16 de abril de 2015

Não substituir a Família!

Monsenhor Brás e a sua regra de oiro no apoio familiar:
“Não substituir a Família!”

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Monsenhor Joaquim Alves Brás - por muitos considerado “O Apóstolo da Família” em Portugal deixou-nos esta regra de oiro, que ele mesmo seguiu: “ …colaborar o mais eficientemente possível com a família, mas não substituir a família”. 
Ao falar da Família, o Venerável Servo de Deus referia-se à autêntica família, fundada no matrimónio de um homem com uma mulher, os dois conscientes e responsáveis do acto que assumiram, embora sujeitos às fragilidades próprias do ser humano e às vicissitudes da vida. 
Não substituir a família, significava reconhecer, a esta instituição, a sua dignidade natural, e a capacidade desta em conduzir o seu destino segundo o plano que Deus lhe traçou, através de uma vida de fidelidade e amor conjugal, abertura à vida, e consequente cuidado, educação, e protecção da mesma.
Nessa medida, qualquer tipo de apoio - material, moral, espiritual – deveria ser subsidiário, logo, sempre a partir das potencialidades da família, no sentido de as fazer emergir e/ou desenvolver para que esta nunca deixasse de ser, e melhor pudesse revelar, “aquilo que é”, na sua essência e na sua missão. 
Não substituir a família tinha, ontem para Monsenhor Brás, como hoje tem para nós, implicações práticas, tanto de ordem pastoral, como de ordem social e política, as quais, eram para ele baseadas no conceito de que a família precede todas as demais instituições e desempenha nelas um papel fundamental. Por isso, deveria ter sempre a primazia e, como tal, ser livre de imposições, impedimentos ou condicionantes, nocivos ao bom exercício da sua missão.
Infelizmente, porém, sabemos que não é assim. A família não só não tem a primazia daqueles que têm por obrigação criar-lhe as melhores condições, como é ainda prejudicada, atacada, ferida, por uma ideologia e uma práxis anti-Família e de substituição da família, que grassa, por desgraça, nas nossas sociedades hodiernas. 
Vejamos, então, de que modo, se pode substituir a família: Em primeiro lugar, tentando impor, pela propaganda, conceitos de família que vão contra os verdadeiros princípios da sua instituição natural, pelo Criador, assim como conceitos de educação, de paternidade e maternidade e da consequente função de autoridade em relação aos filhos, hoje tão posta em causa nalgumas circunstâncias. Em muitos casos, famílias que, ao princípio, se prezam, em ser autênticas acabam por deixar que doutrinas erróneas substituam os mais perenes valores em que se fundaram e com que pautaram a sua vida.
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Depois, o próprio sistema económico e social, com horários pesados que obrigam o homem e - diria Monsenhor Brás - que obrigam sobretudo a mulher, a trabalhar horas excessivas fora e dentro do lar, retirando-lhe as melhores condições de prestação de cuidados à família, nomeadamente a educação dos filhos e à assistência aos mais idosos. Por isso, se criaram os substitutos da família – os Infantários, para os filhos crianças, e os Lares de Pessoas Idosas, para os pais velhinhos. 
Vem depois a escola, que ninguém contesta porque é ao Estado que cabe a instrução. Disse bem, instrução, e não a educação, se considerarmos esta palavra no seu sentido etimológico, que provém do termo latino “educere”, e que significa, precisamente, fazer emergir, desenvolver, a partir de dentro, neste caso da criança, aqueles valores e potencialidades intrínsecos que Deus imprimiu em cada ser humano. Ora, se assim é, quem melhor que o pai e a mãe sabem, primeiro, despertar com a sua palavra e o seu exemplo, as mentes e os corações dos seus filhos, para esses valores que, pouco a pouco enraizados e cuidados na família, hão-de crescer e desenvolver-se a fim de orientar e dar maior segurança às suas vidas?
Mas, muitas vezes não é isso que acontece. O Estado tenta mesmo substituir a família, em termos de educação, e fá-lo precisamente naquilo que é, que deveria ser, mais sagrado para a família - o mistério da transmissão da vida humana. Ao impor o chamado programa de educação, melhor dito, de deseducação sexual, nas escolas, o Estado como que invade a própria intimidade familiar, põe em causa valores de muitas famílias, viola o direito dos pais sobre o que só a eles diz respeito.
Neste ponto, se o Venerável Servo de Deus pudesse falar hoje de viva voz a esta sociedade, haveria de utilizar os novos púlpitos para se insurgir veementemente contra esta violação e substituição da família pelo Estado. E não se ficaria por aqui: chamaria, também, a atenção dos pais para que não se deixassem substituir na função que, entre outras, lhes é própria: a educação dos filhos nos seus valores mais puros e perenes.
Antes, porém, Monsenhor Brás haveria de despertar a consciência das famílias ditas cristãs, ou de algum modo fundadas nestas raízes ainda que ancestrais, para as acordar da letargia em que muitas estão mergulhadas, para já não reagirem aos males que ameaçam, não só a estabilidade e felicidade própria, mas de toda a sociedade. Entre esses males, estão, como sabemos, o aborto, o divórcio, e as muitas caricaturas de família, que culminam na mais aberrante de todas que é o dito casamento de homossexuais. 
Por isso, não substituir a família, depende também e muito da própria família: Depende, em primeiro lugar, da consciência que cada membro da família tem das suas próprias funções e do seu cabal desempenho. Porque todas as vezes que um membro do casal em relação ao outro, os pais em relação aos filhos ou aos pais idosos, e todos em relação uns aos outros, se demitem das suas funções, estão a criar espaços vazios, que facilmente serão preenchidos por estranhos, tornando a família mais frágil, menos capaz de reagir às tais ameaças.
 Não é, porém, unicamente em relação ao Estado e à sociedade que a família se demite muito das suas funções. O mesmo se passa em relação à Igreja, e um exemplo disto é o que se refere à catequese onde muitos pais colocam os filhos sem mais se importarem sequer de os acompanhar na respectiva caminhada de fé. Ora, a catequese paroquial deveria ser um complemento, um subsídio, uma ajuda, e não um substituto da catequese familiar, que deveria começar em casa, na família, logo a partir do berço. Se assim fosse, poder-se-ia esperar que mais tarde, saísse da boca dos filhos, jovens e adultos, aquela expressão que saía tantas vezes, e tão consoladoramente, da boca do Venerável Mons. Brás, que dizia: “A melhor catequista que eu tive foi a minha mãe.” E tal catequista, e tal mãe, foi, quem soube enraizar tão ampla e profundamente as sementes da fé e das demais virtudes, que os frutos não se fizeram esperar. Destes, talvez seja a santidade de Monsenhor Brás, o fruto mais visível, o mais amadurecido e o mais fecundo, no espaço e no tempo.
Neste tempo inter-Sínodos sobre a Família - tempo de Kairós, Graça, é tempo mais que propício para que, todos, contribuamos para dar à Família o lugar que lhe pertence, ajudando-a, como e com Monsenhor  Brás,  a ser na sua existência, aquilo que é na sua essência: Imagem do Deus-Trindade, Canal e Berço da Vida Humana, Fonte da Sociedade, Escola de virtudes, Igreja Doméstica e Espaço de Evangelização. 

Por Mª da Conceição Brites



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