25 de maio de 2014

[Papa na Terra Santa] Mais que uma celebração, um desafio ecuménico

A Igreja do Santo Sepulcro é o símbolo máximo daquilo que une, mas também que separa os cristãos em todo o mundo.

O Papa Francisco e o Patriarca Bartolomeu encontram-se esta tarde em Jerusalém para uma celebração ecuménica que se realiza na Igreja do Santo Sepulcro. 
Se os dois líderes queriam encontrar um espaço que simbolize tudo o que une e o que separa as diversas comunhões cristãs, não podiam ter encontrado um local mais simbólico. 
O grande complexo religioso assinala o local onde o corpo de Cristo foi depositado depois de ter sido Crucificado, sendo por isso também o ponto onde decorreu a Ressurreição, o facto fundador do Cristianismo. 
A Igreja é, por isso, um local de peregrinação obrigatório para todos os cristãos que vão à Terra Santa. 
Mas a Igreja do Santo Sepulcro é simultaneamente um sinal visível das divisões entre as diferentes igrejas cristãs. Ao abrigo de um acordo que data dos tempos do Império Otomano, a custódia da Igreja está a cargo de seis confissões cristãs diferentes. Cada uma tem o seu espaço particular e as áreas comuns são divididas de acordo com horários muito rigorosos e zelosamente cumpridos. 
A tensão entre as diferentes comunidades monásticas é palpável e chega frequentemente a vias de facto, com agressões que obrigam à intervenção de militares israelitas para repor a ordem. Gregos e arménios têm sido, nos últimos anos, os mais conflituosos. 
Francisco e Bartolomeu esperam certamente que esta celebração ajude a sanar as relações entre as diferentes comunidades cristãs e que o abraço caloroso e sentido entre que vão dar sirva de exemplo para os monges e frades que convivem diariamente no local mais santo do Cristianismo.

por Filipe d’Avillez
in RR



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