6 de julho de 2012

A Guerra dos mercados e a Família


por Armindo Monteiro

Um académico, na área da economia, chinês de nacionalidade, a propósito da civilização ocidental em curso escreveu que o homem ocidental trabalhava pouco, vivia para o prazer, perdia pouco tempo com a família, que se tornou desedu-cada. 
Os chineses, conhecedores dos vícios da civilização ocidental, iriam explo-rá-los, começando por produzir a baixo custo, depois por invadir o mundo com preços de chuva, a produção escoar-se-ia sem limites para todo o globo; os ganhos seriam colossais e, a partir daí, numa inversão de papéis, tornar-se-iam senhores do planeta, comandariam a história, praticando, agora, preços a seu bel-prazer, tornando os outrora domi-nadores em servilmente dominados. 
E a história não está a afastar-se desta previsão, desta estratégia 
Desconheço se, também, foi para a contrariar que se assiste no globo a uma guerra. E essa, felizmente, ainda não é a atómica, mas é uma autêntica guerra, a de mercados. 
O que conta, constituindo o seu objectivo, é o ganho imediato, o dinheiro. Essa guerra é uma guerra suja, que não conhece a moral e nem a ética. À sua lógica pouco interessa o despe-dimento, a angústia de sucumbir a ele, a fome e a miséria. 
A lógica do dinheiro levou aquela guerra a explorar a riqueza dos países pobres, adquire-lhes as matérias primas a preços concertados entre as grandes potências e compradores, e, depois, exporta-lhes tecnologia beligerante, de segundo grau, já usada ou de eficácia reduzida. 
Em paralelo é consentânea com a produção de droga nos locais amplamente conhecidos, só se afligindo quando lhe chega às fronteiras e lhes desgraça o indivíduo, a coesão social e os custos do orçamento para tratamento, mais que difícil se não impossível. 
A família, nessa guerra, não conta. 
A  miséria da fome, por via do desemprego, na família, é um mal necessário. O crime, ligado às condições de vida e de miséria, que despertam a cobiça para a subsistência, o amolecimento da lei e um quase autoimpulso, com dificuldade de contenção, pouco lhes importa . 
A falta de coesão no tecido social, que acaba por se dividir e opôr  os que são detentores de médios meios de subsistência, os que tem pouco e nada, é redutora, depois, aos que, agora nada têem e os que tinham antes e agora vão ficar pobres como os do antecedente; em contrapartida uma legião incomensurável de pobres tende a alastrar, contras-tante com uma minoria cada vez mais rica. 
Há dezenas de anos nos EUA alguém previu isso mesmo, mas o mundo, cego e avesso a valores, fez ouvidos de mercador. 
Essa guerra não está preocupada com a unidade familiar, com as uniões estáveis, nem com a sua importância na construção de um mundo melhor. 
O dinheiro em quantidade cada vez maior é a sua arma de combate, ainda que para se conseguir, haja que lançar mão da mentira, da trapaça, do suborno, da corrupção, da publicidade mentirosa, da influência, do compadrio, do desrespeito pela dignidade da pessoa  humana, agora tornada coisa, olhada como mero objecto, lixo para quem detém hoje o poder, que amanhã, numa lógica oposta à fixidez do passado, pode deixar de o ter. 
É nesta guerra, já no ar, que vamos ter que nos confrontar. 
Resta-nos apelar à coragem, à resistência, à não abdicação de valores fundamentais, à denúncia, sem medo, da sua ofensa, seja por quem for. 
A família tem de reforçar energias, não cruzar os braços, e sobretudo, entre nós, contra o que nos querem fazer crer, dizer que há responsabilidade daqueles que nos conduziram, e esperamos que sejam só esses, ao lodaçal em que estamos mergulhados, pedindo-lhas. 
A crise entre nós, de certo, que não pode abstrair do contexto internacional, mas tem muito a ver com aqueles que, desde há dezenas de anos, montaram o cavalo do poder. A essa realidade a família não pode e nem deve fechar os olhos…

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