20 de agosto de 2014

Férias escolares em Cancun e outras que tais...


Cancun no continente americano, as praias californianas, as ilhas gregas, entre as quais a de Corfu, Marbelha e outros lugares da costa mediterrânica espanhola, na época das férias escolares da Páscoa são um fervilhar de gente jovem, um autêntico formigueiro de gente tresmalhada, sem norte, abusada vilmente pelo sistema, que lhes propicia todo o tipo impune descomandos em troca de divisas, por que vão de pontos vários dos EUA, México, Itália, Inglaterra, Portugal, etc, etc. 
E porque esses desaforos assumem um patamar tão elevado, porque chegam a todo o género de incivilidade, desde destruição de locais de alojamento, consumo ilimitado de álcool e drogas, duras e sem o serem, a prática de sexo menos responsavelmente que os animais, até perturbações da ordem pública, é que certos órgãos de comunicação social dão notícia em programas televisivos alertando para a miséria. 
Entre nós alguns meios de comunicação social abordam o tema em geral, mas algumas estações televisivas, como não podia deixar de ser, de forma mais densa, completa e objectiva, concretizam os actos praticados por essa horda de bárbaros, começando por exibir alguns que, mal chegam, caem na bebida, sem parar, de um só trago, outros, às escâncaras, consomem “haxe“, e, algumas, que na sua terra e no seio das famílias, não passam de umas virgens, imaculadas e puras, ali chegadas, desaguam entre lençóis com um estranho tão embriagado como elas, para não dizer nos jardins, nas areias da praia, a coberto e a descoberto dos mirones, já participantes no mesmo tipo de acto ou em espera de o fazerem, porque não há limites, nem regras, nem valores que se sobreponham e prevaleçam. 
Claro que é impensável quando os pais, as grandes vítimas, com eles, na santa esperança, ilusão e engano, lhes proporcionam a viagem de férias ao estrangeiro, pensarem que o menino ou a menina de sua mãe saia dos carris, mas que saem, saem. 
Vão à procura de novos prazeres, por puro hedonismo, auto-aniquilando-se, longe de propósito cultural, de conhecimento de novas civilizações, se as há, para descomprimir tensões por processos aceitáveis - erros sempre os praticarão ou não fossem jovens. 
Nada disso. A autodestruição está-lhes na massa do sangue. Tudo o que de mais excessivo há é o que apreciam. 
Esses meios televisivos chegam ao ponto, para porem em evidência os maus caminhos dessa gente jovem, de porem no terreno, simulados e escondidos, de surpresa, os pais ou educadores, alguns dos quais não resistem ao que vêem, desiludidos, tristes e abalados, clamando que não foi essa a educação que deram aos filhos agora armados em libertinos e mergulhados em orgias, que não passam indemnes e deixam marcas para o futuro. 
Estamos em tempo em que os valores não existem e nem contam, como é apanágio das civilizações em desagregação. Foi assim no passado, com a queda do grande império romano do ocidente, com sede em Roma, ou com a vinda  Revolução Francesa, em que a corte francesa, a começar pelo exemplo da  rainha Maria Antonieta, se dissolvia por entre uma total anomia, de infidelidades conjugais, consumo excessivo de álcool festas grandiosas, vestuários faustosos, polvilhados por um uso escandaloso de jóias  num desbaratar sistemático do tesouro público, alimentado pelo povo, a quem o rei não parava de sobrecarregar. 
Os ricos, já então como hoje, fugiam aos impostos, havendo quem defendesse no passado, que só os pagava quem fosse estúpido, concepção ultrapassada por aquela, agora dominante, de que o imposto tem uma finalidade pública, de satisfação dos interesses comunitários 
A rainha foi guilhotinada, executada, subindo ao cadafalso, porque o povo, com fome, reclamando pão junto do rei Luís XVI, não lhe perdoou quando, em resposta, disse que comessem brioches. 
A história foi imperdoável. A história reage mal aos desmandos dos seus componentes. 
E se temos uma, a menor taxa de nascimentos do mundo, isso não se fica a dever, em exclusivo, à crise de emprego que assolou o país e que é maior do que se diz, porque foram mais de 150.000 os jovens que buscaram outras paragens nos últimos dois anos, na esperança de pão, que lhe negaram, diminuindo a pressão correspondente, estando o Estado a estalar as mãos de contente, embora diga o contrário, no que ninguém crê. 
Os jovens que remanescem por esses cantos e lugares, diz-se, não têm perspectivas favoráveis de os seus rebentos sobreviverem bem, logo não geram vida, sem perspectiva de emprego. Assiste-lhes alguma razão sobretudo quando são explorados,  miseravelmente, forçados a trabalhos fora de horas, irremunerados, num clima de medo de perda de emprego sistemática, hipótese em que são os avós que se lhes substituem numa altura em que era apetecível e merecedor o descanso e a tranquilidade, tornados impossíveis. Mas isso até agrada ao Estado porque o desgaste proporciona o mais acelerado envelhecimento, este a morte e a morte o riscar de número de beneficiário social. 
Mas também é verdade que no tempo das “vacas gordas” a natalidade não cresceu, foi diminuindo perigosamente, a 1, 28%, devendo ser pelo menos 2, 4 % , porque o que interessava ao casal era viajar, conhecer mundos, tirar prazer e só da vida, abonar-se com um cachorro ou gato, porque um ser pequenino era  incómodo, tirava o sono, um peso sistemático, pelo que se dilatava o nascimento para uma idade em que ficara para trás o potencial máximo da concepção entre os 21 a 28 anos. 
Outra vez a crise de valores a apoquentar-nos. E enquanto, conjuntamente com outras dinâmicas, se não recuperar e incentivar o respeito pela dignidade da pessoa humana em todas as variáveis, a começar na família, prolongando-se na escola, com difusão e ensinamento de regras salutares, continuamos ante o miserabilismo instalado em paralelo com o económico, ambos demolidores do ser humano. 
Estas palavras são para ti, Susana, mas podiam ser para uma qualquer outra jovem. Eras, e és uma jovem sem maldade de coração, que entregaste ao João há alguns anos, sempre de fidelidade, respeito e doçura. Mas o João também foi dos tais que numa viagem de selvagens, de fim de curso, te trocou por outra - às vezes é por outro - e com um meio sorriso, sem dó nem alma, te informou que não voltava mais para ti, indiferente ao sofrimento, deixando-te num mar de destroços. 
Pese embora a quebra de esponsais não leve à indemnização por danos, ficaria feliz se aquele que, sem justa causa, lhes põe termo fosse vítima da correspondente acção judicial.
Mas é impossível, porque se não está interessado neste país pela ética e nem pela moral; ainda verão os que vivem em união de facto tratados de igual modo, assimilados aos herdeiros previstos como tal na lei que nos rege.
Deixem o tempo correr ….


Por Armindo Monteiro


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