27 de maio de 2011

A Sacralidade da Vida Humana

O reconhecimento de que a vida humana é sagrada, assenta em três dimensões sólidas, fundamentais: a razão da sua origem, a razão da sua natureza e a razão do seu destino. 

No entanto, pensadores alheios à cultura judaico-cristã, como Aristóteles, (384-322 a.C.) escreveu: “ O embrião humano é algo divino, enquanto é um homem em potência”. E no século I, Séneca, um dos mais célebres escritores e intelectuais do Império Romano (4 a.C. a 65 d.C.), escreveu: “Homo sacra res homini, o homem é coisa sagrada para o homem”… 
Intuíram que a vida humana encerra um valor incomensurável, praticamente divino, desde o seu começo até ao seu termo. Mas foi, sem dúvida, a revelação cristã que descobriu o fundamento claro e sólido de tal afirmação. 

A vida humana é sagrada pela sua origem, conforme lemos no 1.º capítulo do Génesis que, num estilo muito simples, narra os acontecimentos, como a criação do universo e do homem. O homem, apesar de um dos seus componentes ser a matéria, não é, de modo nenhum, um produto da matéria: goza de um sopro, de um toque divino, uma alma espiritual que faz com que desde o primeiro momento da sua existência lhe chamemos “pessoa”. Uma pessoa que é única, irrepetível, com uma riqueza potencial própria… 

A dimensão espiritual da pessoa é, necessariamente, obra exclusiva de Deus, a sua origem imediata. Assim, por esse facto, somos obrigados a reconhecer que cada vida humana é sagrada. 
É sagrada também pela sua natureza! Diante desta afirmação taxativa, podemos perguntar: Então, o que é que resulta da acção criadora de Deus com a participação dos pais, na geração? 

É esta a grande revelação sobre a natureza humana: “Deus criou o homem à sua imagem (…) homem e mulher os criou” (Gen. 1, 27). O Papa João Paulo II, explica: “isto é o que se quer recordar quando afirma que a vida humana é sagrada”… 
É sagrada também pelo seu fim e sentido divinos. Toda a vida humana é fruto do amor e do querer de Deus, que chama cada homem ou mulher à existência e à eterna comunhão gozosa com Ele (cfr. Mt 25, 21 – 23). Toda a pessoa foi ordenada para um fim sobrenatural, isto é, a participar dos bens divinos que superam a compreensão da mente humana. 
João Paulo II disse ainda que “todos os seres humanos deveriam valorizar a individualidade de cada pessoa como criatura de Deus, chamada a ser irmão de Jesus Cristo em virtude da encarnação e redenção universal”. Deste modo, compreendemos que é sobre estas premissas que se fundamenta a sacralidade da pessoa. 

Recentemente, em 27 de Novembro, o Papa Bento XVI durante a sua homilia da “Vigília pela vida nascente”, afirmava que o homem, inclusivamente antes de nascer, tem uma dignidade altíssima, tendo por isso direito a não ser tratado como um objecto em benefício de outros. 
Nesta vigília, o Papa quis reafirmar sobretudo, o “altíssimo valor” da vida humana, assim como advertir contra as “tendências culturais que tentam anestesiar as consciências por motivos injustificáveis”. 
“É nesta linha que se coloca a solicitude da Igreja pela vida nascente, a mais frágil, a mais ameaçada pelo egoísmo dos adultos, e pela degradação e obscurecimento das consciências”. 
A ciência, segundo o Papa, evidencia a autonomia do embrião, a sua capacidade de interacção com a mãe, a continuidade do seu desenvolvimento, a crescente complexidade do organismo. 
“Não se trata de uma quantidade de material biológico, mas de um novo ser vivo, dinâmico e maravilhosamente ordenado, um novo indivíduo da espécie humana”, afirmou o Papa. Por isso, acrescentou, a Igreja sempre reiterou o que o Concílio Vaticano II afirma sobre o aborto e qualquer violação do nascituro: “A vida deve ser protegida desde a concepção com o máximo cuidado, uma vez que nada justifica não considerá-la uma pessoa”. 

O Santo Padre prosseguiu dizendo que o homem “tem uma originalidade distinta sobre todas as outras criaturas que habitam a terra. Apresenta-se como sujeito único e singular, dotado de inteligência e vontade livre, além de estar composto de realidade material”. “Somos, portanto, espírito, alma e corpo. Somos parte deste mundo, ligados às possibilidades e limites da condição material, mas ao mesmo tempo, estamos abertos a um horizonte infinito, capazes de dialogar com Deus e de acolhê-lo em nós”. 

Realidade maravilhosa mas ignorada pela precária sociedade portuguesa que, em consequência da indiferença, irresponsabilidade e imobilismo da maior parte dos portugueses, fomentou e promoveu o infanticídio com a abominável lei do aborto… 
A partir de estudos divulgados recentemente por diversos meios de comunicação social, (o “Sol”, “DN”, etc., de 22/12), sabemos que o n.º médio de abortos legais, diários praticados em Portugal, à custa do dinheiro dos portugueses e de uma parte da dívida ao exterior com juros elevadíssimos, atinge os 53... 
Cinquenta e três vidas humanas sagradas, destruídas diariamente! Quem irá prestar contas de toda esta barbárie? Os Pais?! Os Políticos?! Os Médicos?! Os que votando ‘sim‘ no Referendo, promoveram a Lei?! 

Estamos certos de que cada um individualmente!... 

Na sua intervenção de 27 de Novembro o Papa recordou também o apelo de João Paulo II, na encíclica Evangellium Vitae, e exortou “os protagonistas da política, da economia e da comunicação social a fazerem todo o possível para promover uma cultura sempre respeitosa da vida humana, para procurar promover condições favoráveis e redes de apoio ao acolhimento desta”. 

Cada vida humana é pois, tanto pela sua origem, pela sua natureza, como pelo seu fim ou sentido, uma criatura criada à imagem e semelhança de Deus, muito especialmente sua. Atentar contra esta vida é atentar contra a propriedade de Deus, como um desafio frente a frente… 
“Em verdade vos digo que quanto fizestes a um dos meus irmãos mais pequeninos, a Mim mesmo o fizestes”. (Cfr. Mt 25, 40). 
Estas palavras de Jesus Cristo falam-nos do extremo a que chega a sua amorosa solidariedade com cada um de nós. Respeita infinitamente a nossa liberdade, mas quem a use contra a sua imagem - homem ou mulher -, queira-se ou não, usa-a contra Deus mesmo. E perante Ele, mais que perante tribunais e histórias humanas, haverá que responder… 

Por Helena H. Marques

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