21 de julho de 2014

Dar crédito a quem?

Editorial

Imagem jornal Publico Online - 02/12/2013 
Chumbos do Tribunal Constitucional, cortes, reposições, críticas, receios, austeridade, planos alternativos, retoma, opiniões, rixas partidárias, greves, reivindicações, reformas de luxo, etc. É a terminologia na ordem do dia e diz da confusão instalada no tecido político e social .
Cada um opina a seu jeito e muitas vezes com pouca objectividade, porque focado apenas naquilo em que foi e é ‘lesado’ neste contexto de crise. Outros, na sua opinião, deixam transparecer uma preocupação menos egocêntrica e mais atenta aos riscos que todos correm. 
Mas afinal, dar crédito a quem? Que escolhas para superar a crise? Um mínimo descuido pode reactivá-la, afirmam alguns. Intuir a imparcialidade das inúmeras e plurais opiniões, torna-se difícil. Não basta um discurso bem articulado, é necessário apreender as intenções e sobretudo ver muito bem se a vida e a conduta estão em conformidade com os discursos.
Algumas medidas que o governo pretende tomar, continuam a ser impopulares e a exigir mais aos mesmos, sobretudo a quem já não tem onde ir buscar, isso é ‘cruel’ e instaura a indignação e em alguns casos o desespero. 
O Correio da Manhã, de 18 de Junho, em letras garrafais, denunciava as 1718 reformas milionárias que o Estado paga mensalmente e que constituem uma verdadeira afronta. Há milhares de famílias, a passar tão mal, que já não conseguem pagar ao banco a prestação da própria casa. 
‘O fisco está a penhorar diariamente e a colocar à venda 189 casas; o gás natural vai subir, sem nenhuma atenção às Famílias com mais filhos. Há idosos abandonados e privados do devido cuidado e da medicação necessária, porque escasseiam as possibilidades económicas, ou são encaminhadas para apoiar a família que passa necessidade.
Mas também aqui é difícil decifrar a verdade... neste contexto de inúmeras queixas e necessidades, não se entende onde se vai buscar tanto dinheiro para gastos luxosos e mesmo superfluos... mas afinal a pobreza no nosso país é mesmo real, ou é reveladora do grande fosso que vai crescendo, entre ricos e pobres?
“De acordo com os dados da Associação Europeia de Fabricantes Automóveis,  “as vendas de automóveis em Portugal cresceram 36,5% em Maio e, no acumulado desde Janeiro, progrediram 42% face a igual período do ano passado.  Trata-se do maior aumento na Europa”. 
Como interpretar esta e outras informações? Há crise ou não há crise?
Infelizmente, não são os mais atingidos pela crise, que se manifestam. Esses, normalmente, remetem-se ao silêncio, ou desesperados põem termo à vida. Há uma grande ambiguidade em tudo isto… 
O despesismo e a simples reivindicação, por si só, não dizem toda a verdade e se persistem no tempo, abalam qualquer sistema político e social. Mas uma acção focada apenas na mais valia, tende a ser geradora de enormes injustiças. 
É necessário espírito crítico e sentido do bem comum, para intuir escolhas que vão atenuando o fosso entre ricos e pobres, escolhas que não gerem mais desespero, não privilegiem apenas alguns e sobretudo não sejam indiferentes aos que realmente necessitam. 

Vieira Maria



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