21 de junho de 2014

O vazio argumental foi impressionante

Conforme já se esperava, o PS ganhou as “Europeias-2014”, embora por margem bastante inferior ao que todos prevíamos…
Deste modo, Portugal elegeu 21 eurodeputados, das 16 listas submetidas a sufrágio eleitoral, com 200 concorrentes expressos.
Esta era uma soberana ocasião, para o Zé Povinho ser informado e devidamente esclarecido do que era e para que servia o tão propalado Parlamento Europeu, que paga seis mil euros a cada eleito, sem falar nas prebendas que vão “escorrendo”, ao longo do ano.
Mas, nada disto sucedeu. Durante toda a campanha eleitoral, em lugar de elucidarem o eleitorado, sobre os temas a desenvolver ou sobre os projectos que tinham para apresentar, no Hemiciclo Europeu, e que viessem a beneficiar o nosso País, o que aconteceu?
Um verdadeiro chorrilho de impropérios; mútuas acusações, ultrajantes e injuriosas; um autêntico plesbicito, patrocinado por António José Seguro, contra o Governo do PSD/CDS.
Por seu lado, a “Aliança Portugal”, pela voz de Paulo Rangel e de Nuno de Melo, centraram todo o seu entusiasmo laudatório, num ataque furioso, ofensivo e soez, contra o consulado de José Sócrates, dirigindo toda a sua eloquente catilinária, contra a governação do PS, que levou o País à bancarrota e à beira do abismo económico e financeiro.
Quanto aos escalrachos do desemprego, dos inqualificáveis cortes nas míseras pensões, nos paupérrimos vencimentos da função pública e nas reduzidas reformas, na perda do poder de compra, das famílias portuguesas, nem uma palavra.
Escalpelizou-se sobre as profundas divergências, que imperam no interior do PS, ao ponto de nem Mário Soares ter aparecido nesta campanha eleitoral (caso raro e nunca visto), o que deu ensejo a que alguém glosasse deste modo: Não sei bem qual é o fado/ nem quais serão as razões/ porque Mário Soares está calado/durante estas eleições.
Se 80 por cento a nossa legislação, tem de se submeter às regras da União Europeia, como se justifica este alheamento e esta deprimente abstenção nestas eleições europeias?
Não ouvimos apresentar nenhum projecto, nem qualquer plano, que defenda Portugal no areópago Europeu. Nada disto foi debatido. Discutiu-se sim e às vezes de forma acalorado, foi dos enredos da política interna do nosso País e da sua Governação. Quanto ao Parlamento Europeu, zero.
Passos Coelho, Paulo Rangel e Nuno Melo afadigaram-se foi em invetivar o PS, acusando de ser um Partido esbanjador, despesista, que levou Portugal à beira do  abismo com suas alucinações governativas e com projectos megalómanos de TVG, e escusadas auto-estradas, a esmo, desnecessárias pontes,  projectos de implantação de novos aeroportos, rendimento mínimo garantido, quando os cofres da Segurança Social estavam à beira da falência. Concomitantemente acusavam o PS de não ter qualquer solução aceitável, capaz de solucionar os graves e gritantes problemas sociais, que nos afligem, opinando que foram eles (PSD/CDS) que salvou Portugal da falência e, como tal arrogaram-se de serem os salvadores da Pátria, os libertadores do Povo Português e os que souberam negociar com a “Troika”, no sentido de ter conseguido que se retirassem, após uma airosa saída “limpa”.
Ora tudo isto, se alguma credibilidade nos merecesse mais não era do que problemas de índole interna e não política europeia.
Por seu lado, o PS, ia rebatendo estas afirmações, alegando que quem colocou o País nesta lamentável situação de desespero e de nulo crescimento económico foi a coligação PSD/CDS e a sua submissão canina, aos próceres da “Troika”, que gozavam de “jus imperis”.
“Se há crescimento económico, qual será a razão por que as famílias portuguesas estão cada vez mais endividadas? Qual será o motivo porque os reformados, pensionistas e funcionários públicos tem os bolsos cada vez mais vazios? Porque será que os potentados económicos, os próceres financeiros e os “magnates” das grandes superfícies comerciais estão cada vez mais ricos e endinheirados, quando os pobres estão cada vez mais necessitados, ao ponto da classe média estar quase a extinguir-se, no nosso País? Se economicamente estamos melhor, porque continuam a considerar o nosso dinheiro “lixo”? Porque razão a terrível austeridade nos continua a sugar até ao tutano, diminuindo, cada vez mais, o nosso poder de compra, devido à imposição de impostos directos e indirectos, colectivos e singulares, pessoais e comunitários?
Será possível pagar 78 mil milhões de euros de que somos devedores? Será que é possível amortizarem 132,4 por cento da dívida pública que Portugal  já contraiu? Só de juros temos de pagar tanto, como toda a despesa que se faz, durante um ano, com o Serviço Nacional de Saúde.
Qual dos candidatos teve a coragem de abordar estes assuntos? Ninguém. Acusações mútuas, sórdidas e soezes, foram o que mais se ouviu, nesta vozearia eleitoralista da caça ao voto.
Sinceramente, que pobreza de argumentação. Será assim que os nossos eurodeputados vão defender os legítimos interesses de Portugal?

Por Fabião Baptista



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