Diário da Assembleia Geral do ISCF

“Tudo o que se fizer a bem da família, por pequeno que seja é grande”. (Mons. Brás)

A Família no centro das atenções

Encontra aqui os vários artigos do Dr. Juan Ambrósio sobre a Família...

Encontro Mundial das Famílias 2015

O Vaticano apresentou dia 24 de março em conferência de imprensa o 7.º Encontro Mundial da Família, que vai decorrer de 22 a 27 de setembro de 2015 na cidade norte-americana de Filadélfia.

A saúde mental dos portugueses

Alguns dedicam-se obsessivamente aos números e às estatísticas esquecendo que a sociedade é feita de pessoas...

O trabalho, dom e direito

A sociedade portuguesa e internacional, vive uma situação de crise generalizada e de aumento das desigualdades sociais...

Longe vão os tempos

Longe vão os tempos dos preconceitos culturais em que se aceitava que era a mãe que tinha de cuidar dos filhos...

Dar esperança em tempo de crise

Vivemos tempos difíceis. A família, como célula base da sociedade, é imediatamente afetada por esta crise generalizada e que promete perdurar. Neste contexto, exige-se um novo paradigma, uma nova forma de estar e de nos relacionarmos.

20 de abril de 2007

Matrimónio. Uma opção definitiva?!

2. A fidelidade, uma opção que se aprende

Estranho título este. A fidelidade é uma opção que se aprende? Mas então ela não é uma realidade do foro dos sentimentos, uma realidade inata, algo que certamente podemos aperfeiçoar e amadurecer à medida que vamos vivendo, mas que já faz parte de nós? Estas breves interrogações levantam muitas questões. Sem a pretensão de esgotar a reflexão acerca delas, proponho, no entanto, que as olhemos.

Comecemos pela primeira, a fidelidade como sentimento. Não duvido que a fidelidade possa também ser reflectida no contexto dos sentimentos, contudo estou sinceramente convencido de que essa caracterização não esgota aquilo que a ela é. De facto, não penso que a fidelidade se possa reduzir a um sentimento. Talvez até seja essa redução um dos principais problemas dos nossos dias. Quando esta dimensão tão importante do matrimónio (e também de tantas outras dimensões do viver humano) se sustenta apenas e só nos sentimentos então ela corre o sério risco da desagregação. Os sentimentos, como a experiência do viver nos ensina, são muito flutuantes ao longo do tempo, vão e vêm, mudam. É verdade que sempre sinto qualquer coisa e, nesse sentido eles são permanentes, mas é igualmente verdade que não sinto sempre o mesmo e, nesse sentido, eles são passageiros. A fidelidade não pode pois fundamentar-se somente neste âmbito da vida humana. Mas mesmo no âmbito dos sentimentos a aprendizagem é uma dimensão fundamental. Julgo que todos estaremos de acordo quanto a necessidade que todo o ser humano tem de aprender a lidar com os sentimentos. Hoje fala-se muito na iliteracia dando como exemplo tantas pessoas que sabem ler, mas não entendem verdadeiramente aquilo que lêem. Pois bem, ao nível dos sentidos e sentimentos existe também uma enorme iliteracia. Todos sentimos e temos sentimentos, mas não são poucos aqueles que não entendem verdadeiramente aquilo que sentem nem sabem lidar com os sentimentos. A aprendizagem, mesmo que fosse só a este nível, revela-se então fundamental. E não será a fidelidade uma característica inerente ao ser humano, uma capacidade com a qual todos nós nascemos, não fazendo pois muito sentido falar numa aprendizagem a este nível? Não duvido que a fidelidade entendida de uma certa maneira é uma característica do viver humano. Na verdade, existe em todos nós um movimento natural e inato que nos mantém fiéis à vida. Por isso atentar contra ela é algo que não consideramos natural e que, em última instância, precisa sempre de ser justificado, mesmos que às vezes as justificações sejam muito fracas e nos pareçam de todo insustentáveis. Mesmo a este nível tão elementar, penso que estaremos também de acordo, continua a ter todo o sentido falar em aprendizagem, de modo a que algo que é muito do foro do instintivo possa ser humanizado e assumido como tal. A fidelidade a que aqui nos referimos situa-se, no entanto a uma nível muito mais amplo, muito mais profundo. Não é simplesmente um sentimento ou uma dimensão inata, é antes de mais, e principalmente, uma opção da vontade, um dinamismo de fundo com o qual comprometo a minha existência. Isso é para mim cada vez mais evidente quando se reflecte esta realidade no âmbito do matrimónio. A este nível estou claramente a falar de uma opção de vida que deve ser aprendida e aprofundada. Muito para além de ser um sentimento a fidelidade é o resultado de uma opção e de uma vontade. No caminho de encontro e aproximação entre duas pessoas lentamente se vai consolidando uma relação que vai evoluindo de uma coisa que se tem para uma coisa que se é e que faz parte daqueles que a vivem. Uma relação deste nível - estamos já claramente no domínio do amor capaz de sustentar uma vida a dois - não acontece porque acontece, nem permanece porque sim. Ela vai sendo construída porque as pessoas nela envolvidas a isso se dispõe e nela investem. É fruto do querer, mesmo que no início tenha começado com um encontro fortuito, não preparado, não querido. A sua permanência não é igualmente o resultado do evoluir normal e natural da relação. Também aqui é preciso apostar, investir. A fidelidade no amor humano não é simplesmente uma coisa que acontece naturalmente, ela exige e implica sempre a vontade e o querer. É verdade que o amor traz consigo naturalmente um movimento de aproximação e de fidelidade, mas a fidelidade de que estamos a falar vai muito mais longe, pertencendo ao campo da opção, pelo que julgo fazer todo o sentido falar em aprendizagem. Dar mais atenção a esta realidade talvez seja um dos caminhos que temos de trilhar quando alguém se prepara para o matrimónio, de maneira a tornar esse passo verdadeiramente consistente. E o mesmo se pode e deve dizer, ainda com mais urgência, para aqueles que já são casados.

por Juan Francisco Ambrósio

Confederação Internacional de Movimentos de Famílias

X Assembleia Mundial da CIMFC

Fátima será mais uma vez palco de um acontecimento de âmbito Mundial.

A Confederação Internacional de Movimentos e Famílias Cristãs (MFC), decidiu, com o apoio do Movimento Por um Lar Cristão (MLC), membro da mesma Confederação e a colaboração do Instituto Secular das Cooperadoras da Família realizar em Fátima de 25 a 29 de Julho a X Assembleia Mundial da (CIMFC), reflectindo o tema: "O legado de Fátima à Família: Espiritualidade e sacrifício".

Fundada em Caracas, Venezuela em 1966, tem como finalidade ajudar os seus membros a viver a sua vocação humana e cristã e a testemunhar os valores essenciais da família, baseados na fé segundo o Evangelho e em sintonia com a doutrina do Magistério.

Nas suas Constituições, a Confederação, contempla três tipos de membros: Os membros de pleno direito; os membros associados e os membros de apoio.

Os Membros de Pleno Direito são os Movimentos Familiares Cristãos (MFC).

Os Membros Associados são centros ou organizações laicais que vivem os ideais cristãos da CIMFC e estão empenhados em trabalhar pela família.

Os Membros de Apoio são organizações que perfilham os ideais cristãos da CIMFC e que se empenham no estudo, na investigação e promoção da família.

A CIMFC tem organizações filiadas em vários países e nos cinco continentes: Norte-americano - 4.000; Europa 3.990; América Latina - 80.000; África - 475; Ásia - 4.000.

O Movimento Por Um Lar Cristão e o Instituto Secular das Cooperadoras da Família (ISCF) estão intensamente empenhados na preparação, divulgação e realização desta Assembleia.

A Assembleia terminará com a peregrinação de 28 e 29 de Julho, presidida por D. Jorge Ortiga, Arcebispo de Braga e Presidente da Conferência Episcopal Portuguesa.

Seria bom que as Famílias portuguesas se associassem a este acontecimento.

Para posteriores contactos: Email: iscf@netcabo.pt - tel. 213513060.

19 de abril de 2007


Actuação do grupo de danças populares da Obra de Santa Zita - Lisboa

Actuação das crianças da Casa de Santa Zita da Covilhã...com a construção da casa...


Actuação das crianças da Casa de Santa Zita de Portalegre...

Iniciamos a tarde recreativa com o hino de Santa Zita...
Pe. Dr. Geraldes, também ele natural de Casegas, faz-nos um pequeno historial do nosso fundador, e todo o seu caminho na construção da Obra que homenageamos.


De seguida tivemos o almoço, na Casa de Santa Zita, para alguns convidados.





Covilhã celebra Obra de Santa Zita
A festa de aniversário da obra de Santa Zita iniciou-se com uma Eucaristia na manhã de domingo, presidida por D. Manuel Felício, Bispo da Guarda, e prolongou-se durante a tarde, num convívio que encheu o Teatro Cine da Covilhã.
“A Obra de Santa Zita tem sido fundamental no que se refere à inserção social dos mais desfavorecidos, uma vez que nem todas as pessoas podem ter acesso a bens materiais, ou mesmo a valores sociais”. Foram estas as palavras proferidas por D. Manuel Felício nas comemorações dos 75 anos da Obra de Santa Zita, que decorreram um pouco por todo o país, no passado dia 15 de Abril. José Geraldes, Arcipreste da Covilhã, sublinhou que “este é um projecto de grande alcance e relevância, pois a Obra de Santa Zita tem como principal missão educar os jovens e contribuir para a evangelização das famílias”. Crianças das creches de Santa Zita da Covilhã, Lisboa e Portalegre vestiram a pele de artistas, subiram ao palco, e contribuíram para animar as centenas de espectadores que encheram o Teatro – Cine. A Obra de Santa Zita foi fundada por Joaquim Alves Brás na cidade da Guarda, em 1931, alcançando posteriormente todo o país. Na Covilhã, a Obra de Santa Zita nasceu a 8 de Setembro de 1932 e tem contribuído decisivamente para o surgimento de actividades de ocupação de tempos livres para crianças (ATL), ao mesmo tempo que colabora na promoção da solidariedade, associativismo e instrução religiosa. As Casas de Santa Zita surgiram da necessidade de auxiliar as ditas “criadas de servir”, jovens na maior parte das vezes desfavorecidas e que, de certa forma, haviam sofrido algum tipo de violência física e psicológica. Mais tarde o alcance desta obra ganhou maior abrangência, e passou também a servir de apoio a prostitutas e outras mulheres desfavorecidas, contribuindo para a sua inserção e reabilitação social. O projecto levado a cabo por Monsenhor Joaquim Alves Brás está fortemente implantado em Portugal, mas a obra cresceu de forma extraordinária, expandindo-se para cidades como Madrid e Roma. A razão pela qual a obra de Joaquim Alves Brás ficou conhecida como Obra de Santa Zita deve-se ao facto desta ter sido uma “criada de servir” na cidade italiana de Lucca. Nascida em Monte Sagrati, no ano de 1218, Santa Zita começou a trabalhar aos 12 anos para a família Fatinelle, e devido à sua bondade ficou conhecida como Padroeira das empregadas domésticas. Em Portugal existem 19 Casas de Santa Zita, que se dedicam a auxiliar crianças e famílias, desenvolvendo actividades que vão desde o apoio aos jovens, idosos, acolhimento de emigrantes, lar de estudantes e ocupação de tempos livres.
URBI et ORBI - Jornal da UBI (Universidade da Beira Interior)

16 de abril de 2007

A vida humana, afinal, é violável

É oficial: em Portugal a vida humana é violável. Continua em vigor o artigo 24.º n.º 1 da Constituição da República Portuguesa, que afirma taxativamente: "A vida humana é inviolável." Mas, com a promulgação do decreto da Assembleia n.º 112/X de "exclusão da ilicitude nos casos de interrupção voluntária da gravidez", a vida humana passou a ser violável. É apenas durante as primeiras dez semanas de particular fragilidade. Mas é indiscutivelmente vida humana e é inegavelmente violável.


Vale a pena lembrar que, durante a enorme discussão à volta do referendo recente, ninguém respeitável se atreveu a dizer que o zigoto, embrião ou feto não constituíssem vida humana. Alguns fizeram grandes esforços para afirmar não se tratar de uma "pessoa humana". Dado ser um conceito filosófico, é susceptível de enormes discussões. Mas não foi possível recusar o facto cientificamente demonstrado de que se trata de uma vida, nem a evidência de senso comum que é humana. Aquilo que se vai poder violar, em estabelecimento de saúde oficial ou oficialmente reconhecido e com o consentimento da mãe, é indubitavelmente uma vida humana.


Assim o nosso ordenamento jurídico passará a incluir um diploma que diz que a vida humana é violável. Não parece levantar preocupação a flagrante inconsistência lógica entre um decreto da Assembleia da República e a Constituição da República que a mesma jurou cumprir e defender. A não ser que se tome como manifestação dessa preocupação o excessivo aparato democrático de que essa Assembleia se procurou revestir para justificar a inconsistência.


O referido decreto baseia-se num referendo com 59,25% de aprovação (apesar de isso só representar 26% dos eleitores) e uma votação parlamentar largamente maioritária. Ninguém desconfia, pois, dos pergaminhos eleitorais dessa legislação. Parece que, desde que existam maiorias suficientes, passa a ser aceitável proclamar incongruências lógicas. Parece que, se a maioria quiser, pode violar-se a vida humana.


Passado o processo legislativo (a menos de alguns recursos) ficará o juízo da História. E esse pode ser muito severo. A nossa geração, impiedosa com as épocas passadas e as suas violações da vida e dignidade humanas, sabe isso muito bem. A nossa geração, que proclamou direitos, instituiu tribunais, condenou culturas, regimes, povos, conhece bem a dureza desse juízo.


A gravidade de uma atrocidade não depende da legitimidade do documento ou da representatividade do seu apoio. No passado, muitas abominações, da escravatura e guerra ao genocídio, também gozaram de toda a legitimidade institucional, consenso social e adesão entusiástica. Isso não só não desculpou mas até suscitou censura maior. Não é por isso que deixam de ser hoje repudiadas violentamente. Esta nossa lei não conduz a práticas comparáveis às dos nazis, esclavagistas, chauvinistas e afins. Mas com elas tem em comum precisamente este ponto: considerar a vida humana violável. E são repudiadas por nós por causa disso mesmo. Foi essa a razão porque se pôs na Constituição o princípio que agora corrompemos.


Quando a História julgar esta geração pelos seus crimes, lembrará os nomes inscritos no decreto que promoveu esta infâmia. Estarão lá os nomes de quem o elaborou, propôs, aprovou e promulgou. Mas também lá estará a assinatura de quem fez campanha a seu favor, quem votou, aplaudiu e exultou com ele. Aqueles que consideraram este atropelo à vida humana como um direito, os sicofantas que inventaram argumentos, congeminaram embustes e manipularam a verdade para encontrar justificações falaciosas. Os que apenas lavaram as mãos. Todos têm o nome inscrito neste diploma.

Chegámos ao fim de uma das mais longas e controvertidas epopeias parlamentares. A questão real só agora começará. Será preciso adaptar o sistema de saúde e lidar com milhares de dramas pungentes. Mas acabou o entusiasmo, ruído, balbúrdia, argumentação, interesse dos políticos. O que ficou foi apenas um ponto muito simples: a partir de agora em Portugal a vida humana é violável.

por João César das Neves

14 de abril de 2007

Obra de Santa Zita - Covilhã



Dia 15 de Abril - Festa dos 75 anos da Obra de Santa Zita
Covilhã

Programa

10h00
- Eucaristia, na igreja paroquial, presidida pelo Bispo da Guarda - D. Manuel Felício

15h00 - Tarde recreativa no Teatro-Cine da Covilhã

- Participação das crianças do Jardim de Infância da Casa de Santa Zita da Covilhã; crianças do Jardim de Infância da Casa de Santa Zita de Portalegre; Grupo de Danças populares da Obra de Santa Zita (Lisboa)

17h00 - Lanche Convívio (Teatro-Cine)

8 de abril de 2007

Uma vida vocacional, em doação à Família

Há dias, veio ter às minhas mãos, um exemplar de um jornal do mês de Janeiro de 1939, que dava pelo nome “ Voz das Criadas”, jornal este que foi fundado por Monsenhor Alves Brás. Neste número, escrevia Mons. Alves Brás que “a família é a fonte donde provem a sociedade. Se a fonte é pura e cristalina, também a agua será límpida. Porém, se a fonte estiver inquinada, teremos, pela certa, uma sociedade também poluída. Portanto a sociedade será cristã, somente quando as famílias que a formam, viverem cristãmente”.
Com efeito, daquilo que conheço do Mons. Alves Brás, esta foi sempre uma ideia dominante da sua mente de fervoroso humanista, de impoluto Sacerdote, e de virtuoso Santo.
Esta foi sempre a constante preocupação que galvanizou a sua pastoral familiar.
Este foi sempre um projecto que electrizou a sua formação de verdadeiro Servo de Deus. E de tal modo ele viveu este nobre ideal, que foi consolidando, desde os firmes alicerces, até à estrutura final, sempre direccionada para a Família, para a Sociedade para a Igreja.
Monsenhor Alves Brás, sempre viu a Família, como a célula mãe de toda a comunidade humana, toda virada para o futuro, alça prema real da qual dependem todas as formas de sociedade. Todavia, para tanto, as famílias deveriam assentar os seus alicerces numa estrutura cristã, travejada na Santa Madre Igreja de Deus. Daí o seu labor insano em criar, estimular e estruturar, iniciativas e movimentos pastorais que servissem de suporte e esteio às Famílias Cristãs.
Muito poucos humanistas terá havido que tanto e tão bem se tenham preocupado com a importância da Família Cristã, como Mons. Alves Brás. Neste capítulo, Monsenhor Alves Brás foi para além, muito para alem, do dever que lhe impunha o seu múnus sacerdotal. Foi um verdadeiro Santo, um devotado Profeta e um empenhado Apóstolo, sempre ao serviço da comunidade e do próximo. Alimentava-se com as sinergias reflexivas que promanam dos Evangelhos, as quais preenchiam a sua devotada existência de fervoroso levita e que, por sua vez, se reflectiam, de maneira irradiante, em contraste com as duras realidades da época em que viveu, desde o dia 19 de Julho de 1925, altura em que foi ordenado sacerdote, até 13 de Março de 1966, dia em que entregou, plenamente, a sua alma ao Criador. Durante este percurso de 41 anos de fecundo e frutuoso apostolado, fundou, em 25 de Abril de 1931, a caridosa quão prestimosa “ Obra de Santa Zita”. Logo a seguir, em 4 de Junho de 1933, cria o Instituto Secular das Cooperadoras da Família. Em Março de 1934, funda o Jornal "Voz das Criadas”, hoje de “ Bem-Fazer”. Em Janeiro de 1960, funda em boa hora, o "JORNAL DA FAMÍLIA". E, em 16 de Junho de 1962, ano em que é agraciado com o título de Prelado Doméstico, que lhe é concedido pelo Papa João XXIII, de saudosa memória, funda o carismático Movimento por um Lar Cristão. Se outra coisa não houvesse e há, por aqui se via o seu incontido desejo de erguer barreiras que impedissem tudo quanto proliferasse em detrimento da Família ou fosse ameaça real, contra a unidade e estabilidade social da Família. O amor, que acrisoladamente dedicava à Família, foi sempre o farol altaneiro que o iluminava e dominava o seu fecundo apostolado de sacerdote. Se ele fosse vivo, nos tempos que correm, como ficaria chocado, aturdido, com tanta leviandade que por aí campeia, com tanto divórcio, com esta abominável e assustado liberalização do aborto. Como sofreria com tantas Famílias desmanteladas, com tanta crianças a viverem em lares monoparentais.
Como se angustiaria com tanta imoralidade, a minar a nossa sociedade. Levado pelo seu zelo apostólico, Monsenhor Alves Brás sempre viu na Família uma verdadeira escola de virtudes, um espaço privilegiado de solidariedade social, onde se respirava o espírito evangélico. Nos tempos que correm, as Famílias podem ser mais cultas, mais instruídas, mas também são mais egocêntricas, mais materialistas, mais hedonistas, mais insensíveis aos valores cristãos e à ética que promana dos evangelhos. Daí a sua vulnerabilidade, o desrespeito dos membros do casal, de um pelo outro, da sistemática desobediência dos filhos, dos desvarios sociais, tão difíceis de controlar. Contra tudo isto e alertando para todo este estado de coisas, que Mons. Alves Brás previu viesse a acontecer, está o testemunho de vida deste sacerdote, perante, perante o qual, no 41º aniversário da sua morte, me curvo reverentemente, como reconhecimento e gratidão, fazendo ardentes preces para que o procuremos imitar, na sua fecunda missão de consagrado levita, ao serviço do próximo e da Família. Que descanse em paz, quem tão abnegadamente lutou para o bem da sociedade o qual bem merece ser em breve elevado aos cânones da santidade e dos altares das nossas Igrejas.


Fabião Baptista

Conto de Páscoa

Quando Pedro acordou notou logo que não estava em casa, onde se deitara na noite anterior. Aquilo parecia uma gruta, uma funda e escura gruta. O primeiro pensamento que lhe veio à cabeça foi: "Afinal Platão tinha razão: sempre estamos numa caverna!" À medida que os seus olhos se habituavam, ia notando que por ali andava muita gente. Depois de interrogar alguns sem obter respostas, uma senhora idosa disse-lhe: "Estás aqui precisamente como no mundo de onde vieste. Um dia aparecestes lá, sem nunca saberes bem a razão! Porque te inquietas?" De uma forma bizarra esta explicação satisfazia-a. E aos outros também.
Toda a gente parecia muito ocupada. Havia que apanhar comida, confeccionar roupas e outros utensílios. Alguns dedicavam-se à recolha de diamantes, que serviam de moeda, outros à produção e manuseamento de cacetes e outras armas.
Pedro achava tudo aquilo surpreendente. Como podiam, sem saber o significado da sua presença ali, acomodar-se e não pensar nas questões decisivas? Talvez fosse isso que ele fizera toda a vida, mas agora, que tomara consciência da sua inconsciência, queria como Platão conhecer a razão da caverna.
De súbito, encontrou a resposta. Ou pelo menos a pista para a resposta. Tudo ali só era possível por causa da luz. Toda a vida da caverna dependia da iluminação mortiça que banhava o local. De onde vinha a luz que os alumiava? Se soubesse a resposta a isso, Pedro sentia que obteria a solução para todos os enigmas. Olhando com atenção notou que era de um corredor, uns três metros acima do chão, que entrava a claridade. Pedro sentiu então que a única coisa que interessava era seguir por ali e encontrar a origem da luz. A luz que dava sentido a tudo o mais. Perto do corredor estava um homem velho, que sorriu quando Pedro lhe explicou o que pretendia. "É curioso que queiras saber de onde vem a luz. Hoje, a maior parte dos que procuram respostas sente-se mais atraída pela escuridão ali do fundo."
"Mas como?", perguntou Pedro. "Que se pode descobrir no escuro? A escuridão não dá respostas." "Talvez", continuou o homem, "mas o mistério da sombra hoje é mais atraente. E tu, que esperas encontrar na fonte da luz?".
Pedro confessou-lhe que era cristão. A sua fé ensinava-lhe o que esperar no fundo do corredor. Ele estava convencido de que, se seguisse por ali, haveria de chegar a um túmulo vazio, com "os panos de linho espalmados no chão, e o lenço, que tivera em volta da cabeça, não no chão juntamente com os panos de linho, mas de outro modo, enrolado noutra posição"(Jo 20, 6-7) A porta desse túmulo daria para o Céu.
"Ah! Bem me parecia que o Céu tinha de entrar", riu o homem. "Ainda hoje a maioria dos que querem seguir pelo corredor acreditam nisso. Mas nenhum volta para confirmar que há um Céu. Eu pensei algum tempo como tu, mas acabei por me convencer de que a luz vem simplesmente da rocha. Tenho a certeza de que a luz da caverna está na própria caverna. Não é preciso procurar forças exteriores. Isso é superstição. Como podes provar que existe o Céu e a sua porta no túmulo vazio?"
Pedro ficou uns momentos pensativo e depois respondeu. "Não posso provar, como tu não podes provar a existência da rocha luminosa de que falas. Ambos vivemos na fé. A fé a que entreguei a minha vida diz-me que existe o Céu e o túmulo que lá conduz.""Sim, todos vivemos na fé", respondeu o outro. "Mas a minha fé não precisa de histórias mirabolantes, de Deus criador e redentor. E se é tudo mentira? Já pensaste nisso? E se fazes a viagem sem encontrar nada?", perguntou o homem.
Pedro, depois de pensar ainda um pouco, respondeu: "Eu sei que é verdade. A certeza que tenho é bem real. Tenho o testemunho de milhões de santos que, entregando-se totalmente à luz do túmulo vazio, não só transformaram o mundo mas, mais importante, viveram vidas felizes e plenas. Essa é a minha certeza, que já começo a sentir na própria vida. Uma certeza muito mais valiosa do que qualquer prova que possas invocar."
"Mas, mesmo que fosse tudo mentira", continuou Pedro, "duas coisas não posso negar. Primeiro, a minha ânsia por essa luz. Toda a minha existência exige que procure a fonte da única coisa que lhe pode dar sentido. Além disso, a segunda verdade inegável é que não posso imaginar outra forma de viver que responda melhor à minha busca de felicidade. Mesmo que não chegue ao Céu, amar a Deus e ao próximo é a melhor forma de viver na Terra." E Pedro trepou para o corredor.
por João César das Neves

7 de abril de 2007

Dia do Silêncio

O Senhor Jesus "repousa" no Sepulcro

A Sua Alma não deixou de vigiar e de continuar operante. Ela desce até onde a esperam todos aqueles que acreditaram em Deus e viveram na esperança da vinda do Redentor. Para todas as gerações da história humana, a Sua Morte é causa de salvação.

Mas repousam os Seus membros mortais e sofredores, como repousa a semente no seio da terra, na expectativa da vinda definitiva e gloriosa que, esta noite, irá surgir.

Pondo de parte toda a actividade (este é o único dia em que não há a assembleia eucarística), a Igreja está de vigia junto do sepulcro do Senhor.

Participando embora do mistério do Seu sofrimento e da Sua mprte, ela vive na esperança. Sabe, com efeito, que Jesus, tão fiel ao Pai até à morte, não pode ficar “abandonado à corrupção”. A Sua Morte será o penhor da nova Criação, que se aproxima.

Sabe também que o “repouso” de Jesus é a imagem do “repouso” de todos aqueles que foram baptizados na Sua Morte e Ressurreição. Depis que Ele morreu e foi sepultado, santificando a morte, ela já não será uma realidade terrível, mas sim “um intervalo, espiritualmente vivo, para o início de uma vida superior”.

Missal Dominical Popular

6 de abril de 2007

Uma Cruz para o nosso Rei

“Crucificaram-n’O, e acima d’Ele havia uma inscrição: Este é o Rei dos Judeus” Mc 15,26

Era uma vez um Rei…

Poderia ser o início de uma linda história. Mas quem conhece esta história sabe que ela tem um desfecho muito triste.

É a história de um Rei sem coroa, sem reino, sem armas e sem soldados, que acabou os Seus dias sobre dois pedaços de madeira, postos em forma de cruz.

Ele tinha dito que nascera para ser Rei. Mas os homens riram-Lhe na cara.

Falava como ninguém sabia falar. Mas dizia coisas que os grandes do tempo acharam revolucionárias.

Dizia: “Quem quiser ser dos meus, tem que tomar uma cruz. Quem quiser mandar, seja como o servo de todos. Quem quiser entrar no meu reino, tem que abandonar tudo. Quem quiser viver para sempre, tem que comer a minha Carne e beber o meu Sangue…”

Isso era de mais. Os homens acharam inconveniente deixar que um rei desse tipo reinasse sobre eles. Ele só podia ser um louco, e por isso puseram-Lhe sobre os ombros um manto vermelho, a bandeira dos loucos.

E depois, um Rei sem armas e sem soldados, nunca se viu. Como defenderia Ele os confins da pátria e o orgulho nacional?

Os homens só reconhecem o direito do mais forte. Portanto, se o rei tiver muitas armas e muitos guerreiros, viva o Rei! Senão, que se acomode em cima de uma cruz e não aborreça mais ninguém.

A história não podia terminar assim. Os homens crucificaram o seu Rei, mas Ele não está morto.

E não é verdade que Ele não tem armas. Tem uma só arma, mas é a mais poderosa de todas, mais perigosa que a bomba atómica. É a arma do amor. Aliás, foi por esta arma que Ele conseguiu derrotar milhões de corações.

Então, Cristo é Rei, não pelo poderio das armas, mas pelo poderio do amor. Ele não domina, não esmaga, não açoita, não obriga. Ele só sabe amar e usar apenas a violência do amor.

Foi necessário que Cristo sofresse e morresse, para que as ovelhas fossem salvas e não sofressem mais.

Agora compreendemos, finalmente, o porquê da morte do nosso Rei. Se alguém tinha de sofrer, ser açoitado e crucificado, Ele mesmo se submeteu a isso. Mas às Suas ovelhas, ninguém tem mais o direito de esmagá-las, violentá-las e crucificá-las.

Porque ainda existem no mundo tantas lágrimas, tantas injustiças e tantas crucificações? Não basta ter morrido um Deus por todos?

É possível que o destino do nosso Rei seja o de ser crucificado, nas pessoas dos Seus irmãos, até ao fim dos tempos.

Mas, pelo menos, que não sejamos nós – eu e tu – esses crucificadores impenitentes.


Pe. Virgílio in "O meu Cristo de cada dia"

5 de abril de 2007

Chamados a servir

No 13º capítulo do seu Evangelho, João fala sobre Jesus fraco, pequeno, que terminará sendo condenado e morto na cruz como um blasfemador, um fora da lei ou um criminoso. Até então, Jesus parecia tão forte, havia feito tantos milagres, curado doentes, ordenado que o mar e o vento se acalmassem e falado com autoridade para os escribas e os fariseus.
Ele parecia ser um grande profeta, quem sabe até o Messias. O Deus do poder estava com Ele. Mais e mais pessoas estavam começando a segui-lo, esperavam que Ele os libertasse dos romanos, resgatando assim, a dignidade do povo escolhido. O tempo da páscoa estava próximo. A multidão e os amigos dele pensavam: "Será que Ele vai se revelar na páscoa? Então, todos acreditarão nele." Todos esperavam que algo extraordinário acontecesse. No entanto, em vez de fazer algo fantástico, Jesus tomou o caminho oposto, o da fraqueza, o da humilhação, deixando que os outros o vencessem. Este processo de humilhação teve início quando o Verbo se fez carne no seio da Virgem Maria, e continuou visível para os discípulos no lava-pés. Terminará com a agonia, paixão, crucifixão e morte.
O começo deste capítulo é muito solene: "Antes do dia da festa da Páscoa, sabendo Jesus que tinha chegado a hora de passar deste mundo ao Pai, tendo amado aos seus, que estavam no mundo, amou-os até ao extremo. Começada a ceia, tendo já o demónio posto no coração de Judas, filho de Simão Iscariotes, a determinação de O entregar, sabendo que o Pai tinha posto nas suas mãos todas as coisas, que saíra de Deus e ia para Deus, levantou-se da ceia, depôs o manto, e apegando uma toalha cingiu-se com ela." (Jo 13,1-4).
Estas palavras são muito fortes: "Jesus, sabendo que o Pai tinha posto em suas mãos todas as coisas, que saíra de Deus e ia para Deus, levantou-se da ceia, depôs o manto..." Então, Ele se ajoelhou diante de cada um de seus discípulos e começou a lavar-lhes os pés, numa atitude de humilhação, fraqueza, súplica e submissão. De joelhos ninguém pode mover-se com facilidade nem defender-se.
João Baptista havia dito que ele não era digno nem de desatar as sandálias de Jesus (Mc 1,7). No entanto, Jesus ajoelha-se frente a cada um de seus discípulos.
Os primeiros cristãos devem ter cantado o mistério de Jesus, que se desfez da sua glória e se fez fraco, como encontramos nas palavras de S. Paulo aos Filipenses: "O qual, existindo na forma (ou natureza) de Deus, não julgou que fosse uma rapina o seu ser igual a Deus, mas aniquilou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, tornando-se semelhante aos homens e sendo reconhecido por condição como homem. Humilhou-se a si mesmo, feito obediente até a morte, e morte de cruz!" (Fl 2,6-8)
Nós estamos frente a um Deus que se torna pequeno e pobre, que desce na escala da promoção humana, que escolhe o último, que assume o lugar de servo ou escravo. De acordo com a tradição judia, o escravo lavava os pés do senhor, e algumas vezes as esposas lavavam os pés do marido ou os filhos lavavam os do pai.

Fonte: Comunidade Shalom

1 de abril de 2007

Domingo de Ramos

O Domingo de Ramos abre por excelência a Semana Santa. Relembramos e celebramos a entrada triunfal de Jesus Cristo em Jerusalém, poucos dias antes de sofrer a Paixão, Morte e Ressurreição. Este domingo é chamado assim porque o povo cortou ramos de árvores, ramagens e folhas de palmeiras para cobrir o chão onde Jesus passava montado num jumento. Com folhas de palmeiras nas mãos, o povo o aclamava “Rei dos Judeus”, “Hossana ao Filho de David”, “Salvé o Messias”... E assim, Jesus entra triunfante em Jerusalém despertando nos sacerdotes e mestres da lei muita inveja, desconfiança, medo de perder o poder. Começa então uma trama para condenar Jesus à morte e morte de cruz.

O povo o aclama cheio de alegria e esperança, pois Jesus como o profeta de Nazaré da Galiléia, o Messias, o Libertador, certamente para eles, iria libertá-los da escravidão política e económica imposta cruelmente pelos romanos naquela época e, religiosa que massacrava a todos com rigores excessivos e absurdos.

Mas, essa mesma multidão, poucos dias depois, manipulada pelas autoridades religiosas, o acusaria de impostor, de blasfemador, de falso messias. E incitada pelos sacerdotes e mestres da lei, exigiria de Pôncio Pilatos, governador romano da província, que o condenasse à morte.

Por isso, na celebração do Domingo de Ramos, proclamamos dois evangelhos: o primeiro, que narra a entrada festiva de Jesus em Jerusalém fortemente aclamado pelo povo; depois o Evangelho da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo, onde são relatados os acontecimentos do julgamento de Cristo. Julgamento injusto com testemunhas compradas e com o firme propósito de condená-lo à morte. Antes porém, da sua condenação, Jesus passa por humilhações, cusparadas, bofetadas, é chicoteado impiedosamente por chicotes romanos que produziam no supliciado, profundos cortes com grande perda de sangue. Só depois de tudo isso que, com palavras é impossível descrever o que Jesus passou por amor a nós, é que Ele foi condenado à morte, pregado numa cruz.

O Domingo de Ramos pode ser chamado também de “Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor”, nele, a liturgia nos relembra e nos convida a celebrar esses acontecimentos da vida de Jesus que se entregou ao Pai como Vítima Perfeita e sem mancha para nos salvar da escravidão do pecado e da morte. Crer nos acontecimentos da Paixão, Morte e Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo, é crer no mistério central da nossa fé, é crer na vida que vence a morte, é vencer o mal, é também ressuscitar com Cristo e, com Ele Vivo e Vitorioso viver eternamente. É proclamar, como nos diz São Paulo: ‘“Jesus Cristo é o Senhor”, para a glória de Deus Pai’ (Fl 2, 11).

Luiz Alberto Massarote

29 de março de 2007

Matrimónio. Uma opção definitiva?!

1. Introdução. A fidelidade, uma temática fora de moda?

Antes de iniciar a temática para este conjunto de artigos, interrogámo nos (os responsáveis pelo nosso Jornal e eu) qual poderia ser a melhor opção. Vários foram os temas que surgiram como possibilidade, mas um dos que me foi sugerido destacou-se por me parecer muito oportuno e importante. A proposta que me era feita apareceu na sua simplicidade e força: A fidelidade conjugal. É espantoso como uma afirmação, que se pode dizer com tão poucas palavras, pode ser tão complicada de pensar, sobretudo num tempo em que parece estar completamente fora de moda.

Na verdade, não é preciso estar muito atentos para vermos como em todas as revistas ‘cor-de-rosa’ (nunca percebi bem porque lhe dão esta cor, pois a vida que muitas vezes lá vem expressa pouco ou nada tem de cor-de-rosa) o tema da fidelidade sai quase sempre mal tratado. O que aparece são, na maior parte das vezes, situações que têm a ver com a quebra da relação. Fala-se como determinado casal está muito unido e vive uma fase edílica, mas dá-se a entender, implícita ou mesmo explicitamente, que um, ou ambos, já tiveram relações anteriores que, por muitos motivos, acabaram. A dúvida sobre a força e a consistência dos passos tomados fica quase sempre no ar, e os leitores ficam a aguardar quantos números depois encontrarão a notícia da traição, da infidelidade, da separação. E esta realidade não aparece só nas revistas. Frequentemente as notícias nos alertam para o crescente, muito crescente, aumento do número de divórcios, lembrando nos mesmo que esse número não espelha a totalidade da realidade, pois muitos dos que se separam não entram sequer nessa contabilidade, por não terem uma qualquer ligação ‘assumida no papel’. Também, com muita frequência, sobretudo aqueles de nós que têm filhos em idade escolar, se deparam com esta realidade. Parece que não há turma nenhuma onde não existam meninos cujos pais estão separados. E podíamos continuar a fazer alusão a muitos e variados exemplos nesta linha. De facto, de tal maneira ela nos aparece à frente que podemos facilmente ser levados a pensar que a maioria das pessoas já viveu essa experiência da separação e da infidelidade. Pois bem, essa não é a realidade. Apesar do número de separações aumentar, não é a maioria das pessoas que vivem essa experiência, e tenho muitas dúvidas se alguma vez o será. A maioria das pessoas continua a viver a sua relação, com altos e baixos certamente, mas continua a viver essa experiência e continua a apostar nela. Que a fidelidade não seja um tema da moda e se pense mesmo que aqueles que a vivem são certamente ‘botas-de-elástico’, não nos deve impedir de a saber reconhecer em tantas e tantas situações, bem como de a reflectir, valorizando-a. Não sou ingénuo, nem cego, ao ponto de afirmar que a opção da fidelidade uma vez feita não tem problemas, não levanta dificuldades e é imune a todas as intempéries que podem surgir ao longo da vida. Sei bem que a fidelidade não é uma realidade automática e mágica. Sei que ela implica a vontade, o querer e a própria fé, e que, muitas vezes, no mundo em que vivemos, com muitas solicitações noutro sentido, ela exige muita coragem. Mas também sei que ela é um alicerce capaz de dar sentido à vida e motivo de profunda realização. Reflectir esta realidade, sobre diversas perspectivas e tentando perceber as suas implicações, é o grande objectivo desta série de artigos que agora iniciamos. Na hora de escolher um título, e depois de várias dúvidas, opto por formulá-lo com uma interrogação e uma exclamação. Interrogação, porque reconheço a dificuldade dos desafios e também a legitimidade de algumas dúvidas que se levantam neste âmbito (será mesmo possível ao nível da relação de amor fazer uma opção definitiva?) Exclamação, porque o testemunho de muitos vai nessa linha, porque a minha experiência também assim mo indica, porque a minha fé me diz que nesse caminho não estou sozinho.
Juan Ambrósio - colaborador do Jornal da Família

26 de março de 2007


Populorum progressio à Deus caritas est
Jean-Yves Calvez, SJ Professor de Doutrina Social da Igreja

com a presença do Cardeal-Patriarca de Lisboa
nos 40 anos da encíclica de Paulo VI
Quarta-feira - 28Março - 18h00 Auditório Cardeal Medeiros Universidade Católica Portuguesa
Organização:Vigararias de Lisboa e Faculdade de Teologia

Valores da sociedade devem ser construidos em família

Bispo de Portalegre-Castelo Branco indica que «cada família cristã poderá ser verdadeiro fermento de uma nova sociedade»
Olhando para a História, facilmente se percebe a constante mudança no modo de vida, no estilo de relação interpessoal, nos conhecimentos, nos interesses, nas profissões, nos tempos de trabalho, e de lazer e até no sistema de valores. Estas mudanças culturais não são sinal do tempo presente, “sempre existiram”. Mas são as rápidas e profundas mudanças que produzem uma “autêntica mutação cultural”.
Numa reflexão feita por D. José Alves na homilia do encerramento da Jornada Diocesana da Pastoral Familiar sobre a «A transmissão da fé na família», no passado dia 25, o Bispo de Portalegre-Castelo Branco apontou as famílias e as comunidades cristãos como as duas instituições onde as transformações se fazem sentir com mais acuidade, gerando graves problemas de adaptação aos novos modos de pensar e viver.
Entre saudosistas “que não vêem o que há de positivo nas mudanças” e “as pessoas que rejeitam liminarmente o passado”, o Bispo de Portalegre-Castelo Branco indica que “há uma parcela da sociedade, constituída pelos que, sem abdicarem do passado, acreditam na força transformadora do fermento evangélico e lutam por uma sociedade nova, baseada nos valores perenes do humanismo cristão”.
Jesus Cristo é o portador da mensagem que “encontramos no memorial do passado, a resposta para o presente e o projecto para o futuro”.
É no espaço familiar que esta reflexão ganha impulso. “A família está atravessar uma das maiores crises da história e precisa de ser ajudada”, aponta D. José Alves, que explica que o maior problema não são as fragilidades ocasionais. “A família está doente porque se deturpou a noção do pecado, do perdão, da responsabilidade e do amor”.
“Quando na família não se pratica o perdão, se assumem as responsabilidades e se vive o amor verdadeiro, nenhuma outra instituição a pode substituir seja na promoção da felicidade pessoal seja na educação dos filhos”, pois à família, enquanto igreja doméstica, “compete anunciar, celebrar e servir o Evangelho da Vida pela educação dos filhos, da qual são os primeiros e principais responsáveis”, aponta o Bispo de Portalegre-Castelo Branco.
“Se os casais cristãos tomarem consciência de que a transmissão da fé e o acompanhamento da vida cristã dos filhos faz parte integrante do ministério que lhes é confiado por Deus, através da Igreja, ao celebrarem o Matrimónio, então, cada família cristã poderá ser verdadeiro fermento de uma nova sociedade, respeitadora da vida e da dignidade da pessoa humana”, finaliza.
Agência Ecclesia

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