Diário da Assembleia Geral do ISCF

“Tudo o que se fizer a bem da família, por pequeno que seja é grande”. (Mons. Brás)

A Família no centro das atenções

Encontra aqui os vários artigos do Dr. Juan Ambrósio sobre a Família...

Encontro Mundial das Famílias 2015

O Vaticano apresentou dia 24 de março em conferência de imprensa o 7.º Encontro Mundial da Família, que vai decorrer de 22 a 27 de setembro de 2015 na cidade norte-americana de Filadélfia.

A saúde mental dos portugueses

Alguns dedicam-se obsessivamente aos números e às estatísticas esquecendo que a sociedade é feita de pessoas...

O trabalho, dom e direito

A sociedade portuguesa e internacional, vive uma situação de crise generalizada e de aumento das desigualdades sociais...

Longe vão os tempos

Longe vão os tempos dos preconceitos culturais em que se aceitava que era a mãe que tinha de cuidar dos filhos...

Dar esperança em tempo de crise

Vivemos tempos difíceis. A família, como célula base da sociedade, é imediatamente afetada por esta crise generalizada e que promete perdurar. Neste contexto, exige-se um novo paradigma, uma nova forma de estar e de nos relacionarmos.

2 de maio de 2007

A Cura pela Música (e não só...)

(2)

Nasceu um bebé!

A aventura que tinha começado há 9 meses atrás chegou finalmente ao fim de uma etapa.
O momento por que todos ansiavam tinha chegado: nasceu o pequenino ser com o qual pai e mãe sonhavam conhecer e ter nos seus braços para o acariciarem sempre que quisessem.
A aprendizagem que começou a ser feita no ventre materno continua agora de uma forma mais directa, mais aproximada.
Os conselhos práticos que foram referidos no artigo (1) deste tema deverão ser seguidos para que se consiga uma evolução saudável da criança.
Convém ter atenção para o facto de todo este processo de ensino, desde a concepção, deverá ser um processo de acompanhamento e desenvolvimento gradual, respeitando a individualidade de cada Ser de acordo com as suas características e capacidade de retenção daquilo que lhe é ensinado.
Ao acompanharmos os nossos filhos desde a concepção estamos a antecipar a cura, ou até a atenuar sintomas que poderão existir como reflexo de alguma doença (mesmo que esta não tenha sido diagnosticada pelos médicos).

Quanto mais cedo pusermos em prática os «conselhos práticos e acessíveis a qualquer um para preparar esse novo Ser para a vida», referidos no artigo (1), mais depressa estaremos a dar aos nossos filhos instrumentos para se desenvolverem de uma forma equilibrada.

Para melhor transmitir a importância do acompanhamento precoce das nossas crianças gostaria de utilizar um testemunho verídico de uma mãe.

Testemunho de amor dado por A. C.

A. C. teve uma linda filha que aos 3 anos lhe foi diagnosticado a Síndrome de Asperger.
Antes disso, a mãe apercebia-se de situações estranhas que se passavam com a criança e tentava ajudá-la a ultrapassar as suas dificuldades, utilizando principalmente o seu amor.
A. C. amou aqueles olhos logo que os viu. Aliás, já amava o seu bebé mesmo antes de ter nascido.
Depois de nascer, a mãe continuou os ensinamentos que já tinha iniciado ainda quando a bebé estava no seu ventre. É que A. C. acredita que podemos ensinar a nossa sementinha logo desde que ela é semeada...
O tempo passou e a menina aprendia tudo o que lhe era ensinado. Com um ano e dois meses começou a brincar com umas letras maiúsculas de plástico que a mãe lhe ofereceu. Em apenas 15 dias e só a brincar aprendeu a conhecer todas as letras do abecedário. Aos três anos lia livros. Aos quatro escrevia e lia como as crianças do primeiro ano do ensino básico.
Aos dois anos e meio começou a tocar piano, aos quatro deu o seu primeiro recital, aos cinco entrou no Conservatório de Música ao lado dos meninos de 12 e 13 anos. Aos 6 anos escolheu enveredar pelo violino e nunca mais parou de crescer na área musical.
Tanto na escola como no Conservatório, as melhores notas eram sempre as suas.
Mas, havia um mas. Ainda bebé encontrava satisfação no balancear do corpo e no movimento constante de objectos. A sua fala não acompanhava o desenvolvimento mental que possuía ao nível da sobredotação. Aos dois anos começou a regredir no andar e tinha dificuldade na motricidade fina. Essa foi a área mais difícil de resolver e equiparar ao que seria de esperar na sua idade.
Mas a mãe, lutadora e cheia de fé, não se importou com as evidências, apesar de, desde o início, reparar que havia um grande desacerto nas diversas áreas de desenvolvimento da sua menina.

Como estratégia, começou a criar jogos simples em função do desenvolvimento da criança. Usando cartões, desenhos, canções, música, ensinando de forma directa, foi acompanhando pacientemente, dia-a-dia, o seu desenvolvimento e atenuando as suas dificuldades.

Amparou a menina nas áreas de dotação para que se mantivesse o nível já alcançado; às outras, que, em princípio, estavam mais atrasadas para a idade do que deviam, deu-lhes mais atenção.
Desgastou-se, lutou, ensinou, fez aquilo que deveria ter sido feito por técnicos especializados e terapeutas. Mas fê-lo com uma grande diferença: entregou-se com muito amor!
Gradualmente, as sementes que tinham sido lançadas naquela criança foram dando frutos.
Actualmente com 9 anos é uma excelente aluna a todos os níveis.
Existe um certo atraso na motricidade, tem dificuldade em se relacionar, mas passa despercebida no meio dos meninos ditos «normais» que chegam atrasados à escola, não estudam, não se sabem comportar e têm uma série de problemas comportamentais apesar de serem chamados de meninos «normais».
Segundo A. C., valeu a pena a luta com o amor, a entrega e o esforço, pois já se consegue antever nas atitudes e forma de estar da sua filha uma futura adulta válida para a sociedade e capaz de cuidar de si própria.

«Quem tem filhos “diferentes” sabe que esta é a nossa maior guerra: a de tornar os filhos independentes, pois um dia os pais terão que partir e o nosso galardão será tão grande quanto maior for a capacidade dos nossos filhos saberem cuidar de si próprios» – diz A C.

Como é que A. C. conseguiu resultados tão positivos?

- Desejou o seu bebé mesmo antes de ter sido concebido;
- Percebeu que esta era uma dádiva preciosa que Deus lhe tinha confiado para educar. Percebeu também que os filhos não são pertença dos pais e que é um privilégio quando Deus lhes confia a educação de uma criança;
- Cuidou da sua saúde pensando no seu bem e no da criança que ia nascer;
- Logo que soube que estava grávida começou a colocar em prática aquilo que foi referido no artigo (1) sobre A Cura pela Música (e não só...);
- Mesmo nos momentos de maior desespero ela acreditou que podia vencer as dificuldades com a ajuda de Deus (esta é a fé positiva que nos ajuda a vencer os obstáculos);
- Estabeleceu estratégias para ensinar a sua filha de acordo com as suas necessidades, acompanhando sempre a sua evolução: «Como estratégia, começou a criar jogos simples em função do desenvolvimento da criança. Usando cartões, desenhos, canções, música, ensinando de forma directa, foi acompanhando pacientemente, dia-a-dia, o seu desenvolvimento e atenuando as suas dificuldades».


Alguns exemplos concretos a utilizar desde o nascimento e durante os primeiros meses

Concordando com o que Edwin E. Gordon, em Teoria de Aprendizagem Musical para recém-nascidos e crianças em idade pré-escolar, editado pela Fundação Calouste Gulbenkian, «(...) o nosso potencial para aprender nunca é tão elevado como no momento em que se nasce, e que a partir daí diminui gradualmente. O período mais importante da aprendizagem ocorre, no entanto, desde o nascimento (ou até antes). (...) Aquilo que uma criança aprende durante estes primeiros cinco anos de vida forma os alicerces para todo o subsequente desenvolvimento educativo(...)».
Nos primeiros anos o Ser que veio ao mundo aprende as coisas do mundo que o rodeia através dos sentidos. Aquilo que os seus sentidos recolhem é transmitido ao cérebro que interpreta e estabelece correlações, retendo informações e o próprio conhecimento do mundo que o rodeia.
Apesar de começar logo a reter o seu próprio conhecimento, o bebé quando nasce ainda tem pouca ou quase nenhuma consciência do meio ambiente.
O instrumento mais precioso para adquirir experiências sensoriais é aquele que os pais podem proporcionar através do toque ou da satisfação das suas necessidades (mamar, sentir-se limpo, ser acariciado, ouvir a voz dos pais) sempre repleta de amor.
Quando o bebé nasce vem como que munido com diversos «botões que precisam ser abertos», ou seja, vem com capacidade para ser desenvolvido em diversas áreas, como musical, cultura geral, conceitos matemáticos, línguas, entre outras. O que acontece é que esses «botões» estão fechados, cabendo aos educadores abrir os «botões» de cada «emissora», ao longo dos primeiros anos de vida.

Como?

Orientando a criança de uma forma informal, não-estruturada, ou seja, proporcionando à criança contactar com a cultura em que está inserido sem planificação e de uma forma natural e espontânea, estimulando-a através de brincadeiras, brinquedos coloridos, livros com imagens coloridas, etc.

Exemplos de como fazer com recém-nascidos:

- Segredar palavras ao ouvido do bebé;
- Imitar as caretas do bebé;
- Arranjar um brinquedo com cores vivas e movimentá-lo deixando que o bebé o siga com os olhos. Fazer o mesmo em relação a brinquedos com diferentes sons;
- Deixar o bebé ouvir muita música. Os bebés gostam muito de música desde que não esteja demasiado alta e de preferência que seja uma música calma;
- Cantar muito para ele. Poderá começar a cantar pequenas canções que ensinem algo construtivo.


É certo que os bebés não entendem o que lhes dizemos mas sentem como as coisas são ditas ou feitas através das nossas expressões faciais e das nossas atitudes.

A prática:

Comece a inventar pequenas canções para as primeiras letras do abecedário.

Exemplos:

Para o A: A, A, A, AAAAtchim

A de árvore, A de árvore

Para o B: Bola, bolinha, bola, bolinha

B de bola

Cante as mesmas melodias várias vezes ao dia e só acrescente uma nova melodia para uma nova letra, depois de já ter cantado durante vários dias a melodia anterior. É preciso dar tempo para a criança ouvir a repetição das mesmas melodias.
Com o passar do tempo compre umas letras de plásticos (maiúsculas) e associe a letra à melodia.
Por exemplo enquanto canta a melodia do «A» mostre a letra à criança, movimente-a à frente dos seus olhos, esconda-a, volte a mostrar. Quando ela for maior pergunte: «A onde estás?» Depois agarre no A e faça uma grande festa: «Aquiiiii!!!». Bata palmas.
O bebé vai perceber que quando a mãe diz «Aquiiiii!!!» e agarra no A, aquele objecto que ela tem na mão é um A.
Este princípio pode ser utilizado para ensinar todo o tipo de coisas a um bebé ou criança pequena.
Considerando-se interessante para consulta sugere-se que consulte o site www.alexandracaracol.com, principalmente o ESPAÇO EDUCAÇÃO E/OU ENSINO.


por Alexandra Caracol - colaboradora do Jornal da Família

27 de abril de 2007

Testemunhos vocacionais



“PORQUE NÃO EU...”

Tinha 26 anos, quando recebi um CONVITE de Deus. Disse-Lhe, SIM, e ingressei, no ISCF, onde à 7 anos clarifico e confirmo esta chamada.
Quando ainda não me imaginava consagrada (nem sequer sabia da existência desta forma de serviço na Igreja) questionava-me porque existia, qual a minha missão na terra. O tempo passou, terminei o Curso que sempre quis, fui colocada pouco tempo depois, mas no meu interior sempre ecoava esta Pergunta.
Com uma vida estável, cómoda, quer familiarmente quer profissionalmente continuava a procurar algo mais, que durante muito tempo pensei que residisse no constituir família própria. Numa tarde tive a certeza que não era por aí o meu Caminho, e ofereci a Deus a minha dedicação pela minha família e pelas crianças e suas Famílias, que como Educadora de Infância conhecia e relacionava.
Até que um dia num encontro de reflexão ouvi a expressão: “Porque não eu...”. Esta expressão inicialmente não teve eco em mim até que por um conjunto de situações e de algumas pessoas Despertou em mim a possibilidade de O Senhor desejar algo mais....
Não sei dar grandes razões pela minha escolha pela Vida Consagrada Secular, a única e verdadeira razão que tenho é de ter-me sentido atraída e apesar de apegada ao que tinha e pouco conhecer “o Remetente” do Convite, tudo deixei para O seguir.
Sinto que por pouco que possa fazer para que “a Família se torne naquilo que ela é” verdadeiramente: a célula, ou seja, a vida da sociedade, posso oferecer-lhe a minha vida
Como testemunha, como sinal de Deus no mundo.
E tu, já te perguntaste “Porque não eu…”

Carla Mão-de Ferro

“AMAS-ME?”


Sou a Sandra, tenho vinte e sete anos, moro em Alvarelhos – Trofa, profissionalmente sou administrativa.
Estou no quinto ano de formação do Instituto Secular das Cooperadoras da Família. Gostaria de partilhar um pouco da minha vida.
Há seis anos, senti que Deus me tocou e com a Sua voz doce me segredou: “Sandra amo-te e preciso de ti”. Como precisei de Maria, de Pedro, de J. Paulo II, do padre Brás e tantos outros, preciso de ti. Também tu queres ser canal para Me levares a outros? Preciso de ti, aceitas o convite?
Não quis acreditar no que sentia. Sentia-me tão pequena, tive medo, lutei, resisti, afastei-me e quis mesmo fugir. Tudo era desculpa para não escutar: porquê eu? Não sou capaz, etc.
Mas a Sua voz continuava a queimar dentro. Até que uma pergunta me desarmou por completo: “Amas-Me?” Não pude mais resistir e em Agosto de 2002, disse Sim a Deus no Instituto Secular das Cooperadoras da Família.
Desde então, estou no período de Formação Inicial, para discernir, clarificar e amadurecer a minha vocação.
A minha última palavra dirijo-a a todos os jovens:
Jovem se sentires o toque de Deus, escuta atento, abre as portas do coração e entrega-te generosamente, muitos precisam de ti.

Sandra Sousa

“ABRI A MINHA PORTA”


Sou a Sunamita, vivo numa cidade do Norte de Portugal, cuja beleza e harmonia a levou a obter o título de “Património Mundial”: Guimarães.
Foi nessa pequena cidade, que me fui formando como pessoa e como cristã, embora sem aquele compromisso radical que nos leva a deixar tudo por Jesus. No meu coração, no entanto, a pequena semente de um apelo mais profundo germinava sem que eu soubesse como.
Como não fechei a porta a esse apelo, Jesus foi ganhando Terreno até que num domingo, no final da Eucaristia, por intermédio de uma cooperadora do Instituto, que se encontrava de passagem, poisou o olhar sobre mim e convidou-me a segui-Lo.
Fiquei perturbada e, ao mesmo tempo com receio de um compromisso maior.
Pouco a pouco fui sentindo a paz e a mão segura d’Aquele que me convidava a fazer um caminho com Ele. Dei o passo e hoje sinto-me feliz porque aderi ao seu apelo e por pertencer a uma nova família.
O caminho ainda não está totalmente feito, mas com ajuda do Senhor procuro viver cada momento na confiança e no abandono à sua vontade.
Ainda hoje ouço esse sussurro no meu coração: “Estou à porta e chamo. Se alguém ouvir a Minha voz e me abrir a porta, entrarei em sua casa.” (Ap. 3, 20)
A cada um de nós Ele dirige este convite. Estarás tu disposta a responder-Lhe?

Sunamita


26 de abril de 2007

Eternas escravas da moda

Uma sondagem publicada na revista "Salute Naturale" revela que 80% das mulheres italianas sofrem dores ou se sentem doentes por causa da moda, que as estimula a usar saltos altíssimos, roupas justas e vestidos leves no inverno.
Entre as entrevistadas, 82% sofreram algum problema físico que os analistas atribuem à roupa ou acessórios que usam e os principais são os relacionados com a circulação (62%), sudoração excessiva (59%), dermatite (43%), calos e escoriações nos pés (39%).
O sutiã com aro (72%), os sapatos de salto alto (65%), as calças jeans muito justas (61%), as camisas ou camisetas que deixam o umbigo de fora também no inverno (52%), os brincos de bijuteria (32%) e as meias (28%) são as roupas mais incomodativas.

Amigo do Povo

24 de abril de 2007

Bodas de Diamante da Obra de Santa Zita

Nos próximos dias 28 e 29 de Abril realizar-se-á, em Lisboa, na sede da Obra de Santa Zita, um colóquio sobre «75 anos de “Mãos no Trabalho e Coração em Deus”» para comemorar as bodas de Diamante da Obra de Santa Zita

Programa

Dia 28 – Sábado

15h – Painel PILARES DE UMA OBRA, SUPORTES DE UMA SOCIEDADE

(moderadora: Fátima Pinheiro)

Educação e Formação - Joaquim Pedro Campos

Solidariedade, Previdência e Assistência - José Carlos Borges Batalha

Cultura - Raquel Abecasis

Espiritualidade - José Eduardo Borges de Pinho

Apostolicidade - João Luís César das Neves

17h30 - Inauguração da Exposição Temática: «OSZ 75 anos de História»

Dia 29 – Domingo

11h – Local: Igreja do Sagrado Coração de Jesus

Eucaristia presidida pelo Cardeal Patriarca de Lisboa, D.José da Cruz Policarpo

13h – Local: Cantina da Universidade de Lisboa

Almoço de Confraternização

15h – Local: Aula Magna da Reitoria

Sessão Cultural e Festa Comemorativa, com a participação de Rão Kyao, Tocata Lusitana, Figo Maduro, e Grupo de dança tradicional da OSZ


História

Fundada por Monsenhor Joaquim Alves Brás, esta Instituição Particular de Solidariedade Social comemora este ano 75 anos de existência.

Promove actividades de apoio à Família em três áreas fundamentais:

- Infância – em 9 Casas da OSZ funcionam Creches, Jardins-de-Infância, Actividades de Tempos Livres, Colónias de Férias e Centros de Acolhimento de Crianças em perigo.

- Juventude - formação contínua diversificada e uma Escola Profissional, a Escola de Agentes de Serviço e Apoio Social (ASAS), actualmente com dois pólos (Lisboa e Funchal), cerca de 350 alunos e três cursos de nível III (CE) nas áreas da Animação Sócio-Cultural, Apoio à infância e Secretariado.

- Idosos – nas Casas de Lisboa e do Porto existem os Centros de Dia e Apoio Domiciliário; noutras 5 Casas criaram-se Lares Domésticos (4 a 7 pessoas).

De destacar que milhares de pessoas passaram já pelas mãos desta Obra, que conta com 22 Casas espalhadas por todo o País.

A diversidade de apoios à Família vem da criatividade ao serviço dos mais carenciados, inspirada no seu lema “Mãos no trabalho e coração em Deus”. Tudo pode acontecer, desde cursos de formação familiar - culinária, corte e costura, artes decorativas, economia doméstica, relações humanas - a centros de atendimento no desemprego com secretariados de colocações. Tem vindo para isso a estabelecer Parcerias, com destaque para a que tem com o Banco Alimentar e a Universidade de Coimbra (apoio a doentes do foro oncológico).

Está em projecto a criação de uma Casa-Abrigo para mulheres vítimas de violência doméstica, e jovens em perigo.

DADOS BIOGRÁFICOS DO FUNDADOR, Monsenhor Alves Brás

20 de Março de 1899 - Nasce em Casegas - Covilhã, recebendo o Baptismo no mesmo dia

19 de Julho de 1925 - Ordenação Sacerdotal

1 de Abril de 1931 - Funda a OSZ

4 de Junho de 1933 - Funda o Instituto Secular das Cooperadoras da Família

Março 1934 - Funda o Jornal: “Voz das Criadas” hoje “Bem-Fazer”

1958 - É nomeado Camareiro Secreto do Papa Pio XII, e recebe o título de Monsenhor

Janeiro 1960 - Funda o “Jornal da Família”

1962 - Funda o Movimento por um Lar Cristão

13 de Março de 1966 - Falecimento em Lisboa

1990 - Introdução do Processo de Beatificação

Agência Ecclesia


21 de abril de 2007

44ª Semana de Oração pelas Vocações (22 a 29 Abril 2007)


20 de abril de 2007

Juventude da diocese da Guarda na cidade da Covilhã


A cidade da Covilhã ficará rejuvenescida no próximo dia 21 de Abril. Nesta localidade celebrar-se-á o Dia Diocesano da Juventude. As actividades realizam-se nas ruas da cidade, em especial na zona do Pelourinho (junto à câmara municipal). Este ano, os jovens são convidados a fazer uma caminhada pelas ruas "manifestando a sua fé e a sua amizade com Jesus" - realça um comunicado de imprensa do Secretariado Diocesano da Juventude.
Assim, partindo de quatro pontos da cidade (cerca das 10.30h), os jovens de cada zona pastoral da diocese farão um percurso pedonal em direcção ao centro, onde se juntarão e participarão numa encenação preparada pelos grupos de jovens da cidade da Covilhã, que os acolhem desta forma. Os jovens serão depois recebidos na Câmara Municipal pelo Presidente da mesma. Pelas 12.00 horas, D. Manuel da Rocha Felício presidirá à Eucaristia na Igreja de S. Maria. Da parte da tarde os jovens, bem como a população em geral, são convidados a participar em ateliers de reflexão orientados por gente especialista nessas áreas e que decorrerão nas diversas Igrejas da cidade (“Ser + família”, “Ser + na sexualidade, “Ser + no café”, “Ser + na diferença”, “Ser + nos desencontros”, “Ser + no caminho”. O dia encerrará com um espectáculo feito pelos diversos grupos de jovens da diocese que se inscreverem para o efeito e pelo grupo de música cristã, Banda Jota.
Agência Ecclesia

Matrimónio. Uma opção definitiva?!

2. A fidelidade, uma opção que se aprende

Estranho título este. A fidelidade é uma opção que se aprende? Mas então ela não é uma realidade do foro dos sentimentos, uma realidade inata, algo que certamente podemos aperfeiçoar e amadurecer à medida que vamos vivendo, mas que já faz parte de nós? Estas breves interrogações levantam muitas questões. Sem a pretensão de esgotar a reflexão acerca delas, proponho, no entanto, que as olhemos.

Comecemos pela primeira, a fidelidade como sentimento. Não duvido que a fidelidade possa também ser reflectida no contexto dos sentimentos, contudo estou sinceramente convencido de que essa caracterização não esgota aquilo que a ela é. De facto, não penso que a fidelidade se possa reduzir a um sentimento. Talvez até seja essa redução um dos principais problemas dos nossos dias. Quando esta dimensão tão importante do matrimónio (e também de tantas outras dimensões do viver humano) se sustenta apenas e só nos sentimentos então ela corre o sério risco da desagregação. Os sentimentos, como a experiência do viver nos ensina, são muito flutuantes ao longo do tempo, vão e vêm, mudam. É verdade que sempre sinto qualquer coisa e, nesse sentido eles são permanentes, mas é igualmente verdade que não sinto sempre o mesmo e, nesse sentido, eles são passageiros. A fidelidade não pode pois fundamentar-se somente neste âmbito da vida humana. Mas mesmo no âmbito dos sentimentos a aprendizagem é uma dimensão fundamental. Julgo que todos estaremos de acordo quanto a necessidade que todo o ser humano tem de aprender a lidar com os sentimentos. Hoje fala-se muito na iliteracia dando como exemplo tantas pessoas que sabem ler, mas não entendem verdadeiramente aquilo que lêem. Pois bem, ao nível dos sentidos e sentimentos existe também uma enorme iliteracia. Todos sentimos e temos sentimentos, mas não são poucos aqueles que não entendem verdadeiramente aquilo que sentem nem sabem lidar com os sentimentos. A aprendizagem, mesmo que fosse só a este nível, revela-se então fundamental. E não será a fidelidade uma característica inerente ao ser humano, uma capacidade com a qual todos nós nascemos, não fazendo pois muito sentido falar numa aprendizagem a este nível? Não duvido que a fidelidade entendida de uma certa maneira é uma característica do viver humano. Na verdade, existe em todos nós um movimento natural e inato que nos mantém fiéis à vida. Por isso atentar contra ela é algo que não consideramos natural e que, em última instância, precisa sempre de ser justificado, mesmos que às vezes as justificações sejam muito fracas e nos pareçam de todo insustentáveis. Mesmo a este nível tão elementar, penso que estaremos também de acordo, continua a ter todo o sentido falar em aprendizagem, de modo a que algo que é muito do foro do instintivo possa ser humanizado e assumido como tal. A fidelidade a que aqui nos referimos situa-se, no entanto a uma nível muito mais amplo, muito mais profundo. Não é simplesmente um sentimento ou uma dimensão inata, é antes de mais, e principalmente, uma opção da vontade, um dinamismo de fundo com o qual comprometo a minha existência. Isso é para mim cada vez mais evidente quando se reflecte esta realidade no âmbito do matrimónio. A este nível estou claramente a falar de uma opção de vida que deve ser aprendida e aprofundada. Muito para além de ser um sentimento a fidelidade é o resultado de uma opção e de uma vontade. No caminho de encontro e aproximação entre duas pessoas lentamente se vai consolidando uma relação que vai evoluindo de uma coisa que se tem para uma coisa que se é e que faz parte daqueles que a vivem. Uma relação deste nível - estamos já claramente no domínio do amor capaz de sustentar uma vida a dois - não acontece porque acontece, nem permanece porque sim. Ela vai sendo construída porque as pessoas nela envolvidas a isso se dispõe e nela investem. É fruto do querer, mesmo que no início tenha começado com um encontro fortuito, não preparado, não querido. A sua permanência não é igualmente o resultado do evoluir normal e natural da relação. Também aqui é preciso apostar, investir. A fidelidade no amor humano não é simplesmente uma coisa que acontece naturalmente, ela exige e implica sempre a vontade e o querer. É verdade que o amor traz consigo naturalmente um movimento de aproximação e de fidelidade, mas a fidelidade de que estamos a falar vai muito mais longe, pertencendo ao campo da opção, pelo que julgo fazer todo o sentido falar em aprendizagem. Dar mais atenção a esta realidade talvez seja um dos caminhos que temos de trilhar quando alguém se prepara para o matrimónio, de maneira a tornar esse passo verdadeiramente consistente. E o mesmo se pode e deve dizer, ainda com mais urgência, para aqueles que já são casados.

por Juan Francisco Ambrósio

Confederação Internacional de Movimentos de Famílias

X Assembleia Mundial da CIMFC

Fátima será mais uma vez palco de um acontecimento de âmbito Mundial.

A Confederação Internacional de Movimentos e Famílias Cristãs (MFC), decidiu, com o apoio do Movimento Por um Lar Cristão (MLC), membro da mesma Confederação e a colaboração do Instituto Secular das Cooperadoras da Família realizar em Fátima de 25 a 29 de Julho a X Assembleia Mundial da (CIMFC), reflectindo o tema: "O legado de Fátima à Família: Espiritualidade e sacrifício".

Fundada em Caracas, Venezuela em 1966, tem como finalidade ajudar os seus membros a viver a sua vocação humana e cristã e a testemunhar os valores essenciais da família, baseados na fé segundo o Evangelho e em sintonia com a doutrina do Magistério.

Nas suas Constituições, a Confederação, contempla três tipos de membros: Os membros de pleno direito; os membros associados e os membros de apoio.

Os Membros de Pleno Direito são os Movimentos Familiares Cristãos (MFC).

Os Membros Associados são centros ou organizações laicais que vivem os ideais cristãos da CIMFC e estão empenhados em trabalhar pela família.

Os Membros de Apoio são organizações que perfilham os ideais cristãos da CIMFC e que se empenham no estudo, na investigação e promoção da família.

A CIMFC tem organizações filiadas em vários países e nos cinco continentes: Norte-americano - 4.000; Europa 3.990; América Latina - 80.000; África - 475; Ásia - 4.000.

O Movimento Por Um Lar Cristão e o Instituto Secular das Cooperadoras da Família (ISCF) estão intensamente empenhados na preparação, divulgação e realização desta Assembleia.

A Assembleia terminará com a peregrinação de 28 e 29 de Julho, presidida por D. Jorge Ortiga, Arcebispo de Braga e Presidente da Conferência Episcopal Portuguesa.

Seria bom que as Famílias portuguesas se associassem a este acontecimento.

Para posteriores contactos: Email: iscf@netcabo.pt - tel. 213513060.

19 de abril de 2007


Actuação do grupo de danças populares da Obra de Santa Zita - Lisboa

Actuação das crianças da Casa de Santa Zita da Covilhã...com a construção da casa...


Actuação das crianças da Casa de Santa Zita de Portalegre...

Iniciamos a tarde recreativa com o hino de Santa Zita...
Pe. Dr. Geraldes, também ele natural de Casegas, faz-nos um pequeno historial do nosso fundador, e todo o seu caminho na construção da Obra que homenageamos.


De seguida tivemos o almoço, na Casa de Santa Zita, para alguns convidados.





Covilhã celebra Obra de Santa Zita
A festa de aniversário da obra de Santa Zita iniciou-se com uma Eucaristia na manhã de domingo, presidida por D. Manuel Felício, Bispo da Guarda, e prolongou-se durante a tarde, num convívio que encheu o Teatro Cine da Covilhã.
“A Obra de Santa Zita tem sido fundamental no que se refere à inserção social dos mais desfavorecidos, uma vez que nem todas as pessoas podem ter acesso a bens materiais, ou mesmo a valores sociais”. Foram estas as palavras proferidas por D. Manuel Felício nas comemorações dos 75 anos da Obra de Santa Zita, que decorreram um pouco por todo o país, no passado dia 15 de Abril. José Geraldes, Arcipreste da Covilhã, sublinhou que “este é um projecto de grande alcance e relevância, pois a Obra de Santa Zita tem como principal missão educar os jovens e contribuir para a evangelização das famílias”. Crianças das creches de Santa Zita da Covilhã, Lisboa e Portalegre vestiram a pele de artistas, subiram ao palco, e contribuíram para animar as centenas de espectadores que encheram o Teatro – Cine. A Obra de Santa Zita foi fundada por Joaquim Alves Brás na cidade da Guarda, em 1931, alcançando posteriormente todo o país. Na Covilhã, a Obra de Santa Zita nasceu a 8 de Setembro de 1932 e tem contribuído decisivamente para o surgimento de actividades de ocupação de tempos livres para crianças (ATL), ao mesmo tempo que colabora na promoção da solidariedade, associativismo e instrução religiosa. As Casas de Santa Zita surgiram da necessidade de auxiliar as ditas “criadas de servir”, jovens na maior parte das vezes desfavorecidas e que, de certa forma, haviam sofrido algum tipo de violência física e psicológica. Mais tarde o alcance desta obra ganhou maior abrangência, e passou também a servir de apoio a prostitutas e outras mulheres desfavorecidas, contribuindo para a sua inserção e reabilitação social. O projecto levado a cabo por Monsenhor Joaquim Alves Brás está fortemente implantado em Portugal, mas a obra cresceu de forma extraordinária, expandindo-se para cidades como Madrid e Roma. A razão pela qual a obra de Joaquim Alves Brás ficou conhecida como Obra de Santa Zita deve-se ao facto desta ter sido uma “criada de servir” na cidade italiana de Lucca. Nascida em Monte Sagrati, no ano de 1218, Santa Zita começou a trabalhar aos 12 anos para a família Fatinelle, e devido à sua bondade ficou conhecida como Padroeira das empregadas domésticas. Em Portugal existem 19 Casas de Santa Zita, que se dedicam a auxiliar crianças e famílias, desenvolvendo actividades que vão desde o apoio aos jovens, idosos, acolhimento de emigrantes, lar de estudantes e ocupação de tempos livres.
URBI et ORBI - Jornal da UBI (Universidade da Beira Interior)

16 de abril de 2007

A vida humana, afinal, é violável

É oficial: em Portugal a vida humana é violável. Continua em vigor o artigo 24.º n.º 1 da Constituição da República Portuguesa, que afirma taxativamente: "A vida humana é inviolável." Mas, com a promulgação do decreto da Assembleia n.º 112/X de "exclusão da ilicitude nos casos de interrupção voluntária da gravidez", a vida humana passou a ser violável. É apenas durante as primeiras dez semanas de particular fragilidade. Mas é indiscutivelmente vida humana e é inegavelmente violável.


Vale a pena lembrar que, durante a enorme discussão à volta do referendo recente, ninguém respeitável se atreveu a dizer que o zigoto, embrião ou feto não constituíssem vida humana. Alguns fizeram grandes esforços para afirmar não se tratar de uma "pessoa humana". Dado ser um conceito filosófico, é susceptível de enormes discussões. Mas não foi possível recusar o facto cientificamente demonstrado de que se trata de uma vida, nem a evidência de senso comum que é humana. Aquilo que se vai poder violar, em estabelecimento de saúde oficial ou oficialmente reconhecido e com o consentimento da mãe, é indubitavelmente uma vida humana.


Assim o nosso ordenamento jurídico passará a incluir um diploma que diz que a vida humana é violável. Não parece levantar preocupação a flagrante inconsistência lógica entre um decreto da Assembleia da República e a Constituição da República que a mesma jurou cumprir e defender. A não ser que se tome como manifestação dessa preocupação o excessivo aparato democrático de que essa Assembleia se procurou revestir para justificar a inconsistência.


O referido decreto baseia-se num referendo com 59,25% de aprovação (apesar de isso só representar 26% dos eleitores) e uma votação parlamentar largamente maioritária. Ninguém desconfia, pois, dos pergaminhos eleitorais dessa legislação. Parece que, desde que existam maiorias suficientes, passa a ser aceitável proclamar incongruências lógicas. Parece que, se a maioria quiser, pode violar-se a vida humana.


Passado o processo legislativo (a menos de alguns recursos) ficará o juízo da História. E esse pode ser muito severo. A nossa geração, impiedosa com as épocas passadas e as suas violações da vida e dignidade humanas, sabe isso muito bem. A nossa geração, que proclamou direitos, instituiu tribunais, condenou culturas, regimes, povos, conhece bem a dureza desse juízo.


A gravidade de uma atrocidade não depende da legitimidade do documento ou da representatividade do seu apoio. No passado, muitas abominações, da escravatura e guerra ao genocídio, também gozaram de toda a legitimidade institucional, consenso social e adesão entusiástica. Isso não só não desculpou mas até suscitou censura maior. Não é por isso que deixam de ser hoje repudiadas violentamente. Esta nossa lei não conduz a práticas comparáveis às dos nazis, esclavagistas, chauvinistas e afins. Mas com elas tem em comum precisamente este ponto: considerar a vida humana violável. E são repudiadas por nós por causa disso mesmo. Foi essa a razão porque se pôs na Constituição o princípio que agora corrompemos.


Quando a História julgar esta geração pelos seus crimes, lembrará os nomes inscritos no decreto que promoveu esta infâmia. Estarão lá os nomes de quem o elaborou, propôs, aprovou e promulgou. Mas também lá estará a assinatura de quem fez campanha a seu favor, quem votou, aplaudiu e exultou com ele. Aqueles que consideraram este atropelo à vida humana como um direito, os sicofantas que inventaram argumentos, congeminaram embustes e manipularam a verdade para encontrar justificações falaciosas. Os que apenas lavaram as mãos. Todos têm o nome inscrito neste diploma.

Chegámos ao fim de uma das mais longas e controvertidas epopeias parlamentares. A questão real só agora começará. Será preciso adaptar o sistema de saúde e lidar com milhares de dramas pungentes. Mas acabou o entusiasmo, ruído, balbúrdia, argumentação, interesse dos políticos. O que ficou foi apenas um ponto muito simples: a partir de agora em Portugal a vida humana é violável.

por João César das Neves

14 de abril de 2007

Obra de Santa Zita - Covilhã



Dia 15 de Abril - Festa dos 75 anos da Obra de Santa Zita
Covilhã

Programa

10h00
- Eucaristia, na igreja paroquial, presidida pelo Bispo da Guarda - D. Manuel Felício

15h00 - Tarde recreativa no Teatro-Cine da Covilhã

- Participação das crianças do Jardim de Infância da Casa de Santa Zita da Covilhã; crianças do Jardim de Infância da Casa de Santa Zita de Portalegre; Grupo de Danças populares da Obra de Santa Zita (Lisboa)

17h00 - Lanche Convívio (Teatro-Cine)

8 de abril de 2007

Uma vida vocacional, em doação à Família

Há dias, veio ter às minhas mãos, um exemplar de um jornal do mês de Janeiro de 1939, que dava pelo nome “ Voz das Criadas”, jornal este que foi fundado por Monsenhor Alves Brás. Neste número, escrevia Mons. Alves Brás que “a família é a fonte donde provem a sociedade. Se a fonte é pura e cristalina, também a agua será límpida. Porém, se a fonte estiver inquinada, teremos, pela certa, uma sociedade também poluída. Portanto a sociedade será cristã, somente quando as famílias que a formam, viverem cristãmente”.
Com efeito, daquilo que conheço do Mons. Alves Brás, esta foi sempre uma ideia dominante da sua mente de fervoroso humanista, de impoluto Sacerdote, e de virtuoso Santo.
Esta foi sempre a constante preocupação que galvanizou a sua pastoral familiar.
Este foi sempre um projecto que electrizou a sua formação de verdadeiro Servo de Deus. E de tal modo ele viveu este nobre ideal, que foi consolidando, desde os firmes alicerces, até à estrutura final, sempre direccionada para a Família, para a Sociedade para a Igreja.
Monsenhor Alves Brás, sempre viu a Família, como a célula mãe de toda a comunidade humana, toda virada para o futuro, alça prema real da qual dependem todas as formas de sociedade. Todavia, para tanto, as famílias deveriam assentar os seus alicerces numa estrutura cristã, travejada na Santa Madre Igreja de Deus. Daí o seu labor insano em criar, estimular e estruturar, iniciativas e movimentos pastorais que servissem de suporte e esteio às Famílias Cristãs.
Muito poucos humanistas terá havido que tanto e tão bem se tenham preocupado com a importância da Família Cristã, como Mons. Alves Brás. Neste capítulo, Monsenhor Alves Brás foi para além, muito para alem, do dever que lhe impunha o seu múnus sacerdotal. Foi um verdadeiro Santo, um devotado Profeta e um empenhado Apóstolo, sempre ao serviço da comunidade e do próximo. Alimentava-se com as sinergias reflexivas que promanam dos Evangelhos, as quais preenchiam a sua devotada existência de fervoroso levita e que, por sua vez, se reflectiam, de maneira irradiante, em contraste com as duras realidades da época em que viveu, desde o dia 19 de Julho de 1925, altura em que foi ordenado sacerdote, até 13 de Março de 1966, dia em que entregou, plenamente, a sua alma ao Criador. Durante este percurso de 41 anos de fecundo e frutuoso apostolado, fundou, em 25 de Abril de 1931, a caridosa quão prestimosa “ Obra de Santa Zita”. Logo a seguir, em 4 de Junho de 1933, cria o Instituto Secular das Cooperadoras da Família. Em Março de 1934, funda o Jornal "Voz das Criadas”, hoje de “ Bem-Fazer”. Em Janeiro de 1960, funda em boa hora, o "JORNAL DA FAMÍLIA". E, em 16 de Junho de 1962, ano em que é agraciado com o título de Prelado Doméstico, que lhe é concedido pelo Papa João XXIII, de saudosa memória, funda o carismático Movimento por um Lar Cristão. Se outra coisa não houvesse e há, por aqui se via o seu incontido desejo de erguer barreiras que impedissem tudo quanto proliferasse em detrimento da Família ou fosse ameaça real, contra a unidade e estabilidade social da Família. O amor, que acrisoladamente dedicava à Família, foi sempre o farol altaneiro que o iluminava e dominava o seu fecundo apostolado de sacerdote. Se ele fosse vivo, nos tempos que correm, como ficaria chocado, aturdido, com tanta leviandade que por aí campeia, com tanto divórcio, com esta abominável e assustado liberalização do aborto. Como sofreria com tantas Famílias desmanteladas, com tanta crianças a viverem em lares monoparentais.
Como se angustiaria com tanta imoralidade, a minar a nossa sociedade. Levado pelo seu zelo apostólico, Monsenhor Alves Brás sempre viu na Família uma verdadeira escola de virtudes, um espaço privilegiado de solidariedade social, onde se respirava o espírito evangélico. Nos tempos que correm, as Famílias podem ser mais cultas, mais instruídas, mas também são mais egocêntricas, mais materialistas, mais hedonistas, mais insensíveis aos valores cristãos e à ética que promana dos evangelhos. Daí a sua vulnerabilidade, o desrespeito dos membros do casal, de um pelo outro, da sistemática desobediência dos filhos, dos desvarios sociais, tão difíceis de controlar. Contra tudo isto e alertando para todo este estado de coisas, que Mons. Alves Brás previu viesse a acontecer, está o testemunho de vida deste sacerdote, perante, perante o qual, no 41º aniversário da sua morte, me curvo reverentemente, como reconhecimento e gratidão, fazendo ardentes preces para que o procuremos imitar, na sua fecunda missão de consagrado levita, ao serviço do próximo e da Família. Que descanse em paz, quem tão abnegadamente lutou para o bem da sociedade o qual bem merece ser em breve elevado aos cânones da santidade e dos altares das nossas Igrejas.


Fabião Baptista

Conto de Páscoa

Quando Pedro acordou notou logo que não estava em casa, onde se deitara na noite anterior. Aquilo parecia uma gruta, uma funda e escura gruta. O primeiro pensamento que lhe veio à cabeça foi: "Afinal Platão tinha razão: sempre estamos numa caverna!" À medida que os seus olhos se habituavam, ia notando que por ali andava muita gente. Depois de interrogar alguns sem obter respostas, uma senhora idosa disse-lhe: "Estás aqui precisamente como no mundo de onde vieste. Um dia aparecestes lá, sem nunca saberes bem a razão! Porque te inquietas?" De uma forma bizarra esta explicação satisfazia-a. E aos outros também.
Toda a gente parecia muito ocupada. Havia que apanhar comida, confeccionar roupas e outros utensílios. Alguns dedicavam-se à recolha de diamantes, que serviam de moeda, outros à produção e manuseamento de cacetes e outras armas.
Pedro achava tudo aquilo surpreendente. Como podiam, sem saber o significado da sua presença ali, acomodar-se e não pensar nas questões decisivas? Talvez fosse isso que ele fizera toda a vida, mas agora, que tomara consciência da sua inconsciência, queria como Platão conhecer a razão da caverna.
De súbito, encontrou a resposta. Ou pelo menos a pista para a resposta. Tudo ali só era possível por causa da luz. Toda a vida da caverna dependia da iluminação mortiça que banhava o local. De onde vinha a luz que os alumiava? Se soubesse a resposta a isso, Pedro sentia que obteria a solução para todos os enigmas. Olhando com atenção notou que era de um corredor, uns três metros acima do chão, que entrava a claridade. Pedro sentiu então que a única coisa que interessava era seguir por ali e encontrar a origem da luz. A luz que dava sentido a tudo o mais. Perto do corredor estava um homem velho, que sorriu quando Pedro lhe explicou o que pretendia. "É curioso que queiras saber de onde vem a luz. Hoje, a maior parte dos que procuram respostas sente-se mais atraída pela escuridão ali do fundo."
"Mas como?", perguntou Pedro. "Que se pode descobrir no escuro? A escuridão não dá respostas." "Talvez", continuou o homem, "mas o mistério da sombra hoje é mais atraente. E tu, que esperas encontrar na fonte da luz?".
Pedro confessou-lhe que era cristão. A sua fé ensinava-lhe o que esperar no fundo do corredor. Ele estava convencido de que, se seguisse por ali, haveria de chegar a um túmulo vazio, com "os panos de linho espalmados no chão, e o lenço, que tivera em volta da cabeça, não no chão juntamente com os panos de linho, mas de outro modo, enrolado noutra posição"(Jo 20, 6-7) A porta desse túmulo daria para o Céu.
"Ah! Bem me parecia que o Céu tinha de entrar", riu o homem. "Ainda hoje a maioria dos que querem seguir pelo corredor acreditam nisso. Mas nenhum volta para confirmar que há um Céu. Eu pensei algum tempo como tu, mas acabei por me convencer de que a luz vem simplesmente da rocha. Tenho a certeza de que a luz da caverna está na própria caverna. Não é preciso procurar forças exteriores. Isso é superstição. Como podes provar que existe o Céu e a sua porta no túmulo vazio?"
Pedro ficou uns momentos pensativo e depois respondeu. "Não posso provar, como tu não podes provar a existência da rocha luminosa de que falas. Ambos vivemos na fé. A fé a que entreguei a minha vida diz-me que existe o Céu e o túmulo que lá conduz.""Sim, todos vivemos na fé", respondeu o outro. "Mas a minha fé não precisa de histórias mirabolantes, de Deus criador e redentor. E se é tudo mentira? Já pensaste nisso? E se fazes a viagem sem encontrar nada?", perguntou o homem.
Pedro, depois de pensar ainda um pouco, respondeu: "Eu sei que é verdade. A certeza que tenho é bem real. Tenho o testemunho de milhões de santos que, entregando-se totalmente à luz do túmulo vazio, não só transformaram o mundo mas, mais importante, viveram vidas felizes e plenas. Essa é a minha certeza, que já começo a sentir na própria vida. Uma certeza muito mais valiosa do que qualquer prova que possas invocar."
"Mas, mesmo que fosse tudo mentira", continuou Pedro, "duas coisas não posso negar. Primeiro, a minha ânsia por essa luz. Toda a minha existência exige que procure a fonte da única coisa que lhe pode dar sentido. Além disso, a segunda verdade inegável é que não posso imaginar outra forma de viver que responda melhor à minha busca de felicidade. Mesmo que não chegue ao Céu, amar a Deus e ao próximo é a melhor forma de viver na Terra." E Pedro trepou para o corredor.
por João César das Neves

7 de abril de 2007

Dia do Silêncio

O Senhor Jesus "repousa" no Sepulcro

A Sua Alma não deixou de vigiar e de continuar operante. Ela desce até onde a esperam todos aqueles que acreditaram em Deus e viveram na esperança da vinda do Redentor. Para todas as gerações da história humana, a Sua Morte é causa de salvação.

Mas repousam os Seus membros mortais e sofredores, como repousa a semente no seio da terra, na expectativa da vinda definitiva e gloriosa que, esta noite, irá surgir.

Pondo de parte toda a actividade (este é o único dia em que não há a assembleia eucarística), a Igreja está de vigia junto do sepulcro do Senhor.

Participando embora do mistério do Seu sofrimento e da Sua mprte, ela vive na esperança. Sabe, com efeito, que Jesus, tão fiel ao Pai até à morte, não pode ficar “abandonado à corrupção”. A Sua Morte será o penhor da nova Criação, que se aproxima.

Sabe também que o “repouso” de Jesus é a imagem do “repouso” de todos aqueles que foram baptizados na Sua Morte e Ressurreição. Depis que Ele morreu e foi sepultado, santificando a morte, ela já não será uma realidade terrível, mas sim “um intervalo, espiritualmente vivo, para o início de uma vida superior”.

Missal Dominical Popular

6 de abril de 2007

Uma Cruz para o nosso Rei

“Crucificaram-n’O, e acima d’Ele havia uma inscrição: Este é o Rei dos Judeus” Mc 15,26

Era uma vez um Rei…

Poderia ser o início de uma linda história. Mas quem conhece esta história sabe que ela tem um desfecho muito triste.

É a história de um Rei sem coroa, sem reino, sem armas e sem soldados, que acabou os Seus dias sobre dois pedaços de madeira, postos em forma de cruz.

Ele tinha dito que nascera para ser Rei. Mas os homens riram-Lhe na cara.

Falava como ninguém sabia falar. Mas dizia coisas que os grandes do tempo acharam revolucionárias.

Dizia: “Quem quiser ser dos meus, tem que tomar uma cruz. Quem quiser mandar, seja como o servo de todos. Quem quiser entrar no meu reino, tem que abandonar tudo. Quem quiser viver para sempre, tem que comer a minha Carne e beber o meu Sangue…”

Isso era de mais. Os homens acharam inconveniente deixar que um rei desse tipo reinasse sobre eles. Ele só podia ser um louco, e por isso puseram-Lhe sobre os ombros um manto vermelho, a bandeira dos loucos.

E depois, um Rei sem armas e sem soldados, nunca se viu. Como defenderia Ele os confins da pátria e o orgulho nacional?

Os homens só reconhecem o direito do mais forte. Portanto, se o rei tiver muitas armas e muitos guerreiros, viva o Rei! Senão, que se acomode em cima de uma cruz e não aborreça mais ninguém.

A história não podia terminar assim. Os homens crucificaram o seu Rei, mas Ele não está morto.

E não é verdade que Ele não tem armas. Tem uma só arma, mas é a mais poderosa de todas, mais perigosa que a bomba atómica. É a arma do amor. Aliás, foi por esta arma que Ele conseguiu derrotar milhões de corações.

Então, Cristo é Rei, não pelo poderio das armas, mas pelo poderio do amor. Ele não domina, não esmaga, não açoita, não obriga. Ele só sabe amar e usar apenas a violência do amor.

Foi necessário que Cristo sofresse e morresse, para que as ovelhas fossem salvas e não sofressem mais.

Agora compreendemos, finalmente, o porquê da morte do nosso Rei. Se alguém tinha de sofrer, ser açoitado e crucificado, Ele mesmo se submeteu a isso. Mas às Suas ovelhas, ninguém tem mais o direito de esmagá-las, violentá-las e crucificá-las.

Porque ainda existem no mundo tantas lágrimas, tantas injustiças e tantas crucificações? Não basta ter morrido um Deus por todos?

É possível que o destino do nosso Rei seja o de ser crucificado, nas pessoas dos Seus irmãos, até ao fim dos tempos.

Mas, pelo menos, que não sejamos nós – eu e tu – esses crucificadores impenitentes.


Pe. Virgílio in "O meu Cristo de cada dia"

Twitter Delicious Facebook Digg Stumbleupon Favorites More