20 de novembro de 2011

Dar esperança em tempo de crise

Vivemos tempos difíceis. A família, como célula base da sociedade, é imediatamente afetada por esta crise generalizada e que promete perdurar. Neste contexto, exige-se um novo paradigma, uma nova forma de estar e de nos relacionarmos. As pressões externas para a eficiência e produtividade, se positivas, originam por outro lado desemprego, trabalho precário, mudanças abruptas nos comportamentos laborais, piores remunerações e menos apoios sociais. Como consequência, vamos ter mais famílias em grande dificuldade, mais depressões, mais conflitos conjugais/ intergeracionais, mais divórcios, mais desespero. Vamos ter mais crianças tristes, mais jovens sem sentido. Para piorar as coisas, muitos dos casais que trabalham na pastoral da família (e noutras pastorais) também serão, certamente, atingidos por esta onda assoladora.
No meio deste ambiente desfavorável, urge ser profeta da esperança. A Boa-Nova do Evangelho dirige-se especialmente para os corações perpassados por espinhos. Uma vida de fé ajudará os casais, as famílias, a superarem as dificuldades. A oração, a direcção espiritual, o convívio com outros casais, o auxílio a pessoas ainda com maiores dificuldades, ajudam a suavizar a dor e a ver com mais ´optimismo as coisas e a vida.
As nossas comunidades, as nossas pastorais têm de contar com este cenário profundamente desconcertante, até porque abrange (também) pessoas que nunca seria suposto passarem mal. Em consequência, muitas das situações serão sofridas sem sinais exteriores.
No contexto conjugal, quando elas se extremam já não se vai a tempo de impedir a ruptura. Há, pois, que estar atentos, sobretudo aos casais mais novos. Há que acudir a situações dramáticas com a ação sócio caritativa. Há que transmitir palavras e atitudes de esperança, ajudar a sair de becos sem (aparente) saída. Se aos leigos é pedida maior atenção às situações difíceis, aos sacerdotes pede-se especialmente maior disponibilidade para a direcção espiritual, ouvindo e aconselhando (e perdoando), em nome de Deus. É uma tarefa sublime e insubstituível, que lhes compete sobremaneira, e que devem colocar em primeiríssimo lugar nas suas rotinas.
Um mundo esgotado pelo sensualismo, pelo consumismo, pelo materialismo, pelo indiferentismo perante a religião, só se recuperará com gigantescas doses de esperança, radicadas na Boa Notícia do Evangelho, nas Bem-aventuranças (ou seja, na Fé, na fraternidade, no trabalho, na sobriedade, na razoabilidade).
E estas doses têm de ser administradas pelas nossas mãos…
No dealbar de mais um ano pastoral, este particularmente marcadíssimo pela crise societária - que as nossas palavras e, sobretudo, as nossas atitudes possam ser galvanizadoras de pastorais familiares (e outras pastorais) vividas com muita esperança nas nossas comunidades.

Por Jorge Cotovio

0 Comentários:

Twitter Delicious Facebook Digg Stumbleupon Favorites More