24 de junho de 2012

Alegria de pertencer a Cristo


Por Mª Henriqueta M. Baptista

Animada por um sentimento de alegria e gratidão a Deus,  e aceitando o desafio, partilho a minha história vocacional com os leitores do Jornal da Família. 
Permitam-me começar por agradecer ao Senhor o Dom da minha família que sempre acolheu de bom agrado a decisão livre e consciente dos filhos no discernimento e opção vocacional. 
Acredito que a Família é a melhor escola da vocação dos jovens. Ela é o cerne vital da vida e do amor e como tal deve cultivar no seu ambiente familiar os valores mais nobres, que hão-de formar os filhos, futuros construtores da Sociedade e da Igreja.
Nasci numa Família humilde, a segunda de quatro irmãos. Foi no seio familiar que a minha vocação nasceu e foi amadurecendo. No berço fui educada na Fé. Todos os dias na minha casa se rezava e os meus pais procuravam transmitir aos filhos os valores humanos e cristãos sobretudo pelo exemplo de vida e o  testemunho da sua Fé. Isso ficou gravado para sempre no meu coração. 
Desde muito jovem senti que o Senhor me chamava a uma vida de Consagração. Com onze anos fiz o meu primeiro retiro. Aos treze anos fiz a profissão de Fé, nesse dia ouvi a interpelação do Senhor que me convidava a segui-Lo. Pensei que fosse fruto do entusiasmo desse dia, por isso, tentei esquecer.
Aos 14 anos conheci o Instituto Secular das Cooperadoras da Família, comecei a contactar com as Cooperadoras no centro de Viseu. Aprendi corte/confecção e os trabalhos domésticos. Dos 15 aos 18 anos estive no centro do Instituto em Madrid a colaborar no Centro Infantil e no Lar de Idosos. De dia para dia ouvia a voz do Senhor a ecoar em mim. Os meus olhos viam a alegria das Cooperadoras que se davam de alma e coração. Eram felizes, doavam-se àqueles idosos, crianças e suas famílias. Procuravam ser fiéis ao seu espírito e missão. O desejo de me identificar com elas e de procurar o Senhor, a sós, aumentava em mim. Todos os dias participava na Eucaristia e fazia a minha oração. 
A voz do Senhor foi ganhando forma e força, eu sentia-me interiormente agarrada por Ele. Estava confusa. Seria Cristo a chamar-me, ou seria entusiasmo por viver junto das Coopera-doras? Pedia muito ao Senhor que me fizesse ver o caminho. Regressei a Portugal, trabalhava e retomei os estudos em regime pós-laboral. Durante 4 anos vivi numa tensão permanente de discernimento vocacional. Integrada na Paróquia, era catequista, participava no coro dos jovens, fiz vários encontros e retiros de jovens. Tudo me falava de Deus... e o meu encontro pessoal com Cristo na oração era diário. Eu sentia uma alegria imensa e uma fortaleza que tudo superava, não sei explicar. O Senhor serviu-se de vários intermediários para me chamar.
Era o Ano internacional da Juventude, 1985. Alguém me ofereceu a carta que João Paulo II escreveu aos jovens. Lia e relia muitas vezes. Mas a frase que me marcou e fez dar o salto” foi esta: “Jovens não tenhais medo! Cristo ama-vos e espera por vós!” Era o Senhor a chamar-me. 
No dia 29 de Setembro de 1985 ingressei no Instituto Secular das Cooperadoras da Família, para aprofundar e discernir melhor  aminha vocação. Passado cinco anos, consagrei-me ao Senhor, no Instituto. O sonho e o desejo de ser Coopera-dora, tornava-se agora realidade: Seguir o Senhor pela profissão dos conselhos evangélicos e comprometer-me a servir Cristo, pobre, casto e obediente, abraçando a espiritualidade e o carisma do Instituto “o cuidado da Santificação da Família”.
Apesar da minha pequenez, hoje o Senhor continua a chamar-me, para viver em plenitude esta aliança de amor com Ele. Na minha vida profissional junto das crianças e das Famílias com quem contacto e no desempenho das minhas funções, procuro ser sinal do seu amor. 
Passaram 27 anos de consagração no Instituto. Vivo feliz. É maravilhoso experimentar a presença de Deus na minha vida e saber que procuro realizar o seu querer. Vale a pena arriscar tudo por Cristo! Reconhecer a misericórdia de Deus e saber-me amada por Ele, esta é a melhor experiência. 
Hoje agradeço o Dom de Deus na minha vida, e reafirmo o meu SIM. “De quem tudo recebi a Ele tudo entrego”. Sinto-me pertença absoluta de Cristo. Tal como o barro nas mãos do oleiro, sei que a minha vida está nas Suas mãos para que Ele disponha dela, para que me renove interiormente, me faça crescer, segundo a sua imagem e para que possa afirmar, como Paulo: "para mim viver é Cristo". 
Peço-Lhe que me continue a conduzir, e me ajude a estar sempre numa atitude de abertura e escuta interior para prosseguir  na fidelidade à missão confiada. Viver em fidelidade um projecto, torna-se hoje um grande desafio. A Vida Consagrada continua “a ser apelativa para muitos", tal como o matrimónio cristão, embora às vezes, o compromisso definitivo, pareça assustar os jovens.  Mas a graça de Deus tudo torna possível. Viver em fidelidade e amor, um projecto até ao fim, não chega contar apenas com as próprias forças, mas é necessário confiar n'Aquele que é o Senhor da Vocação, Deus Pai. Ele tudo pode, se lhe dermos a primazia  em  nossas vidas. 
Jesua continua, hoje, a precisar de pés, mãos e voz para ser conhecido e amado. Precisa de mim e de ti, para que outros experimentem alegria de Lhe pertencer.

Em jeito de gratidão e súplica...

Canto Senhor alegria de Te pertencer!
Obrigada pela dom da Vida e da Fé que me concedes.
Pelo gozo de poder experimentar o Teu grande Amor.
Obrigada pelo carisma que me confias-te,
Pelo caminho percorrido e correspondido no projecto de
vida e felicidade abraçado ao serviço da Família
no Instituto e na Igreja.
Senhor confio-te os jovens com as suas esperanças,
desejos e projectos de construir um mundo novo
mais humano e mais justo.
Dá-lhes a sabedoria para que saibam discernir o Teu querer.
Sê Tu o guia e a força no seu caminhar.
Abre o seu coração aos  os Teus desígnios de amor.
Que saibam acolher o Teu chamamento, e respondam
com um sim generoso.
Prende-os ao teu coração e enlouquece-os de amor por Ti.
Para que sejam a esperança deste mundo
e com a sua frescura  e juventude possam contagiar
a humanidade da Tua Ternura e Beleza.


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