7 de setembro de 2012

O "valor incomensurável" do pequeno...


O grande e o pequeno, o pouco e o muito, são grandezas relacionadas entre si! Interdependentes, obtidas à custa uma da outra.
Constatamos todos que, nesta vida, tudo tem um valor ético, moral, espiritual, monetário, entre outros. Para além do benefício que nos possam proporcionar, todas as coisas precisam que se lhes dê o devido valor. Tanto as grandes como as pequenas. Mas a ambição humana por vezes ofusca a inteligência e leva-nos a valorizar umas em detrimento das outras: desprezamos as coisas pequenas, poucas e humildes; e valorizamos as grandes quantidades, os primeiros lugares… Ninguém quer ser o menor, nem o último.
S. Lucas conta-nos a propósito, belas e verdadeiras histórias em (Lc 9.46,48; 22,24-26), que é útil ler e ponderar…
Em um pequeno, grande livro “Caminho”, lê-se: “Não desprezes as coisas pequenas! Um pequeno acto feito por amor a Deus quanto não vale!”
A ciência da vida tem-nos demonstrado com evidência, que as coisas grandes se obtêm quando damos o verdadeiro valor às coisas pequenas.
No livro dos Prov. VIII, 31, encontramos também uma passagem que nos faz ver que “as obras do Amor são sempre grandes, ainda que se trate, aparentemente de coisas pequenas”, explicando que Deus se aproximou dos homens pobres criaturas e disse: “a minha delícia é estar entre os filhos dos homens.”
Por isso encarnou e veio para o meio de nós, mostrando-nos que tudo tem importância: as acções que, com olhos humanos, consideramos grandes; aquelas outras que, pelo contrário, classificamos de pouca categoria.
Estamos todos chamados a dar o nosso contributo para o bem - estar da humanidade: no lar, na própria profissão ou ofício, no cumprimento dos deveres de cidadão, no exercício dos nossos direitos…
E como daremos esse con-tributo? - Dá-lo-emos com naturalidade, com simplicidade, vivendo como vivemos no meio do mundo, entregues ao nosso trabalho profissional e aos cuidados da nossa família, participando em todos os ideais nobres, respeitando a legítima liberdade de cada um.
 “É aí, nessas tarefas diárias que Deus nos chama a santificar o trabalho e a santificar-nos com esse trabalho… Aquilo que muitos consideram erradamente como não transcendente e sem valor: o trabalho de cada dia, os pormenores de atenção com as pessoas queridas, as conversas e as visitas por motivo de parentesco ou de amizade é de facto, uma bendita normalidade que pode estar cheia de muito amor de Deus”. (S. Josemaria - Cristo que passa).
Celebrámos em 1 de Janeiro de 2012 a festividade de Santa Maria Mãe de Deus! Se contemplarmos um pouco a sua vida, dar-nos-emos conta de que a quase totalidade dos dias que passou na terra decorreram de forma muito semelhante à vida de muitos milhões de mulheres, ocupadas em cuidar da sua família, em educar os seus filhos, em levar a cabo as tarefas do lar.
Maria dá-nos o exemplo de um amor levado até ao extremo, até ao esquecimento completo de si mesma, e contente por estar onde Deus quer que esteja, cumprindo com esmero o pequeno dever de cada momento, quer seja o trabalho ou a oração. É isto o que faz com que o mais pequeno dos seus gestos nunca seja banal, mas cheio de significado. Por isso, Maria, que sendo Mãe de Deus e também nossa Mãe, é para nós exemplo e caminho. Podemos imitá-la nas circunstâncias concretas da nossa vida…
Procedendo deste modo, daremos aos que nos cercam o testemunho de uma vida simples e normal, com as limitações e com os defeitos próprios da nossa condição humana mas coerente. Uma vida repleta de conteúdo, de sentido, vivida com honradez e dando o exemplo de uma fé bem vivida - uma fé com obras - porque cheia da força da verdade divina.
O cuidado do pequeno é um indicador sólido de credibilidade, um gerador de confiança…
Em (Lc 16,10), lê-se: “Aquele que é fiel nas coisas pequenas, será também fiel nas coisas grandes. E quem é injusto nas coisas pequenas, sê-lo-á também nas grandes”.
É fiel, por exemplo, o que cumpre o pequeno dever profissional, cuidando os pormenores; o que persegue o objectivo de um trabalho realizado com sentido de justiça com outras pessoas e com a sociedade. Que procura rectificar com prontidão algum erro cometido em prejuízo de alguém…
Uma tarefa diária que diz respeito tanto ao empresário como ao operário, ou ao estudante. Ao médico, como à mãe de família que se dedica ao cuidado da casa, levando para diante os afazeres correntes do lar. Uma tarefa grandiosa coalhada de coisas pequenas, mas imprescindíveis para o bem - estar e harmonia da família.

Por Mª Helena Henriques

0 Comentários:

Twitter Delicious Facebook Digg Stumbleupon Favorites More