4 de agosto de 2011

Você é o que ouviu, viu e leu

São muitos os detractores da TV. Não que aquela janela aberta ao mundo, seja perniciosa, pelo contrário, mas porque quem cuida da programação apenas lhe interessa a audiência, e menospreza a qualidade. A missão primordial de um meio de comunicação por excelência, como é a TV, deve ser: informar e formar. 
Informar com honestidade e formar culturalmente e moralmente o espectador. 
Olvidam - ou fingem não saber, - os responsáveis, que a maioria da população, mesmo a que ostenta grau académico superior, pauta a conduta e pensar, pelo que ouve e vê na TV?! 
Saberão - por certo sabem, - que a telenovela libertina e viciosa, cujas personagens levam desregrada vida, cava, nas mentes em formação - e não só, - conceitos perversos, nefastos para o jovem e a sociedade? 
Conta D. Manuel de Mello, que estando em viajem, agasalhou-se numa estalagem, onde a proprietária e suas filhas liam um livro de cavalaria; e tão engolfadas se encontravam, que só o atenderam após haverem conhecido o desfecho dos amores desconcertados. Soube, mais tarde, no regresso, que cada uma das filhas, seguiu o exemplo da personagem. 

Como outrora acontecia, também agora, incendiados pelas ignominiosas imagens da TV, a maioria dos jovens seguem a conduta e jeitos de pensar das figuras novelescas. 
Como a telenovela, o livro, que apresenta também cenas torpes e conceitos perniciosos, pode inculcar, mesmo nas mentes adultas e de óptima formação, lesões; fissuras que teimam não cicatrizarem. 
A mulher do escritor Eça de Queiroz cuidava que os filhos não lessem certas obras do pai; e o próprio Eça evitava que a filha Maria tomasse conhecimento da maioria da sua obra. 

Cai aqui bem o que disse Helene Mac Innes, pelo acerto das suas palavras: O que você é hoje, depende de tudo que você viu, ouviu ou sentiu ontem; o que você aceita ou rejeita hoje, o melhorará amanhã. Nós somos o que somos, por causa do que fomos. 
Assim é: Somos o que lemos, ouvimos e vimos. O nosso carácter, a nossa honestidade, a nossa conduta e pensar depende do que lemos, vimos e sentimos em épocas passadas. 
Por isso os educadores devem ter especial cuidado com as leituras dos jovens e na escolha de filmes e espectáculos que frequentam. 

Como dizia Fulton J. Sheen devemos escolher, na floresta das obras publicadas, as que forem melhores para a nossa formação. Fazer, como se faz com os amigos: apartar da multidão, os que nos convêm para companheiros de jornada. Se assim fizermos, estamos a criar sociedade mais perfeita e a contribuir para a felicidade e bem-estar do mundo. 
Infelizmente escasseiam, nos tempos que correm, pais cuidadosos e educadores que conduzam os jovens pelos caminhos da probidade; e deste jeito, a mocidade é manipulada pela mass-media, que explora os vícios em lucro próprio e prejuízo de todos. 
E o pior é que não há quem ponha cobro ao desvario.

por Humberto Pinho Silva

0 Comentários:

Twitter Delicious Facebook Digg Stumbleupon Favorites More