14 de novembro de 2012

Reflexões no contexto da celebração do Ano da Fé


1. Introdução

"A PORTA DA Fé (cf At 14, 27), que introduz na vida da comunhão com Deus e permite a entrada na Sua Igreja, está sempre aberta para nós. É possível cruzar este limiar, quando a Palavra de Deus é anunciada e o coração se deixa plasmar pela graça que transforma. Atravessar esta porta implica embrenhar-se num caminho que dura a vida inteira."

É com estas palavras que o Papa Bento XVI  inicia  a Carta Apostólica com que proclama um Ano da Fé a  celebrar de 11 de Outubro de 2012 a 24 de Novembro de 2013.
De um modo muito significativo e claro é-nos dito que essa porta esta sempre aberta para nós e que é possível passar por ela quando deixamos que o nosso coração se  transforme pela Palavra de Deus. A passagem não é, pois, automática, nem acontece por um mero acaso. Para passar esse umbral é necessário que cada um queira e ouse fazê-lo. É necessário a escuta e o encontro com Deus e com a sua palavra. Depois as coisas vão acontecendo, nem sempre livres de dificuldades, é verdade, mas sempre abrindo-nos novos horizontes de vida e novas possibilidades de realização. De facto, aqueles que temos a ousadia de responder no dia a dia a este convite, sabemos bem como a vida pode adquirir um outro 'sabor' e 'tonalidade' em todas as sua circunstâncias.
E todos nós, que fazemos parte desta família unida por este Jornal, também sabemos como a experiência familiar é não só fundamental, como indispensável, para ter acesso a este caminho que se abre após termos passado a porta. Daí o título que propomos para este conjunto de artigos.
A imagem da porta é mesmo muito sugestiva ajudando-nos a perceber um pouco melhor o que é a experiência da fé.  Antes de passar o seu umbral eu posso ter alguma ideia daquilo que está para além dela, mas sempre pelo que ouvi dizer e descrever e nunca por experiência própria. Só depois de eu próprio ousar a passagem é que posso ter acesso, por mim próprio, a toda a realidade que esse passar me possibilita. Ninguém pode passar essa porta por mim, mas podem ajudar-me, levar-me pela mão, ou mesmo ao colo se tenho muita dificuldade em caminhar. Digo ajudar e nunca obrigar, pois se me obrigam na primeira oportunidade voltarei para trás. 
E depois de a passar podemos descobrir que o caminho a que ela dá acesso também tem de ser feito por cada um, mas nunca em solitário e de um modo  isolado. Bastará, para isso, olhar para o lado, para a frente e para trás para vermos como esse caminho é percorrido por tantos outros, que constantemente se ajudam nesse caminhar.
É precisamente neste exercício de caminho em conjunto e de ajuda que queremos lançar um desafio aos nossos leitores. Na verdade, quando pensávamos que novo tema abordar neste espaço do nosso Jornal, foi ficando claro que deveríamos ter como pano de fundo esta proposta de celebração do ano da fé.  Mas como fazê-lo de modo a não repetir simplesmente o que já foi dito noutras ocasiões (lembro que no ano de 2008 foram publicados uma série de artigos sobre a temática «Falar Deus, Viver Deus - A transmissão da fé no contexto da família») e a deixar bem claro que a experiência da fé tem mesmo de ser uma experiência de vida, que toque a vida concreta das pessoas, que parta dessa vida e que seja capaz de gerar mais vida?
A interrogação foi-nos sugerindo uma resposta. Vamos escutar os nossos leitores, vamos ouvir o que eles têm para nos dizer. Vamos desafiá-los a que partilhem connosco as suas dúvidas, as suas certezas, as suas conquistas e dificuldades, neste exercício de percorrer em conjunto, como família, o percurso a que a porta da fé dá acesso.
Apesar de poder parecer arriscado aqui vai pois o pedido: partilhem connosco (através do meu mail juanambrosio@netcabo.pt, ou dos contactos do Jornal) o que são as vossa experiências, coloquem perguntas, façam sugestões... Eu depois tentarei dar-lhes uma forma (mantendo-me fiel aos vossos conteúdos) que nos pareça ser útil para todos os que partilhamos este espaço.
Vamos ajudar-nos a fazer este caminho a que a Porta da Fé nos deu acesso e ousemos viver, partilhar e testemunhar a fé à altura dos tempos que estamos a viver. 

por Juan Ambrósio


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