14 de outubro de 2012

Casados e Felizes


14. O  amor dos esposos berço de humanidade


Como todos sabemos vai decorrer de 30 de Maio a 3 de Junho de 2012, em Milão o VII Encontro Mundial de Famílias. Trata-se, sem dúvida, de um momento muito importante na vida da Igreja, das famílias e da própria humanidade.
 Na vida da Igreja, porque, e não tenhamos dúvidas a esse nível, o seu futuro passa também pelo que for o futuro da família. Com isto não estou a dizer que a Igreja pode correr o risco de acabar, o que afirmo é que a realização da sua missão está também muito ligada à realidade das famílias, e com isto não me estou só a referir ao indispensável e fundamental papel que estas desempenham ao nível da transmissão da fé, mas vou mais longe, apontando naquela dire-ção que me ajuda a entender a comunidade eclesial como família de famílias que no meio da história humana presencializa o Mistério de Deus e concretiza o seu projeto para a humanidade.
Na vida das famílias e da hu-manidade porque é sempre importante encontrar momentos onde esta realidade possa ser refletida e celebrada, de modo a ser vivida ainda com mais intensidade.  Como diz a primeira catequese de preparação para este encontro: “ A aventura da vida humana começa a partir daquilo que recebemos: a vida, a casa, o afeto, a língua e a fé. A nossa humanidade é forjada por uma família, com as suas riquezas e as suas pobrezas”. Basta esta pequena citação para percebermos a importância fundamental da família para a vida humana. 
Sem família não teremos vida humana em plenitude. Esta afirmação pode parecer banal e óbvia e, no entanto, encerra em si algo que vai muito para além do que é óbvio e banal. É que a vida humana não pode ser apenas vida, ou dito de outro modo, o viver para ser verdadeiramente um viver humano, não pode apenas ser um viver sentido, mas tem de ser um viver com sentido. Deste modo, para que haja vida humana também não basta criar as condições necessárias para que se possa gerar a vida, mas é necessário ir mais longe, procurando criar e desenvolver todas as condições para que essa vida possa ser verdadeira e plenamente humana.
Este é um dos âmbitos em que podemos ver e perceber de uma maneira,  infelizmente nem sempre evidente, a importância fundamental da família para a vida humana. Em bom  rigor, a vida, e refiro-me agora simplesmente à sua dimensão biológica, pode ser gerada fora do ambiente familiar. O mesmo não pode, no entanto, ser dito da vida humana. A este nível temos de falar noutras dinâmicas que necessitam de muito mais do que nove meses de gestação para se poderem desenvolver e consolidar. E mesmo durante este nove meses o ambiente que rodeia a mãe e o modo como ela vive, acaba por influenciar e ‘marcar’ o desenvolvimento da vida desse ser, de maneiras que já somos capazes de ir  percebendo, ainda que não na totalidade da sua extensão.
Em certo sentido, podemos pois afirmar que o útero onde é gerado a vida humana, não é simplesmente o útero materno, mas sim o ‘útero’ familiar. Claro que sem o primeiro nem sequer a vida seria possível, mas sem o segundo é a própria qualidade do humano que fica afectada. 
A partir deste olhar somos capazes de perceber ainda um pouco melhor a importância vital da comunhão conjugal. 
A família não se reduz, como bem sabemos, ao casal. No entanto, este núcleo, baseado numa eleição de amor, é fundamental para todo o desenvolvimento familiar. Aqui, porque ambos se escolhem um ao outro, porque ambos se comprometem um com o outro a construir uma vida que já não é simplesmente a de um, mais a do outro, mas sim a de ambos e que é definitivamente uma nova realidade, aqui, dizíamos, reside a base fecunda para a gestação da vida humana.
É por isso, que a vida do casal deve ser sempre acarinhada e alimentada. E mesmo quando os filhos nascem é importante não esquecer essa dimensão, pois ela continua a ser geradora de humanidade. Tal como no princípio, a vida do casal não se deve esgotar só no relacionamento dos dois, também depois ela não se pode concentrar só na relação com os filhos. O processo de gestação do ser humano implica e exige esta totalidade. 
Por isso é tão importante a experiência familiar baseada no testemunho e na vivência de um casamento que é feliz, não só por causa dos filhos, mas também por causa do amor conjugal.

Por Juan Ambrósio


0 Comentários:

Twitter Delicious Facebook Digg Stumbleupon Favorites More