18 de novembro de 2014

Os Hediondos “Escudos Humanos”

Desde os pristinos tempos da humanidade, que o homem utilizou, como arma defensiva, a proteção do escudo.
Porém, nos tempos hodiernos, de modo desumano, cruel e despudorado, têm-se utilizado como escudos defensivos, inocentes crianças, indefesos civis e até estruturas de benemerência, tais como hospitais, escolas, creches, mesquitas e hospícios.
É precisamente, no interior destes organismos sociais, que as hordas de guerrilheiros, sem escrúpulo de qualquer espécie, instalam os mortíferos aparelhos militares e letais engenhos de guerra, do género de rampas de lançamento de “roket’s” obuses e mísseis teleguiados, no intento dos adversários não os poderem atacar, para não provocarem verdadeiros massacres de mulheres, crianças e indefesos civis, que depois de mortos são usados para sensibilizarem as sociedades e provocarem compaixão, entre a opinião pública.
Esta nojenta e repugnante prática, já foi veementemente censurada e até proibida, em 1949, pela 4ª Convenção de Genebra, onde 61 países firmaram a primeira Convenção da história, relativa à proteção de elementos civis, onde se declara que a morte de civis só se pode conceber por mero engano e só é admissível, como atos meramente colaterais, indesejados e inevitáveis da acção militar em beligerância.
Todavia há movimentos bélicos, de sórdida ação terrorista, para os quais todos os meios são lícitos e utilizados para atingirem os fins desejados, sem se importunarem com a perda de vidas humanas.
Nos tempos que vão correndo, já não é apenas nas guerras e conflitos armadas que são utilizados os deploráveis “escudos humanos”. Na asquerosa política de certos partidos, esta depravada técnica começa também a ser prática corrente. Veja-se como os trabalhadores da Função Pública, dos Corpos Administrativos, os pensionistas e reformados, os desempregados e os beneficiários da Segurança Social, tem sido utilizados como verdadeiros “escudos humanos” tanto pelo FMI, como pelo BCE.
Em contrapartida os magnates das Finanças e do sistema empresarial, esses têm permanecido incólumes e até sub-repticiamente protegidos, para fazerem tudo, toda a espécie de burlas e outras atividades ilícitas e especulativas, falcatruas estas, que, bem vistas as coisas, estão no cerne e na origem de toda essa crise financeira europeia e americana, levando à falência de bancos e erários públicos e arrasado a balança orçamental de milhares de famílias portuguesas. Por tudo quanto se está a ver tem sido à sombra de todas estas atividades, geradoras de lucros espetaculares e ilegítimos, que têm surgido em Portugal grandes fortunas e verdadeiros potentados financeiros, ficando o Povo, o erário público e o produto interno bruto, cada vez mais depauperados e endividados. E, para cúmulo de tudo isto surgem os próceres das finanças e os economistas, nas pantalhas das televisões, a apregoar, de maneira torpe e descarada, que o Povo tudo aguenta e tem de aguentar e que o que o Povo deve fazer é poupar, economizar, pois embora estejamos a viver em absoluta austeridade, estamos a viver bem acima das nossas possibilidades, a ter um nível de vida muito superior ao das nossas posses atuais.
Os economistas da nossa “praça” igualmente não se cansam de afirmar, que os salários deviam de baixar e que o Estado tem de cortar e muito, nas “gorduras” procedentes da função pública, da saúde, dos beneficiários da Segurança Social, da justiça, do ensino, etc.
Porém estes verdadeiros “leaderships” das sociedades contemporâneas, nunca falam em diminuírem os deputados da Assembleia da República, para 180, como prevê o Artº 148 da Constituição da República Portuguesa. Nunca lhe ouvimos dizer que deviam acabar as subvenções aos Partidos Políticos. Extinguir a existência de três ex-Presidentes da República (Mário Soares, Ramalho Eanes e Jorge Sampaio) a usufruírem de todas as mordomias, regalias e vencimento, como o atual supremo magistrado da Nação. Se estes próceres das finanças fossem honestos, sinceros e responsáveis, deviam seguir o altruísta exemplo dos multimilionários Bill Gates ou Warren Buffet que num gesto de verdadeira filantropia, e de humanismo, distribuíram metade das suas avultadas fortunas, por instituições de benemerência e de solidariedade social. Estes verdadeiros beneméritos não andaram a apregoar caridade. Atuaram de maneira humanista e eficaz. Se os nossos abastados empresários, banqueiros e magnates das finanças assim procedessem, então sim, ganhavam crédito, apoio e gratidão das comunidades…
Neste momento são de novo os trabalhadores da Função Pública que estão a servir de “escudos humanos” entre o litígio que o Executivo tem travado com o Tribunal Constitucional, após ter solicitado que fosse dilucidado, sobre a inconstitucionalidade de certos diplomas legais no que respeita ao pagamento de subsídio de férias, aos trabalhadores da Função Pública.
Todavia ao que julgamos saber, este pedido já foi retirado e como tal, a concórdia já regressou ao seio das partes litigantes…
Ainda bem. Que haja “pax vobiscum” para que haja tranquilidade entre nós…

Por Fabião Baptista



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