21 de dezembro de 2011

Números da Crise


Mais de 13 milhões de pessoas de uma região que abrange a Somália - o país mais afectado – a Etiópia e, com menos intensidade, o Djibuti e o Uganda, enfrentam a pior crise alimentar dos últimos 20 anos. 

Segundo as Nações Unidas, vai perdurar até, pelo menos, 2012. Calcula-se que cerca de 100 crianças morrem todos os dias na Somália vítimas da fome e da má nutrição, enquanto milhares de pessoas tentam diariamente alcançar os campos de refugiados superlotados, em Mogadíscio ou em países vizinhos, arriscando semanas de caminhada e a passagem por regiões controladas pelo grupo terrorista Al-Shabad, considerado próximo da Al-Qaeda. 

Os seus guerrilheiros têm dificultado o acesso da ajuda humanitária a milhões de pessoas necessitadas, alegando que o problema humanitário na região não passa de uma invenção e um complô das organizações humanitárias para melhor controlarem a região. 

As causas desta crise humanitária são unanimemente atribuídas às condições climáticas: a seca. 

Cerca de 75 por cento da população da região depende da agricultura. 

Quénia e Etiópia mostraram-se incapazes de antecipar medidas para minorar uma situação que já vinha sendo alertada, desde o ano passado, pelas organizações internacionais. 

Por seu lado, a prioridade do governo da Somália tem sido tentar sobreviver aos ataques dos grupos armados, numa guerra civil que se arrasta há cerca de 20 anos. 

Para além disso, estamos numa região com um crescimento populacional forte, agravando ainda mais a situação alimentar em tempo de crise. 

Como se isso não bastasse, a pequena agricultura, da qual depende a alimentação da maioria da população, tem vindo a ceder terreno para as grandes explorações agrícolas, muitas delas dedicadas a produtos destinados a mercados internacionais, como acontece com o caso dos biocom-bustíveis e das flores. 

A gravidade da situação levou a Organização das Nações Unidas a pedir aos países membros um reforço da ajuda humanitária necessária para combater a crise alimentar. 

As estimativas iniciais cifravam-se em 2,4 biliões de dólares, mas face ao agravamento da situação e à identificação de novas regiões afectadas pela seca, as Nações Unidas têm vindo a rever os números que se situam agora em cerca de 7,9 biliões. 

Falamos de um montante certamente elevado, quando sabemos que os Estados Unidos e a Europa, que se encontram entre os principais doadores da ajuda humanitária mundial, enfrentam uma crise económica e financeira grave. 

Mas, como nos recordava recentemente um editorialista do jornal Le Monde, as despesas do Pentágono serão, em 2012, de 600 biliões de dólares e o plano financeiro de ajuda à Grécia irá ultrapassar os 400 biliões. 

Por Orlando Fernandes

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