22 de maio de 2014

Cá, com lá, más fadas há…

Imagem retirada da rtp.pt

Elas aí estão… As eleições já se vê…
Desta vez, são as “Europeias”, das quais muita gente já ouviu falar mas muito pouco sabem o que isso é, e pouco dizem à generalidade do comum dos portugueses.
Estou certo que a grande maioria dos eleitores, muito pouco sabe da importância deste acto eleitoral e uma pequeníssima parte do Povo, sabe apenas que cada um dos 22 eurodeputados eleitos, vai auferir de uma “módica” quantia de seis mil Euros, por mês, de vencimento, quantia esta que será acrescida de 25.500 Euros, para despesas de assistência e representação e para cobrir as despesas de deslocação, com os transportes para os países de origem de cada eurodeputado.
Uma grande maioria dos portugueses, que são funcionários públicos, ou então pensionistas da função pública, esse são contemplados, em cada ano que passa, não só com a estagnação salarial, como ainda são forçados a pagarem e cada vez mais, a generosa e “patriótica” “Contribuição extraordinária da Solidariedade”, esbulho este que já subiu este ano, muito embora Pedro Passos Coelho tivesse garantido, veementemente, no pretérito mês de Março, que no transcorrer do ano 2014 não haveria cortes, nem nas pensões, nem nos vencimentos e reformas dos funcionários públicos. Uma verdadeira, refinada e descarada mentira…
Porém, embora as Famílias Portuguesas, da média e baixa classe social, definhem, cada vez mais, em cada ano que passa, embora o empobrecimento do Povo seja uma realidade bem visível e uma palpável afronta, o certo é, que é precisamente esta Povo que sofre e se vê, diariamente defraudado e espoliado, o que sustenta parte das subvenções do Estado, prodigamente entregue aos Partidos da galáxia política do nosso País. E isto porque cada Partido que concorra às eleições Europeias, vai auferir por cada voto que entre nas urnas, com uma cruzinha na sua sigla, a “irrisória” quantia de 3,20 Euros. Ora um Partido que tenha um milhão de votos, vem a receber nada menos do que 3.200 mil euros. Mas a cornucópia monetária não se fica por aqui. Para além desta avultadíssima verba, os Partidos recebem ainda para fazerem as suas campanhas eleitorais, mais 18 milhões e 500 mil Euros, cada um. É obra. E o Zé sempre a pagar…
Enquanto isto, o Povo sofre, suportando cortes constante nos ordenados e subida nos impostos directos ou indirectos, individuais e colectivos, singulares e comunitários, reais e proporcionais, sobre valor acrescentado ou únicos. Só “Contribuição extraordinária da Solidariedade”, lançada sobre os aposentados da função pública, engordou o erário público em 856 milhões de Euros… E enquanto a classe política de maneira impante e soberana, vive regaladamente na abastança, com dinheiro a rodos que foi buscar aos bolsos do Zé Povinho, as Famílias Portuguesas gemem e sofrem na miséria e ainda por cima, continuam a votar e a contribuir poderosamente para que esta aviltante e acabrunhada situação se mantenha “ad eternum”, em favor dos Partidos e dos políticos. Desgraçado Zé Povinho que tão atraiçoado e desprezado és…
Senhores governantes. Senhores Deputados. Será caso que esta situação, tão visível e notória, não vos aflija? Seta caso que V. Exªs ainda se não aperceberam desta caótica, generalizada e agonizante situação. Será caso que ainda não repararam que a cultura e matriz dominante deste Governo é o de tornar as Famílias Portuguesas, de menores recursos económicos, ainda mais miseráveis e indigentes?
As próximas eleições Europeias, vão ser já, disso tenho a certeza, um significativo teste ao Governo. E isto porque os eleitores não irão votar, com sentido de escolherem quem melhor irá representar Portugal no Hemiciclo Europeu. Irão sim, os eleitores, dar um voto de puro repúdio, ao Governo de Portugal, devido à sua calamitosa forma como tem gerido as finanças públicas e como tem maltratado a função pública e os seus servidores já aposentados. E tudo isto, porque os ditos “apoio” comunitários, que procedem da União Europeia em vez de ajudarem o Povo Português, a sair da miséria, irão ser gastos em favor da classe política e em sinecuras e prebendas, ficando as Famílias a “ver navios a passarem, no alto de Santa Catarina…”
Depois de quarenta nos do “regime dos cravos”, onde para a tão propalada igualdade social? Onde está a tão almejada democracia? Onde se encontram as benesses que tão propagandeadas foram, com o advento do “putsch” do 25 de Abril? Onde está a abundância que se dizia ser conseguida, com a nossa adesão à próspera União Europeia?
Para além de tudo isto, quem estiver atento ao que se passa no areópago da União Europeia, decerto notará que dos 766 eurodeputados que ali têm lugar, por eleição, e principescamente pagos, para ali estarem, apenas uma reduzida minoria se salienta, fala e apresenta projectos, dando largas à sua lucidez, inteligência, capacidade cognitiva e competência política. O resto permanece mudo e quedo que nem um penedo…´
É caso para dizer: “Cá, com lá, más fadas há…”

por Fabião Baptista


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