Editorial (publicação do mês de Outubro)
Dois temas dominam esta publicação, as Jornadas Mundiais da Juventude, pois em Setembro esta publicação esteve suspensa para férias do pessoal, e a realidade actual condensada na expressão por todos aceite e pronunciada: a 'crise'.
Duas realidades que diferem no conteúdo, na forma e na natureza, mas que podem ser suporte uma da outra, eis a razão porque se dá voz a quem de longe observou o que se passou em Madrid durante aqueles dias, mas também, a quem participou activamente neste evento único e denso.
É quase indescritível o que se viveu! Só a fé pode desencadear estas coisas! Um 'tsunami' juvenil inundou Madrid: o canto, a alegria, as palmas, os sorrisos rasgados, em jeito de dádiva e reconhecimento fraterno, a exuberância, imprimiam um clima de festa aos cantos e recantos madrilenos.
Ninguém ficava indiferente! Uma grande família unida no mesmo Senhor, para celebrar, publicamente a fé, com Bento XVI, o sucessor de Pedro, que não se cansa de apontar a todos, crentes e não crentes, o caminho do Bem, da Verdade e da Beleza. Na musicalidade das diferentes línguas, era possível um entendimento comum e único!
Mas a evidente exuberância juvenil dos milhares de jovens, que poucos conseguiam calar, cedia espaço ao silêncio profundo, nos momentos mais fortes do Encontro: a Eucaristia de abertura; a saudação e a Palavra de Bento XVI, a Via-Sacra, a adoração Eucarística no aeródromo e a celebração conclusiva. Nada, nem mesmo o mau tempo, fazia arredar pé!
Os jovens são capazes de muito, se movidos por altos ideais... e quem sabe se a participação neste acontecimento, não foi para muitos incentivo e força na superação das dificuldades que esta 'crise' generalizada faz sentir?
Era outro mundo... mas o regresso, fez esta multidão de jovens acordar banhada por uma convulsão de coisas, advindas da chamada 'crise'.
As informações são voláteis e contraditórias... ora é, ora já não é... é difícil perceber a solidez das informações e intuir o rumo que tudo isto vai tomar...
A comunicação social parece viver da necessidade de apresentar novos assuntos, novos escândalos, novidades... impedindo que haja tempo suficiente para amadurecer ideias e delinear projectos. Há um proliferar de segmentos de informação, que deixam no ar o medo, a dúvida, a confusão, a depressão e, por vezes a revolta, retirando os 'mínimos' de esperança e confiança e até a vontade de cooperar.
Sabe-se que a crise económica e financeira está instalada, e vai demorar, mas é também sabido que há uma multidão de pessoas a mobilizar-se para que, quem está pior tenha o necessário. Por outro lado, o caminho da resolução reclama a co-responsabilidade de todos, mesmo sabendo que deviam apenas assumir alguns os estragos causados, sobretudo quem meteu ao bolso o que a todos pertencia.
Mas o cenário é irreversível e por isso só uma atitude cooperante e de diálogo, não de ingenuidade, pode facilitar, a longo prazo, o equilíbrio económico e financeiro e restituir a todos o mínimo de bem-estar.
Vieira Maria






















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