Diário da Assembleia Geral do ISCF

“Tudo o que se fizer a bem da família, por pequeno que seja é grande”. (Mons. Brás)

A Família no centro das atenções

Encontra aqui os vários artigos do Dr. Juan Ambrósio sobre a Família...

Encontro Mundial das Famílias 2015

O Vaticano apresentou dia 24 de março em conferência de imprensa o 7.º Encontro Mundial da Família, que vai decorrer de 22 a 27 de setembro de 2015 na cidade norte-americana de Filadélfia.

A saúde mental dos portugueses

Alguns dedicam-se obsessivamente aos números e às estatísticas esquecendo que a sociedade é feita de pessoas...

O trabalho, dom e direito

A sociedade portuguesa e internacional, vive uma situação de crise generalizada e de aumento das desigualdades sociais...

Longe vão os tempos

Longe vão os tempos dos preconceitos culturais em que se aceitava que era a mãe que tinha de cuidar dos filhos...

Dar esperança em tempo de crise

Vivemos tempos difíceis. A família, como célula base da sociedade, é imediatamente afetada por esta crise generalizada e que promete perdurar. Neste contexto, exige-se um novo paradigma, uma nova forma de estar e de nos relacionarmos.

30 de outubro de 2006

Um livro da Família para a Família


Por misterioso desígnio de Deus, na Família de Nazaré, viveu o Filho de Deus escondido por muitos anos: é, pois, protótipo e exemplo de todas as famílias cristãs.
E aquela Família, única no mundo, que passou por uma experiência anónima e silenciosa numa pequena aldeia da Palestina; que foi provada pela pobreza, pela perseguição e pelo axílio; que glorificou a Deus de modo incomparavelmente alto e puro, não deixará de ajudar as famílias do mundo, na fidelidade aos deveres quotidianos, no suportar as ansiedades e tribulações da vida, na generosa abertura às necessidades dos outros, no feliz cumprimento do plano de Deus a seu respeito. (FC 86)

27 de outubro de 2006

A violência contra as crianças

A primeira e grande, para não dizer a maior, escalada de violência contra a criança é aquela que se exerce sobre ela, por muito que isso custe a tantíssima gente, quando, ainda, no ventre da sua mãe, seja por vontade desta, do pai, de ambos, ou até de terceiros, através do aborto.


A violência enquanto fenómeno etápico, dinâmico, temporalmente incarnado no trajecto vital de qualquer, começa logo após o nascimento com o abandono da mãe ou do pai.
O psicólogo Mark Spitz, norte americano dos mais clarividentes, detectou a morte das crianças abandonadas pelas mães, ao cuidado das instituições assistenciais, logo nos primeiros meses, em larga escala, afectadas pela chamada “melancolia do recém nascido”, depressão mortal com origem na falta de afecto, que o bebé sente logo que toca o corpo materno e que tão bem distingue dos demais, pelo cheiro da pele, pela envolvência suave da mão da mãe, pelo seu odor corporal, que conhece, para além do seio alimentador.
Mas a violência, grave, exerce-se quando, em regra, em Portugal, o progenitor, o pai, se furta do cumprimento das suas obrigações alimentares, desempregando-se voluntariamente, ou simulando o desemprego, ou, ainda, com a cumplicidade da entidade empregadora, retardando o acesso a dados remunerativos.
Felizmente que a sensibilidade à cooperação com os direitos da criança leva, actualmente as instituições oficiais a fornecerem, com alguma celeridade, relatórios sociais, mas no passado a demora daquelas atingia proporções calamitosas, numa área da maior importância do interesse da criança.
Reputo, ainda, de violência contra a criança, as condições em que , algumas vezes, se denota a entrega da criança pela mãe numa proximidade relativa do parto em que a confiança de facto, a terceiros não está suficientemente esclarecida em toda a dimensão, podendo comprometer a retirada à mãe biológica. Mas uma das causas de omnipresente não equacionada parecendo até, numa sociedade hedonista, irresponsável, amoral relativamente anti-ética, ser estimulada, é o divórcio dos pais.
Não só porque a desagregação da família, por essa praga, fomentada ao longo dos anos por quem faz a lei, sem compreensão da sua dimensão, se opera com violência, na qual a criança vive, recebe os seus péssimos ensinamentos, adquire a célula da sua expansão, gravando o modo como se processa, registando-o e, no futuro, pondo-o em prática, dificilmente lhe escapando sem ressonância na sua personalidade.
A violência é ainda, de uma maneira mais directa, a própria violência física e moral exercida sobre o corpo e a mente da criança.
O caso Joana disserem os tribunais é um exemplo.
Os Jornais, os “media” de toda a ordem dão-lhe eco da violência sobre crianças. Nem sempre relatam todas as condenações,
Uma delas é o caso da criança de Valongo, morta pelos próprios pais, submetendo-a a toda a sorte de violências, levando, inclusivé, ao descolamento da parte tecidular que cobre o crânio.
A violência sexual sobre elas é assustadora.
Aos órgãos de informação, tão ciosos em denunciarem, pedia-se que comunicassem as condenações.
Fica no ar uma certa impunidade posterior, acobertada pela maledicência recaindo sobre quem julga, agora transformado inimigo da sociedade, pela imagem desgraçada que se fez dos Juízes.
Mas vale a pena lembrar a afirmação de Lacouture: no dia em que os juízes tiverem medo de julgar nunca mais nenhum cidadão pode sair à rua em segurança. Esperemos que se não caia neste precipício. Mais um que se abateu sobre nós.
Mas esperemos que a violência que se abateu sobre as crianças, incluindo as que vivem em meios degradados, sem condições de higiene, alimentação, de educação, assistência, vítimas de segregação social, do álcool e da droga a que os pais se entregam, não seja ela também, um fenómeno re-frangente sobre o exterior.
A violência que as jovens crianças exercem sobre os professores, também eles “elevados” à condição de classe maldita, mercê de uma propaganda negativa da sua imagem, é fruto, já de um clima humano degradado. Lá dizia o poeta que numa criança nem com uma pétala se toca.
Há um longuíssimo caminho a percorrer no sentido do combate à violência sobre a criança, que passa pela educação de um povo inculto, incivilizado, violento e sem norte. Desde logo incutindo a ideia de que é um ser indefeso, que tudo assimila e nele tudo se vai transformar em bem ou em mal.
Clamo daqui que os pais prestem alimentos a seus filhos.
Uma lei do tempo de Salazar atirava para a cadeia quem os não prestasse, prestando-os era restituído à liberdade. De uma lei igual, provavelmente, se está a precisar.
A educação passa pela compreensão dessa primária e fundamental necessidade.

Por Armindo Monteiro


23 de outubro de 2006

Agitação no mundo escolar

O começo do ano escolar está agitado, como é hábito. Desta vez, porém, alguma coisa acontece para romper com a inércia do sistema.

A decisão do Ministério da Educação de encerrar mais de um milhar de escolas com escasso número de alunos e concentrá-los noutras é coerente com a baixa natalidade e consequente falta de crianças em meio rural ou zonas urbanas envelhecidas. Para a eficiência do ensino e economia de recursos é conveniente reunir as crianças em espaços com um mínimo de alunos por escola e por sala para cumprir a sua função de socialização e criar condições de maior exigência e qualidade do ensino. Choca com as expectativas dos professores, diminuindo as perspectivas de colocação e aumentando a intensidade e exigência da qualidade de trabalho. Não agrada às populações que vêm no desaparecimento da escola local um factor de retrocesso social. Toda a mudança causa incomodidade, mas traz vantagens.
Há que valorizar as vantagens e diminuir as perdas. É preciso criar condições de comodidade e segurança para a mobilidade das crianças e seu acolhimento nos novos centros escolares e garantir uma estadia saudável, frutuosa e adequada durante o tempo prolongado do novo horário escolar. A crescente responsabilização das autarquias por este ramo de ensino não deixará de produzir os seus frutos. Será para elas que os pais devem canalizar cada vez mais as suas reivindicações para que as soluções sejam adaptadas aos interesses das populações locais. Nesta fase, algum populismo leva os autarcas a colarem-se às populações na contestação ao Ministério. Creio que será passageira a atitude, pois o pleno exercício das suas responsabilidades será a forma de garantir as melhores condições de sucesso a este ramo do ensino vital para o progresso local. Um ensino básico de qualidade é vital para o sucesso em qualquer processo de aprendizagem posterior e promoção duma região.
O ensino pré-escolar e a primeira fase do ensino básico vão ter um horário alargado. A escola garante às famílias um apoio maior, tomando conta das crianças mais tempo do horário laboral. A escola acrescenta ao ensino a função social. Passa a ter tempo para reorganizar as suas funções e metodologia lectiva, integrando o estudo e os trabalhos práticos assistidos e alargando a sua acção cultural à educação física e musical, aprendizagem do inglês e, com certeza, outras iniciativas ao seu alcance. É posto em causa o funcionamento de muitos ATL de iniciativa particular que asseguravam o complemento do horário e das actividades escolares e os postos de trabalho e outros recursos investidos. Sobra motivo para polémica.
Nos restantes ciclos do ensino básico e secundário, continua o processo de preencher os períodos no horário escolar abertos pela falta ocasional dos professores e completar o trabalho lectivo com outras formas de apoio. As chamadas aulas de substituição foram introduzidas algo precipitadamente e acolhidas com desagrado por alunos e professores. Não podem ser vistas numa perspectiva rígida, mas com alguma criatividade e adaptação às condições reais da escola, dos alunos e dos professores. O objectivo é claro: apoiar os alunos com mais dificuldades de aprendizagem, acabar com os tempos mortos que desestabilizam a disciplina e são focos de comportamentos desviantes, aumentar o leque da acção cultural da escola e criar outras formas de relacionamento dos alunos com o pessoal docente. A escola tem de ser espaço de trabalho produtivo, de convívio saudável, de abertura de perspectivas.
Em todo este processo de mudança, algum desconforto atinge os professores. Os sindicatos não têm conseguido levar a melhor no processo reivindicativo a que estavam habituados. Sofrem as limitações salariais, alterações no regime de trabalho e regalias sociais que atingiram os funcionários públicos. Está em negociação o estatuto da carreira docente. Constitui motivo relevante de discordância a avaliação dos professores e os critérios de progressão na carreira. Questões velhas. Uma avaliação mais criteriosa dos professores deve ter em conta a sua valorização e actualização científica, a sua prática lectiva, a assiduidade e a qualidade de serviço prestada na escola. Os seus resultados devem influenciar a certificação da qualificação dos professores e o seu progresso na carreira. Consequentemente a progressão deve fazer-se por critérios de competência e não pelo simples passar do tempo. Requerem-se critérios objectivos de avaliação e avaliadores imparciais. Aceita-se a participação dos implicados no processo educativo, salvaguardada a objectividade. Também dos pais. Nem sempre os sindicatos tiveram este entendimento. Cremos no entanto que são condições essenciais para estimular a motivação dos professores e o progresso no ensino.

por Octávio Gil Morgadinho


"Razões para escolher a vida"


(Documento da Conferência Episcopal Portuguesa, 19 de Outubro de 2006)

1ª. O ser humano está todo presente desde o início da vida, quando ela é apenas embrião. E esta é hoje uma certeza confirmada pela Ciência: todas as características e potencialidades do ser humano estão presentes no embrião. A vida é, a partir desse momento, um processo de desenvolvimento e realização progressiva, que só acabará na morte natural. O aborto provocado, sejam quais forem as razões que levam a ele, é sempre uma violência injusta contra um ser humano, que nenhuma razão justifica eticamente.

2ª. A legalização não é o caminho adequado para resolver o drama do “aborto clandestino”, que acrescenta aos traumas espirituais no coração da mulher-mãe que interrompe a sua gravidez, os riscos de saúde inerentes à precariedade das situações em que consuma esse acto. Não somos insensíveis a esse drama; na confidencialidade do nosso ministério conhecemos-lhe dimensões que mais ninguém conhece. A luta contra este drama social deve empenhar todos e passa por um planeamento equilibrado da fecundidade, por um apoio decisivo às mulheres para quem a maternidade é difícil, pela dissuasão de todos os que intervêm lateralmente no processo, frequentemente com meros fins lucrativos.

3ª. Não se trata de uma mera “despenalização”, mas sim de uma “liberalização legalizada”, pois cria-se um direito cívico, de recurso às instituições públicas de saúde, preparadas para defender a vida e pagas com dinheiro de todos os cidadãos.
“Penalizar” ou “despenalizar” o aborto clandestino, é uma questão de Direito Penal. Nunca fizemos disso uma prioridade na nossa defesa da vida, porque pensamos que as mulheres que passam por essa provação precisam mais de um tratamento social do que penal. Elas precisam de ser ajudadas e não condenadas; foi a atitude de Jesus perante a mulher surpreendida em adultério: “alguém te condenou?... Eu também não te condeno. Vai e doravante não tornes a pecar”.
Mas nem todas as mulheres que abortam estão nas mesmas circunstâncias e há outros intervenientes no aborto que merecem ser julgados. É que tirar a vida a um ser humano é, em si mesmo, criminoso.
4ª. O aborto não é um direito da mulher. Ninguém tem direito de decidir se um ser humano vive ou não vive, mesmo que seja a mãe que o acolheu no seu ventre. A mulher tem o direito de decidir se concebe ou não. Mas desde que uma vida foi gerada no seu seio, é outro ser humano, em relação ao qual tem particular obrigação de o proteger e defender.

5ª. O aborto não é uma questão política, mas de direitos fundamentais. O respeito pela vida é o principal fundamento da ética, e está profundamente impresso na nossa cultura. É função das leis promoverem a prática desse respeito pela vida. A lei sobre a qual os portugueses vão ser consultados em referendo, a ser aprovada, significa a degenerescência da própria lei. Seria mais um caso em que aquilo que é legal não é moral.

Pedimos a todos os fiéis católicos e a quantos partilham connosco esta visão da vida, que se empenhem neste esclarecimento das consciências. Façam-no com serenidade, com respeito e com um grande amor à vida. E encorajamos as pessoas e instituições que já se dedicam generosamente às mães em dificuldade e às próprias crianças que conseguiram nascer.



17 de outubro de 2006

Educar para a conjugalidade

A ideia de que o casamento se tornou algo a prazo, que, cada um pode desligar quase a seu belo prazer enraíza-se no casal ao menor sinal de contrariedade; o descompromisso passa a pairar sobre o vínculo, a ensombrar o dia a dia, e a breve trecho, facilitado intencional e legislativamente, o divórcio.

Há dezanove anos atrás na Alemanha já se falou em contrato de casamento, com duração prévia, a prazo.
Não vingou o projecto em teoria, mas na prática ele aí está, com o número de divórcios em crescendo, sobrelevando a inédita Europeia.
Fala-se numa educação para a cidadania, que farta, na forma de respeito ao Hino Nacional, à bandeira pátria do Presidente da República, aos símbolos da Nação...
Fala-se de uma educação para a sexualidade, controvertendo-se o prisma porque deve fazer-se, quem deve ser o seu agente e o local de arranque. Se na família, se na escola; se aos 7 anos se aos 14 anos; se de forma chocante, materialista, sem referência a valores, estilo sexo vale tudo, motor da história, como o dinheiro, o lucro fácil, a exploração desenfreada, a droga e seu comércio, tão importante como o das armas.
Fala-se de uma educação para a profissionalidade, sob a forma de respeito e investimento na produção, na qualidade, no relacionamento público e na deontologia, manifestação da ética.
O casamento não é justaposição de pessoas, que se anulam entre si, despersonalizando-se, no que ainda mais problemático tornaria a sua consumação.
Não é, em regra, convivência entre duas pessoas de sexo diferente - só esse é casamento - , o céu aberto, pátria dos anjos, terreno sem mácula, casa sem erro, verdadeira assepsia, bacteriologicamente pura.
Uma concepção assim exigida falsearia a realidade, que é mundo, controvérsia, dor, sofrimento, miséria, cruz, mas também é bem, verdade, caminho, vida e triunfo.
Porque não falar numa educação para a conjugalidade, para se ser marido e mulher; bom esposo e esposa?
Porque não educar para o casamento, fonte de família, agora que se esboça timidamente, um ideário de maior consideração, já que se chegou à conclusão que sem ela o Estado, qualquer estado, não sobrevive como Nação.
Depois de uma longa travessia no deserto, onde o país se atolou, começam, alguns, a medo, a exaltar os valores em falta, que escaparam da Família, dos jovens, de todos ou quase, deixando o Estado - Nação, mergulhado na escuridão, chorando lágrimas de descontentamento.
Aquela educação para a conjugalidade acentuaria o casamento como figura tendencialmente estável, espaço de perdão, de amor; exaltaria o amor como forma de solução do "eu", do "outro" e de todos, finalmente.
Aquela educação, frisaria que na divergência é viável a convivência; que naquele espaço se pode e deve criar vida, em sinal de fuga ao egoísmo; que ali se pode criar um espaço de inter ajuda, que sem se cingir a ele, seja exemplo transbordante para o exterior.
Essa educação seria escola de cultivo do respeito pelo respeito, de rejeição da violência, causa quase sempre com origem na adversidade, que auxiliaria à superação.
Essa educação irradiaria ainda, para a submissão a exames médicos e testes psicológicos que dariam a conhecer as diferenças de cada e funcionariam como campo acção preventiva da doença, sobretudo ao nível da descendência.
E nem se diga que é utopia.
Nalguns países, alguns casais, já se sujeitam a exames médicos dentro da pedagogia de uma educação para a conjugalidade, que mais não é do que a educação para o cultivo de valores entre os futuros cônjuges, da inteligência das situações e da racionalidade de procedimentos.

por Armindo Monteiro


6 de outubro de 2006

Família no centro

«O Bispo de Beja apresentou à sua Diocese um Plano Pastoral para 3 anos. É polarizado na Família. Todas as circunstâncias concorreram para chegar aí. Umas positiva outras negativamente. Contribuiu positivamente, uma série de acontecimentos e de documentos relacionados com o tema. Negativamente contribui a onda de agressões verbais e de episódios endémicos que põem em causa a estabilidade e a funcionalidade da instituição básica da sociedade.
O Plano Pastoral sobre a Família não vai ser o remédio milagreiro para resolver todos os problemas com que a Família se debate. Mas será certamente um factor altamente positivo para valorizar esforços e iniciativas em ordem a apoiar aquilo que continua a ser a esperança do futuro da Igreja e do mundo.
O Plano Pastoral é um mapa. Não traz nada a casa, mas diz como chegar lá. Não dá boleia, mas facilita a viagem. Não dispensa de andar, mas orienta os passos. Já há vinte e cinco anos atrás D. Manuel Falcão dizia aos seus diocesanos de Beja : “ entendi propor à Diocese um programa de acção pastoral a curto prazo, que abra caminhos à vida diocesana nos próximos anos. Julgo, de facto, que o governo da Diocese não pode limitar-se à solução pontual dos problemas que vão surgindo dia a dia, mas deve ser norteada e dinamizada por objectivos pastorais criteriosamente estabelecidos e tenazmente perseguidos” .
Também D. António, após estes primeiros anos de contacto e conhecimento da realidade, decidiu fazer o mesmo. Se em boa hora o pensou em melhor hora o fez. E aí está o Plano como “um instrumento regulador e flexível para uma acção pastoral consequente, organizada e adequada aos objectivos em vista.
Planificar é antever o que se quer, como se quer e quando se quer. Um Plano Pastoral estabelece um horizonte temporal para a acção e permite superar os limites e as dificuldades provenientes do ocasional”.
“Este Plano Pastoral sobre a Família, caracteriza-se por um horizonte temporal de três anos. Define-se por três ideias-chave e três objectivos a conseguir em cada ano. As actividades propostas como caminho para conseguir os objectivos, são sugestões a utilizar no todo ou em parte, sem menosprezar outras consideradas mais adequadas e enriquecedoras. É uma proposta que cada Paróquia, Serviço e Movimento, num esforço próprio de quem está mesmo convencido da necessidade urgente de uma pastoral para a Família e com a Família, irá estudar e procurar transportar, com as necessárias adaptações, para a sua esfera de acção na justa medida das suas necessidades e possibilidades”.
Mais uma vez, poderemos fazer nossas as proféticas palavras de D. Manuel em 1981: “chegou a hora de imprimir um novo ritmo à vida da Diocese. Este ritmo novo há-de resultar fundamentalmente de uma fé mais viva, de um zelo mais ardente e também de uma condução mais firme e dinâmica das actividades pastorais”.
De facto, o Plano é uma espécie de anjo da guarda. Não faz mas acompanha o trabalho de quem faz. Está sempre ao lado, para estimular, iluminar, guiar…Poderíamos dizer do Plano o que Moisés dizia da Lei :”estará à tua frente, para te proteger no caminho e te conduzir ao lugar que preparei para ti. Respeita-a e obedece-lhe”. (Ex 23,20-21)
Era isso o que também já D. Manuel lembrava, quando era ele a apascentar esta Grei de Beja : “para que o Plano não fique no rol, das coisas que não passam de belos sonhos, importa que seja assumido pelas forças vivas da Diocese, ou melhor, que sejam elas a concebê-lo, a elaborá-lo e a ganhar o gosto de lhe dar realização. Por isso, é palavra de ordem a mobilização das paróquias e arciprestados, das associações, grupos e movimentos de formação e de apostolado, dos organismos e serviços locais e diocesanos . Que cada um participe activamente no que disser respeito ao seu próprio campo de acção ou competência”.
“O movimento que se pretende desencadear a partir do Plano é essencialmente um movimento de renovação da Igreja Diocesana, na linha do pensamento conciliar. Tem de se alimentar do afervoramento da vida espiritual de cada cristão, uma correspondência cada vez mais fiel e generosa à sua vocação baptismal, e porventura matrimonial , sacerdotal . (…) Isto é coisa de Deus. Precisa de cobertura espiritual. Urge, pois, colocar a Diocese em estado de oração. Que os padres se entreguem, como faziam os apóstolos prioritariamente ao ministério da oração e da Palavra. Que os fiéis e as comunidades de fiéis, se entreguem com ardor às práticas de piedade."»

Padre Magalhães


4 de outubro de 2006

Família deve ter autonomia, autoridade e capacidade de opção

Com o título “a Família, um bem necessário e insubstituível”, celebra-se a Semana da Educação Cristã, de 1 a 8 de Outubro.
Coincidindo com o início escolar, do ensino religioso e da catequese, pede-se que seja uma ocasião para, todos nós, reflectirmos sobre o papel da família na educação integral das pessoas, primariamente nas fases iniciais da vida e do desenvolvimento humano, social e cultural.
Somente podemos ser uma sociedade adulta, consciente, atenta, responsável e mobilizada para as grandes causas e para os grandes valores se a Família, na conjugação com a Escola, com a Igreja e com a própria Sociedade, tem autonomia, autoridade e capacidade de opção. Tudo isto para se tornar capaz de dar, às pessoas que a constituem, a orientação, o apoio, a formação e a cultura que sente ser a comunicação e transmissão de heranças e de valores que fazem a sua própria vida e a sua própria especificidade. As outras instituições devem sentir-se ao serviço, para proporcionarem a abertura, o pluralismo, o aprofundamento e a integralidade que a família, por si só, nunca pode dar.
Esta Semana é de reflexão e de oração; de avaliação e de programação… Ao serviço da formação integral de cada pessoa humana para quem a sua Família é um bem necessário e insubstituível. Que todas as instâncias e estruturas: políticas, económicas, sociais, culturais e religiosas o entendam!

D. Ilídio Leandro

2 de outubro de 2006

De novo...o ABORTO!


De volta e meia somos bombardeados com a questão do aborto. A vida, ou a morte, já não sei, passa a ser tema de conversa no Parlamento e fora dele, claro. E como ainda não ficou esclarecido no último referendo, acharam por bem voltar a debater a questão.
Acho que é tempo de olhar em frente!
Nota:
Fazem-se mil abortos por ano no Serviço Nacional de Saúde (SNS), e consideram (o Governo) muito pouco, justificando, com isso, que estes foram feitos no âmbito da actual lei - palavras do Ministro da Saúde… Agora, depois de sabermos a campanha que ele opta em fazer a favor disto tudo, falta saber que saúde ele ministra.
Recentemente …

«O PS entregou a 15 de Setembro no Parlamento uma nova proposta de referendo sobre o aborto, no qual se propõe perguntar aos portugueses se concordam com a "despenalização da interrupção voluntária da gravidez (IVG), se realizada, por opção da mulher, nas primeiras 10 semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado"», ou seja, a questão é a mesma, mas com outros “arranjos”. O que interessa é que leve os portugueses a avançar com esta questão.
Agora, vamos esclarecer algumas coisas que ainda são ignoradas nesta história toda.

Vejamos:
- a vida começa, como nós sabemos, quando existe a junção de células, ou seja, quando se dá a fecundação. Sabemos que o nosso organismo começa a ser composto por estas duas células, a do homem e a da mulher e, depois, estas têm a capacidade de se reproduzirem e se diferenciarem para formar órgãos, então o feto é um ser vivo. E sem dúvida, é um ser humano porque já contém todos os cromossomas de um ser humano, um potencial ser humano.
Ele não é constituído só pela célula da mãe nem só pela célula do pai, é um NOVO SER.

Conhecimentos de hoje…

Sabemos, hoje, que os talentos, as capacidades e habilidades apresentadas pelo recém-nascido começam a desenvolver-se logo que as células se reproduzem. Diversos estudos científicos têm evidenciado que o feto é um ser inteligente e muito mais complexo do que nós imaginávamos.
Passo a descrever:
Com 18 DIAS o sistema nervoso começa a formar-se.
No 28º DIA a boca forma-se e o coração rudimentar começa a bater.
Com 5 SEMANAS, mede 1cm. Começam a surgir as pernas e os braços. Surgem, pela primeira vez, alguns movimentos bruscos.
Com 6 SEMANAS o embrião mede 1,5 cm e o seu coração apresenta 140 a 150 batimentos por minuto. Nas suas mãos começam a desenvolver-se os dedos.
Com 7/8 SEMANAS o embrião é capaz de realizar movimentos muito simples como um ligeiro toque na sua própria cara o que responde com desvio da cabeça.
Com 8/9 SEMANAS o embrião mede 4cm. A partir deste ponto, os cientistas começam a referir-se a ele como feto.
DE FETO A BEBÉ (11 SEMANAS)
O feto vive dentro de um saco amniótico que contém um líquido que o envolve e protege. Nesse ambiente flutuante e sem peso, ele move-se activamente. Dentro do seu corpo, todos os órgãos já estão no devido lugar. Tudo o que se encontra num ser humano já está formado.
Com 12 SEMANAS mede 7,5 cm e pesa 14gr. Começa a formação dos principais ossos do corpo. Os dedos dos pés e das mãos já estão diferenciados e as unhas surgem. Apresenta movimento espontâneo embora a mãe ainda não os perceba.
Com 14 SEMANAS, engole, suga e "respira", isto é, faz movimentos respiratórios já treinando os seus pulmões para o trabalho que vão ter após o nascimento. As feições estão bem definidas e a coluna vertebral bem delineada.
Com 15 SEMANAS o feto apresenta todos os movimentos presentes em fetos a termo, isto é, com 9 meses. Pesa cerca de 110g e mede 12cm.
Com 16 SEMANAS, além de fazer caretas, levantar as sobrancelhas e coçar a cabeça, começa a desenvolver o sentido do paladar. Nesta idade, as papilas gustativas já estão desenvolvidas. A experiência tem demonstrado que o feto faz caretas e pára de engolir quando uma gota de substância amarga é colocada no líquido amniótico. Por outro lado, uma substância doce provoca a aceleração dos movimentos de sucção e deglutição.
Com 19 a 20 SEMANAS os seus movimentos começam a ficar mais coordenados, contrastando com os movimentos iniciais que eram reflexos mais primitivos. É capaz de ficar erecto e impulsionar o corpo para frente. O seu cérebro pesa cerca de 90g. Aparecem os primeiros fios de cabelo. Inicia-se a formação do "vernix caseoso"que é uma camada de gordura que reveste, externamente o feto. Esta "capa de gordura" tem a função de proteger a sua pele num ambiente aquático. Nesta fase o feto já pesa cerca de 300g.
Com 21 a 24 SEMANAS, ocorre a maturação do sistema auditivo. O futuro bebé consegue ouvir e reconhecer a voz materna. Pode até interessar-se por alguns estilos musicais. Apesar de já ser um "bebé miniatura" quase não há hipóteses de sobreviver fora do útero.
Com 25 SEMANAS, o feto pesa, em média, 800g e as hipóteses de sobrevivência a partir de então, caso haja um parto prematuro, começam a existir.
Com 27/28 SEMANAS, o feto pisca os olhos. Fecha os olhos quando dorme e abre-os quando está acordado. Pesa, em média, 1 Kg e mede cerca de 30 cm.
Com 30 a 34 SEMANAS o feto continua o seu processo de crescimento e desenvolvimento. O tecido adiposo vai se formando rapidamente e contornando o corpo do feto. Nessa fase, pesa em média 2kg e mede cerca de 40cm.
Com 35 a 37 SEMANAS, com o aumento do tamanho, o seu espaço vital, a cavidade uterina, começa a reduzir-se. Ele tentará todas as posições possíveis até encontrar a melhor. Geralmente esta posição é: cabeça para baixo enquanto as nádegas ocupam a zona mais larga do útero. Esta é a posição ideal para nascer.
Com 38 SEMANAS EM DIANTE o feto está pronto para nascer. O seu organismo está totalmente formado e maduro. Com um peso médio de 3,4kg e comprimento de 50cm, ele já não consegue mexer-se muito, aguarda, na posição certa, a grande hora. 
Com isto tudo, e porque somos pessoas civilizadas, eles querem enganar quem???
A partir das palavras do Ministro da Saúde, e o facto de estar a fazer a sua campanha pela morte, só tenho que juntar as minhas palavras ás da "Associação Portuguesa de Famílias Numerosas" que "pediu a demissão do ministro da Saúde, Correia de Campos, acusando-o de “falta de bom senso” por defender a despenalização do aborto e querer incentivar os hospitais a praticá-lo, de acordo com a lei."

Maria Matos


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