17 de maio de 2014

Dom Paglia na ONU: colocar a família no centro da política

Por ocasião do XX Dia da Família promovido pela ONU, e que se celebra todos os anos no dia 15 de Maio, a representação diplomática da Santa Sé nas Nações Unidas propõe um encontro na sede da organização em Nova York. Quem interveio foi Dom Vincenzo Paglia, presidente do Pontifício Conselho para a Família. Nos microfones da RV o bispo Paglia resume a sua intervenção:

R. – Estou particularmente satisfeito que as Nações Unidas, por meio deste Dia, queiram forçar os governos acolocar a família no centro das suas políticas, porque percebem que sem ela salta o relacionamento entre as gerações, a criação da própria história, afinal, se enfraquece! É por isso que a Santa Sé, consciente daurgência de tudo isto, quer dar a sua contribuição, sublinhando que a família - pela sua particular construçãoe, quando falo de família, falo da maioria das nossas famílias, ou seja, pais, mães, filhos, avós e netos - esta família é o bem mais importante para as nossas sociedades, e mais ainda é a fonte de um desenvolvimento em escala humana das nossas sociedades.

Que contribuição pode dar a família cristã à família laica?

R. - Eu creio que a família cristã tem a responsabilidade não tanto de criar uma família diferente, mas a tarefa de aprofundar os valores da família humana, daquela família que é de todos. Existe um património comum que deve ser valorizado e proposto. A particularidade da perspectiva cristã é a seguinte: o amor, ou a bênção de Deus, que os esposos cristãos recebem salienta que o amor da família não é egocêntrico, não se fecha nas paredes domésticas, mas é um amor que nos leva a superar todos os limites. Portanto, a família cristã ultrapassa os seus limites e se liga às outras famílias; supera as suas tensões centrípetas para ir aos mais pobres; supera, ainda, a si própria para ir para a cidade, até chegar à família dos pobres. Enfim, aquele amor que se recebe no dia do matrimónio é um amor que nos leva até às periferias do nosso planeta. Neste sentido, há uma peculiaridade e uma riqueza de gratuidade que é a vocação que as famílias cristãs devem viver dentro de si e na perspectiva missionária.

Portanto, tudo isto vai a par e passo com o tema do 20° Dia da Família: exactamente, promover a integração social e a solidariedade entre as gerações. Deste último ponto de vista, o que se pode ainda fazer? 

R. Penso que é indispensável recuperar a ligação entre as gerações, que passa por aquele processo de educação que, na verdade, faz parte da própria missão da Igreja. Hoje fala-se de evaporação do pai: o que quer dizer? Que muitos pais abandonaram o empenho, a responsabilidade, a fadiga da educação. Dizer: "Sou teu irmão", significa não compreender a responsabilidade que um pai tem. Creio que é urgente que a Igreja redescubra no seu interior a perspectiva da relação entre as gerações depois para ajudar, como fermento, esta perspectiva dentro da própria sociedade humana. A tendência, como existe na Europa, para criar uma sociedade desfamiliarizada, isto é, para criar famílias monopessoais, isto significa que abandonámos - porque demasiado trabalhosa - a ligação com os outros: de facto, estar ligado por toda a vida com um outro nos parece insuportável. Mas isto quer dizer que, afinal, aquilo que conta é apenas o eu, apenas o próprio ser, e é claramente um modo para destruir a partir de dentro a sociedade e a própria vida comum entre as pessoas .






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