25 de junho de 2014

Necessidade ou Valor?

“A crise da natalidade é uma emergência”, afirmam, hoje muitos, talvez os mesmos que aceitaram pacificamente a lei do aborto. Um paradoxo...
O que mais indigna em tudo isto, é que seja a necessidade o critério que impulsiona a acção e não os valores. Seduzidos por modernismos e ideologismos de circunstância, pactua-se com estilos de vida e de comportamentos, que favorecem a cultura da morte com os seus consequentes desequilíbrios pessoais, familiares e sociais. 
Esta cultura anti-vida, só no ano passado impediu que 17.400 bebés viessem à luz do dia. Para não falar de crianças abandonadas, maltratadas, dadas em adopção e tantas vezes privadas do aconchego familiar e afectivo de seus pais, tão necessário ao sentido de uma existência humana feliz. 
Intervem-se sempre ao lado... falta uma atitude proactiva, que antecipe medidas que contrariem estes e outros cenários, nada dignos da pessoa humana. O ser humano é demasiado ‘digno e grande’ para ser jogado e manipulado na lógica da necessidade.
A mudança de atitude, comporta a inversão de lógicas: à lógica da necessidade, contrapor a lógica do valor, sobretudo do valor da vida, da pessoa, da família e da solidariedade geracional. A vida humana vale pelo que é... e não por outras razões. 
Preocupado com a “crise demográfica”, e bem, o governo criou uma comissão multidisciplinar para a promoção da natalidade, com o objetivo de elaborar propostas, não vinculativas, ao executivo. O director da Faculdade de Ciências Humanas, José Miguel Sardica, a este propósito, afirma o seguinte: ”O decréscimo da natalidade é uma questão “macro” que influencia a “sociedade, as famílias mas também o rumo financeiro do país”, factor que deve “envolver todos os decisores e agentes” e “cada pessoa em particular”. 
“Cada organização pode pensar nos seus recursos humanos e perceber como pode ajudar. Como posso ajudar funcionárias, potenciais mães, adequando horários, gerindo recursos humanos, criando uma solidariedade junto das famílias”. 
Todos estamos em jogo nesta causa. São necessárias políticas que convirjam em planos concertados, pois só elas permitirão uma mudança de paradigma.

Maria Vieira


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