Diário da Assembleia Geral do ISCF

“Tudo o que se fizer a bem da família, por pequeno que seja é grande”. (Mons. Brás)

A Família no centro das atenções

Encontra aqui os vários artigos do Dr. Juan Ambrósio sobre a Família...

Encontro Mundial das Famílias 2015

O Vaticano apresentou dia 24 de março em conferência de imprensa o 7.º Encontro Mundial da Família, que vai decorrer de 22 a 27 de setembro de 2015 na cidade norte-americana de Filadélfia.

A saúde mental dos portugueses

Alguns dedicam-se obsessivamente aos números e às estatísticas esquecendo que a sociedade é feita de pessoas...

O trabalho, dom e direito

A sociedade portuguesa e internacional, vive uma situação de crise generalizada e de aumento das desigualdades sociais...

Longe vão os tempos

Longe vão os tempos dos preconceitos culturais em que se aceitava que era a mãe que tinha de cuidar dos filhos...

Dar esperança em tempo de crise

Vivemos tempos difíceis. A família, como célula base da sociedade, é imediatamente afetada por esta crise generalizada e que promete perdurar. Neste contexto, exige-se um novo paradigma, uma nova forma de estar e de nos relacionarmos.

28 de maio de 2007

Matrimónio e Educação

Reflectir em poucas linhas sobre duas das realidades mais complexas e mais importantes para a pessoa humana, para além de poder ser uma tarefa quase impossível de realizar, pode ainda levar-nos a correr o risco de dizer coisas perfeitamente banais e simplistas.
E contudo, torna-se um desafio interessante, pois aquilo que formos capazes de pensar e dizer a este nível terá obrigatoriamente muito a ver com a maneira como encaramos a vida.
É verdade que, com frequência, ouvimos dizer que o matrimónio e a educação estão a passar por uma profunda crise. Os dados estatísticos no que diz respeito ao divórcio e a realidade que todos vamos ouvindo, aqui e acolá, acerca das dificuldades da vida em casal parecem comprovar, sem margem para dúvidas, esta crise. Também no que diz respeito à educação o panorama não parece ser melhor, sendo frequente encontrar posições de desencanto e mesmo desânimo em muitos dos seus protagonistas.
Apesar desta realidade eu não quero ser pessimista, nem tenho como objectivo fazer aqui a análise dessa situação. O espaço que aqui disponho não me permite fazer isso, e, por outro lado, prefiro fazer uma afirmação inequívoca da importância do matrimónio e da educação para a construção da pessoa (de cada pessoa) e, por conseguinte, para a humanização deste mundo. A relação entre estas duas realidades (matrimónio e educação) penso que ficará clara a partir desta perspectiva.
Na verdade, ao olhar para a condição humana, somos capazes de perceber como cada um de nós é um ser 'acolhido'. Basta para isso fazermos a simples constatação que nenhum de nós se deu a vida a si mesmo. Todos a recebemos como um dom 'dado' por alguém. Quando tomamos consciência da nossa própria existência, já estamos nela. E se isto é evidente do ponto de vista meramente biológico, igualmente evidente me parece em todos os outros níveis específicos da condição humana.
Se não vejamos: Como é que aprendemos a falar? Como alcançamos capacidade de entender o mundo e a existência? Como é que aprendemos a amar? Como somos capazes de desenvolver a nossa capacidade de reflectir? Como é que aprendemos a simbolizar? Como somos capazes de dizer, intuir e experimentar o transcendente? Bastam estas perguntas para percebermos que sem os outros jamais chegaríamos a desenvolver estas características tão específicas da nossa condição.
Mas podemos ainda ir mais longe, e afirmar que a própria identidade pessoal, que é aquilo que nos individualiza e nos torna únicos e irrepetíveis, não é uma mera conquista, mas é também uma experiência de ser recebido e acolhido. Como é que eu descubro quem sou? Como é que eu descubro o meu nome? Não é porque os outros me tratam como um 'eu' e me chamam assim, que eu tenho a possibilidade de ir crescendo e ganhando a consciência de ser esse eu? Claro que não devo isso só aos outros, claro que a minha capacidade de interacção e de entrega é fundamental, mas a verdade é que sem os outros eu não chegava a ser o que sou.
Até mesmo a minha condição de ser pai me diz isso. Só acedi a essa experiência por causa dos meus filhos. Ser pai do André e do Filipe é algo que é constitutivo da minha identidade pessoal, ou seja preciso deles para construir a minha identidade pessoal, por isso, eles são parte constitutiva dela.
A partir destas pequenas ideias, que como é obvio precisavam de mais espaço para serem desenvolvidas, posso agora afirmar, sem correr um grande risco de ser mal entendido, que o ser humano só se vai humanizando à medida que vai vivendo a relação com os outros.
Claro que quando nascemos já possuímos as características genéticas e biológicas específicas da condição humana, mas todos estamos de acordo que ser homem e mulher é muitíssimo mais do que simples biologia ou genética. As linguagens que utilizamos, a cultura que construímos e da qual também fazemos parte, a experiência religiosa que vivemos, o amor que damos e recebemos, os projectos que vamos sendo capazes de realizar, quer ao nível individual como social, tudo isso, que é também característico da nossa realidade (e para mim o mais característico), exige a existência dos outros.
E afinal o que é que isto tudo tem a ver com o matrimónio e a educação? Do meu ponto de vista e a partir da minha experiência, atrevo-me a afirmar que tudo.
É que ser pessoa humana é algo que requer obrigatoriamente a presença e o amor dos outros. É que a educação tem por objectivo principal a formação integral da pessoa humana. É que o matrimónio é aquele tempo e espaço, aquela relação, onde duas pessoas se vão construindo uma à outra, sendo capazes de dar origem a algo de novo, o nós (que não elimina a identidade pessoal de cada um, mas pelo contrário a alimenta) que muitas vezes se concretiza num alguém totalmente novo e irrepetível (os filhos).
Somos pessoas porque alguém antes de nós teve a capacidade de viver uma relação de personalização e amadurecimento capaz de gerar vida nova (não ignoro que muitas vidas são, infelizmente, geradas fora deste âmbito, mas insisto na ideia de que o característico da vida humana é muito mais do que simples biologia). Somos pessoa porque fomos acolhidos numa experiência de amor que foi capaz de nos lançar nesse patamar da condição humana e cada dia é capaz de nos ir ajudando a crescer como pessoas (independentemente da idade que tenhamos, pois isto é um processo para toda a vida). Somos pessoa porque fomos sendo educados como tal, e porque continuamos a sê-lo.
Não apoiar inequivocamente o matrimónio, não apostar claramente numa educação pessoal e pessoalizadora é correr o grave risco de poder criar sociedades menos humanas.
Todos estamos empenhados em construir um mundo mais humano e mais fraterno. Mas não tenhamos dúvidas que isso só será possível se tivermos pessoas mais humanas e mais fraternas, e isso passa obrigatoriamente pela educação e pela capacidade que tivermos em viver a experiência matrimonial duma maneira verdadeira e profunda.

por Juan Ambrósio - professor de Teologia na UCP

retirado de: http://www.ecclesia.pt/destaque/semana_educ_02/juan

24 de maio de 2007

Ser uma televisão

A professora Ana Maria pediu aos alunos que fizessem uma redacção e nessa redacção o que eles gostavam que Deus fizesse por eles. À noite, ao corrigir as redacções, ela deparou-se com uma que a deixou muito emocionada. O marido, ao entrar em casa viu-a chorar e pergunta: "O que aconteceu?" Ela respondeu: "Lê". Era a redacção de um menino.

"Senhor, esta noite peço-te algo especial: transforma-me num televisor. Quero ocupar o lugar dele. Viver como vive a TV da minha casa. Ter um lugar especial para mim, e reunir a minha família ao meu redor... Ser levado a sério quando falo... Quero ser o centro das atenções e ser ouvido sem interrupções e sem perguntas. Quero receber o mesmo cuidado especial que a TV recebe quando não funciona. Ter a companhia do meu pai quando chega a casa, mesmo que esteja cansado. E que minha mãe me procure quando estiver sozinha e aborrecida, em vez de me ignorar. E ainda que os meus irmãos "briguem" para estar comigo. Quero sentir que a minha família deixa tudo de lado, de vez em quando, para passar alguns momentos comigo. E, por fim, que eu possa divertir todos. Senhor, não te peço muito... Só quero viver o que vive qualquer televisor!"

Naquele momento, o marido de Ana Maria disse: "Meu Deus, coitado desse menino. Que descuido o desses pais". E ela responde-lhe: "Essa redacção é do nosso filho".

Fonte: Desconhecida

22 de maio de 2007

Mote para uma telenovela

Primeiro, a imaginação. Nem censura, nem repressão, nem redução de meios, nem diminuição de notícias. Apenas isto: libertar o povo da inquietação desatinada dos telejornais. Caiu um avião com 400 pessoas na Patagónia? Não há necessidade de afligir potenciais viajantes com essa notícia. Um tornado arrasou 20 cidades? Que adianta a notícia? Explodiram 20 bombas e mataram 800 pessoas? O vereador roubou e fugiu? Mais uma criança raptada? O desemprego aumenta? Mas não há outras novidades?

Para tranquilidade do povo, as televisões fizeram um pacto: dar apenas boas notícias, agradáveis, que o povo já tem muito com que se atribular. Assim, uma troca de horário: às 20 horas a telenovela em forma de notícias. Depois, em ficção, todos os dramalhões da terra, que são verdade, mas não naquela hora. As pessoas divertir-se-iam com a violência da irrealidade e a irrealidade do bem e da paz. Longe da fúria e da barbaridade das imagens acontecidas no dia, na hora, em directo.

Que há, neste todo, de mentira e verdade? Como ficam um cidadão e uma sociedade navegando nestas águas que ninguém sabe analisar como límpidas ou salobras?

Vem a pergunta: o problema será da tecnologia que tornou inevitável sabermos tudo sobre a hora ou mesmo antes de acontecer? E a rádio, a televisão, o telemóvel, a net e o correio electrónico?

De que falam as pessoas? Que factos e fantasias enchem as suas mentes, alimentam os seus monólogos, diálogos, discussões, afirmação, recusa, instintos e nobreza? Falam bem do chefe, do colega, da sogra, do presidente? Em cada ser começa esta complexidade. Na educação das crianças com as suas agressões, transgressões, mentiras. Nos jovens que desafiam, em rotura, qualquer lei convencionada e sobretudo imposta. E por aí adiante, nos mecanismos do afecto, da sexualidade, da auto afirmação, da defesa como castelo do eu, da intriga, divertimento... ou nos simples desaires da aldeia…

Será o ser humano apenas um animal com vastas áreas de selva e curtas fímbrias de nobreza e transcendência? Será que o bem, o belo, a dádiva, a festa, a harmonia, não têm dimensão e brilho suficientes para preencher o quadro da vida que todos nós gostamos de desenhar na nossa existência?

Uma pergunta mais: os agentes de comunicação sujeitos ao poder económico e político como podem gerar outro tipo de media? E quem teria autoridade e capacidade de os controlar? O poder? Económico, político, popular anónimo?

Bom mote para uma telenovela não muito cor-de-rosa.

António Rego



21 de maio de 2007

Viver a religião em termos religiosos

A religião é um dos temas mais influentes e fascinantes da actualidade. O facto em si não é surpreendente, pois afinal a religião é um dos temas mais influentes e fascinantes de sempre. Só se torna notável porque a Europa faz há séculos muitos esforços para negar o lugar da fé. O que prejudica mais a Europa que a fé.

O Iluminismo foi o único movimento cultural mundial que tentou fundar uma seita ateia e anti-religiosa. O fiasco é hoje evidente mas a sua sanha e fanatismo, da guilhotina ao gulag, estiveram entre os piores da História. E deixaram sequelas. Muitos leitores, mesmo crentes, continuam a ficar incomodados com um artigo destes neste local. Todos os temas são aceitáveis numa coluna destas, mas religião fica mal.

Aliás, uma das provas da crescente influência da religião está no facto de o ateísmo também viver um surto de expansão. Surge uma nova geração de obras violentamente anti-religiosas, desde The God Delusion do cientista britânico Richard Dawkins (Bantam Books, Setembro 2006) até ao recentíssimo God Is Not Great: How Religion Poisons Everything, de Christopher Hitchens (Twelve, Maio de 2007). Mais pacatamente por cá, onde acaba de sair a tradução de The End of Faith: Religion, Terror, and the Future of Reason, de Sam Harris (W.W. Norton, 2004; Tinta da China, 2007), João Carlos Espada, referindo outros sintomas do mesmo fenómeno, criou furor e foi insultado por citar Raymond Aron: "O ateísmo é o ópio dos intelectuais" (Expresso, 21 de Abril).
Tudo isto só confirma o interesse crescente por temas religiosos. Visitar uma livraria é ver a profusão de volumes sobre o tema, dos disparatados aos eruditos (normalmente os mais disparatados). Em particular, após dois mil anos, Jesus é um best-seller. Já lhe arranjaram uma filha (O Código da Vinci, Doubleday 2003) e fizeram cúmplice de Judas (National Geographic Society, Abril 2006). Agora até descobriram um túmulo com os seus ossos por ressuscitar (Discovery Channel, Março 2007).
O mais notável nestas investigações sobre o "Jesus histórico" é a falta de lógica. Ninguém parece notar que, se Cristo não é Deus, então não passa de um carpinteiro meio maluco cujos ossos ou descendentes não interessam. Jesus só importa se for o filho de Deus. E nesse caso, o que merece atenção é, não os pormenores, mas a Sua presença e palavra, que mudam radicalmente a minha vida.
No meio da confusão, um livro marca a época: Jesus de Nazaré (Esfera dos Livros, Maio 2007), do Papa Bento XVI. Um dos maiores teólogos da actualidade, Joseph Ratzinger incorpora todos os avanços de conhecimento da ciência e investigação sobre a pessoa de Jesus. Mas sobretudo, com a sua habitual clareza e frontalidade, coloca a questão decisiva: "Aqui surge a grande pergunta que acompanha todo este livro: mas que coisa nos trouxe verdadeiramente Jesus, se não trouxe a paz do mundo, o bem-estar para todos, um mundo melhor? Que coisa trouxe? A resposta é muito simples: Deus. Trouxe Deus. (...) Ele trouxe Deus: agora nós conhecemos o Seu rosto, agora podemos invocá-lo. Agora conhecemos o caminho que, como homens, devemos seguir neste mundo. Jesus trouxe Deus e com Ele a verdade sobre o nosso destino e proveniência; a fé, a esperança e o amor. Só a nossa dureza de coração nos faz achar que isso seja pouco" (p. 67 da edição italiana). Esta é a única razão por que vale a pena aproximarmo-nos de Jesus Cristo.
O centro do livro surpreende até a teologia contemporânea, porque o Papa olha a religião em termos religiosos, um desafio nos tempos que correm. Nesta época de dinamismo e prosperidade, até os crentes consideram a fé como um instrumento útil e vantajoso. Mas "interpretar o Cristianismo como uma receita para o progresso e reconhecer o bem-estar comum como a verdadeira finalidade de todas as religiões e, por isso, também da cristã, é nova forma da tentação" (p. 66).
A razão da religião é esta: Deus vale só por Si. "Amo-te, não porque me podes dar o paraíso ou o inferno, mas simplesmente porque és quem és - meu rei e meu Deus" (p. 195).


João César das Neves
professor universitário

19 de maio de 2007

Dia Mundial Contra a Obesidade

Mais de 30% das nossas crianças, com idades entre os 7 e 11 anos, são obesas, segundo dados da Oraganização Mundial de Saúde (OMS).
Causas desta problemática estão associadas ao sedentarismo e a uma dieta hipercalórica, de acordo com a Associação Europeia para o Estudo da Obesidade, e a uma baixa actividade física exercida pelos mesmos, ou seja, as nossas crianças são pouco activas. Desporto?... só na TV.
Hoje, no Dia Mundial Contra a Obesidade, várias localidades promovem acções dedicadas ao tema.
No Porto realizar-se-á um workshop sobre "Obesidade: Riscos da alimentação na adolescência" e, na Camacha, ilha da Madeira, realizar-se-á uma palestra sobre o tema "ADEXO - Obesidade, hábitos de vida saudável".
Somos chamados, todos nós, a uma maior atenção no que se refere à nossa alimentação. Obesos ou não, todos somos o que comemos.

Maria Matos

16 de maio de 2007

Livro de orações da manhã da Renascença

Hoje, dia 16 de Maio, é lançado o livro TU ME SEDUZISTE E EU ME DEIXEI SEDUZIR, de Luís Rocha e Melo, s.j., editado pela Tenacitas.

“As orações do padre Luís Rocha e Melo, s.j., incluídas nesta obra foram transmitidas semanalmente pela Rádio Renascença, de Outubro de 2003 a Abril de 2007. Lidas em um minuto apenas, poderia ser captada a inspiração, a ideia, o sentimento, a emoção, mas seria certamente uma enorme perda não as tornar conhecidas para poderem ser aprofundadas, reflectidas, revividas, rezadas.”

O livro inclui o estudo “Um itinerário Espiritual” de Matilde Paes Parente e será apresentado pelo P. José Manuel Pereira de Almeida.

A apresentação do livro decorrerá no Auditório da Rádio Renascença, na Rua Ivens, 14 (ao Chiado), pelas 19h00 e contará com a presença do Presidente do Conselho de Gerência do Grupo Renascença, João Aguiar Campos.

15 de maio de 2007

A Violência nas Escolas

A Comissão Parlamentar de Educação Ciência e Cultura investiga e elabora relatório sobre a violência nas escolas. A Ministra da Educação promete medidas legislativas para simplificar e aumentar a eficácia da resposta das escolas à violência que as afecta. Professores que contestam a alteração do seu estatuto relevam os casos de violência de que são vítimas e responsabilizam as estruturas do Ministério. Especialistas em questões de ordem pública contrariam alarme e tentam mostrar que um surto de agressões de professores localizadas e mediatizadas não significa aumento anormal da criminalidade no espaço escolar. Os sindicatos pedem reforço da autoridade dos professores e a classificação de “crime público” para as agressões de que são alvo. Acrescem as notícias de tiroteio numa escola na América ou outros factos chocantes lá fora para centrar a atenção sobre o problema da violência nas escolas.

De facto, a violência nas escolas existe e sempre existiu, em formas que correspondem à sua organização e condições sociais de implantação e funcionamento. Varia de país para país e de meio para meio, segundo o grau de incidência dos múltiplos factores que a condicionam, mas existe em toda a parte. A escola violenta é reflexo das violências da sociedade de que faz parte. Varia desde o grande crime mediático, das agressões armadas, ao pequeno crime nas imediações da escola, sobretudo se ela se situa em zonas problemáticas, ao confronto físico, furto ou dano em equipamentos e bens, até à violência larvar que humilha, magoa, ofende e desgasta física ou psicologicamente os seus alvos, alunos e professores, reduz a eficácia do processo educativo e lectivo e cria um clima de intimidação no quotidiano do ambiente escolar. A organização escolar oferece condições para uma violência própria. A nossa escola é uma organização hierarquizada com uma responsabilidade difusa que favorece a arbitrariedade e as patologias da autoridade. Nem sempre as normas são claras, os limites e a responsabilidade da execução definidos, a prestação de contas e avaliação dos resultados exigidos e as sanções oportunamente aplicadas. O corporativismo que defende alguns professores isola e marginaliza outros, abandonando-os à sua inexperiência, improvisação ou inabilidade perante os problemas mais difíceis. Os professores mais inexperientes e menos qualificados são aqueles que se sujeitam às escolas e turmas mais problemáticas. O isolamento na sala de aula continua a ser regra por receio de uns, inércia ou desinteresse de outros. É difícil pôr os professores da mesma disciplina a colaborar na adaptação do ensino aos alunos. É difícil aos professores da mesma turma apoiarem-se na análise, diagnóstico e terapêutica das situações. “Não existe possibilidade de trabalhar contra a violência escolar com equipas instáveis ou que não se entendem. Os professores isolados são impotentes” – afirma o Director do Observatório europeu da violência na escola, E. Debarbieux. A violência nas escolas previne-se com um clima de escola c o o p e r a t i v o, com um ambiente saudável de solidariedade e inter ajuda que compense a competitividade que tende a marginalizar os mais fracos e limitados. A escola reforça, por vezes, a afirmação e sucesso dos mais fortes e dotados e acentua a rejeição e fracasso dos mais fracos física e psicologicamente, ocasionando o abuso duns e a frustração doutros e respectivos comportamentos desviantes. A escola não pode isolar-se dos outros agentes educativos. A escola continua a ser mais lugar de confronto do que de encontro entre pais e professores. Os professores têm dificuldade em abertamente prestarem contas aos pais do trabalho com os seus filhos. Uns e outros têm dificuldade em dialogar desapaixonadamente sobre o seu comportamento, evolução, objectivos e problemas. Os professores preocupam-se demasiado em defender o seu espaço, os pais em pedir contas. Alguns dos problemas dos alunos na escola são importados do ambiente familiar. Muitos pais abdicaram da afirmação da sua autoridade, mostram-se incapazes de impor regras aos seus filhos, evitam os conflitos pela abdicação. A escola é por si incapaz de recuperar o perdido. A pressão dos pais é por vezes contraditória: exigem da escola o sucesso e a disciplina para os seus filhos, mas recusam aos professores os meios para exercerem a sua autoridade. Algumas das agressões mediatizadas a professores provêm de pais alegadamente em desforço de acções disciplinadores sobre os seus filhos. É preciso que pais e professores vençam o clima de desconfiança mútua. Que os pais venham mais à escola. Que não venham uns apenas para reivindicar, outros para serem humilhados só com queixas. A escola deve abrir espaços de colaboração e trazer os pais em momentos de convívio e sucesso no espaço escolar. Deve servir os interesses e aproveitar os recursos da comunidade em que ela está localmente implantada sobretudo se é uma zona socialmente desfavorecida. Não falámos da nova legislação prometida, pelo Ministério ou das medidas propostas pela comissão. Medidas legais que reforcem e simplifiquem o exercício da autoridade têm o seu papel. Não só para gerir a violência ou impor sanções disciplinares aos alunos. Há muito a fazer no reforço da coesão do corpo docente e auxiliar das escolas, na formação e adaptação do pessoal docente às tarefas que vão para além do trabalho lectivo, na relação com as famílias e para sua aproximação e integração da comunidade escolar. Numa sociedade conflitual como a nossa com tantas fracturas culturais e sociais, com a família a desagregar-se, com enormes factores de instabilidade a gerarem violência é inevitável que ela também atinja a escola. A escola deve estar preparada para a enfrentar.

Octávio Gil Morgadinho - colaborador do Jornal da Família

14 de maio de 2007

A «beleza» esteve em Fátima

"Como é bela a nossa Igreja..." foi a expressão mais utilizada pelo bispo de Leiria-Fátima, D. António Marto, no encerramento da Peregrinação Aniversária de Maio deste ano. Com uma expressividade numérica de meio milhão de pessoas, o Santuário de Fátima recebeu "a beleza da Igreja de Cristo". Em nome do povo peregrino, o bispo de Leiria - Fátima agradeceu a presença do Cardeal Angelo Sodano e "a bela mensagem de esperança deixada".

De seguida, D. António Marto leu aos peregrinos a mensagem a enviar a Bento XVI. Na celebração do 90º aniversário das aparições em Fátima, os peregrinos "acompanham-no em oração a sua visita ao Brasil" e "agradecem a bênção apostólica que nos enviou".

Ao saudar os milhares de peregrinos, o bispo de Leiria-Fátima falou "dos amigitos e amigitas" que passaram ali a noite e também dos doentes. Na despedida da imagem de Nossa Senhora de Fátima, os peregrinos soltaram os lenços brancos e algumas lágrimas e disseram adeus.

Agência Ecclesia


Acima de tudo não estragar

O Estado tem funções essenciais na sociedade. Para as cumprir deveria ter como regra suprema o velho princípio médico do juramento de Hipócrates: Primum non nocere, acima de tudo não prejudicar.

Há 200 anos, insultar o rei dava severo castigo, mas o assassino de um escravo ficava impune. Era uma época bárbara sem respeito pelos direitos humanos. Hoje, uma mãe mata o filho aos dois meses de gestação com apoio do Estado (Lei n.º 16/2007 de 17 de Abril), mas será exemplarmente castigada se fumar um cigarro num bar (proposta de lei n.º 119/x). Aliás, mais castigada que se fumasse droga. Temos de abandonar a ideia de que a lei melhorou.

Não melhorou mas aumentou. A justiça antiga só actuava em crimes cometidos e danos causados. A lista de delitos e penas era discutível, mas limitada. Hoje a lei mete-se em tudo na nossa vida, não para corrigir injustiças, mas para ensinar como viver. As autoridades nacionais e europeias estatuem os mais pequenos detalhes da existência. Nada existe sem regulamentação. O Estado deixou de ser justo para ficar bisbilhoteiro.

O futuro desprezará o tempo que deixou a vida e a liberdade nas mãos de miríades de burocratas, funcionários, inspectores, ministros, polícias e juízes. Técnicos que, pela sua acção, geram muitas vezes mais estragos e custos que qualquer benefício que julguem atingir. O défice mostra-o bem. Mas o défice é o menos.

O pior é que, na ânsia regulamentar, a lei passou a castigar quem não faz mal nenhum. A polícia multa por conduzir sem cinto de segurança ou sem seguro, penaliza quem faltar à medicina no trabalho. A lei interessa-se por materiais de construção, formas de brinquedos, peso de mochilas escolares. No restaurante, onde não se fuma mas ainda se come, a lista de requisitos e regras abstrusas enche volumes pesadíssimos. Tudo com penas agravadas. O mundo diz-se mais evoluído, mas é mais espartilhado, quadriculado, entupido.

Não admira que o tema recorrente nos jornais seja a incapacidade das autoridades, da Ota e TGV à corrupção e desleixo. Os funcionários são os primeiros a denunciar os disparates dos seus serviços. A fúria legista gera os crimes mais bizarros cometidos, não por malfeitores, mas pelas autoridades pretendendo melhorar a nossa vida.

Esta afirmação parece severa, mas é evidente. Quando inspectores inutilizam toneladas de comida, que sabem em bom estado, porque o acondicionamento não era regular, cometem pecado que brada aos céus. Um exemplo recente mostra como até se minam as bases da nossa identidade nacional.

A escola, antes de tudo, ensina a ler e escrever. Por isso os custos de mudar a gramática lectiva são esmagadores, com benefícios vagos. Os linguistas, como todos os cientistas, são inovadores, polémicos, puristas. É natural que as teorias abundem, evoluam, se entrechoquem. Mas quando o Ministério da Educação intervém, a interessante discussão de especialistas passa a gravíssimo atentado à língua e cultura.

A Portaria n.º 1488/2004 de 24 de Dezembro revogou a anterior gramática (Nomenclatura Gramatical Portuguesa da Portaria n.º 22 664 de 28 de Abril de 1967), adoptando, "a título de experiência pedagógica, a Terminologia Linguística para os Ensinos Básico e Secundário". Agora, como a experiência correu mal, vai proceder-se, "até Janeiro de 2009, à revisão dos programas das disciplinas de Língua Portuguesa" e "ficam suspensos, até 2010, os processos de adopção de novos manuais das disciplinas de Língua Portuguesa dos 5.º, 6.º, 7.º, 8.º e 9.º anos de escolaridade" (Portaria n.º 476/2007 de 18 de Abril).

A antiga gramática está revogada e a nova vai ser revista. Quem aprendeu, afinal não sabe nada. Quem quer aprender, não sabe o quê. Ninguém se entende. E o assunto é "só" a língua materna. Se existisse uma conspiração deliberada para destruir as bases da nossa educação, progresso e unidade nacionais, o efeito não seria pior. O facto de isto ser causado, não por terroristas, mas pela arrogância e incompetência de funcionários, não é desculpa. Estão na prisão muitos por muito menos.


João César das Neves - professor universitário

10 de maio de 2007

Da infâmia dos fins à corrupção dos meios

Daqui a tempos haverá novo referendo sobre a regionalização. Suponha que, ao contrário do anterior, ele aprova essa política. Suponha que depois, em nome da legitimidade da vitória, as novas autoridades regionais criam uma autonomia que destrói Portugal. Um exagero desses acontece agora com o recente referendo sobre o aborto.

A questão posta à votação no passado dia 11 de Fevereiro tratava apenas da "despenalização da interrupção voluntária da gravidez". Mas a lei que a maioria apresentou e aprovou prevê a "exclusão da ilicitude" (Lei n.º 16/2007 de 17 de Abril). Os nossos legisladores conhecem bem a diferença, pois há anos decretaram a despenalização do consumo de droga (Lei 30/2000 de 29 de Novembro), sem com isso excluir a ilicitude nem, pior, impor a sua banalização. Desta vez porém deram esse salto lógico sem dificuldades ou contemplações. O Sistema Nacional de Saúde prepara-se para fornecer livremente o aborto em nome da suposta legitimidade democrática do referendo.

Agora junta-se insulto à infâmia. Na proposta de Lei de Política Criminal prevê-se que "toda a criminalidade menos grave vai deixar de estar sujeita a penas de prisão. Nela se inclui 'o aborto com consentimento da mulher grávida fora das situações de não punibilidade legalmente prevista' - lê-se no artigo 10.º da proposta" (DN de 20 de Abril). Assim a argumentação do campo abortista não passou de grotesta impostura. Falavam de pobres mulheres presas e grave repressão policial, mas este diploma em preparação eliminará a questão da prisão para o aborto consentido em toda a gravidez. Para quê então tanto esforço e despesa no referendo? Nem sequer houve o pudor de deixar passar algum tempo para disfarçar a burla.

O embuste vem de longe. A lei do aborto é há muito um festival de aldrabice e distorção, pois começou por ser rejeitada em 1997, para ser aprovada pela mesma Assembleia, menos de um ano depois, após manipulação dos deputados. Agora, com base num voto que só falava de despenalização, as autoridades vão impondo os caprichos que escamotearam durante a campanha. Na altura o primeiro-ministro prometeu "as melhores práticas europeias" e falou no caso alemão. Depois, desavergonhadamente, acabamos com uma solução pior que soviética.

A questão curiosa é saber como é possível tal grau de desonestidade. A explicação simplista, de afirmar que temos uma elite corrupta e mentirosa, nada diz. Primeiro não pode ser levada a sério sem implicar a única solução coerente, a emigração. Depois porque hoje um tal nível de indignidade nunca pode vir apenas da corrupção da elite. O mal é demasiado grande para a explicação directa.

Só existe uma força capaz de tanta desfaçatez: a certeza da convicção. As maiores catástrofes da era moderna foram causadas, não por assassinos maléficos, mas por reformadores inspirados. De Robespierre a Pol Pot, de Hitler a Bush, foi sempre em nome de um mundo novo, de uma sociedade mais justa que se cometeram as piores atrocidades. O mesmo se passa agora com a liberalização do aborto. Os seus defensores estão fanaticamente convencidos, com um fanatismo indispensável para calar a consciência, de que só assim se defende o bem da mulher e sociedade. Julgam os opositores como bárbaros obsoletos que não merecem atenção. Com um fim tão "sublime" justificam-se quaisquer meios. Até a desonestidade aberta e a manipulação perversa da vida democrática. Que representam algumas distorções semânticas perante a liberdade sexual e o acesso a cuidados de saúde, mesmo na chacina de embriões?

O poder não só impõe a prática infame do aborto mas para o conseguir cobre de infâmia a legalidade e a democracia. Os fins corrompem os meios. Este processo é velho por cá, onde os maiores atropelos já foram feitos "a bem da Nação". Mas agora é num tema nuclear, a vida humana inocente. Uma vez passada esta fronteira, nunca mais se volta atrás. A arrogância da elite fica imparável. Temos de nos preparar para os próximos atropelos à legitimidade e honradez. Provavelmente já na regionalização.



João César das Neves, professor universitário

8 de maio de 2007

As Torres de França

A França pode ser observada por muitos olhares. De respeito, afecto, gratidão, repulsa, desconfiança. Mesmo a partir do nosso país. Sabemos que nos últimos mil anos tem estado na primeira linha do desenvolvimento material e espiritual da Europa. Temos razões de sobra para reconhecer que muitos dados culturais que atravessam a nossa forma de ler o mundo, ou de lá vieram ou por lá passaram. Além de catedrais e mosteiros reconhecem-se os nomes, correntes, escolas, acontecimentos determinantes que de lá surgiram. Filósofos, teólogos, místicos, ateus, agnósticos e laicos. Correntes políticas, sociais, religiosas lá nasceram ou ganharam significado. Ecos de revoluções transformaram-se em teorias, revoltas juvenis iniciaram correntes. Alguns nem sonham que muitas arrumações mentais e espirituais brotaram do universo cultural de França. E andam por aí, peregrinamente, sustentando ideologias, estratégias de poder, cálculos de prioridades a ocupar muitos lugares preponderantes na sociedade portuguesa. Mesmo com as perdas de influência e autoridade que muitas vezes acompanharam a França, nomeadamente na II Guerra onde foi salva pela Inglaterra e pelos Estados Unidos.

A segunda metade do século XX terá testemunhado a perda de influência da língua – não havia erudito português que se não exprimisse em língua francesa – para dar lugar ao mundo anglo - saxónico como um novo pólo de referência em muitas áreas da vida cultural e artística. Não se pode separar este todo do xadrez político que desenhou novos campos de hegemonia no mundo onde a tecnologia se tornou ideológica e cultural.

Para nós, a França ainda é a maior cidade portuguesa fora de Portugal. Os milhares de portugueses e seus descendentes fazem de Paris o maior lugar da diáspora.

Por muitas razões nunca nos é indiferente o que lá acontece. E, no novo contexto da União Europeia, podemos dizer que o que fomos escutando na campanha eleitoral que terminou com a vitória de Sarkozy, nos faz compreender que há perspectivas de aliança ou rotura num concerto cada vez mais alargado da economia, da cultura e mesmo da religião. Embora esta não se inscreva no frontal de qualquer projecto político - nem é esse o seu lugar - acaba por reflectir-se, pelos seus valores, no todo de um país. E, no caso da França, não é de esquecer que mais de 70% se declaram católicos.

António Rego

6 de maio de 2007

Poema para a mãe

Mãe,

Que ao dar a benção da vida,
entregou a sua...


Que ao lutar pelos seus filhos,
esqueceu-se de si mesma...

Que ao desejar o sucesso deles, abandonou os seus anseios...

Que ao vibrar com as suas vitórias, esqueceu o seu próprio mérito...

Que ao receber injustiças,
respondeu com o seu amor...

E que, ao relembrar o passado,
só tem um pedido:

DEUS, PROTEJA OS MEUS
FILHOS, POR TODA
A VIDA!

Para você mãe, um mais
que merecido:

Feliz Dia da Mãe!

Você merece!!!


tirado de www.mensagensepoemas.com.br

3 de maio de 2007

O aborto como pretexto

Que tipo de deserto atravessamos? Uma faixa intermédia entre a crise e a esperança? Uma tempestade avassaladora com dunas intransponíveis, nuvens opacas, planícies abrasadoras? Que terra vem a seguir, que refúgios se avizinham, que oásis se vislumbram? Que sombra ou que sol nos virá visitar?
Há quem pense que não estamos em nenhuma crise. O discurso da crise - dizem - é duma potestade espiritual e religiosa ressentida com a perda de influência na vida social, cultural e política, ou resultante dos discursos gastos sobre a fé e a moral. Pelo contrário - acrescentam - o mundo está melhor que nunca, autónomo, livre, liberto enfim, dos moralistas que nada entendem do que está a nascer de novo. O laicismo é o triunfo sobre todos os obscurantismos que durante milénios assolaram a história, deixando rastos de traumas e depressões oriundas de leis estreitas e cruéis. A crise é uma invenção dos perdedores desta batalha.
Por estas e por outras palavras vamos ouvindo um pouco de tudo isto. E sentindo que estes pressupostos, ainda que não ditos deste modo, vão gerando um novo discurso social e cultural. No nosso caso concreto, tendo como pólos a Igreja Católica e a moderna sociedade laica. Possivelmente o Referendo sobre o aborto foi uma fronteira de referência deste novo credo. Que é, antes de tudo, ambíguo e interesseiro. Pertence a um grupo estreito que grita em diferentes megafones mas não representa, como se faz crer, a comunidade, a história e a alma do povo a que pertencemos.
O Referendo sobre o aborto, com todos os equívocos com que foi lançado (e continuado nos despachos sinuosos da Presidência da República e nos malabarismos retorcidos do Governo) não é, possivelmente, sintoma da viragem que se alardeia na comunidade portuguesa. Mas é um acontecimento que merece reflexão serena, sem traumas nem conclusões aceleradas. O debate dos jornalistas com D. Manuel Clemente e D. Carlos Azevedo, no lançamento do próximo Dia Mundial das Comunicações Sociais, sobre este e outros temas, pode ajudar a melhor estabelecer a relação Igreja - Mundo, no terreno concreto que pisamos. Onde todos temos a aprender com o ontem e com o hoje.

António Rego

2 de maio de 2007

A Cura pela Música (e não só...)

(2)

Nasceu um bebé!

A aventura que tinha começado há 9 meses atrás chegou finalmente ao fim de uma etapa.
O momento por que todos ansiavam tinha chegado: nasceu o pequenino ser com o qual pai e mãe sonhavam conhecer e ter nos seus braços para o acariciarem sempre que quisessem.
A aprendizagem que começou a ser feita no ventre materno continua agora de uma forma mais directa, mais aproximada.
Os conselhos práticos que foram referidos no artigo (1) deste tema deverão ser seguidos para que se consiga uma evolução saudável da criança.
Convém ter atenção para o facto de todo este processo de ensino, desde a concepção, deverá ser um processo de acompanhamento e desenvolvimento gradual, respeitando a individualidade de cada Ser de acordo com as suas características e capacidade de retenção daquilo que lhe é ensinado.
Ao acompanharmos os nossos filhos desde a concepção estamos a antecipar a cura, ou até a atenuar sintomas que poderão existir como reflexo de alguma doença (mesmo que esta não tenha sido diagnosticada pelos médicos).

Quanto mais cedo pusermos em prática os «conselhos práticos e acessíveis a qualquer um para preparar esse novo Ser para a vida», referidos no artigo (1), mais depressa estaremos a dar aos nossos filhos instrumentos para se desenvolverem de uma forma equilibrada.

Para melhor transmitir a importância do acompanhamento precoce das nossas crianças gostaria de utilizar um testemunho verídico de uma mãe.

Testemunho de amor dado por A. C.

A. C. teve uma linda filha que aos 3 anos lhe foi diagnosticado a Síndrome de Asperger.
Antes disso, a mãe apercebia-se de situações estranhas que se passavam com a criança e tentava ajudá-la a ultrapassar as suas dificuldades, utilizando principalmente o seu amor.
A. C. amou aqueles olhos logo que os viu. Aliás, já amava o seu bebé mesmo antes de ter nascido.
Depois de nascer, a mãe continuou os ensinamentos que já tinha iniciado ainda quando a bebé estava no seu ventre. É que A. C. acredita que podemos ensinar a nossa sementinha logo desde que ela é semeada...
O tempo passou e a menina aprendia tudo o que lhe era ensinado. Com um ano e dois meses começou a brincar com umas letras maiúsculas de plástico que a mãe lhe ofereceu. Em apenas 15 dias e só a brincar aprendeu a conhecer todas as letras do abecedário. Aos três anos lia livros. Aos quatro escrevia e lia como as crianças do primeiro ano do ensino básico.
Aos dois anos e meio começou a tocar piano, aos quatro deu o seu primeiro recital, aos cinco entrou no Conservatório de Música ao lado dos meninos de 12 e 13 anos. Aos 6 anos escolheu enveredar pelo violino e nunca mais parou de crescer na área musical.
Tanto na escola como no Conservatório, as melhores notas eram sempre as suas.
Mas, havia um mas. Ainda bebé encontrava satisfação no balancear do corpo e no movimento constante de objectos. A sua fala não acompanhava o desenvolvimento mental que possuía ao nível da sobredotação. Aos dois anos começou a regredir no andar e tinha dificuldade na motricidade fina. Essa foi a área mais difícil de resolver e equiparar ao que seria de esperar na sua idade.
Mas a mãe, lutadora e cheia de fé, não se importou com as evidências, apesar de, desde o início, reparar que havia um grande desacerto nas diversas áreas de desenvolvimento da sua menina.

Como estratégia, começou a criar jogos simples em função do desenvolvimento da criança. Usando cartões, desenhos, canções, música, ensinando de forma directa, foi acompanhando pacientemente, dia-a-dia, o seu desenvolvimento e atenuando as suas dificuldades.

Amparou a menina nas áreas de dotação para que se mantivesse o nível já alcançado; às outras, que, em princípio, estavam mais atrasadas para a idade do que deviam, deu-lhes mais atenção.
Desgastou-se, lutou, ensinou, fez aquilo que deveria ter sido feito por técnicos especializados e terapeutas. Mas fê-lo com uma grande diferença: entregou-se com muito amor!
Gradualmente, as sementes que tinham sido lançadas naquela criança foram dando frutos.
Actualmente com 9 anos é uma excelente aluna a todos os níveis.
Existe um certo atraso na motricidade, tem dificuldade em se relacionar, mas passa despercebida no meio dos meninos ditos «normais» que chegam atrasados à escola, não estudam, não se sabem comportar e têm uma série de problemas comportamentais apesar de serem chamados de meninos «normais».
Segundo A. C., valeu a pena a luta com o amor, a entrega e o esforço, pois já se consegue antever nas atitudes e forma de estar da sua filha uma futura adulta válida para a sociedade e capaz de cuidar de si própria.

«Quem tem filhos “diferentes” sabe que esta é a nossa maior guerra: a de tornar os filhos independentes, pois um dia os pais terão que partir e o nosso galardão será tão grande quanto maior for a capacidade dos nossos filhos saberem cuidar de si próprios» – diz A C.

Como é que A. C. conseguiu resultados tão positivos?

- Desejou o seu bebé mesmo antes de ter sido concebido;
- Percebeu que esta era uma dádiva preciosa que Deus lhe tinha confiado para educar. Percebeu também que os filhos não são pertença dos pais e que é um privilégio quando Deus lhes confia a educação de uma criança;
- Cuidou da sua saúde pensando no seu bem e no da criança que ia nascer;
- Logo que soube que estava grávida começou a colocar em prática aquilo que foi referido no artigo (1) sobre A Cura pela Música (e não só...);
- Mesmo nos momentos de maior desespero ela acreditou que podia vencer as dificuldades com a ajuda de Deus (esta é a fé positiva que nos ajuda a vencer os obstáculos);
- Estabeleceu estratégias para ensinar a sua filha de acordo com as suas necessidades, acompanhando sempre a sua evolução: «Como estratégia, começou a criar jogos simples em função do desenvolvimento da criança. Usando cartões, desenhos, canções, música, ensinando de forma directa, foi acompanhando pacientemente, dia-a-dia, o seu desenvolvimento e atenuando as suas dificuldades».


Alguns exemplos concretos a utilizar desde o nascimento e durante os primeiros meses

Concordando com o que Edwin E. Gordon, em Teoria de Aprendizagem Musical para recém-nascidos e crianças em idade pré-escolar, editado pela Fundação Calouste Gulbenkian, «(...) o nosso potencial para aprender nunca é tão elevado como no momento em que se nasce, e que a partir daí diminui gradualmente. O período mais importante da aprendizagem ocorre, no entanto, desde o nascimento (ou até antes). (...) Aquilo que uma criança aprende durante estes primeiros cinco anos de vida forma os alicerces para todo o subsequente desenvolvimento educativo(...)».
Nos primeiros anos o Ser que veio ao mundo aprende as coisas do mundo que o rodeia através dos sentidos. Aquilo que os seus sentidos recolhem é transmitido ao cérebro que interpreta e estabelece correlações, retendo informações e o próprio conhecimento do mundo que o rodeia.
Apesar de começar logo a reter o seu próprio conhecimento, o bebé quando nasce ainda tem pouca ou quase nenhuma consciência do meio ambiente.
O instrumento mais precioso para adquirir experiências sensoriais é aquele que os pais podem proporcionar através do toque ou da satisfação das suas necessidades (mamar, sentir-se limpo, ser acariciado, ouvir a voz dos pais) sempre repleta de amor.
Quando o bebé nasce vem como que munido com diversos «botões que precisam ser abertos», ou seja, vem com capacidade para ser desenvolvido em diversas áreas, como musical, cultura geral, conceitos matemáticos, línguas, entre outras. O que acontece é que esses «botões» estão fechados, cabendo aos educadores abrir os «botões» de cada «emissora», ao longo dos primeiros anos de vida.

Como?

Orientando a criança de uma forma informal, não-estruturada, ou seja, proporcionando à criança contactar com a cultura em que está inserido sem planificação e de uma forma natural e espontânea, estimulando-a através de brincadeiras, brinquedos coloridos, livros com imagens coloridas, etc.

Exemplos de como fazer com recém-nascidos:

- Segredar palavras ao ouvido do bebé;
- Imitar as caretas do bebé;
- Arranjar um brinquedo com cores vivas e movimentá-lo deixando que o bebé o siga com os olhos. Fazer o mesmo em relação a brinquedos com diferentes sons;
- Deixar o bebé ouvir muita música. Os bebés gostam muito de música desde que não esteja demasiado alta e de preferência que seja uma música calma;
- Cantar muito para ele. Poderá começar a cantar pequenas canções que ensinem algo construtivo.


É certo que os bebés não entendem o que lhes dizemos mas sentem como as coisas são ditas ou feitas através das nossas expressões faciais e das nossas atitudes.

A prática:

Comece a inventar pequenas canções para as primeiras letras do abecedário.

Exemplos:

Para o A: A, A, A, AAAAtchim

A de árvore, A de árvore

Para o B: Bola, bolinha, bola, bolinha

B de bola

Cante as mesmas melodias várias vezes ao dia e só acrescente uma nova melodia para uma nova letra, depois de já ter cantado durante vários dias a melodia anterior. É preciso dar tempo para a criança ouvir a repetição das mesmas melodias.
Com o passar do tempo compre umas letras de plásticos (maiúsculas) e associe a letra à melodia.
Por exemplo enquanto canta a melodia do «A» mostre a letra à criança, movimente-a à frente dos seus olhos, esconda-a, volte a mostrar. Quando ela for maior pergunte: «A onde estás?» Depois agarre no A e faça uma grande festa: «Aquiiiii!!!». Bata palmas.
O bebé vai perceber que quando a mãe diz «Aquiiiii!!!» e agarra no A, aquele objecto que ela tem na mão é um A.
Este princípio pode ser utilizado para ensinar todo o tipo de coisas a um bebé ou criança pequena.
Considerando-se interessante para consulta sugere-se que consulte o site www.alexandracaracol.com, principalmente o ESPAÇO EDUCAÇÃO E/OU ENSINO.


por Alexandra Caracol - colaboradora do Jornal da Família

27 de abril de 2007

Testemunhos vocacionais



“PORQUE NÃO EU...”

Tinha 26 anos, quando recebi um CONVITE de Deus. Disse-Lhe, SIM, e ingressei, no ISCF, onde à 7 anos clarifico e confirmo esta chamada.
Quando ainda não me imaginava consagrada (nem sequer sabia da existência desta forma de serviço na Igreja) questionava-me porque existia, qual a minha missão na terra. O tempo passou, terminei o Curso que sempre quis, fui colocada pouco tempo depois, mas no meu interior sempre ecoava esta Pergunta.
Com uma vida estável, cómoda, quer familiarmente quer profissionalmente continuava a procurar algo mais, que durante muito tempo pensei que residisse no constituir família própria. Numa tarde tive a certeza que não era por aí o meu Caminho, e ofereci a Deus a minha dedicação pela minha família e pelas crianças e suas Famílias, que como Educadora de Infância conhecia e relacionava.
Até que um dia num encontro de reflexão ouvi a expressão: “Porque não eu...”. Esta expressão inicialmente não teve eco em mim até que por um conjunto de situações e de algumas pessoas Despertou em mim a possibilidade de O Senhor desejar algo mais....
Não sei dar grandes razões pela minha escolha pela Vida Consagrada Secular, a única e verdadeira razão que tenho é de ter-me sentido atraída e apesar de apegada ao que tinha e pouco conhecer “o Remetente” do Convite, tudo deixei para O seguir.
Sinto que por pouco que possa fazer para que “a Família se torne naquilo que ela é” verdadeiramente: a célula, ou seja, a vida da sociedade, posso oferecer-lhe a minha vida
Como testemunha, como sinal de Deus no mundo.
E tu, já te perguntaste “Porque não eu…”

Carla Mão-de Ferro

“AMAS-ME?”


Sou a Sandra, tenho vinte e sete anos, moro em Alvarelhos – Trofa, profissionalmente sou administrativa.
Estou no quinto ano de formação do Instituto Secular das Cooperadoras da Família. Gostaria de partilhar um pouco da minha vida.
Há seis anos, senti que Deus me tocou e com a Sua voz doce me segredou: “Sandra amo-te e preciso de ti”. Como precisei de Maria, de Pedro, de J. Paulo II, do padre Brás e tantos outros, preciso de ti. Também tu queres ser canal para Me levares a outros? Preciso de ti, aceitas o convite?
Não quis acreditar no que sentia. Sentia-me tão pequena, tive medo, lutei, resisti, afastei-me e quis mesmo fugir. Tudo era desculpa para não escutar: porquê eu? Não sou capaz, etc.
Mas a Sua voz continuava a queimar dentro. Até que uma pergunta me desarmou por completo: “Amas-Me?” Não pude mais resistir e em Agosto de 2002, disse Sim a Deus no Instituto Secular das Cooperadoras da Família.
Desde então, estou no período de Formação Inicial, para discernir, clarificar e amadurecer a minha vocação.
A minha última palavra dirijo-a a todos os jovens:
Jovem se sentires o toque de Deus, escuta atento, abre as portas do coração e entrega-te generosamente, muitos precisam de ti.

Sandra Sousa

“ABRI A MINHA PORTA”


Sou a Sunamita, vivo numa cidade do Norte de Portugal, cuja beleza e harmonia a levou a obter o título de “Património Mundial”: Guimarães.
Foi nessa pequena cidade, que me fui formando como pessoa e como cristã, embora sem aquele compromisso radical que nos leva a deixar tudo por Jesus. No meu coração, no entanto, a pequena semente de um apelo mais profundo germinava sem que eu soubesse como.
Como não fechei a porta a esse apelo, Jesus foi ganhando Terreno até que num domingo, no final da Eucaristia, por intermédio de uma cooperadora do Instituto, que se encontrava de passagem, poisou o olhar sobre mim e convidou-me a segui-Lo.
Fiquei perturbada e, ao mesmo tempo com receio de um compromisso maior.
Pouco a pouco fui sentindo a paz e a mão segura d’Aquele que me convidava a fazer um caminho com Ele. Dei o passo e hoje sinto-me feliz porque aderi ao seu apelo e por pertencer a uma nova família.
O caminho ainda não está totalmente feito, mas com ajuda do Senhor procuro viver cada momento na confiança e no abandono à sua vontade.
Ainda hoje ouço esse sussurro no meu coração: “Estou à porta e chamo. Se alguém ouvir a Minha voz e me abrir a porta, entrarei em sua casa.” (Ap. 3, 20)
A cada um de nós Ele dirige este convite. Estarás tu disposta a responder-Lhe?

Sunamita


26 de abril de 2007

Eternas escravas da moda

Uma sondagem publicada na revista "Salute Naturale" revela que 80% das mulheres italianas sofrem dores ou se sentem doentes por causa da moda, que as estimula a usar saltos altíssimos, roupas justas e vestidos leves no inverno.
Entre as entrevistadas, 82% sofreram algum problema físico que os analistas atribuem à roupa ou acessórios que usam e os principais são os relacionados com a circulação (62%), sudoração excessiva (59%), dermatite (43%), calos e escoriações nos pés (39%).
O sutiã com aro (72%), os sapatos de salto alto (65%), as calças jeans muito justas (61%), as camisas ou camisetas que deixam o umbigo de fora também no inverno (52%), os brincos de bijuteria (32%) e as meias (28%) são as roupas mais incomodativas.

Amigo do Povo

24 de abril de 2007

Bodas de Diamante da Obra de Santa Zita

Nos próximos dias 28 e 29 de Abril realizar-se-á, em Lisboa, na sede da Obra de Santa Zita, um colóquio sobre «75 anos de “Mãos no Trabalho e Coração em Deus”» para comemorar as bodas de Diamante da Obra de Santa Zita

Programa

Dia 28 – Sábado

15h – Painel PILARES DE UMA OBRA, SUPORTES DE UMA SOCIEDADE

(moderadora: Fátima Pinheiro)

Educação e Formação - Joaquim Pedro Campos

Solidariedade, Previdência e Assistência - José Carlos Borges Batalha

Cultura - Raquel Abecasis

Espiritualidade - José Eduardo Borges de Pinho

Apostolicidade - João Luís César das Neves

17h30 - Inauguração da Exposição Temática: «OSZ 75 anos de História»

Dia 29 – Domingo

11h – Local: Igreja do Sagrado Coração de Jesus

Eucaristia presidida pelo Cardeal Patriarca de Lisboa, D.José da Cruz Policarpo

13h – Local: Cantina da Universidade de Lisboa

Almoço de Confraternização

15h – Local: Aula Magna da Reitoria

Sessão Cultural e Festa Comemorativa, com a participação de Rão Kyao, Tocata Lusitana, Figo Maduro, e Grupo de dança tradicional da OSZ


História

Fundada por Monsenhor Joaquim Alves Brás, esta Instituição Particular de Solidariedade Social comemora este ano 75 anos de existência.

Promove actividades de apoio à Família em três áreas fundamentais:

- Infância – em 9 Casas da OSZ funcionam Creches, Jardins-de-Infância, Actividades de Tempos Livres, Colónias de Férias e Centros de Acolhimento de Crianças em perigo.

- Juventude - formação contínua diversificada e uma Escola Profissional, a Escola de Agentes de Serviço e Apoio Social (ASAS), actualmente com dois pólos (Lisboa e Funchal), cerca de 350 alunos e três cursos de nível III (CE) nas áreas da Animação Sócio-Cultural, Apoio à infância e Secretariado.

- Idosos – nas Casas de Lisboa e do Porto existem os Centros de Dia e Apoio Domiciliário; noutras 5 Casas criaram-se Lares Domésticos (4 a 7 pessoas).

De destacar que milhares de pessoas passaram já pelas mãos desta Obra, que conta com 22 Casas espalhadas por todo o País.

A diversidade de apoios à Família vem da criatividade ao serviço dos mais carenciados, inspirada no seu lema “Mãos no trabalho e coração em Deus”. Tudo pode acontecer, desde cursos de formação familiar - culinária, corte e costura, artes decorativas, economia doméstica, relações humanas - a centros de atendimento no desemprego com secretariados de colocações. Tem vindo para isso a estabelecer Parcerias, com destaque para a que tem com o Banco Alimentar e a Universidade de Coimbra (apoio a doentes do foro oncológico).

Está em projecto a criação de uma Casa-Abrigo para mulheres vítimas de violência doméstica, e jovens em perigo.

DADOS BIOGRÁFICOS DO FUNDADOR, Monsenhor Alves Brás

20 de Março de 1899 - Nasce em Casegas - Covilhã, recebendo o Baptismo no mesmo dia

19 de Julho de 1925 - Ordenação Sacerdotal

1 de Abril de 1931 - Funda a OSZ

4 de Junho de 1933 - Funda o Instituto Secular das Cooperadoras da Família

Março 1934 - Funda o Jornal: “Voz das Criadas” hoje “Bem-Fazer”

1958 - É nomeado Camareiro Secreto do Papa Pio XII, e recebe o título de Monsenhor

Janeiro 1960 - Funda o “Jornal da Família”

1962 - Funda o Movimento por um Lar Cristão

13 de Março de 1966 - Falecimento em Lisboa

1990 - Introdução do Processo de Beatificação

Agência Ecclesia


21 de abril de 2007

44ª Semana de Oração pelas Vocações (22 a 29 Abril 2007)


20 de abril de 2007

Juventude da diocese da Guarda na cidade da Covilhã


A cidade da Covilhã ficará rejuvenescida no próximo dia 21 de Abril. Nesta localidade celebrar-se-á o Dia Diocesano da Juventude. As actividades realizam-se nas ruas da cidade, em especial na zona do Pelourinho (junto à câmara municipal). Este ano, os jovens são convidados a fazer uma caminhada pelas ruas "manifestando a sua fé e a sua amizade com Jesus" - realça um comunicado de imprensa do Secretariado Diocesano da Juventude.
Assim, partindo de quatro pontos da cidade (cerca das 10.30h), os jovens de cada zona pastoral da diocese farão um percurso pedonal em direcção ao centro, onde se juntarão e participarão numa encenação preparada pelos grupos de jovens da cidade da Covilhã, que os acolhem desta forma. Os jovens serão depois recebidos na Câmara Municipal pelo Presidente da mesma. Pelas 12.00 horas, D. Manuel da Rocha Felício presidirá à Eucaristia na Igreja de S. Maria. Da parte da tarde os jovens, bem como a população em geral, são convidados a participar em ateliers de reflexão orientados por gente especialista nessas áreas e que decorrerão nas diversas Igrejas da cidade (“Ser + família”, “Ser + na sexualidade, “Ser + no café”, “Ser + na diferença”, “Ser + nos desencontros”, “Ser + no caminho”. O dia encerrará com um espectáculo feito pelos diversos grupos de jovens da diocese que se inscreverem para o efeito e pelo grupo de música cristã, Banda Jota.
Agência Ecclesia

Matrimónio. Uma opção definitiva?!

2. A fidelidade, uma opção que se aprende

Estranho título este. A fidelidade é uma opção que se aprende? Mas então ela não é uma realidade do foro dos sentimentos, uma realidade inata, algo que certamente podemos aperfeiçoar e amadurecer à medida que vamos vivendo, mas que já faz parte de nós? Estas breves interrogações levantam muitas questões. Sem a pretensão de esgotar a reflexão acerca delas, proponho, no entanto, que as olhemos.

Comecemos pela primeira, a fidelidade como sentimento. Não duvido que a fidelidade possa também ser reflectida no contexto dos sentimentos, contudo estou sinceramente convencido de que essa caracterização não esgota aquilo que a ela é. De facto, não penso que a fidelidade se possa reduzir a um sentimento. Talvez até seja essa redução um dos principais problemas dos nossos dias. Quando esta dimensão tão importante do matrimónio (e também de tantas outras dimensões do viver humano) se sustenta apenas e só nos sentimentos então ela corre o sério risco da desagregação. Os sentimentos, como a experiência do viver nos ensina, são muito flutuantes ao longo do tempo, vão e vêm, mudam. É verdade que sempre sinto qualquer coisa e, nesse sentido eles são permanentes, mas é igualmente verdade que não sinto sempre o mesmo e, nesse sentido, eles são passageiros. A fidelidade não pode pois fundamentar-se somente neste âmbito da vida humana. Mas mesmo no âmbito dos sentimentos a aprendizagem é uma dimensão fundamental. Julgo que todos estaremos de acordo quanto a necessidade que todo o ser humano tem de aprender a lidar com os sentimentos. Hoje fala-se muito na iliteracia dando como exemplo tantas pessoas que sabem ler, mas não entendem verdadeiramente aquilo que lêem. Pois bem, ao nível dos sentidos e sentimentos existe também uma enorme iliteracia. Todos sentimos e temos sentimentos, mas não são poucos aqueles que não entendem verdadeiramente aquilo que sentem nem sabem lidar com os sentimentos. A aprendizagem, mesmo que fosse só a este nível, revela-se então fundamental. E não será a fidelidade uma característica inerente ao ser humano, uma capacidade com a qual todos nós nascemos, não fazendo pois muito sentido falar numa aprendizagem a este nível? Não duvido que a fidelidade entendida de uma certa maneira é uma característica do viver humano. Na verdade, existe em todos nós um movimento natural e inato que nos mantém fiéis à vida. Por isso atentar contra ela é algo que não consideramos natural e que, em última instância, precisa sempre de ser justificado, mesmos que às vezes as justificações sejam muito fracas e nos pareçam de todo insustentáveis. Mesmo a este nível tão elementar, penso que estaremos também de acordo, continua a ter todo o sentido falar em aprendizagem, de modo a que algo que é muito do foro do instintivo possa ser humanizado e assumido como tal. A fidelidade a que aqui nos referimos situa-se, no entanto a uma nível muito mais amplo, muito mais profundo. Não é simplesmente um sentimento ou uma dimensão inata, é antes de mais, e principalmente, uma opção da vontade, um dinamismo de fundo com o qual comprometo a minha existência. Isso é para mim cada vez mais evidente quando se reflecte esta realidade no âmbito do matrimónio. A este nível estou claramente a falar de uma opção de vida que deve ser aprendida e aprofundada. Muito para além de ser um sentimento a fidelidade é o resultado de uma opção e de uma vontade. No caminho de encontro e aproximação entre duas pessoas lentamente se vai consolidando uma relação que vai evoluindo de uma coisa que se tem para uma coisa que se é e que faz parte daqueles que a vivem. Uma relação deste nível - estamos já claramente no domínio do amor capaz de sustentar uma vida a dois - não acontece porque acontece, nem permanece porque sim. Ela vai sendo construída porque as pessoas nela envolvidas a isso se dispõe e nela investem. É fruto do querer, mesmo que no início tenha começado com um encontro fortuito, não preparado, não querido. A sua permanência não é igualmente o resultado do evoluir normal e natural da relação. Também aqui é preciso apostar, investir. A fidelidade no amor humano não é simplesmente uma coisa que acontece naturalmente, ela exige e implica sempre a vontade e o querer. É verdade que o amor traz consigo naturalmente um movimento de aproximação e de fidelidade, mas a fidelidade de que estamos a falar vai muito mais longe, pertencendo ao campo da opção, pelo que julgo fazer todo o sentido falar em aprendizagem. Dar mais atenção a esta realidade talvez seja um dos caminhos que temos de trilhar quando alguém se prepara para o matrimónio, de maneira a tornar esse passo verdadeiramente consistente. E o mesmo se pode e deve dizer, ainda com mais urgência, para aqueles que já são casados.

por Juan Francisco Ambrósio

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