21 de outubro de 2011

Convulsões

Editorial (publicação do mês de Outubro)

Dois temas dominam esta publicação, as Jornadas Mundiais da Juventude, pois em Setembro esta publicação esteve suspensa para férias do pessoal, e a realidade actual condensada na expressão por todos aceite e pronunciada: a 'crise'. 
Duas realidades que diferem no conteúdo, na forma e na natureza, mas que podem ser suporte uma da outra, eis a razão porque se dá voz a quem de longe observou o que se passou em Madrid durante aqueles dias, mas também, a quem participou activamente neste evento único e denso. 
É quase indescritível o que se viveu! Só a fé pode desencadear estas coisas! Um 'tsunami' juvenil inundou Madrid: o canto, a alegria, as palmas, os sorrisos rasgados, em jeito de dádiva e reconhecimento fraterno, a exuberância, imprimiam um clima de festa aos cantos e recantos madrilenos. 
Ninguém ficava indiferente! Uma grande família unida no mesmo Senhor, para celebrar, publicamente a fé, com Bento XVI, o sucessor de Pedro, que não se cansa de apontar a todos, crentes e não crentes, o caminho do Bem, da Verdade e da Beleza. Na musicalidade das diferentes línguas, era possível um entendimento comum e único! 
Mas a evidente exuberância juvenil dos milhares de jovens, que poucos conseguiam calar, cedia espaço ao silêncio profundo, nos momentos mais fortes do Encontro: a Eucaristia de abertura; a saudação e a Palavra de Bento XVI, a Via-Sacra, a adoração Eucarística no aeródromo e a celebração conclusiva. Nada, nem mesmo o mau tempo, fazia arredar pé! 
Os jovens são capazes de muito, se movidos por altos ideais... e quem sabe se a participação neste acontecimento, não foi para muitos incentivo e força na superação das dificuldades que esta 'crise' generalizada faz sentir? 
Era outro mundo... mas o regresso, fez esta multidão de jovens acordar banhada por uma convulsão de coisas, advindas da chamada 'crise'. 
As informações são voláteis e contraditórias... ora é, ora já não é... é difícil perceber a solidez das informações e intuir o rumo que tudo isto vai tomar... 
A comunicação social parece viver da necessidade de apresentar novos assuntos, novos escândalos, novidades... impedindo que haja tempo suficiente para amadurecer ideias e delinear projectos. Há um proliferar de segmentos de informação, que deixam no ar o medo, a dúvida, a confusão, a depressão e, por vezes a revolta, retirando os 'mínimos' de esperança e confiança e até a vontade de cooperar. 
Sabe-se que a crise económica e financeira está instalada, e vai demorar, mas é também sabido que há uma multidão de pessoas a mobilizar-se para que, quem está pior tenha o necessário. Por outro lado, o caminho da resolução reclama a co-responsabilidade de todos, mesmo sabendo que deviam apenas assumir alguns os estragos causados, sobretudo quem meteu ao bolso o que a todos pertencia. 
Mas o cenário é irreversível e por isso só uma atitude cooperante e de diálogo, não de ingenuidade, pode facilitar, a longo prazo, o equilíbrio económico e financeiro e restituir a todos o mínimo de bem-estar.

Vieira Maria

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