10 de março de 2015

A Mulher

Quando pensamos em escrever sobre uma mulher é impossível não pensar naquela que foi a primeira mulher a não ter medo. O seu nome era tão simples como ela. Maria. Ela mesma deu o nome a tantas outras mulheres que hoje conhecemos. Não terá sido por acaso. Maria inaugurou o caminho de todas as mulheres que a seguiriam até aos dias de hoje. Não se deixou vencer pelo medo do desconhecido, ainda que o tivesse. Não deixou que a sua vontade fosse a primeira e escolheu a vontade de todas as vontades. A do Pai.
Passou a viver em função de um filho que, por ser eternamente especial, lhe traria as maiores alegrias mas também o maior e o mais indizível de todos os sofrimentos.
Foi mãe, mulher e esposa. E não abdicou de nenhuma das partes do seu coração. É essa a responsabilidade da maioria das mulheres de hoje. Uma responsabilidade que deixa de o ser para ganhar um outro nome. O nome do Amor, na verdadeira aceção da palavra e não cheio da banalidade que muitas vezes lhe atribuímos. 
Não é fácil ser tantas pessoas numa só. Ceder a tantas pressões, pedidos, dificuldades, apelos. Não é fácil ser mulher do século XXI. A carreira desde sempre sonhada e a família desde sempre desejada. Cada desafio vai sendo enfrentado com um sorriso, ainda que o cansaço esteja quase a levar a melhor. Cada dificuldade é acarinhada como se de um filho se tratasse e transformada numa flor que qualquer brisa será capaz de levar. Cada lágrima é substituída pela recordação mais feliz e pelo motivo primeiro que deu à luz o caminho. Cada queda é transformada numa escada para subir mais alto e mais longe. Cada dia de desânimo é transformado numa história alegre de princesas que se lerá à noite à cabeceira do filho pequeno. 
As mulheres são, por isso, filhas da alegria e da boa vontade. Não fazem promessas, porque cumprem sempre tudo. São alento, teimosia, motor para o caminho, bênção, ternura, colo, disponibilidade, afeto, sorriso, capacidade infinita. Têm o coração do tamanho do mundo porque na sua pele mora um poro da pele daquela que foi a primeira de todas as mulheres. Não só por ser mulher mas por ter aceitado sê-lo. Incondicionalmente. É por isso que nada pode derrotar uma mulher, mesmo quando parecer que esta perdeu a batalha. As suas armas não fazem sangrar nem fazem nascer feridas. As suas armas nem sequer são armas. São flores. São orações pequeninas como conchas com as quais se podia fazer um colar para trazer ao peito. 
É por isso que as mulheres tudo podem. Porque quando sentem que nada podem se ajoelham à beira da alma de Maria e lhe entregam tudo o que são e hão-de vir a ser. 

Por Marta Arrais




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