiem-se os muitos que, com o esperado respeito pela sua dignidade profissional farão, em cada caso, objecção de consciência à prática de um acto que lhes repugna - temos aqui uma oportunidade, infeliz mas incortonável, de conhecer, de facto, a situação do abortamento em Portugal.

Será um case study, embora pelas piores razões. O que se deve esperar é que cada acto de abortamento seja devidamente registado como se se tratasse de uma investigação clínica, cujos resultados irão ser avaliados, cientificamente, ao fim de algum tempo. Excluindo a identificação da mulher, tudo o mais deve ser registado, nomeadamente a idade, estrato social, nível de instrução, tipo de conjugalidade, número de filhos, número de abortamentos já efectuados antes, motivo invocado para solicitar o abortamento, idade do feto, tipo de abortamento praticado, tempo de internamento, avaliação pós abortamento, física, psíquica e emocional.

Com os dados deste registo ficaremos todos a saber de forma transparente e cientificamente rigorosa, o quadro dos abortamentos em Portugal. Com base nestes resultados será possível estruturar as acções de prevenção, já que neste aspecto os partidários do Sim e os do Não estão de acordo: o abortamento é um mal absoluto e tudo o que se fizer para o combater é um grande e positivo bem para as mulheres e para sociedade.

À atenção da Direcção-Geral de Saúde, aqui deixo esta proposta, que nem sequer custará dinheiro.

Daniel Serrão

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