29 de junho de 2012

Sentir de Mulher


Por Fernanda Ruaz

Olá, amor! 
Gosto de me levantar de manhã, bem cedinho e ver o dia começar. É hora em que ainda só se ouvem os passarinhos e o relógio da nossa sala no seu imper-turbável tic-tac. É hora em que tudo ainda está em aberto, uma folha nova e branquinha do nosso quotidiano ainda por preencher. Vamos ser nós a decidir, em grande parte, como vai ser este dia: de paz, de amor, de alegria, de compreensão mútua ou de zanga, discórdia, mau viver, recriminações…Tão diferentes as hipóteses! Tão diferente, o teu rosto, quando sorris, brincas, cantarolas ou assobias, de quando te irritas e gritas… tão diferente, devo ser eu, quando te mimo, te admiro, te aprovo, de quando me enfado, me irrito, me zango e te acuso de mil falhas… 
A vida passa, voam os dias, somam-se os anos em tic-taques sem fim, neste nosso relógio da sala comprado, com amor, num aniversário do nosso casamento. Tantos anos! Passámos tantas coisas juntos, conhecemos tanta gente, vivenciámos tantos momentos, bons, maus, neu-tros…vivemos tão próximo, tanto tempo, que acho que meu modo de conceber o mundo também se fez com a ajuda do teu sentir, do teu pensar, do teu agir…embora eu seja tão diferente de ti, às vezes tão oposta, tão diametralmente oposta, como convém num casal…
Já me tens perguntado, ternamente: casavas outra vez comigo? E quase sempre, entre riso te respondo:” Só se estivesse maluca!". Mas a verdade, a verdadinha, é que sim, voltaria a casar. Porque creio que só contigo, a teu lado, poderia cumprir o meu percurso, o que fiz de bom e de mau, mas que me fez crescer e continuará, enquanto formos vivos e formarmos um casal. Juntos tivemos  os nossos melhores momentos, juntos enfrentámos as nossas maiores dificuldades. É certo que me senti só, muitas vezes. Tenho a certeza que também muitas vezes te sentes só. Faz parte da existência humana, esta incompletude, esta incapacidade de poisar completamente a mente e o coração nos ombros de alguém. Tanta vez desejei que ouvisses o murmúrio da minha alma só olhando para os meus olhos! Não existem palavras para expressar algumas ideias, não existem palavras para expressar a maioria dos sentimentos…  Eu e tu seremos sempre duas pessoas distintas. Andaremos sempre, como o mítico par platónico, que era um só, até ser dividido ao meio, à procura da metade que nos falta. Homem - mulher. Tão diferentes! Mas sempre iguais em dignidade humana. Sabes como me magoa ver as mulheres serem tratadas ainda como “inferiores”, como seres menores, a quem os homens vão dando ou não a liberdade…  
“ELE (Deus) os criou  homem e mulher” (Gn. 1, 27). Mas a nossa herança judaico-cristã  rapidamente se fixou na versão “da costela que retirara do homem, o SENHOR Deus fez a mulher…” (Gn. 2, 22). E lá aparece a mulher saída do homem, que rapidamente se transforma apenas em sua servidora e não é mais a companheira, 'realmente, osso dos meus ossos, carne da minha carne' (Gn. 2, 23). Se o homem tivesse entendido o recado! Se ambos, como casal, tentassem, desde início, serem realmente uma só carne, ou seja, uma identidade, no desejo de melhor cumprirem a sua missão na Terra que Deus lhes confiou… sem contudo perderem as suas características individuais, mas antes completando-se!
Casar é ser parceira, companheira, cúmplice de uma aventura estranha que é esta de viver. Assim quero estar ao teu lado. Igual, apenas em Direitos e Deveres, para usar termos  de boa política. Nada de super-protecção. Nada de hierarquias ou cabeças de casal. Sinto-me exactamente ao teu nível na tomada de decisões pessoais e de casal.
Aceito-te e amo-te com és. Nunca te mudaria, até porque só tu e Deus são donos do teu ser. O que não equivale a dizer que aceito que me possas, voluntariamente, fazer mal, menosprezar-me ou violentar o meu querer. Deixar que tu sejas quem és, cresças e te fortaleças nos dons que Deus te deu, é um imperativo. Não te quereria preso a mim, sem te dar a hipótese de fazeres o que gostas e para o que nasceste. Em troca,  só te peço ser tratada da mesma maneira. 
A felicidade é feita de pequenos nadas. De carinho, gentileza, atenção, respeito mútuo. A atracção física é importante, mas na mulher, a vida sexual anda, quase sempre, ligada à ternura, ao bem querer, ao cultivo de “um clima” que está muito mais ligado ao sentimento do que às hormonas. 
Juntos, construímos felicidade, muitas, muitas vezes. Por isso hoje quero dar-te um beijo feliz, agradecendo a Deus o dia em que te conheci, meu namorado, marido e companheiro de jornada nesta vida!

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