15 de fevereiro de 2012

O Futuro dos Nossos Jovens

Milhões de jovens inteligentes e sem emprego desencadearam revoltas no mundo árabe. Mas o problema não se confina ao Médio Oriente e a Norte de África.
A Organização Internacional do Trabalho diz que, em 2009, existiam em todo o mundo 81 milhões de jovens, entre os 15 e os 24 anos, sem emprego.
Em França, o desemprego jovem atingiu 25% no fim de 2010. Em Inglaterra já tocou nos 20,3%, ou seja quase um milhão de pessoas e em Portugal era de 15,4% no final do ano passado.
Mas é em Espanha, com mais de 40% dos cerca de 4,3 milhões de “parados” que o panorama é mais negro para os jovens.
No nosso país, eram 95.500 os jovens até aos 25 anos sem emprego em Dezembro de 2010. Não se sabe quantos desses jovens possuíam licenciatura ou mestrado, sabe-se apenas que existiam 76.600 licenciados sem trabalho no final do ano passado.
Mas também se sabe quais são os cursos com menos probabilidade de emprego e muitos são os que continuam a insistir neles, provavelmente apenas para terem um curso, na esperança de que, no final, as coisas acabarão por se resolver.
Psicologia, Sociologia, Jornalismo, Direito, são apenas alguns dos cursos que têm vindo a engrossar o exército dos desempregados com licenciatura. Mas também as áreas técnicas não são já garantia de empregabilidade.
Enfermagem, Arquitectura, Economia, Gestão, Engenharia Civil, Química, etc., também têm, na maior parte das vezes com o apoio dos pais, coleccionado formação complementares, como mestrados e pós-graduações, sem que o panorama se alterne.
Ao mesmo tempo, existem empresários que procuram empregados indiferenciados sem sucesso, porque não estão nos grandes centros, e outros que, nas cidades ou nas zonas turísticas, não encontram padeiros, pasteleiros, chefes de talho, cozinheiros, etc.
Cavaco Silva dedicou a vitória nas eleições presidenciais aos jovens portugueses e o primeiro-ministro tem dito que está preocupado com os mais novos.
Mas será isso suficiente? O desemprego jovem não pode ser um combate isolado, tem de ser integrado num movimento mais envolvente de criação de emprego e, para isso, será necessário que as autoridades colaborem entre si para facilitar o investimento empresarial e a criação de empresas, sem olhar para os gestores e empresários como se de criminosos se tratassem.
É preciso apoiar aqueles que começam a facilitar a vida àqueles que já estão no terreno. É um bom pretexto para que os que criam emprego sejam elevados à categoria de heróis.
E quem cria emprego são as empresas, não são os governos. São os privados. Disso não haja dúvidas. Mas os jovens podem ter uma palavra a dizer, pela criatividade, pelo arrojo e pela disponibilidade.
Há inúmeros exemplos de negócios que nasceram de simples ideias. A título de exemplo, um jornal diário noticiou a história de um jovem de 23 anos que colocou à venda uma aplicação para o Farmville – um jogo através da Internet – e já ganhou muito dinheiro com isso.
Mas outros têm procurado colocar em prática as suas ideias e criado emprego e riqueza. É esse o caminho. O futuro será dos que tiverem ideias e acreditarem nelas. O futuro será daqueles que tiverem a coragem de arriscar ou de acompanhar e ajudar os empregadores e não dos que ficarem à espera que lhes arranjem emprego.
Todos temos familiares, amigos ou familiares de amigos que são jovens à procura de trabalho. O drama toca a quase todos, mas, como em tudo na vida, há duas atitudes possíveis: exigir que se criem mais empregos, sem cuidar de saber onde nem como, ou pôr a cabeça a funcionar, descobrir oportunidades e depois colocá-las em prática. Os jovens de hoje são uma geração “à rasca” como já foram outras no passado e como é, por certo, a dos 35 aos 44 anos, com 22,5% do desemprego registado em Portugal. A maior parte dos 139.400 sem emprego neste escalão, tem família, responsabilidades e muitas ‘dores de cabeça’. Estão, por isso, também “à rasca”, como o está, no fundo, o País.

Por Orlando Fernandes


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