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Nasceu um bebé!
A aventura que tinha começado há 9 meses atrás chegou finalmente ao fim de uma etapa.
O momento por que todos ansiavam tinha chegado: nasceu o pequenino ser com o qual pai e mãe sonhavam conhecer e ter nos seus braços para o acariciarem sempre que quisessem.
A aprendizagem que começou a ser feita no ventre materno continua agora de uma forma mais directa, mais aproximada.
Os conselhos práticos que foram referidos no artigo (1) deste tema deverão ser seguidos para que se consiga uma evolução saudável da criança.
Convém ter atenção para o facto de todo este processo de ensino, desde a concepção, deverá ser um processo de acompanhamento e desenvolvimento gradual, respeitando a individualidade de cada Ser de acordo com as suas características e capacidade de retenção daquilo que lhe é ensinado.
Ao acompanharmos os nossos filhos desde a concepção estamos a antecipar a cura, ou até a atenuar sintomas que poderão existir como reflexo de alguma doença (mesmo que esta não tenha sido diagnosticada pelos médicos).
Quanto mais cedo pusermos em prática os «conselhos práticos e acessíveis a qualquer um para preparar esse novo Ser para a vida», referidos no artigo (1), mais depressa estaremos a dar aos nossos filhos instrumentos para se desenvolverem de uma forma equilibrada.
Para melhor transmitir a importância do acompanhamento precoce das nossas crianças gostaria de utilizar um testemunho verídico de uma mãe.
Testemunho de amor dado por A. C.
A. C. teve uma linda filha que aos 3 anos lhe foi diagnosticado a Síndrome de Asperger.
Antes disso, a mãe apercebia-se de situações estranhas que se passavam com a criança e tentava ajudá-la a ultrapassar as suas dificuldades, utilizando principalmente o seu amor.
A. C. amou aqueles olhos logo que os viu. Aliás, já amava o seu bebé mesmo antes de ter nascido.
Depois de nascer, a mãe continuou os ensinamentos que já tinha iniciado ainda quando a bebé estava no seu ventre. É que A. C. acredita que podemos ensinar a nossa sementinha logo desde que ela é semeada...
O tempo passou e a menina aprendia tudo o que lhe era ensinado. Com um ano e dois meses começou a brincar com umas letras maiúsculas de plástico que a mãe lhe ofereceu. Em apenas 15 dias e só a brincar aprendeu a conhecer todas as letras do abecedário. Aos três anos lia livros. Aos quatro escrevia e lia como as crianças do primeiro ano do ensino básico.
Aos dois anos e meio começou a tocar piano, aos quatro deu o seu primeiro recital, aos cinco entrou no Conservatório de Música ao lado dos meninos de 12 e 13 anos. Aos 6 anos escolheu enveredar pelo violino e nunca mais parou de crescer na área musical.
Tanto na escola como no Conservatório, as melhores notas eram sempre as suas.
Mas, havia um mas. Ainda bebé encontrava satisfação no balancear do corpo e no movimento constante de objectos. A sua fala não acompanhava o desenvolvimento mental que possuía ao nível da sobredotação. Aos dois anos começou a regredir no andar e tinha dificuldade na motricidade fina. Essa foi a área mais difícil de resolver e equiparar ao que seria de esperar na sua idade.
Mas a mãe, lutadora e cheia de fé, não se importou com as evidências, apesar de, desde o início, reparar que havia um grande desacerto nas diversas áreas de desenvolvimento da sua menina.
Como estratégia, começou a criar jogos simples em função do desenvolvimento da criança. Usando cartões, desenhos, canções, música, ensinando de forma directa, foi acompanhando pacientemente, dia-a-dia, o seu desenvolvimento e atenuando as suas dificuldades.
Amparou a menina nas áreas de dotação para que se mantivesse o nível já alcançado; às outras, que, em princípio, estavam mais atrasadas para a idade do que deviam, deu-lhes mais atenção.
Desgastou-se, lutou, ensinou, fez aquilo que deveria ter sido feito por técnicos especializados e terapeutas. Mas fê-lo com uma grande diferença: entregou-se com muito amor!
Gradualmente, as sementes que tinham sido lançadas naquela criança foram dando frutos.
Actualmente com 9 anos é uma excelente aluna a todos os níveis.
Existe um certo atraso na motricidade, tem dificuldade em se relacionar, mas passa despercebida no meio dos meninos ditos «normais» que chegam atrasados à escola, não estudam, não se sabem comportar e têm uma série de problemas comportamentais apesar de serem chamados de meninos «normais».
Segundo A. C., valeu a pena a luta com o amor, a entrega e o esforço, pois já se consegue antever nas atitudes e forma de estar da sua filha uma futura adulta válida para a sociedade e capaz de cuidar de si própria.
«Quem tem filhos “diferentes” sabe que esta é a nossa maior guerra: a de tornar os filhos independentes, pois um dia os pais terão que partir e o nosso galardão será tão grande quanto maior for a capacidade dos nossos filhos saberem cuidar de si próprios» – diz A C.
Como é que A. C. conseguiu resultados tão positivos?
- Desejou o seu bebé mesmo antes de ter sido concebido;
- Percebeu que esta era uma dádiva preciosa que Deus lhe tinha confiado para educar. Percebeu também que os filhos não são pertença dos pais e que é um privilégio quando Deus lhes confia a educação de uma criança;
- Cuidou da sua saúde pensando no seu bem e no da criança que ia nascer;
- Logo que soube que estava grávida começou a colocar em prática aquilo que foi referido no artigo (1) sobre A Cura pela Música (e não só...);
- Mesmo nos momentos de maior desespero ela acreditou que podia vencer as dificuldades com a ajuda de Deus (esta é a fé positiva que nos ajuda a vencer os obstáculos);
- Estabeleceu estratégias para ensinar a sua filha de acordo com as suas necessidades, acompanhando sempre a sua evolução: «Como estratégia, começou a criar jogos simples em função do desenvolvimento da criança. Usando cartões, desenhos, canções, música, ensinando de forma directa, foi acompanhando pacientemente, dia-a-dia, o seu desenvolvimento e atenuando as suas dificuldades».
Alguns exemplos concretos a utilizar desde o nascimento e durante os primeiros meses
Concordando com o que Edwin E. Gordon, em Teoria de Aprendizagem Musical para recém-nascidos e crianças em idade pré-escolar, editado pela Fundação Calouste Gulbenkian, «(...) o nosso potencial para aprender nunca é tão elevado como no momento em que se nasce, e que a partir daí diminui gradualmente. O período mais importante da aprendizagem ocorre, no entanto, desde o nascimento (ou até antes). (...) Aquilo que uma criança aprende durante estes primeiros cinco anos de vida forma os alicerces para todo o subsequente desenvolvimento educativo(...)».
Nos primeiros anos o Ser que veio ao mundo aprende as coisas do mundo que o rodeia através dos sentidos. Aquilo que os seus sentidos recolhem é transmitido ao cérebro que interpreta e estabelece correlações, retendo informações e o próprio conhecimento do mundo que o rodeia.
Apesar de começar logo a reter o seu próprio conhecimento, o bebé quando nasce ainda tem pouca ou quase nenhuma consciência do meio ambiente.
O instrumento mais precioso para adquirir experiências sensoriais é aquele que os pais podem proporcionar através do toque ou da satisfação das suas necessidades (mamar, sentir-se limpo, ser acariciado, ouvir a voz dos pais) sempre repleta de amor.
Quando o bebé nasce vem como que munido com diversos «botões que precisam ser abertos», ou seja, vem com capacidade para ser desenvolvido em diversas áreas, como musical, cultura geral, conceitos matemáticos, línguas, entre outras. O que acontece é que esses «botões» estão fechados, cabendo aos educadores abrir os «botões» de cada «emissora», ao longo dos primeiros anos de vida.
Como?
Orientando a criança de uma forma informal, não-estruturada, ou seja, proporcionando à criança contactar com a cultura em que está inserido sem planificação e de uma forma natural e espontânea, estimulando-a através de brincadeiras, brinquedos coloridos, livros com imagens coloridas, etc.
Exemplos de como fazer com recém-nascidos:
- Segredar palavras ao ouvido do bebé;
- Imitar as caretas do bebé;
- Arranjar um brinquedo com cores vivas e movimentá-lo deixando que o bebé o siga com os olhos. Fazer o mesmo em relação a brinquedos com diferentes sons;
- Deixar o bebé ouvir muita música. Os bebés gostam muito de música desde que não esteja demasiado alta e de preferência que seja uma música calma;
- Cantar muito para ele. Poderá começar a cantar pequenas canções que ensinem algo construtivo.
É certo que os bebés não entendem o que lhes dizemos mas sentem como as coisas são ditas ou feitas através das nossas expressões faciais e das nossas atitudes.
A prática:
Comece a inventar pequenas canções para as primeiras letras do abecedário.
Exemplos:
Para o A: A, A, A, AAAAtchim
A de árvore, A de árvore
Para o B: Bola, bolinha, bola, bolinha
B de bola
Cante as mesmas melodias várias vezes ao dia e só acrescente uma nova melodia para uma nova letra, depois de já ter cantado durante vários dias a melodia anterior. É preciso dar tempo para a criança ouvir a repetição das mesmas melodias.
Com o passar do tempo compre umas letras de plásticos (maiúsculas) e associe a letra à melodia.
Por exemplo enquanto canta a melodia do «A» mostre a letra à criança, movimente-a à frente dos seus olhos, esconda-a, volte a mostrar. Quando ela for maior pergunte: «A onde estás?» Depois agarre no A e faça uma grande festa: «Aquiiiii!!!». Bata palmas.
O bebé vai perceber que quando a mãe diz «Aquiiiii!!!» e agarra no A, aquele objecto que ela tem na mão é um A.
Este princípio pode ser utilizado para ensinar todo o tipo de coisas a um bebé ou criança pequena.
Considerando-se interessante para consulta sugere-se que consulte o site www.alexandracaracol.com, principalmente o ESPAÇO EDUCAÇÃO E/OU ENSINO.
por Alexandra Caracol - colaboradora do Jornal da Família