31 de agosto de 2012

Niilismo ético


Niilismo ético - tal como a chuva miudinha, esta ideologia teima em minar o pensamento e o agir da civilização, fazendo acreditar que o mal e o bem não existem. Logo, tudo se pode fazer, até matar.
Vem este título a propósito de um artigo que está a percorrer todas as plataformas da informação sobre a morte dos recém-nascidos O referido artigo: “Aborto após o nascimento: por que a criança deveria viver?, publicado em 23 de fevereiro no Journal of Medical Ethics, lança a dúvida de os recém-nascidos serem ou não pessoas, uma vez que o pensar e o refletir, são componentes básicas do ser humano e nesta fase ainda não estão desenvolvidas. 
"Os autores, Alberto Giubiini e Francesca Minerva, académicos em Melbourne, Austrália, argumentam que “o que chamamos de aborto após o nascimento (o assassinato de um recém-nascido) deveria ser permitido em todos os casos em que o aborto também o é, inclusive naqueles em que a criança não é deficiente” (...). 
"Em vez do termo infanticídio, universalmente aceite para descrever o procedimento, eles adotaram a expressão “aborto após o nascimento”. Para os mesmos autores, “O status moral de uma criança é equivalente ao de um feto, no sentido de que a ambos faltam as propriedades que justificam o reconhecimento do direito de um indivíduo à vida”.
Graças a Deus, as reações a tais premissas não tardaram, ao ponto de constituírem, elas mesmas, uma cerrada defesa do direito a viver, independentemente da idade, qualificando de ‘bestialidade’ tal pensamento e respectiva fundamentação:
“Nas décadas que precederam o Holocausto, muitas posições acadêmicas e declarações abriram caminho para o que Hitler e os nazistas fizeram”, Bill Muehlenberga.
“Usar a sala de aula e as revistas académicas para defender com frieza e com calma a matança de crianças não é sinal de profissionalismo nem de progresso. É um sinal de barbárie e de retrocesso”. No australiano Daily Telegraph, Andrew Bolt escreveu: “Não há um limite claro depois que você apaga a linha do absoluto que diz: não matar o bebé no útero da mãe”. A ladeira é escorregadia, prossegue Bolt, e este caso demonstra o quanto. 
Em 7 de Março, Barney Zwartz, editor de religião no Age of Melbourne, também da Austrália, escreveu que um passo fatal foi dado no debate sobre a vida quando o conceito de “qualidade de vida” substituiu o do “valor da vida” nessas discussões. (cf. John Flynn, LC, in zenit, 14/03/12)
É uma forma, esta de minar, injetando dúvidas sobre as mentes e consciências. Aliás, se se quiser ver é esta ideologia que está disseminada, de forma mais ou menos velada, nos comportamentos que abonam em favor do aborto, da eutanásia, da desagregação familiar; do abandono dos idosos, da violência cometida a inúmeras crianças e de muitos outros comportamentos similares.
É necessário muita lucidez e uma forte atitude crítica, fundamentada, face a esta banalização da vida humana, que tende a negar o mais básico de todos os direitos: o direito à vida. Trata-se como refere um dos críticos de “uma ladeira escorregadia”, pois se assim é, todos podem matar todos, e isso é o fim.

Vieira Maria

0 Comentários:

Twitter Delicious Facebook Digg Stumbleupon Favorites More