23 de dezembro de 2014

O Natal e a Família

Estamos de novo no NATAL, na festa da FAMÍLIA, por excelência. Jesus veio ao mundo, através duma FAMÍLIA e duma família pobre. 
As primeiras testemunhas deste misterioso acontecimento, foram os pegureiros de Israel. Destarte, foi num paupérrimo ambiente de pobreza humana que Deus se quis manifestar e se revelou na glória dos Céus.
Foi numa gruta húmida e escura que o Inacessível quis vir ao mundo do pecado, para salvar os homens…
A grande maioria das famílias, ainda hoje se reúne, festivamente, em sucessivas confraternizações, de carinho e amor fraternal. Vêm de longe familiares, para poderem consoar juntos. O NATAL é pois um elo agregador, motivo forte para reflexões sobre o que é fundamental, na sociedade contemporânea, especialmente sobre o que é imprescindível para a coesão e felicidade das famílias da actualidade.
Hoje, com muita frequência, deparamos com famílias monoparentais ou outras onde coabitam filhos “meus”, filhos “teus” e filhos “nossos”. Ora isto significa que houve desagregações familiares, dissídios e quezílias entre cônjuges, lares desfeitos. 
E podem crer que a primordial razão para estes conflitos e desagregação social, reside, invariavelmente, na instabilidade familiar, na decadência da “família patriarcal” que servia de seguro apoio, para afastar muitos problemas sociais.
Frequentemente ouvimos falar na ausência de valores, na crise dos ambientes familiares. Porém, muito pouco ou mesmo nada se tem feito, para debelar esta crise, este verdadeiro escalracho social.
Almeida Santos, o político que foi presidente da Assembleia da República, escreveu há tempos, no seu livro “Do outro Lado da Esperança” que “ainda não batemos no fundo, em matéria de valores hereditários”.
Todavia, a crise de valores é uma realidade bem patente à vista de todos e existe de forma preocupante”. 
Concordamos, plenamente, com o pensar deste político, acrescentando que, como principal alçaprema, para incentivar esta ausência de valores, encontra-se a onda da imoralidade que grassa na sociedade coeva: a irresponsabilidade de certa juventude e a superficial cultura dos cidadãos, embora ostentando maior número de anos de escolaridade liceal.
A massificação, o objectivo de orientar a sociedade, segundo certos modelos e de dirigir a uniformidade tecnocrata segundo certos princípios e ínvios caminhos, são outros tantos factores que provocam a desumanização da vida hodierna e que leva a que o Homem se reduza a um simples factor de produção, a um ser completamente desenraizado, sem personalidade e com total ausência de nobres ideais, desses ideais que antigamente eram cultivados, de pais para filhos e que eram tidos como ouro de lei.
Uma simples e despretensiosa análise desta situação, leva-nos invariavelmente, à conclusão que tudo isto tem por base, a desintegração da Família, a falta de respeito mútuo, entre os membros de um agregado familiar, às campanhas tenebrosas  que instigam a novas formas de famílias, que se fundamentam, não no sacrossanto amor recíproco, mas sim no hedonismo, de facto e de direito, no “amor carnal” e ocasional, no simples prazer animalesco, deturpando e por vezes vilipendiando os ancestrais valores da “FAMILIA TRADICIONAL”.
É assim, é deste modo que a família tradicional se vai esboroando, dissipando-se os ancestrais valores que o homem produziu e preservou, ao longo dos tempos.
O amor, que cimentava, por elos inquebrantáveis e laços indeléveis e fazia da FAMILIA a unidade sociológica natural, a paz patriarcal e afectiva, entre os seus membros, começa a diluir-se.
Com que nostalgia recordo o tempo (que se Deus quiser há-de voltar), em que na sua generalidade, as famílias eram verdadeiros modelos de convivência, de união, de conduta, verdadeira escola de jovens e adolescentes e com os quais se identificavam, bem ao invés do que sucede hoje, em que a nossa mocidade vê os tradicionais valores a serem desprezados, obliterados, destruídos implacavelmente, sendo vulgarmente delapidados e substituídos por uma pseudo ética social, que arrasta os jovens para o desvario, para um estado de passividade espiritual, vazia de sentido.
Evidentemente que também não podemos dramatizar a actual conjuntura social. Se a presente situação é genericamente má, o pessimismo também não ajuda nada, nem nos conduz a lado nenhum…
Se não vejamos. Não há dúvida que nem tudo está perdido. No horizonte social, já começam a surgir valores que entroncam nos princípios judaico/cristãos, o que muito nos anima e até a sociedade contemporânea parece estar a mudar.
A dignidade e segurança da família, começa a vingar em defesa de uma filosofia vivencial. Veja-se como imensos jovens estão a aderir ao “Voluntariado”, trabalhando em causas nobres, nobilitantes e em prol de organismos de benemerência. Veja-se como milhões de jovens, ocorrem aos locais visitados pelo Papa. Recorde-se ainda as palavras de James Wilson, a propósito da campanha de angariação de fundos, contra a pobreza: “No público combate, contra a pobreza, tentamos quase tudo, excepto uma coisa, que era dar mais importância a certos valores, como seja, reconstruir a FAMÍLIA. Por mais difícil que seja, é primordial proteger a FAMILIA”.
Que neste NATAL se revigorem os laços familiares e se regenere a esperança de um mundo melhor para 2015, em que haja paz, menos divórcios e que a solidariedade conjugal e o espírito de serviço, a favor dos mais carenciados, seja uma constante, vencendo o egoísmo, o hedonismo e o repelente individualismo, infelizmente hoje tanto em voga.  

por Fabião Baptista


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