3 de março de 2015

E a Família? (Editorial)


“Quem te ama, não te agride” - é o mote de uma campanha nacional lançada no dia dos namorados, pelo governo, contra a violência no namoro, prevenindo os jovens de que certos procedimentos de controle” de um dos parceiro sobre o outro, não são formas de ‘amar’, mas antes indiciam traços de violência mascarados.
Numa entrevista à Rádio Renascença de 18/02, a propósito da referida campanha, Teresa Medina, dirigente de várias associações contra a violência a mulheres e crianças, afirmou que a “prevenção da violência tem que começar na creche” e é fundamentalmente uma questão de “ensinar as crianças, a respeitar os direitos humanos”.
“Se queremos prevenção, temos que ir mais cedo, ao nível do primeiro ciclo, às creches, começar a trabalhar os aspectos fundamentais”. Afirma ainda que a “violência não é coisa que nasça com a pessoa, é um comportamento aprendido, o que significa que as escolas terão que ser envolvidas (…) mas tem de ser qualquer coisa estruturante da própria criança”. Nesta lógica, basta intervir cedo na creche, para se conseguir minorar a violência. Mas a questão levanta-se: “e a família, fica de fora deste processo? Não é ela anterior à creche? 
Não tem a família um papel único e insubstituível na estruturação da personalidade, desde o berço? Não reúne a família condições psicológicas e afectivas únicas, porque permeadas pelo mundo das vinculações e dos afectos, para a aprendizagem e interiorização dos valores que hão-de garantir o respeito pelos direitos humanos? 
Reabilite-se, então, a família criando políticas e estruturas de apoio que as ajudem a serem protagonistas na prevenção da violência. Entre nós, as políticas dos últimos anos, atentam contra a vida e a família. Pretende-se manipular a vida e a família a bel-prazer, como se cada um a pudesse fazer à medida dos seus desejos. 
Existe de certeza uma relação de causa e consequência entre a crescente violência, transversal a todas as idades, e a desvalorização da família no contexto actual. 
Investir apenas a partir da creche, descurando a família, é sem dúvida, investir ao lado.

Maria Vieira


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