3 de setembro de 2012

Ser Pai: Uma resposta contínua


Numa hora em que nos interrogamos sobre as determinantes das inadaptações, das perturbações comportamentais, das violências pelas quais envereda um número cada vez mais preocupante de crianças e adolescentes, é inapropriado desconsiderar e minimizar a importância dos suportes de identificação de origem familiar, dos valores e das obrigações normalmente veiculadas pela função parental, em geral, e pela função de pai, em particular. Na verdade, investigadores, corpo clínico e intervenientes sociais têm-se interrogado sobre o “lugar” que o pai ocupa e deve ocupar, de modo a responder convenientemente às necessidades psicológicas da criança e do adolescente. 
Colocada em termos de papel pela psiquiatria, ou de função pela psicanálise, esta questão não é nova. Por exemplo, numa abordagem psicanalítica, é um facto reconhecido que o pai contribui fundamentalmente para a construção da vida psíquica, bem como da identidade sexuada da criança: papel de “confirmação” para o rapaz, de “revelação” para a rapariga. 
Todavia, ao falar-se, do modo de responder convenientemente às necessidades psicológicas, estar-se-à a falar de um retrato de um pai educador heróico, inacessível, puramente ideal? Não verdadeiramente, pois cada qual deve fazer o melhor que pode, com aquilo que dispõe (as suas forças e as suas fraquezas, as suas potencialidades e as suas fragilidades), bem como está totalmente fora de questão pedir aos pais que se mostrem mais virtuosos que os outros homens, nem se irá percorrer os caminhos da filosofia ou da moral para diferenciar os bons dos maus pais. 
Ao falar-se de responder convenientemente está a falar-se de uma resposta que começa logo que o casal toma a decisão de ter um filho. Mais ainda, de uma resposta que decorre do envolvimento nos jogos e nas prestações de cuidados da criança que, quando dada, tem um indiscutível contributo, positivo, precoce e específico. Uma resposta dada no presente, que acompanha a vida dos filhos, tecida dos mais pequenos gestos, firmes e bondosos. Uma resposta que se dá nos momentos, de todos os dias, fundamentais e imprescindíveis da vida dos filhos. 
Da mesma forma que nos interrogamos sobre as determinantes de tão variadas e complexas manifestações comportamentais, devemos enfrentar a ausência, valorizar e promover a presença, palavras-chave para uma política familiar realista, construtiva, na construção, por vezes, frágil que é o desenvolvimento e a manutenção do laço pai - criança.

Madalena de Fundo

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